sexta-feira, 4 de abril de 2014
quinta-feira, 3 de abril de 2014
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Arte Espontânea VI - Superfície
Copa do Mundo The Cure - Confrontos segunda fase
E saíram os confrontos da segunda fase da Copa The Cure.
Só caroço!!!
Por mais que agora não existisse mais a restrição de enfrentamento do mesmo disco, curiosamente, por sorteio não deu nenhum 'clássico local', o que não impediu de termos enfrentamentos de gigantes. Entre eles, alguns confrontos chamam especialmente a atenção, tais como "The Walk" x "Boys Don't Cry", "Lovesong" x "High", "Killing An Arab" x "Hanging Garden" entre outros jogaços que complementam a tabela desta fase.
Bom, confiram todos os confrontos.
Haja Coração!
Só caroço!!!
Por mais que agora não existisse mais a restrição de enfrentamento do mesmo disco, curiosamente, por sorteio não deu nenhum 'clássico local', o que não impediu de termos enfrentamentos de gigantes. Entre eles, alguns confrontos chamam especialmente a atenção, tais como "The Walk" x "Boys Don't Cry", "Lovesong" x "High", "Killing An Arab" x "Hanging Garden" entre outros jogaços que complementam a tabela desta fase.
Bom, confiram todos os confrontos.
Haja Coração!
terça-feira, 1 de abril de 2014
Copa do Mundo The Cure - classificados primeira fase
Passada a fase preliminar, uma espécie de peneira, os singles e hits entraram nesta primeira fase e não encontraram vida fácil. Mega-sucessos como "Why Can't I Be You?", "Close to Me" e "Catch" já ficaram pelo caminho. Por outro lado algumas menos badaladas como "This Twilight Garden" e a surpreendente "Do the Hansa" que já tirou "The Holy Hour" e "The End of World" aparecem como surpresas.
No mais, as grandes confirmam suas condições de favoritismo e se impõe, como "Inbetween Days", "Just Like Heaven", "Friday I'm in Love", "Boys Don't Cry", "The Walk", etc., mas entre estas despontam um pouco à frente 'Push" que superou duas pedreiras ("Another Journey by Teain" e "Why Can't I Be You?"), "Fascination Street" pela consistência e "A Forest" que num primeiro confronto, contra a forte "Other Voices", não deu a menor chance.
O saldo dos calssificados da fase, por álbum foi de 6 do "Three Imaginary Boys"; 4 do "Disintegration"; do "The Top", "Wish" e "The Head on the Door", 3 cada; 2 de "Japanese Dream", "Seventeen Seconds" e "Pornography", além de 2 B-sides de singles; 1 do "Faith", 1 do "Kiss Me...", 1 do "4:13 Dream", 1 do "Boys Don't Cry" (uma vez que a música "Boys Don' Cry" não saiu no "3 Imaginary Boys") e 1 single, "Charlotte Sometimes", que na discografia original não saiu em álbum.
Abaixo, destacados, em vermelho, todos os classificados:
No mais, as grandes confirmam suas condições de favoritismo e se impõe, como "Inbetween Days", "Just Like Heaven", "Friday I'm in Love", "Boys Don't Cry", "The Walk", etc., mas entre estas despontam um pouco à frente 'Push" que superou duas pedreiras ("Another Journey by Teain" e "Why Can't I Be You?"), "Fascination Street" pela consistência e "A Forest" que num primeiro confronto, contra a forte "Other Voices", não deu a menor chance.
O saldo dos calssificados da fase, por álbum foi de 6 do "Three Imaginary Boys"; 4 do "Disintegration"; do "The Top", "Wish" e "The Head on the Door", 3 cada; 2 de "Japanese Dream", "Seventeen Seconds" e "Pornography", além de 2 B-sides de singles; 1 do "Faith", 1 do "Kiss Me...", 1 do "4:13 Dream", 1 do "Boys Don't Cry" (uma vez que a música "Boys Don' Cry" não saiu no "3 Imaginary Boys") e 1 single, "Charlotte Sometimes", que na discografia original não saiu em álbum.
Abaixo, destacados, em vermelho, todos os classificados:
cotidianas #282 - "O Delírio"
O DELÍRIO
Caiu do ar? destacou-se da terra? não sei; sei que um vulto imenso, uma figura de mulher me apareceu então, fitando-me uns olhos rutilantes como o sol. Tudo nessa figura tinha a vastidão das formas selváticas, e tudo escapava à compreensão do olhar humano, porque os contornos perdiam-se no ambiente, e o que parecia espesso era muita vez diáfano. Estupefato, não disse nada, não cheguei sequer a soltar um grito; mas, ao cabo de algum tempo, que foi breve, perguntei quem era e como se chamava: curiosidade de delírio.
— Chama-me Natureza ou Pandora; sou tua mãe e tua inimiga.
Ao ouvir esta última palavra, recuei um pouco, tomado de susto. A figura soltou uma gargalhada, que produziu em torno de nós o efeito de um tufão; as plantas torceram-se e um longo gemido quebrou a mudez das coisas externas.
— Não te assustes, disse ela, minha inimizade não mata; é sobretudo pela vida que se afirma. Vives: não quero outro flagelo.
— Vivo? perguntei eu, enterrando as unhas nas mãos, como para certificar-me da existência.
— Sim, verme, tu vives. Não receies perder esse andrajo que é teu orgulho; provarás ainda, por algumas horas, o pão da dor e o vinho da miséria. Vives: agora mesmo que ensandeceste, vives; e se a tua consciência reouver um instante de sagacidade, tu dirás que queres viver.
Dizendo isto, a visão estendeu o braço, segurou-me pelos cabelos e levantou-me ao ar, como se fora uma simples pluma. Só então, pude ver-lhe de perto o rosto, que era enorme. Nada mais quieto; nenhuma contorção violenta, nenhuma expressão de ódio ou ferocidade; a feição única, geral, completa, era a da impassibilidade egoísta, a da eterna surdez, a da vontade imóvel. Raivas, se as tinha, ficavam encerradas no coração. Ao mesmo tempo, nesse rosto de expressão glacial, havia um ar de juventude, mescla de força e viço, diante do qual me sentia eu o mais débil e decrépito dos seres.
— Entendeste-me? disse ela, no fim de algum tempo de mútua contemplação.
— Não, respondi; nem quero entender-te; tu és absurda, tu és uma fábula. Estou sonhando, decerto, ou, se é verdade que enlouqueci, tu não passas de uma concepção de alienado, isto é, uma coisa vã, que a razão ausente não pode reger nem palpar. Natureza, tu? a Natureza que eu conheço é só mãe e não inimiga; não faz da vida um flagelo, nem, como tu, traz esse rosto indiferente, como o sepulcro. E por que Pandora?
— Porque levo na minha bolsa os bens e os males, e o maior de todos, a esperança, consolação dos homens. Tremes?
— Sim; o teu olhar fascina-me.
— Creio; eu não sou somente a vida; sou também a morte, e tu estás prestes a devolver-me o que te emprestei. Grande lascivo, espera-te a voluptuosidade do nada.
Quando esta palavra ecoou, como um trovão, naquele imenso vale, afigurou-se-me que era o último som que chegava a meus ouvidos; pareceu-me sentir a decomposição súbita de mim mesmo. Então, encarei-a com olhos súplices, e pedi mais alguns anos.
— Pobre minuto! exclamou. Para que queres tu mais alguns instantes de vida! Para devorar e seres devorado depois! Não estás farto do espetáculo e da luta? Conheces de sobejo tudo o que eu te deparei menos torpe ou menos aflitivo: o alvor do dia, a melancolia da tarde, a quietação da noite, os aspectos da terra, o sono, enfim, o maior benefício das minhas mãos. Que mais queres tu, sublime idiota?
— Viver somente, não te peço mais nada. Quem me pôs no coração este amor da vida, se não tu? e, se eu amo a vida, por que te hás de golpear a ti mesma, matando-me?
— Porque já não preciso de ti. Não importa ao tempo o minuto que passa, mas o minuto que vem. O minuto que vem é forte, jocundo, supõe trazer em si a eternidade, e traz a morte, e perece como o outro, mas o tempo subsiste. Egoísmo, dizes tu? Sim, egoísmo, não tenho outra lei. Egoísmo, conservação. A onça mata o novilho porque o raciocínio da onça é que ela deve viver, e se o novilho é tenro tanto melhor: eis o estatuto universal. Sobe e olha.(...)
Ao contemplar tanta calamidade, não pude reter um grito de angústia, que Natureza ou Pandora escutou sem protestar nem rir; e não sei por que lei de transtorno cerebral, fui eu que me pus a rir, de um riso descompassado e idiota.
— Tens razão, disse eu, a coisa é divertida e vale a pena, talvez monótona, mas vale a pena. Quando Jó amaldiçoava o dia em que fora concebido, é porque lhe davam ganas de ver cá de cima o espetáculo. Vamos lá, Pandora, abre o ventre, e digere-me; a coisa é divertida, mas digere-me(...)"
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Machado de Assis
"Memórias Póstumas de Brás Cubas"
(capítulo VII)
segunda-feira, 31 de março de 2014
Suicide - "Suicide" ou "First Album" (1977)
"As inovações técnicas e musicais do álbum
o fazem parecer quase atual."
Chris Shade,
músico e jornalista
Sabe aquela cena do filme Os Irmãos Cara-de-Pau", em que eles tocam num bar country e o público fica jogando garrafas o tempo todo? Pois é, os show do Suicide, ali pelo final dos anos 70 em Nova Iorque eram mais ou menos assim. Ousando fazer um som eletrônico no meio da cena punk novaiorquina, o Suicide sempre teve que enfrentar plateias hostis e conviver com falta de compreensão de seu trabalho, no fundo, tão punk, ou mas, do que muitos que faziam parte daquele contexto na época.
Com um som eletrônico minimalista, repetido, construído a partir de sintetizadores quase artesanais, a dupla Alan Vega e Martin Rev produzia uma música transgressora, agressiva, poderosa e criativa, como, no fim das contas era o espírito do punk.
Infelizmente o público, sequioso por guitarras ruidosas, esperando por uma banda de baixo-guitarra-bateria, cheia de couros e correntes, e pouco habituado a uma dupla usando equipamentos esquisitos, não fazia a devida justiça ao conceito revolucionário que o Suicide imprimia a partir daquele momento.
Seu disco de estreia, "Suicide", conhecido também como "First Album", de 1977, é o melhor exemplo dessa inovação. Destaque para a ótima "Ghost Rider" que abre o disco, um punk-rock-eletrônico alucinante; para a perturbadora e nervosa "Rocket U.S.A."; para Johnny", bem rocn'n roll, à sua maneira; e para a ótima "Girl", sensual, provocante e sinuosa. Não pode-se no entanto deixar de falar das demais: a climática "Che", com seu som esfumaçado e órgão estridente; a lenta e delicada "Chree" e,mesmo não gostando muito, a longa "Johnny Teradrop", uma peça experimental de apreciação questionável, é verdade, mas de alto valor ilustrativo, simbólico e sobretudo conceitual.
Banda altamente influente para os anos 80, para os new-wave, eletrônicos, eletros e afins. Fundamental para a fusão de elementos eletrônicos com som pesado e para as experimentações punk-eletrônico bem comuns a partir dos anos 90. Analisando bem, e vendo o tamanho da influência dessa dupla no quadro musical contemporâneo, a gente fica pensando o que seria de bandas como Front 242, Alien Sex Fiend, Korn, Prodigy e de tantos outros sem o Suicide?
*****************************************
FAIXAS:
- "Ghost Rider" - 2:34
- "Rocket U.S.A." - 4:16
- "Cheree" - 3:42
- "Johnny" - 2:11
- "Girl" - 4:05
- "Frankie Teardrop" - 10:26
- "Che" - 4:53
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sexta-feira, 28 de março de 2014
quinta-feira, 27 de março de 2014
quarta-feira, 26 de março de 2014
Copa do Mundo The Cure - Primeira Fase
Agora sim é pra valer!
Depois de uma fase preliminar, os singles e hits entram na peleia e enfrentam os classificados da fase anterior. E mais uma vez nosso time de cureólogos especializados terá a difícil tarefa de classificar só uma música em confrontos dificílimos.
Confira aí a tabela da nova fase da competição.
Haja coração!
Depois de uma fase preliminar, os singles e hits entram na peleia e enfrentam os classificados da fase anterior. E mais uma vez nosso time de cureólogos especializados terá a difícil tarefa de classificar só uma música em confrontos dificílimos.
Confira aí a tabela da nova fase da competição.
Haja coração!
terça-feira, 25 de março de 2014
Copa do Mundo The Cure - classificados fase preliminar
E a pré-fase acabou!
Algumas grandes já ficaram pelo caminho como Shake Dog Shake, Kyoto Song, The Kiss, Faith, mas a grande surpresa da primeira fase foi a desclassificação de The Holy Hour para Do the Hansa.
Se já nessa fase preliminar tivemos clássicos como Play for Today x Shake Dog Shake, Faith x A Night Like This, One Hundred Years x The Kiss, imagina agora quando vão entrar os hits e singles!
Confiram aí todos os classificados. Em seguida, nos próximos dias, vem aí os confrontos da próxima fase.
Aguenta coração!!!
Em vermelho, os classificados:
Algumas grandes já ficaram pelo caminho como Shake Dog Shake, Kyoto Song, The Kiss, Faith, mas a grande surpresa da primeira fase foi a desclassificação de The Holy Hour para Do the Hansa.
Se já nessa fase preliminar tivemos clássicos como Play for Today x Shake Dog Shake, Faith x A Night Like This, One Hundred Years x The Kiss, imagina agora quando vão entrar os hits e singles!
Confiram aí todos os classificados. Em seguida, nos próximos dias, vem aí os confrontos da próxima fase.
Aguenta coração!!!
Em vermelho, os classificados:
cotidianas #281 - Olhos Fechados
Eu vejo uma chuva de raios
Eu vejo coelhos selvagens cruzando o céu vermelho
Eu vejo uma explosão estrelar sendo consumida pelo oceano
Eu vejo as cidades cobertas por uma nuvem de êxtase
Eu vejo um dragão de 8 cabeças botando suas 16 língua pra fora e levantando o seus 18 dedos médios
Eu vejo uma aura de poesia elétrica lambendo o universo de baixo para cima
Eu... eu... eu vejo a cura
Sim, eu vejo
Eu vejo mal
Eu vejo o pecado
Eu vejo o natural
O doce
O podre
Eu vejo... eu vejo...
Imagens invisíveis transparentes translúcidas indistinguíveis
Eu vejo a verdade vestida de verde vendendo ventos velozes
Eu vejo... constelações inteiras se diluindo no néctar do fim dos tempos
Eu vejo um homem em terno de aço com olhos fulgurantes comendo o lixo da civilização
Eu vejo pessoas enfileiradas
Eu vejo filas enormes
quilométricas
de gente esperando para receber um cuspe na cara
Eu vejo uma onda magnética radiotiva de prazer
Eu vejo genitais lambuzadas em óleo diesel
Eu vejo formas indefinidas rodando ao redor das luas
Então eu abor os olhos e vejo que as outras pessoas também estão dançando
Muitas delas como eu
De olhos fechados
Então fecho os olhos de novo
E ao som da música pulsante
Eu vejo...
Cly Reis
sexta-feira, 21 de março de 2014
Exposição Ron Mueck - MAM / Rio
Abre hoje, aqui no Rio, a exposição do artista australiano Ron Mueck, conhecido por suas esculturas hiper-realistas gigantes.
A mostra que acontece no MAM e que traz 9 obras do artista, sendo 3 delas inéditas, fica aberta de hoje até 1º de junho. Quem quiser pode ainda assitir ao documentário "Still Life" que mostra um pouco do processo de criação e de produção de Mueck.
Programa reservado. Pretendo ir lá dar minha conferida.
Pra quem quiser visitar também...
Exposição Ron Muecklocal: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM)
endereço: Av. Infante Don Henrique, 85, Aterro do Flamengo
visitação: de terças às sextas-feiras, das 12h às 18h
ingresso: R$14,00 (inteira)
meia-entrada para estudantes e maiores de 60 anos
grátis para amigos do MAM e menores de 12 anos
e nas quartas-feiras liberado para todos a partir das 15h
cotidianas #280 - O primeiro poema do caderno
O primeiro poema do caderno
![]() |
"Caderno", RODRIGUES, Daniel
esferográfica em bloco de papel
(aprox. 30x 22cm)
|
O primeiro poema do caderno
vem assim
sem asco e sem sílaba
sem tônica
nem dominante
sem som: mudo, 4’33, “ma”, prece
O primeiro poema do caderno
permite-se a tudo
ao sexo sujo, ao jogo limpo
às paredes mal pintadas das celas
à mendicância dos suicidas heroicos
à imundície dos bancos das praças
à mira dos atiradores a esmo
ao gargalo das garrafas dos bêbados
às gravatas dos donos do mundo
enforcadoras das vontades
Afinal, ele é o primeiro de todos
pode-se tudo, ele
O primeiro poema do caderno
diz, maioral: “às favas com os estilos!”
quer transgredir as métricas e as redondilhas
tudo que lhe encarcera
que oprime, limita:
parnasos, neoconcretos, renascenças, ilíadas,
comédias divinas, faustos doutores
tudo lixo
resta-se livre e insuflado sobre as linhas
do poema que vem primeiro
e por isso impõe-se
O primeiro poema do caderno
pode tomar folhas e folhas
do caderno
sem culpa
e transformá-las, depois de rabiscadas, em páginas
e ainda crendo-se, inabalável, primeiro, uno
poema
essa coisa inventada pelos deuses mundanos
que compreende todas as verdades e desverdades
mundos
Ele (traiçoeiro, como vês)
quer subverter as próprias anáforas
dedicar-se a mundos
de explosões solares, nebulosas coloridas e amores
lunares
aqueles que têm dentro de ti
ó, invólucro débil e sábio!
tão corpo... tão corpo
por isso, o primeiro poema do caderno (justo)
te merece
Ele dita o ritmo
da pulsação
e para de bater
quando lhe convêm
como agora
morte
...
e: Páscoa!, ressuscita
Há-de contrariá-lo?
O primeiro poema do caderno
é isso que você está vendo
no espelho da tua carne
nada mais
– reconhecei-vos!
poema que, por ser primeiro
parece
curiosa e infalivelmente
com o último
o último que será
o primeiro
ao infinito
poema deste caderno
que agora e por isso
passou a existir.
a Luan Pires.
quinta-feira, 20 de março de 2014
Copa do Mundo The Cure - Fase Preliminar
Está valendo!
Começou a Copa.
Não a da FIFA, a do clyblog.
E na nossa Copa do Mundo a gente escolhe a melhor música de uma banda em confrontos eliminatórios até chegar a uma grande final.
A primeira banda a entrar em campo é o The Cure e 4 cureanos fanáticos, Cly Reis, Daniel Rodrigues, Christian Ordoque e Anderson Reis, vão decidir quem passa e quem fica pelo caminho em confrontos espetaculares.
No total serão 96 músicas se enfrentando entre si. Na fase preliminar 64 canções se degladiam e apenas 32 passam para enfrentar os singles e grandes sucessos como "Inbetween Days", "Why Can't I Be You", "Boys Don't Cry", que já estão esperando, pré-classificadas para a fase seguinte.
Nas duas primeiras fases não pode haver enfrentamento do mesmo álbum (por exemplo: "Friday I'm In Love" não pode enfrentar "High") mas depois disso não tem jeito. Tem que matar quem cair pela frente.
Abaixo os enfrentamentos da pré-fase. Todos foram definidos em sorteio dirigido, de modo a não haver confrontos do mesmo disco, assim como a quem caberá a decisão dos classificados.
Então acompanhe a tabela e fique na torcida.
Começou a Copa.
Não a da FIFA, a do clyblog.
E na nossa Copa do Mundo a gente escolhe a melhor música de uma banda em confrontos eliminatórios até chegar a uma grande final.
A primeira banda a entrar em campo é o The Cure e 4 cureanos fanáticos, Cly Reis, Daniel Rodrigues, Christian Ordoque e Anderson Reis, vão decidir quem passa e quem fica pelo caminho em confrontos espetaculares.
No total serão 96 músicas se enfrentando entre si. Na fase preliminar 64 canções se degladiam e apenas 32 passam para enfrentar os singles e grandes sucessos como "Inbetween Days", "Why Can't I Be You", "Boys Don't Cry", que já estão esperando, pré-classificadas para a fase seguinte.
Nas duas primeiras fases não pode haver enfrentamento do mesmo álbum (por exemplo: "Friday I'm In Love" não pode enfrentar "High") mas depois disso não tem jeito. Tem que matar quem cair pela frente.
Abaixo os enfrentamentos da pré-fase. Todos foram definidos em sorteio dirigido, de modo a não haver confrontos do mesmo disco, assim como a quem caberá a decisão dos classificados.
Então acompanhe a tabela e fique na torcida.
quarta-feira, 19 de março de 2014
Tim Maia - "Nuvens" (1982)
da letra de “Haddock
Lobo, Esquina com Matoso”
Ed Motta, profundo conhecedor da música soul e, além de tudo, sobrinho de Tim Maia, disse certa vez: “’Nêgo’ tá de bobeira com negócio de [Tim
Maia] Racional, muito menos musical. O lance é esse aqui.” O “lance” a que
ele se refere é “Nuvens”, que seu
tio gravara em 1982. Uma preciosidade da soul
music brasileira da fase final da era black
rio que Tim foi, se não o principal, um dos protagonistas juntamente com
Cassiano, Hyldon, Dom Salvador, Érlon Chaves, Oberdan Magalhães, Carlos Dafé,
entre outros craques. Tudo gente da maior categoria, músicos de primeira, a
quem Tim, em “Nuvens”, faz questão de reverenciar de uma forma ou de outra.
O disco, assim, é uma volta às raízes da errante carreira desse junkie total chamado Tim Maia (afinal, o
cara, cheirava, fumava, bebia e comia, tudo em excesso). Tim já era uma lenda desde
o final dos anos 50, antes mesmo apresentar seu gogó de veludo ao mundo do
entretenimento. Nos anos 60, viajou, no peito e na raça (negra), para os
Estados Unidos em plena ebulição de Luther King e Black Panthers e em uma época
que não era comum um preto sul-americano pobre fazê-lo (ainda não é...) para
viver no gueto de Nova York fazendo música “y
outras cositas mas”. Foi, evidentemente, deportado por porte de drogas... Voltou
ao Brasil, foi gravado pelo já ícone Roberto Carlos e fez dueto com outro
ícone, Elis Regina. Tudo isso antes do seu aguardado – e confirmado – debut solo, "Tim Maia" (1970) (já
resenhado aqui no ClyBlog). Entre sucessos estrondosos ao longo da década
seguinte (“Primavera”, “Não Quero Dinheiro”, “Você”, “Azul da Cor do Mar” e
mais uma dezenas de hits), Tim também
amargou fracassos homéricos, fosse pela sua inabilidade como empresário à
frente da gravadora própria, a Seroma, fosse pelo comportamento de toxicômano
ou pelo seu temperamento irascível, o que lhe indispunha diretamente com toda a
indústria fonográfica. O limite da “irracionalidade” se deu em 1975, quando, em
uma séria crise de abstinência, parou com todas as drogas químicas para se viciar
na Cultura Racional, uma espécie de seita ocultista cuja filosofia ia do nada
ao nada, mas que o motivou a gravar os dois históricos discos “Tim Maia
Racional Vol. 1” e “Vol. 2”.
Após o (óbvio) fracasso do projeto (o Racional virou cult no mundo 30 anos depois sem render,
no entanto, nenhum centavo ao bolso de Tim) e de um retorno com tudo às drogas,
ele limpou-se de novo e ainda se recuperou nas paradas no final dos anos 70,
mas tudo com mais baixos do que altos. Curiosamente, a despeito do caixa
zerado, esse período de sua carreira é extremamente rico e fértil. Maduro como
músico (tocava quase todos os instrumentos, do violão à bateria, além compor,
arranjar e de dominar a mesa de estúdio), Tim enfileira discos excepcionais,
como os homônimos de 1976 (que contém “Rodésia”) e 1978 (o todo em inglês) e
“Reencontro”, de 1979 (o da linda “Lábios de Mel”). “Nuvens”, como Ed Motta
ressalta, é o ápice dessa fase, e um dos segredos para tal êxito está
justamente na volta às origens. Tim, então chegado aos 40 anos, parecia ter compreendido
que era necessário não se afastar de todos, como fizeram na fase Racional, mas,
sim, se reaproximar (física ou espiritualmente) daqueles que construíram sua
história, expondo, assim, o que ele realmente era: um cara de talento ímpar,
excêntrico e difícil, mas generoso e amigo.
Assim, voltam à cena Hyldon, Robson Jorge e, principalmente, o “genial
Genival”: Cassiano, cuja participação já lá no primeiro álbum de Tim é
fundamental. A faixa-título e de abertura, parceria de Cassiano com o “gringo
brasileiro” Deny King, evidencia seu toque refinado. Como destaca Ed Motta: “tema do Cassiano lindaço, moderno
harmonicamente”. De fato, a harmonia bossa-novista, com sinuosidades a la Marvin Gaye, ao mesmo tempo
romântica e espacial, tem a sua cara. O paraibano contribui ainda com seu falsete
e arranjo vocal no refrão, no qual forja, numa improvável alocação, a palavra “você”
dentro de apenas meio tempo do compasso sobre um riff de metais matador. Genial. Genival. Cassiano.
O álbum segue com temas interessantíssimos: o sambão romântico “Outra
Mulher”, ao estilo “Gostava Tanto de Você”, “Réu Confesso” e “Vou Correndo te
Buscar”, característico de Tim; a foliosa “A Festa”, com uma levada de baixo em
escala que é de um groove
impressionante; a autoavaliativa “Ninguém Gosta de se Sentir Só”, cuja gostosa melodia
lembra outra de Tim, “Brother, Father, Sister and Mother” (presente em “Tim
Maia”, de 1976); e a balada quase bolero “Deixar as Coisas Tristes pra Depois”,
também com a mãozinha de Cassiano no coro. Mais uma fruto de parceria com um “brother”, Robson Jorge, “Ar Puro”, de
letra ecologicamente consciente numa época em que não era moda este termo (“Mas eis que estão matando o verde/ E o quê
irá sobrar?/ Sujando os mares e os rios/ O volume do ar/ Ar.”), é daqueles soul super dançáveis, igualmente às
versões de “O Trem”, tanto o tema instrumental (infalível em qualquer disco de
Tim) quanto o “falado”, que tem improvisos super bacanas da banda Vitória Régia.
Ainda no espírito de resgates, Tim chama Hyldon para tocar na
regravação do maior sucesso do amigo, “Na rua, na chuva, na fazenda (Casinha de
Sapê)”, em que empresta seu vozeirão com direito a ouverdub para a pegajosa letra da canção: “Jogue suas mãos para o céu/ E agradeça se acaso tiver...”. Mas para
muitos críticos e fãs é “Haddock Lobo, Esquina com Matoso” – endereço do bairro
da Tijuca, Zona Norte do Rio, ponto de encontro de uns moleques que se
tornariam algumas maiores nomes da MPB dos anos 50 até os dias de hoje – o
verdadeiro hit de “Nuvens”. “Foi lá que
toda a confusão começou”, alerta Tim! Pois foi lá que Tim formou seu
primeiro grupo musical juntamente com Roberto Carlos, Arlênio Lívio (aquele que “pega a pelota”), o “bom menino” Edson Trindade (um
dos grandes parceiros de Tim ao longo da carreira, autor do clássico “Gostava
Tanto de Você”, gravada por Tim em 1973) e Wellington Oliveira, Os Sputniks,
posteriormente, renomeado The Snakes, já sem Tim e Roberto mas com as
substituições de outro Roberto, o China, e de outro Carlos, o Erasmo. Ele recobra esta origem de subúrbio ao trazer situações e personagens,
como Jorge Ben (“A turma estava formada/
Com lindas meninas/ E o Jorge com um camarada/ Era o Babulina”) e os
próprios Roberto e Erasmo (“Erasmo, um
cara esperto/ Juntou com Roberto/ Fizeram coisas bacanas/ São lá da esquina...”).
Como se vê, uma das
lembranças gostosas desse tempo está relacionada a futebol, nas peladas que
batiam pelas ruas quando meninos. Uma menção breve acerca do esporte, mas
bastante simbólica no que se refere ao conceito de resgate emocional (Tim era
um jogador de futebol frustrado) que o disco carrega.
Depois dessa passagem
nostólgico-futebolística, merecem atenção dois funks. O primeiro, “Apesar
dos Poucos Anos”, de Tim e Cajueiro, mas que quem dá a roupagem caprichada é
Cassiano na fineza da harmonia e da linha vocal com sutilezas de Nile Rodgers e Quincy Jones. Por último, justamente a faixa que encerra o disco, “Sol
Brilhante”, uma canção, simplesmente, solar, tal seu colorido e boas energias
que transmite: “Vê que dia lindo/ Com
muito amor, viver sorrindo/ Com este sol da manhã/ Com este sol penetrante/ Sol
brilhante...”. Tudo numa execução exata da banda, num ritmo swingado e com vocal
aberto, cantado pra fora. Inspiração total. O jornalista e escritor Marcello
Campos, admirador e conhecedor da obra do artista, que diz: “’A musica do Sol’ é uma das coisas mais lindamente
felizes e inspiradoras que eu já ouvi. Lindo demais.”
Definitivamente,
“Nuvens” é um dos mais ricos e bem-acabados trabalhos da longa e sinuosa
carreira de Tim Maia, seja pelas interpretações, pelos arranjos perfeitos, pela
diversidade rítmica – percebida antes com tanta variedade, a bem da verdade,
somente nos Racional – ou pelas referências que absorve, que vão desde Banda
Black Rio até Gaye, James Brown, Curtis Mayfield e Stevie Wonder, passando
pelos companheiros de rock e soul dos anos 60-70 e o samba carioca. Tudo isso
não quer dizer, entretanto, que “Nuvens” tenha sido um sucesso. Marcello Campos
confirma isso: “Esse disco é ensolarado
como a capa, mas, por questões ‘tim-maianas’, um fracasso de mercado“. Mas,
como de costume na obra te Tim Maia, virou mitológico tempo depois. Qual a
validade disso? Em relação a Tim Maia, “só não vale dançar homem com homem e
nem mulher com mulher”. O resto vale.
"Haddock Lobo, Esquina com Matoso" - Tim Maia
"Haddock Lobo, Esquina com Matoso" - Tim Maia
FAIXAS:
1. "Nuvens" (Cassiano/Deny King) - 3:05
2. "Outra Mulher" - 3:11
3. "Ar Puro" – (Tim Maia/Robson Jorge) - 3:08
4. "O Trem - 1ª Parte" - 1:56
5. "A Festa" - 4:26
6. "Apesar dos Poucos Anos" (Tim Maia/Beto Cajueiro)- 3:24
7. "Deixar as Coisas Tristes para Depois" (Pedro Carlos
Fernandes) - 2:58
8. "Ninguém Gosta de se Sentir Só" - 3:13
9. "Haddock Lobo, Esquina com Matoso"- 3:53
10. "O Trem - 2ª Parte" - 1:56
11. "Na Rua, na Chuva, na Fazenda (Casinha de Sapê)" (Hyldon)
- 3:38
12. "Sol Brilhante" (Tim Maia/Rubens Sabino) - 2:50
Todas de Tim Maia, exceto
indicadas
OUÇA O DISCO
por Daniel Rodrigues
terça-feira, 18 de março de 2014
"A Figura do Feminino na Canção de Chico Buarque", de Adélia Bezerra de Menezes - ed. Ateliê Editorial (2000)
Se tem uma coisa que é quase unanimidade entre as pessoas que apreciam letras e MPB, é que Chico Buarque é, provavelmente o compositor/escritor que melhor entende a alma feminina e expressa isso como poucos em suas canções e seus livros. Essa ligação tão íntima entre Chico e a mulher é investigada a fundo no livro que acabo de ler, "A figura do feminino na canção de Chico Buarque", de Adélia Bezerra de Menezes (ed. Ateliê Editorial), onde a autora disseca em diversas canções, desde o início da carreira do cantor, os elementos explorados por ele nas letras.Devo admitir que, por tratar-se de uma autora mulher, esperava uma cumplicidade maior dela com o leitor e com o objeto de estudo, as próprias letras das músicas, salientando os pontos de acerto, segundo ela, de um homem nas descrições e leituras femininas. Isso até acontece, mas de maneira um tanto fria. A autora, excessivamente agarrada a argumentos semióticos e psicanalíticos, por vezes deixa um pouco à parte o lado emocional do assunto, porém, deve-se dizer a seu favor, que, tecnicamente, o faz de forma muito coerente e bem embasada, conferindo às canções análises precisas, pertinentes e reveladoras.
Edição extremamente bem cuidada, bem acabada, com ilustrações de grandes pintores brasileiros que estabelecem inter-relações com as letras. Mesmo com a ausência de 'coração' feminino por parte da autora, é leitura recomendabilíssima e obrigatória para fãs de Chico Buarque e como um todo, para apreciadores de música e sobretudo, das palavras.
Cly Reis
Copa do Mundo Rock - The Cure
Qual a melhor maneira de escolher a melhor música de uma banda?
No clyblog a gente escolhe no mata-mata.
Vai começar a Copa do Mundo Rock e a primeira banda que vai entrar em campo é The Cure.
São 96 músicas no total, 32 delas entre singles e grandes sucessos já ficam pré-classificados esperando que as outras se eliminem entre si. Músicas do mesmo álbum não se enfrentam nas duas fases iniciais, mas depois não tem jeito: tem que matar quem cair pela frente.
É só jogão!
Eu,Cly Reis, Daniel Rodrigues e Christian Ordoque e Anderson Reis estaremos encarregados de decidir quem se classifica em confrontos espetaculares.
Então tá. Prepare seu coração que a bola vai rolar.
Em breve, os confrontos e chaveamentos.
Aguardem!
No clyblog a gente escolhe no mata-mata.
Vai começar a Copa do Mundo Rock e a primeira banda que vai entrar em campo é The Cure.
São 96 músicas no total, 32 delas entre singles e grandes sucessos já ficam pré-classificados esperando que as outras se eliminem entre si. Músicas do mesmo álbum não se enfrentam nas duas fases iniciais, mas depois não tem jeito: tem que matar quem cair pela frente.
É só jogão!
Eu,Cly Reis, Daniel Rodrigues e Christian Ordoque e Anderson Reis estaremos encarregados de decidir quem se classifica em confrontos espetaculares.
Então tá. Prepare seu coração que a bola vai rolar.
Em breve, os confrontos e chaveamentos.
Aguardem!
segunda-feira, 17 de março de 2014
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