quarta-feira, 18 de abril de 2012
terça-feira, 17 de abril de 2012
cotidianas #154 - As Cinco Marias
As Cinco Marias
Mal acendeu o cigarro e já teve que apagá-lo. Ela havia chegado. Guto saíra direto da academia e agora a esperava no banco do volante em frente à loja em que Lúcia trabalhava, no Jardins, já um pouco impaciente com o atraso. Mas tudo bem: mulheres sempre se atrasam e, além do mais, seria naquela noite que “cometeria o crime”, que traçaria mais uma, e desta vez era Lúcia: loira, gostosa, boca carnuda, coxas torneadas. A sobrancelha não era das mais bonitas, meio serrilhada demais, e o nariz podia ser menos fino. Mas esses defeitos passavam. Embora não tivesse a estatura de modelo, pelo menos não era baixinha. Prospecto antigo; valia a pena. Carne boa.
Abriu por dentro a porta para ela com o gestual galanteador de roceiro que seduz o gado em direção ao abate, e o gado vai. Aliás, não à toa seu apartamento na Haddock Lobo era conhecido na sua roda de amigos como “O matadouro”. Por ali passavam mulheres toda semana, às vezes de quarta a domingo ininterruptamente. Incontáveis para qualquer outro ser humano, mas que Guto sabia na ponta do lápis. Uma média anual de praticamente uma e meia a cada dois dias. Embora achasse que podia melhorar, considerava boa a própria estatística. Orgulhava-se.
Porém deste montante algumas poucas espécimes se destacavam, vinham-lhe seguidamente à mente e, por algum motivo que desentendia, eram justamente os casos em que saíra, digamos, incomodado. Não raro lembrava-se de Júlia, Lea, Tatiana, Walkíria e Maria Clara. Esta, por ter sido a última das cinco, foi a que lhe fez tomar a decisão de nunca mais levar mulher em consideração. Foi a que lhe motivou uma das poucas certezas as quais conseguiu chegar nesses 29 anos de carros importados, baladas e faculdades inconclusas pagas: amor é para os fracos. Bem que diziam seu pai e seu avô, todos de nome Antônio Augusto, todos de sobrenome Albuquerque, todos sabedores desta máxima que ele também passou a partilhar. Maria Clara, assim, representava de certa forma ela e as outras quatro, aquelas que ele não conseguira prender e que, por falso despeito, chamava ironicamente de “falecidas marias”. O epíteto bíblico serviu não só às cinco, mas a todas as outras cujo nome não importava até o momento em que já podia deixar de gravá-lo. Funcionava assim: levou pra cama, virou maria. Os amigos, orgulhosos, sabiam: “Vai mais uma hoje, Guto? Qual o nome da maria de hoje?”. E riam.
Chegaram ao motel. O clima de brincadeira das preliminares lhe aborreciam profundamente, ainda mais quando fazia com que se lembrasse de umas coisas chatas da infância, e que, curiosamente, envolvia o bendito nome da mãe de Jesus de novo. Quando as meninas do condomínio brincavam, ele, tímido, franzino, a quem não se dava nada, até brincava quando elas o aceitavam na roda. Não raro dividia com elas as bonecas, e gostava. Mas quando inventavam de jogar as cinco marias, com aqueles saquinhos rendadinhos e meigos, Guto se afligia, pois, embora achasse bonito, não entendia a lógica da brincadeira. As meninas diziam, troçando-o, de que era facílimo se entender. Mas não lhe entrava na cabaça. Não havia explicação que adiantasse. E isso o constrangia sobremaneira. Diminuía-o.
Então, hoje, pensa: “nada de brincar. Vâmo pro que interessa! Fuc-fuc, coisinha, ferro na boneca!”, dizia nesta sequência corriqueiramente, fazendo o gesto de bater com as costas de uma mão na palma da outra. Foi assim com mais uma maria naquele início de noite, desta vez uma maria chamada Lúcia, a loira gostosa e pouco alta, de boca carnuda, coxas torneadas, sobrancelha serrilhada, etc. Foi lá: meteu, exercitou o tanquinho, exibiu a musculatura, ouviu gemidos de prazer, esporreou, recostou-se. Não sabia se ela tinha gozado também. O mais importante tinha cumprido: riscara mais uma maria aquele dia. Já podia esquecer que seu nome de verdade era Lúcia.
Ficou deitado com uma expressão triste e sem dizer nada. Beiço de criança desapontada. Arrumando os cabelos, ela, ainda ofegante (talvez por causa daquele provável orgasmo que ele, desinteressado, nem notara) olhou-o com curiosidade, mas também calada. Cada vez mais deprimido, Guto fixava os olhos úmidos no pé da cama, sentindo-se esquartejado. Estranho, mas seguido batia-lhe isso depois do sexo... Até que, de repente, seus olhos saltaram e seu rosto se iluminou. Soltou um sorriso surpreso e bobo de tão infantil. Finalmente apareceram! Nuas, brancas como gesso, as falecidas marias se embolavam umas sobre as outras num espaço mínimo entre os pés do casal e o fim do colchão. Era difícil entender como se equilibravam e cabiam naqueles centímetros, mas pareciam muito à vontade, como se tivessem brotado dali mesmo. Com os olhos vidrados em Guto, cada uma trazia um pedaço sobre os braços cruzados junto ao colo em forma de berço. Júlia, com um globo ocular; Lea, acomodava quatro dedos do pé esquerdo; Tatiana, sempre romântica, equilibrava o intestino grosso detalhadamente enrolado; Walkíria, a wagneriana, não haveria de carregar outra coisa se não a língua; e Maria Clara, sem dó como de costume, o pulmão direito. Olhando-o sem piscar, as falecidas lançavam um confortador sorriso maternal e cadavericamente doce para Guto, que se sentiu inteiro de novo.
Acendeu o cigarro. Já retomado seu olhar vitorioso sobre a natureza feminina característica da linhagem dos de Albuquerque, virou-se com boca de nojo pra ela e, sem pronunciar uma palavra sequer, disse só com a cabeça apontando para a porta: “Cai fora, vadia!”
Portishead - "Dummy" (1994)
MÚSICA DE PLÁSTICO
Tenho que admitir que me pareceu estranho num primeiro momento.
Aquilo parecia sem vida.
Na época eu lembro de ter definido aquilo como música de plástico. Era como se só a voz ali tivesse algum sinal humano. O resto era artificial, eletrônico, duro, sintético.
Aos poucos fui derrubando minha barreira criada nas primeiras audições e, além de entendendo melhor a música do Portishead, acabei sentindo-a melhor também. Ela tinha um elemento que me agradava muito, cria dos 80 como sou, que era aquela melancolia e escuridão do som dos góticos e similares; a voz da vocalista, Beth Gibbons, então, era na maioria das vezes pura dor e angústia, mas demorei um pouco para assimilar a transposição daquele tipo de som que eu curtia para os novos tempos que se apresentavam ali na metade dos anos 90. No fim das contas, provavelmente os elementos que eu mais relutara em aceitar, inicialmente, eram os que mais davam mérito ao som quase que único do trio de Bristol: as batidas secas, as programações, os scratches, os samples. Costuma-se definir o Portishead como uma banda de trip-hop mas, tão amplo de influências, referências e criatividade, considero hoje, já apaixonado por seu trabalho, limitado enquadrá-los apenas neste gênero.
"Dummy" seu álbum de estreia vai do jazz ao country, passando por funk, trilhas de filmes, tango, soul, hip-hop com naturalidade, sempre com samples inteligentes e criativos utilizados em colagens espertíssimas.
"Mysterons", a primeira do disco e a música que me fez começar a gostar de Portishead, apresenta-nos uma base fantasmagórica conduzida sobre uma percussão eletrônica à militar e um vocal levado entre a doçura e a angústia; um arpejado em linhas de tango abrem a boa "Sour Times" que traz um pouco mais de ritmo, mas não abre mão do pessimismo (" 'cos nobody loves me..."); em "Strangers" Geoff Barrow apronta com uma genial repetição que lembra um telefone ocupado, acompanhado por uma guitarra bem distorcida; e o hip-hop chique "It Could be Sweet" pega mais leve e até poderia ser doce se não fosse sua letra amarga.
Scratches enlouquecidos, o vocal bem agudo e a batida 'de lata' marcam "Numb", uma das músicas responsáveis pela projetação da banda; um órgão quase monocórdio caracteriza "Wandering Stars"; "It's a Fire" é uma balada melancólica de vocal dolorido; "Roads" que parece estar ressoando o tempo inteiro é uma das que soa mais tristes do álbum e Beth Gibbons chega a parecer estar a ponto de se desfazer em lágrimas chegando ao final com o vocal rouco quase se desintegrando; "Pedestal" introduzida com um batidão alto e pesado, é bem jazz e traz uma linha de baixo sampleada bacanérrima, nesta com a voz soando mais mecânica que nas demais; e "Biscuit", com seu ar misterioso e repleto de dramaticidade, tem destaque para os trabalhos de samples, um de orquestra que permeia praticamente a música toda, e um de vocal ("I'll never fall in love again") que compõe e se integra à canção de uma maneira magnífica.
O disco encerra-se com a ótima "Glory Box", composta a partir do sample da música "Ike's Rap II" de Isaac Hayes, que depois de todos os clamores suplicantes de Beth Gibbons, de um solo estridente e melancólico de guitarra de Adrian Utley, é finalizada com uma batida grave e estrondosa como que imitando um coração batendo.
É, eu estava errado. Aquilo não era música de plástico.
Ali havia vida.
Ali existia um coração batendo.
*********************************************
FAIXAS:
1."Mysterons" – 5:02
2."Sour Times" – 4:11
3."Strangers" – 3:55
4."It Could Be Sweet" – 4:16
5."Wandering Star" – 4:51
6."It's a Fire" – 3:48
7."Numb" – 3:54
8."Roads" – 5:02
9."Pedestal" – 3:39
10."Biscuit" – 5:01
11."Glory Box" – 5:06
*******************************************
Ouça:
Portishead Dummy
"Porque ninguém me ama, é verdade.
Não como você"
trecho de 'Sour Times'
Tenho que admitir que me pareceu estranho num primeiro momento.
Aquilo parecia sem vida.
Na época eu lembro de ter definido aquilo como música de plástico. Era como se só a voz ali tivesse algum sinal humano. O resto era artificial, eletrônico, duro, sintético.
Aos poucos fui derrubando minha barreira criada nas primeiras audições e, além de entendendo melhor a música do Portishead, acabei sentindo-a melhor também. Ela tinha um elemento que me agradava muito, cria dos 80 como sou, que era aquela melancolia e escuridão do som dos góticos e similares; a voz da vocalista, Beth Gibbons, então, era na maioria das vezes pura dor e angústia, mas demorei um pouco para assimilar a transposição daquele tipo de som que eu curtia para os novos tempos que se apresentavam ali na metade dos anos 90. No fim das contas, provavelmente os elementos que eu mais relutara em aceitar, inicialmente, eram os que mais davam mérito ao som quase que único do trio de Bristol: as batidas secas, as programações, os scratches, os samples. Costuma-se definir o Portishead como uma banda de trip-hop mas, tão amplo de influências, referências e criatividade, considero hoje, já apaixonado por seu trabalho, limitado enquadrá-los apenas neste gênero.
"Dummy" seu álbum de estreia vai do jazz ao country, passando por funk, trilhas de filmes, tango, soul, hip-hop com naturalidade, sempre com samples inteligentes e criativos utilizados em colagens espertíssimas.
"Mysterons", a primeira do disco e a música que me fez começar a gostar de Portishead, apresenta-nos uma base fantasmagórica conduzida sobre uma percussão eletrônica à militar e um vocal levado entre a doçura e a angústia; um arpejado em linhas de tango abrem a boa "Sour Times" que traz um pouco mais de ritmo, mas não abre mão do pessimismo (" 'cos nobody loves me..."); em "Strangers" Geoff Barrow apronta com uma genial repetição que lembra um telefone ocupado, acompanhado por uma guitarra bem distorcida; e o hip-hop chique "It Could be Sweet" pega mais leve e até poderia ser doce se não fosse sua letra amarga.
Scratches enlouquecidos, o vocal bem agudo e a batida 'de lata' marcam "Numb", uma das músicas responsáveis pela projetação da banda; um órgão quase monocórdio caracteriza "Wandering Stars"; "It's a Fire" é uma balada melancólica de vocal dolorido; "Roads" que parece estar ressoando o tempo inteiro é uma das que soa mais tristes do álbum e Beth Gibbons chega a parecer estar a ponto de se desfazer em lágrimas chegando ao final com o vocal rouco quase se desintegrando; "Pedestal" introduzida com um batidão alto e pesado, é bem jazz e traz uma linha de baixo sampleada bacanérrima, nesta com a voz soando mais mecânica que nas demais; e "Biscuit", com seu ar misterioso e repleto de dramaticidade, tem destaque para os trabalhos de samples, um de orquestra que permeia praticamente a música toda, e um de vocal ("I'll never fall in love again") que compõe e se integra à canção de uma maneira magnífica.
O disco encerra-se com a ótima "Glory Box", composta a partir do sample da música "Ike's Rap II" de Isaac Hayes, que depois de todos os clamores suplicantes de Beth Gibbons, de um solo estridente e melancólico de guitarra de Adrian Utley, é finalizada com uma batida grave e estrondosa como que imitando um coração batendo.
É, eu estava errado. Aquilo não era música de plástico.
Ali havia vida.
Ali existia um coração batendo.
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FAIXAS:
1."Mysterons" – 5:02
2."Sour Times" – 4:11
3."Strangers" – 3:55
4."It Could Be Sweet" – 4:16
5."Wandering Star" – 4:51
6."It's a Fire" – 3:48
7."Numb" – 3:54
8."Roads" – 5:02
9."Pedestal" – 3:39
10."Biscuit" – 5:01
11."Glory Box" – 5:06
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Ouça:
Portishead Dummy
Cly Reis
sábado, 14 de abril de 2012
cotidianas #153 - Jesualda
JESUALDA
(Jorge Ben)
Jesualda parou com o morro
Pois ela estava no alto
Mas não estava por cima
Moça simpática prendada ano ginasial completo
Toda certinha ainda donzela
Prá ninguém botar defeito
Cheia de afeto
Desceu pra ver de perto o asfalto quente
Sentir a brisa e a água salgada do mar
Molhando seu corpo delgado
Procurou um emprego e achou
Foi trabalhar num duplex na zona sul
De cozinheira de forno e fogão
La, la, la, la, la, la, la, la, la
La, la, la, la, la, la, la, la, la
Na flor da idade
Tão pura tão linda tão meiga
No ponto do ônibus
Num domingo à tarde
Sua felicidade pintou
Pois um moço simpático
Que ia no seu carro meio apressado
Com bandeira e tudo
Com bandeira e tudo ao Maracanã
No que olhou pro lado, parou
Saltou levou um papo
E a linda simpática donzela ele amarrou
Hoje Jesualda é feliz
Casou de véu e grinalda
E agora espera baby
Espera baby no exterior
Espera baby no exterior
Salve simpatia
(Jorge Ben)
Jesualda parou com o morro
Pois ela estava no alto
Mas não estava por cima
Moça simpática prendada ano ginasial completo
Toda certinha ainda donzela
Prá ninguém botar defeito
Cheia de afeto
Desceu pra ver de perto o asfalto quente
Sentir a brisa e a água salgada do mar
Molhando seu corpo delgado
Procurou um emprego e achou
Foi trabalhar num duplex na zona sul
De cozinheira de forno e fogão
La, la, la, la, la, la, la, la, la
La, la, la, la, la, la, la, la, la
Na flor da idade
Tão pura tão linda tão meiga
No ponto do ônibus
Num domingo à tarde
Sua felicidade pintou
Pois um moço simpático
Que ia no seu carro meio apressado
Com bandeira e tudo
Com bandeira e tudo ao Maracanã
No que olhou pro lado, parou
Saltou levou um papo
E a linda simpática donzela ele amarrou
Hoje Jesualda é feliz
Casou de véu e grinalda
E agora espera baby
Espera baby no exterior
Espera baby no exterior
Salve simpatia
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Ouça:Jorge Ben - "Jesualda"
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Os Causo de dois Morro - O maior estádio do mundo
Pelo que nóis andô sabendo aqui em Dois Morro vai tê Copa do Mundo no Brasir. Eu sube que tão recauchutando uns campo de futebor por aí. Hmm...
Minerão, Ponte Nova, Maracanão... Faço pôco!!!
Estádio mesmo é o Municipar.
Pôca gente sabe mas Dois Morro tem o maior estádio do mundo. Todo mundo fala de Maracanhã, Uêmbli... Tudo fichinha perto do Estádio Municipar de Dois Morro "Epaminonda Nepomuceno Neto”, que nóis chama só de Municipar, mesmo.
No Municipar? Ah, cabe mais ou mens uns trêis Macarranã drento. Coisa linda dissivê.
E muito antes de se inventá essas coisa de arena murtiuso nóis já usava o Municipar pra gineteada, feira gropecuária, exposição de profiteróle, fandangada, matadôro, moter e ôtras cozas más.
O inauguramento do Municipar deu-se em 1886 num amistoso entre Doismorrense contra os Amigos do Arlindo Cachaça. O púbrico totar deu de mais de 500.000 pessôa. Ganhemo de 5x1: dois do Zuninga, um do Xinapre, um do juiz, um do bandeirinha, um do maqueiro, um do Beijoqueiro e um do gandula; o golo deles foi contra do nosso beque, o Morrão, que tava bêbado.
Cês acho que o Bombonera é calderão? É porque cês num conhecero o municipar. Procês tê uma ideia, o alambrado era tão perto do campo que o torcedor ali na ponta, perto da cerca é que batia o escanteio. As mulhé passavo as mão nas perna dos jogador que elas achavo bonito. Ééééé! Pressão totar!
Durante muitos ano o Doismorrense mandô seus jogo lá. Foi Dezacampeão nacionar, Tri da Conquistadores da Mérica (não por ter ganhado trêis vêiz, porque na vardade nóis ganhemo 6 título, mas a gente dizia que era tricampeão porque o time era tri bom) e 5 vêiz campeão mundiar. Depois nóis cansemo de tanto ganhá e encerramo o futebor profissionar. Hojendia o Municipar tá lá. Bandonado. Jogado às traça. Curpa da diministração incompetente do novo Perfeito, o Dr. Emiliano Vendelino. Ladrão, safado, senvergonho.
Com um poquinho de esforço e se não robasse tanto, podia tê levado a Copa pra Dois Morro. Era só dá uma ajeitadinha no Municipar e ele tava novo em folha.
Mas há de se fazê o quê?
Mas que era um tempo bão aquele que a gente ia no Municipar pra vê o Doismorrense jogá, isso era. Ia as família pro estádio, ia a piazada, ia os boi, ia os porfiteróle, os muffin. E o espetáclo era garantido: os craque do Doismorrense não decepcionava a gente. Sempre tinha no mínimo uns 3 jogador do adeversário com a perna quebrada. Aquilo é que era futebor bonito.
Ah, tempo bão.
Minerão, Ponte Nova, Maracanão... Faço pôco!!!
Estádio mesmo é o Municipar.
Pôca gente sabe mas Dois Morro tem o maior estádio do mundo. Todo mundo fala de Maracanhã, Uêmbli... Tudo fichinha perto do Estádio Municipar de Dois Morro "Epaminonda Nepomuceno Neto”, que nóis chama só de Municipar, mesmo.
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O Municipar de Dois Morro meio mal conservado |
E muito antes de se inventá essas coisa de arena murtiuso nóis já usava o Municipar pra gineteada, feira gropecuária, exposição de profiteróle, fandangada, matadôro, moter e ôtras cozas más.
O inauguramento do Municipar deu-se em 1886 num amistoso entre Doismorrense contra os Amigos do Arlindo Cachaça. O púbrico totar deu de mais de 500.000 pessôa. Ganhemo de 5x1: dois do Zuninga, um do Xinapre, um do juiz, um do bandeirinha, um do maqueiro, um do Beijoqueiro e um do gandula; o golo deles foi contra do nosso beque, o Morrão, que tava bêbado.
Cês acho que o Bombonera é calderão? É porque cês num conhecero o municipar. Procês tê uma ideia, o alambrado era tão perto do campo que o torcedor ali na ponta, perto da cerca é que batia o escanteio. As mulhé passavo as mão nas perna dos jogador que elas achavo bonito. Ééééé! Pressão totar!
Durante muitos ano o Doismorrense mandô seus jogo lá. Foi Dezacampeão nacionar, Tri da Conquistadores da Mérica (não por ter ganhado trêis vêiz, porque na vardade nóis ganhemo 6 título, mas a gente dizia que era tricampeão porque o time era tri bom) e 5 vêiz campeão mundiar. Depois nóis cansemo de tanto ganhá e encerramo o futebor profissionar. Hojendia o Municipar tá lá. Bandonado. Jogado às traça. Curpa da diministração incompetente do novo Perfeito, o Dr. Emiliano Vendelino. Ladrão, safado, senvergonho.
Com um poquinho de esforço e se não robasse tanto, podia tê levado a Copa pra Dois Morro. Era só dá uma ajeitadinha no Municipar e ele tava novo em folha.
Mas há de se fazê o quê?
Mas que era um tempo bão aquele que a gente ia no Municipar pra vê o Doismorrense jogá, isso era. Ia as família pro estádio, ia a piazada, ia os boi, ia os porfiteróle, os muffin. E o espetáclo era garantido: os craque do Doismorrense não decepcionava a gente. Sempre tinha no mínimo uns 3 jogador do adeversário com a perna quebrada. Aquilo é que era futebor bonito.
Ah, tempo bão.
postado por Chico Lorotta
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