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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Siouxsie and the Banshees - "Juju" (1981)







" 'Juju' foi a primeira vez que tínhamos feito, 
por assim dizer,
'um álbum conceitual'.
Um disco que se baseou
em elementos mais escuros." 

Steven Severin

Gosto muito deste disco por ser ele um trabalho de transição. A passagem definitiva daquele grupo caracteristicamente punk do final dos anos 70, para uma linha mais gótica de estilo sombrio, de atmosferas obscuras, bem típico daquele início dos anos 80.
“Juju” de 1981, tem um pouco dos dois: o peso do punk rock e o clima do darkismo oitentista. Conheci o disco por intermédio da minha amiga Tânia Becker que gravou um fita cassete pra mim com o álbum na época que eu era duro demais pra comprar os LP’s. Como naquela época eu não conhecia este trabalho especificamente da discografia d banda, fiquei um tanto surpreso exatamente com isso que chamei atenção: como aquele disco era pesado, como era guitarrado, distorcido, e no entanto era completamente Siouxsie and the Banshees. Grande parte dessa ‘barulheira’ se deve é claro à guitarra marcante de John McGoech (ex-Magazine) que, se nunca foi um grande guitarrista (e não foi) sempre foi competente e inegavelmente tinha seu traço instrumental pessoal muito marcante com suas guitarras rascantes e supersonicas. Em “Juju” a banda ganhava outro acréscimo de qualidade que era toda qualidade e a técnica do baterista Budgie, que havia na verdade entrado no álbum anterior, “Kaleidoscope”, mas talvez por causa do direcionamento bastante eletrônico daquele álbum, não tivesse podido tirar o melhor de si, o que começaria, efetivamente, a acontecer em “Juju” e só melhoraria dali para a frente. Steven Severin não precisa nem falar: é de uma precisão e segurança impressionantes. Um relógio; e a Rainha das Trevas hipnotiza com seu vocal enfeitiçante, sedutor e assustador por vezes, indo da loucura à magia, do desespero ao transe em questão de segundos.
Canções como a vibrante “Spellbound” que abre o disco; a frenética “Haloween” e a distorcidíssima e “Monitor” com sua guitarra incontrolável, não negam que a veia punk continua lá firme; por outro lado a arrastada “Night Shift” e sobremaneira a macabra “Voodoo Dolly”, um show à parte de Sioux, não desmentem o caminho soturno que a banda seguiria mais enfaticamente a partir de então.
“Arabian Nights” de baixo bem desenhado e percussão marcante; “Into the Light” de estrutura toda quebrada; “Head Cut” com destaque novamente para a guitarra de McGoech; e a crescente “Sin in My Heart”, ficam num meio termo entre a sutileza e a brutalidade, entre as trevas e a luz, entre o agressivo e o belo, e igualmente merecem menção com entusiasmo.
Fiz uma pequena enquete entre amigos que como eu curtem Siouxsie and the Banshees, não exatamente para decidir que álbum destacaria aqui na seção, mas mais para ter uma noção do preferido dos fãs. De um modo geral, manifestou-se uma certa preferência pelo “Hyaena” de 1984, o que me surpreendeu um pouco, considerando que é um disco que, por certo, aprecio bastante mas que não destacaria a tal ponto. Embora seja uma discografia difícil de destacar qualquer álbum dada a regularidade dos trabalhos da banda, na verdade já estava decidido que para mim “Juju” seria o  ÁLBUM FUNDAMENTAL  da vez.
Mas nada impede que o “Hyaena” ou qualquer outro apareça por aqui uma hora dessas.
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FAIXAS:
  1. "Spellbound"
  2. "Into the Light"
  3. "Arabian Knights"
  4. "Halloween"
  5. "Monitor"
  6. "Night Shift"
  7. "Sin in My Heart"
  8. "Head Cut"
  9. "Voodoo Dolly"
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Ouça:

por Cly Reis
para Tânia Becker

Guitarman





"Guitarman", Reis, Cly (2007)
óleo sobre tela (60x30cm)

domingo, 24 de junho de 2012

cotidianas #166 - "Noite de São João"


"Festa de São João" - Portinari, Cândido
(óleo sobre tela) 1958
Era noite de São João
E eu saia com meu irmão
De bigode de rolha
E chapéu novo em folha
Brim Coringa e alpargata

Toda noite de São João
Eu sonhava em pegar da mão
De uma prenda bonita
De vestido de chita
E Maria Chiquinha

Soltando foguete (tchê)
Pulando fogueira (há)
Era noite de São João

Toda noite de São João
A quermesse era um festão
Bandeirinhas no arame
De papel celofane
Pau de sebo e de fita

Era noite de São João
E depois de comer pinhão
Vinha pé-de-moleque
Puxa-puxa e um pileque
De caninha ou de quentão

Soltando foguete (tchê)
Pulando fogueira (há)
Era noite de São João

Era noite de São João
Cordeona com violão
Esquentavam as moça
E eu nesse bate-coxa
Não podia me segurar

Toda noite de São João
Eu voava que nem balão
Namorava as estrelas
Que são primas terceiras
E afilhadas de São João

Soltando foguete (tchê)
Pulando fogueira (há)
Era noite de São João


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letra de "Noite de São João"
(Kleiton e Kledir)

Ouça:
Kleiton e Kledir - "Noite de São João"