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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

cotidianas #21 - Os Passistas



Essa coisa toda de Carnaval me lembrou passistas, que me lembrou essa música do Caetano que considero ser uma das grandes letras deste maravilhoso compositor. Notem a perfeição da língua portuguesa empregada nesta letra e o cuidado formal. Chega  a ser um preciosismo gramatical em uma música as mesóclises e a pronominação precisa, mas é algo que só um grande escritor conseguiria fazer e musicar.
Isso sem falar nos palíndromos rebatidos de um verso para outro em "Roda:" e "A dor"; "Amor" para "Roma" e em "Amas" com "Mas, ah".
Mas tudo isso é só por causa dos passistas do Carnaval, dos passistas das avenidas e passarelas do samba.




Vem,
Eu vou pousar a mão no teu quadril
Multiplicar-te os pés por muitos mil
Fita o céu,
Roda:
A dor
Define nossa vida toda
Mas estes passos lançam moda
E dirão ao mundo por onde ir.
Ás vezes tu te voltas para mim
Na dança, sem te dares conta enfim
Que também
Amas
Mas, ah!
Somos apenas dois mulatos
Fazendo poses nos retratos
Que a luz da vida imprimiu de nós.


Se desbotássemos, outros revelar-nos-íamos no Carnaval.
Roubemo-nos ao deus Tempo e nos demos de graça “a beleza total, vem.


Nós,
Cartão Postal com touros em Madri,
O Corcovado e o Redentor daqui,
Salvador,
Roma
Amor,
Onde quer que estejamos juntos
Multiplicar-se-ão assuntos de mãos e pés
E desvãos do ser.
*********************
"Os Passistas"
(Caetano Veloso)

Ouça:
Caetano Veloso Os Passistas

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Devassa

Vocês viram quem será a garota propaganda da Devassa na próxima campanha?
É! Paris Hilton.
Tudo a ver. Ainda mais depois daqueles vídeos e tudo mais...
Gosto muito do chopp Devassa mas a cerveja não é tudo isso. É mais ou menos que nem a loirinha aí: é muuuito barulho pra pouca coisa. Bonitinha, gostosinha, é claro que eu comeria mas... era isso. A cerveja Devassa vai tranqüilo num dia de calor ou se não tiver outra na casa, mas se puder escolher outra melhor, eu troco.
Mas a campanha, capitaneada pelo cineasta Fernando Meirelles, de "Cidade de Deus" e "Ensaio sobre a Cegueira", foi bem sacada, com certeza.


C.R.

O Frango Atirador

Berinjela Beligerante

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

"Chéri", de Stephen Frears (2010)





Sempre gostei de Stephen Frears. Da sua maneira calculada de filmar, do seu estilo limpo, da natureza sórdida de seus personagens. "Chéri", que assisti na semana passada, o personagem que dá nome ao filme, é mais um destes protagonistas de caráter pouco elogiável na filmografia do diretor. Mas sua conduta e atitudes não são culpa exclusiva dele. Muito se devem ao meio no qual vive: a aristocracia francesa do final do século XIX, ou melhor, o segundo escalão desta classe, uma vez que nosso herói, um rapazote bon vivant é filho de uma cortesã "aposentada", digamos assim. A mãe do rapaz (Kathy Bates) bem como sua amiga, a outra protagonista, Léa, vivida por Michelle Pfeiffer, já estão meio "passadinhas" e agora apenas desfrutam do luxo e dinheiro obtidos no tempo de "labuta" entre os lençóis mais nobres da França.

O caso todo é que a mãe do rapaz pede a Léa que lhe sirva de tutora por algum tempo a fim de afastá-lo dos hábitos mundanos  e encaminhá-lo melhor. O problema é que mesmo com toda a experiência e frieza da profissão a ex-cortesã acaba-se deixando envolver pelo garoto e de repente ambos estão apaixonados, só que este envolvimento não significa que mudem suas naturezas vaidosas, egoístas e vis. Acrescente-se a isso ainda a grande diferença de idade entre os dois e a coisa toda fica complicada de verdade.
Frears, de certa forma, revive seu bom "Ligações Perigosas", desta vez porém, com menos crueldade que naquele. Mas as obras guardam semelhanças, sim, muito, até pela retomada do filme de época na filmografia do diretor e do retorno a Paris.
Boa pedida.


Cly Reis

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Bar Duke - Ipanema - Rio de Janeiro (06/02/2010)

Tive notícias de um bar interessante, com características bem rock'n roll, tocando música legal que abrira em Ipanema e fui dar uma conferida. O lugar em questão, o Duke, acabou revelando-se não extamente isso. A informação que tinha, de que sua temática remetia ao ano de 1979, no som e na decoração, não procede totalmente. O ano de '79 é importante sim no que diz respeito à concepção do bar, mas basicamente no que diz respeito aos acontecimentos ligados à vida do fundador: sua primeira viagem à Inglaterra, seu primeiro beijo, sua mudança para NY,  a adoção do seu cão, o seriado que via na TV americana. Tudo isso de alguma forma ligado ao nome Duke que, por justiça, acabou batizando o estabelecimento.
De rock da época, só alguma menção no breve histórico que aparece no cardápio; e mesmo o som que toca lá é mais contemporâneo e não muito qualificado.
O chopp é bom, da marca Eisenbahn, e a comida é bem mais ou menos e com preços meio salgados. Mas aí que está: se é pra ouvir rock e tomar chopp em Ipanema, prefiro cotinuar mantendo as velhas tradições e hábitos, indo ao bom e velho Empório, o que além de tudo sai mais barato.
Valeu pra conhecer o tal do Duke - bonitinho, limpo, bom atendimento - mas não preciso voltar.

Tour da Taça da Copa do Mundo FIFA - Forte de Copacabana - Rio de Janeiro (07/02/2010)

Fui ver ontem a Taça FIFA, que está em tour mundial para visitação antes da Copa do Mundo da África do Sul, que começa em junho. A parte que interessa mesmo que é VER  a taça, é muito rápida. A gente para ao lado do troféu um cara tira uma foto e já manda a fila seguir. Vale mesmo pelo circuito que inclui um mini-museu das copas com imagens e víeos; uma sala de jogos e interatividade, cuja duração de permanência também achei muito curta; e o cineminha 3D que exibiu um filmezinho bem legal com cenas dos mundiais passados em uma máquina do tempo construída por meninos africanos pobres que pretendiam sintonizar algum jogo da Copa. Legal é que a máquina deles, por algum fenômeno, vai pulando no tempo e acaba levando ao futuro, para a Copa de 2022, com uma animação tipo mangá em 3D que aí sim, acabou valorizando bem este recurso de projeção.
No mais, na sala interativa, tinha um quiz sobre copas do mundo. Fui lá só pra ver até que ponto as perguntas poderiam ser desafiadoras pra mim. Hmmf!!! Barbada! Cinco perguntas, cinco acertos. Tem que ser muito difícil pra eu não saber alguma coisa das Copas do Mundo.




sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Imelda May - "Johnny's Got a Boom Boom"

Conheci há pouco tempo e fiquei bem impressionado com Imelda May e com seu som meio jazz, rockabilli, contemporâneo. Vai aí pra a galera curtir "Johnny's Got a Boom Boom". Bem legal!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Jards Macalé "O Q Faço é Música" (1998)

Procurava há algum tempo e encontrei agora o cd "O Q Faço é Música" de Jards Macalé.
Muito bom disco!
Jards com seu samba bem eclético dentro das vastas possibilidades do gênero, apresenta uma visão bem humorada, irônica e apaixonada do Rio de Janeiro. Bons exemplos são "Rei de Janeiro", um belo samba-exaltação, composto sobre texto de Glauber Rocha; a crítica social de "Favela" e a escrachada "Cidade Lagoa" cuja letra, dos anos 50,sujere que o cidadão carioca tenha um barco para os dias mesmo de pouca chuva. E não sem propósito, não?
De quebra tem uma versão impagável sambada de "Blues Suede Shoes"; tem ótima "Coração do Brasil", uma perfeita combinação letra-música-conceito com seu surdo numa marcação praticamente cardíaca; e ainda o já clássico da MPB, "Vapor Barato" na versão do próprio autor, muito mais melancólica e sentida do que as outras gravações populares que se ouve por aí.
Críticos costumam apontar "Let's Play That" como o melhor álbum de Jards, eu, no entanto, fico com "O Q Faço é Música".




segue a letra debochada de "Cidade Lagoa":
CIDADE LAGOA
(Sebastião fonseca e Cícero Nunes)

Essa cidade que ainda é maravilhosa
Tão cantada em verso e prosa
Desde o tempo da vovó
Tem um problema vitalício e renitente
Qualquer chuva causa enchente
Não precisa ser toró
Basta que chova mais ou menos meia hora
É batata, não demora
Enche tudo por aí
Toda cidade é uma enorme cahoeira
Que da praça da Bandeira
Vou de lancha a Catumbi

Que maravilha nossa linda Guanabara
Tudo enguiça, tudo para
Todo trânsito engarrafa
Quem tiver pressa seja velho ou seja moço
Entre n'água até o pescoço
E peça a deus pra ser girafa
Por isso agora já comprei minha canoa
Pra remar nessa lagoa
Cada vez que a chuva cai
E se uma boa me pedir uma carona
Com prazer eu levo a dona
Na canoa do papai

(breque)
Ai meu Deus,. Mas que toró... Vou meter uma roupa de escafandro
pra atravessar essa lagoa.

Berinjela Beligerante

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Cotidianas #17 - Sinal Fechado



Olá, como vai ?


Eu vou indo e você, tudo bem ?

Tudo bem eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você ?

Tudo bem, eu vou indo em busca De um sono tranquilo, quem sabe ...

Quanto tempo... pois é...

Quanto tempo...

Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios

Oh! Não tem de quê Eu também só ando a cem

Quando é que você telefona ?
Precisamos nos ver por aí

Pra semana, prometo talvez nos vejamos

Quem sabe ?

Quanto tempo... pois é... (pois é... quanto tempo...)

Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas

Eu também tenho algo a dizer Mas me foge a lembrança

Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa, rapidamente

Pra semana

O sinal ...

Eu espero você

Vai abrir...

Por favor, não esqueça,

Adeus...

Adeus...


**********************
"Sinal Fechado"

O Beijo da Década


 A loja de departamentos inglesa Selfridges encomendou uma pesquisa entre seus clientes para saber qual seria o Melhor Beijo da Década e deu na cabeça o sensualíssimo beijo de Madonna e Britney Spears no Video Music Awards de 2003, que deixou, inclusive, o ex de Britney, Justin Timberlake, com uma cara de bunda na platéia. Acho justa a escolha. O beijo foi excitante e a ex ninfeta com aquele modelito noivinha tava de enlouquecer. Pra deixar qualquer marmanjo com vontade de fazer um ménage à trois.
Coma medalha de prata ficou o já clássico beijo de ponta cabeça do Homem Aranha com Kirsten Dunst e com o bronze outro beijo homossexual, o do casal de vaqueiros de "O Segredo de Brokeback Montain".

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Metallica "Metallica" (ou "Black Album") - 1991


Na onda dos shows do Metallica no Brasil, aproveito pra destacar um dos grandes discos da história do rock. O Metallica, depois de já ter mudado o rumo das coisas com “Master of Puppets”, revolucionava novamente o metal em 1991 com um álbum sem título, batizado pelo público de “Black Álbum” em virtude de sua capa toda negra apenas com pequenos detalhes quase invisíveis.
O “Álbum Negro” traz um Metallica extrapolando peso mas totalmente aceitável e audível mesmo para ouvidos mais delicados. Esta química sonora obtida no disco fez com que agradasse não só aos fãs como arrebatase de vez o público mais pop colocando a banda no topo das paradas.
O primeiro single, “Enter Sandman” era uma bomba pesada, destruidora, com um riff absolutamente marcante e um refrão certeiro, vociferado por Hatfield. Tornou-se logo um grande hit e impulsionou grandes vendas do álbum, ajudado por um clipe que transmitia toda a atmosfera pretendida na música. Um grande pesadelo assustador e sem saída. Serpentes embaixo da cama, quedas de prédios e precipícios, sonho dentro do sonho e a conjugação letra-música-imagem estava completa: “Enter Sandman” era um verdadeiro pesadelo.
O disco também traz as ótimas “Sad But True” com suas guitarras estourando e a longa balada “The Unforgiven” que igualmente figuraram nas paradas; além de muitos outros bons momentos menos conhecidos do grande público mas não menos valorosas e interessantes que mantinham a característica pesada do som da banda. A balada “Nothing Else Matters , outra que tocou bastante por aí, e que contou no álbum com acompanhamento orquestrado, ficou tão boa que acabou gerando a idéia de fazerem um álbum ao vivo com a Orquestra Sinfônica de São Francisco . O projeto, chamado “S&M”, vingou e contém diversas músicas do álbum negro, com destaque exatamente, para a já citada ‘Enter Sandman” que ganhou tons monumentais com o acréscimo das cordas de orquestra.

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FAIXAS:
1. ENTER SANDMAN
2. SAD BUT TRUE
3. HOLIER THAN THOU
4. THE UNFORGIVEN
5. WHEREVER I MAY ROAM
6. DONT TREAD ON ME
7. THROUGH THE NEVER
8. NOTHING ELSE MATTERS
9. OF WOLF AND MAN
10. THE GOD THAT FAILED
11. MY FRIEND OF MISERY
12. THE STRUGGLE WITHIN

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Ouça:
Metallica - Metallica (Black Album)



Cly Reis

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

cotidianas #16 - Estátua


- E então, o que é que você faz?

- O que? Não consigo ouvir. Tá muito barulho.

- O que é que você faz? Tipo, da vida? – pergunta ela praticamente gritando perto do ouvido do rapaz.

- Ah! Eu sou estátua.

- Como é que é?

- Estátua – confirma num tom meio constrangido quase como se se desculpasse por ser o que era.- Tu nunca viu na rua? Dessas que se mexem quando alguém põe uma moeda e tal, sabe?

- Hmmm. - fez ela com um ar que pareceu a ele algo entre o indiferente e o decepcionado.

Ele na verdade nem ouviu aquele “hmmm”, mas nem se deu ao trabalho de confirmar o que ela dissera porque praticamente adivinhou ou supôs que ela tivesse respondido algo desinteressado daquele tipo.

-Olha, só ,– chamou a garota, despertando-o da distração da visão dos corpos em movimento sob o som retumbante das batidas repetidas e mecânicas– vou ali no banheiro e já volto, tá? Tu me espera?

- Espero. Claro.

Pegou a bolsa, levantou num ímpeto e saiu rápido esgueirando-se por entre a massa dançante até sumir na multidão.

Tomou um gole da bebida. Que voltar que nada! No mínimo esperava um engenheiro, um médico. Não, não, um advogado. Elas adoram advogados. Pode ser uma besta, mas se o cara diz que é advogado, hmf!, é garantido. Mas estátua? Estátua?

“Tu me espera?, tu me espera?”. Ahan! Vou ficar esperando a noite toda. A vida toda. Bebeu o resto.

De repente:

- Demorei?

- Não, não. Foi rapidinho – respondeu indisfarçadamente pasmo. Será que ela notara que ele estava, assim, com cara de bobo, descrente desse seu retorno?

- E então, - agora encostando no ouvido dele para não precisar gritar – me fala mais desse lance de estátua.



Cly Reis