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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Death in Vegas "The Contino Sessions" (1999)


Não sei se agradeço ou se amaldiçôo a meu “livro da vida”, o “1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer” que cada vez mais faz aumentar minha discoteca. Meu espaço já está exíguo, minguado, quase acabando mas a minha bíblia dos discos sempre me apresenta alguma coisa nova fascinante.
Desta vez, estou eu lá percorrendo os “anos 90”, já no finalzinho -um dos últimos álbuns da década- e topo com um pessoalzinho que eu tinha ouvido falar bem por alto, de passagem mas que nem sabia do que se tratava. Aí vou lá e leio o que fala do disco: da mesma linha dos Chemical Brothers, com participação de Bob Gillespie do Primal Scream, com participação de Jim Reid do Jesus and Mary Chain, participação de Iggy Pop em uma que provavelmente é das suas melhores interpretações... Cara, que que é isso?
Aí fui eu lá ouvir os caras pra ver se era tudo isso mesmo e para minha agradável surpresa era melhor.
Dirge”, a faixa de abertura, é uma sinfonia catártica que vai-se montando a partir de um doce cantarolado que vai se repetindo enquanto elementos vão se juntando na canção até que tudo culmine num êxtase instrumental.
Soul Auctioneer” tem a marca de Bob Gillespie com aquele seu vocal relaxado e versos mal-encaixados, bem Primal Scream. “Death Threat” é outro dos pontos altos e assim como “Dirge” vai se montando aos poucos, mas aqui o ponto de partida é um efeito, um sampler, que acaba compondo uma base funkeada e que passa a ser o fio condutor desta música que remete claramente aos mestres do Kraftwerk por conta da utilização de sons de telégrafo como os de “Radioactivity”.
O insuportável mas genial Jim Reid dá sua grande contribuição a “Broken Little Sister”, conferindo aquele peso, aquela sonoridade do Jesus a uma base eletrônica que, por sinal, não soa como tal.
Iggy empresta sua voz, talento e carisma para “Aisha”, onde na verdade ele não canta, ele quase que declama, interpreta, se declara um serial-killer mas curiosamente sem toda a agressividade punk que o marcou durante toda a carreira. “Aisha” é um funk limpo, sofisticado, bem conduzido com uma linha de base muito bem escolhida.
Todas são ótimas, “Flying”, “Lever Street”, “Alladin Story” e a bela “Neptune City” que fecha com estilo o álbum.
Resultado: ouvi, adorei e foi mais um para a minha prateleira de CD’s.
Os espaços estão acabando.
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FAIXAS:
1."Dirge" - 5:44
2."Soul Auctioneer" – 5:59
3. "Death Threat" - 4:50
4."Flying" – 7:06
5."Aisha" - 5:54
6."Lever Street" – 3:39
7."Aladdin's Story" – 4:45
8."Broken Little Sister" – 5:18
9."Neptune City" – 4:43

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Ouça:
Death In Vegas The Contino Sessions


Cly Reis

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

cotidianas #8 - Conversa Entre Aspas


Crase morri, ontem
no pretérito perfeito
acometido de violenta interjeição.
Hifenizei, ponto final,
Tomei acento
Podia ser minha antiga conjunção.

Respirei fundo, tomei um substantivo
que um advérbio ali do lado me alcançou.
Levantei sentindo ainda meio oblíquo
Mas fui saindo sem demonstrar preposição

Despedi-me
e apanhei meu circunflexo
e as reticências que deixei cair no chão.
Ainda tonto procurando encontrar nexo
Saí na rua e ali na aliteração

A um sujeito que vendia artigos masculinos
Perguntei onde encontraria alguma próclise
Agradeci e fui ao etimologista
Que logo disse “ora, tudo se resolve”

Que lhe mostrasse minha língua portuguesa
e se não tinha nenhum vício de linguagem
Disse que não “Sei lá eu. É o que eu acho”
mas entre aspas entendi sua mensagem

“Serei direto”, disse, “não farei rodeios
e é melhor que o senhor desde já reze.”
“É que o senhor tem inflexão nos seus dois pontos,
E na verdade sofre de uma catacrese.”

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"Conversa Entre Aspas"
Samba-canção-chorinho-rock
da banda Hímen Elástico (Cly, Lúcio, , Lê, e Pereba)
letra Cly, música Cléber Leão
Porto Alegre (1999)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Bar Naval - Porto Alegre 27/09/09








O Mercado Público de Porto Alegre,
patrimônio histórico
Tive neste final de semana uma breve passagem pela minha cidade, Porto Alegre, na qual revi parentes, amigos e fui ao meu estádio, o Beira-Rio. Aproveitei também, já que em dado momento estava no Centro da cidade na hora do almoço e tendo que esperar meu irmão por mais uma hora, para ir em um dos lugares mais tradicionais da cidade dentro de um dos pontos mais significativos e históricos dela: o Bar Naval, dentro do Mercado Público.
A velha placa do Naval
Conheço o Naval desde que me conheço por gente e por certo o Naval me conhece antes que eu me conhecesse. Provavelmente, imagino, já com dois ou três anos de idade deva ter sido levado ao bar, até porque fui testemunha que minha irmã com menos idade foi apresentada ao Naval, provavelmente com menos de um ano.
Revi o proprietário, figura simpaticíssima e já parte da história da cidade, Seu Paulo Naval, amigo de longa data de meu pai que mesmo não me vendo há anos não esqueceu do gurizinho que era levado lá e sempre pedia a mesma coisa: chuletinha de porco à milanesa (inclusive ainda me trata por “gurizinho”).
O Naval, bar com 102 anos de história, sempre teve a característica de, mesmo com suas acomodações modestas e simples, receber as mais ilustres figuras da cidade além de visitantes importantes como Nélson Gonçalves, Gardel e muitos outros. Dizem que o ex-governador Olívio Dutra era cliente assíduo (e consta que seja chegado numa birita), que Lupicínio Rodrigues ia lá de vez em quando, atores do centro do país, jogadores da dupla Grenal – lá eu conheci pessoalmente Figueroa, o capitão do Andes do Internacional.
Pra manter a tradição comi, é óbvio, uma chuleta de porco à milanesa. O mesmo sabor de todos estes anos. Sempre que ia a Porto Alegre pensava em ir lá, visitar o Seu Paulo, falar das histórias do pai, almoçar lá e tudo mais, mas sempre deixava passar. Acho que paguei uma dívida comigo, com o Naval, com Seu Paulo, com a tradição e com a minha cidade.

Fotos de artistas nas paredes,
muitos inclusive que estiveram lá.



Eu com Seu Paulo.

Cly Reis