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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

cotidianas #4 - Ô, Alexandre!

A minha pequena seção chamada Cotidianas foi inventada para contar historietas de situações normais nas nossas vidas, do nosso dia-a-dia, algumas coisas podem ser baseadas em situações reais ocorridas comigo, outras contadas por um amigo, outras meramente criadas. Também pode se prestar, como no último número a receber um poema, como o "Poema tirado de uma notícia de jornal" ou letras de música, cenas de filme, etc. Mas desta vez utilizo a Cotidianas para transcrever uma cena ocorrida ontem à noite na minha rua, que acabou por se tornar engraçada.

Eram umas onze e meia da noite e eu já ia dormir. E por certo àquela hora tinha muita gente já dormindo.
embaixo, na rua, ouviam-se uns gritos de vez em quando. A princípio meio ininteligíveis. E não dei importância para o que poderia ser. (Sempre tem barulhos na rua, música alta, buzinas de carro, sirenes, alarmes e gritos também). Podia ser qualquer coisa: um torcedor gritando pelo seu time, mais um assalto na cidade, um bêbado. Quem liga! Quem dá bola para gritos à noite nas cidades hoje em dia?
Mas a coisa foi ficando insistente e chamou atenção. Aí tentei ouvir o que dizia o grito...
"Alexaaaandre. Ô, Alexaandre."
E continuava, continuava...
Começou a incomodar.
E aquela voz meio que de velha bêbada continuava: "Alexaaandre. Ô, Alexandre."
Até que silenciou por alguns minutos. Presumo que repreendida por um porteiro, morador de um prédio ou o que fosse, resolvera-se por ir-se embora e deixar o Alexandre dormir.
Acertei: resolvera ir embora. Mas o problema era que o Alexandre que ia ter que pagar o táxi. E então ela recomeçou:
"Alexaaaandre. Ô, Alexandre. Vem pagar o táááxi!"
"Alexaaaandre!"
A essas alturas imagino que não houvesse alguém na vizinhança imediata que não estivesse incomodado.
"Alexaaaandre", fazia a voz ébria feminina esganiçada.
"Alexaaandre, vem pagar o táxi!"
"Alexandre..."
Lá pelas tantas "Alexandre, meu amor!"
E seguia "Alexaaaandre".
Até que alguém perdeu a paciência de vez, foi pra janela e ajudou na reivindicação da chata:
"Alexandre, atende essa mulher de uma vez!", gritou um lá de uma janela.
Eu estava com tanto sono que nem sei se a namorado do Alexandre parou de gritar.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Cotidianas #3 - "Poema tirado de uma notícia de jornal"


João gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia
num barracão sem número.
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.


"Poema tirado de uma notícia de jornal"
Manuel Bandeira

domingo, 23 de agosto de 2009

"A Estrada da Vida", de Federico Fellini (1954)




Mais um daqueles clássicos tardios que entram na minha vida foi, agora há pouco, "A Estrada da Vida" de Federico Fellini.
Adorável!
Mostra um Fellini ainda sem a SUA linguagem consolidada. Ainda se moldando, mas já perceptível no decorrer do filme.
O que vemos em "A Estrada da Vida" é um cinema ainda muito vinculado ao realismo italiano. Retrata um momento um pouco mais avançado que aqueles retratados por De Sica e Rosselini, mas também mostrando como eles, a Itália pós-guerra e seus habitantes se virando como podiam e uma pobreza imperando em toda parte.
O filme conta a jornada de um mambembe bêbado, casmurro, turrão e bruto que praticamente compra uma moça de uma família pobre em extremas necessidades, para ser sua assistente. Eles vão país afora apresentando um número fraco e desinteressante em troca de alguns trocados que ganham passando o chapéu. Aos poucos, aspectos humanos vão se revelando nele, Zampano(personagem de Anthony Quinn) e PARA ela, Gelsomina (Giulieta Masina), uma garota simplória de capacidade mental bastante limitada, um tanto ignorante e inocente.
Belíssima a referência sutil (mas evidente) que Fellini faz a Charlie Chaplin nas interpretações de Giulieta, em alguns momentos se valendo de recursos e expressões típicos de cinema mudo.
Gosto mais do cinema "felliniano" propriamente dito. Aquele de "Roma", "Amacord", "Satyricon", "Oito e Meio", mas "La Strada" certamente enquadra-se entre suas grandes obras e é extremamente revelador no sentido de referenciais, meios e fins.

Cly Reis

O passeio da Boa Vista (08/08/09)







Visitei no domingo retrasado, pela primeira vez, a Quinta da Boa Vista, aqui no Rio de Janeiro. Já havia passado por lá e me causara boa impressão além de uma curisidade em conhecer o museu de História Natural, antiga residência de D. Pedro II.
Domingão, esposa, mãe, sobrinho, piquenique (sugestão da mulher). No fim das contas, tudo de bom. Um papo aqui, outro ali, umas geladas, um sorvete. O sol favoreceu e acabou, apesar da minha tradicional má vontade em sair de casa, por se tornar um programa extremamente gostoso.
Só postei agora em virtude da minha inépcia com o meu novo celular e com o procedimento para baixar as fotos dele. Mas agora, devidamente conhecedor deles, aí vai o registro de um dos mais belos e agradáveis lugares do Rio:


Uma vista ampla do parque. Ao fundo o Museu de História Natural.

Não podia faltar um trenzinho pra criançada.


E pedalinhos no bonito laguinho. Ao fundo do lago, um pergolado com colunas imitando as gregas.
A galera aporveitando o sol e o calor. Criançada jogando bola na grama, soltando pipa, o pessoal sentado conversando, comendo, namorando.
O interessante coreto ao lado do lago.
A fachada do Museu e a estátua de D. Pedro II.

Dentro do museu peças raras e interessantes da antiguidade.

E um bom acervo de arqueologia.
O Museu foi mais interessante e completo do que eu imaginava. Pequeno, é verdade, mas com itens bastante significativos.
Recomendo a visita.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Jazz em Veneza - Bàccaro Jazz (28/052009)



Sei que a minha viagem já aconteceu faz tempo e já comentei um bocado por aqui, mas é assunto que rende pela variedade de situações, lugares, acontecimentos e tem coisas que, realmente, a minha intenção era a de ir trazendo para o blog aos poucos.
Conforme já mencionei, as duas paradas mais interessantes da viagem foram Londres e Veneza. Por motivos diferentes: Londres é aquela cidade que tem tudo, é cosmopolita, é cheia de alternativas, uma beleza urbana, um lugar rock’n roll. Veneza pela mágica do lugar, seu romantismo e caráter singular.
Pois bem, queria falar exatamente sobre um aspecto interessante de Veneza, para mim um tanto inusitado, mas que me fez gostar ainda mais da cidade. Curiosamente, Veneza tem uma surpreendente vocação para o jazz. Não sei se eu sou mal informado mas efetivamente não sabia disso. Notei isso desde que chegamos ao hotel e naquelas prateleiras de publicidade com cartões de restaurantes, flyers de festas e folders em geral, apareciam, se não me engano, duas especificamente sobre bares e restaurantes de jazz. Já achei legal mas como ainda não havia me instalado e não sabia exatamente se iria conseguir encontrar aquele endereço ali indicado, deixei pra lá. Mas logo na nossa saída, após deixarmos as bagagens, quando procurávamos um lugar para almoçar (às 3 da tarde) paramos numa pizzaria qualquer e ali além do jazz e do blues do som ambiente, as paredes cobertas por posters de mitos destes gêneros: Parker, Miles, Bo, Duke. Começamos bem. Um almoço em Veneza muito bem servido de música. Bom, aí se confirmou que não era apenas coincidência o folder do hotel. E nos dias que se seguiram notamos mais alguns bares com esta característica. Passávamos nas vielas e ouvíamos lá dentro o jazz rolando.
Tocando um piano
(e reparem no sutiãs ao fundo)
Até que no nosso último dia lá, percorrendo, passamos por um muito simpático e resolvemos voltar ali para o happy-hour, até porque queríamos fazer tempo para irmos à Piazza San Marco à noite. Voltamos no final de tarde, início da noite. O lugar, o Bàccaro Jazz, acabou por ser um programa agradabilíssimo. A música de primeira, um atendimento muito gentil e o ambiente bem acolhedor. A curiosidade ficou por conta dos sutiãs pendurados que decoravam o teto da casa.
Nas paredes além dos posters das lendas do jazz, desenhos de clientes com elogios, dedicatórias, homenagens ao bar, emoldurados em pequenos quadros de acrílico. Desenhos assim de improviso, de quem pegou um pedaço do guarda-napo e fez uma coisa qualquer na hora e deixou para o bar.
Deixei o meu também. Pedi a caneta ao garçon, peguei um pedaço daquela toalha de mesa de papel e fiz um desenho estilizado de um saxofonista e escrevemos ao lado em inglês elogios ao estabelecimento, à musica e ao atendimento. O garçom adorou, pelo jeito. Ficou empolgado e queria botar na parede naquela hora mesmo. Como teria que desmoldurar outro para botar o meu, prometeu que o colocaria na parede mais tarde. Acho que o fez.
Depois, saímos dali e fomos curtir a noite na Piazza San Marco.





Como diria Bukowski
"é divertido mas verdadeiro saber que as pessoas não são muito, que tudo não passa de um JAZZ a foder e a gente já sabe que esse é o lema mas é legal ouvir isso ser dito sentado à beira de um canal de Veneza..."