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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Italian Genius Now – Santander Cultural – Porto Alegre



A famosa Vespa, idealizada por Corradino D'Ascanio.
Ícone do design italiano
Italian Genius Now é a exposição em cartaz no Santander Cultural até o dia 12 de agosto. A mostra é realizada em parceria com a Unisinos, Brinna e Melissa e reúne 90 obras de 49 artistas e designers, que exibem um relevante panorama da produção do design italiano dos últimos 60 anos.

A curadoria fica a cargo de Marco Bazzini, graduado pela Faculdade de Letras e Filosofia de Bolonha, no curso de Disciplinas das Artes Musicais. A mostra apresenta objetos de alto valor estético ricos em funcionalidade e modernidade, entre os quais documentos, fotografias e materiais editoriais.

O projeto faz parte das celebrações do Momento Itália-Brasil e se apresenta como uma parceria com o Centro de Arte Contemporânea Luigi Pecci. O circuito é imperdível e reforça a riqueza da imagem artística do Made in Italy, presente na produção das artes que tanto influenciou o mundo e continua a nos surpreender.
'Casa A.N.A.S gonfiabile' de UFO - Lapo Binazzi

'Home Sweet Home' de Paolo Canevari

'Transformabili' de Moreno Ferrari

'Fossili Moderni' de Massimiliano Adami

'Poltrona Proust' de Alessandro Mendini

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 Para visitação:
Santander Cultural Porto Alegre
Rua Sete de setembro, 1028 - Centro Histórico. Porto Alegre/RS.
Tel. 
51 3287.5500

De terça a sábado, das 10h às 19h
Domingos e feriados, das 13h às 19h


terça-feira, 31 de julho de 2012

Stevie Wonder - "Innervisions" (1973)



Ou isso é uma visão em minha mente?
verso da canção “Visions”



Quando vi  Paul McCartney ao vivo chorei praticamente do início ao fim do show. Eu já previa que isso ia ocorrer, tendo em vista meu sentimento por sua obra, tão formativa quanto vital para a história da arte moderna – e até porque o podia fazer sem constrangimento, já que todo o estádio fazia igual a mim. Porém quando assisti pela TV Stevie Wonder no Rock in Rio 2011 eu não esperava que o mesmo acontecesse. E aconteceu... via satélite. Chorei música atrás de música, tanto nas lentas quanto nas agitadas – o que virou motivo de chacota entre os amigos. Mesmo já tendo boa parte da discografia dele há muito tempo, essa reação me surpreendeu, pois eu mesmo não tinha noção do quanto a obra mágica deste gênio (e isso eu já sabia) tinha tanto a ver comigo e que estava tão impregnada em minha alma. Mas se todas as músicas me tocavam, parei para pensar naquela hora, entre soluços e uma felicidade imbecil, com qual disco eu mais me identificava, uma vez que gosto de todos. A resposta veio como numa visão: “Innervisions”.
A escolha só podia ser de cunho emocional, pois TODA a discografia de Stevie Wonder dos anos 70 até o início dos 80 é fundamental. Assim como o lindo  "Talking Book"  (1972), já resenhado aqui, o exuberante “Songs in the Key of Life” (1976) ou a magnífica trilha sonora “Journey Through the  Secret Life of Plants” (1979), “Innervisions” é item obrigatório na prateleira de qualquer diletante. Um marco da black music considerado pelos críticos um dos melhores da música pop de todos os tempos. Mas o que para mim o diferencia e lhe dá um significado ainda maior é a relação estreita com universo onírico e figurativo de um artista que, cego desde a infância, é capaz de produzir uma arte absolutamente fulgurante, cristalina, repleta de verdade e sentimentos genuínos. Sua música vai no fundo do fundo do fundo.
“Innervisions” é o auge criativo de Stevie Wonder. A estas alturas, 1973, ele já não era mais o Little Stevie de quando surgira, aos 16 anos, como um prodígio; mas, sim, o consagrado Stevie Wonder, sucessor de uma linhagem que vem de Sam Cooke, Solomon Burke, Ray Charles, James Brown e que vai parar nos criativíssimos artistas negros da gravadora Motown como ele. Compositor nato, multi-instrumentista e dono de uma voz potente e deliciosa, capaz de ir de uma escala à outra sem esforço, Stevie já era nesta época um artista planetário que vendia milhões de discos. Mas, mais do que isso, “Innervisions”, Grammy de Melhor Álbum do Ano em 1974, é o resultado de um autoacolhimento pessoal, de um sentimento muito íntimo e definitivo de reconhecimento dele mesmo enquanto portador de uma deficiência. Não é à toa que a obra se refere justamente ao sentido que ele não possui: a visão (e será que não possui mesmo?...). Ali Stevie está pleno de si, fazendo com que o problema da falta de visão não seja um problema, mas, pelo contrário, um canal sensitivo que o fez se tornar alguém tão sensível que suas percepções se afinam a tal ponto de não precisar mais enxergar. Prova maior disso é que ele compõe, toca, canta, arranja e produz todo o disco. Até (pasmem!) a capa é concebida por ele: um desenho bastante simbólico em que a energia produzida por seus olhos ganha a atmosfera e a amplidão.
E as músicas, o que dizer? Somente nove faixas, perfeitas em tudo: melodia, harmonia, execução, arranjo, canto, edição de áudio. Clássicos do cancioneiro norte-americano e mundial, marcos do que de mais sofisticado e criativo se fez em música pop no século XX. O álbum abre mandando ver com “Too High”, um funk-jazz fusion cheio de um suingue tão contagiante que isso chega a exalar por sua voz e por todos os sons que emanam. Moderníssima em sonoridade e texturas, é tudo o que músicos cool de hoje gostariam de fazer mas não conseguem atingir. “Too fine”!
Se o clima começa animado e dançante, “Visions”, uma melancólica balada tocada em guitarra base, baixo acústico e guitarra-ponto entra delicada mas dizendo a que veio. De arrepiar. Cantada com extremo lirismo, sua letra fala de igualdade entre os homens e de um princípio natural capaz de promover paz para todos. A lei nunca foi aprovada/ Mas de alguma forma todos os homens sentem que estão verdadeiramente livres finalmente/ Será que realmente fomos tão longe no espaço e no tempo/ Ou isso é uma visão em minha mente?”.
Não seria exagero se Stevie quisesse acabar o disco já na segunda faixa, que é daquelas canções definitivas. Mas o bom é que não acaba!, e na sequência vêm o arrebatador tema-denúncia “Living for the City”, show de vocais e sintetizadores que aborda a opressão aos negros, e “Golden Lady”, um soul romântico e suingado tão belo que chega a reluzir. Sempre colando uma faixa à outra – como é característico de seus discos –, o astral leve de “Golden Lady” dá lugar ao funkão pesado de “Higher Ground”, tão rock em concepção que não precisou muito para que o Red Hot Chilli Peppers  a regravasse anos depois com mais distorção mas sem grande alteração no arranjo. Os versos: People keep on learnin'/ Soldiers keep on warrin'” (“As pessoas continuam aprendendo/ Os soldados continuam lutando”), viraram clássicos. Incrível, incrível.
Outra de deixar de o queixo caído é “Jesus Children of America”, soul cantado em escala decrescente, mas que, do meio para o fim, aumenta um tom, o que faz Stevie soltar, em várias vozes sobrepostas, seu afinado e cintilante falsete. O clima cai novamente, agora para uma suíte romântica ao piano de fazer qualquer casal brigado reatar: “All in Love is Fair”, típica balada Motown, com sua levada carregada de sentimento e um refrão que explode em emoção. Nessa Stevie dá uma verdadeira aula de canto. De chorar, ainda mais no fim em que bateria, voz e piano dão os suspiros finais.
Mas  se Stevie é hábil nas lentas, também possui o mesmo talento para fazer mexer o esqueleto. “Don’t  You Worry ‘bout a Thing”, que vem logo em seguida, é uma rumba marcada no piano e nos chocalhos que faz enxugar as lágrimas e levantar o astral de novo. Usada mais de uma vez no cinema, como na comédia “Hitch” (a cena do passeio de Jet-ski pelo rio Hudson de Nova Iorque), é daquelas músicas tão alegres que remetem diretamente ao colorido alegórico da cultura africana, influência sempre tão presente e hibridizada na obra de Stevie. O disco encerra na atmosfera melódica e gostosa de “He’s Misstra Know-it-all”, com seus bongôs acompanhando a bateria e o piano num andamento suave e suingado que, ao final, vai sumindo devagarzinho enquanto Stevie improvisa nos vocais.
Essas cores e esse brilho estavam no palco quando vi Stevie pela TV no Rock in Rio. Aos 70 anos, toda aquela verdade e prazer de produzir uma arte pura e elevada podia ainda ser percebida. Não tinha como não ficar tocado. Reouvi “Innervisions” dias depois do show, ainda sob efeito da apresentação. Mas não chorei mais, pois me dei conta de definitivamente se tratar de um dos artistas mais importantes para a minha vida. Ele, que eu já sabia ser um dos maiores de todos os tempos, como Mozart, Ravel , Coltrane , Chico  e o próprio MacCartney. Pode colocá-lo tranquilamente nesta fila, que aqui pra mim o altar dele já está reservado.

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FAIXAS:

1. "Too High"  Stevie Wonder 4:36
2. "Visions"  Wonder 5:23
3. "Living For The City"  Wonder 7:23
4. "Golden Lady"  Wonder 4:58
5. "Higher Ground"  Wonder 3:43
6. "Jesus Children Of America"  Wonder 4:10
7. "All In Love Is Fair"  Wonder 3:42
8. "Don't You Worry 'bout a Thing"  Wonder 4:45
9. "He's Misstra Know-It-All"  Wonder 5:35


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Ouça:
Stevie Wonder Innervisions



segunda-feira, 30 de julho de 2012

Johnny Cash - "American IV - The Man Comes Around" (2003)



"Nenhuma canção está segura comigo"
Johnny Cash


Depois da fama, dos dramas, do auto-exílio, do ostracismo e de sua redescoberta, aos 70 anos de idade, Johnny Cash conseguia se reinventar e recriar uma série de canções populares, conferindo-lhes de tal modo, nova vida e personalidade a ponto de soarem melhores que as originais ou fazer parecerem suas. Muito disso deveu-se ao olho perspicaz, ao ouvido afiado e às mãos habilidosas na mesa de som de Rick Rubin, produtor consagrado que entrou em estúdio com o Homem de Preto, sugeriu músicas para o repertório e deixou que o velho cantor country-rock colocasse sua alma naquelas canções, naquele que era o quarto disco da série que Cash gravara pela American Records, trazendo-o de novo à evidência depois de algum tempo renegado pelas gravadores.
Em “American IV – The Man Comes Around”, Cash, acompanhado de seu violão, com sua voz quase macabra, gravava Sting, Hank Williams, Beatles e coisas mais improváveis como Depeche Mode e Nine Inch Nails. O resultado é um disco incrível, impecável, emocionante. Uma das melhores coisas feitas nos últimos 30 anos.
“The Man Comes Around”, a música que abre o disco, abre também o "Madrugada dos Mortos" e não poderia ser mais apropriada para um filme como aquele, uma vez que, aliada à voz sinistra do cantor, a letra é absolutamente apocalíptica prevendo um trágico fim dos tempos.
Johnny Cash consegue melhorar consideravelmente a insossa “Bridge Over Trouble Water” de Simon e Garfunkel, conferindo-lhe mais sentimento, num belíssimo dueto com PJ Harvey; dá a “versão definitiva” para a balada assassina “I Hung My Head” de Sting, como reconhece o próprio autor; e ‘apropria-se’ de “In My Life” dos Beatles como se nunca tivesse existido uma versão original. Além disso, com a ajuda de Rubin, faz a leitura correta de “Personal Jesus” do Depeche Mode descortinando exatamente todo a raiz country já existente originalmente nela, proporcionando outra versão matadora.
Revitaliza velhas canções suas como “Give My love To Rose”, “Tear Stained Letter” e dá arranjos pessoais e especiais a canções tradicionais americanas como “Sam Hall” e Danny Boy”, dotando-as de novas personalidades com sua interpretação singular.
Mas o grande momento do disco e a chave de ouro para o fim de uma carreira e de uma vida é a versão de “Hurt” do Nine Inch Nails. Nela Cash põe toda a emoção de uma vida. Parece colocar ali todas as amarguras, as perdas as tristezas, tamanha força da interpretação. Ex-dependente, Cash canta a letra de Trent Reznor sobre o vício em drogas com uma sinceridade comovente numa versão que é tão definitiva a ponto de o próprio autor reconhecer que a música deixou de ser dele.
 “Americans IV” foi o último disco de Johnny Cash, que felizmente, apesar de toda uma vida turbulenta de altos e baixos pessoais e profissionais, teve em seu último momento ainda mais um grande disco e o devido reconhecimento a seu talento e importância no universo artístico.
O trabalho com o produtor Rick Rubin, que de certa forma, trouxe Johnny Cash de volta ao mundo, aparece e é muito bem retratado na história em quadrinhos "Johnny Cash, uma Biografia", de Reinhard Kleist, excelente registro da carreira do cantor, ilustrando toda a vida do artista com um roteiro muito bem amarrado e um trabalho gráfico de primeira qualidade. Assim como o disco, vale a pena ter.

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FAIXAS:
01.The Man Comes Around [J.Cash] 4:26
02.Hurt [T.Reznor] 3:38
03.Give My Love To Rose [J.Cash] 3:28
04.Bridge Over Troubled Water [P.Simon] 3:55
05.I Hung My Head [Sting] 3:53
06.First Time Ever I Saw Your Face [MacColl] 3:52
07.Personal Jesus [M.Gore] 3:20
08.In My Life [Lennon/McCartney] 2:57
09.Sam Hall [trad.arr.J.Cash] 2:40
10.Danny Boy [trad.arr.J.Cash]3:19
11.Desperado [Frey/Henley] 3:13
12.I'm So Lonesome I Could Cry [Williams] 3:03
13.Tear Stained Letter [J.Cash] 3:41
14.Streets Of Laredo [trad.arr.J.Cash] 3:33
15.We'll Meet Again [Charles/Parker] 2:58

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vídeo de "Hurt", Johnny Cash

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Ouça:

domingo, 29 de julho de 2012

Anarquia em Porto Alegre - Noite de autógrafos de Daniel Rodrigues - Pinacoteca Café (19/07/2012)




Tinha ficado devendo imagens e algumas considerações sobre o lançamento do livro "Anarquia na Passarela" (ed. Dublinense, 2012) do meu irmão, jornalista, parceiro-colaborador deste blog e dono blog do O Estado das Coisas Cine, Daniel Rodrigues.
Bom, pra começar, voltar a Porto Alegre para mim é sempre um prazer e ainda mais em circunstâncias festivas e alegres como esta, neste caso especialmente numa realização pessoal do Daniel e que por extensão enche de orgulho a todos nós da família.
O evento em si estava um grande barato. Tudo muito bacana, muito alegre, muito amistoso e ambiente aconchegante do bar Pinacoteca Café. Amigos, familiares, desconhecidos, curiosos, todos ali dando uma conferida, cumprimentando o escritor e demonstrando grande interesse pelo tema que num primeiro momento parece estranho mas que olhando em volta se vê o quanto é comum.
Tive a oportunidade de encontrar parentes queridos como minha adorada tia-prima Isaura, amigos de tempo como o Christian Ordoque e a Iris Borges, amigos até então virtuais como a Valéria Luna e o Eduardo Wolff, rever meu outro 'irmão' velho, meu primo e ex-parceiro de banda, o Lúcio Agacê detonando um punk rock nas 'picapes', e até topar com uma das lendas do punk-hardcore gaúcho, o ex-vocalista da Atraque, Leandro Padraxx, que dava uma banda por lá.
Grande noite. Grande honra e prazer ter estado lá com todas essas pessoas. E, mais uma vez parabéns, Daniel! Sucesso e que venham outros e outros livros por aí.


Abaixo algumas das cenas da noite captadas pela lente de Leocádia Costa, que igualmente tive o prazer de conhecer nesta visita:

"Anarquia na Passarela", já à venda
Família presente prestigiando o evento.
Lucio Agacê comandando o som:
Replicantes, Kennedy's, Pistols, Joy, e  por aí vai.
O autor, Daniel, na mesa de autógrafos,
atencioso com os visitantes
...tudo isso 'embalado' pela saborosa
cachaça Da Chica
Daniel com o grande Eduardo Wolff, resenhista
de vários ÁLBUNS FUNDAMENTAIS
aqui no blog,...
... com sua adorável namorada, Leocádia. 
... e revivendo a extinta HímenElástico,
com este blogueiro que vos escreve (dir.) e com Lúcio Agacê.
Irmãos
Autógrafos
Daniel Rodrigues e seu livro


fotos: Leocádia Costa
Luís Ventura


quarta-feira, 25 de julho de 2012

cotidianas #171 - Feito Bicho


Cara de um
Corpo de dois
Focinho do outro
Boca do rosto

Beiço da lata
Ferro no corpo
Bicho de homem
Outro de duplo

Keith Haring por  Annie Leibovitz (1986)
Focinho de porco
Nariz de tomada
Corrente no fio
Olho no olho

Cara e coragem
Mete as fuças
Crava os dentes
Latido de cão

Cara de pau
Olho do cu
Santo de casa
Pau-oco do santo

Sangue na veia
Arrepio que corre
Lenha que desce
Pau que come

Cama no chão
Tapa na cara
Cheiro de mijo
Suor de asa

Dupla de quatro
Cama de gato
Língua no ouvido
Água na boca

Parede de quarto
Plano de filme
Cena de amor
Sangue na tela

Tomada de ombro
Olho de câmera
Lata de luz
Imagem do outro


O Frango Atirador


segunda-feira, 23 de julho de 2012

Johnny Cash - "At Folson Prison" (1968)




"Eu atirei num cara em Reno
só pra vê-lo morrer."
Folson Prison Blues



Outro daqueles concertos clássicos da história da música. Com o ingrediente de este ter sido executado para uma platéia, no mínimo, inusitada: detentos de uma das mais tradicionais penitenciárias americanas, a Prisão Estadual de Folson, na Califórnia.
Aquelas duas apresentações de Johnny Cash na casa de detenção, era o típico do negócio que era bom para os dois lados: para ele, Cash por estar retomando a carreira e tentando reimpulsioná-la depois de um período de recuperação das drogas e para os aqueles condenados que teriam um evento, uma grande atração e sobremaneira alguém com que se identificavam por conta de suas temáticas marginais, principalmente por causa da canção “Folson Prison Blues” que sempre suscitara pedidos através de cartas para que o cantor se apresentasse em presídios. E aquele era o momento certo para fazer um grande show e recuperar o prestígio.
E não teve erro!
A apresentação foi emocionante, o disco resultante dela, “At Folson Prison” lançado em 1968, teve êxito e Cash, revigorado, voltava à evidência.
Pra começar o show o Homem de Preto apresentava seu cartão de visitas com a música que todos ali queriam ouvir, “Folson Prison Blues”, e com seu carisma, sua voz adoravelmente sinistra e sua levada característica de violão, cativava aqueles homens enclausurados ali com uma série de músicas sobre presos, homens simples, dor, solidão, saudades de casa e de suas amadas, ganhando definitivamente o público para seu lado. “Green, Green Grass of Home” fala dessa vontade de rever o lar; “Cocaine Blues” sobre um cara que mata a mulher e acaba exatamente lá, em Folson; e a dramática “The Wall” é sobre o plano de um interno de chegar até o muro da cadeia para fugir mas já sabendo que a tentativa seria suicídio. Além disso, fala de trabalhadores como o solitário e triste mineiro de “Dark as Dungeon”, e na espetacular “The Legend os John Henry’s Hammer” sobre um funcionário de uma ferrovia que tem que praticamente disputar o emprego contra uma máquina, com a percussão imitando as marretadas do operário, numa interessante metáfora sobre o desemprego na sociedade industrial.
Mas Mr. Cash também é romântico como em “Give My Love To Rose” na qual divide os vocais com a esposa June Carter; é sentimental em “Send a Picture of Mother”; mas também faz rir como na hilária “Dirty Old Egg-Suckin'Dog” ou na trágica, interpretada de maneira irreverente, “25 Minutes to Go”, com sua contagem regressiva para a forca.
Surpreende a todos encerrando o show com “Greystone Chappel”, composição de autoria de um dos presos dali, que havia-lhe enviado a canção meses antes ao saber que o cantor se apresentaria na penitenciária, em mais um momento emocionante da apresentação.
Depois daquilo era hora de retornar às celas. A dura realidade voltava a reinar. A diversão havia acabado.
Show lendário de uma das figuras mais importantes da história da música. Talvez o maior ícone do country-rock de todos os tempos e um dos músicos mais influentes que já esteve neste planeta. Ali, com o concerto na prisão de Folson, Johnny Cash se reerguia mais uma vez ressurgindo das cinzas, mas cairia de novo infelizmente. Levantaria novamente, é verdade, cairia de novo e seguiria assim, praticamente até o final de sua carreira quando teria a consagração definitiva e final com a série “Americans” que o faria ter de novo todo o reconhecimento que sempre mereceu. Mas isso é assunto para outra resenha.

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FAIXAS:
1. Folsom Prison Blues
2. Busted*
3. Dark as The Dungeon
4. I Still Miss Someone
5. Cocaine Blues
6. 25 Minutes to Go
7. Orange Blossom Special
8. The Long Black Veil
9. Send a Picture of Mother
10. The Wall
11. Dirty Old Egg-Suckin'Dog
12. Flushed From the Bathroom of Your Heart
13. Joe Bean
14. Jackson
15. Give My Love to Rose*
16. I Got Stripes*
17. The Legend of John Henry's Hammer
18.
Green, Green Grass of Home
19. Greystone Chapel

*não faziam parte da edição original do álbum, tendo sido acrescentadas no formato CD.


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Ouça:

quarta-feira, 18 de julho de 2012

cotidianas #170 - Maratona



A Juventus, time de futebol sete no qual eu jogava, chegou um momento que ficou grande demais para os domínios locais. Ganhávamos praticamente tudo de torneios de bairro e arredores. Começamos então a participar dos torneios da Federação Gaúcha de Futebol Sete e os jogos passaram a ser então nas sedes determinadas pela organizadora. Uma das sedes era na Ilha da Pintada, localidade próxima a Porto Alegre, já no município de Eldorado do Sul, do outro lado da Ponte Elevadiça, que é um dos cartões postais da cidade.
Os jogos da FGF7 costumavam ser pela manhã, sendo às vezes o primeiro horário, às 8 e meia, indo até uma ou duas das tarde no máximo, o que nos obrigava no caso de sermos sorteados nos primeiros jogos a nos mobilizarmos muito cedo.
Como éramos amadores, jogávamos mais pela curtição, muitas vezes, eu na condição de ‘dirigente’ tinha que me desdobrar para garantir que tivéssemos o número mínimo de jogadores no domingo de manhã, às vezes muito cedo. Às vezes era difícil. Tinha que encarar a falta de comprometimento de alguns, dificuldade financeira de outro que não tinha sequer dinheiro pra passagem, compromissos familiares ou profissionais de fulano, resultados de noitadas de cicrano e assim por diante. Por mais que fôssemos um time de bairro, e a maioria morasse próxima, alguns moravam em outros bairros e por isso, tínhamos como ponto de encontro o terminal de ônibus da Praça XV, no Centro de Porto Alegre, em frente ao Mercado Público. Lá os que chagavam, esperavam os demais até um horário limite para que pegássemos um ônibus até a Ilha da Pintada onde aconteciam nossos jogos. O problema é que o ônibus tinha pouca freqüência, poucos horários e tínhamos que contar com a possibilidade da ponte estar levantada e nos atrasar, então o horário limite de saída do Centro, tinha que ser seguido rigorosamente.
Um dos nossos jogadores, o Testa, tipo folclórico, meio bronco, dono de uma ingenuidade tal que o fazia passar por burro muitas vezes, mas que no fundo revelava uma pessoa extremamente afável, trabalhava em uma padaria durante a noite toda e mesmo assim ia direto para os jogos, e quando os jogos eram da Federação, na Ilha, se juntava a nós no ponto de encontro, no terminal do centro da cidade.
Naquele domingo tínhamos jogo na Ilha e havia um agravante que poderia nos atrasar: acontecia a Maratona de Porto Alegre e uma parte do trajeto passava pelo Centro. Marcamos de nos encontrarmos mais cedo ainda para não correr o risco de que ruas fossem interditadas, que o trânsito ficasse ruim, que fosse interrompido, que o itinerário fosse muito alterado ou que qualquer coisa acontecesse. Não queríamos ser surpreendidos pelo acaso.
Por azar aquele domingo era um daqueles dias que estávamos contadinhos: dos confirmados no dia anterior, teríamos SETE jogadores certinho, contando com o Testa que nos encontraria lá. Não tinha muito risco, o Testa não era de faltar, era fiel. Podia ter trabalhado a noite toda diante de um forno de pão mas não nos deixava na mão. Assim, nós, eu, meu irmão Daniel e mais 4 fominhas, tendo chegado antes, esperaríamos o Testa até o horário marcado.
O problema é que a hora foi passando, o horário se aproximando e nada do Testa. O que teria acontecido? Ele não era de atrasar. Teria pego um trecho da maratona em outra parte da cidade? Teria ficado até mais tarde na padaria? Não teria podido ir? E o tempo passando e nada do Testa. Tínhamos que embarcar. Não tinha como esperar. O próximo ônibus pra Ilha era só dali há uma hora e se perdêssemos aquele fatalmente perderíamos o jogo por WO.
Embarcamos. Melhor 6 jogadores em campo do que nenhum. O motorista deu a partida. Ainda mantínhamos uma esperança de que nosso atleta aparecesse na última hora mas nada. O ônibus pôs se andar, andou alguns metros e, sentados no banco do fundo, olhamos ainda mais uma vez para trás. O ônibus ia então dobrando a esquina que dá do terminal para a Av. Júlio de Castilhos quando para nossa feliz surpresa avistamos o Testa descendo em desabalada carreira a Rua Marechal Floriano. Foi aquele alvoroço. “O Testa, o Testa!” gritávamos em comemoração. Mas nossa festa foi um tanto precoce pois, não tendo nenhum ponto ali imediatamente, o motorista recusou-se a parar mesmo sob os nossos insistentes pedidos.
“Fodeu!”, pensamos enquanto víamos pelo vidro traseiro o Testa ainda correndo quase desanimando ao perceber que o motorista, provavelmente seguindo as rigorosas regras da empresa, não lhe abriria aquela exceção e pararia fora do ponto. O ônibus já seguia um bom pedaço da avenida quando avistamos bem ao fundo o Testa, persistente, acelerando a corrida esperançoso de embarcar. Já que não contávamos com a boa vontade do motorista, passamos então a torcer para que o Testa conseguisse, favorecido por um ritmo mais lento, pelos sinais vermelhos dos semáforos, alcançar o veículo até o próximo ponto. Chegou perto disso em algum momento mas pondo-se em marcha novamente, mesmo sob nossas súplicas para que permanecesse mais um pouco no ponto, o carro afastara-se novamente do nosso colega. Nossa torcida vivaz e barulhenta dentro do ônibus começava a contagiar outros passageiros, que víamos, já atentos à possibilidade do rapaz conseguir ou não embarcar no carro. Mas a chance pareceu se esvair quando o coletivo fez a curva na altura da rodoviária e a figura do corredor se perdia lá atrás. Nosso entusiasmo com a até então heróica corrida arrefeceu e sentamos desanimados lamentando. A próxima parada seria longe dali, na avenida Voluntários da Pátria mas muuuito adiante. Não dava mais.
O ônibus dobrou na Voluntários e mesmo desesperançosos, ainda demos uma olhadinha pra trás por ‘desencargo de consciência’. Vai que ele tivesse insistido. “Não, ninguém insistiria”. Mas eis que...Não era possível!!! Lá estava ele! Ele pegara um atalho pela Coronel Vicente e estava ali ainda, tenaz, nos seguindo como um cavalo de raça. O ônibus então ‘veio abaixo’! Não apenas nós mas todos os passageiros, agora já envolvidos no nosso drama e no drama do Testa, vibraram com a aparição milagrosa do negro na esquina da Voluntários, e como ali a circulação de veículos, separada por uma faixa, se misturava à da Maratona de Porto Alegre, o Testa pôs-se a passar um a um, por cada participante da prova, sem lhes tomar conhecimento. Qualquer um daqueles atletas deve ter pensado, “eu não sei quem é esse queniano, mas com certeza esse cara vai ganhar a prova”. E passou um, dois, e outro e outro... Os atletas boquiabertos eram ultrapassados como se fossem tartarugas.
A essas alturas até o inflexível motorista já se sensibilizara com o esforço do garoto e começava a diminuir a marcha de modo a permitir sua aproximação. A torcida era tamanha, os pedidos de todos, inclusive dos que não tinham nada a ver com a situação, tão insistentes, que o condutor se rendeu e parou fora do ponto até que o heróico corredor se aproximasse e entrasse ovacionado no veículo. Exausto, esgotado, esbaforido, exaurido, desabou num banco qualquer até recuperar o fôlego não levantando dali até chegarmos ao local do jogo.
Depois nos explicou que saíra mais tarde da padaria, perdera o ônibus que o levaria até o Centro ou algum outro motivo que não lembro. Não interessava. Estava ali e só pelo seu esforço nosso dia já tinha valido. Sua prova de fidelidade e lealdade tinha valido por todos aqueles que tinham ficado dormindo e nos deixaram com o número mínimo de jogadores para encarar uma parida difícil como a que teríamos.
O jogo?
Ah!
Ganhamos por 2x1 do time da casa.
Nós ganhamos o jogo mas pode-se dizer que o Testa ganhou o jogo e a maratona também.



Cly Reis

terça-feira, 17 de julho de 2012

Muddy Waters - "Fathers and Sons" (1969)




“Meu ‘encanto’ funciona,
mas não com você”
“Got My Mojo Working”



Depois da fase experimental, uma retomada ao bom e velho blues característico e as pazes com os fãs, críticos, e consigo mesmo. Em “Fathers and Sons” de 1969, o grande Muddy Waters retornava ao seu estilo habitual proporcionando blues da melhor qualidade, dois discos após a psicodelia barulhenta de "Electric Mud", disco excelente, renegado no entanto pelo próprio artista.
Lançado originalmente como LP duplo, trazia 16 músicas no total sendo o disco 2 apenas com versões ao vivo.  O formato CD tem 4 faixas de estúdio a mais mas mantém as seis originais de show. Entre estas ao vivo temos a arrepiante “Long Distance Call” com sua guitarra estridente levando o público ao delírio; “Baby Please Don’t Go” que já havia sido consagrada na versão do Them, mas aqui não tão acelerada quanto na versão da banda de Van Morrison; e o clássico “Got My ‘Mojo’ Working”, tocada duas vezes, executada de modo vibrante com participação entusiástica da galera. No mais, a balada com a harmônica chorosa, “Mean Disposion”; o show particular de guitarra de Muddy em “Can’t Lose What You Ain’t Never Had”; a performance coletiva arrasadora de todo o time em “Stand Round Cryin’” e a incrível “Twenty Four Hours mostravam quem mandava no pedaço.
Era o velho McKinley Morganfield retornando com vivas ao seu bom e velho blues elétrico.
A capa genial com um  Deus negro criando o Homem, de certa forma é muito sugestiva quanto a este retorno de Muddy às suas raízes e parece conter uma espécie de recado, tipo, Deus criou o Homem. O Homem criou o blues. Muddy Waters  criou o Blues de Chicago.
Muddy fez “Fathers and Sons”...
Deus é pai, Deus é pai.
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FAIXAS:
  1. "All Aboard" – 2:52
  2. "Mean Disposition" – 5:42
  3. "Blow Wind Blow" – 3:38
  4. "Can't Lose What You Ain't Never Had" – 3:06
  5. "Walkin' Thru The Park" – 3:21
  6. "Forty Days And Forty Nights" (Roth) – 3:08
  7. "Standin' Round Cryin'" – 4:05
  8. "I'm Ready" (Dixon) – 3:39
  9. "Twenty Four Hours" (Boyd) – 4:48
  10. "Sugar Sweet" – 2:18
  11. "Long Distance Call" – 6:37
  12. "Baby, Please Don't Go" (Williams) – 3:03
  13. "Honey Bee" – 3:56
  14. "The Same Thing" (Dixon) – 5:59
  15. "Got My Mojo Working, Part 1" (Foster, Morganfield) – 3:22
  16. "Got My Mojo Working, Part 2" (Foster, Morganfield) – 2:54
faixas extras da versão CD:
"Country Boy" – 3:20
"I Love the Life I Live (I Live the Life I Love)" (Dixon) – 2:45
"Oh Yeah" (Dixon) – 3:38
"I Feel So Good" (Big Bill Broonzy) – 3:00

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Ouça:

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Presa








"Presa"
REIS, Cly
grafite sobre papel manteiga
20x20cm

The Smiths Cover / The Cure Cover - Rio Rock and Blues Club - Lapa - Rio de Janeiro (14/07/2012)



Smiths Cover detonando
(de novo)
O evento que se anunciara era tudo o que eu podia querer em matéria de entretenimento na noite carioca, num lugar pra lá de bacana: The Smiths Cover, banda que eu já conhecia, de comprovada competência e The Cure Cover, para mim uma incógnita que guardava, no entanto, boas expectativas, embora com uma ponta de desconfiança por considerar o Cure um grupo um tanto peculiar, com um vocal muito característico e detalhes técnicos muito significativos. Arriscado.
Assim, fui então ao Rio Rock & Blues Club no último sábado mais com a curiosidade de ver o cover do The Cure do que propriamente por rever os Smiths, que teoricamente não teriam nada de novo para apresentar em relação ao que eu havia visto antes.
E, no tocante aos Smiths, era verdade. Não tinham nada de novo. Nenhuma novidade... Mas por incrível que pareça estão cada vez melhores e conseguem fazer com que mesmo depois de tê-los visto várias vezes, o show ainda seja atraente, surpreendente e vibrante. “Handsome Devil” foi matadora; “This Charming Man” espetacular; “There’s a Light tha that Never Goes Out” emocionante; “Barbarism Begins At Home” absolutamente bem executada com o baixista João Ricardo esmerilhando nas quatro cordas; e o guitarrista Eric Marr absolutamente perfeito inclusive nas mais ‘encrespadas’ como “Girl Afraid” e “Still Ill”, sem falar na execução impecável de “How Soon is Now?”. Pensei que não pudessem mais me empolgar, que simplesmente seria mais um showzinho cover mas me enganei. Agradável engano.
O "Robert Smith" genérico do fraco
The Cure Cover
Já para o tal cover do The Cure não posso tecer elogios com o mesmo entusiasmo. Aliás parece que eles não demonstravam entusiasmo. Ah, dirão “mas o The Cure não é uma banda que se possa chamar de animada”. Sei. Não é disso que estou falando. Estou falando de tesão, vibração, presença de palco. E quanto a isso, não se viu nada.
Pra não dizer que não vi nada de bom, o baterista foi o único que se salvou, começando o show, inclusive com a difícil “Hanging Garden”, mantendo regularidade impressionante naquela batida complicada. Já o nosso “Robert Smith” era extremamente fraco. Não exijo que TENHA a voz do seu homenageado, mas um cantor que pretenda fazer cover, na minha opinião, tem que ter alguma semelhança de timbre, tem que tirar algum elemento característico da interpretação do original, ou no mínimo colocar alguma empostação que remeta o ouvinte àquele que pretende imitar. Se não não é cover. É uma banda tocando a música de tal banda e aí tá cheio dessas na noite, dessas que tocam hits dos anos 80 e que certamente vão tocar “Boys Don’t Cry” provavelmente melhor do que eles.
Mas não ter essa identidade vocal não teria sido nada se não fosse o fato de que parecia que não tinha vocal. A voz não saía. Não sei se o cara tava tímido, se o som estava ruim, se ele estava bêbado (volta e meia entornava uma garrafa de vinho que estava ao seu lado no chão) mas o fato é que não cantava. Sem falar na peruca... Não precisava! Ficaria muito mais 'honesto' sem o cabelo espetado de Robert Smith. Ficou mais caricatural ainda.
E a baixista? O que falar da baixista? Nossa!!! Acho que se ela pudesse estar em casa de pantufas ela estaria, mas tenho certeza que ela gostaria de estar em qualquer lugar menos ali. Rigorosamente fria, sem sangue. Não exigia que ela fosse agitada como o baixista do Cure, Simon Gallup, mas a apatia dela se refletia nas suas execuções que ficavam absolutamente mecânicas e automáticas. Só se salvou o batera mesmo que, além da já citada, “Hanging Garden”, mostrou serviço em outras como “A Forest”, “Killing Na Arab”, “10:15 Saturday Night”.
Devo admitir que fui embora antes do final. Não tive paciência para agüentar aquilo ali tão sem alma. Mais uma vez, a noite valeu pelo The Smiths Cover que não deixou nada a desejar. Esses sim, me provaram que, por mais que já tenha assistido várias apresentações deles, sempre vai valer a pena ir vê-los de novo.



Cly Reis