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terça-feira, 28 de abril de 2015

cotidianas #366 - Licença Poética



Eu queria escrever um poema
Só um
Um que fosse
Esfuziante
Alegre
Colorido

Mas pensando bem
Poesia é coisa séria
(Dizem)
Teria que ter
Amor
Sofrimento
Dor

Eu queria então um assim
Que sangrasse
E que de tão dorido
Lavasse quem lesse
em pranto

Mas quem disse?
Quero do jeito que quero

Sobre a vida dos homens
Sobre mulheres da vida
Sobre camas
Sobre o tapete
Sobre a escrivaninha

Um de amor
De ódio
Uma ode
Um soneto
Que seja

Um com palavras jogadas
Aleatórias
Sem forma
Sem estilo
Sem razão
E que de tão sem sentido
Assumisse muitos

Ai, como queria
Um dodecassílabo
Um terceto
Criar versos
Unir versos
Brancos
Pretos
Livres

Eu só queria escrever alguma coisa...

Mas, oh!
Eis que já escrevi

(Um poema)

E não me venham dizer os doutos
Que este não é um
Diria mais
Diria não só que é um
Como é um dos melhores

Mas quem sou eu para dizer alguma coisa?

Quanto mais para escrever um poema.


Cly Reis

sábado, 25 de abril de 2015

Di Melo - "Di Melo" (1975)




Meu som não deixa nada a desejar para o que houve,
há e haverá no mercado musical. 
Digo, repito, atesto e assino embaixo,
sem medo de errar e sem falsa modéstia.
É muito swing, balanço, molho, charme e malemolência,
pois nem Santo Antonio com gancho consegue segurar,
nem o boato ou disse-me-disse de que
eu havia morrido de desastre de moto.
Se esqueceram de uma coisa: que eu sou imorrível!”

Di Melo



Assim como não seria exagero dizer que tudo em Seu Jorge que não é João Nogueira é Carlos Dafé, a mesma comparação dialética serve muito bem para outro ídolo da música brasileira da atualidade: tudo que não é Sabotage em Criolo é Di Melo. A constatação, embora um tanto capciosa, denota o quanto a arte musical de hoje no Brasil anda a reboque daquilo que já foi produzido e, principalmente, o quanto artistas do passado foram, de fato, precursores. No caso de Di Melo, este é pioneiro de muito do que se considera “inovação” na música brasileira de hoje e, novamente em comparação a Criolo, a poética afiada e o ecletismo que se percebem neste último chegam a quase parecer uma cópia.

Todo o pioneirismo de Di Melo está, curiosamente, em apenas um disco, o álbum homônimo produzido por ele em 1975, um marco na história da música pop brasileira. Idolatrado por artistas como Otto, Nação Zumbi, Leo Maia, Simoninha, Max de Castro e Charles Gavin (que, como produtor, o verteu para CD em 2004), “Di Melo” é tomado de lendas para os apreciadores e colecionadores, assim como a própria figura do simpático e bonachão músico pernambucano. Saído de sua Recife natal nos anos 60 para São Paulo, onde gravou este álbum em alto estilo, Roberto de Melo Santos é daqueles músicos cheios de talento e criador de uma única grande obra que, com o passar do tempo, caíram no ostracismo. Porém, como muitas vezes acontece com artistas brasileiros esquecidos no seu próprio país, o retorno de Di Melo à mídia tem a ver com a apreciação que veio de fora. Nos anos 90, seu LP tornou-se sucesso entre DJ’s europeus e teve uma de suas faixas incluída numa coletânea da gravadora norte-americana de jazz Blue Note. O suficiente para a galera tupiniquim voltar correndo para conhecer aquilo que desprezava. Logo “Di Melo” passou a ser valorizado nas lojas de bolachões paulistanas até esgotar e virar raridade no mercado negro, chegando a custar 300 Reais em média um vinil.

Os músicos que participaram de sua gravação dão ao disco uma aura ainda mais épica: contou com uma cozinha com Cláudio Bertrame (baixo), Bolão (sax), Luiz Melo (teclado), Geraldo Vespar (maestro, arranjos e violão), José Briamonte (maestro), Waldemar Marchette (arregimentação) e ainda participações de gente do calibre de Hermeto Paschoal nos arranjos (!) mais Heraldo Dumont, Capitão, Ubirajara (pai do Taiguara) e até de um músico da banda de Astor Piazzola.

Já para com Di Melo, a falácia chegou ao nível de este ser considerado morto após um hipotético acidente de moto. Tudo boato: Di Melo mora no subúrbio de Recife com filha e esposa, vive da venda dos quadros que pinta e, segundo o próprio, tem mais de 400 canções prontinhas para serem gravadas (inclusive parcerias com Geraldo Vandré). Dessas, as que conseguiu pôr no acetato no famoso disco de 1975 são verdadeiras joias da música brasileira moderna, onde demonstra uma versatilidade e um groove de deixar muito medalhão da MPB com inveja.

“Di Melo” começa com a gostosa “Kilariô”, um arrasador jazz-funk com uma pitada caribenha e cuja melodia de voz é daquelas que pegam no ouvido de cara: “Kilariô, raiou o dia/ Eu fiz chover em minha horta/ Ai ai meu Deus do céu, como eu sofri ao ver a natureza morta”. A voz de timbre abençoado de Di Melo, algo entre o tom metálico de Moraes Moreira e a pronúncia aberta de Wilson Simonal, é ainda mais realçada pelo belo sotaque pernambucano (com suas pronúncias “holandesas” do “T” como “Tí” e do “D” como “Dí”). Além disso, Di Melo canta ao estilo dos mestres da soul music norte-americana, mas também referenciando-se em artistas nordestinos como ele, desde o swing de Jackson do Pandeiro até o vocal rasgado de Genival Lacerda.

Em seguida, outra que vem ratificar definitivamente a veia soul: “A vida em seus métodos diz calma“, seu maior sucesso tanto na época quanto na sua “retomada”, visto que foi esta a faixa que os gringos escolheram para a coletânea de “novidades” da Blue Note. A letra, igualmente pegajosa, é um destaque, tanto pela mensagem quanto pela melodia de voz que lhe é empregada: “A vida em seus métodos diz calma/ Vai com calma, você vai chegar/ Se existe desespero é contra a calma, é/ E sem ter calma nada você vai encontrar”. Nesta fica evidente a afinação da banda e a qualidade da produção de Zilmar R. de Araújo. Tudo certo, tudo no lugar: o groove da batida, os timbres, a levada da guitarra, o arranjo dos sopros.

Na sequência, vêm três maravilhas altamente críticas à sociedade moderna e à condição do homem oprimido pela cidade grande, algo que a percepção de nordestino na gigantesca São Paulo ajuda a enxergar com mais clareza. Primeiro, “Aceito tudo”, de poética letra que remete ao modernismo e ao fraseado de um estilo musical que ainda nem existia, o rap, visto seu jeito de cantar e organizar os versos na melodia. Música que lembra muito a maneira de escrever e cantar de Chico Science (até por causa do sotaque) e que provavelmente é tudo o que Criolo sempre quis fazer: espécie de repente moderno marcado na guitarra com letra sacaca e de sinapses ligeiras (Aí eu pensei que ia indo caminhando mas não fui/ para um sonho diferente que se realiza e reproduz/ E pensando fui seguindo num caminho estreito cheio de toco/ Esqueci de lembrar de pensar que todo penso é torto...”). No fim, desemboca em um funk irrepreensível comandado pelos vocais espertos de Di Melo.

A outra é mais uma pérola: "Conformopolis". Mas, peraí: essa melodia é uma... milonga?! Sim, uma milonga, ritmo hispano-ibérico típico do Rio Grande do Sul e dos vizinhos portenhos Uruguai e Argentina. Esta gravação é algo sem precedente dentro da MPB fora dos pagos gaúchos. Não eram os irmãos Ramil, não era Hartlieb, não eram os Almôndegas nem Ellwanger. É um pernambucano em terras paulistanas totalmente sintonizado com a arte musical – pois, afinal, música boa não tem fronteira. Pungente, realista, melancólica: “A cidade acorda e sai pra trabalhar/ Na mesma rotina no mesmo lugar/ Ela então concorda que tem que parar/ Ela não discorda que tem que mudar...”. Das grandes do disco, que já foi motivo de Cotidianas aqui no ClyBlog.

Mais um apelo crítico à vida maquinal e desumanizadora da sociedade moderna, desta vez na balada marcial “Má-lida”. Os versos, confessionais, traduzem através da repetição fonética e de sentenças curtas o deslocamento existencial de um homem no mundo: “Ah! tenho de pouco surrados miúdos malditos/ Fui entrelaçado e já fui casado/ Um tanto inibido/ E pra muita gente sou um depravado.” E completa: “Ah! julgo não ser enxerido nem intrometido/ Tampouco ousado/ É que estou saturado de tanta má-lida/ Mesmo trabalhando como um condenado”. E os arranjos de cordas são preciosos.

E se pensa que as surpresas param por aí, é porque não se tem noção do que vem a seguir. Depois de três exemplos de soul, de uma canção mais contemplativa e de uma surpreendente milonga, Di Melo manda ver um tango! Sim, “Sementes” é um tango, ainda mais platino que “Conformópolis”. É nesta em que toca um dos músicos da banda de Piazzola que Di Melo em entrevista diz não lembrar do nome, mas que, afora esse detalhe importante, dá um show de acordeom. Os versos acompanham a elegância dramática deste estilo musical: “Vai, flor que se mata a espera do amanhã/ Vai, desembaraça teu sorriso a uma irmã/ Vai, que quando passas tu perfumas chão ardente/ Vai, que o tempo atrai de ti sua semente...”.

“Pernalonga” retoma o swing num balanço irresistível, o mesmo com outra ótima do disco: “Minha Estrela”, de letra romântica mas no ritmo chacoalhante da soul. De novo, a voz variante de Di Melo, que vai do som aberto ao aveludado, bem como a pronúncia pernambucana, se sobressai: “Minha estrela/ Girai na noite até o raiar do dia/ Se tiver fossa vem que eu canto a melodia/ Não quero ver o teu sorriso magoado”. O samba-rock “Se o mundo acabasse em mel” pode ser considerado uma "Construção" pop, porém não narra a morte repentina de um trabalhador pobre como no clássico de Chico Buarque, mas sim de um milionário do mundo do business publicitário. “Deu pane no nervo do cérebro/ Taquicardia e reverbério/ Momentos trágicos, instantes sórdidos/ Tombou perplexo em pleno orbe”. Que versos!

Bucólica, “Alma gêmea” começa com um dedilhado de violão a la Bach que marca sua base, acompanhado de acordes de flauta que explicitam a tocante canção. É outra que faz lembrar bastante Moraes e Chico Science, mas também da MPB rural da época. Em “João”, a força melódica e letrística de Di Melo volta com tudo para uma nova análise existencial do homem, um “João” qualquer que vive submerso nas exigências sociais (trabalho, casamento, amigos, lazer) e naquilo que ele deve ou não ser mas que, justamente por isso, faz com que se perca de si como indivíduo. Na alta variedade de ritmos do disco, ele finaliza com um xote. “Indecisão” ainda termina com versos quase proféticos vindos de um artista que conheceria o estrelato e o ostracismo, mas que nunca deixaria de seguir pelo caminho da música: “Tem gente que nasce pra ter e tem gente que vem pra cantar”.

Pode-se tranquilamente colocar “Di Melo” junto a outros grandes álbuns da soul music brasileira como os “Tim Maia Racional”, “Pra que vou recordar o que chorei”, de Dafé, ou “Saci Pererê”, da Black Rio. Esse sentimento é compartilhado por vários apreciadores desta obra, o que pode ser visto no bom curta documentário “Di Melo, O imorrível”, de Alan Oliveira e Rubens Pássaro, realizado em 2011 e que retrata a vida do compositor hoje, relembrando histórias, coletando depoimentos de fãs e amigos e mostrando sua ainda tímida volta aos palcos. Oxalá Di Melo possa tornar a gravar e, quem sabe, fazer o sucesso que lhe é cabido. Para quem já foi dado como morto e que, de certa forma realmente “reviveu”, nada é tão improvável assim. Certo é que sua obra, mesmo passados tantos anos (40 anos), segue sendo cada vez mais admirada. E, afinal, como Di Melo diz de si próprio: “Para o imorrível nada é impodível”.
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 documentário “DI MELO, O IMORRÍVEL”

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FAIXAS:
1. Kilariô
2. A vida em seus métodos diz calma
3. Aceito tudo (Vidal França - Vithal)
4. Conformópolis (Waldir Wanderley da Fonseca)
5. Má-lida
6. Sementes
7. Pernalonga
8. Minha estrela
9. Se o mundo acabasse em mel
10. Alma gêmea
11. João (Maria Cristina Barrionuevo)
12. Indecisão (Terrinha)

todas composições de Di Melo, exceto indicadas.

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Ouça o disco:




cotidianas #365 - A Mulher Verde



Não tinha nada na vida que o Cláudio gostasse mais do que mulher. Gostava de música, filmes, futebol, cerveja, doce, viagens, mas nada se comparava a sua fissura por mulheres. Preferia as bonitas, é verdade, como a maioria dos homens, mas era tão louco pelas fêmeas que se pintasse uma, assim, mais ou menos e ele estivesse um pouco mais pilhado, topava assim mesmo. E não fazia distinção de tipos físicos, assim como gostava de mulherão, tudo em cima, peitão, coxão, bundão, podia encarar uma magrinha com pouco peito, ou uma fofinha desde que fosse suficientemente graciosa segundo seus conceitos. Alta, baixa, ruiva, loira, negra, ah, não interessava, ele caía em cima. Mesmo entre os amigos, também, naturalmente, interessados pelo sexo oposto, destacava-se e chamava atenção até dos mesmos, tamanha sua loucura por mulheres e diversidade de tipos e possibilidades. Tanto que certa vez, estava o Cláudio com o Fabiano, um desses amigos, tomando um choppinho e ao ver entrar no bar uma mulata jeitosa, esguia de cabelo crespo solto, volumoso, não conseguiu deixar de exclamar, cerrando levemente os olhos e mordendo o lábio:
- Ai, eu adoro uma pretinha.
Ao que o Fabiano prontamente rebateu:
- Arram, sei. Tu adora uma pretinha, uma loirinha, uma moreninha, uma xadrez, uma verde com bolinhas amarelas. Desde que tenha uma rachadura no meio das pernas, não interessa pra ti, né, Cláudio.
- Ah, não é bem assim.
- É, bem assim, sim. Se usar saia e não for padre, é contigo mesmo; se fizer xixi sentado e não for sapo, tu manda ver.
- Exagerado! – ainda exclamou o Cláudio antes de caírem na gargalhada.
E o Cláudio continuaria desfilando seus mais variados tipos de namoradas, peguetes, ficantes, amantes e amizades coloridas até o dia em que a galera, os amigos, o encontraram numa festa.
- Oh, rapaz. Tu por aqui, não sabia que tu conhecia o Fonseca – exclamou um deles, o Paulinho.
- É, trabalhei com ele há um tempo atrás. A gente andou se topando por aí e ele me convidou pro churrasco. Mas e vocês, tudo numa boa? - perguntou o Cláudio realmente contente de encontrar os amigos ali.
“Tudo bem”, “tudo numa boa”, “tranquilo”, foram respondendo, mas foram interrompidos ansiosamente pelo próprio Cláudio que falou:
- Peraí, gente, peraí, eu quero que vocês conheçam a minha nova namorada.
- Hum, como será essa? Outra loira? - perguntou o Fabiano.
- Aposto que é morena – arriscou o Paulinho.
- Vem cá, Tatá - chamou o Cláudio, acenando para a outra sala.
Depois de um curto momento de expectativa, eis que na porta surge a tal namorada do Cláudio e, à visão daquela mulher de formas inegavelmente esplendorosas, a reação dos amigos foi por assim dizer, uma espécie de congelamento atônito mas não efetivamente por conta de seus dotes físicos.
- Gente essa a Violeta, minha namorada. - apresentou o Cláudio, orgulhoso.
Ainda boquiaberto e sem noção da inconveniência, o Fabiano, gaguejando, sem tirar os olhos da moça à sua frente, acabou deixando escapar:
- M...Ma... Mas, Cláudio, ela é roxa.
Com o que o Flávio completou:
- ... e com bolinhas amarelas.
- Pois é. Viu só. E não é que tu tinha razão mesmo, Fabiano? Só errou na cor.


Cly Reis
para minha amiga Fabi Osório

quarta-feira, 22 de abril de 2015

"O Irmão Alemão", de Chico Buarque - Companhia das Letras (2014)



Decepção não seria uma palavra correta tampouco justa para classificar meu sentimento em relação a “O Irmão Alemão” de Chico Buarque. Eu poderia dizer, sim, é que o todo ficou aquém das minhas expectativas. Letrista consagrado, de inegáveis méritos compositivos e linguísticos, Chico teve êxito imediato na carreira de escritor apresentando um crescimento literário evidente desde seu primeiro romance, até por isso, de minha parte, esperava algo realmente arrebatador. Não foi bem assim.
“O Irmão Alemão”, livro semi-autobiográfico que narra a história de um homem, no caso o próprio autor, que por acaso, em uma carta perdida entre livros, descobre que o pai tivera um filho na Alemanha, antes do casamento, no período entre guerras, e passa a empenhar-se por encontrá-lo, perde-se um pouco exatamente nesta tentativa/intenção de colocar a ficção na realidade o que a meu entender impediu o autor de soltar-se completamente no romance. Ainda que traga as inegáveis qualidades de escrita de Chico, a condução, o ritmo, a sonoridade das palavras e aquela quase musicalidade da narrativa, “O Irmão Alemão” não consegue emplacar, não engrena, não tem a fluência natural que conquiste o leitor. A 'confusão' comumente proposta por Chico Buarque de presente-passado-anseio-devaneio-sonho' tão bem utilizada em "Leite Derramado", por exemplo, não funciona tão bem desta vez e não colabora para o desenvolvimento da trama de maneira tão consistente quanto nos trabalhos anteriores.
Talvez um pouco pela questão emocional, pelo envolvimento, Chico não tenha conseguido tirar o máximo de si como romancista, sempre tendo que prender-se um pouco à sua própria história e de alguma forma ser fiel aos fatos. Fato é que para mim, “O Irmão Alemão” não passa de uma leitura interessante, não é chato, não é cansativo, mas também não é nada de excepcional. Talvez meu pequeno desapontamento e cobrança residam no fato que o crescimento qualitativo era tão progressivo; do bom “Estorvo”, para o muito bom “Benjamim”, para o ótimo "Budapeste", até o excelente "Leite Derramado"; fosse de se esperar algo 'fora do comum'. E não foi. Foi comum.
Mas qualidade e talento é que não faltam em Chico Buarque e tenho certeza que os próximos estarão à altura do que ele pode fazer. Fica pra próxima.


Cly Reis