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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Jazz in London - The Telegraph Pub com a Buckingham Band (14/05/09)



Ainda nessa onda de passeio pela Europa e na onda do jazz, estive na minha última noite em Londres num pub muito simpático e um tanto atípico dada sua característica um pouco mais americana. Em um lugar meio afastado, no final de Putney High, indo para Wimbledon, num lugar rondado por raposas (verdade), uma casa com motivos lembrando o country, posters de jazz e blues e nas quintas-feiras à noite showzinho com o grupo de jazz funk Buckingham Band.
Bom o som. Os caras bem competentes. Tirei foto com a banda, encontrei um colorado em Londres e no fim ganhamos um CD dos caras por termos colaborado minimamente com umas moedas que eu não queria mais porque não ia poder usar na França.
Ouvi e no fim das contas, eles são melhores ao vivo. O CD é meio devagar. Como sei que não vou voltar a ouvir tão cedo e ficaria quase parado lá em casa, mandei o CD pra Porto Alegre, pro meu irmão que é mais apreciador do gênero do que eu.
Noite agradabilíssima na minha despedida de Londres.
Curtindo com a banda.
Encontrei até um colorado em Londres.
Eu e Rosana no simpático Telegraph.

Cly Reis

"Arraste-me para o Inferno" de Sam Raimi (2009)




Fui conferir o novo Sam Raimi no cinema, semana passada. O diretor hoje já consagrado por conta da franquia milionária “Homem-Aranha”, volta ao gênero que o lançou com o cult-movie “Evil Dead”, um clássico de fundo de quintal (literalmente, pois o filme foi filmado no sítio de um amigo) que mostrava um terror pesado e assustador ao mesmo tempo recheado com boas doses de humor.
O legal é exatamente esta volta à origem. Sam Raimi é um cara qualificado para a coisa e atuando no seu metiê realmente mostra como é que se faz. E curiosamente, mesmo hoje tendo o respaldo das produtoras e muito mais dinheiro pra fazer filme do que na época de “Evil Dead”, Raimi não apela constantemente e abusadamente dos efeitos especiais e de tecnologias avançadas. Muitas vezes até é meio cru e (propositalmente) primário.
A história em si é interessante mas como ele quer dar um tom engraçado, não se apega muito às verossimilhanças e algumas situações que poderiam ser encaradas como “acontecíveis” ficam totalmente mentirosas e inaceitáveis. Mas no caso de Sam Raimi sabemos que faz parte da idéia e o conceito acaba reproduzindo alguma coisa da seqüência “Evil Dead”, principalmente do 3° da série, o pior, mas o mais divertido.
O papo todo é que uma garota ambiciosa em subir de cargo, para provar que pode dar lucro ao banco que trabalha, nega uma prorrogação de prazo para uma velhinha que vai ser despejada. Só que mal sabe ela que a velha é uma bruxa e que se sentindo humilhada pela situação no banco, joga uma maldição pesada pra cima da garota. A velha morre logo em seguida e não tem mais como tirar a maldição, a não ser por tentativas de magia negra e outros recursos que a menina, atormentada por ataques invisíveis, sombras e alucinações, vai fazendo ajudada por um vidente que reconhece a entidade para quem foi oferecida a maldição da velha. O final (que eu não vou contar) é até previsível mas é legal por conta da dúvida que causa no espectador.
Bonzinho, no fim das contas, mas não é tuuuudo isso, não. Bom mesmo foi ver que Sam Raimi voltou a causar terror.


Cly Reis

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

cotidianas #83 - Amor Incondicional





O pai estava nervosíssimo na sala de espera da maternidade. andava pra lá, pra cá e nada do medico vir dizer "é menino" ou "é uma linda menina". Nada!
E aí que aparece o médico. Com uma cara não muito boa. Meio desolado.
-O senhor é o pai?
- Sim, sim. Sou eu! É menino ou menina?
- Antes de mais nada eu queria lhe dizer que seu filho nasceu com uma deficiência. Ele não é perfeito...
O pai interrompeu e disse:
-Não me interessa. É meu filho. Vou amá-lo de qualquer maneira.
- É bom que o senhor esteja sendo assim forte, positivo, porque seu filho nasceu sem os braços.
O pai que sempre sonhara com aquela criança, diz "Não importa. É meu filho e eu o amo. Posso vê-lo agora?"
O medico encorajado pelo amor do pai, se sente mais tranquilo para continuar:
- Que bom que o senhor é corajoso assim. Vai ser importante porque não era somente isso. Seu filho também não tem as pernas.
O pai meio que se entristece mas segue na sua determinação: "Amo minha criança de qualquer jeito. Deixe-me vê-la."
-Vejo que o sr. ama este bebê incondicionalmente e isto me faz poder lhe contar a verdade: ela também não tem o tronco.
Agora ele se abala. Pensa, respira fundo, enche os olhos de lágimas e novamente reafirma:
-Não importa. Nada importa. É meu filho e vou lhe dar todo meu amor independente de qualquer coisa.
E o médico, então:
- É admirável sua coragem, mas tenho que lhe dizer mais uma coisa... Não, não... O senhor está sendo um heroi, tão amoroso, que é melhor que o senhor mesmo veja.
O homem acompanha o medico, eles entram juntos na sala de parto onde a mãe ainda está segurando o filho.
O pai se aproxima e vê no colo da mãe apenas uma orelha. Fica estarrecido mas logo se recupera e despeja todo seu amor.
-Meu filho! Meu filho querido!
Ao que o medico interrompe e diz:
-Senhor, só vai ter que falar mais alto porque ele é surdo.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

cotidianas #4 - Ô, Alexandre!

A minha pequena seção chamada Cotidianas foi inventada para contar historietas de situações normais nas nossas vidas, do nosso dia-a-dia, algumas coisas podem ser baseadas em situações reais ocorridas comigo, outras contadas por um amigo, outras meramente criadas. Também pode se prestar, como no último número a receber um poema, como o "Poema tirado de uma notícia de jornal" ou letras de música, cenas de filme, etc. Mas desta vez utilizo a Cotidianas para transcrever uma cena ocorrida ontem à noite na minha rua, que acabou por se tornar engraçada.

Eram umas onze e meia da noite e eu já ia dormir. E por certo àquela hora tinha muita gente já dormindo.
embaixo, na rua, ouviam-se uns gritos de vez em quando. A princípio meio ininteligíveis. E não dei importância para o que poderia ser. (Sempre tem barulhos na rua, música alta, buzinas de carro, sirenes, alarmes e gritos também). Podia ser qualquer coisa: um torcedor gritando pelo seu time, mais um assalto na cidade, um bêbado. Quem liga! Quem dá bola para gritos à noite nas cidades hoje em dia?
Mas a coisa foi ficando insistente e chamou atenção. Aí tentei ouvir o que dizia o grito...
"Alexaaaandre. Ô, Alexaandre."
E continuava, continuava...
Começou a incomodar.
E aquela voz meio que de velha bêbada continuava: "Alexaaandre. Ô, Alexandre."
Até que silenciou por alguns minutos. Presumo que repreendida por um porteiro, morador de um prédio ou o que fosse, resolvera-se por ir-se embora e deixar o Alexandre dormir.
Acertei: resolvera ir embora. Mas o problema era que o Alexandre que ia ter que pagar o táxi. E então ela recomeçou:
"Alexaaaandre. Ô, Alexandre. Vem pagar o táááxi!"
"Alexaaaandre!"
A essas alturas imagino que não houvesse alguém na vizinhança imediata que não estivesse incomodado.
"Alexaaaandre", fazia a voz ébria feminina esganiçada.
"Alexaaandre, vem pagar o táxi!"
"Alexandre..."
Lá pelas tantas "Alexandre, meu amor!"
E seguia "Alexaaaandre".
Até que alguém perdeu a paciência de vez, foi pra janela e ajudou na reivindicação da chata:
"Alexandre, atende essa mulher de uma vez!", gritou um lá de uma janela.
Eu estava com tanto sono que nem sei se a namorado do Alexandre parou de gritar.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Cotidianas #3 - "Poema tirado de uma notícia de jornal"


João gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia
num barracão sem número.
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.


"Poema tirado de uma notícia de jornal"
Manuel Bandeira