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segunda-feira, 11 de julho de 2011

O Frango Atirador (Atirador???)

Reestabelecendo a verdade histórica 4

cotidianas #90 - "Rotina"


Amanheceu eu já acordei
Eu escovo os meus dentes
Eu estou OK.
Água fria no meio da cara
Corta o bode e você não para
Na rua eu compro um jornal
Dou uma olhada quando fecha o sinal
Impostos, taxas, um horror
Morreu o candidato a governador
E pra você
O que?
Não, não pare
O que ?

"Cidade", Souza, Aldir Mendes de
(óleo sobre tela)
Trabalho sempre com decência
Pra melhorar a minha aparência
Aperta o nó da minha gravata
Mas eu estou chegando na hora exata
Odeio relógio de ponto
As paranóias depois eu conto
Alô, Senhor!
Muito bom dia!
Desde ontem a gente não se via.
E pra você
O que?
Não, não pare
O que ?

Agora pode descansar
Tem uma hora para almoçar
É melhor um café lá da esquina
Do que a comida desta cantina
A tarde passa devagar
Aqui na cela do oitavo andar
Todos com cara de doente
Quando termina o expediente
E pra você
O que?
Não, não pare
O que ?

O que nós temos pra diversão
Guardas, freiras, mendigos no chão
Não deu certo peça divórcio
Ou compre um carro pelo consórcio
Meter a mão no dinheiro é crime
Quando não se joga no outro time
Trabalhe sempre como um jumento
Mês que vem talvez saia aumento
E pra você
O que?
Não, não pare
O que ?

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"Rotina"
(Hummel, Mullen, Nova)

Ouça:

domingo, 10 de julho de 2011

Derek and the Dominos - "Layla and Other Assorted Love Songs" (1970)


Uma grande paixão de Clapton: um grande clássico


"Layla,
você me pôs de joelhos,
Layla"


O nome deste disco "Layla and Other Assorted Love Songs" , do Derek and The Dominos, mostra que a música-chave “Layla” é o indicativo da sua importância para esta obra. Uma mulher foi a responsável para que este registro felizmente fosse lançado: a modelo Pattie Boyd. Essa é a famosa história da paixão de Eric Clapton - que iniciou os Dominos em 1970 - pela esposa de um dos seus maiores amigos, George Harrison. Nessa época, o bluesman britânico estava exagerando nas drogas e nas bebidas. Isso aliado a esta grande decepção amorosa não-correspondida. O álbum foi totalmente dedicado a ela.
Essa obsessão por Pattie fez com que Clapton colocasse muito coração, alma e talento neste disco. No final dos anos 1960, a recém havia saído do Blind Faith, um supergrupo formado depois do término do Cream. E pasmem, após esse fato, o já então “Deus da Guitarra” foi ser músico de apoio da banda Delaney, Bonnie and Friends.
Enquanto tocava no grupo de Delaney Bramlett, Clapton foi produzido pelo próprio e gravou seu primeiro álbum solo, com título homônimo. Até então, ainda começava a soltar mais a sua voz, como também nas composições de letras. No Cream, suas participações nos vocais ainda eram tímidas.
Após o fim da Delaney, Bonnie and Friends, Clapton recrutou os mesmos músicos que faziam parte da banda. O entrosamento já estava “na ponta dos cascos”. Dessa forma que Bobby Whitlock (piano e teclados), Jim Gordon (bateria) e Carl Radle (baixo) formaram o Dominos, com apenas um disco. Também há de se destacar a ilustre participação do guitarrista Duane Allman, da The Allman Brothers Band.
Sobre os músicos, o pianista Bobby Whitlock apresenta uma grande voz, como se fosse um cantor negro vindo direto do Mississipi. Mas, se for ver em fotos e vídeos, é apenas um baixinho com feições indígenas. Whitlock divide muito bem os vocais em algumas canções, além de contribuir nas composições. Já na “cozinha do grupo”, Gordon e Radle pulsam numa sincronia só. Na autobiografia de Clapton, são qualificados por ele como um dos melhores músicos com quem já tocou.
A origem do nome da banda é curiosa e inusitada. Era para ter sido Del And The Dominos, pois Del era um dos apelidos de Clapton, também conhecido como Slowhand. Mas, na primeira apresentação, o locutor pronunciou em alto e bom tom como Derek And The Dominos. Dessa forma, o nome acabou emplacando.
Quanto às músicas, como na maioria das canções de blues, o sofrimento é a marca desse registro. As dores relacionadas ao amor platônico de Clapton lhe permitiram escrever letras inspiradas e, de certa forma, nostálgicas e desesperadas. Um exemplo é o trecho de “Bell Bottom Blues”, uma das grandes baladas deste disco. “Do you want to see me crawl across the floor to you? Do you want to hear me beg you to take me back?” (Você quer me ver rastejando pelo chão por você? Você quer me ouvir implorando pra você me aceitar de volta?). Realmente, estava cegamente apaixonado por Pattie. O que, anos mais tarde, conseguiria conquistá-la e se casar. Porém, como nem tudo são flores, acabou se divorciando da sua ex-amada.
A acústica “I Am Yours” poderia ser colocada perfeitamente no Acústico MTV de Clapton, que foi lançado após mais de 20 anos deste disco do Dominos e soaria igualmente contemporâneo. Nessa música não poderia ser diferente, mais frases de nostalgia: “However distant you may be, there blows no wind but wafts your scent to me” (Por mais distante que você possa estar, nenhum vento sopra, mas traz seu perfume até mim).
Por ser um disco sobre paixão não-correspondida, isso não significa que sejam músicas românticas ou para baixo. “Anyday” é uma delas, a qual o tecladista Bobby Whitlock mostra seu vozeirão. Já em “Keep On Growing”, a levada musical é bem swingada entre guitarra e baixo, dando mais “agito” ao disco. Em ritmo quase de rock, destaques para “Tell the Truth” e, logo na sequência, “Why Does Love Got To Be So Sad?”, com sonoridade pulsante e solos de guitarra no melhor estilo do Slowhand.
O álbum possui ótimas versões do blues como “Key To The Highway” - outra excelente balada -, “It's Too Late” - uma letra que alinha bem o sofrimento de não ter a “Misses Boyd” por perto - e “Little Wing”, de Jimi Hendrix - que faz lembrar a sonoridade dos tempos do Cream.
Para fechar os comentários, vem ela, Pattie, ou melhor, “Layla”. A origem da composição vem da lenda de Laila e Majnun do poeta persa Nizami, no século XII. A história é a saga de dois jovens e um amor proibido. Esta música, um grande hit e confundida como da carreira solo de Clapton, foi a “garota dos olhos” para concepção destas outras canções de amor. O interessante é que, na segunda parte de “Layla” (a instrumental), Whitlock toca o piano de forma melancólica, parecendo ter captado o sentimento de esperança e agonia que Clapton tinha por sua amada.
Em resumo da ópera, é um disco de se apaixonar, como se fosse por uma encantadora modelo loira de olhos azuis. E, muito provável, você não vai parar de desejar e pensar nela, nesta obra musical. Literalmente “you've got me on my knees”, como é referido em “Layla”.

FAIXAS:
"I Looked Away" (Clapton, Whitlock) – 3:05
"Bell Bottom Blues" (Clapton) – 5:02
"Keep On Growing" (Clapton, Whitlock) – 6:21
"Nobody Knows You When You're Down And Out" (Cox) – 4:57
"I Am Yours" (Clapton, Nezami) – 3:34
"Anyday" (Clapton, Whitlock) – 6:35
"Key To The Highway" (Segar, Broonzy) – 9:40
"Tell the Truth" (Clapton, Whitlock) – 6:39
"Why Does Love Got To Be So Sad?" (Clapton, Whitlock) – 4:41
"Have You Ever Loved A Woman" (Myles) – 6:52
"Little Wing" (Hendrix) – 5:33
"It's Too Late" (Willis) – 3:47
"Layla" (Clapton, Gordon) – 7:04
"Thorn Tree In The Garden" (Whitlock) – 2:53
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Ouça:
Derek and the Dominos Layla and Other Assorted Love Songs


sábado, 9 de julho de 2011

Grand Funk Railroad - "E Pluribus Funk" (1971)


Grand Funk a todo vapor

"Vamos lá todos, nós vamos nos divertir."
Mark Farner



O nome do Grand Funk Railroad tem como inspiração a estrada de ferro Grand Trunk Western, localizada na cidade de Flint, nos Estados Unidos. Lugar aonde surgiu a banda. É a partir deste ponto de partida, que começamos uma viagem chamada “E Pluribus Funk” . Com Mark Farner (vocal, guitarra, teclado e harmonica), Don Brewer (bateria e vocal) e Mel Schacher (baixo), essa rota transita pelo ano de 1971. O Grand Funk fazia aquela bela mescla entre rock e o puro funk americano. Nesta época, o grupo estava a toda e com um enorme sucesso na terra do Tio Sam. Para se ter uma noção, um dos grandes feitos foi bater os Beatles, com a lotação completa, no clássico Shea Stadium, de Nova Iorque. Ao todo, 12 mil pessoas compraram ingressos em apenas 72 horas.
O embarque de 'E Pluribus Funk' inicia com Farner anunciando aos “passageiros” a seguinte frase: “come on everybody, we're gonna have a good time” (vamos lá todos, nós vamos nos divertir). Realmente, esta viagem terá uma excelente trilha sonora de fundo. Nesta canção, a "Footstompin' Music”, há uma ótima troca de teclados para as guitarras. Em boa parte do som, o baixo e a bateria mantém nos trilhos a canção, com as aparições pontuais das harmonias de Farner.
Na próxima estação vem a letra mais politizada do disco, a "People, Let's Stop the War", tendo frases como: “from fighting in a war, that causes big men to get rich” (lutando em uma guerra, que faz com que grandes homens fiquem ricos). Além da argumentação política, Farner usa, em todo o riff, o wah wah em sua guitarra, bem característico e marca registrada em alguns sons do Grand Funk. Outra peculiaridade do grupo é a divisão entre os vocais, com Farner e Brewer cantando juntos “o fim dessa guerra”.
Já a parada seguinte se chama "Upsetter". Aliás, essa é uma que vale a pena calibrar o “bass” das caixas do alto falante, como em outras várias músicas do disco. As linhas de baixo de Schacher são muito bem elaboradas e presentes, cooperando, em muito, na harmonia. Nessa música, o solo fica por conta da harmônica de Farner, contribuindo para soar como um blues tradicional.
"I Come Tumblin'" inicia com um breve do solo de Farner. No entanto, o destaque fica também logo no início da música, mais especificamente na bateria de Don Brewer. A sensação sonora é de um comboio ferroviário ou de uma manada de rinocerontes chegando em sua direção. Após esse atropelamento, acontece uma breve caída para novamente a bateria atropelar tudo. Esses fatos acontecem em vários momentos da música. No encerramento, Schacher sola no baixo, tendo o “comboio” de Brewer de acompanhamento.
Para queimar mais o caldeirão dessa locomotiva, o baterista Don Brewer canta, com sua voz grave e agressiva, em "Save the Land". Essa é a sua única participação como vocal principal deste álbum.
Com um solo de guitarra ao estilo blues vem "No Lies". Nessa canção, como diferencial, foram gravadas duas guitarras. Além disso, mais mensagens são dadas aos “passageiros”. Um dos trechos refere: “we don't need no leader, to tell us just what's wrong” (nós não precisamos de nenhum líder para nos dizer exatamente o que está errado).
No desembarque, "Loneliness" encerra o 'E Pluribus Funk'. No começo, a expectativa é de uma balada, mas, na realidade, essa é a música mais elaborada do disco. O produtor e empresário, Terry Knight, mostrou maior trabalho nessa execução. Para isso, contratou o maquinista, ou melhor, o arranjador Tom Baker para botar mais lenha na locomotiva. Com uma grande orquestração - composta de instrumentos de sopros e arranjos de cordas -, Mark Farner solta a voz mais uma vez e sustenta, por diversas vezes, seus agudos. A orquestra se alinha muito bem com o power trio. O fim apoteótico tem um coral de vozes cantando sobre a solidão, por mais contraditório que isso possa soar.
Para quem não teve a oportunidade de escutar, vale a pena comprar um ticket dessa viagem. Esse passeio musical é diversão pura para os adoradores de rock. Com certeza, as escalas dessa trip farão com que você as queira repetir por diversas vezes.
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FAIXAS:
1."Footstompin' Music" - 3:48
2."People, Let's Stop the War" - 5:12
3."Upsetter" - 4:27
4."I Come Tumblin'" - 5:38
5."Save the Land" - 4:14
6."No Lies" - 3:57
7."Loneliness" - 8:47

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Ouça:
Grand Funk Railroad E Pluribus Funk



sexta-feira, 8 de julho de 2011

cotidianas #89 - "Jhony"


Jhony é menino
Embora cresça sem saber
Que seu destino é jogar bola
E fazer gol
Jhony cresce
"Meninos Jogando Futebol", Volpi, Alfredo
(baixo-esmalte sobre azulejo, 15x15cm)
Mas aqui não desaparece

Na sua mente uma vontade de jogar um futebol

Futebol

Jhony é bacana
Menino vivo não sem engana
Mete as "cabeça" e passa à rente
Faz o vestibular


Jhony estuda
Se forma hoje é doutor
Mas só pensa em futebol
Futebol


Jhony não desisti
Perde o jogo fica triste
Sente vontade de jogar
E de participar
E decide
Tirar a camisa do cabide
Põe a chutereira e o calção
E partiu prum futebol
Futebol

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letra da música "Jhony"

de Tim Maia




postado por Daniel Rodrigues