sexta-feira, 28 de outubro de 2011
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Os Paralamas do Sucesso - "Selvagem?" (1986)
"Com o Selvagem a gente estava tentando nadar em cores nacionais.E ter um retorno tão forte pra gente significou,
'Uau! Que legal que tenhamos encontrado esse grau de sintonia' "
Herbert Vianna
Os Paralamas do Sucesso eram uma bandinha bem simpática, interessante, gostosa de ouvir. Faziam aquele seu popzinho com toques de new-wave, com influências evidentes de ska mas nada muito mais que isso. Tinham até feito coisas interessantes como "Óculos", "Meu Erro", "Ska" que garantiram seu sucesso comercial mas não convenciam totalmente. Isso até darem uma virada que foi decisiva para sua carreira e para definir enfim uma identidade musical, diferenciando-os no cenário do BR-Rock dos anos 80. Com "Selvagem?" de 1986, o trio Herbet, Bi e Barone incrementava seu pop-rock com coloridos latinos, tropicais, caribenhos, baianos, brasileiros, africanos, caprichava nas doses de reggae e calibrava o seu ska. O que se ouviu então foi um disco admirável cheio de ritmo, balanço, embalo e rock também, por quê não?
"Teerã", bem polítizada, volta seu olhar sobre o oriente-médio despejando uma letra crítica e preocupada apoiada numa linha de baixo marcante e forte; a divertida "Melô do Marinheiro" confirma a vocação da banda para o bom-humor com uma letra engraçadíssima sobre um marujo acidental num reggae cantado quase como rap; e ambas, Teerã e o Melô, são repetidas no próprio disco em versões dub bem interessantes e muito bem trabalhadas no estúdio.
A excelente "O Homem" é séria, reflexiva e tem seu som incrementado com alguns efeitos de teclado; "A Dama e o Vagabundo" cai naquela classificação das 'simpáticas', numa musiquinha legal mas que, com certeza, é a mais fraca do disco; "There's a Party" é ska puro e embalado; e a faixa-título, "Selvagem" é uma pedrada com letra agressiva e guitaras distorcidas transitando na margem entre o ska e o punk. Simplesmente selvagem!
Sem dúvida um dos 5 álbuns mais importantes dos anos 80 junto com o "Cabeça Dinossauro" , o "Dois" , o "Revoluções por Minuto" e o 'Nós Vamos Invadir sua Praia" e um dos mais importantes da música brasileira sendo extremamante influente para grande parte da geração pop rock brasileira dos início dos 90 para nomes como Skank, Cidade Negra, Jota Quest, o pessoal do Mangue Beat, e muitos outros.
A banda está na estrada este ano para a comemoração dos 25 anos do legendário álbum com apresntações tocando o disco na íntegra. A turnê passa aqui pelo Rio e a apresentação ocorre no Circo Voador neste sábado, dia 29 de outubro.
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FAIXAS:
1."Alagados" (Bi Ribeiro, João Barone, Herbert Vianna)
2."Teerã" (Bi Ribeiro, João Barone, Herbert Vianna)
3."A novidade" (Bi Ribeiro, João Barone, Gilberto Gil, Herbert Vianna)
4."Melô do marinheiro" (Bi Ribeiro, João Barone)
5."Marujo Dub" (Bi Ribeiro, João Barone)
6."Selvagem" (Bi Ribeiro, João Barone, Herbert Vianna)
7."A dama e o vagabundo" (Bi Ribeiro, Herbert Vianna)
8."There's a party" (Herbert Vianna)
9."O homem" (Bi Ribeiro, Herbert Vianna)
10."Você" (Tim Maia)
11."Teerã Dub" (Bi Ribeiro, João Barone, Herbert Vianna)
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Ouça:
Os Paralamas do Sucesso Selvagem?
Cly Reis
Caifanes - "El Nervio del Volcan" (1994)
“Que tristes seios tem Carmela;
o silicone lhe rompeu o coração.
E agora chora como Ernesto,
que se castrou por lhe faltar o amor”
Avientame - Saul Hernandez
“Rock Latino? Ah sim, Santana, Charly Garcia, Soda Stereo, Fito Paez, ah, tem também aquela banda mexicana” e eu fico esperando falarem Caifanes e dizem sempre “Maná”. Impressionante como desconhecemos a imensidão musical da América Latina em seu cenário roqueiro. Uma de suas bandas fundamentais e fundadoras é o caso dos Caifanes.
Banda que lançou seu primeiro disco chamado Caifanes em 1988, muito baseado na fase "Pornography" do The Cure (na temática, visual e na sonoridade, escutem “Será Por Eso”) este disco tem a cumbia mais vendida no mundo, “La Negra Tomasa”. Com seu segundo disco "El Diablito", de 1990, mostra uma banda muito mais coesa e em crescimento musical com grandes músicas como “El Negro Cósmico” e “Los Dioses Ocultos”.
Fazem mais um disco que comparando com o The Cure seria o "The Head on The Door", com vários hits, mas sem uma unidade conceitual, um fio condutor que os orientasse. “Nubes”, “Debajo de Tu Piel”, “No Dejes Que” e pelo menos outros 3 clássicos estão nesse disco. “Mas e porque tu não fala desse disco então ?”. Porque nem sempre o disco que tem mais hits é o melhor disco de uma banda.
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A formação que gravou o disco:
(da esq. para a dir.)
Alejandro, Alfonso e Saul
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Já na primeira faixa, “Afuera” com muita habilidade musical, abrem e apresentam a principal caracteristica desse disco: É um disco de guitarras. Mas não de solos intermináveis, e sim do diferente uso que uma guitarra pode ter em canções. Em seguida e um pouco mais acelerada, vêm “Miedo”, destaco nessa faixa a bateria metronômica de Alfonso André. “Aqui no es Asi” é o exemplo de uma música baseada em um solo de guitarra em looping que faz a base para a letra de Saul. Depois de 3 rocks, uma balada com violões, e percussão chamada “Ayer me Dijo un Ave”. Mais uma música e em seguida chegamos ao ápice instrumental e musical desta banda com a canção “Avientame”. Letra belíssima que vale a pena ser escutada e traduzida. Guitarra na medida certa, bateria com batida latina, mas sem aquela latinidade de turista. Logo depois vem “Animal”, com espírito de ensaio de estúdio, com direito a gritos de “vamosnos” e muita guitarra distorcida. Depois vem “Quisiera ser Alcohol” que tem uma das mais belas frases de Saul “Quisera ser álcool para evaporar-me em teu interior”. “Nunca me Cai” é uma das canções dos Caifanes que mais me emociona, talvez por ela ser simples com uma letra direta “pero no nunca me caí, nunca te arrastré, seguimos aquí”. Mais 2 músicas e termina o disco.
Porque esse disco é fundamental ? Porque mostra uma banda no seu melhor momento musical e criativo e apresenta uma síntese do que anteriormente era conhecido como “rock latino” e aponta caminhos que foram sendo acompanhados e inspiraram outros artistas muito além do segmento roqueiro. Todo mundo que lida com música na América de língua espanhola, seja artistas, produtores, radialistas os conhecem, respeitam e admiram .
Depois desse disco, gravaram um Unplugged para a MTV e quando iriam ser catapultados para o estrelato mundial, brigas por direitos pelo nome Caifanes e depois o câncer que obrigou Saul a fazer cerca de 40 cirurgias na garganta terminaram com os Caifanes. Saul recuperado funda os Jaguares com Alfonso Andre, gravam 6 discos, ganham o Grammy com o disco chamado 45 em 2009.
Em 2011, os Caifanes voltam a excursionar com sua formação original de 5 membros após cirurgia de retirada de tumor do cérebro de Marcovich e com Sabo Romo (baixista ) e Diego Herrera (tecladista) fazem com que o Festival Vive Latino e Coachella tenham seus ingressos esgotados em poucas horas. É a força do rock latino de qualidade. Vale muito a pena. Ah ia me esquecendo, Caifanes é o plural de Caifán, que segundo o Dicionário da Real Academia Espanhola é: Sujeito proeminente em um bairro de uma cidade.
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FAIXAS:
1. Afuera
2. Miedo
3. Aqui no es Asi
4. Ayer me Dijo un Ave
5. Hasta que Dejes de Respirar
6. Avientame
7. El Animal
8. Quisiera ser Alcohol
9. Pero nunca me Cai
10.El Año del Dragon
11.La Llorona
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Baixe e ouça:
Caifanes El Nervio del Volcan
por Christian Ordoque
Christian é Historiador. Apreciador de cultura pop e seus produtos. Interessado em música, quadrinhos, filmes, miniaturas e action-figures.
É Ghost-Writer do Blog do Apinha
e colabora no Blog do Jotacê.
Nascido e residente em Porto Alegre.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
cotidianas #112 - "Poema em Linha Reta"
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
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"Poema em Linha Reta"
Álvaro de Campos*
(*heterônimo de Fernando Pessoa)
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