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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Cotidianas #13 - Amor, nem sabe o que eu fiz hoje...


-Amor, nem sabe o que é que eu fiz hoje...

-Que que você preparou de gotoooso pro meu jantarzinhooo?

-Eu não disse que preparei alguma coisa;-bem séria - eu disse que eu fiz.

-Tá, então. O que é que você fez?

-Eu fiz sexo.

-C-como assim?

-Sexo, sexo. Sexo oras! Fiz sexo com o seu amigo Valdemar. Você saiu, eu chamei ele aqui, nós ficamos pelados e...

-Pára, pára. Não quero ouvir mais nada! Eu vou matar esse desgraçado! Eu vou matar!

-Não precisa. Eu já matei.

-O que? C-como?

-É. Eu sabia que você ia ficar furioso e ia querer matar o Valdemar, então eu mesmo matei.

O corpo tá lá no quarto. Como o Valdemar tá gordo, meu bem! Eu não consegui carregar ele, não."

-M-mas... C-como você pôde? Você...você. Isso é assassinato. E a polícia? E...

-Ah, a polícia. Eu já chamei também. Devem estar chegando.

-Mas você diz isso com essa tranqüilidade? Eles vão te prender, ou ME prender. Vão achar que eu matei o Valdemar por ciúmes. Você ficou maluca?

-Ai, Luís Otávio, você tá sempre estressado. Huf! Relaxa, relaxa.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Melhores Álbuns da Década

Final de ano é época de listas. Tem lista de tudo, lista de coisas pra realizar no próximo ano, lista de presentes, lista de reforços pos times, listas de filmes e chove de listas de melhores músicas e álbuns por aí. E sendo final de ano e de década, mais aparecem listas ainda.
Duas das mais conceituadas publicações do ramo musical não poderiam deixar de apresentar as suas de Melhores Álbuns da Década. Particularmente acho que desde o final dos 80, início dos 90 a coisa anda piorando e cada vez menos se vê coisas muito boas, mas é lógico, sempre surge algo legal. Não são muitos mas tem.
A Rolling Stone por exemplo, pôe Radiohead com seu “Kid A”, na primeira posição, com dos melhores da década. Particularmente, não gosto nem desgosto muito do Radiohead. Perdi a paciência com eles depois do bom “Ok, Computer” e desde então não dou muita bola pros caras. Vou tentar ouvir este “Kid A”. Destaques, pra mim, para o ótimo e marcante “Is This It” dos Strokes na segunda posição e para "Elephant" dos White Stripes, destacado há alguns dias aqui neste blog, ocupando o quinto posto. Atenção para o também destacado (entusiasticamente) aqui no Spin 1/2, "Oracular Spectacular" do MGMT que para mim é o que de melhor aconteceu nos últimos anos, que aparece na 18° posição.
Sinal de que a coisa não anda muito boa é que Bob Dylan aparece duas vezes na lista entre os 20. A essas alturas cantando como uma velha, NÃO PODE! É apelar pras velhas novidades porque não tem nada muito melhor.
Mas outra que apresentou sua listinha da década, da qual gostei mais, foi a New Musical Express que tasca o mesmo “This Is It” dos Strokes na primeira, seguido de Libertines com “Up the Braket’ na segunda e o bom "XTRMNTR" do Primal Scream com o bronze. Outros destaques para mim são PJ Harvey com “Stories from the City, Stories from the Sea” em 6° que não é o melhor dela mas vá lá; Stripes que aqui aparece em 18° com o mesmo “Elephant” e em 19° com ”White Blood Cells”, The Horrors, outra das boas novidades dos últimos anos com "Primary Colours" como 68 e não contando com tanta generosidade como a da Rolling Stone, na NME "Oracular Spectacular" do MGMT só pegou a centésima posição.
Confira abaixo as 10 mais de cada publicação:

Rolling Stone:

1. Radiohead: Kid A
2. The Strokes: Is This It
3. Wilco: Yankee Hotel Foxtrot
4. Jay-Z: The Blueprint
5. The White Stripes: Elephant
6. Arcade Fire: Funeral
7. Eminem: The Marshal Mathers LP
8. Bob Dylan: Modern Times
9. M.I.A.: Kala
10. Kanye West: The College Dropout




New Musical Express:

1. The Strokes: This Is It
2. The Libetines: Up the Bracket
3. Primal Scream: XTRMNTR
4. Arctic Monkeys: Whathever People Say I Am, That’s What I’m Not
5. Yeah Yeah Yeahs: Fever to Tell
6. PJ Harvey: Stories from the City, Strories from the Sea
7. Arcade Fire: Funeral
8. Interpol: Turn on the Bright Lights
9. The Streets: Original Pirate Material
10. Radiohead: In Rainbows



quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

"Atividade Paranormal" de Oren Peli (2009)




Fui ver ontem no cinema “Atividade Paranormal”. Muito parecido com “A Bruxa de Bair”, muito mesmo. É um filão do cinema que está na moda esta coisa documentarística, câmera na mão, filmagem sugeridamente amadora; tipo “REC” e “Cloverfield-Monstro”, por exemplo; e este “Atividade Paranormal” segue o mesmo rumo com uma inteligência de gancho de roteiro que confere uma saudável sensação de realismo às cenas. A ideia? Filmagem de fenômenos paranormais dentro de uma casa. Ótima! Pena os atores serem fracos, mas o que afinal não acaba prejudicando a idéia do filme, porque a favor do realismo proposto, faz parecer às vezes que são pessoas comuns que não se sentem de todo confortáveis em frente à câmera.
O lance todo é uma garota se diz atormentada desde criança por alguma coisa paranormal, assombração, espírito ou algo assim, e o namorado meio cético resolve tirar a limpo o negócio filmando tudo que fazem durante o dia e deixando a câmera e microfones ligados à noite e, principalmente nestas horas, a câmera parada registra coisas ora silenciosas, ora barulhentas, ora estaticamente assutadoras. Portas mexendo, sombras, passos na escada, luzes acendendo. Tudo sem que o “negócio” apareça. E este é o grande ganho do filme. O invisível!
“A Bruxa de Blair” que certamente o inspirou, também joga com os mesmos elementos, e é claro investe neste desconhecido também, mas talvez a vantagem que “Atividade Paranormal” tenha em relação a seu antecessor de sucesso seja o ambiente CASA. Casas assombradas sempre foram símbolos de terror, e o coquetel casa+escuridão+movimentos+portas+invisível+desconhecido formam uma combinação verdeiramente assustadora.
Ao passo que em “Blair Witch Project” os sustos e as expectativas eram mais raros e esperados, aqui eles são uma constante cada vez que o casal apaga a luz e vai dormir. Só de vê-los deitados já ficamos com a atenção aguçada para os ruídos e para todo canto da tela. Ponto alto é quando a menina é puxada por algo que não aparece e arrastada corredor afora (e a câmera só ali parada no tripé).
No fim das contas, você no cinema pode até achar “ah, nem é muuuito assutador”; até mesmo ouvi risos ao final da sessão – que seja dito, dos mesmos que quase grunhiam durante algumas cenas. Que seja. “Atividade Paranormal” não é exatamente um filme pra assustar na hora, ele deixa a sensação de medo. Queria ver estes mesmos que riram no cinema, ao chegar em casa na hora de apagar a luz pra dormir.
***
OBS. Curiosamente é o tipo do filme que, em nome da sensação, é melhor ver em DVD em casa do que ver no cinema. Imagina desligar o aparelho e ir da sala até o quarto? E depois no quarto?



Cly Reis

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

"Círculo do Medo" (1962) de J.Lee Thompson e "Cabo do Medo" (1991) de Martin Scorcese




Tava passando no TCM, era a sessão dos 50 filmes pra assistir antes de morrer e eu não tinha visto ainda. Então, eu não podia correr o risco de morrer (toc, toc, toc) sem ver "Círculo do Medo", de J.Lee Thompson que renderia posteriormente uma refilmagem de Martin Scorcese entitulada aqui no Brasil "Cabo do Medo" (que aliás é o nome original da versão antiga também.
Minha curiosidade residia muito em ver como a versão original caracterizava o terrível Max Cady, vivido por Robert de Niro no remake, e como se configurava a relação do criminoso com o advogado que o metera na cadeia. Cady no original é vivido por Robert Mitchum que, a propósito de atuações perversas e assustadoras, já havia protagonizado o ótimo "Mensageiro do Diabo" de forma maligna, e aqui para minha surpresa não fica devendo nada à interpretação de De Niro. Mictchum consegue ser tão sinistro quanto, tão sarcástico quanto, tão sádico quanto e só não mais violento porque o cinema da época não permitiria. Mas mesmo assim o filme é curiosamente muito ousado neste apecto para sua época (e não à toa, tendo problemas com censura), sendo até mesmo extremamente insinuante em determinados momentos como no evidente desejo do maluco pela filha semi-adolescente do advogado ou no suposto estupro da esposa do mesmo.
Um outro elemento que tinha curiosidade de saber como era colocada na versão antiga era se estava presente o elemento anti-ético apresentado na refilmagem que levara Max Cady à cadeia. E realmente não, não havia este elemento e este provavelmente foi o grande ganho de Scorcese em relação à versão antiga. Com a introdução de questões morais e éticas, transgredidas por todos os envolvidos em determinado momento do filme, Scorcese conseguiu fazer com que ninguém ficasse como anjinho na história e em determinado momento a família ameaçada fica minada por estas questões dentro do próprio lar.
Os dois Max Cady, ambos de dar medo,
cada um à sua maneira
Lógico, é certo que o Max é um psicopata, um criminoso, mas o diretor faz com que não deixemos limpo em nosso julgamento, um advogado, que jurou defender a lei e a verdade, e que omitiu provas para pôr atrás das grades seu próprio cliente. Não acabamos torcendo pelo vilão, mas acabamos sim com um certo asco e desprezo pelo novo Sam Bowden, interpretado por Nick Nolte, ao passo que o antigo, Gregory Peck, o máximo que faz de ilegal foi chamar uma gangue pra dar um corretivo no delinqüente.
Salvo isto, "Círculo do Medo (1962)" é excelente até em termos de direção com algumas cenas quase que rigorosamente copiadas por Scorcese tamanha a qualidade da filmagem original de J.Lee Thompson.
Suspense de primeira, com certeza muito inspirado em Hitchcock, o que fica mais evidenciado ainda pela trilha sempre arrepiante do colaborador de Hitch, Bernard Herrmann.
Vale a pena ver os dois!


Cly Reis

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A culpa foi exclusivamente do Inter


Findo o Campeonato Brasileiro de Futebol, o mais emocionante, mais disputado, mais equilibrado dos últimos tempos, eu, colorado, dispensarei algumas linhas sobre o assunto, até porque meu time era até a derradeira rodada direto interessado nos fatos e acontecimentos que a cercavam.
Quero dizer que se chegamos à última rodada dependendo de um resultado paralelo e sobretudo de um resultado paralelo exatamente do nosso arquirrival isto não é culpa de ninguém menos que do próprio Internacional que fez durante quase todo o segundo turno, depois de ter sido o campeão do primeiro, uma campanha de rebaixado, dando uma guinada no final que não só o livrou desta situação embaraçosa, como também lhe garantiu a incrível possibilidade de ver-se de repente lutando por um título que parecia totalmente inalcançável. Ajudado pela instabilidade emocional, técnica e administrativa do Palmeiras e pela queda repentina do São Paulo quando tinha a faca e o queijo nas mãos, e por uma pequena reação, o Colorado acordou depois da trigésima sexta rodada com a possibilidade palpável de um título que nem a torcida mais acreditava. Eu, particularmente, já estava dando graças a Deus se confirmasse uma vaguinha na Libertadores, nem que fosse aquela indireta, mas num piscar de olhos o título parecia possível. Só que o destino (e o Corinthians) quis(eram) que com a combinação dos penúltimos jogos de cada um que o Flamengo ficasse com uma vantagem em relação ao Inter, que só seria revertida com uma ajuda improvável do nosso principal rival.
Ora, o resto do Brasil parecia não conhecer o tamanho disso, os cariocas, os flamenguistas pareciam não saber dimensionar o tamanho desta rivalidade. Eles não entendiam que NUNCA o Grêmio permitiria que o Internacional conquistasse um título importante se eles pudessem impedir, e não só podiam, como estava nas mãos deles.
Festa feita, Flamengo Campeão, Grêmio botou os juvenis pra jogar, tirou os melhores jogadores do jogo (Maxi e Souza), não chutou mais a gol no segundo-tempo, tudo bem? Nada disso tem a ver com o título. O Internacional não deixou de ganhar este tetracampeonato porque o Grêmio foi desinteressado pro Maracanã. Deixamos de ganhar este campeonato em uma série de jogos fáceis, jogos ganhos nos quais deixamos a vitória escorrer entre os dedos. Perder para o Corinthians em casa acontece, mas não pode acontecer quando o time paulista vai desfigurado, sem 7 ou 8 titulares, sem Ronaldo, sem o bom goleiro titular. E perdemos. De 2x1. E massacrando o adversário mas não conseguindo fazer gols. Massacramos também o Atlético PR, que era um dos últimos naquele momento, e não saímos do empate em casa. A propósito de últimos, deixamos o Fluminense empatar aos 47 do segundo-tempo. Tá certo que este jogo foi fora de casa, que o Fluminense teve toda essa reação e tudo mais, mas NÃO; contra um dos lanternas, no finalzinho do jogo; espana, joga a bola pra longe, faz cêra, cai, seja expulso mas não deixa empatar. E pra completar, e aí sem desculpa mesmo, foi a gota d'água perder em casa para o Botafogo, que também estava na rabeira do campeonato, tendo levado um gol aos 3 do primeiro tempo e depois não tendo conseguido reagir durante os outros 87 minutos. Não pode. Não pode ser campeão mesmo. Depois querem atribuir ao Grêmio, aos reservas, ao corpo-mole.
Até acho que no fim das contas, se alguém neste campeonato jogou bola de verdade foi o Flamengo. Teve enfrentamentos difíceis e superou, como nas vitórias contra Palmeiras e Atlético fora, por exemplo, coisa que o Inter não fez, só tendo ganho de algum postulante ao título agora no finalzinho quando bateu o Galo no Mineirão.
No fundo não lamento muito. Gostaria de ter o título é claro, mesmo às custas do rival, mas pra quem como eu, em determinado momento vendo as atuações do time não cria nem em Libertadores,chegar em segundo acabou sendo grande coisa. Agora é pensar no Bi da América. Com um pouquinho de planejamento, alguns reforços pontuais e mais garra no próximo ano até dá. Tudo é Libertadores!


Cly Reis

domingo, 6 de dezembro de 2009

"Vicky Cristina Barcelona' de Woody Allen (2008)


Esta semana, mesmo, por acaso, li em algum lugar, um comentário afirmando que o Woody Allen bom era o dos anos 70. Deve-se admitir que as obras-primas do diretor encontram-se com efeito nesta fase, como "Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo mas tinha medo de perguntar" e "Manhattan", tendo ainda uma produção bastante interessante nos 80 com jóais como "Hannah e suas irmãs" e "Zelig", mas verdadeiramente começa a dar sinais de estafa criativa e qualitativa nos 90, mesmo assim, neste período, ainda conseguindo produzir o ótimo e divertido "Misterioso Assassinato em Manhattan" em 1993 e o bom "Poderosa Afrodite". O novo século pelo visto não tem sido muito auspicioso para Allen, depois de uma série de fracassos logo na virada do milênio, parece estar tentando reencontrar o caminho. Tenho que admitir que não vi "Dirigindo no Escuro", "O Escorpião de Jade", "Os Trapaceiros" mas sei que o próprio Allen afirma fazerem parte de sua pior fase como cineasta. Com um testemunho desses acho que nem vou arriscar.
Não vinha assistindo muito a estes mais novos também porque aqui em casa há uma restrição (da patrôa) a Woody Allen e, como na medida do possível a gente pega filmes para ver juntos, acabava deixando passar filmes que até me interessam como "Scoop" e "Melinda e Melinda" para o qual tenho boas recomendações. Curiosamente, neste sábado procurando filmes na locadora ela demonstrou interesse em "Vicky Cristina Barcelona" do qual eu ouvira falar bem. Ôpa! Oportunidade de ver Allen em casa na Sessão Conjunta com a mulher.
Só que lamentavelmente o filme não é lá essas coisas. Aliás é bem fraco. Uma história bem inconsistente, um roteiro incrivelmente óbvio com falas até mesmo previsíveis e um humor bastante duvidoso. Pra piorar, o filme todo é conduzido por uma narração que, salvo toda a minha paciência de tentar descobrir onde queria-se chagar com aquilo, mostrou-se absolutamente desnecessária. Não era necessário narrar o que eu estava vendo, estava ali na tela ou ia estar dali a segundos. Uma condução de filme totalmente equivocada.
A locação em Barcelona, a mistura de línguas, o cenários, a fotografia, me parecem mais uma expressão de paixão momentânea ou descoberta do diretor de algum outro lugar que não Manhattan, onde, sinceramente, acho que ele deveria continuar. Até por inspiração mesmo. O fator Espanha, o fator Barcelona, com Javier Barden e Penélope Cruz, o intimismo, a comédia velada, só fez com que ficasse com uma cara meio Almodóvar no fim das contas e, na boa, se é pra ver Allen assim, eu prefiro ver um Almodóvar mesmo.
Como disse, tenho boas referências de "Melinda e Melinda" e pretendo ver uma hora dessas. Só que pelo jeito vai ter que ser sozinho na sessão da madrugada. Acho que depois desse perdi de vez a boa vontade da minha mulher em ver Woody Allen.


Cly Reis

Berinjela Beligerante



sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

PIL (Public Image Ltd.) - "Metal Box (1979)




O Public Image Limited é a banda criada por John Lydon, o ex-Johnny Rotten dos Sex Pistols após a dissolução da banda quando o movimento punk já se mostrava cansado e moribundo. Não que a experiência não tivesse sido válida, que não tivesse sido importante ou deixado um legado, mas o grito do punk em si, já começava a ficar sem sentido, e sem perceber ele já tinha ramificado para tanta coisa que nem a sua linguagem mias já permanecia pura. Foi isso que viu John Lydon ao fundar o PIL. A new-wave aparecia, a disco-music era a onda, o pós-punk assumia diversas formas e um cara antenado, inquieto, inteligente não ia querer ficar só vociferando e xingando a rainha a vida toda. Os punks o renegaram, “Traidor do movimento”, “Judas”. Mas e daí? Ele lá tem cara de que se importa com isso? Acho que pelo contrário. Quanto mais batem, mais ele gosta.
O primeiro disco, homônimo à banda, (ou também chamado de “First Issue”), já transparecia a mudança, com visíveis concessões pop, mas foi em "Metal Box”, o segundo, que John Lydon achou a liga. Curiosamente num ambiente conturbado cheio de brigas e dificuldades de gravação, de onde seria provável que não saísse algo coeso, aparece um álbum que desfila e brinca com os estilos vigentes da época, volta ao punk e ao mesmo tempo oferece rumos para o pop-rock dos anos 80. Até mesmo seu formato de apresentação, inusitado, lançado originalmente como álbum triplo em uma lata de rolo de filme, “Metal Box” parece com este invólucro pesado e hermético querer proteger o ouvinte do “perigo” à sua exposição. E quando se ouve é quase isso. “Metal Box” é um disco perigoso!
Abre com a quilométrica “Albatross” que se arrasta como um longo vôo da ave com um baixo primoroso e cadenciado do cara que é considerado o melhor pior baixista do mundo, Jah Wobble, e que neste disco em especial parece estar, dentro da sua pouca técnica, extremamente inspirado no que diz respeito a criatividade;ora é minimalista, ora elaborado, ora jazzístico e muitas vezes bem disco-music como na ótima “Swan Lake”, (conhecida também como “Death Disco”), esta uma das melhores faixas do álbum.
"Poptones” não à toa tem este nome pois ela aponta um horizonte de levada pop que serviria para o resto da década e talvez além. Igualmente com uma linha de baixo destacada e agradável, em “Poptones” Lydon desfila sua voz com aquele costumeiro tom sarcástico só que aqui parece um pouco mais light e relaxado.
“Careering” que a segue, tem destaque para uma bateria bem marcada e com constantes improvisos entre os tempos, e “The Suit” um dub solo de baixo com uma voz quase sussurada de Lydon, também vale o destaque. Outro dos pontos altos é “Socialist”, uma composição instrumental tipicamente punk mas com uns tecladinhos quase infantis que suavizam a levada agressiva. “Chant” com sua bateria alta é minimalista e agressiva, num clima meio caótico, cantada em insistentes repetições; e apenas como trilha de encerramento “Radio 4”, levinha, tocada no teclado por Keith Lavene, baixa a poeira e faz as honras de fechar esse discaço.
Álbum fundamental!

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FAIXAS:
1. Albatross
2. Memories
3. Swan Lake
4. Poptones
5. Careering
6. No Birds
7. Graveyard
8. The Suit
9. Bad Baby
10. Socialist
11. Chant
12. Radio 4

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Ouça:
PIL Metal Box


Cly Reis

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Os Causo de Dois Morro - "Camponato Brasilêro"


Essa coisa toda de Camponato Brasilêro; Framengos, Sonpaulo, Ternacionar, Parmera; tudo quase empatado, me alembra aquele certame de ’31 quando o Doismorrense perdeu o títlo nacionar por caus’ de uma tramóia do nosso co-irmão, o Província. Naquelas época o Dois Morro fazia parte do Brasir e jogava o camponato de vocêis. Sei dizê que a peleia tava mais embolada que pêlo de carnero sujo, sabe? Sabe quando tá sujo que chega a tá grudento? É, assim que tava o camponato. Todo mundo junto. Chego na penúrtima rondada com 4 time tudo iguar, mas iguar assim que nem que um caminhão cheio de melancia. Jogo ganhado, jogo perdido, jogo robado, gôlo feito, gôlo levado, tudo. Cartão marelo, vermeio, de visita, de crédito. Tudo iguar que não ia tê jeito de desempatá. Aí que na penúrtima, o Doismorrense ganhô do Companhia das Índia Ocidentar, lá de Pernambuco, por 2x0 com dois gôlo do Zuninga (saudoso Zuninga); o Província só se empatô lá nas Minas Gerais com o Inconfidência; o Recreativo, de Sonpaulo, levô um arrodião do Tomé de Souza e se despediu da taça; e o Repúbrica ganhô do Ventura por 4x1 e ficô com vantage de gôlo pra úrtima rondada.
Entonces que fico assim: o Província, que era o mais inimigo do Doismorrense ia pegá o Repúbica da capitar no úrtimo jogo, e se ganhava e o Doismorrense passava pelo Cerrado, que tinha perdido pra todo mundo, o Doismorrense levava o trofér. Só que os provinciense não querío dá essa alegria pra nóis aqui de Dois Morro e tavo armando de entregá o jogo pro Repúbrica pra modo deles sê campeão. Dizío que não; "Comé que nóis ia fazê uma coisa dessa?”, “Magina!, Nóis entregá? Não, nóis somo gente direita.”, mas a claque deles pedío pelamordedeus pr’eles entregá pra não dá ôtro títlo pro Doismorrense.
No dia dos jogo, o Doismorrense passô por cima do Cerrado, fêiz 9x2, com brilhante atuação do Restilo, que anoto 3 vêis na meta diversária. Só que lá na capitar se deu-se fatos mui estranhosos: o Província logo no comêço, deu a saída, um jogador recuô pro golkíper e a bola entrô. 1x0 pro Repúbrica com 2 segundo de embate. O Província deu ôtra saída e o jogador deles fêiz que foi passá pro companhêro na esquerda e deu um lançamento pro center-forward do Repúbrica que foi como se botasse ca’ mão. Pronto: o tar de Júlio César, que a torcida do Repúbrica chamava de Imperador, dibrô o golkíper e encaçapô mais um. Sei que foi gôlo estranho de tudo qué tipo: gôlo contra cobrando remesso laterar, beque cobrando tiro-de-meta de carcanhá pro póprio gôlo, treinero do time que saiu da área ténica e foi lá cabeceá contra no córner. Uma vergonha! Cabô 8x0 pro Repúbrica que se sagrô-se campeão daquele ano.
Mas o pisódio foi tão marcante, tanto se falô-se da marmelada que ficô, tão feio, mas tão feio pros jogador do Província que eles só andavo na rua com pacote de supermercado na cabeça. Quase todos eles não conseguiro mais jogar em ôtros time que ficáro com medo deles entregá jogo de novo, deles fazê corpo-mol em jogo importante, e essas coisa assim. A maioria deles parô de jogá cedo, lá pelos meado de 1935 e acabaro pobre, sem trabáio e afogado na cachaça.
Só sei que o Província dexô de existí pôco dispois por causa dessa vergonha, o Repúbrica mudô de nome, o Recreativo virô só crube de piscina, e os ôtros fôro fechando as porta. Aí que em '71 inventaro esse ôtro Camponato Brasilêro dos tempo de agora com esses time aí. Mas bom mesmo era naquele tempo. Aquilo sim é que era futebór!


postado por Chico Lorotta

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

ELVIS






"Bastardos Inglórios", de Quentin Tarantino (2009)





Como disse aquele médico do “Hellraiser 2” que depois de ter resitido tanto em ser levado pelos Cenobitas, então se regozija com os prazeres da dor:”E PENSAR QUE EU HESITEI!’.
E dizer que eu resisti a ir a um cinema ver “Bastardos Inglórios”. E o pior, que eu prejulguei de maneira tão leviana. Que eu subestimei a capacidade de um dos meus diretores preferidos. Mea culpa. Mea maxima culpa!Apostava, quando desdenhei do filme, que os elementos típicos de Tarantino já estivessem ficando desgastados e que simplesmente estariam aplicados agora a um tipo de cenário atípico até então na sua filmografia, a guerra, mas já com a “piada” gasta. Em parte é verdade. Está tudo lá; os flashblacks, a violência, a divisão do filme em partes, os diálogos longos; só que tudo colocado perfeitamente bem e aplicado diferentemente do que em seus outros filmes. Em “Bastardos...”, mesmo com esta segmentação do filme, o roteiro é mais linear e os flashbacks funcionam quase que como um apoio à história e não a desconstrói como Tarantino costuma fazer. Os diálogos longos e que parecem improdutivos até chegarem a um ponto chave também aparecem e de forma muito bem construída e inteligente como no caso da visita do coronel alemão à casa de um camponês na França ocupada, na qual ele enrola, enrola, enrola, e brilhantemente a conversa chega a o ponto que ele queria. Aliás, este personagem, o Coronel Hans Landa, é o objeto especial para o desfile das melhores “conversas-fiadas” que Tarantino adora desenvolver em seus roteiros, e diga-se de passagem com uma atuação excepcional, entre o cômico, o charmoso e o brutal, de Christoph Waltz.
A propósito de brutalidade, não poderia faltar a violência que sempre foi marca registrada dos filmes do cara e neste, não faz por menos também. O curioso é que ele trata, no mais das vezes , de forma tão banal, tão natural, tão spaghetti, que quase não causa o impacto que deveria causar. Por exemplo, os escalpos de nazistas: os Bastardos o fazem como se descascassem laranjas e até por esta naturalidade acaba nem doendo nos olhos do espectador. Tipo, faz parte da história. É isso aí. Depois do primeiro escalpo passa a ser engraçado. Tão engraçadas quanto as marcas que o caricato Aldo Rayne, vivido por Brad Pitt, faz na testa do nazistas, este aliás com uma atuação que não me convenceu. Sei que a interpretação faz parte da proposta da construção do personagem, mas o tipo que ele faz, as caras e bocas ficaram muuuiito forçadas. Mas vá lá. Não chega a estragar o todo.
Não contando o final do filme mas me valendo da última frase dita nele, “acho que esta é minha obra prima”, como se fosse a manifestação de Tarantino pela boca do Ten. Aldo Rayne, não acho que seja a obra-prima do cara, mas, ao contrário do que eu imaginava quando escrevi anteriormente, Tarantino está melhorando ainda mais seu cinema dentro da sua linguagem.
Não duvido mais do cara. Prometo.




Cly Reis