Curta no Facebook

sábado, 5 de setembro de 2009

Cotidianas #5 - O Maluco do Chevette Prata


Béééiinnn!!! Foooommm!!! Píííí!!!
Nossa, pra que tanta buzina? Não vai fazer andar o engarrafamento.
Que será que houve? Quase uma hora e pouco parado aqui. Devo ter andado uns duzentos metros nesse tempo. Acidente? Sei lá. Não quero nem saber. Assim, ouvindo um som eles quase não me incomodam.
Volume 13, 14, 15......... 22.
Não, não. Muito alto.
Volume 22 ............15. Agora sim.
Uau! Lindo. A guitarra parece que está serpentenado. Ouve só as cores do teclado. E a bateria então? Um relógio. (Precisa). Agora, o refrão. TUDO JUNTO. Demais!!!
Ih, será que alguém nos outros carros está me vendo dançar?
Olho pro ônibus à minha esquerda, nada. Olho pra direita e uma menininha no banco de trás do carro ao lado me olha com cara de espanto, com a boquinha entreaberta. Os pais conversando na frente nem me dão bola. Devem estar bravos demais com o engarrafamento que não anda, mas ela está ali me olhando com uma cara de “que que esse maluco tá fazendo?”.
Hehehe! “O maluco do Chevette prata”.
Ah! Dane-se! Continuo dançando.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

"Anticristo" de Lars Von Trier (2009)




Aguardava com muita expectativa para ver dois filmes, em especial, este ano: um, o já visto e comentado, “Arraste-me para o Inferno” de Sam Raimi e outro, o polêmico Lars VonTrier com seu “Anticristo”.
Fui assisti-lo na ultima terça-feira com muita expectativa mas também com muita reserva. A expectativa de um grande diretor que por mais que tivesse saído da sua rota normal, não faria nenhuma porcaria porque acima de tudo SABE dirigir e pelo que se havia dito a respeito do filme, queria ver como ele mergulharia nessa experiência nova dentro da sua carreira. Este fato novo para o diretor ao mesmo tempo me causava a reserva, uma vez que podia errar a mão ao tentar se aventurar por um caminho estranho. Além disso, parte da crítica (para quem eu também guardei alguma reserva) meio que minimizou intenções do diretor, possíveis significados e profundidade do filme, relegando-o a um mero exercício de escatologia, violência crua e imagens chocantes. Então assim eu sentei na sala de cinema: tendo que preliminarmente filtrar as impressões.
O início, chamado “Prólogo” dentro da divisão de partes do filme (seguido por “Luto”, “Dor: O caos reina”, “Desespero: Genocídio”, “Os três mendigos” e “Epílogo”), que nos introduz ao drama do casal que perde o filho pequeno, que cai de uma janela enquanto eles fazem sexo, é filmado com uma beleza admirável, com uma película em preto-e-branco, em câmera lenta e ao som de uma sinfonia de Handel. Já começa impressionando positivamente, ao menos no que diz respeito à beleza cinematográfica, o que virá a ser um contraponto a boa parte do que se seguirá, sobretudo em “Desespero” e “Os três mendigos”.
O desconsolo e o sentimento de culpa pela morte do menino pela distração do casal faz com que a mãe caia em depressão e não consiga aceitar o fato. Esta dificuldade passa a ser tratada pelo próprio marido, terapeuta, que dispensa os remédios e encaminha seu tratamento examinando os medos da esposa, onde ela revela ter medo da natureza, da floresta e associa estes elementos a Éden, um local retirado na floresta onde eles têm um chalé.
Lá, nas “seções” de análise que faz com a própria esposa percebe que as associações que ela faz dos elementos que lhe causam medo levam a práticas de satanismo e bruxaria, coisas que ela teria concluído na sua passagem anterior por Éden, quando estava apenas em companhia do filho estudando para uma tese sobre violência contra mulheres.
Na cabana em determinado momento depois de altos e baixos emocionais e com uma constante procura dela por sexo, parece que ela surta (ou é tomada por alguma coisa) e desencadeia uma série de atitudes brutais, desmedidas e inconseqüentes contra o próprio marido. Trier deixa no ar se aquilo é por conta do trauma, se faz parte de rituais, se Éden existe (nome sugestivo), e se existe se tem algum influência sobre as atitudes dela ou se tudo é um delírio pós-trauma. Nos sugere até uma participação voluntária da mãe na morte do filho como que para um sacrifício em nome das propriedades místicas que descobrira em seus estudos. Mas apenas sugere. Deixa nas entrelinhas.
O filme é cheio de símbolos e signos: o veado, a raposa, o pássaro (os três mendigos), as bolotas de carvalho, os pés do menino, o granizo, a ponte, a floresta. Muita coisa deve ser considerada e outras não. Algumas imagens, como o próprio diretor afirmou fazem parte recordações de sonhos e delírios que tivera em um momento de doença, e algumas cenas inclusive são aleatórias e foram acrescentadas depois, na edição final. Algumas cenas são fortes demais, outras são forçadas demais e outras belas demais, mas sobretudo mostram que quem sabe, sabe. E quem sabe dirigir um drama, um policial, uma aventura, faz também um terror. E o terror de Lars Von Trier é sutil mas incrivelmente presente.
A construção do ponto onde pretende introduzir o terror é feita de forma tão minuciosa e inteligente que leva a esta série de incertezas, o que torna rico o argumento estabelecendo um novo patamar para um filme de um gênero tão básico e invariavelmente pouco inventivo. Lars Von Trier talvez sem querer, com suas imagens de sonhos, acabou fazendo um terror para pensar. Pode-se interpretar como uma afirmação de um poder superior das mulheres mas pode-se também interpretar como uma visão machista mostrando expondo uma excessiva fragilidade e dependência feminina. Tomando por este ponto de vista, pode-se considerar a sugestão de uma possível ligação das mulheres com o demônio. Ou seria o homem? Ou no fim das contas seria a natureza o MAL? O Anticristo?
Hesito em aceitar a possibilidade de uma repentina revolta contra as mulheres, em primeiro lugar por sua obra recente na qual esta condição se revela exatamente oposta e mais ainda pela dedicatória no final do filme que faz a Andrey Tarkovski que costumeiramente destacava com brilho as mulheres de seus filmes.
Por fim, Lars Von Trier não é o melhor diretor do mundo como o próprio imodestamente veio a afirmar, mas mesmo com um filme um tanto irregular por causa de sua condição emocional, consegue um produto final com imagens fantásticas, impressionantes e plásticas e ainda de quebra acrescenta algo ao modelo cinematográfico em âmbito geral . Entre os grandes diretores dos últimos tempos com certeza ele está sim.


Cly Reis


sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Jazz in London - The Telegraph Pub com a Buckingham Band (14/05/09)



Ainda nessa onda de passeio pela Europa e na onda do jazz, estive na minha última noite em Londres num pub muito simpático e um tanto atípico dada sua característica um pouco mais americana. Em um lugar meio afastado, no final de Putney High, indo para Wimbledon, num lugar rondado por raposas (verdade), uma casa com motivos lembrando o country, posters de jazz e blues e nas quintas-feiras à noite showzinho com o grupo de jazz funk Buckingham Band.
Bom o som. Os caras bem competentes. Tirei foto com a banda, encontrei um colorado em Londres e no fim ganhamos um CD dos caras por termos colaborado minimamente com umas moedas que eu não queria mais porque não ia poder usar na França.
Ouvi e no fim das contas, eles são melhores ao vivo. O CD é meio devagar. Como sei que não vou voltar a ouvir tão cedo e ficaria quase parado lá em casa, mandei o CD pra Porto Alegre, pro meu irmão que é mais apreciador do gênero do que eu.
Noite agradabilíssima na minha despedida de Londres.
Curtindo com a banda.
Encontrei até um colorado em Londres.
Eu e Rosana no simpático Telegraph.

Cly Reis

"Arraste-me para o Inferno" de Sam Raimi (2009)




Fui conferir o novo Sam Raimi no cinema, semana passada. O diretor hoje já consagrado por conta da franquia milionária “Homem-Aranha”, volta ao gênero que o lançou com o cult-movie “Evil Dead”, um clássico de fundo de quintal (literalmente, pois o filme foi filmado no sítio de um amigo) que mostrava um terror pesado e assustador ao mesmo tempo recheado com boas doses de humor.
O legal é exatamente esta volta à origem. Sam Raimi é um cara qualificado para a coisa e atuando no seu metiê realmente mostra como é que se faz. E curiosamente, mesmo hoje tendo o respaldo das produtoras e muito mais dinheiro pra fazer filme do que na época de “Evil Dead”, Raimi não apela constantemente e abusadamente dos efeitos especiais e de tecnologias avançadas. Muitas vezes até é meio cru e (propositalmente) primário.
A história em si é interessante mas como ele quer dar um tom engraçado, não se apega muito às verossimilhanças e algumas situações que poderiam ser encaradas como “acontecíveis” ficam totalmente mentirosas e inaceitáveis. Mas no caso de Sam Raimi sabemos que faz parte da idéia e o conceito acaba reproduzindo alguma coisa da seqüência “Evil Dead”, principalmente do 3° da série, o pior, mas o mais divertido.
O papo todo é que uma garota ambiciosa em subir de cargo, para provar que pode dar lucro ao banco que trabalha, nega uma prorrogação de prazo para uma velhinha que vai ser despejada. Só que mal sabe ela que a velha é uma bruxa e que se sentindo humilhada pela situação no banco, joga uma maldição pesada pra cima da garota. A velha morre logo em seguida e não tem mais como tirar a maldição, a não ser por tentativas de magia negra e outros recursos que a menina, atormentada por ataques invisíveis, sombras e alucinações, vai fazendo ajudada por um vidente que reconhece a entidade para quem foi oferecida a maldição da velha. O final (que eu não vou contar) é até previsível mas é legal por conta da dúvida que causa no espectador.
Bonzinho, no fim das contas, mas não é tuuuudo isso, não. Bom mesmo foi ver que Sam Raimi voltou a causar terror.


Cly Reis

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

cotidianas #83 - Amor Incondicional





O pai estava nervosíssimo na sala de espera da maternidade. andava pra lá, pra cá e nada do medico vir dizer "é menino" ou "é uma linda menina". Nada!
E aí que aparece o médico. Com uma cara não muito boa. Meio desolado.
-O senhor é o pai?
- Sim, sim. Sou eu! É menino ou menina?
- Antes de mais nada eu queria lhe dizer que seu filho nasceu com uma deficiência. Ele não é perfeito...
O pai interrompeu e disse:
-Não me interessa. É meu filho. Vou amá-lo de qualquer maneira.
- É bom que o senhor esteja sendo assim forte, positivo, porque seu filho nasceu sem os braços.
O pai que sempre sonhara com aquela criança, diz "Não importa. É meu filho e eu o amo. Posso vê-lo agora?"
O medico encorajado pelo amor do pai, se sente mais tranquilo para continuar:
- Que bom que o senhor é corajoso assim. Vai ser importante porque não era somente isso. Seu filho também não tem as pernas.
O pai meio que se entristece mas segue na sua determinação: "Amo minha criança de qualquer jeito. Deixe-me vê-la."
-Vejo que o sr. ama este bebê incondicionalmente e isto me faz poder lhe contar a verdade: ela também não tem o tronco.
Agora ele se abala. Pensa, respira fundo, enche os olhos de lágimas e novamente reafirma:
-Não importa. Nada importa. É meu filho e vou lhe dar todo meu amor independente de qualquer coisa.
E o médico, então:
- É admirável sua coragem, mas tenho que lhe dizer mais uma coisa... Não, não... O senhor está sendo um heroi, tão amoroso, que é melhor que o senhor mesmo veja.
O homem acompanha o medico, eles entram juntos na sala de parto onde a mãe ainda está segurando o filho.
O pai se aproxima e vê no colo da mãe apenas uma orelha. Fica estarrecido mas logo se recupera e despeja todo seu amor.
-Meu filho! Meu filho querido!
Ao que o medico interrompe e diz:
-Senhor, só vai ter que falar mais alto porque ele é surdo.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

cotidianas #4 - Ô, Alexandre!

A minha pequena seção chamada Cotidianas foi inventada para contar historietas de situações normais nas nossas vidas, do nosso dia-a-dia, algumas coisas podem ser baseadas em situações reais ocorridas comigo, outras contadas por um amigo, outras meramente criadas. Também pode se prestar, como no último número a receber um poema, como o "Poema tirado de uma notícia de jornal" ou letras de música, cenas de filme, etc. Mas desta vez utilizo a Cotidianas para transcrever uma cena ocorrida ontem à noite na minha rua, que acabou por se tornar engraçada.

Eram umas onze e meia da noite e eu já ia dormir. E por certo àquela hora tinha muita gente já dormindo.
embaixo, na rua, ouviam-se uns gritos de vez em quando. A princípio meio ininteligíveis. E não dei importância para o que poderia ser. (Sempre tem barulhos na rua, música alta, buzinas de carro, sirenes, alarmes e gritos também). Podia ser qualquer coisa: um torcedor gritando pelo seu time, mais um assalto na cidade, um bêbado. Quem liga! Quem dá bola para gritos à noite nas cidades hoje em dia?
Mas a coisa foi ficando insistente e chamou atenção. Aí tentei ouvir o que dizia o grito...
"Alexaaaandre. Ô, Alexaandre."
E continuava, continuava...
Começou a incomodar.
E aquela voz meio que de velha bêbada continuava: "Alexaaandre. Ô, Alexandre."
Até que silenciou por alguns minutos. Presumo que repreendida por um porteiro, morador de um prédio ou o que fosse, resolvera-se por ir-se embora e deixar o Alexandre dormir.
Acertei: resolvera ir embora. Mas o problema era que o Alexandre que ia ter que pagar o táxi. E então ela recomeçou:
"Alexaaaandre. Ô, Alexandre. Vem pagar o táááxi!"
"Alexaaaandre!"
A essas alturas imagino que não houvesse alguém na vizinhança imediata que não estivesse incomodado.
"Alexaaaandre", fazia a voz ébria feminina esganiçada.
"Alexaaandre, vem pagar o táxi!"
"Alexandre..."
Lá pelas tantas "Alexandre, meu amor!"
E seguia "Alexaaaandre".
Até que alguém perdeu a paciência de vez, foi pra janela e ajudou na reivindicação da chata:
"Alexandre, atende essa mulher de uma vez!", gritou um lá de uma janela.
Eu estava com tanto sono que nem sei se a namorado do Alexandre parou de gritar.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Cotidianas #3 - "Poema tirado de uma notícia de jornal"


João gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia
num barracão sem número.
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.


"Poema tirado de uma notícia de jornal"
Manuel Bandeira

domingo, 23 de agosto de 2009

"A Estrada da Vida", de Federico Fellini (1954)




Mais um daqueles clássicos tardios que entram na minha vida foi, agora há pouco, "A Estrada da Vida" de Federico Fellini.
Adorável!
Mostra um Fellini ainda sem a SUA linguagem consolidada. Ainda se moldando, mas já perceptível no decorrer do filme.
O que vemos em "A Estrada da Vida" é um cinema ainda muito vinculado ao realismo italiano. Retrata um momento um pouco mais avançado que aqueles retratados por De Sica e Rosselini, mas também mostrando como eles, a Itália pós-guerra e seus habitantes se virando como podiam e uma pobreza imperando em toda parte.
O filme conta a jornada de um mambembe bêbado, casmurro, turrão e bruto que praticamente compra uma moça de uma família pobre em extremas necessidades, para ser sua assistente. Eles vão país afora apresentando um número fraco e desinteressante em troca de alguns trocados que ganham passando o chapéu. Aos poucos, aspectos humanos vão se revelando nele, Zampano(personagem de Anthony Quinn) e PARA ela, Gelsomina (Giulieta Masina), uma garota simplória de capacidade mental bastante limitada, um tanto ignorante e inocente.
Belíssima a referência sutil (mas evidente) que Fellini faz a Charlie Chaplin nas interpretações de Giulieta, em alguns momentos se valendo de recursos e expressões típicos de cinema mudo.
Gosto mais do cinema "felliniano" propriamente dito. Aquele de "Roma", "Amacord", "Satyricon", "Oito e Meio", mas "La Strada" certamente enquadra-se entre suas grandes obras e é extremamente revelador no sentido de referenciais, meios e fins.

Cly Reis

O passeio da Boa Vista (08/08/09)







Visitei no domingo retrasado, pela primeira vez, a Quinta da Boa Vista, aqui no Rio de Janeiro. Já havia passado por lá e me causara boa impressão além de uma curisidade em conhecer o museu de História Natural, antiga residência de D. Pedro II.
Domingão, esposa, mãe, sobrinho, piquenique (sugestão da mulher). No fim das contas, tudo de bom. Um papo aqui, outro ali, umas geladas, um sorvete. O sol favoreceu e acabou, apesar da minha tradicional má vontade em sair de casa, por se tornar um programa extremamente gostoso.
Só postei agora em virtude da minha inépcia com o meu novo celular e com o procedimento para baixar as fotos dele. Mas agora, devidamente conhecedor deles, aí vai o registro de um dos mais belos e agradáveis lugares do Rio:


Uma vista ampla do parque. Ao fundo o Museu de História Natural.

Não podia faltar um trenzinho pra criançada.


E pedalinhos no bonito laguinho. Ao fundo do lago, um pergolado com colunas imitando as gregas.
A galera aporveitando o sol e o calor. Criançada jogando bola na grama, soltando pipa, o pessoal sentado conversando, comendo, namorando.
O interessante coreto ao lado do lago.
A fachada do Museu e a estátua de D. Pedro II.

Dentro do museu peças raras e interessantes da antiguidade.

E um bom acervo de arqueologia.
O Museu foi mais interessante e completo do que eu imaginava. Pequeno, é verdade, mas com itens bastante significativos.
Recomendo a visita.