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quinta-feira, 25 de julho de 2013

As 20 Melhores Músicas de Rock dos Anos 90

Terá sido "Smells Like Teen Spirit"
a melhor música dos anos 90?
Reouvindo uma das músicas que mais gosto do Nirvana, ocorreu-me: que outras canções de rock da década de 90 competiriam com ela? Já havia me batido essa curiosidade ao escutar outras obras da mesma época, mas desta vez a proposição veio com maior clareza de resolução. A música referida é “Serve the Servants”, que Cobain e cia. gravaram no último disco de estúdio da banda antes da morte do compositor e vocalista, o memorável “In Utero”, de 1993. Aí, interessou-me ainda mais quando percebi que o mesmo grupo, referência do período, encabeçaria a seleção. Pus-me, então, à gostosa prática de inventar uma lista: quais os 20 maiores sons de rock ‘n’ roll dos anos 90? Como critério, estabeleci que valem só composições escritas na década mesmo e sem produções contemporâneas de roqueiros veteranos, como Iggy Pop (“To Belong” podia tranquilamente vigorar aqui), The Cure (“Fascination Street”, que desbancaria várias) ou Jesus and Mary Chain (“Reverance”, como diz a própria letra, matadora). Quanto menos competir com versões definitivas para músicas mais antigas, como a de Johnny Cash para “Personal Jesus”, do Depeche Mode, ou a brilhante “The Man Who Sold the World” de David Bowie pelo Nirvana, em seu "MTV Unplugged in New York" .
Esta lista vem se juntar com outras que o clyblog  já propôs aqui (inclusive, a uma não de músicas, mas de álbuns dos anos 90) e que, como qualquer listagem que lida com gostos e preferências, é apenas uma janela (aberta!) para que outras elencagens sejam propostas. Querem saber, então, o meu ‘top twenty’ do rock noventista? Aí vai – e com muita guitarrada e em volume alto, como sempre será um bom e velho rock ‘n’ roll:

1 – “Smells Like Teen Spirit” – Nirvana (1991)


2 – “Lithium” – Nirvana (1991)
3 – “Unsung” – Helmet (1992)
4 – “Only Shallow” – My Bloody Valentine (1991)
5 – “Paranoid Android” – Radiohead (1992)
6 – “Gratitude” – Beastie Boys (1992)



7 – “All Over the World” – Pixies (1990)
8 – “Enter Sandman” – Metallica (1991)
9 – “Eu Quero Ver o Oco” – Raimundos (1996)
10 – “Wish” – Nine Inch Nails (1991)
11 – “Kinky Afro” – Happy Mondays (1990)
12 – "There Goes the Neighborhood" – Body Count (1992)
13 – “N.W.O.” – Ministry (1992)
14 - "Suck My Kiss" – Red Hot Chilli Peppers (1991)
15 - “Serve the Servants” – Nirvana (1996)
16 – "Jeremy" – Perl Jam (1991)
17 - “Army of Me” – Björk (1995)
18 - “Govinda” – Kula Shaker (1995)
19 - “Da Lama ao Caos” – Chico Scince e Nação Zumbi (1994)
20 - "Dirge" – Death in Vegas (1999)




O Frango Atirador

quarta-feira, 24 de julho de 2013

De Quatro









"De quatro" -REIS, Cly
grafite sobre sulfite

Confirmado: Morrissey não vem mais




Entre idas e vindas, mal-entendidos e desentendimentos, pronunciamentos e desmentidos, foi finalmente confirmado o cancelamento das apresentações do cantor Morrissey pelo Brasil. Vítima de constantes problemas de saúde, insatisfeito com a produção da turnê, desiludido com as gravadoras, o ex-vocalista dos Smiths, em nota de cancelamento lamentou o contratempo, demonstrou todo seu desgosto, se desculpou com fãs e deixou transparecer levemente que pode estar despedindo-se definitivamente dos palcos e talvez até da carreira. Uma pena se, principalmente a segunda parte da possibilidade realmente se confirmar. Embora eu, mesmo fã como sou, tenha restrições à carreira solo do cantor, especialmente pela ausência de uma parceria à altura para suas letras sempre tão inspiradas e suas interpretações impecáveis, acredito que ainda possa proporcionar coisas muito valiosas aos que apreciam seu trabalho.
É aguardar para ver. Vai que ele se retira por uns tempos e retorna em grande forma com um álbum daqueles espetaculares.
Particularmente, quanto ao show, desde a ameaça de cancelamento, eu já tinha ficado com a impressão de que ia acabar não acontecendo. Na verdade até acho que ja esta estava cancelado mas os interessados, organizadores, produtoras e tal, estavam segurando a informação para ver se o quadro se revertia.
Bom,... de minha parte não ficarei de todo triste. Estava mesmo na dúvida se iria ao show do Moz ou no do Black Sabbath e acabei optando pelo primeiro. Mas diante da decepção, usarei a grana do reembolso pra ver a turma do Ozzy.
É do limão tentar fazer uma limonada...



C.R.

O Bode Espiatório

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Sinéad O'Connor - "The Lion and the Cobra" (1987)



Acima, a capa original
com uma Sinéad furiosa.
abaixo a edição americana
'suavizando' a imagem da cantora
"Combata o verdadeiro inimigo."
Sinéad O' Connor



Ela surgiu como uma grata novidade no mundo pop. Um sopro de vida no mundo da música. Era diferente do que se via naquele momento. Era indesmentivelmente pop, sim, não negava isso, mas mostrava que era possível fazer aquilo sem apelação, gemidinhos ou lingeries. E além do mais tinha a careca! Aquela cabeça raspada que conferia aquela garota todo um ar de agressividade e rebeldia mas que, no entanto, não era gratuita, jogo de cena ou meramente uma marca pop, e sim uma reminiscência da infância sofrida entre abusos, violência e orfanatos.
Sinéad O' Connor, aparecia lá naquele 1987 com seu vigoroso "The Lion and the Cobra", um disco que conduzia juntos força e singeleza, atitude e universalidade, fúria e sensibilidade.
"Jackie", a primeira do disco, uma faixa crescente, conduzida só na guitarra, funciona quase como uma pequena introdução ao álbum, dada sua curta duração; sendo assim, a seguir vem então uma sequência matadora com os dois principais hits do disco, a vigorosa "Mandinka" e "Jerusalém" com sua atmosfera mística e exótica de magia.
Aí o ritmo quebra um pouco com a balada quase acústica "Just Like You Said It Will B" de linhas espanholas; com a etérea "Never Get Old", de participação da também irlandesa Enya, em uma faixa bem ao estilo desta conterrânea; e com a orquestrada "Troy" que ganha em ímpeto, em intensidade, em ênfase e interpretação, até culminar num final grandioso e espetacular.
Um dos grandes momentos do álbum, "I Want Your Hands (On Me) é um um pop de primeira qualidade com uma programação de bateria pra lá de bacana, um embalo contagiante e uma interpretação fantástica da cantora com um refrão de poder hipnótico. "Drink Before the War", que vem na sequência, baixa a rotação de novo numa balada melancólica e "Just Call Me Joe", segue a linha da abertura, numa faixa conduzida por uma guitarras rascante mas que aqui contrasta com a doçura do vocal de Sinéad.
"Combata o verdadeiro inimigo"
A irlandesa viria ainda a alcançar grande com a interpretação inspiradíssima de "Nothing Compres 2 U" de Prince em seu disco seguinte "I Do Not Want What I Haven't Got", interessante mas não tão brilhante quanto o primeiro; mas prejudicou brutalmente a própria carreira quando em 1992, rasgou a foto do então Papa João Paulo II ao vivo na TV americana advertindo "Combata o verdadeiro inimigo". Atitude até com fundamento, se formos considerar a hipocrisia, o poder, e sobretudo os escândalos sexuais da igreja católica envolvendo crianças, mas naquele momento tão gratuito e fora de contexto que acabou por lhe render restrições, boicotes, vaias e, enfim, uma péssima repercussão. Talvez a cantora tenha pago o preço exatamente por não ser oportunista. Teria sido muito mais 'fácil' e garantido, se formos pensar em termos de visibilidade para um artista, fazer tal protesto diante de uma manchete forte envolvendo o Vaticano, de algum escândalo específico, ou nos dias de hoje em que os abusos são constantemente denunciados, mas naquele momento,desvinculado de qualquer fato forte o suficiente e com o carisma de João Paulo II, tudo acabou apenas conspirando contra a própria artista. Fato é que desde então a carreira (e a vida) de Sinéad tem sido uma constante confusão entre casamentos, divórcios, seitas, discos religiosos, ativismo, engajamento, polêmicas e projetos musicais interessantes porém mal resolvidos.
Sinéad O'Connor é para mim uma espécie de xodó. Até gosto mais de outras cantoras, outras tem obras mais relevantes, contribuições maiores que as dela mas gosto dela de uma maneira quase irrestrita. Além de musicalmente praticamente sempre curtir as coisas que faz, mesmo as mais esquisitas, tenho uma espécie de carinho por essa 'menina' confusa, traumatizada e revoltada como se a conhecesse pessoalmente e para cada perda de rumo ou besteira que ela faz na vida eu até entenda mas intimamente não deixe de lamentar, pensando cá comigo algo do tipo, "Ai, Sinéad, de novo?".


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FAIXA:
1. "Jackie" 2:28
2. "Mandinka" 3:46
3. "Jerusalem" 4:20
4. "Just Like U Said It Would B" 4:32
5. "Never Get Old" 4:39
6. "Troy" 6:34
7. "I Want Your (Hands on Me)" 4:42
8. "Drink Before the War" 5:25
9. "Just Call Me Joe" 5:51

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Ouça:

quinta-feira, 18 de julho de 2013

sábado, 13 de julho de 2013

Led Zeppelin - "Physical Graffiti" (1975)




Só o fato de ter "Kashmir", uma sinfonia monumental onde cordas, metais, teclados e instrumentos exóticos parecem agigantar-se como um monstro numa progressão repetida e grandiosa, já poderia ser suficiente para justificar "Physical Graffiti", do Led Zeppelin, como um dos maiores álbuns da história do rock, mas a consolidação de seu hard-rock, a adição de peso, distorções e peso ao blues, o vigor e a versatilidade das composições, seus riff criativos e poderosos, seu misticismo, a capa cheia de símbolos e mistérios, a genialidade e ousadia de Page e as interpretações singulares de Plant, contribuem igualmente de forma decisiva para conferir-lhe o status álbum fundamental.
Álbum duplo que não fica cansativo, dono de uma interessante e curiosa coerênca e unidade, uma vez que fora composto ao longo de aproximadamente 4 anos, "Physical Graffiti não só é um dos melhores álbuns da banda, reverenciado por fãs e crítica, como é o favorito da dupla de frente da banda, Robert Plant e Jimmy Page.
A levada contínua, básica e precisa de "Custard Pie" que abre em grande estilo; a guitarra chorosa de "In My Time of Dying" combinada à bateria de John Bonham soando como se fossem tiros; o pop-rock da agradável "Houses of the Holy"; a psicodelia exótica da espetacular "In the Light"; o folk bem original de "Down By the Seaside"; as variações e a beleza rítmica de "Ten Years Gone"; o hard-rock pré-progressivo de "Night Flight"; a energia quase selvagem de "Wanton Song"; "Boogie With Stu" com sua bateria genial e sonoridade country-blues; a vibração cheia de peso da ótima "Sick Again" que encerra o disco; e claro, a já citada "Kashmir" e suas referências hindus e orientais; são razões que fazem de "Physical Graffiti" um disco mágico e um dos melhores de todos os tempos.
Nada mais justo que ele seja o destaque dos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS neste Dia Mundial do Rock.

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FAIXAS:
(ordem do LP duplo)
lado 1

  1. Custard Pie 
  2. The Rover 
  3. In My Time of Dying 
lado 2
  1. Houses of the Holy 
  2. Trampled Under Foot 
  3. Kashmir 
lado 3

  1. In the Light 
  2. Bron-Yr-Aur 
  3. Down by the Seaside 
  4. Ten Years Gone 
lado 4

  1. Night Flight 
  2. Wanton Song 
  3. Boogie With Stu 
  4. Black Country Woman 
  5. Sick Again


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Ouça:
Led Zeppelin Physical Graffiti



Cly Reis

Memory of a Free Festival








"Os filhos do verão reuniram-se na relva umedecida
Nós tocamos nossas músicas e sentimos o céu de Londres"

"Memory of a Free Festival" - REIS, Cly
óleo sobre tela (50x70) - 2006


inspirado na música
"Memory of a Free Festival"
de David Bowie


quinta-feira, 11 de julho de 2013

cotidianas #234 - Antonico




"Sambinsta"-  PENA, Luís
Ô, Antonico
Vou lhe pedir um favor
Que só depende da sua boa vontade
É necessário uma viração pro Nestor
Que está vivendo em grande dificuldade
Ele está mesmo dançando na corda bamba
Ele é aquele que na escola de samba
Toca cuíca, toca surdo e tamborim
Faça por ele como se fosse por mim

Até muamba já fizeram pro rapaz
Porque no samba ninguém faz o que ele faz
Mas hei de vê-lo muito bem, se Deus quiser
E agradeço pelo que você fizer.


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Antonico
(Ismael Silva)


Ouça:
Gal Costa - "Antonico"



postado por Daniel Rodrigues

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Morrissey cancelado? Que nada! Tá valendo, tá valendo.


Fui surpreendido ainda hoje à tarde com a notícia que, tendo passado mal por conta de uma intoxicação alimentar, Morrisey teria cancelado shows da turnê sul-americana e provavelmente, NO MÍNIMO, remanejaria as datas das apresentações do Brasil, podendo inclusive excluí-las.

Felizmente a segunda parte da notícia não se confirmou.

Ao que parece, realmente houve o problema de saúde do cantor, mas apenas um reagendamento de algumas apresentações nos demais países da América do Sul deverá acontecer, ficando mantidos os espetáculos do Brasil, em suas datas originais.

Ufff!!!

Desejando, é claro, pronta reabilitação ao querido ídolo, reafirmo, como não poderia deixar de ser, minha presença no concerto em agosto.
É claro que estarei lá!



C.R.

O Frango Atirador


domingo, 7 de julho de 2013

The Animals - “Before We Were So Rudely Interrupted” (1977)



"Uma vez que você sentiu o poder da música, e viu pela primeira vez suas mãos serem capazes de tocar os corações e almas de pessoas em todo o mundo, esta magia é algo que você jamais esquece."
Eric Burdon,
da biografia "Don't let me be Misunderstood"


Um dos meus discos favoritos deve ser uma surpresa para muitos dos que me conhecem. Fui apresentado a ele em 1980 pelo meu amigo e colega Luiz Paulo Santos. Chama-se “Before We Were So Rudely Interrupted”, da banda inglesa The Animals e foi gravado em 1977. O grupo surgiu na década de 60 quando o Alan Price Combo ganhou a adesão do vocalista Eric Burdon. Mais um daqueles brancos de alma negra, Burdon deu à banda a voz que faltava naquela mélange de blues, jazz e soul no meio da beatlemania.
Os Animals fizeram muito sucesso com “The House of the Rising Sun”, “We've Got to Get Out of This Place”, “Don't Let Me Be Misunterstood”, entre muitas outras. A primeira ruptura aconteceu quando o baixista Chas Chandler resolveu deixar seu instrumento e ser manager de um artista emergente na Swinging London e que daria muito o que falar: Jimmi Hendrix. Logo depois, os Animals encerraram a primeira parte de sua carreira com Alan Price fazendo trilhas para os filmes de Lindsey Anderson (em especial o maravilhoso “O Lucky Man”) e Burdon indo para a América, onde foi ser vocalista do grupo War. Em 76, os integrantes do grupo resolveram dar uma segunda chance ao azar. Reuniram-se e gravaram este disco com o estúdio móvel dos Stones numa fazenda. O nome já é um achado: “Antes de seremos tão rudemente interrompidos”. O velho humor inglês.
A festa começa com o piano de Alan Price num clima boogie-woogie num clássico de Leiber & Stoller mais Otis chamado “Brother Bill” (The Last Clean Shirt). Um R & B das antigas, a canção permite a Burdon dar seu primeiro de muitos shows durante o disco. O guitarrista Hilton Valentine também faz seu primeiro solo, carregado pelo piano de Price. Uma das melhores versões de “It's All Over Now, Baby Blue” vem em seguida. O clima é soturno com a bateria de John Steel fazendo uma batida seca e as harmonias de Alan Price se juntando às da guitarra de Valentine, enquanto um sintetizador faz a cama. Eric Burdon modula sua voz para encarar os altos e baixos da canção. Nem Dylan teria pensado num arranjo ecumênico como este.
Depois de duas canções dessas, chega a hora de descontrair com “Fire on the Sun”, um rock libidinoso no estilo Little Richard, mas gravado na década de 70 (“Your love is like fire, baby / Fire on the Sun”). Mais uma vez o cérebro musical da banda, Alan Price, comanda as ações. “As The Crow Flies”, composta por Jimmy Reed, volta ao blues com o piano elétrico. O resto da banda faz aquela velha batida blues de Chicago. Pra fechar o lado 1 do LP, uma das melhores músicas de todo o disco: “Please Send Me Someone to Love”. Nela, Eric Burdon mostra toda a sua qualidade como cantor. Talvez nunca em sua carreira ele tenha cantado uma música como essa, cheia de modulações e subidas e descidas de tom numa mesma frase. Alguém poderia dizer que é pirotecnia. Eu diria que ele é um excelente cantor. O narrador pede paz e tranquilidade no mundo, mas se não for pedir muito, mande um amor. “Heaven please send / To allmankind /understanding and peace of mind / but if its not asking too much / please send me someone to love”. Numa cama de órgão, guitarra jazzística, baixo e bateria, o Fender Rhodes de Price brinca, permitindo a Burdon uma performance incrível. 
O antigo Lado 2 começa com uma música de Jimmy Cliff, “Many Rivers to Cross”, que os Animals transformam de um reggae num lamento gospel (o deles, não o nosso). A mensagem é de superação: “Many rivers to cross / But I can't seem to find /my way over”. Mais adiante, o narrador reclama da solidão: “And this loneliness just won't leave me alone / It's such a drag to be on your own”. No final, Burdon rasga seus lamentos como um cantor negro de igreja batista no Sul dos Estados Unidos. “Just Want a Little Bit” inicia enigmática com o piano e passa para um R & B dançante de Little Mama Thornton. Nesta canção, Alan Price relembra seus velhos tempos de pré-beatlemania, quando o som da juventude inglesa era o blues e o Rhythm'n'Blues de grupos com órgão, como o de seu colega Georgie Fame. A única composição de integrantes dos Animals vem na sequência: “Riverside County”, outro blues com escala descendente. O grande compositor Doc Pomus aparece com a clássica “Lonely Avenue”. Os arranjos deste disco brincam todo o tempo com esta “simplicidade” do blues e vão colocando camadas e camadas de pequenos detalhes com vocais, guitarras e teclados, enquanto a batida é constante. O final é engraçado com “The Fool” que diz: “Juntem-se a mim, amigos / ergam suas taças/ e bebam ao bobão /o louco bobão / que mandou seu amor embora”.
Durante todo o disco, Burdon reclamou que a mulher tinha ido embora, que estava numa avenida solitária e tal. Nesta última canção, este arco dos relacionamentos vira do avesso. “Ela encontrou um novo amor / eu digo que ele é o cara de sorte/ Bebam ao bobão / eu mandei meu amor embora”. Um disco de blues e Rhythm'n'blues em plena era disco e de Boston, Eagles e Peter Frampton. Não poderia ter dado certo mesmo. Os Animals saíram em turnê e cinco anos depois tentaram mais uma vez com o disco “Ark” de 1983. Mas os melhores tempos já tinham passado. Eric Burdon continua na ativa e acabou de lançar um trabalho muito festejado pela crítica, “'Til Your River Runs Dry”. Mas essa história vai ser contada daqui há pouco.
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FAIXAS:
1. "Brother Bill (The Last Clean Shirt)" (Jerry Leiber, Mike Stoller, Clyde Otis) - 3:18
2. "It's All Over Now, Baby Blue" (Bob Dylan) - 4:39
3. "Fire on the Sun" (Shaky Jake) - 2:23
4. "As the Crow Flies" (Jimmy Reed) - 3:37
5. "Please Send Me Someone to Love" (Percy Mayfield) - 4:44
6. "Many Rivers to Cross" (Jimmy Cliff) - 4:06
7. "Just a Little Bit" (John Thornton, Ralph Bass, Earl Washington, Piney Brown) - 2:04
8. "Riverside County" (Eric Burdon, Alan Price, Hilton Valentine, Chas Chandler, John Steel) - 3:46
9. "Lonely Avenue" (Doc Pomus) - 5:16
10. "The Fool" (Sanford Clark) - 3:24

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OUÇA AQUI: 

por Paulo Moreira


Paulo Moreira é jornalista e radialista há 32 (!!) anos, apresentador do cultuado Sessão Jazz, da rádio FM Cultura, de Porto Alegre. Adora música e cinema ou cinema e música, a ordem não altera o fator dos produtos. Teve duas filhas (e uma neta) e plantou árvores. Falta escrever um livro. Adora dois locais em extinção no mundo moderno: livrarias e lojas de discos. É um jurássico assumido, pois usa mas não é escravo das novas tecnologias. E nada substitui um bom livro ou um encarte de discos com ficha técnica completa. Adora Porto Alegre, mas, se pudesse, morava no Rio de Janeiro.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

cotidianas #233 - A História de Lily Braun



Imagem do filme "O Anjo Azul"
de Josef von Sternberg
Como num romance
O homem dos meus sonhos
Me apareceu no dancing
Era mais um
Só que num relance
Os seus olhos me chuparam
Feito um zoom

Ele me comia

Com aqueles olhos
De comer fotografia
Eu disse cheese
E de close em close
Fui perdendo a pose
E até sorri, feliz

E voltou

Me ofereceu um drinque
Me chamou de anjo azul
Minha visão
Foi desde então ficando flou

Como no cinema

Me mandava às vezes
Uma rosa e um poema
Foco de luz
Eu, feito uma gema
Me desmilinguindo toda
Ao som do blues

Abusou do scotch

Disse que meu corpo
Era só dele aquela noite
Eu disse please
Xale no decote
Disparei com as faces
Rubras e febris

E voltou

No derradeiro show
Com dez poemas e um buquê
Eu disse adeus
Já vou com os meus
Numa turnê

Como amar esposa

Disse ele que agora
Só me amava como esposa
Não como star
Me amassou as rosas
Me queimou as fotos
Me beijou no altar

Nunca mais romance

Nunca mais cinema
Nunca mais drinque no dancing
Nunca mais cheese
Nunca uma espelunca
Uma rosa nunca
Nunca mais feliz

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"A História de Lily Braun"
(letra: Chico Buarque)

Ouça:
Gal Costa - "A História de Lily Brown"

Pix


Arte Espontânea 4








"Felino" 
chumbo derretido (aprox. 40cm)

terça-feira, 2 de julho de 2013

"Ataque Sonoro" - Vários (1985)


A capa da coletânea em destaque, no alto
e, abaixo a foto da contracapa do LP,
velhinho, remendado,
rabiscado, mas guerreiro.
"Tudo aconteceu na manisfetação
O povo protestava contra exploração
Diziam em voz alta "abaixo a repressão"
Num coro organizado diziam os explorados"
"Reprecaos", Vírus 27


Já que estamos vivendo em uma época onde a livre expressão e manifestação popular estão em alta, resolvi escrever sobre esse disco na sessão ÁLBUNS FUNDAMENTAIS do clyblog.
Conheci boa parte das musicas contidas nessa pérola exatamente no ano de 1987 quando ingressei em uma escola profissionalizante e aquele foi provavelmente o dia em que o menino virou um revoLUCIOnário! 
Por problemas respiratórios não podia jogar bola, então, normalmente ficava responsável pelo som nas festas, jogos ou torneios de skate, tendo sido assim apresentado ao universo PUNK.
O "Ataque Sonoro" é uma compilação que reúne grandes nomes do movimento punk brasuca: RxDxP, Cólera, Lobotomia, Expermogramix, Armagedom,Vírus 27, Garotos Podres, Auschwitz, Desordeiros e Grinders.
Lançado originalmente no ano de 1985 pelo selo Ataque Frontal, na minha humilde opinião foi o primeiro registro oficial de boa qualidade do movimento punk.
Vale conferir.
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FAIXAS:
lado A
  1. "Reprecaos" (Vírus 27)
  2. "Condenado" (Ratos de Porão)
  3. "Anarquia" (Garotos Podres)
  4. "Trabalhadores Brasileiros" (Espermogramix)
  5. "Ignorância Cega" (Auschwitz)
  6. "Progresso" (Desordeiros)
  7. "Rebeldes" (Cólera)
  8. "Skate Gralha" (Grinders)
  9. "Super Projetos" (Armagedom)
  10. "Faces da Morte" (Lobotomia)

lado B
  1. "Lobotomia" (Lobotomia)
  2. "Cérebros Atômicos" (Ratos de Porão)
  3. "Mortos de Fome" (Armagedom)
  4. "Bombas" (Espermogramix)
  5. "Eu Não Sei o que Quero" (Garotos Podres)
  6. "Corrupção!" (Auschwitz)
  7. "Vira-latas" (Cólera)
  8. "Como é que Pode" (Grinders)
  9. "Capitalismo" (Vírus 27)
  10. "Holocausto" (Desordeiros)

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Ouvir:
Ataque Sonoro

sexta-feira, 28 de junho de 2013

100 Melhores Discos de Estreia de Todos os Tempos

Ôpa, fazia tempo que não aparecíamos com listas por aqui! Em parte por desatualização deste blogueiro mesmo, mas por outro lado também por não aparecem muitas listagens dignas de destaque.
Esta, em questão, por sua vez, é bem curiosa e sempre me fez pensar no assunto: quais aquelas bandas/artistas que já 'chegaram-chegando', destruindo, metendo o pé na porta, ditando as tendências, mudando a história? Ah, tem muitos e alguns admiráveis, e a maior parte dos que eu consideraria estão contemplados nessa lista promovida pela revista Rolling Stone, embora o meu favorito no quesito "1º Álbum", o primeiro do The Smiths ('The Smiths", 1984), esteja muito mal colocado e alguns bem fraquinhos estejam lá nas cabeças. Mas....
Segue abaixo a lista da Rolling Stone, veja se os seus favoritos estão aí:

Os 5 primeiros da
lista da RS
01 Beastie Boys - Licensed to Ill (1986)
02 The Ramones - The Ramones (1976)
03 The Jimi Hendrix Experience - Are You Experienced (1967)
04 Guns N’ Roses - Appetite for Destruction (1987)
05 The Velvet Underground - The Velvet Underground and Nico (1967)
06 N.W.A. - Straight Outta Compton (1988)
07 Sex Pistols - Never Mind the Bollocks (1977)
08 The Strokes - Is This It (2001)
09 The Band - Music From Big Pink (1968)
10 Patti Smith - Horses (1975)

11 Nas - Illmatic (1994)
12 The Clash - The Clash (1979)
13 The Pretenders - Pretenders (1980)
14 Jay-Z - Roc-A-Fella (1996)
15 Arcade Fire - Funeral (2004)
16 The Cars - The Cars (1978)
17 The Beatles - Please Please Me (1963)
18 R.E.M. - Murmur (1983)
19 Kanye West - The College Dropout (2004)
20 Joy Division - Unknown Pleasures (1979)
21 Elvis Costello - My Aim is True (1977)
22 Violent Femmes - Violent Femmes (1983)
23 The Notorious B.I.G. - Ready to Die (1994)
24 Vampire Weekend - Vampire Weekend (2008)
25 Pavement - Slanted and Enchanted (1992)
26 Run-D.M.C. - Run-D.M.C. (1984)
27 Van Halen - Van Halen (1978)
28 The B-52’s - The B-52’s (1979)
29 Wu-Tang Clan - Enter the Wu-Tang (36 Chambers) (1993)
30 Arctic Monkeys - Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not (2006)
31 Portishead - Dummy (1994)
32 De La Soul - Three Feet High and Rising (1989)
33 The Killers - Hot Fuss (2004)
34 The Doors - The Doors (1967)
35 Weezer - Weezer (1994)
36 The Postal Service - Give Up (2003)
37 Bruce Springsteen - Greetings From Asbury, Park N.J. (1973)
38 The Police - Outlandos d’Amour (1978)
39 Lynyrd Skynyrd - (Pronounced ‘Leh-‘nérd ‘Skin-‘nérd) (1973)
40 Television - Marquee Moon (1977)
41 Boston - Boston (1976)
42 Oasis - Definitely Maybe (1994)
43 Jeff Buckley - Grace (1994)
44 Black Sabbath - Black Sabbath (1970)
45 The Jesus & Mary Chain - Psychocandy (1985)
46 Pearl Jam - Ten (1991)
47 Pink Floyd - Piper At the Gates of Dawn (1967)
48 Modern Lovers - Modern Lovers (1976)
49 Franz Ferdinand - Franz Ferdinand (2004)
50 X - Los Angeles (1980)
51 The Smiths - The Smiths (1984)
52 U2 - Boy (1980)
53 New York Dolls - New York Dolls (1973)
54 Metallica - Kill ‘Em All (1983)
55 Missy Elliott - Supa Dupa Fly (1997)
56 Bon Iver - For Emma, Forever Ago (2008)
57 MGMT - Oracular Spectacular (2008)
58 Nine Inch Nails - Pretty Hate Machine (1989)
59 Yeah Yeah Yeahs - Fever to Tell (2003)
60 Fiona Apple - Tidal (1996)
61 The Libertines - Up the Bracket (2002)
62 Roxy Music - Roxy Music (1972)
63 Cyndi Lauper - She’s So Unusual (1983)
64 The English Beat - I Just Can’t Stop It (1980)
65 Liz Phair - Exile in Guyville (1993)
66 The Stooges - The Stooges (1969)
67 50 Cent - Get Rich or Die Tryin’ (2003)
68 Talking Heads - Talking Heads: 77’ (1977)
69 Wire - Pink Flag (1977)
70 PJ Harvey - Dry (1992)
71 Mary J. Blige - What’s the 411 (1992)
72 Led Zeppelin - Led Zeppelin (1969)
73 Norah Jones - Come Away with Me (2002)
74 The xx - xx (2009)
75 The Go-Go’s - Beauty and the Beat (1981)
76 Devo - Are We Not Men? We Are Devo! (1978)
77 Drake - Thank Me Later (2010)
78 The Stone Roses - The Stone Roses (1989)
79 Elvis Presley - Elvis Presley (1956)
80 The Byrds - Mr Tambourine Man (1965)
81 Gang of Four - Entertainment! (1979)
82 The Congos - Heart of the Congos (1977)
83 Erik B. and Rakim - Paid in Full (1987)
84 Whitney Houston - Whitney Houston (1985)
85 Rage Against the Machine - Rage Against the Machine (1992)
86 Kendrick Lamar - good kid, m.A.A.d city (2012)
87 The New Pornographers - Mass Romantic (2000)
88 Daft Punk - Homework (1997)
89 Yaz - Upstairs at Eric’s (1982)
90 Big Star - #1 Record (1972)
91 M.I.A. - Arular (2005)
92 Moby Grape - Moby Grape (1967)
93 The Hold Steady - Almost Killed Me (2004)
94 The Who - The Who Sings My Generation (1965)
95 Little Richard - Here’s Little Richard (1957)
96 Madonna - Madonna (1983)
97 DJ Shadow - Endtroducing ... (1996)
98 Joe Jackson - Look Sharp! (1979)
99 The Flying Burrito Brothers - The Gilded Palace of Sin (1969)
100 Lady Gaga - The Ame (2009)

quarta-feira, 26 de junho de 2013

cotidianas #232 - Melodia






Que que é isso, Francisco?
Quê?
Tua vista
Ah, só um cisco.
Mentes!
(A verdade, a verdade)

Desisto
Foi uma música que me saltou aos olhos






Cly Reis

Lines









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fotos e manipulação digital: Cly Reis