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sábado, 13 de outubro de 2012

Numa Esquina de São Chico









Réplica habitável do primeiro Banco da cidade
no pátio central da livraria.
Luciana Olga e Daruska
São Francisco de Paula esconde verdadeiras riquezas. É um lugar mágico - vizinho das cidades de Gramado e Canela, possibilita aos visitantes menos afobados a oportunidade de desfrutar da sua natureza, do seu ar puro, das suas ruas, sabores e habitantes. No Centro da cidade, em plena avenida Júlio de Castilhos encontramos uma enorme livraria cujo nome tem muito a ver com a impressão que temos quando a avistamos - Miragem.
Sim, numa cidade de 20 mil habitantes uma professora de teatro, hoje aposentada, aos 68 anos administra uma Livraria repleta de excelentes títulos e acervo não só literário, mas também musical e multimídia. Luciana Olga Soares, nasceu em Porto Alegre, mas foi ainda muito criança morar em São Chico, e desde então, vive lá junto com seus 26 cães na zona rural da cidade. Em 1999, essa pisciana resolveu reunir suas poesias e pensamentos num livro intitulado "Miragem" e logo depois abriu a Livraria, erguida do zero num projeto arquitetônico com a atmosfera dos prédios europeus, onde todas os andares estão integrados. 
Estantes com preciosidades literárias
com excelentes e variados títulos
A visita inicia com a recepção de Daruska - essa jovem senhorinha canina de 17 anos, que carinhosamente deixa-se acariciar logo na entrada, balançando a cauda. O tempo de visitação dentro da Livraria poderia ser facilmente esquecido, não fosse a presença de inúmeros relógios em todos os formatos e tamanhos que lá estão para venda. Aliás, praticamente tudo que está exposto pode ser adquirido e em breve haverá além do espaço para exposições um Sebo localizado no sótão. Fiquei mergulhada nesse pequeno universo por exatas 3h30min e confesso que não senti o tempo passar. A sensação era de estar lendo um livro, daqueles que descrevem lentamente cada descoberta, deixando o narrador ainda mais surpreso com a sequencia de fatos revelada, página a página. Recomendo aos amigos que forem passear na Serra Gaúcha de acrescentar em seu roteiro a Miragem Livraria e vivenciar um pouco de Arte Viva em meio aos livros e aos verdes das árvores.

Hall térreo da Livraria concentra um pouco da
história de sua idelaizadora e abre as portas para a Casa de Chá
Espaço intermediário que prece miragem
através dos espelhos
Sótão onde será o espaço
do Sebo da Livraria
Vista interna do
segundo andar
Réplica habitável do primeiro Banco da cidade
que fica no pátio lateral da Livraria e que em breve
deverá ser vizinha da réplica da primeira igreja,
ainda em fase de projeto
Espaço interno da réplica do banco, onde se realizam
eventos para terceiros, mediante locação/parceria



texto e fotos: Leocádia Costa




sexta-feira, 12 de outubro de 2012

"Plunct Plact Zum" - Trilha Sonora do Especial da Rede Globo - Vários Artistas (1984)




"Tem que ser selado, registrado, carimbado
Avaliado e rotulado se quiser voar!!
Pra lua, a taxa é alta
Pro sol, identidade,
Vai já pro seu foguete viajar pelo universo
é preciso o meu carimbo dando, sim sim sim sim
Pluct, Plact, Zummm
Não vai a lugar nenhum"
da letra de "O Carimbador Maluco"



Do tempo em que a Globo produzia especiais infantis de qualidade, alto nível, conteúdo e com grandes nomes. Ah, bons tempos!
Neste Dia da Criança aproveito pra destacar aqui nos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS um dos discos  infantis mais celebrados da música brasileira. "Plunct Plact Zum", um especial infantil exibido em 1984 pela Rede Globo de teleisão, apresentava uma espécie de viagem espacial de um grupo de crianças entediadas por não poderem fazer o que queriam e nesta aventura conheciam personagens esquisitos, seres estranhos e planetas diferentes. O programa que trazia grandes nomes da música como Fafá de Belém, Maria Bethânia e Raul Seixas e também atores como Jô Soares e José Vasconcelos em performances musicais divertidíssimas, originou o disco que é uma daquelas lendas da música nacional.
Embora a maioria das músicas tivesse a ver com a aventura das crianças, algumas como a boa "Sereia", de Lulu Santos, na voz gostosa de Fafá de Belém, ou "Brincar de Viver" interpretada magnificamente por Maria Bethânia, mesmo de inegável qualidade e com alguma sugestão a seres e a um imaginário fantástico, se prestavam menos ao projeto. No entanto, o resto, era pura alegria,diversão  e qualidade.
A Gang 90, banda de sucesso naquele início de anos 80, comparecia com a divertidíssima "Será que o King Kong é Macaca?", bem ao seu estilo naquele rockzinho new-wave; igualmente hilária e gostosa era a glutona "Gruta das Formigas" com o pouco conhecido Sérgio Sá; Eduardo Dusek, encarnando o Mestre Malucão, dava uma aula de matemática muito peculiar na ótima "1+1 é Bom Demais"; Zé Rodrix trazia a legal e educativa "Ilha da Higiene"; e a baladinha delicada "Sopa de Jiló", com a então menina Aretha (filha da cantora Vanusa), era provavelemente a mais fraquinha do disco. Ainda tinha Jô Soares cantando a excelente "Planeta Doce", um rock'n roll saboroso e embalado; e José Vasconcelos se vestindo de uma pretensa ranzinice em "Use a Imaginação" para incentivar as crianças a soltar a mente e inventar novas formas de se divertir. Mas o ponto alto mesmo da trilha sonora ficava por conta de "O Carimbador Maluco", uma atuação e interpretação brilhantes de Raul Seixas fazendo as vezes de uma espécie de 'fiscal de alfândega espacial' que ficava dificultando a partida das crianças (é preciso o meu carimbo dando, sim sim sim sim/ Pluct, Plact, Zummm não vai a lugar nenhum"). Um rock descontraído com a marca da irreverência do Maluco Beleza, nesta que, por incrível que pareça, acabou-se tornando uma de suas mais célebres performances dos últimos tempos de carreira.
Um disco infantil que todo o adulto que eu conheço lembra e curte. Quem teve na época, guardou. Quem teve e perdeu, quer recuperar. Quem nunca teve mas lembra das músicas, quer ter. Músicas que mesmo passado o tempo, permanecem na memória e no imaginário de cada um de nós, mesmo tendo nos tornado adultos. Ou ao contrário, talvez coisas como estas sejam o que nos fazem permancer ainda sempre um pouco crianças.
Feliz Dia da Criança pra todos nós.

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FAIXAS:
01- O Carimbador Maluco - Raul Seixas
02- Gruta das Formigas - Sérgio Sá
03- Sereia - Fafá de Belém
04- Será que o King Kong é Macaca - Gang 90 e Absurdetes
05- Sopa de Jiló - Aretha
06- Brincar de Viver - Maria Bethânia
07- Planeta Doce - Jô Soares
08- 1+1 é Bom Demais - Eduardo Dusek
09- Ilha da Higiene - Zé Rodrix
10- Use a Imaginação - Zé Vasconcelos e a Turma do Pirlimpimpim

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Ouça:
Plunct Plact Zum 1984



Cly Reis

cotidianas #183 Especial Dia das Crianças - "Saiba"


Saiba: todo mundo foi neném
Einstein, Freud e Platão também

Hitler bebê
Hitler, Bush e Sadam Hussein Quem tem grana e quem não tem
  Saiba: todo mundo teve infânciaMaomé já foi criança
Arquimedes, Buda, Galileu
e também você e eu

Saiba: todo mundo teve medo
Mesmo que seja segredo
Nietzsche e Simone de Beauvoir,
Fernandinho Beira-Mar

Saiba: todo mundo vai morrer
Presidente, general ou rei
Anglo-saxão ou muçulmano
Todo e qualquer ser humano

Saiba: todo mundo teve pai
Quem já foi e quem ainda vai
Lao Tsé Moisés Ramsés, Pelé
Ghandi, Mike Tyson, Salomé

Saiba: todo mundo teve mãe
Índios, africanos e alemães
Nero, Che Guevara, Pinochet
e também eu e você

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"Saiba"
letra Arnaldo Antunes

Ouça:
Arnaldo Antunes - "Saiba"

terça-feira, 9 de outubro de 2012

O Bode Espiatório

Minotauro









"Minotauro" - Reis, Cly
(acrílico sobre tela - 50x70cm)

Cabeça de Vento


Cabeça de Vento aborda a Morte



Cabeça de Vento é o segundo espetáculo infantil da Cia. Pandorga que apresenta montagens infanto-juvenis teatrais com “ar” de gente grande. É a constatação de que a verdadeira conversa entre adultos e crianças pode e deve ser inteligente, desafiadora e criativa. Numa demonstração prática de respeito à criança - indivíduo repleto de potencial e que nessa fase de formação precisa ser bem nutrida, contatando uma Arte sensibilizadora – o espetáculo cumpre com o seu objetivo – refletir de uma maneira sensível e ao mesmo tempo lúdica sobre os processos de morte.
O protagonista Léo e seu pai.
Entendendo a vida e a morte.
(foto: Cristina Froment)
Em 2011 a Cia. Pandorga recebeu o Prêmio Montagem Cênica da Funarte, com patrocínio da Petrobras e parceria com a GAM Produções montou o novo espetáculo “Cabeça de Vento” texto autoral de Cleiton Echeveste que propõe uma busca-mergulho-investigação diante a perda de um dos genitores (neste caso do pai), sobre como lidar com essa ausência/presença, seu lugar em nossa vida e a forma como ele permanecerá. Léo (o personagem principal) é um menino de oito anos que, ao ganhar um livro que pertenceu ao pai, faz uma viagem no tempo,
encontrando personagens como o cientista e inventor Benjamin Franklin, a guerreira e rainha chinesa Fu Hao e Ricardo Coração de Leão, rei da Inglaterra. Essa é a história central do espetáculo que mostra também paralelamente a origem e a história da pipa, através do olhar infantil.
Sua grande paixão: as pipas
(foto: Cristina Froment)
Apaixonado por pipas, Léo tenta lidar com a morte recente do pai. Assim, enquanto interage com personagens importantes da História, sem perceber, o menino elabora a perda recente, sob as diferentes perspectivas de vida e morte apresentadas a ele durante esses encontros inusitados.
O espetáculo traz imagens maravilhosas, como a de dormir entre os bambus, uma simbologia do sono aconchegante no colo do pai. A referência aos apelidos de uma forma afetiva e não preconceituosa, constrói as relações entre pai e filho que transformam Léo, afetivamente em Leléo. Lidar com tantos personagens que possibilitam reflexão sobre inimigos internos, vindos da lucidez da filosófica oriental, e de insights como “a memória viverá para sempre”, ensina que essa vivência pode ser transformadora e de fato é em qualquer idade.
Nas 'viagens' de Léo, ele encontra
a rainha chinesa Fu Hao
(foto: Cristina Froment)
O espetáculo conta com as atuações de Eduardo Almeida, Jan Macedo e Luciana Zule que receberam prêmios por suas atuações. A trilha sonora é de Gustavo Finkler premiadíssimo músico que antes desenvolveu inúmeras trilhas com o grupo Cuidado que Mancha e atualmente desenvolve suas poesias na Cia. Cabelo de Maria. A direção e texto são de Cleiton Echeveste, que desponta como um autor contemporâneo marcante interligando uma série de referências culturais em suas criações, tornando-as verdadeiros mapas criativos de auto-conhecimento.
Pronto agora mantenha seus pés no chão, reserve linha, papel, cola e bambu. Deixe sua cabeça ao flutuar pelo ar, monte sua pipa e embarque nessa aventura de descoberta e libertação. Bom espetáculo!



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Próximas apresentações 2012:

- No dia 14 de outubro “Cabeça de Vento” estará no Teatro SESC São João de Meriti/Rio de Janeiro.

- A próxima temporada “Cabeça de Vento” no Rio de Janeiro será de 03 a 11 de novembro, sempre aos sábados e domingos, às 17h, no Teatro SESC Tijuca.

- No dia 13de novembro “Cabeça de Vento” estará no 40º Festival Nacional de Teatro de Ponta Grossa/Paraná.

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Premiações 2012:

Em agosto no XIII FESTIVAL NACIONAL DE TEATRO DE GUAÇUÍ/ES em agosto de 2012 de Melhor Ator – Jan Macedo/ Melhor Atriz – Luciana Zule/ Melhor Figurino – Daniele Geammal/ Melhor Trilha Sonora – Gustavo Finkler/ Melhor Maquiagem – Rodrigo Reinoso e Francisco Leite e teve indicações nas categorias: espetáculo, direção, texto, iluminação, ator coadjuvante e cenário.

Em setembro no IX FESTIVAL NACIONAL DE TEATRO DE DUQUE DE CAXIAS recebeu os prêmios: Melhor Espetáculo/ Melhor Texto Original/ Melhor Ator - Jan Macedo/ Melhor Ator Coadjuvante - Eduardo Almeida/ Melhor Iluminação - Tiago Mantovani e teve indicações nas categorias: direção e cenário.

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Breve histórico da Cia Pandorga:

A Cia Pandorga criada em 2005 por Cleiton Echeveste e Eduardo Almeida pesquisa temas que possibilitem montagens diferenciadas, buscando textos autorais de qualidade. Cleiton que dirige a Cia, diz: “A proposta da Companhia é o desenvolvimento de um trabalho de qualidade e de pesquisa em teatro, independente da faixa etária a que seus espetáculos se destinam. O grupo se propõe também à busca de uma linguagem cênica contemporânea, que dialogue com a dramaturgia clássica, mas que também vá ao encontro de outros gêneros da literatura, como o conto e a poesia.”
Em 2007 a Cia chega aos palcos com a montagem “O Menino que Brincava de Ser” inspirado no livro homônimo de Georina Martins, lançado nove anos antes com ilustrações de Pinky Wainer. O livro se empenha em desmontar o preconceito contra a aparente homossexualidade de um menino – o Dudu quer virar menina- através de uma fábula cheia de lirismo e de símbolos. O crítico teatral Carlos Augusto Nazareth comenta: “O Menino que Brincava de Ser – através do jogo do teatro, da brincadeira infantil do “faz de conta”, do humor – discute questões cotidianas de uma família, a relação familiar, o autoritarismo, o machismo, as dúvidas que por vezes a criança tem em relação à sua sexualidade e a reação diversa da família com o lidar com esta questão. Os temas são difíceis de serem conduzidos, mas equilibrando seriedade e humor, Cleiton Echeveste consegue resolver em seu texto teatral as questões colocadas por Georgina Martins, ampliando mesmo, ou pelo menos sublinhando, com maior ênfase, as diversas questões levantadas.” O espetáculo foi adaptação e dirigido por Cleiton Echeveste e apontado em 2009 como um dos cinco melhores espetáculos infantis pela Revista Veja do Rio de Janeiro.


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Iggy Pop - "The Idiot" (1977)




“Nesse exato momento,
eu queria estar morto.
Eu simplesmente
não aguento mais”.
texto do bilhete deixado por Ian Curtis,
encontrado enforcado em sua casa,
com o disco “The Idiot” de Iggy Pop ainda rodando no toca-discos.

Depois de ter produzido o último álbum dos pré-punk, The Stooges, David Bowie já renomaado e prestigiado adotava o vocalista da banda, Iggy Pop, como pupilo e produzia seu álbum solo de estréia. Neste disco, “The Idiot”, de 1977, o Camaleão limpava o som ruidoso e retumbante dos Stooges, conferindo toda uma sofisticação e classe, acrescentava alguns toques tecnológicos e eletrônicos, dosando os elementos, sem contudo violentar a característica agressiva e selvagem do cantor. Provas disso são “China Girl”, que viria a ser gravada por Bowie anos depois em um álbum próprio, exemplo claro de punk moderado, com todos os elementos ali, ritmo, força, distorção, voz rasgada, porém amenizados por um tema romântico e por um teclado agudo tipicamente oriental; ou “Funtime” cuja agressividade sonora fica contida pelos ecos e efeitos dando lhe inclusive um certo ar futurista.
 “Sister Midnight”, a faixa que abre o disco e uma das grandes músicas dele, é notável com sua estrutura totalmente quebrada e pela versatilidade dos vocais de Iggy dentro da mesma canção; “Dum Dum Boys” mesmo na voz de Iggy é aquele tipo de balada tipicamente bowieana; o charmosíssimo pop de cabaré “Nightclubbing”, que mais tarde veio a ter uma versão igualmente admirável de Grace Jones, tem Iggy numa interpretação notável simulando uma certa embriaguez na voz; e o disco fecha com a lenta, minimalista e arrastada “Mass Production”, e seu apito de navio anunciando o fim do disco.
 Um dos mais importantes e primeiros representantes da chamada fase berlinense de David Bowie que ainda traria seus excelentes "Low", “Lodger” e Heroes”, além de outra espetacular parceria com Iggy Pop, produzindo seu ótimo “Lust for Life”, que por certo, mais cedo ou mais tarde vai acabar pintando aqui nos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS.
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FAIXAS:
  1. "Sister Midnight" – 4:19
  2. "Nightclubbing" – 4:14
  3. "Funtime" – 2:54
  4. "Baby" – 3:24
  5. "China Girl" – 5:08
  6. "Dum Dum Boys" – 7:12
  7. "Tiny Girls" – 2:59
  8. "Mass Production" – 8:24
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Ouça:
Iggy Pop The Idiot



Cly Reis

"O Artista", de Michel Hazanavicius (2011)





O filme já começa avisando,
"Eu não direi uma palavra!!!".
Símbolo da resitência do
personagem em enfrentar os novos tempos

Já havia saudado aqui, sem ter mesmo visto o filme, a iniciativa da conservadora e tendenciosa (comercialmente) Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood em premiar com suas principais honrarias a um filme mudo e em preto-e-branco mas agora, mesmo com todo o atraso que já me é característico, tendo-o visto, não posso deixar de além de ratificar minha reverência, dizer que diante de tão admirável, expressiva, inspirada e notável obra, os velhos da Academia não fizeram mais que a obrigação pois não tinham mesmo como ignorá-la. “O Artista” , dirigido pelo francês Michel Hazanavicius é um daqueles filmes mais do que importantes, necessários para a vida do cinema. Uma obra que em face à utilização de seus recursos técnicos ‘superados’ é contraditoriamente oportuno e renovador. Sua disposição em simplificar o cinema repleto de efeitos especiais, de três-dês excessivos, de excesso de informação, de diálogos batidos, previsíveis e estúpidos, é uma espécie de sopro de frescor que se fazia imperioso neste momento no universo cinematográfico. Era preciso realmente se redescobrir a arte da sétima arte e, nesse sentido, sem querer ser redundante e já sendo, o filme da Hazanavicius é absolutamente artístico.
Através do ocaso de um astro do cinema mudo pela chegada dos filmes falados o diretor, utilizando-se do formato mais primitivo do cinema, levanta exatamente a questão sobre essa aceitação do moderno, do novo, não só no cinema, mas no meio artístico em geral e por que não, na vida, por outro lado não esquecendo fato de que o passado não pode e não deve simplesmente enterrado, ignorado a cada avanço tecnológico técnico, a cada modismo, que, ambos, passado e futuro, de alguma forma sempre se encontram e se completam.
Grito mudo - os sons
invadem o mundo de Valentin
Com uma narrativa brilhantemente conduzida, inteligentíssima dada a ausência de falas, o filme, repleto de de metáforas visuais, de falas (na tela) genialmente sugestivas e referências a outras obras do cinema, trata da resistência do astro George Valentin, interpretado brilhantemente pelo expressivíssimo Jean Dujardin, em aceitar a o advento do cinema falado Rejeitando-o por orgulho e vaidade, Valentin é relegado então ao esquecimento enquanto outros atores, inclusive a graciosa Peppy Miller (Bérénice Bejo), apadrinhada por ele inicialmente, são guindados à condição de estrelas do novo cinema que se afigura.
Além das atuações de Dujardin, de Bejo, do motorista Clifton (James Cromwell), da direção de arte e da espetacular fotografia em preto-e-branco, não tem como deixar de falar do gracioso cachorrinho Uggie, um show à parte de papel destacado e importante na história. E mais, a cena da escadaria cheia de simbologias e referências, Peppy dançando com o casaco, a fantástica seqüência do sonho onde os sons invadem o mundo do astro Valentin, ou a do tiro com a inversão de expectaviva com a onematopéia na tela. Tudo sensacional! 
Eu que sou um chorão assumido de cinema, tenho que admitir que neste, “O Artista”, em momento algum tive lágrimas nos olhos. Mantive, sim, foi um constante sorriso no rosto. Do início ao fim.
Simplesmente, sem palavras. 



Cly Reis


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Titãs - "Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas" (1987)



"(...) Uma terra onde o ídolo, o Cristo, o Deus está completamente distorcido. Então é uma frase longa que tem várias conotações, mas tem esse sentido popularesco que é usar a palavra 'banguela' associado a 'Jesus', que são dois termos tão populares e tão pouco casados que nessa frase ficam muito bem.
É o pólo positivo e o pólo negativo.
É uma equação, não é nem uma frase."
Nando Reis



Depois de um disco como "Cabeça Dinossauro", unanimidade de público e crítica, sucesso de vendas e repleto de hits radiofônicos, cercou-se de grande expectativa o lançamento do que seria seu sucessor. Conseguiria o novo trabalho dos Titãs repetir o sucesso, qualidade e desempenho do anterior, considerado quase que automaticamente um dos maiores álbuns brasileiros de todos os tempos? “Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas” de 1987 não só conseguiu se comparar ao clássico disco anterior, como superá-lo. Sim! Superá-lo. Embora o posto de maior disco nacional da história permaneça intocado para o  "Cabeça Dinossauro" , na minha opinião, por conta de sua ruptura, ousadia, sonoridade, criatividade, arrojo conceitual, inovação de linguagem, aquele novo disco o ultrapassava em qualidade técnica e aprimorava seus conceitos e experimentações.
O funk de “O Quê?”, por exemplo, é extremamente mais bem trabalhado e aperfeiçoado em faixas como a ótima “Comida”, dos grandes hits do álbum e “Diversão”, também de boa execução, trabalhada com samples e programação de bateria.
“Todo Mundo Quer Amor”, letra concretista de Arnaldo Antunes é o melhor exemplo da evolução do experimentalismo de um disco para o outro, numa faixa curta, minimalista, quase que apenas de transição, toda desenvolvida a partir de programações , samples e colagens; mas músicas como “O Inimigo”, que apenas repete dois versos o tempo inteiro, e “Infelizmente”, letra praticamente narrada sobre uma batida constante com inserções eletrônicas, também trazem esta característica de experimentação bem presente.
O peso, o punk, a energia mostrada anteriormente também não faltam, mas aqui, em “JNTDNPDB” aparece menos cru. A excelente “Lugar Nenhum” é mostra evidente disso numa porrada básica, agressiva, distorcida porém muito bem trabalhada pelo produtor Liminha, o nono titã; “Armas pra Lutar” é outra que carrega no peso com ênfase especial para a bateria precisa de Charles Gavin; e a ótima “Nome aos Bois”, de guitarra aguda, repetida e constante, tem o peso moderado porém é extremamente contundente sem dizer efetivamente nada, apenas listando nomes de personagens famosos e históricos, e deixando-os para quem quiser lhes atribuir os devidos predicados.
O disco traz ainda “Corações e Mentes” e “Desordem”, dois rocks bastante acessíveis, bem pop, dosando bem os elementos do disco; “Mentiras”, que apesar de ter inegavelmente qualidade e apresentar uma certa complexidade na introdução do refrão, é a mais fraca dos disco na minha opinião; e a canção que tem o nome do disco, “Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas” que apenas repete a intrigante frase o tempo inteiro acompanhada de um magnífico instrumental dosando peso, agressividade e técnica, com um excepcional trabalho de guitarra que aparece em solo praticamente o tempo inteiro durante o desenvolvimento da música.
Vale destacar ainda dois detalhes interessantes: um deles é a ótima capa, inteligentemente sugestiva tanto no que diga respeito a época, em se referindo a Jesus, quanto a dentes, lembrando uma grande boca desdentada; e o outro detalhe é a não identificação dos lados do LP, seu formato original de lançamento, como lados A e B ou 1 ou 2 como seria o habitual, e sim J e T objetivando, de certa forma que o ouvinte não tivesse a noção exata de qual seria o início ou o fim dos disco, podendo escolher aleatoriamente por onde começar a audição. Com o CD não teve jeito e teve-se que escolher por onde começar e começaram extamente por onde seria o meu lado B, uma vez que sempre comecei pela faixa-título do disco. Além disso o Cd traz um extra, a música "Violência" que, sinceramente, pra mim não acrescenta nada. Mas o que vale é o disco original e esse, sim, é espetacular.
Pra quem duvidava que os caras conseguissem fazer melhor, ali estava: “Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas” era um passo à frente. Um disco tão bom senão melhor que seu lendário antecessor.
Então agora sim, depois de dois discos como aqueles nunca mais conseguiriam fazer algo melhor.
Não?
Errado!
Ainda fariam “Õ Blésq Blom”, melhor tecnicamente, mais bem acabado e ainda mais aperfeiçoado nos conceitos que os dois clássicos anteriores. Mas isso é assunto para outra hora. Para outro ÁLBUNS FUNDAMENTAIS.

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FAIXAS:
01. Todo Mundo Quer Amor (Arnaldo Antunes) 1:18
02. Comida (Antunes, Marcelo Fromer, Sérgio Britto) 3:59
03. O Inimigo (Branco Mello, Toni Bellotto, Fromer) 2:13
04. Corações e Mentes (Britto, Fromer) 3:47
05. Diversão (Britto, Nando Reis) 5:07
06. Infelizmente (Britto) 1:34
07. Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas (Reis, Fromer) 2:11
08. Mentiras (Britto, Fromer, Bellotto) 2:09
09. Desordem (Britto, Fromer, Charles Gavin) 4:01
10. Lugar Nenhum (Antunes, Gavin, Fromer, Britto, Bellotto) 2:56
11. Armas Pra Lutar (Mello, Antunes, Fromer, Bellotto) 2:10
12. Nome Aos Bois (Reis, Antunes, Fromer, Bellotto) 2:06

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Ouça:
Titãs Jesus Não Tem Dentes No País Dos Banguelas




Cly Reis

terça-feira, 2 de outubro de 2012

cotidianas #182 - Democracia



- É hoje, Glória! É hoje!
Ela sorriu em assentimento e olhou em volta com os olhos marejados.
Aquela massa humana.
- Olha toda essa gente. Olha essa gente toda, que coisa linda. Hoje nós vamos mostrar que a gente pode fazer a diferença – disse ele indisfarçadamente emocionado, e ainda completou– Hoje nós vamos fazer história!
Ergueram os cartazes, as faixas, um grito de ordem e um aceno lá da frente e todos colocaram-se em marcha. Era um mar de gente.
O helicóptero sobrevoava os manifestantes.
Ali perto, a alguns quarteirões os soldados se preparavam. Os capacetes e escudos lustrosos reluziam contra o sol.
- Avançar!



Tom Waits - "Rain Dogs" (1985)


"Pessoas que vivem na rua. Você sabe, como depois da chuva você vê todos esses cães que parecem perdidos, andando por aí. A chuva remove todo o odor, toda orientação deles. Então, todas as pessoas no álbum estão entrelaçadas por alguma maneira física de compartilhar essa dor e desconforto."
Tom Waits,
definindo a expressão
que dá nome ao álbum,
“Rain Dogs”



Sempre lembro da minha mãe se referindo ao Tom Waits como “roncoio” quando eu ou o meu irmão ouvíamos o “Rain Dogs” lá em casa. Chamava assim por causa da voz rouca, rasgada, doente, parecendo ébria e que por vezes ele ainda força um pouco mais para reforçar estas características. E efetivamente o vocal do Sr. Waits é um pouco disso tudo, mas no que não desdoura em nada – muito pelo contrário – toda sua qualidade, capacidade vocal e versatilidade. Em “Rain Dogs” de 1985, Tom Waits passeia pelos mais variados gêneros colocando sua rouquidão a serviço de interpretações admiráveis e singulares. Vai da polca pouco tradicional “Cemetery Polka” ao rock’n roll rasgado de “Union Square”, do country bem caipira, na romântica e chorosa, “Blind Love” ou na ótima “Hang Down Your Head” ao jazz charmosíssimo de “Walking Spanish”; ou indo de uma trilha de filme de espionagem (“Midtown”) a um poema musicado (“9th. and Hennepin”).
A diversidade eclética não para por aí: tem a espetacular salsa “Jockey Full of Bourbon”; “Big Black Mariah” outro rock’n roll clássico, este com participação de Sir. Keith Richards; o jazz de cabaré “Tango Till They’re Sore”; o bluesão “Gun Street Girl”; e um tema funeral típico de Nova Orleans, “Anywhere I Lay My Head” que fecha espetacularmente o disco em uma interpretação emocionante de Waits.
Vale destacar também a faixa que abre o disco, “Singapore”; a excelente faixa título, “Rain Dogs”, com sua introdução de acordeão; “Clap Hands” com a voz sussurrada de Waits e uma percussão muito interessante; a lamentosa e tristonha balada “Time”, outra das grandes faixas do disco e a boa “Downtown Train”, por certo a mais popzinha do disco.
Enfim, todas mereceriam destaque. É daqueles discos indefectíveis.
Rouco, louco, bêbado, doente... que seja. Defina como quiser. O certo é que trata-se de uma das vozes mais peculiares e competentes do universo atual da música e um músico completo capaz de um trabalho indefectível como este “Rain Dogs”, um dos grandes álbuns dos anos 80.

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FAIXAS:

1. "Singapore" 2:46
2. "Clap Hands" 3:47
3. "Cemetery Polka" 1:51
4. "Jockey Full of Bourbon" 2:45
5. "Tango Till They're Sore" 2:49
6. "Big Black Mariah" 2:44
7. "Diamonds & Gold" 2:31
8. "Hang Down Your Head" 2:32
9. "Time" 3:55
10. "Rain Dogs" 2:56
11. "Midtown" Instrumental 1:00
12. "9th & Hennepin" 1:58
13. "Gun Street Girl" 4:37
14. "Union Square" 2:24
15. "Blind Love" 4:18
16. "Walking Spanish" 3:05
17. "Downtown Train" 3:53
18. "Bride of Rain Dogs" Instrumental 1:07
19. "Anywhere I Lay My Head" 2:48


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Ouça:
Tom Waits Rain Dogs


Cly Reis

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

"A Pele que Habito", de Pedro Almodóvar (2011)




Assisti neste último final de semana a um dos filmes que estava na minha lista há tempo, mas que sempre por algum motivo eu acabava não conseguindo ver. Falo do bom “A Pele que Habito” do espanhol Pedro Almodóvar, um dos grandes diretores dos últimos tempo no cenário internacional, mas que, particularmente, vinha me desgastando com novelões dramáticos e cansativos. Este não! “A Pele que Habito” traz de volta o cineasta ousado, abusado e destemido. Almodóvar resgata elementos mórbidos de filmes como “Matador”; bizarros de “Kika”, por exemplo; obsessivos como de “Ata-me”; desta vez com a dose certa de dramaticidade que a trama exige e não com aquele esforço para tirar lágrimas do espectador que vinha sendo a sua tônica. Mescla a isso a tons de suspense, terror e a um humor-negro muito menos risível que de costume na sua obra, sempre pontuado por muita qualidade narrativa, com a revelação gradual do mistério entre idas e vindas de tempo, e a qualidade plástica e estética do filme, como no recurso das interações dos ambientes com o telão, nas imagens de circuito interno ou mesmo meramente nas paredes escritas a mão no quarto da paciente.
Jogo de cena:
ambiente contracena com a tela
Não vou entrar em detalhes sobre o filme para não tirar a surpresa de quem não o tenha visto, mas adianto apenas tratar-se da história de um cirurgião plástico que trabalha em uma pele artificial e testa o experimento em uma misteriosa paciente, interna em sua própria casa. Não posso passar daí porque qualquer coisa que conte a mais pode tornar-se extremamente reveladora, mas posso dizer que dentre os inúmeros méritos do filme de Almodóvar está a ausência de moral, de ética, de escrúpulos de praticamente todos os personagens envolvidos na trama, não deixando margem de verdadeira simpatia do espectador por nenhum deles, compondo assim um filme sem vilões e sem heróis.
Uma obra vigorosa e consistente sob todos os aspectos. É Almodóvar se arriscando e voltando à velha forma neste filme que poder-se-ia chamar de uma espécie de Frankenstein do novos tempos.



Cly Reis

sábado, 29 de setembro de 2012

Pix


Grupo Corpo - "Benguelê" e "Sem Mim" - Teatro do SESI - Porto Alegre (23/09/12)





"Benguelê", a tradução das imagens do Brasil 
na voz de João Bosco e na dança do Grupo Corpo (foto: Grupo Corpo)

“Sem Mim” e “Benguelê” no mesmo dia são presentes dos que recebemos a cada dois anos quando os mineiros do Grupo Corpo se apresentam em Porto Alegre. Com coreografia de Rodrigo Pederneiras, cenografia e iluminação de Fernando Velloso e Paulo Pederneiras e figurino de Freusa Zechmeister, nunca se sabe quais serão os espetáculos pares, mas desta vez, posso confessar que fiquei sem fôlego, de tanta emoção.
"Benguelê" foi o primeiro espetáculo de dança que assisti do Grupo Corpo, em 1998, quando o trouxeram conjugadamente com "Parabelo", trilha de Tom Zé. Em "Benguelê" a música de João Bosco simplesmente traduz imagens do nosso país, preservando a dignidade das vozes e corpos genuinamente negros. Escutar João parafraseando amorosamente Clementina de Jesus enquanto os bailarinos deslizam por suas travessias, seus duos e aos pulos celebram toda a genialidade do povo brasileiro, é emocionante. Sempre muito emocionante.
Aí, quando estamos mergulhados no universo-Corpo, após um intervalo de 10 minutos para todos retomarem seus fôlegos – dançarinos e plateia –, surge “Sem Mim”. Com estreia em 2011, o mais novo balé da companhia traz uma mescla de músicas sobre canções galegas de Martín Codax (artista popular que viveu entre os séculos XIII e XIV em uma região imprecisamente registrada em sua biografia, talvez na Galiza, em Vigo), está regida pelo coração sensível de José Miguel Wisnik e Carlos Núnez, e se multiplica em vozes ainda mais familiares, deixando clara a riqueza de nosso povo, misturado a tantas raças, cores e nacionalidades que, reunidas, nos fazem brasileiros.
O bailarino Uátila Coutinho em performance magnífica
no espetáculo "Sem Mim"
(foto: Grupo Corpo)
No palco, um casal de bailarinos adoça nossos corações com seu amor dançante protegido em meio a uma rede prateada. Minutos antes a bailarina Mariana do Rosário encanta com sua beleza em um solo magnífico entre rodopios de saias plissadas. O bailarino Uátila Coutinho faz emergir uma figura quase mítica do fauno, mas aqui em vestes de fiador, lembrando as atuações do mestre Nijinsky, "um gênio da dança com alma de fauno". Aos poucos as vozes de Milton Nascimento, Jussara Silveira, Monica Salmaso, Chico Buarque, Ná Ozzetti. Rita Ribeiro e do grupo vocal feminino-juvenil galego Xiradela nos comovem em sete cantigas que combinam as sonoridades medievais e galegas com a presença das violas brasileiras, dos pandeiros, do samba, entre outros.
Voltem sempre. Até breve!


abaixo, trechos dos dois espetáculos, "Benguelê" e "Sem Mim"




 por Leocádia Costa




Leocádia Costa é natural de Porto Alegre e lá reside. É formada em publicidade e propaganda pela PUC/RS, pós-graduada em arte-educação pela FEEVALE, trabalha com ações educativas, inclusivas e culturais na empresa APRATA,  é fissurada por música, dança, teatro, literatura, artes e cultura em geral, além de cantar e fotografar nas horas vagas. Já havia aparecido no blog com fotos do lançamento do livro "Anarquia na Passarela" de seu namorado e meu irmão, Daniel Rodrigues  e dos "30 Anos do Clube do Jazz" mas esta é a primeira vez que colabora efetivamente com uma postagem sua. E que venham outras.

Seja bem-vinda ao ClyBlog, Leocádia!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

cotidianas #181





Os vários Ajudantes-de-Papai-Noel
Estão em extinção
Por isso os Simpsons estão fazendo uma campanha
para salvar os Dinossauros do horário nobre da Globo
e as lindas pernas de Maria Tomé não continuam as mesmas
apesar do estupro anal
combinado com figurinistas da Playboy
- ejaculação precoce –
de conseguir orgasmos microvisuais
e Marieta ainda não fazendo
incestos em cestos com seu sexto pai
Por isso à Virgem Maria
É tudo pequenino
Veio a renascer e escolher como irmãozinho
Desde o início de minha carreira estudantil
Pé-de-Vento, Tonto, Macaco e Max Calon
Viriam a renascer.
Porque...
Você saca?

Dois mais dois ainda são dez.




de Leandro Reis Freitas

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sepultura- "Arise" (1991)




“Max Cavalera é um homem muito importante.
Ele, ao lado do Sepultura, foi o primeiro brasileiro no Metal
a realmente tocar fora do Brasil
e ganhar uma grande e fanática
legião de fãs estrangeiros."
Lemmy Kilmister,
Motörhead



Eles já eram respeitados no exterior e reconhecidos por nomes de pesocomo Anthrax e Motörhead, mas em seu próprio país de origem, somente a partir de “Arise” (1991) foi que passaram a receber a devida atenção. É verdade que o álbum anterior, “Beneath the Remains” já havia chamado atenção aqui, mas seu sucessor então apresentava um aprimoramento tal que não tinha como ser ignorado e colocava a banda, não apenas por conta de seu tardio reconhecimento no Brasil, mas muito pelo inegável salto de qualidade, como um dos grandes nomes do metal mundial.
O som às vezes tosco, os vocais excessivamente guturais com letras inaudíveis, a ausência de ousadia rítmica e questões técnicas de produções deficientes presentes nos trabalhos anteriores davam lugar uma banda mais segura de si, mais equilibrada, mais criativa, metendo o ferro, é claro, mas com muito mais maturidade e qualidade sabendo dosar o peso, a melodia e os estilos musicais, numa produção caprichada e cuidadosa.
O vocal de Max Cavalera continuava gritado, é claro, monstruoso, é lógico, mas com mais técnica e com um inglês aperfeiçoado mais inteligível; as guitarras continuavam aquele turbilhão sonoro, aquele troar vulcanico, mas com riffs mais marcantes, com levadas precisas, com partes e entrepartes, com variações entre o metal, o hardocore, o funk, além das incursões eventuais remetendo a música latina e indígena que viriam a ter importância crucial nos trabalhos posteriores da banda. E a bateria de Igor Cavalera? O que dizer da bateria? Ora,... Fúria, velocidade, técnica precisão em tempestades sonoras proporcionadas por um dos grandes bateristas dos últimos tempos.
Destaques para a faixa que dá nome ao disco uma bomba impiedosa, cheia de peso e alternâncias; para a excelente “Dead Embrionic Cells”, uma das melhores composições do álbum; para “Altered State”, que introduz sutilmente elementos tribais que seriam importantes posteriormente; para a matadora “Desperate Cry” com seu show de bateria com o bumbo duplo no final; para a "Subtraction", não muito badalada mas uma das minhas preferidas; e para o clássico “Orgasmatron”, cover do Motörhead só presente na versão brasileira do álbum, com seu ritmo bem cadenciado, vocal urrado de Max Cavalera e seu final absolutamente extasiante.
“Arise” era enfim o alavancamento do Sepultura como grande nome no cenário mundial, entrada definitiva da banda em seu próprio país e provavelmente, por isso mesmo, marco inicial para uma liberdade artística e criativa que culminariam em experimentações sonoras interessantíssimas já presentes no álbum seguinte, “Chaos A.D.” e que culminariam no excelente  e inovador álbum “Roots” de 1996. Mas isso é assunto para outra resenha, com certeza.
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FAIXAS:
  1. "Arise" - 3:19
  2. "Dead Embryonic Cells" - 4:52
  3. "Desperate Cry" - 6:41
  4. "Murder" - 3:27
  5. "Subtraction" - 4:48
  6. "Altered State" - 6:34
  7. "Under Siege (Regnum Irae)" - 4:54
  8. "Meaningless Movements" - 4:40
  9. "Infected Voice" - 3:19
  10. "Orgasmatron" (cover do Motörhead)- 4:43

a edição de relançamento de 1997 traz ainda :
11. “Intro”
12. “C.I.U. (Criminals In Uniforms)”
13. “Desperate Cry (Scott Burns Mix)”

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Ouça;
Sepultura Arise



Cly Reis