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quinta-feira, 5 de abril de 2012

Stan Getz e João Gilberto - "Getz/Gilberto" (1964)


"...isto é bossa-nova,
isto é muito natural"
da letra de 'Desafinado'




A Bossa-Nova já era uma sensação nacional e João Gilberto já era seu representante mais significativo quando o estilo cameçou a despertar interesse também fora do Brasil. A sofisticação do ritmo, a singularidade da batida, a modernidade do conceito era algo que impressionava os americanos naquele final de década de 50 e no rastro desta descoberta internacional, seguiram-se diversas releituras, interpretações e parceiras. Provavelmente a mais marcante delas tenha sido a que envolveu o saxofonista norte-americano Stan Getz e o gênio brasileiro, do violão de voz maviosa, João Gilberto. Executando, na maioria, músicas de Tom Jobim, um dos mestres do gênero, com o próprio Tom ao piano, a dupla produziu algumas das melhores versões de clássicos da música brasileira no álbum "Getz/Gilberto" de 1964, combinando o violão notável de João e seu vocal ímpar, ao sax tenor grave e sedutor de Getz, conduzidos por vezes pela voz sensual, rouca, quase infantil de Astrud Gilberto, então esposa do cantor.
A propósito dela, sua interpretação para "Corcovado" é absolutamente fantástica! Não que em "The Girl from Ipanema", a outra cantada por ela no álbum, não seja ótima, mas aquele início ( "quiet night of quiet stars" ) é simplesmente de amolecer as pernas. Mas não só ela brilha em "Corcovado". João canta  de uma maneira emocionante e a entrada para o sax de Getz e , ah..., de tirar o fôlego.
Getz e João em 1963
Já a citada "Garota de Ipanema", mesmo no seu trecho em inglês, permanece graciosa como uma moça passeando pelo calçadão, com destaque especial nesta para o piano do mestre Antônio Brasileiro; em "Doralice" o vocal de João, fazendo as vezes de trumpete, conversa com o sax de Getz; "Pra Machucar Meu Coração" como propõe o título, é pra machucar mesmo, apaixonada e com um vocal sentido de João.
"Só Danço Samba" é bem ritmada e gostosa; em "O Grande Amor", ao contrário das demais, o sax de Stan Getz é que abre a canção se extendendo com um longo solo até dar espeço, primeiramente para a voz de João e depois para o piano de Tom, até voltar em um solo final arrebatador; a tristonha "Vivo Sonhado" tem um daqueles trabalhos vocais admiráveis de João nesta que é a canção de encerramento do disco; e "Desafinado", outro dos grandes clássicos da MPB, é mais um dos pontos altos do álbum com shows particulares de cada um: João com sua voz instrumental e sua batida perfeita de vioão, Getz com aquelas entradas extasiantes de seu poderoso saxofone e o maestro Tom Jobim derramando as notas de seu piano como um bálsamo sobre a canção.
Disco apaixonante. Um dos meus preferidos da discoteca. Obra prima do samba, da bossa e do jazz, ou de tudo isso junto. Daqueles que não apenas se ouve mas se saboreia. Ouvir a voz doce de Astrud, a leveza da de João e o sax envolvente de Getz é uma das melhores coisas que se pode querer num final de tarde de preferência com o sol desaparecendo atrás do Corcovado.
Sem dúvida o disco que fez definitivamente a música brasileira romper fronteiras com o ritmo/estilo/gênero que, com certeza, foi e é até hoje a maior contribuição brasileira para a música mundial.

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FAIXAS:
1."The Girl from Ipanema" (Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Norman Gimbel - versão) – 5:24
2."Doralice" (Dorival Caymmi, Antonio Almeida) – 2:46
3."Para Machucar Meu Coração" (Ary Barroso) – 5:05
4."Desafinado" (Tom Jobim, Newton Mendonça) – 4:15
5."Corcovado" (Tom Jobim, Gene Lees - versão) – 4:16
6."Só Danço Samba" (Tom Jobim, Vinícius de Moraes) – 3:45
7."O Grande Amor" (Tom Jobim, Vinícius de Moraes) – 5:27
8."Vivo Sonhando" (Tom Jobim) – 3:04
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Ouça:
Stan Getz e João Gilberto - "Getz / Gilberto (1964)


Cly Reis

quarta-feira, 4 de abril de 2012

cotidianas #150 - Milagre (II)


Maurino, Dadá e Zeca, ô
"Aldeia de Pescadores", Di Cavalcanti (1950)
óleo sobre tela
Embarcaram de manhã
Era quarta-feira santa
Dia de pescar e de pescador
Quarta-feira santa, dia de pescador
Maurino, Dadá e Zeca, ô
Embarcaram de manhã
Era quarta-feira santa
Dia de pesca e de pescador
Quarta-feira santa, dia de pescador
Se sabem que muda o tempo
Sabe que o tempo vira
Ah, o tempo virou
Maurino que é de guentar, guentou
Dadá que é de labutar, labutou
Zeca, este nem falou

Era só jogar a rede e puxar
A rede

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"Milagre"
(letra: Dorival Caymmi)

Ouça:
"Milagre" - interpretação de João Gilberto, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia

Internacional, 103 Anos

Inter, estarei contigo


Ainda lembro quando meu pai me exclamou certa vez entusiasmado, lá pelos idos de 1979, "tu torce pro maior time do Brasil!". Quando ele falou aquilo eu não tinha a total noção do que aquilo significava. Aquilo não era uma ordem de que ue deveria torcer para aquele time, uma determinação, era provavelmente, sim, uma conscientização. Eu era colorado quase que automaticamente, nunca isso fora posto em dúvida, tinha ganhado um uniforme do meu padrinho, ouvia falar de Internacional, via meu pai ouvindo os jogos, ouvia foguetórios e tudo mais, mas não tinha noção de que aquilo que ele me revelava era a mais absoluta realidade naquele momento. Não que o Sport club Internacional tenha deixado de ser tão grande, pelo contrário, mas hoje, Campeão de Tudo, divide estas honras de grandiosidade com os hexacampeonatos nacionais do São Paulo e do Flamengo; os tri de Libertadores do próprio São Paulo e do Santos; os brasileiros de Corinthians, Palmeiras, Vasco, só para citar alguns. Mas naquele momento era absoluto.  Em uma década de Campeonato Brasileiro o Internacional tinha conquistado o título duas vezes, havia sido terceiro colocado duas vezes também, e quarto em outras duas oportunidades e se encaminhava naquele ano, até então sem perder (o que se confirmou), para levantar a taça novamente. Sei que naquele ano de 79 fui duas vezes ao estádio na campanha do título invicto, uma contra o São Paulo de Rio Grande e outra contra o América do Rio. A lembrança é vaga, sei dos resultados mas não lembro deles. O que importa é que ali com 5 nos de idade se consolidava definitivamente minha paixão pelo Sport Club Internacional e começava a minha longa relação com o estádio Beira-Rio.
Desde então, salvo pequenos intervalos, nunca mais deixei de frequentar o nosso estádio. Lembro ( e aí lembro mesmo) que no segundo GreNal que fui assistir, em 1982, o Inter venceu por 3x1 com três gols do Geraldão. Nossa! Fiquei fã do Geraldão. Queria ser centroavante. Usar a 9. No início dos anos 80 o Colorado acumulara 4 títulos estaduais. Nem o Brasileiro conquistado pelo rival no início da década nos abatia. O que era um titulozinho contra os nossos TRÊS, sendo um INVICTO? Além disso ganhávamos torneios de prestígio no exterior, ganhamos o Juan Gamper na casa do Barcelona; nossos jogadores representavam o país em competições.
O problema é que do outro lado, o rival, aproveitando melhor uma oportunidade que o Internacional tivera antes em 1980, conquistava a Libertadores da América e aí, talvez o comparativo tenha desequilibrado as estruturas internas do clube. Tanto foi que a partir da metade da década de 80, acumulamos derrotas e fracassos. Vimos o rival empilhar 7 títulos regionais quase igualando nosso feito de oito conquistas seguidas; perdemos dois títulos nacionais um deles contra o pouco expressivo Bahia dentro de casa; fomos desclassificados numa improvável semifinal de Libertadores estando com a vantagem três vezes no jogo. Inacreditável. A maré era braba.
Mas em todos estes momentos eu estive lá com o Inter. Presenciei quase todas as derrotas estaduais do hepta do Grêmio, fui ao 1º jogo da final de 87 contra o Flamengo, à final de 88 contra o Bahia, à fatídica semifinal de 89 contra o Olímpia mas nunca deixei de ser torcedor. Digo isso porque é bem usual, principlamente do OUTRO lado que quando se está perdendo se desligue do futebol, se ocupe de outros assuntos, tente-se dar menos importância a uma coisa que para nós toredores tem TODA a importância do mundo. Não! Eu me orgulho de em todos estes anos de minha vida de colorado ter ido ao Beira-rio em praticamente todos eles e nunca ter desistido do meu time.
Mas não se enganem os que por acaso pensarem que sou um pé-frio e que sempre que estava lá levei o time à derrota: eu estava lá, na social do Beira-Rio, vendo o Nílson guardar duas neles no GreNal do Século; em 92 estava abaixado atrás do muro da coréia pra não ver a cobrança do pênalti do Célio Silva na final da Copa do Brasil (mas levantei pra ver); estava no jogo que impediu o rival de igualar nosso octa mesmo nunca tendo dado muita bola pra campeonato estadual; e mesmo quando não foi na nossa casa, no estádio deles presenciei o chocolate do 5x2.
Vi muitas coisas boas e muitas coisas ruins. Chorei de alegria e de tristeza. Prometi nunca mais pisar lá e semanas depois lá estava eu de novo. Estive lá sob calores senegalêzes, sob frios polares e sob chuvas torrenciais mas nunca deixei de estar com o Internacional.
Hoje no Rio de Janeiro acompanho o que posso daqui. Sempre vou ao Maracanã ou ao Engenhão ver o Inter e sempre que vou a Porto Alegre, programo minha viagem para que seja em algum dia que tenha jogo no Beira-rio para que eu possa ver meu time na NOSSA casa. Dos grandes momentos do clube, no Beira-Rio, só não vi a primeira final de Libertadores, pois já morava aqui e não tinha, na época, dinheiro para viajar; mas  asegunda, contra o Chivas, movi o mundo para estar no Beira-Rio e vi meu time ser Bicampeão da América.
Me orgulho de todos estes momentos. Dos felizes e dos tristes. De sempre estar com o Inter. Só me envergonho um pouco de um momento em que, devo admitir, não fui ao Beira-rio porque tive medo. Foi o jogo contra o Palmeiras que podia nos levar à segunda divisão.
Naquele jogo EU TIVE MEDO. Aliás tinha quase convicção que não conseguirÍamos e optei por não participar daquele momento triste para o clube. Era melhor que eu não estivesse lá. Ego´´ista, orgulhoso, não queria guardar isso no meu currículo de torcedor, nem presenciar tamanha decepção.
Felizmente o rebaixamento acabou não acontecendo. O Dunga fez aquele gol salvador e continuamos sendo o único clube gaúcho a não ter disputado uma série B do campeonato brasileiro, mas ficou em mim um pouco da vergonha pela covardia de quando o clube precisou de mim, eu não ter me prontificado a estar lá. Mas tenho certeza que ele me perdoa. O Internacional por certo perdoa esse filho que apesar daquela fraqueza sempre foi fiel.
Prometo nunca mais te abandonar.
Estarei sempre contigo.

Parabéns, Internacional
pelos 103 anos
de gloriosa existência.

Cly Reis

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Coluna dEle #24



Ôpa! Tô chegando!
E aí, belesma?
Por aqui tudo na Minha santa paz.
Não curto muito esse negócio de Páscoa por causa do que fizeram com o Meu guri mas já que tem feriadão vou aproveitar e tirar uns dias de folga.
Só vou ter que dar um jeito de resolver tudo até quarta-feira e pegar a estrada na quinta de manhã pra evitar engarrafamento.
Então já tão sabendo, né: nada de ficar Me enchendo o saco com orações, pedidos, milagres e essa coisa toda no feriadão porque Eu não tô, falei?
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E por falar em milagre, Eu só tô qui de olho nesse negócio todo de Copa e coisa e tal, obras, aeroportos, estradas e biriri-bororó. Fizeram tanta questão de ter a droga da Copa do Mundo e agora tão nessa lenga-lenga.
Depois não vem querer que Eu faça milagre na última hora pra essa merda toda aí dar certo.
(Eu digo que não ajudo mas vocês sabem que Eu sempre acabo dando uma forcinha. No fundo Eu tenho uma quedinha por esse lugar aí, né. Eu também não tenho vergonha nessa Minha cara.)
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Mas, agora, cá entre nós, não tem Santo que ajude com essa roubalheira nesse país!
Cruzes!
O cara tenta dar uma força pra vocês: tu olha em volta é praia, é montanha, é mata bonita; tu cava jorra petróleo, cava sai ouro, cata no pé e dá tudo que é fruta; as mulher são de primeira; o futebol é de primeira; o povo é festeiro ( se bem que às vezes Eu acho que exagerei), mas aí vocês só querem foder com tudo.
Porra!
Assim vocês não vão a lugar nenhum.
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E a propósito, também, Eu me esforço pra dar um talento artístico, uma musicalidade, uma genialidade tal pra vocês aí e tudo o que vocês conseguem me apresentar é Michel Teló?
Putaquipariu!
Esses dias Me apareceu o Natanael, um anjo da segurança aqui, ouvindo alto no celular essa tal de "Ai se eu te pego". (por que que pobre tem que ouvir celular alto sem fone de ouvido?) 
Nossa que horror aquela música!
Mandei desligar na hora. Pior é que não adiantou nada porque não é só ele que ouve isso. Tá todo mundo ouvido essa porcaria por aqui. Isso aqui tá um inferno!
Eu que me perdoe!
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E o tal do Wando veio aqui pro andar de cima.
Tenho certeza que não tava fazendo falta pra vocês, né?
Aqui também não está sendo muito bem-vindo, pra falar a verdade.
É que o malandro me chegou cheio de graça, cheio de olhares provocantes pra nêga véia. Pode?
Tive que dar uma enquadrada nele, tipo, "Ô, meu, tu não dá valor à vida, não?". Mas aí que Eu lembrei que  o fulano tava aqui em cima exatamente porque já tava morto e a parada de ameaçar ele de morte não ia pegar. 
Só sei que depois que ele chegou andei encontrando umas calcinhas novas no varal, aqui de casa.
Acho que vou ter que dar uma consultada no amigo lá de baixo e ver se ele aceita esse 'trambolho' antes que Eu me incomode com a patroa.
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Também andaram batendo aqui dois dos bons aí de vocês. Dois daqueles que quando Eu fiz, dei aquela caprichada.
Um deles é o Milton... Quero dizer Millôr. (eu sempre me confundo com aquele registro de nascimento)
Gênio, cara!
Gênio!
Adorei "A Bíblia do Caos".
E o salário...
Definitivo.
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O outro foi o Chico.
Não, não o Buarque. Esse ainda não.
Não, o Science já tá aqui.
O Anysio. O Anysio.
Gênio!
O ruim é que Eu trouxe ele e vieram junto mais 200 e poucos. Deu superlotação (hehe)
Sei que vocês não gostaram de ele ter vindo aqui pra cima mas já tava na hora. Um dia todo mundo vem.
E de mais a mais, vocês já curtiram bastante, agora deixa Eu ter a Escolinha aqui.
Praticamente só faltava o Professor Raimundo. Eu já tinha aqui o Rolando Lero, o Samuel Blaustein, o Baltazar da Rocha, a Dona Bela, o Sandoval Quaresma, o seu Eustáquio, o Galeão Cumbica, o Seu Gaudêncio, o Pedro Pedreira e o Seu Mazarito, que aliás... nossa... Aquelas piadas dele. Mas eu morro de rir quando ele faz a  bichinha (hahahaha!) Muito bom, muito bom.
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Eu, pra aguentar vocês é que tinha que usar o bordão do Professor Raimundo:
E o salário, ó!
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Olha, galera, fui!
Tenho que preparar as coisas pra viagem. Senão a patroa bronqueia.
Boa Páscoa pra vocês e não vão encher o rabo de chocolate, hein! (hehehe)
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Orações, pedidos, milagres e tudo mais para
god@voxdei.gov
(mas só vou responder qualquer coisa depois do feriadão)