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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Atacama: uma aventura fotográfica, de Felipe Dumont e Thierry Rios, ed. Imprensa Livre (2007)





Em rápida estada em Rio Grande (RS), ganhei do fotógrafo rio-grandino Felipe Dumont um exemplar de seu livro “Atacama: uma aventura fotográfica”, co-assinado por seu amigo e também fotógrafo Thierry Rios. Como o nome sugere, registra fotos da dupla feitas no deserto do Atacama, norte do Chile, conhecido como o mais alto e mais árido do mundo, além dos pequenos povoados dos arredores onde puderam registrar deslumbrantes imagens, algumas de lugares tão inóspitos que parecem não pertencer ao planeta Terra.

A predominância da luz solar, na grande maioria dura, provocando muita sombra e contraste, marca as cerca de 130 fotos escolhidas para figurar na obra. Sem créditos para um ou outro, demonstrando a verdadeira parceria de Felipe e Thierry, mostram, na primeira parte, vários grandes planos da Cordilheira de Sal, onde é possível perceber as incríveis variações cromáticas produzidas por uma região em que o sal petrificado, a neve, o gelo e a água líquida convivem com a claridade da luz natural, criando imagens quase surreais. Tão sobrenaturais quanto são as de El Tatio, onde gêiseres situados sobre uma caldeira vulcânica, em plena Cordilheira dos Andes, jorram água fervente que, em contato com o ar e a temperaturas abaixo de zero, gera vapores que, quando iluminados pelo sol, produzem efeitos interessantíssimos. Quase surreal.
As que mais gostei, no entanto, vêm na segunda metade do livro: as fotos dos povoados áridos, coloridos e fulminados por um sol que parece permanentemente o de meio-dia. É uma região localizada a altitudes de 3 mil a 4 mil metros onde, reza a lenda, não chove a 400 anos. Seu povo, os atacamenhos, é judiado pelo sol implacável, pelo vento arenoso e pelo ar seco. Com muita sensibilidade, a dupla consegue captar lindos lances dessas pessoas cujos primeiros nativos, dizem, datam de 10 mil anos atrás.

Variações climáticas abissais (Felipe me relatou que, num dos dias, passaram de -18° para 26° num intervalo de oito horas), natureza incomum, gente hospitaleira e muita, mas muita aridez. “Que força é essa que nos moveu a um lugar tão longínquo e de condições tão difíceis?”, perguntaram-se depois da jornada. Em seu depoimento no livro, Felipe responde a essa questão: “Essa força não é outra senão um grande sentimento de poder. O poder de parar o tempo.” De fato, é o que esse belo livro consegue transmitir àqueles que, como eu, estão confortavelmente aqui embaixo. No planeta Terra.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

"Escuta Só, Do Clássico ao Pop', de Alex Ross




Acabei de ler o "Escuta Só" do jornalista norte-americano Alex Ross e não gostei tanto quanto eu imaginava que gostaria. Em poucos momentos ele realmente traça paralelos e estabelece analogias entre a música clássica e o universo pop- rock, o que supunha eu, fosse a tônica do livro. Até o faz no início do livro com uma interessante progressão cronológica e inter-relações de épocas e estilos, mas depois até pelo fato de ser uma coletânea de matérias, perde um pouco este foco.
De bem bacana mesmo o capítulo em que fala da cantora islandesa Björk, atribuindo a ela o devido valor no cenário da música atual; o capítulo sobre o Sonic Youth no qual faz ver que por trás de todo um aparente barulho há um conceito e músicas extremamente bem construídas; a parte toda sobre Mozart e sobre como este gênio sabia agradar populares e eruditos; e também quando demonstra a evolução das linguagens musicais que desembocaram na formação do blues. No mais, é interessante quando fala de uma instalação natural-musical chamada O lugar onde você vai para ouvir, e toda a reverência que presta ao mito Bob Dylan refazendo sua trajetória e analisando letras e composições.
Esperava mais do livro mas está longe de ter sido uma decepção. Vale pela tentativa de desmitificação do 'monstro sagrado' que é a música tida como erudita, e o autor se empenha especialmente em mostrar que, no fim de tudo, tudo é apenas música.
Uma boa leitura, no fim das contas.



Cly Reis

Coluna dEle #22


Fala, galera aí de baixo! Tô chegando!
Tudo belêz?
Comigo tudo numa boa. Tenho que administrar essa coisa toda, mas vai-se levando como se pode. empurrando com a barriga, que aliás tá enorme. A Mulhé ja disse que Eu tenho que emagrecer mas como é que eu vou dispensar aquela lasanha no fim-de-semana, né?

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Por falar em comilança, como é que tão os preparativos pro Natal?
As compras, a ceia, o peru, a rabanada?
Aqui em casa, cês sabem que é aquela coisa: além de Natal é aniversário do Meu guri. Fica um EU nos acuda.
A Patroa já montou árvore, botou enfeitezinho na porta, presépio... Afff! Essas frescuras!
Minha Nosssa Senhora!!!

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Infelizmente esse ano as festas vão cair em final de semana, né?
Merda!
Não vai ter feriadão.
Até pensei em mudar o calendário, já que Eu posso tudo, mas isso ia desorganizar todos os próximos mil anos, e aí quem ia se ferrar era Eu, então melhor deixar assim mesmo. Mas vam'vê se, já que Eu mando nessa merda mesmo, se Eu dou um jeito de fazer um recesso por aqui.  ; -)

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Como andou atrasando o Meu 13°, só agora vou poder começar a providenciar as coisas. Não queria deixar tudo pra última hora porque, vocês sabem né, os shoppings ficam uma loucura. Mas não vai ter jeito, vou ter que encarar lojas cheias e aquela coisa toda. Um Inferno! 

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A Dona Encrenca quer um desses smart-phones que fazem tudo.
Tem uns desses que são impressionantes mesmo. Fazem coisas que até Eu duvido.
Já o Meu Guri quer um jet-ski. Não sei pra que se ele pode muito bem caminhar sobre a água, mas ele insiste, diz que é mais radical e tudo mais, então, vá lá.

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A propósito de tecnologia, Eu andei trazendo pra cá pra cima o Steve, aquele da Apple e aproveitei e dei uns jobs pra ele no Meu departamento de informática. Só um cara como ele pra organizar essa bagunça. Aproveitei e pedi pra ele inventar alguma coisa pra facilitar a Minha vida.
O cara é bom! Bom mesmo! Inventou um tablet aqui que Eu posso comandar o mundo de onde Eu estiver, na cama, no banheiro, no sofá.
É o iGod.
Pequeno, levinho, fininho, fácil de carregar... Adoro ir percorrendo de um continente pro outro só tocando na tela. O mundo na ponta dos Meus dedos! Um barato! Hehehe!
É, e tem USB, bluetooth, memória o bastante pra guardar todos os arquivos da história da humanidade, uns joguinhos maneiros e o melhor é que tem acesso às redes sociais. Agora fica bem mais fácil de acessar o meu Face.
Foi o presentinho que Eu Me dei de Natal, afinal de contas Eu também sou filho de ... Bom, quer dizer... Não sou filho, Eu sou.. Ah, esquece!

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Pedidos de Natal para: god@voxdei.gov

Fui!



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