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sábado, 29 de janeiro de 2011

Grace Jones - "Nightclubbing" (1981)

"Sabe, eu a vi vestindo algumas coisas que eu já usei, e isso realmente me irrita(...)
Eu prefiro trabalhar com alguém mais original que não fique me copiando."
Grace Jones sobre trabalhar com Lady Gaga


Um álbum sofisticado.
Poder-se-ia dizer até chiquérrimo!
A estilosa ex-modelo e manequim jamaicana Grace Jones conseguia, depois de alguns discos apenas interessantes no início da carreira musical, transpor enfim todo seu charme dos estúdios fotográficos para os de gravação com o excelente "Nightclubbing". A própria faixa que dá nome ao álbum que já era fantástica com Iggy Pop (autor em parceria com Bowie), consegue ficar talvez até melhor numa versão meio cabaré-chique às voltas com um piano grave e bem marcado com uma interpretação sensual e venenosa.
"I've Seen That Face Before (Libertango)", outro destaque do disco, é no fundo um tango sim, mas tem contornos reggae e coloridos de ritmos latinos. Seus trechos recitados em francês na voz provocante e poderosa de Mrs. Jones dão uma leitura toda diferenciada e singular à composição do argentino Ástor Piazzolla.
Minha preferida, no entanto, é "Pull Up to the Bumper". Apimentada e sem vergonha, traz um vocal provocante, uma guitarra bem suingada e um tamborim fazendo a marcação gostosíssima.
"Walking in the Rain", a primeira do disco é praticamente declamada sobre uma base clean sutilmente 'reggeada' e extremamente bem desenvolvida nos detalhes. Outra das boas é "Use Me", que além de outra interpretação magistral da gigante de ébano, tem uma bela linha de baixo. "Demolition Man" de Sting tem um estilo mais forte, mais new-wave, mais rock e por consequência um vocal mais agressivo também, quase falado na maior parte do tempo só ganhando ritmo mesmo nos refrões. "I've Done it Again" se encarrega de fechar o disco baixando a rotação apaixonadamente numa baladinha tristonha.
Nove interpretações notáveis com as mais diversas nuances dentro do universo da música negra e da música pop em geral. É daquelas obras e daquele tipo de artista que alguém mais mal informado pode torcer o nariz num primeiro momento achando que um disco de ex-modelo seja necessariamente sem qualidade, mera autopromoção, etc. Muitas são assim, sabemos, mas certamente este não é o caso. Para Grace Jones a passarela, os flashes podem ter aparecido antes na vida antes, mas com certeza ela foi feita mesmo para o microfone e para o palco. E quanto ao álbum, o que se pode dizer de "Nightclubbing" é que sobre um repertório variado e extremamente bem escolhido, ela coloca suas voz negra e poderosa de maneira singular e recriadora.
Não somente um álbum sofisticado, um álbum chiquérrimo, mas sobretudo um álbum brilhante.
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FAIXAS:
  1. " Walking in the Rain "( H. Vanda , G. Young ) - 4:18
  2. " Pull Up To The Bumper" "(Koo Koo Baya, Grace Jones, Dana Mano) - 4:41
  3. " Use Me "( Bill Withers ) - 5:04
  4. " Nightclubbing" ( David Bowie , James Osterberg ) - 5:06
  5. " Art Groupie" (Barry Reynolds, Grace Jones) - 2:39
  6. " I've Seen That Face Before (Libertango) "( Astor Piazzolla , Barry Reynolds, W. Dennis, N. Delon) - 4:30
  7. " Feel Up "(Grace Jones) - 4:03
  8. " Demolition Man "( Sting ) - 4:03
  9. "I've Done It Again" (Barry Reynolds) - 3:51
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Ouça:
Grace Jones Nghtclubbing


Cly Reis

Tim Maia nas bancas - Coleção Abril Tim Maia

Pra quem já ficou animado com o lançamento da Universal Music da caixa  "Tim Universal Maia" , vai ficar entusiasmadíssimo como eu com a coleção que a Editora Abril coloca nas bancas a partir de amanhã com 15 álbuns do síndico com encarte bacana, fotos, textos e curiosidades a preços bem acessíveis.
É isso aí: toda a semana nas bancas uma obra diferente do mestre do soul brasileiro.
Detalhe é que num primeiro momento será vendido apenas em São Paulo e Região Sul, chegando aqui ao Rio apenas em abril. Mas vou dar um jeito de ter o meu antes disso, com certeza.
Começa com o excelente álbum Tim Maia de 1970 já a partir de amanhã. Confira abaixo os demais itens da coleção:

1. TIM MAIA 1970
2. TIM MAIA 1971
3. TIM MAIA 1973
4. RACIONAL 1
5. RACIONAL 2
6. TIM MAIA DISCO CLUB (1978)
7. TIM MAIA 1978
8. NUVENS (1982)
9. DANCE BEM (1990)
10. TIM MAIA INTERPRETA CLÁSSICOS DA BOSSA NOVA (1990)
11. TIM MAIA AO VIVO (1992)
12. SÓ VOCÊ (1997)
13. WHAT A WONDERFUL WORLD (1997)
14. TIM MAIA IN CONCERT (2007)
+ (especial) RACIONAL 3

*O primeiro volume custará R$7,90 (valor promocional de lançamento) e os demais R$14,90.

Não dá pra perder!

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Mais informações no site: http://www.colecaotim.com.br/index.php


OBS.: Provavelmente a editora mudou sua estratégia regional de vendas e a coleção já está sendo vendida aqui no Rio de Janeiro
postagem editada em 24/02/2011

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Black Sabbath - "Paranoid" (1970)


"Satã está rindo
 e expandindo suas asas"
da letra de "War Pigs"


Às vésperas de uma nova vinda de Ozzy Osbourne ao Brasil vale lembrar aos menos informados que só o conhecem por conta de um reality-show familiar que andou rolando por aí, que o cara nem sempre foi aquele velho meio abobalhado e sequelado do programa da TV. Há muito tempo atrás, ele ao microfone do Black Sabbath dava forma, provavelmente, de maneira definitiva ao que hoje se convencionou chamar de heavy-metal. O Deep Purple já anunciava caminhos, o Led já tinha uma sonoridade, mas aqueles caras trataram de acrescentar algo que faltava. Definiram o peso, o estilo, as letras e o comportamento de um dos gêneros mais consagrados, idolatrados e seguidos  do mundo do rock.
"Paranoid", seu segundo disco é um clássico! A própria música-título com sua levada galopante, acelerada, é um dos maiores símbolos da banda da época, da banda e do rock. "Iron Man" com seu andamento arrastado e troante é outra daquelas cujo riff ficou marcado para a eternidade. 'War Pigs" que abre o disco, com sua estrutura vocal-resposta  instrumental e suas retomadas violentas, é um petardo, um míssil, uma bomba contra a guerra nuclear.
Das menos conhecidas, vale destacar a forte e intensa "Hand of Doom" e "Planet Caravan" que dá uma quebrada no ritmo alucinante do resto do disco.
Os temas satânicos, místicos, o protesto, o gestual, o figurino, o comportamento ajudaram a consolidar um carácter específico, constituir uma imagem metaleira e a incluir definitivamente o termo "METAL" no dicionário do rock; e neste contexto, "Paranoid", em especial, como um marco, não apenas pela qualidade mas muito pela representatividade num âmbito geral.
De ponto negativo tem a capa do álbum que é triste de se ver. Uma espécie de guerreiro ou sei lá o quê com uma roupa ridícula, um capacete de astronauta com uma espada luminosa parecendo jedi, pronto para o ataque. Péssimo
Mas... não se pode ter tudo.
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FAIXAS:
1. "War Pigs" 7:57
2. "Paranoid" 2:52
3. "Planet Caravan" 4:34
4. "Iron Man" 5:56
5. "Electric Funeral" 4:52
6. "Hand of Doom" 7:09
7. "Rat Salad" 2:30
8. "Fairies Wear Boots" 6:14

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Ouça:
Black Sabbath Paranoid


Cly Reis