quarta-feira, 4 de agosto de 2010
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
cotidianas #38 - O Cubo Mágico
Alguém finalmente lhe tira o capuz e ele consegue respirar um pouco melhor. Ah! Ar!
Olha em volta, está numa sala fechada, talvez um porão, um depósito. Correndo rapidamente os olhos vê à sua direita um homem que não faz, em absoluto, questão de esconder o rosto. Traz na mão apenas um cubo-mágico.
Ele dá alguns passos lentos pela sala enquanto embaralha as cores do cubo e mistura as faces até então uniformes. Aproxima-se novamente da cadeira,olha para o refém e joga-lhe o cubo no colo.
- Resolve.
- Quê? Quê... Como?
- Se tu resolver, te deixo ir embora, se não conseguir, tu morre. - disse sacando uma arma da cintura, sob a camisa.
- Como assim? Mas eu...
- É isso! - e começou a soltar as mãos do homem na cadeira que estavam amarradas nas costas - Tem 5 minutos.
- Olha só, moço: eu não sei o que o senhor quer, se você tá me confundindo com alguém... eu não tenho dinheiro. Eu sou só um corretor. Não tenho muito... Aliás, se o senhor quiser eu até arranjo alguma coisa. Não tenho muito mas...
- Não quero teu dinheiro. - interrompeu bruscamente - Não quero dinheiro, não quero informação, não quero tua filha, tua mulher, só quero que tu resolva esse cubo e, a propósito, teu tempo tá passando.
Um súbito desespero começou a se apoderar da vítima. Primeiro tentou levantar dali, correr, mas os tornozelos estavam amarrados aos pés da cadeira. Impossível. E aquele cara com uma arma ali! Vendo-se sem alternativa, começou finalmente a tentar fechar as faces do cubo. Mas naquela pressa, daquele jeito? Não conseguia raciocinar, se concentrar, montar a peça de maneira lógica.
Verde-vermelho-amarelo-amarelo-amarelo (um lado quase pronto). Não! Um azul pra atrapalhar. Não, não!
De novo: amarelo-amarelo-verde... (não)!
5 minutos.
-Sinto muito...
Tudo preto. Preto.
Cly Reis
David Bowie - "The Rise and the Fall of Ziggy Stardust & The Spiders From Mars" (1972)
"Ziggy tocava guitarra
Improvisando com Weird and Gilly
E os Aranhas de Marte"
Um gênio capaz de se reinventar constantemente, capaz de criar estilos, mudar conceitos, influenciar comportamentos, transformar a própria arte e a dos outros também, e tudo isso sem preder a própria identidade. Assim David Bowie vem atravessando década após década sempre inquieto e inovador. Este espírito desassossegado foi que fez com que em 1972, este artista multifacetado criasse uma das obras mais originais e marcantes da história do rock. Com "The Rise and the Fall of Ziggy Stardust & The Spiders from Mars", Bowie criou o artista dentro do artista, o mito por trás do mito, a banda dentro da banda, e acima de tudo, uma lenda.
Este marco do que viria a ser batizado de glam rock, traz um Bowie totalmente andrógino encarnando o personagem Ziggy Stardust; frontman de uma banda fictícia, um rockstar pirado; num álbum que funciona quase que como uma pequena ópera-rock na qual é contada e 'encenada' a trajetória de Ziggy.
Das faixas, destaque para o rock'n roll alucinante de "Suffragette City", a não menos empolgante "Star", a belíssima "Starman", que ganhou até versão em português (lembram de "Astronauta de Mármore" do Nenhum de Nós?), e para a clássica faixa que inspira o tema da obra, "Ziggy Stardust".
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Apenas a título de curiosidade, há pouco tempo atrás em uma lista de um site musical na Internet o álbum foi escolhido por gays ilustres do mundo da música e artes, o mais gay de todos os tempos. Ainda que eu ache que existem outros exemplares mais representativos na categoria, compreendo a escolha pelo apelo sexual do disco, a androginia e a homossexualidade declarada do cantor na época (e hoje desmentida pelo próprio Bowie), que inevitavelmente acabou por criar na época uma forte identidade dos homossexuais com a obra e com o artista.
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Também como curiosidade e informação adicional, o disco "Ziggy Stardust and the Spiders from Mars" ganhou duas reedições com extras e bônus, uma em 1990 com o acréscimo de cinco faixas, e outra em 2002, esta comemorativa dos 30 anos da obra, como CD duplo, sendo um deles só de demos, extras e raridades.
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E outra ainda: pra quem não conhece, a canção "Ziggy Stardust" tem uma regravação bem legal com a banda "gótica" Bauhaus. Vale conferir.
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FAIXAS (originais):
- " Five Years "- 4:43
- " Soul Love " – 3:33
- " Moonage Daydream " – 4:35
- " Starman " – 4:16
- " It Ain't Easy " (Ron Davies) – 2:56
- " Lady Stardust " – 3:20
- " Star " – 2:47
- " Hang on to Yourself " – 2:37
- " Ziggy Stardust " – 3:13
- " Suffragette City " – 3:19
- " Rock 'n' Roll Suicide " – 2:57
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Ouça:
David Bowie The Rise and The Fall Of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars
Cly Reis
sábado, 31 de julho de 2010
The Chemical Brothers - "Dig Your Own Hole" (1997)
“Os eletrônicos que todo roqueiro deveria ouvir”
Quem disse que música eletrônica é só tunsch-tunsch?
Os Chemical Brothers, juntamente com um pequeno grupo de artistas criativos da cena eletrônica britânica, tratou de mostrar que não era bem assim.
Depois de uma interessante estreia com o elogiado álbum "Exit Planet Dust", a dupla de DJ's Tom Rowlands e Ed Simons, simplesmente concebeu um ÁLBUM com música eletrônica e não apenas uma série de repetições, samples e batidas para tocar em festas.
"Dig Your Own Hole" tem conceito, convicção, intenção, sonoridades variadas e influências diversas. É trabalhado faixa a faixa como se fosse um álbum de uma banda de rock com muitos instrumentisatas. Tudo tem seu lugar e seu detalhe.
O início é destruidor com "Block Rockin' Beats" e seu sampler empolgante - só um cartão de visitas do que está por vir. "Elektrobank", outro ponto alto, é um funk cheio de ritmo com um vocal alucinado, tudo isso num ritmo de tirar o fôlego.
Em "It Doesn't Matter", sim, eles fazem uma daquelas músicas bem pra pista de dança mesmo; legítimo trabalho de DJ; com batida básica e sampler repetido, mas não por isso menos bacana e interessante. É uma das minhas favoritas do disco, a propósito.
Com "Setting Sun" eles reinventam "Tomorrow Never Knows" dos Beatles, com uma composição (propositalmente) muito semelhante à original porém mais agressiva, contando com os vocais de Noel Gallagher do Oasis, exatamente o cara que supõe ser a reencarnação de John Lennon (o que, neste caso, ficou até bem apropriado, não?).
"Lost in the K-Hole" tem uma base envolvente e um sample-vocal sensual quase sussurado; "Where Do I Begin" começa com um sampler genial e extremamente bem trabalhado levemente chegado ao country até explodir logo adiante e dar uma reviravolta; e "Private Psychedelic Reel" que fecha o disco, é um épico chapado de 10 minutos com tons árabes, hindus, orientais, que faz mesmo quem não tenha tomado nada, ter a impressão de estar curtindo a maior viagem. Um final monumental para um álbum fantástico.
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- "Block Rockin' Beats" (Rowlands, Simons e Jesse Weaver) – 5:14
- "Dig Your Own Hole" – 5:27
- "Elektrobank" – 8:18
- "Piku" – 4:54
- "Setting Sun" (Rowlands, Simons e Noel Gallagher) – 5:29
- "It Doesn't Matter" (Rowlands, Simons, Conly, Emelin, Slye, Ford e King) – 6:14
- "Don't Stop the Rock" – 4:48
- "Get Up on It Like This" (Rowlands, Simons e Jones) – 2:48
- "Lost in the K-Hole" – 3:51
- "Where Do I Begin" – 6:51
- "The Private Psychedelic Reel" (Rowlands, Simons e Jonathan Donahue) – 9:28
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