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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Captain Beefheart and His Magic Band - "Trout Mask Replica" (1969)
“Um dos mais criativos e corajosos álbuns de todos os tempos, décadas à frente do resto da música rock.
É, acima de tudo, uma colagem de pinturas abstratas, cada uma diferente da outra em intensidade, cor e contraste, mas todas homogêneas em sua ‘abstração’ ”
Piero Scaruffi
Um músico se trancafia em um casarão antigo, só ele e um piano. Ali, compõe 28 peças. Não, não estamos falando de algum pianista de jazz em abstinência de heroína nem de um concertista clássico precisando de isolamento e concentração para criar sua obra-prima. Estamos falando de um disco de rock, tocado com baixo, guitarra, bateria e, solando, clarinetes e saxofones. Tudo sem um acorde sequer de piano. Sim, estamos nos referindo a Don Van Vliet e seu “Trout Mask Replica”, o primoroso terceiro LP da Captain Beefheart and His Magic Band, de 1969. Talvez o trabalho que melhor tenha fundido rock, jazz, blues, folk e erudito, sustenta o status de uma verdadeira “obra de arte”, considerado pelo crítico musical italiano Piero Scaruffi como o melhor álbum de rock de todos os tempos e um dos 10 registros mais importantes da música contemporânea ao lado obras de Shostakovitch, Charles Mingus, Velvet Underground e Ligeti.
Com produção do maestro-maluco Frank Zappa, do qual Van Vliet (vulgo Captain Beefheart) é discípulo, “Trout Mask Replica” é de difícil assimilação, quase indecifrável: atonal, dissonante, polirrítmico, abstrato, desconexo. Lembra ora a música aleatória de John Cage, ora o “passaredo” farfalhante de Messiaen, ora os borrões de um quadro de Jackson Pollock, ora um filme experimental de Derek Jarman. Altamente influenciado pela vanguarda erudita, pelo free-jazz de Ornette Coleman e pelo blues do Mississipi, Van Vliet criou um disco que aponta para infinitas direções que não só musicais, mas também plásticas, cênicas e literárias, haja vista a loucura e a irracionalidade poética que suscita. Ele desmembra o estilo blues, base do rock ‘n roll, desestruturando ritmo, harmonia, tom e melodia, remontando depois as peças, ”algo entre o caos orquestral de Charles Ives e audácia de John Cage”, definiu Scaruffi.
Oblíquas e sem uma linha melódica estável, as músicas de “Trout...” são rocks sem riff. Tudo numa roupagem seca dada pela produção. É assim que começa o álbum, com “Frownlands”: toda descompassada, parecendo estar se desmontando. A voz rouca e rasgada de Van Vliet cospe versos enquanto os sons se debatem, tentando se encontrar em uma harmonia, o que nunca acontece – ou melhor, acontece de forma diferente do que se está acostumado a ouvir no rock. O arranjo, elaborado por Beefheart a quatro mãos com o baterista da banda (!), John French, é tão primoroso que a sonoridade do instrumento que originou as melodias se adéqua perfeitamente à nova instrumentação, dando a impressão de que tudo foi improvisado – e a ponto de tornar o piano dispensável no resultado final. Mas tudo, do início ao fim, está dentro de uma geometria composicional criada pela louca e excêntrica cabeça de Van Vliet, movida à base de muito LSD. O repretório foi composto por ele em apenas oito horas, porém, os ensaios levaram exaustivos meses de isolamento de todos os músicos até a gravação que, de tanta repetição, foi captada praticamente todo de uma vez só.
Mutáveis e caóticas, as músicas vão se recriando dentro de si próprias através de novas células sonoras. "Moonlight on Vermont", “The Blimp” e “Dachau Blues”, das minhas preferidas, são exemplos claros dessa metalinguagem. A poética dadaísta das letras é outro ponto peculiar, pois não são mais do que meros esboços non-sense, neologismos imbecis (“fast ‘n bulbs”, “semen ‘n syrup ‘n serum”, "hobo chang ba") que servem apenas para apontar para o ouvinte o caminho – errado. Vê-se já no título sem sentido da tribal “Ella Guru”, outra genial, que traz vozes em falsete, síncopes incoerentes, hinos guturais e um riff de baixo hesitante.
“Hair Pie”, “bakes” 1 e 2, são suítes instrumentais fabulosas, a ver a primeira, um jazz com uma longa introdução de dois sax alto que se retorcem e se entrecruzam um sobre o outro através de dissonâncias, muito ao estilo de Albert Ayler e Anthony Braxton. O blues, elemento base do disco, é tão desestruturado que chega ao ponto de... inexistir! É o caso de “The Dust Blows Forward 'n the Dust Blows Back" e "Orange Claw Hammer", à capela e montadas em estúdio por picotes colados em sequência, em que apenas se supõe o ritmo. Apreciáveis também: a excelente “China Pig”, um blues bruto; “Dali’s Car”, espécie de suíte para duas guitarras; e "When Big Joan Sets Up", constantemente variante dentro de si mesma, como uma pequena sinfonia em 4 atos rápidos.
O disco termina com "Veteran's Day Poppy", que dá a impressão de desfechar, enfim, do modo consonante e agradável da tradição clássica até que, depois de um breve fade out/fade in, a música retorna consonante, mas... peraí! Está numa notação totalmente enviesada, dando a impressão de que está sendo executada ao contrário! Um final magistral para um disco que, bastante influenciador do rock alternativo (Tom Waits, Meat Loaf, Residents, Jah Wobble) e do pós-punk (P.I.L., Gang of Four , Polyrock e Sonic Youth que não me deixam mentir), continua, quase 45 anos de seu lançamento, uma audição desafiadora e instigante. Propositadamente desconfortável, desacomoda positivamente nossos ouvidos já tão saturados da métrica em três tempos da música pop, criticando, em decorrência, toda a sociedade moderna e seus padrões massificadores há muito esgotados.
****************************************************
FAIXAS:
1. "Frownland" - 1:41
2. "The Dust Blows Forward 'n the Dust Blows Back" - 1:53
3. "Dachau Blues" - 2:21
4. "Ella Guru" - 2:26
5. "Hair Pie: Bake 1" - 4:58
6. "Moonlight on Vermont" - 3:59
7. "Pachuco Cadaver" - 4:40
8. "Bills Corpse" - 1:48
9. "Sweet Sweet Bulbs" - 2:21
10. "Neon Meate Dream of a Octafish" - 2:25
11. "China Pig" - 4:02
12. "My Human Gets Me Blues" - 2:46
13. "Dali's Car" - 1:26
14. "Hair Pie: Bake 2" - 2:23
15. "Pena" - 2:33
16. "Well" - 2:07
17. "When Big Joan Sets Up" - 5:18
18. "Fallin' Ditch" - 2:08
19. "Sugar 'n Spikes" - 2:30
20. "Ant Man Bee" - 3:57
21. "Orange Claw Hammer" - 3:34
22. "Wild Life" - 3:09
23. "She's Too Much for My Mirror" - 1:40
24. "Hobo Chang Ba" - 2:02
25. "The Blimp (mousetrapreplica)" - 2:04
26. "Steal Softly thru Snow" - 2:18
27. "Old Fart at Play" - 1:51
28. "Veteran's Day Poppy" - 4:31
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Ouça:
Captain Beefheart and His Magic Band Trout Mask Replica
por Daniel Rodrigues
sábado, 19 de janeiro de 2013
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
cotidianas #197 - As Bonecas
A tranquilidade do Seu Etelvino acabou desde que aquelas ‘meninas’
passaram a fazer ponto naquela esquina, quase em frente ao prédio onde ele
morava. Não que os travestis fizessem alguma coisa efetivamente para
incomodá-lo. Tirando alguns chiliques, alguns barracos, algumas frescuras,
alguns exageros, mas que eram até raros, não atrapalhavam em nada a vida
daquele senhor de idade. O que o incomodava era o fato de estarem ali e fazendo
aquilo e ainda pior, o fato serem homens, ou de pelo menos terem nascido sob o
sexo masculino.
O fato é que sempre que descia para sua caminhada, de não
mais do que duas quadras, recomendada pelo médico por causa dos ossos,
realizada ali à noitinha de modo a evitar o forte do calor, dava uma alfinetada nos travestis que faziam seu
trabalho noturno.
- Que poucassenvergonhice – largava ele, se dirigindo às
bichas, logo virando a cara e saindo ainda resmungando mais alguma coisa
incompreensível.
E todos os dias, sempre que descia do apartamento e
despontava na porta do prédio, saía com
algum comentário condenatório: “Onde já se viu...”, “Tinha era
que chamar a polícia!”, “Vocês tinham era que arranjar um trabalho decente”, “Esse
mundo tá mesmo virado...”, sempre saindo sem dar chance para alguma argumentação
ou algo do tipo. É lógico que as bichas tripudiavam nos ranços do velhinho e faziam
piada, vaiavam, mostravam peitinho e tudo mais, mas ele já ia longe resmungando
sozinho e na volta mal olhava para a cara das damas da noite por mais que elas às
vezes tentassem implicar com ele retribuindo as indelicadezas daquele morador rabujento.
Mas um dia o Seu Etelvino surpreendentemente dirigiu-se diretamente a uma
delas. Curioso, intrigado ou sabe-se lá movido pelo que, o velhote indagou com
sincero interesse para um dos rapazes da ronda:
- Vem cá, tu não tem vergonha, não?
- Eu? – retribuiu surpreso o travesti – De quê?
- Disso – apontou o velho fazendo cara de nojo – Um homenzarrão
desse, podia ser zagueiro, uns coxão desse tamanho, se prestando a isso aí fantasiado de mulher.
- Quer dizer que o senhor está olhando pras minhas pernas, vovô?
– contra-atacou maliciosamente fazendo um pose sensual.
- "Vovô" não, que eu não tenho neto fresco. Nunca que ia
deixar um neto meu me fazer passar uma vergonha dessa. O que eu to dizendo é
que tu, um rapaz bonito, podia ta aí com umas menina, ficando com elas, como se
diz hoje em dia...
- Ai, nem me fala nessas mocréias que eu tenho urticária só
de pensar nisso. Cruzcredo! – se retorcendo num arrepio mas já mudando de
assunto, aproveitando a deixa do velho – Mas então tu me acha bonita?
- Ora, vai te dar o respeito, mariposa!
- Que que tem? Muita gente gosta - argumentou a boneca.
- Duvido. Quem ia querer um...um... um desses assim que nem tu
com tanta mulher por aí?
- Ah, pode ter certeza que tem quem queira.
- Olha, Deus fez tudo do jeito certo: homem é pra ser homem
e mulher é pra ser mulher. O resto ta errado.
- É, mas um monte de homem casado, pai de família, católico, homem que
gosta de mulher mesmo, viu, vem aqui, ó, só pra brincar com euzinha – disse apontando
para os robustos peitos de silicone.
- Que horror!
- Como é que o senhor sabe que é um horror? Nunca provou –
agora dando palamadinhas na própria bunda.
- Deus me livre!
- Não pode dizer que não gosta de uma coisa se não
experimentou, vovô.
- Hunff... – fungou o velhote virando a cara mas logo retornando à
conversa com ar de desinteressado - Mas, digamos que eu fosse querer, quanto é
que seria?
Cly Reis
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
domingo, 13 de janeiro de 2013
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Engenheiros do Hawaii - "A Revolta dos Dândis" (1987)
"O disco e tudo mais é dedicado à Porto Alegre
(a real e as imaginárias)"
dedicatória da banda no encarte do álbum
Uma vez eu ouvi, não lembro onde, Humberto Gessinger, líder e cabeça pensante
dos Engenheiros do Hawaii, dizendo que os discos gêmeos “A Revolta dos Dândis”
e “Ouça o Que Eu Digo Não Ouça Ninguém” eram sobre comunicação. Bom, acho que é
verdade e não é. Efetivamente o são com seus outdoors, comerciais, vozes
oficiais, seus livros e revistas mostrando imagens sem nitidez, infelizes
infartados de informação e televisões e rádios sendo jogados pelas janelas, mas
junto com isso trazem também dilemas pessoais, paixões mal-resolvidas, dúvidas existenciais,
conflitos ideológicos e mais uma série de outros assuntos que se não constituem
um centro temático, por certo em algum momento encontram o tema que, segundo o principal
compositor da banda norteia a obra. Podia aqui falar de qualquer um dos dois mas
começo pelo primeiro da trilogia que só terminaria com o bom "Várias Variáveis" de 1991. Depois de um primeiro disco interessante porém com
sonoridade um tanto crua e pouco definida, Os Engenheiros do Hawaii reapareciam com
um disco conceitual apoiado no folk, no progressivo e na própria tradição
musical gaúcha, muitíssimo bem encaixado, bem resolvido, bem concebido, e, como
diz o meu amigo Christian Ordoque, colaborador daqui do ClyBlog, um disco com
início-meio-fim. Com letras inteligentíssimas, bem sacadas, repleto de
referências literárias, citações filosóficas, ditos populares, trocadilhos e
combinações fonéticas interessantes, o álbum “Revolta dos Dândis” de 1987, era o retrato do amadurecimento da banda de
Porto Alegre com um som mais robusto, ousado e agora cheio de personalidade,
muito devido ao ingresso do guitarrista Augusto Licks que colaborava então de forma
decisiva para este crescimento e para as melhores virtudes instrumentais do álbum.
O nome do disco, tirado de um capítulo de um romance de
Albert Camus, dá nome às faixas de abertura de cada lado do que seria um LP (formato
original de seu lançamento), ambas começando com o mesmo riff e apresentando
formatos bastante parecidos no que diz respeito à composição com letras que
expõe, de certa forma, os dois lados que tudo na vida pode ter e a procura por
algum sentido nisso tudo. Aliás o disco todo se amarra e cria interligações
entre uma faixa e outra: versos de “Vozes” são repetidos em “Quem Tem Pressa
Não Se Interessa”; o fraseado de guitarra que abre “Terra de Gigantes”
reaparece no início de “Vozes”; conceitos de “Filmes de Guerra, Canções de Amor”
aparecem expressos em “Desde Aquele Dia” entre várias outras peças soltas neste
pequeno quebra-cabeça.
A suave e profunda “Terra de Gigantes”, um dos grandes sucessos do
disco, com seus sonhos, perguntas e anseios de juventude, tinha ares de hino de
geração; “Infinita Highway” outro hit radiofônico, até improvável por sua longa
duração para os padrões de rádio, trazia um pop-rock envolvente que nada mais fazia que expor a grande estrada que é a vida; a romântica “Refrão de Bolero”, flertando
com o brega, era uma balada dolorida de dor-de-cotovelo ao melhor estilo do conterrâneo Lupicínio
Rodrigues; e fechando o que seria o lado A, a espetacular “Filmes de Guerra,
Canções de Amor”, além de uma letra genial, trazia uma brilhante percussão de
tamborins durante os excelentes solos de Augusto Licks entre as partes da letra,
crescendo até explodir numa verdadeira escola de samba na parte final. “Quem Tem
Pressa Não Se Intereressa” tem uma certa ênfase na bateria e um vocal 'atropelado', e a boa “Desde
Aquele Dia” mostrava um toque de música espanhola sobretudo no refrão. O disco acaba com a notável
“Guardas da Fronteira” com participação vocal do lendário músico gaúcho Júlio Reny, e cuja
sonoridade remete um pouco à música regionalista, numa canção sarcástica e pessimista
que encerra praticamente toda a idéia do disco conferindo-lhe um final digno
e grandioso.
“Ouça o que Eu digo Não Ouça Ninguém”, que o seguiria
poderia tranquilamente ter sido o disco 2 de um álbum duplo, por exemplo, tal a
semelhança e complementação de ambos os trabalhos mas como não foi, e é quase inevitável falar de um sem citar o
outro, será objeto de análise em outro momento e merecerá seu capítulo à parte.
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FAIXAS:
1."A Revolta Dos Dândis I" 4:10
2. "Terra De Gigantes" 3:59
3. "Infinita Highway" 6:11
4. "Refrão De Bolero" 4:34
5. "Filmes De Guerra, Canções De Amor" 4:02
6. "A Revolta Dos Dândis II" 3:13
7. "Além Dos Outdoors" 3:33
8. "Vozes" 3:35
9. "Quem Tem Pressa Não Se Interessa" (Humberto Gessinger, Carlos Maltz) 2:271."A Revolta Dos Dândis I" 4:10
2. "Terra De Gigantes" 3:59
3. "Infinita Highway" 6:11
4. "Refrão De Bolero" 4:34
5. "Filmes De Guerra, Canções De Amor" 4:02
6. "A Revolta Dos Dândis II" 3:13
7. "Além Dos Outdoors" 3:33
8. "Vozes" 3:35
10. "Desde Aquele Dia" 3:30
11. "Guardas Da Fronteira" 4:31
* todas as faixas, Humberto Gessinger, exceto as indicadas
***********************************
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
"Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge", de Christopher Nolan (2012)
Infelizmente o último filme da trilogia dirigida pelo bom Christopher Nolan é o pior dos três episódios. Tinha grande expectativa, na época que saiu no cinema, acabei perdendo a oportunidade de ver em tela grande e agora vejo que não perdi grande coisa. Depois de uma boa introdução do personagem em "Batman Begins", de um filme convincente com uma atuação épica de Heath Ledger em "O Cavaleiro das Trevas", a nova aventura do Homem-Morcego, "Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge" é, de certa forma, decepcionante. Filme fraco, inconsistente, o roteiro mais mal trabalhado dos três, situações extremamente inverossímeis e absurdas. Sei que para se ver um filme de super-herói, de quadrinhos tem que se estar com a mente aberta mas desta vez o Sr. Nolan forçou em alguns casos e abusou da boa vontade do espectador.Até tem a alusão ao imperialismo americano, aos fundamentalistas islâmicos, ao terrorismo, etc., mas o que é, além de mal explorado e representado de forma duvidosa, insuficiente para segurar as pontas em uma trama tola e estapafúrdia.
Uma pena que exatamente o desfecho desta saga, conduzida por um dos meus diretores favoritos da atualidade, seja exatamente o mais fraco, quando o legal era que se tivesse um gran-finale épico. Se bem que, ainda que não tenha mais a mão deste diretor, o final do filme dá a entender que um novo início se escreve a partir dali. Vamos ver. Seria a chance de recuperação. Aguardemos um próximo.
Cly Reis
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
cotidianas #196 - Dia de Sorte
11:11 AM. Haha! Que barato! Adoro quando eu olho o relógio e tá tudo igual.
Tá cedo. Hoje eu só pego no serviço ao meio-dia. Mas é bom começar a arrumar a as coisas.
........................................................................
2:22 PM. Porra, que coincidência. De novo!!! Aquela hora tinha olhado no relógio e era... era dez e dez, não, era tudo um. Que coincidência...
........................................................................
4:44 PM. Não é possível. É a terceira vez hoje. E hoje é... 8 do 8. Vou jogar no bicho. Se bem que é bem improvável que dê número tudo igual. Deixa pra lá. Mas deve ser um bom sinal. Ou sei lá..........................................................................
5:55 PM. Não... Agora já tá demais! Isso nunca aconteceu. Sempre que olho pro relógio... Deve ser meu dia de sorte. O chefe até me liberou mais cedo. Bom é que saindo agora eu não pego engarrafamento e chego bem mais cedo em casa. É, deve ser meu dia de sorte, mesmo.
......................................................................
6:12 PM. É, viu, saindo aquela hora olha só a hora que eu chego. Quase uma hora antes em casa. Me dei be...
- Mas o que é que é isso??? Mariana!!!
- Amor, não é nada disso que você tá pensando. Eu posso explicar.
Cly Reis
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
ClyBlog - Ano 5
E o que começou como uma brincadeira entra no seu quinto ano de existência... Quem diria! Bom, na verdade continua sendo uma brincadeira. Ter um blog particular não é nada mais nada menos do que curtição e com certeza, se tem uma coisa que eu curto pra caramba é fazer o clyblog. Mas manter um blog pessoal às vezes é meio difícil: a gente tem a vida particular, os afazeres, não tem tempo pra ficar escrevendo 'bobagens', muitas vezes não tem ideias novas, inspiração, sem falar na quantidade de vezes que o blogueiro se pergunta se alguém está lendo o que ele está escrevendo. E acho que o que move a gente a continuar é que em algum lugar, algum internauta perdido vai topar com alguma publicação e vai ter alguma reação: gostar, odiar, ridicularizar, recomendar para os amigos, copiar, comentar, adicionar aos favoritos, rir, chorar, ridicularizar... o que seja. É, no mínimo, para este navegante perdido que a gente escreve, que a gente posta, publica, opina, cria.
Inaugurado em agosto de 2008 ainda sob o nome de Spin 1/2, título de uma música de predileção, logo mostrou carecer de um caráter mais pessoal, sendo rebatizado então pouco tempo depois com o presente nome. Por conta de comentários feitos pessoalmente ou nas próprias postagens mesmo, pelo acompanhamento de público que o blogueiro tem acesso, foi-se mostrando um crescimento de visitantes e uma necessidade de atender às expectativas daqueles eventuais leitores. A brincadeira podia continuar sendo brincadeira, mas tinha que ser um pouco mais séria. Os textos tinham que ficar melhores, os formatos tinham que ficar mais elaborados, mais bem definidos, as tirinhas não podiam mais ser tão pueris, o conteúdo tinha que ser mais interessante e abrangente dentro da proposta dinâmica do blog de não ser um veículo especializado, de ser praticamente uma revista eletrônica. Assim, além da própria exigência de aperfeiçoamento pessoal, contribuiram para esta qualificação o ingresso de colaboradores. Amigos que tinham algo a dizer, com ideias, criatividade e inteligência viva foram convidados a abrilhantar o blog e foram responsáveis por grande parte do impulso de procura e leitores que o blog teve.
Primeiro foi meu irmão Daniel Rodrigues, que além do laço familiar e dos pensamento afim e alinhado comigo, é um jornalista extremamente talentoso, uma cabeça privilegiada. Trouxe consigo seu amigo Eduardo Wolff, que logo tornou-se meu amigo também, outro jornalista de altíssima categoria e gosto musical apurado e resenhas criativas. Veio meu primo Lucio Agacê, ex-parceiro de banda, músico, DJ, produtor, 'agitador cultural', entre tantas outras atividades, com sua contribuição antenadíssima e aberta a tudo, com altas doses de punk rock, hardcore e black music. José Júnior, meu amigo de Niterói, sempre ligado em tudo que está acontecendo no meio musical e cinematográfico, embora um tanto tímido para escrever, também emprestou seu conhecimento e sensibilidade às colunas do blog; Christian Ordoque, amigo de longa data retomou nosso contato com participações singulares nos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS; Michele Santos nos honrou em ser a primeira mulher a escrever no blog com brilhantismo e paixão; Valéria Luna não só entrou como ganhou uma seção de toques de arte e exposições, a Val e Veja; Leocádia Costa, proporcionou ao blog uma inédita cobertura de um evento longo, com mais de 15 dias, com fotos diárias da Feira do Livro de Porto Alegre, além de outras colunas de viagem e teatro; a única porém extremamente gostosa crônica de Luan Pires; e agora, por último, num especial de Natal, meu velho amigo Guilherme Liedke, especialista em rock'n roll clássico, aquele puro dos anos 50, nos brindou com uma excelente resenha para os ÁLBUNS FUNDAMENTAIS.
Ao longo deste tempo, um blog pequeno como o nosso, contando apenas com pesquisas de Internet, propaganda boca-a-boca, sem nenhum grande chamariz teve alguns momentos relevantes como a leitura de uma COTIDIANAS num Sarau Elétrico em Porto Alegre; o elogio da patrona da Feira do Livro de 2011, Jane Tutikian, a respeito de alguns contos; a resenha que ajudou a impulsionar o The Smiths Cover, no cenário do Rio de Janeiro; o bate-boca público com uma banda cover do Cure que se julgava acima do bem e do mal; o compartilhamento no Twitter de uma tirinha pelo pessoal da equipe do Maurício de Sousa; a já mencionada cobertura fotográfica da 58ª Feira do Livro de Porto Alegre; a legião de fãs do Frango Atirador, isso tudo sem falar em todas os comentários, compartilhamentos e elogios pessoais que a gente recebe com frequência.
O ClyBlog continua sendo uma mídia caseira, quase artesanal, despretensiosa, mas dentro dessa nossa humildade vamos seguindo e brincando mais um pouco, nos divertindo escrevendo sobre o que gostamos, dando pitaco no que nos diz ou no que não diz respeito, criando imagens, colorindo palavras, produzindo cores, tirando ideias de onde elas possam brotar.
É, parece mentira mas chegamos a 5 anos. Bom,... ainda não chegamos, é só em 26 de agosto, data da primeira publicação. Este é apenas o ano em que completamos esta data especial, mas aproveito para lançar a logomarca que nos acompanhará até o final do ano no topo da página e parabenizar e agradecer aos parceiros convidando-os para continuarmos juntos pelos próximos 5, pelos próximos 10, 15... Até onde tivermos disposição e vontade de seguir.
Obrigado, amigos.
Inaugurado em agosto de 2008 ainda sob o nome de Spin 1/2, título de uma música de predileção, logo mostrou carecer de um caráter mais pessoal, sendo rebatizado então pouco tempo depois com o presente nome. Por conta de comentários feitos pessoalmente ou nas próprias postagens mesmo, pelo acompanhamento de público que o blogueiro tem acesso, foi-se mostrando um crescimento de visitantes e uma necessidade de atender às expectativas daqueles eventuais leitores. A brincadeira podia continuar sendo brincadeira, mas tinha que ser um pouco mais séria. Os textos tinham que ficar melhores, os formatos tinham que ficar mais elaborados, mais bem definidos, as tirinhas não podiam mais ser tão pueris, o conteúdo tinha que ser mais interessante e abrangente dentro da proposta dinâmica do blog de não ser um veículo especializado, de ser praticamente uma revista eletrônica. Assim, além da própria exigência de aperfeiçoamento pessoal, contribuiram para esta qualificação o ingresso de colaboradores. Amigos que tinham algo a dizer, com ideias, criatividade e inteligência viva foram convidados a abrilhantar o blog e foram responsáveis por grande parte do impulso de procura e leitores que o blog teve.
Primeiro foi meu irmão Daniel Rodrigues, que além do laço familiar e dos pensamento afim e alinhado comigo, é um jornalista extremamente talentoso, uma cabeça privilegiada. Trouxe consigo seu amigo Eduardo Wolff, que logo tornou-se meu amigo também, outro jornalista de altíssima categoria e gosto musical apurado e resenhas criativas. Veio meu primo Lucio Agacê, ex-parceiro de banda, músico, DJ, produtor, 'agitador cultural', entre tantas outras atividades, com sua contribuição antenadíssima e aberta a tudo, com altas doses de punk rock, hardcore e black music. José Júnior, meu amigo de Niterói, sempre ligado em tudo que está acontecendo no meio musical e cinematográfico, embora um tanto tímido para escrever, também emprestou seu conhecimento e sensibilidade às colunas do blog; Christian Ordoque, amigo de longa data retomou nosso contato com participações singulares nos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS; Michele Santos nos honrou em ser a primeira mulher a escrever no blog com brilhantismo e paixão; Valéria Luna não só entrou como ganhou uma seção de toques de arte e exposições, a Val e Veja; Leocádia Costa, proporcionou ao blog uma inédita cobertura de um evento longo, com mais de 15 dias, com fotos diárias da Feira do Livro de Porto Alegre, além de outras colunas de viagem e teatro; a única porém extremamente gostosa crônica de Luan Pires; e agora, por último, num especial de Natal, meu velho amigo Guilherme Liedke, especialista em rock'n roll clássico, aquele puro dos anos 50, nos brindou com uma excelente resenha para os ÁLBUNS FUNDAMENTAIS.
Ao longo deste tempo, um blog pequeno como o nosso, contando apenas com pesquisas de Internet, propaganda boca-a-boca, sem nenhum grande chamariz teve alguns momentos relevantes como a leitura de uma COTIDIANAS num Sarau Elétrico em Porto Alegre; o elogio da patrona da Feira do Livro de 2011, Jane Tutikian, a respeito de alguns contos; a resenha que ajudou a impulsionar o The Smiths Cover, no cenário do Rio de Janeiro; o bate-boca público com uma banda cover do Cure que se julgava acima do bem e do mal; o compartilhamento no Twitter de uma tirinha pelo pessoal da equipe do Maurício de Sousa; a já mencionada cobertura fotográfica da 58ª Feira do Livro de Porto Alegre; a legião de fãs do Frango Atirador, isso tudo sem falar em todas os comentários, compartilhamentos e elogios pessoais que a gente recebe com frequência.
O ClyBlog continua sendo uma mídia caseira, quase artesanal, despretensiosa, mas dentro dessa nossa humildade vamos seguindo e brincando mais um pouco, nos divertindo escrevendo sobre o que gostamos, dando pitaco no que nos diz ou no que não diz respeito, criando imagens, colorindo palavras, produzindo cores, tirando ideias de onde elas possam brotar.
É, parece mentira mas chegamos a 5 anos. Bom,... ainda não chegamos, é só em 26 de agosto, data da primeira publicação. Este é apenas o ano em que completamos esta data especial, mas aproveito para lançar a logomarca que nos acompanhará até o final do ano no topo da página e parabenizar e agradecer aos parceiros convidando-os para continuarmos juntos pelos próximos 5, pelos próximos 10, 15... Até onde tivermos disposição e vontade de seguir.
Obrigado, amigos.
Cly Reis
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
cotidianas #195- Dia de Ano Novo
Tudo está quieto no Dia de Ano Novo,
Um mundo em branco está em andamento,
Eu quero estar com você, estar com você noite e dia,
Nada muda no Dia de Ano Novo.
No Dia de Ano Novo.
Eu... estarei com você de novo.
Eu... estarei com você de novo.
Sob um céu vermelho-sangue,
Uma multidão se agrupou em preto e branco
Braços entrelaçados, entre os poucos escolhidos
Os jornais dizem, dizem
Dizem que é verdade, dizem que é verdade...
E nós podemos romper
Mesmo partido em dois
Podemos ser um só.
Eu começarei de novo,
Eu começarei de novo.
Oh, oh. Oh, oh. Oh, oh.
Oh, talvez a hora esteja certa,
Oh, talvez essa noite,
Eu estarei com você de novo.
Eu estarei com você de novo.
E então nós fomos mencionados nessa era dourada,
E ouro é a razão para as guerras que nós combatemos,
Ainda que eu queira estar com você
Estar com você noite e dia,
Nada muda
No Dia de Ano Novo
No Dia de Ano Novo
No Dia de Ano Novo
***********************************
tradução da letra de "New Year's Day", do U2
(Bono, The Edge)
Feliz 2013
domingo, 30 de dezembro de 2012
Planet Hemp - "Usuário" (1995)
“Acenda um e ouça o que eu tenho a lhe dizer/
Esse é o Planet Hemp e
não tenho o que esconder/
Fumo maconha sim, mas calma meu camarada/
Eles um dia vão ver que a lei estava errada.”
versos de abertura de “Dig dig dig”
Chega a ser ridículo pensar hoje que, em 1995, mesmo ano em que o Brasil hipócrita achava engraçadinho os filhinhos-de-papai dos Mamonas Assassinas fazerem apologia ao bacanal e à felação para crianças (pra ficar em apenas dois exemplos incabíveis), os pretos da periferia carioca do Planet Hemp eram taxados de perigosos. Isso porque seu discurso não tinha a intenção de apenas vender falando qualquer baboseira apelativa, mas, sim, de ir à raiz do problema, sem meio-termo. Com palavras-de-ordem como “Legalize Já”, “Fazendo a sua cabeça” e “Aprenda a dizer não”, os caras fizeram um álbum revolucionário que quebrou barreiras sonoras e comportamentais no Brasil democrático e globalizado dos anos 90: “Usuário”. A bandeira não era só a da liberação da maconha, mas também da desigualdade social, da discriminação racial, da midiatização e da corrupção policial e política numa fala altamente engajada e denunciadora. Tudo com muita agressividade, articulação e pegada.
O Planet Hemp foi algo totalmente novo no mercado fonográfico mundial. A começar, tinha nada menos que três rappers como protagonistas. Um deles era o hoje popular Marcelo D2, então um verdadeiro prosador urbano, um poeta do subúrbio cuja lírica alia o grito de revolta do rap à malemolência consciente dos partideiros do samba. Igualmente, BNegão, dono de uma voz possante e ideias não menos, inteligentíssimo e mordaz. Para completar, Black Alien, outro feroz rapper-repentista. A banda se autodefinia como um Raprocknrollpsicodeliahardcoreragga, o que, na verdade, apenas mostra sua diversidade musical. Uniam com desenvoltura rap ao hardcore, funk, reggae, ragga, surf, punk entre outros, mas, como se não bastasse, ainda incluíam ritmos brasileiros. É inegável que se parecem com e não existiriam não fossem Rage Against the Machine, Beastie Boys, Body Count e Cypress Hill, mas essa levada de raiz é um grande diferencial do Planet não só no som, mas na maneira de cantar, no fraseado e nas letras.
Prova dessa gama de influências é a faixa inicial do disco: “Não Compre, Plante”, um funk-rock-soul que podia muito bem integrar algum dos volumes do Tim Maia Racional não fossem os scratches modernos do DJ Zé Gonzales, perfeitos e cirúrgicos como em todo o disco. Na sequência, “Porcos Fardados”, rap com batida sampleada de James Brown, um tiro de escopeta em forma de palavras contra a polícia. Além de citar um dos ídolos de D2 e da banda, Bezerra da Silva ("Você com o revólver na mão é um bicho feroz/ Sem ele anda rebolando e até muda de voz"), manda o recado no refrão: “porcos fardados: seus dias estão contados”.
Depois, a pesada e pegajosa “Legalize Já”, polêmico megasucesso que foi um dos responsáveis por fazer “Usuário” vender 150 mil de cópias. “Deisdasseis”, das melhores, é uma vinheta sustentada só nas vozes e no beat box mas que, pasmem!, não tem ritmo de rap, mas de baião. Sim! Parece um desafio nordestino, mas com sotaque de gurizada carioca (e, claro, com apologia à marijuana). Genial. Esta já emenda com “Phunky Buddha”, um rap-hardcore com scratches fenomenais e a ótima guitarra de Rafael Crespo, além de Bacalhau, na bateria, e Formigão, no baixo, segurando a base super bem – como, aliás, fazem em todo o disco.
“Maryjane”, outra ótima, alterna um hardcore rápido a um funk carregado. A diversidade sonora do grupo surpreende novamente em “Futuro do País”, que começa com um sample de pagode e o canto malandro de D2. A letra, crítica, põe o dedo na ferida, dizendo: “Mas eu queria somente lembrar/ que milhões de crianças sem lar/ São frutos do mal que floriu/ Num país que jamais repartiu (Pátria amada, Brasil)”. Isso, claro, não podia “terminar em samba”. Pois que uma guitarra distorcidíssima surge ao fundo até que, ao final da última estrofe, entra, como se estivesse socando, uma massa sonora de guitarras, baixo, bateria e samples, transformando-a num rock que parece as melhores e mais pesadas coisas do Ministry.
Outro hit, a clássica “Mantenha o Respeito”, traz um refrão poderoso, daqueles que incendeiam qualquer show. “Mutha Fuckin' Racists”, em inglês e bem ao estilo Body Count , alternando hip hop, heavy metal e hardcore, antecede a, para mim, melhor do disco e da banda. “Dig Dig Dig (Hempa)” é, sem dúvida, um dos clássicos do rock nacional. Primeiro que só rock não é a melhor definição. Ela começa com uma batida marcada de baião, até que, no primeiro refrão, muda radicalmente para um reggae. O ritmo nordestino retorna na segunda sessão de versos, mas, no refrão seguinte, surgem as guitarras possantes e pesadíssimas para formar um funk-rock de tirar o fôlego. Outra ideia genial é que a letra do refrão varia. No segundo, por exemplo, D2 cita nada mais, nada menos que versos de “Zumbi”, o clássico samba-rock do LP "Tábua de Esmeraldas" de Jorge Ben, fazendo referência não só ao som do mestre, mas à negritude e à importância histórico-social do líder negro para o discurso contemporâneo do Planet.
Mudando totalmente a textura sonora apurada, o craque produtor Mario Caldato Jr. (corresponsável por toda a engenharia de estúdio dos Beastie Boys pôs a banda ao vivo no estúdio para tocar a instrumental “Skunk”, com show de guitarras de Crespo e que ficou, propositalmente, com cara de faixa demo. “A Culpa É de Quem?” cai no rap novamente, e aí quem se destaca, além dos rappers, é Zé Gonzales, que varia o tipo de batida e os elementos sonoros. Para terminar, o hardcore acelerado “Bala Perdida”. Perfeita.
Afora as polêmicas, prisões e censuras que gerou, é evidente que “Usuário” trouxe à tona discussões então superficializadas ou até evitadas, denunciando a infinidade de coisas erradas que o sistema político do Brasil faz questão de manter para poder explorar. Dentro disso, mordazes e desafiadores, os rapazes do Planet Hemp foram muito além da imagem de adolescentes maconheiros querendo fumar sua cannabis sem parecer criminosos, pois colocaram na mesa uma série de questionamentos fundamentais para quem quer um mínimo de igualdade social em terras brasileiras. Lá pelas tantas, eles dizem: “Não vou ficar calado porque está tudo errado/ Políticos cruzam os braços e o país está uma merda/ Trabalho pra caralho e fumo minha erva/ E aí eu te pergunto/ A culpa é de quem?”
E aí eu lhes pergunto: a culpa é de quem?
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FAIXAS:
1. "Não Compre, Plante!" 4:12
2. "Porcos Fardados" 3:06
3. "Legalize Já" 3:01
4. "Deisdazseis" 0:46
5. "Phunky Buddha" 2:50
6. "Maryjane" 2:10
7. "Planet Hemp" 0:26
8. "Fazendo a Cabeça" 3:20
9. "Futuro do País" 3:39
10. "Mantenha o Respeito" 3:17
11. "P... Disfarçada" 2:26
12. "Speed Funk" 1:24
13. "Mutha Fuckin' Racists" 3:45
14. "Dig Dig Dig (Hempa)" 1:53
15. "Skunk" 3:35
16. "A Culpa É de Quem?" 3:48
17. "Bala Perdida" 2:33
18. "Sem título" (faixa oculta no final do álbum) 1:26
Ouça:
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Elvis Presley - "Elvis Christmas Album" (1957)
todos fazendo basicamente a
mesma coisa
e tentanto superar um ao outro.
Mas ele, estava acima,
acima de
qualquer um deles;
simplesmente, acima..”
Tom Petty
Feliz Natal a todos!!
Merry Christmas at all, folks!!O ano e 1957. O frio e a nevasca natalina consolidam um ano de prosperidade norte-americana.
Assim como foi 1956, e seriam 1958, 59, 60 e por ai adiante…
O avanço ‘tecnológico’, a supervalorização econômica, a sistematização urbanística e viária a todo o vapor, atravessam as imensidões latifundiárias e as planícies desérticas do país mais promissor do planeta naquele período de ressaca pós a segunda Grande Guerra.
A maior festa cristã sempre foi levada muito a sério e com muita tradição de norte a sul dos Estado Unidos. Por falar em sul, e justo lá que a grande ironia natalina se faz presente. Sob mensagens de paz, amor e respeito ao próximo que sempre bordaram o conceito do natal cristão, as diferenças e o preconceito racial permanecem alheios a tudo e a todos. Santa Claus dos brancos não e o mesmo Santa Claus dos negros – mas que antagonismo provinciano, não!?
Pois eis que o grande representante da simbiose musical sulista traz ao comércio, e consequentemente, para dentro da casa de cada cristão desenganado a estes tão significativos detalhes, uma rajada de peso, agressividade, lamento, oração e ternura.
Quem mais poderia naquele momento se fazer infiltrar nos lares mais reacionários e conservadores, justo no natal, com esse coquetel de elementos ‘nefastos’ em um álbum musical natalino?!
Pois Elvis Presley , já bem amadurecido dos seus primórdios anos; 1953 e 1954, quando ainda era nada mais que um ‘hillbilly cat’, lança o primeiro de dois álbuns natalinos de sua carreira, e abre a primeira faixa do lado A do “Elvis Christmas Álbum” com um verdadeiro tiro de bazuca no pinheirinho de natal: "Santa Claus is Back in Town", justamente foi escolhida pelo próprio para ser a faixa de abertura. Um Rhythm n’ Blues de pegada forte; bateria marcante e cadência ritmada por um piano travestido de ‘menino bonzinho’ aos primeiros segundos de arranjo com os vocais; já na sequência, como faixa 2, para amenizar uma possível aterradora impressão, sua voz ganha suavidade e ternura na talvez a mais clássica e tradicional canção de natal norte-americana de todos os tempos: "White Cristmas".
Basicamente sob este enfoque elementar, este álbum reúne doze canções natalinas na sua maioria seculares, das quais seis se encontram no lado A, somando-se a duas no lado B, mais quatro canções gospel, das quais duas se encontram anteriormente presentes no seu álbum "Peace In The Valley".
"Elvis Christmas Album", acima de tudo, não tem compromisso com o Natal do católico ou do mórmom, muito menos com o do branco, do índio ou do negro, este ÁLBUM FUNDAMENTAL tem compromisso com a síntese de uma obra de rock atemporal. Reconhecer Elvis Presley como base da sustentação do Rock n’Roll e acima de tudo um dever cívico. E antecedentes históricos mostram, que este foi o grande expoente de uma geração que ainda engatinhava sobre os processos compositivos musicais e tecnológicos de estúdio e gravação, que ainda hoje, passado meio século de existência, buscam essa fonte como inspiradora.
por Gulherme Liedke
FAIXAS:
1. Santa Claus Is Back In Town2. White Christmas
3. Here Comes Santa Claus (Right Down Santa Claus Lane)
4. I'll Be Home For Christmas
5. Blue Christmas
6. Santa Bring My Baby Back (To Me)
7. O Little Town Of Bethlehem
8. Medley
9. (There'll Be) Peace In The Valley (For Me)
10. I Believe
11. Take My Hand, Precious Lord
12. It Is No Secret (What God Can Do)
Formação em 1957:
Elvis Presley – vocals, guitar
Scotty Moore – guitarGordon Stoker - piano, backing vocals
Dudley Brooks - piano
Hoyt Hawkins - organ
Marvin Hughes - piano
Bill Black – bass
D. J. Fontana - drums
Millie Kirkham - backing vocals
The Jordanaires - backing vocal
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Ouça:
Elvis Christmas Album
Guilherme Liedke é artista gráfico e musico; formado em arquitetura, trabalha com ilustração, edição e pintura. Sua veia artística se estende também à área musical fundamentada nas vertentes dos anos 40 e 50. Nascido e criado em Porto Alegre, foi também uma das vozes ativas, nos duros anos 80 e 90 da torcida colorada na Zona Norte da capital; quarto distrito.
Grande amigo, talentosíssimo, inteligente e bem-humorado cuja participação em meu blog muito me honra. Que venham outras. O espaço estará sempre à disposição.
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