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terça-feira, 21 de abril de 2015

Maria Bethânia – Show “Abraçar e Agradecer” – Teatro do SESI – Porto Alegre/RS (16/04/2015)



O encanto e a graça de Bethânia no Teatro do SESI
foto: Amanda Costa
Não sou um expectador de shows tão rodado, bem como sei que já perdi muitos deles que nunca mais assistirei, pois os artistas já se foram para outro plano. Mas sei também que já vi muita coisa boa pelos palcos da vida, e dificilmente algo se comparará ao megaespetáculo de Paul McCartney no Estádio Beira-Rio ou, noutra ponta, ao “concerto caseiro” que Paulinho da Viola proporcionou aos porto-alegrenses num belo domingo matinal na Redenção. Mas o que estou falando não tem nada a ver com isso. Tem a ver com a talvez maior cantora, maior performer, maior intérprete viva deste esférico e redundante planeta: Maria Bethânia. E em se tratando de Bethânia não há comparação.
O espetáculo “Abraçar e Agradecer”, apresentado por ela no Teatro do Sesi, em Porto Alegre, comemorando irrepreensíveis 50 anos de sua carreira, deixa muito claro todas essas acepções: vê-se uma artista plena no palco, ciente e aproveitadora de sua trajetória, carregada pelo alto profissionalismo e por suas próprias individualidade, apaixonada pelo o que faz. Como muitos gostam de dizer – mas que a ela se atribui de fato –: uma diva. Foram cerca de 1 hora e 45 minutos que percorrem vários momentos de sua trajetória como uma das mais importantes artistas da história da música brasileira.
Sob luzes intensas de um cenário magnificamente montado por Bia Lessa apenas por estas, Bethânia entra no palco. E é ai que tudo se ilumina de fato. A abertura é tão grandiosa quanto autorreferencial: “Eterno em Mim”, de autoria do mano Caetano Veloso, compositor preferido dela (junto com Chico Buarque) e de maior presença no repertório do show, com seis canções ao total. Tão lindo e completo que minha sensação era de que, logo que terminou o primeiro número, a apresentação poderia terminar ali. Exagero meu, pois tinha muito mais. Mais uma, “Dona do Dom” (de Chico César, de quem também Bethânia cantara outra marcante do show, o fado milongado “Xavante”), e vem um belíssimo poema da própria Bethânia, misto de agradecimento ao público, aos orixás, à natureza, aos amigos, à vida e a si mesma. Tão bonito que não deixa em nada a dever aos outros textos que, como de costume, ela entremeia às canções nos seus shows. Neste espetáculo, obviamente, não poderia ser diferente: tem Clarice Lispector (com três passagens), Waly Salomão, Carmen Oliveira e Fernando Pessoa.
Mas voltando às músicas, o repertório celebra sua história na música brasileira, mas, exceto o hit “Gostoso Demais” (Dominguinhos e Nando Cordel), evita obviedades como “Fera Ferida”, “Reconvexo”, “Álibi” ou “Um Índio”. Mas clássicos há, e vários deles. Tanto que Bethânia arrasa numa versão vibrante e comovente de “Gita”, de Raul Seixas e Paulo Coelho. Todas as músicas se emendam umas nas outras, o que faz com que intensifique ainda mais a montanha-russa emocional que ela impõe ao público, pois além da carga gerada pelas próprias músicas, ainda não dá tempo de respirar entre estas. No caso, “Gita” se liga com outra de Caê: a lírico-romântica “A Tua Presença Morena”, joia que o genial irmão compôs-lhe para o álbum “A Tua Presença”, de 1971, ainda no exílio em Londres. De arrebatar. Aí vem outra dele para ela: “Nossos Momentos” (“Quem pode compartilhar dos meus sentimentos/ Na hora que o refletor bater/ Momentos de luz e de nós/ Momentos de voz e de sonho/ Momentos de amor que nos fazem felizes/ E às vezes nos fazem chorar”), num diálogo tanto com o que veio antes quanto com o trecho de Lispector lido na sequência, que diz: “Antes de julgar a minha vida, calce os meus sapatos, percorra o caminho que percorri, viva as minhas tristezas, minhas dúvidas, viva as minhas alegrias. Tropece aonde eu tropecei, e levante-se assim como eu fiz.”
Gonzaguinha, outro importante parceiro, amigo e compositor da carreira de Bethânia, retoma a seção musical metalinguisticamente: “Começaria Tudo Outra Vez”. No palco de LED em que Bethânia pisa se projetam de diversas formas: flores, estrelas, letras, desenhos, geométricos. E as luzes sobre ela ajudam a marcar a incrível performance de uma artista que dança e interpreta com alegria e jovialidade, apesar dos cabelos tomados de branco e os quase 70 anos. “Alegria”, aliás, é o que ela traz em seguida no lindo samba de Arnaldo Antunes, que ganha batuques de axé. Logo após, “Voz de Mágoa” (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro), uma tocante interpretação do clássico bossa-novista “Dindi” e uma ainda mais emocionante execução de “Você Não Sabe”, de Roberto e Erasmo, compositores “incultos” para a dita intelligentsia que Bethânia fora uma das primeiras a demonstrar a beleza de suas construções melódicas. Quando se pensa que vai se respirar um pouco, ela vem com “Tatuagem”, de Chico e Ruy Guerra, e aí os olhos marejam inevitavelmente.
Depois de novo texto de Lispector, Chico retorna noutra marcante na carreira de Bethânia: a apoteótica “Rosa dos Ventos”, título do memorável show da cantora de 1971 quando ela consolida este formato de apresentação altamente íntima e com composições de diversas vertentes. Um pout-pourri com a ótima banda comandada por Jorge Helder preenche o interlúdio, quando Bethânia sai para trocar de figurino e voltar para o segundo ato. “Tudo de Novo“, mais uma de Caetano, faz a montanha-russa, que havia estacionado por alguns minutos, voltar com toda a velocidade.
As referências aos orixás, principalmente Iansã e Oxum, e aos elementos “água” e “vento” aparecem do início ao fim, e bastantemente nesta segunda parte. “Doce”, de Roque Ferreira (“A lagoa escura que a Bahia tem/ Que a areia branca rodeou/ São as águas de Oxum que Caymmi batizou...”), ”Oração de Mãe Menininha”, de Caymmi (“E a Oxum mais bonita, hein? Tá no Gantois...”), “Eu e Água”, outra de Caetano (“O mar total e eu dentro do eterno ventre/ E a voz de meu pai/ voz de muitas águas”) dialogam entre si e mostram claramente isso. A música que dá título ao show, de Gerônimo e Vevé Calazans (porém na ordem inversa: “Agradecer e Abraçar”), mantém a mesma linha: “Abracei o mar na lua cheia...”. Igualmente as três de Roque Ferreira que vêm em sequência: “Vento de Lá” (“Foi o vento de lá, foi de lá que chegou/ Foi o vento de Iansã dominador que dormia...”), “Imbelezô Eu” (“Alecrim beira d'água/ Que me beijou percebeu/ Alguma coisa em mim aconteceu/ A mão que me tocou imbelezô eu...”) e a bela “Folia de Reis”.
Um samba antigo, “Mãe Maria”, de Custódio Mesquita e David Nasser, precede outra maravilhosa declamação de Bethânia – como talvez no Brasil ela seja a que melhor o saiba fazer –, agora com poesia do conterrâneo Waly: “Cresci sob um teto sossegado, meu sonho era um pequenino sonho meu. Na ciência dos cuidados fui treinado/ Agora, entre meu ser e o ser alheio, a linha de fronteira se rompeu.”. Neste momento, Bethânia, dona do repertório, faz um singular paralelo entre a música rural (“Eu, a Viola e Deus”, “Criação”, “Casa de Caboclo”, “Viver na Fazenda”) com a raiz indígena brasileira (“Povos do Brasil”, o canto tupi “Maracanandé” e a já citada “Xavante”) com o autorreconhecimento da voz (“Alguma voz”, outra de PC Pinheiro e Dori, e “Motriz”, última de Caetano no show), seleção de músicas cujo simbolismo, entremeada pelo pungente e feminino texto “Candeeiro”, de Carmen Oliveira, representa a sua própria existência como pessoa e cantora.
“Eu Te Desejo Amor”, canção francesa de Charles Trenet e Léo Chauliac, de 1942, vertida para o português por Nelson Motta, arrebatou o público, que a essas alturas já a aplaudia de pé. Ao final desta, por sinal, dois minutos de aplausos diante de uma Bethânia visivelmente emocionada que dizia: “Que plateia é essa?!”. Mas o deslumbre não terminaria ali, pois, depois de ler um de seus poetas preferidos, Pessoa, Bethânia inunda de emoção o teatro com uma interpretação, esta em francês de fato, do clássico de Edith Piaf “Non, Je ne Regrette Rien”, enquanto uma projeção no chão de uma faixa de estrada parece cruzar-lhe o peito em alta velocidade.
“Silêncio” fecha o show em versos que traduzem a despedida e a delicadeza daquele momento tão especial, tanto para a artista quanto para o público: “Silêncio, eu quero ouvir o que me diz a imensidão/ Saber se minha alma tem razão/ Quando acredita que essas coisas vão durar”. A banda encerra ao som de outro marco da trajetória de Bethânia: “Carcará”, de João do Vale. Sob um mar de aplausos ela sai do palco, mas logo retorna para entoar dois sucessos: `”É o Amor”, de Zezé di Camargo e Luciano, que ela, em 1999, recolocou num outro patamar interpretativo, e “O que é o que é”, o grande sucesso de Gonzaguinha. É quando a plateia, já de pé e dançando, entoou junto com ela os inesquecíveis versos: “Viver/ E não ter a vergonha de ser feliz/ Cantar e cantar e cantar/ A beleza de ser/ Um eterno aprendiz...”.
Pra mim, admirador de sua obra e colecionador de vários de seus discos, a sensação que saí foi, além do deslumbre, de que Bethânia, ainda por cima, é ótima de estúdio. Pois a maior certeza que se tem é que ela é inteiramente do palco. Como disse no início, dificilmente verei apresentações melhores de algumas que já vi, pois estas estão guardadas no coração do diletante. Mas como este show de Maria Bethânia, a quem vi pela primeira vez, acho que nunca mais presenciarei. Ao fim, as cortinas se cerram e não se vê mais Bethânia, mas, como dizem os versos de Chico: “Sei que além das cortinas/ São palcos azuis/ E infinitas cortinas/ Com palcos atrás.” Bethânia está sempre lá, atrás das cortinas, além das cortinhas. Ela é luz, ela é azul, ela é o palco.



segunda-feira, 20 de abril de 2015

"O Jogo da Imitação", de Morten Tyldum (2014)



Um filme que é comum mas ao mesmo tempo incrível. É uma obra daquelas feita sob encomenda para agradar o grande público (no que não vejo defeito), e acerta em cheio, consegue agradar quem gosta de cinema e quem apenas quer se entreter durante duas horas.
"O Jogo da Imitação' conta a história de Alan Turing (Benedict Cumberbatch), um matemático que se voluntaria para ajudar o exército britânico a vencer a segunda guerra. Seu trabalho é desvendar o funcionamento da Enigma, máquina que os nazistas utilizavam para enviar seus códigos de ataque. Alan Turing cria uma máquina capaz de decifrar esses difíceis códigos, máquina esta, que viria a se transformar nos computadores de hoje. Mas após a guerra, ele é preso e condenado à castração química por homossexualismo, algo que era crime na época.
Alan Turing e sua equipe
tentando desvendar a máquina Enigma
Alan Turing já foi uma pessoa fantástica, sendo interpretado por Benedict Cumberbatch, se torna fascinante. Uma interpretação magistral, ele abusa das caretas, dos trejeitos, mas isso não atrapalha o filme, muito pelo contrario, até porque, quem conhece o ator sabe desta sua característica teatral, de entrega total ao personagem. Não fica um homossexual exagerado, estereotipado, o que aí sim seria um erro (pois não se encaixaria com o perfil de Turing). Benedict se sobressai perante os outros atores, rouba a cena, e brilha o filme todo. Consegue ir do cômico (como a cena que entrega maçãs para os colegas) ao trágico (seu final e sofrimento com o tratamento químico) sem sair do personagem, uma merecida indicação ao Oscar para ele, que desta vez não levou, mas futuramente deve levar uma estatueta.
O sofrimento com o tratamento
Se o filme tem um ponto negativo, é o fato da história ser contada por flashbacks. O filme relata três momentos da vida de Turing, seu primeiro amor (talvez único) no colégio, seu trabalho durante a guerra, o desenvolvendo sua máquina, e o pós-guerra, a sua condenação por imoralidade. Devido a estes constantes flashbacks a história fica meio confusa, não é difícil se perder neste vai e vem que a equipe de montagem fez. Outro aspecto que o filme, no meu ponto vista, não vai muito bem, é a falta de força dos personagens coadjuvantes, nenhum deles tem muita importância, tirando Joan Clarke (Keira Knightley) que se torna sua melhor amiga, o restante é pouco explorado. Temos a subtrama de um espião em sua equipe, mas que rapidamente é deixada de lado.
O resultado final de "O Jogo da Imitação" é positivo, apesar de ser mais uma biografia (gênero de muita força no cinema atual), e ter lá seus clichês, como a frase de impacto que é repetida diversas vezes ao longo do filme, “Às vezes, as pessoas que menos esperamos podem fazer as coisas mais inacreditáveis”, mas o roteiro é bem escrito, nos mostra como Alan Turing enxergava as relações humanas, e como foi julgado cruelmente por sua sexualidade, somado a uma atuação monstro de um ator acima da media, fazem deste filme um destaque do ano que passou. E o filme aborda o tema do homossexualismo, um assunto que ainda (infelizmente) é polemico, e o faz de uma maneira que nos leva a refletir, e pensarmos, vamos ser nós mesmos, sem medos, assumindo os riscos, e não vamos julgar os outros, ele claramente tenta passar essa mensagem utilizando a história de vida de Alan Turing, que é perfeita para isso. Vou torcer para que você receba bem a mensagem, assim como com certeza vai receber bem o filme!


quarta-feira, 15 de abril de 2015

cotidianas #364 - Ele Duplo



-... assim, considerando que o réu tem álibis comprovados de que estava em seu local de trabalho na hora do crime, este tribunal o considera inocente dos assassinatos Sara Mayer, sua esposa, e de Felipe Santos. Caso encerrado.

***

- Alberto!!! O que você está fazendo aqui? Mas... você não estava no trabalho? Eu... eu acabei de falar com você... no telefone. É impossível. Eu posso explicar, Alberto. Eu e o Felipe a gente... A gente estava... Não, Alberto. Não, por favor... Não, não, nãããão...

***

- Telefone pra você, Alberto.
- Quem é?
- É a sua mulher.






Cly Reis

Arte Espontânea X









"Arte Espontânea X"
tintas variadas sobre superfície de madeira
aprox 90x50

terça-feira, 14 de abril de 2015

Cazuza - "O Tempo Não Pára* " (1988)





"Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta

A tua piscina tá cheia de ratos,
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para."
Cazuza
("O Tempo Não Para")




O testamento musical de um dos maiores poetas da música brasileira. Em “O Tempo Não Pára”*, Cazuza, deixa seus últimos legados, recados, mensagens e desejos num dos grandes álbuns ao vivo da discografia nacional. Vitimado pela AIDS e já bastante debilitado, Cazuza, em 1988, ainda subia ao palco para shows e durante a turnê, em shows realizados no Canecão, no Rio de Janeiro, fazia o registro definitivo de sua obra musical e sua passagem pelo mundo.
O repertório, considerando-se as circunstâncias e condições de saúde do artista, é irrepreensivel e muito oportuno, assumindo a iminente morte mas, diante dela, tentando transmitir o máximo de 'lições de vida”, por assim dizer. “Vida Louca Vida”, de Lobão, ganha, na excepcional interpretação de Cazuza, muito mais significado do que jamais teve até então, soando quase que como uma despedida ácida e ao mesmo tempo "leve, leve, leve", como o cantor faz no final da música, jogando com a leveza e o verbo levar; “Boas Novas”, que a segue, convoca à vida, encara a morte e a chama pra briga “Senhoras e senhores/ Trago boas-novas/ Eu vi a cara da morte e ela estava viva/ Viva!”. O pessimismo de “Ideologia” faz mais sentido do que nunca naquele momento, mas chega a emocionar quando Cazuza dá ênfase à palavra “viver”, repetindo como se a saboreasse ao final do verso.
O tom de despedida dá lugar a um clima mais romântico com duas baladas: “Todo Amor que Houver Nessa Vida”, canção ainda do tempo do Barão Vermelho consagrada por Caetano Veloso no álbum ao vivo “Totalmente Demais”, e que ganha um tratamento mais blues na versão do próprio compositor; e “Codinome Beija-Flor”, uma das mais representativas do estilo letrístico de Cazuza.
Intensa, forte, dramática e impactante, a faixa que tem o nome do disco parece ansiar por poder conter todos os últimos recados urgentes do artista. Como diz na letra, como uma “metralhadora cheia de mágoas”, ele dispara para contra hipocrisia, preconceito, ganância, estagnação, conformismo, e em mais uma das 'despedidas' do disco, se eterniza definitivamente no panteão de grandes artistas brasileiros. “O Tempo Não Para” ao mesmo tempo que destila uma inevitável decepção e descrença pelo mundo, pela arte, pelas pessoas, carrega consigo uma ponta de esperança e otimismo que é indesmentível seu próprio nome que nos encoraja e convoca a tomar alguma atitude.
No blues “Só As Mães São Felizes”, com sua incestuosa sugestão à The Doors, Cazuza também parece nos convidar a viver intensamente até o limite, ter experiências ruins e notar nas coisas que nunca olhamos antes enquanto ainda está em tempo.
As boas “O Nosso Amor a Gente Inventa” e “Exagerado” encaminham o final de maneira agradável com dois hits pop, e o disco encerra com o clássico "meio bossa-nova e rock'n roll", “Faz Parte do Meu Show”, escolha não menos feliz porque, no fim das contas, não somente aquelas canções ali fizeram parte daquele espetáculo, mas tudo aquilo, todo o repertório, toda a poesia, foi o que fizeram a vida de Cazuza e, se ele teve um vida louca, decepções ideológicas, desilusões amorosas, exageros, tudo isso fazia parte do show.
Cazuza ainda lançaria, no ano seguinte, mais um álbum, "Burguesia", bastante irregular, em parte pelas limitações físicas e vocais que apresentava, já num estágio bastante avançado da doença, mas, mesmo já enfraquecido, abatido, desfigurado, em “O Tempo Não Pára” talvez tenha conseguido produzir seu álbum definitivo, um daqueles discos que transcendem a mera condição de registro fonográfico e transforma-se quase em lenda. No seu caso específico, além do significativo fato de ser o último documento do artista diante do público e ainda na condição em que se apresentava, por tudo o que tenta comunicar e transmitir, pode ser considerado o mais perfeito epitáfio que o próprio artista poderia ter escrito para si próprio. 
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FAIXAS:
1. "Vida Louca Vida" - Vilhena, Lobão (4:19)
2. "Boas Novas" - Cazuza (2:46)
3. "Ideologia" - Frejat, Cazuza (4:12)
4. "Todo Amor que Houver Nessa Vida" - Frejat, Cazuza (2:49)
5. "Codinome Beija-Flor" - Reinaldo Arias, Cazuza, Ezequiel Neves (2:55)
6. "O Tempo não Para" - Arnaldo Brandão, Cazuza (4:37)
7. "Só as Mães São Felizes" - Cazuza, Frejat  (3:48)
8. "O Nosso Amor a Gente Inventa" - Meanda, Cazuza, Rebouças (3:35)
9. "Exagerado" - Cazuza, Neves, Leoni (4:29)
10. "Faz Parte do Meu Show" - Ladeira, Cazuza (3:50)


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Ouça;

* O álbum foi lançado antes da nova reforma ortográfica que exclui o acento de "pára" , no entanto
mantivemos a grafia antiga na publicaçãode modo a preservar o título original.


Cly Reis