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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Chuck Berry - "Chuck Berry is on Top" (1959)



"É difícil para mim falar de Chuck Berry
porque eu copiei todos os acordes
que ele já tocou."
Keith Richards


O que é que aquele negro estava fazendo ali pela segunda metade dos anos 50?
Negros faziam blues, mas aquilo não era blues.
Tinha pitadas, doses de música country, mas não era country, e, afinal de contas country era música pra caipiras brancos.
Tinha um balanço diferente, tinha um embalo impressionante.
Senhores, aquele homem tinha acabado de inventar uma coisa chamada rock'n roll!
Aquela mistura, aquele jeito de tocar, aquela guitarra singular, aqueles riffs, aquele novo ritmo de certa forma desagradava um pouco aos negros porque subvertia o blues; desagradava também aos brancos por ousar mexer com um ritmo característico deles; mas o mais importante é que muito mais gente aprovou, e adorou, e aderiu e, enfim, é por isso que estamos aqui, não é mesmo Chuck?
Embora seu primeiro disco, After School Session" de 1957, seja considerado uma espécie de marco-zero do rock, destaco aqui seu terceiro álbum, "Chuck Berry is on Top" de 1959, por trazer uma maior quantidade de seus grandes hits por metro quadrado entre os primeiros trabalhos de sua carreira: tem a alucinante "Maybelline"; a elétrica "Sweet Little Rock and Roller"; o riff matador de "Johnny B. Goode"; e a empolgante "Roll Over Beethoven"; sem falar em outras como "Around and Around", "Carol" ou "Jo Jo Gunne" por exemplo, igualmente excelentes mas não tão famosas quanto as clássicas.
Não, não é a toa Chuck Berry é considerado por muitos o Pai do Rock, e "Chuck Berry is on Top" está aqui para confirmar isso.

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FAIXAS:

  1. "Almost Grown" – 2:18
  2. "Carol" – 2:44
  3. "Maybellene" – 2:18
  4. "Sweet Little Rock & Roller" – 2:18
  5. "Anthony Boy" – 1:50
  6. "Johnny B. Goode" – 2:38
  7. "Little Queenie" – 2:40
  8. "Jo Jo Gunne" – 2:44
  9. "Roll Over Beethoven" – 2:20
  10. "Around and Around" – 2:20
  11. "Hey Pedro" – 1:54
  12. "Blues for Hawaiians" – 3:22

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Ouça:
Chuck Berry Is On Top


Cly Reis

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Tintas Azuis









Tinta Azul (1)

Tinta Azul (2)

Tinta Azul (3)
fotos: Cly Reis

cotidianas #141 - Y así...



Minha agenda é um rascunho de poemas inacabados
Meus dias são escritos em linhas tortas
Onde Deus não incide
Dias de um calendário que já não está mais aqui
Onde fui parar?
Que endereços são estes que me esqueci de onde ficam?
Perdi-me
Horas, dias que não são mais eu
Não mais sou
(Não mais sou?)


arte: Daniel Rodrigues
Frases que não querem se concluir
Poesias que se prendem ao papel
E nunca, nunca, jamais!, tomar vida
As folhas são sua casa
E, fechadas, no calor das páginas unidas, podem se eternizar naquilo que nunca foram


Outras dessas, porém
drummoniamente
Se libertam
descolaram-se
Ilíadas temerosas
Ansiosas para serem invadidas de sentido
E que, hoje, olham para o ventre de onde saíram e quase não se reconhecem
“Eu fui eu?”, perguntam-se com espanto
É de se espantar


Meses repetitivos, que não mais se repetem
Me angustia, mais do que tudo, não compreender palavras que eu mesmo escrevi
O que contém ali?
Quem eu era naquela hora, ali, quando a caneta feriu o papel?
Anagramas, hieróglifos, traços, borrões, desenhos de eus
Quase letras


Nomes irreconhecíveis
Lugares sem destino
Tarefas cumpridas ou não
Coisas inconclusas
Leio:
“Cata-vento”
“Andrea”
“Caixa forte”
“Pobreza”
“431”
“Noves fora”
e não identifico nada disso aqui dentro
Não lembro do que eu sou-fui neste passado de presentes
Folheio e folheio e não me encontro
Onde fui?


Caibo ainda?

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

cotidianas #140 - Táxi


Luan entra no táxi.
Reconhece o mesmo taxista de alguns dias atrás, quando pegou o mesmo táxi no mesmo lugar.
TAXISTA: Tu já é de casa, irmão. Se incomoda que eu fume?
LUAN: Não, tudo bem...
Minha irmã liga pela segunda vez enquanto estou no táxi.
TAXISTA: Bá, mas pode dizer para a tua irmã que ela é um pé no saco, hein?
LUAN: É que é ela que vai pagar a corrida e tal...
TAXISTA: Pensando melhor, acho bom não falar nada, não. Diz que a corrida foi 100 reais. Dividimos meio a meio.
Ri feito louco.
LUAN: Por 100 reais, eu ia caminhando encontrá-la!
(...)
TAXISTA: Esse carro tá uma porcaria. Tá vendo esse vidro? Não fecha! Mas quer saber? Vou fechá-lo à força!
E começa a bater no vidro feito louco.
LUAN: E como tu vai fazer para abrir?
TAXISTA: Penso nos detalhes depois.
Ri feito louco, mais uma vez.
Às vezes, acho que um piadista se mete a escrever minha vida. Só pode!


de Luan Pires