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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Promoção ClyBlog 18 anos - "1986 - O Ano que o Rock Nacional Acertou"

 


Nos 18 anos do clyblog, você que nos acompanha é quem ganha o presente,

Mais uma vez, os irmãos bloggers, Cly Reis,  e Daniel Rodrigues estão juntos em uma publicação, desta vez o incrível "1986 - O Ano que o Rock Nacional Acertou", organizado por Karina Faria, Lauro Arreguy e Chico Izidro, com a participação de diversos autores, incluindo nós os editores do ClyBlog.

Celebrando o lançamento do livro, mais uma parceria literária da dupla e, é claro, nosso aniversário de maioridade, vamos sortear um exemplar desta publicação que, por sua vez, celebra os anos 80, época na qual muitos leitores do nosso blog viveram e conhecem bem.

Quer ganhar o seu?

É simples: É só curtir a nossa promoção nas nossas páginas das redes sociais e você estará concorrendo ao nosso sorteio que ocorrerá no dia 28 de agosto, aniversário do ClyBlog.

Vai lá, dá um CURTIR 👍🩷 em


 @clyreisno Instagram,

 x.com/clyblog 

e concorra.

Tá valendo!



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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

cotidianas #904 - Meu Pequeno Mundo

 



Acordou assustado de um sonho estranho. Não lembrava muito bem. Mas, enfim, não tinha tempo pra ficar pensando nisso mesmo. Já estava em cima da hora pro trabalho. Preparou-se apressadamente, esquentou o café de ontem, nem teria tempo pra comer nada. Já ia abrindo a porta de casa para sair quando viu aquele bolinho em cima da mesa com um bilhetinho assentado sobre ele, escrito, "Coma-me". Pensou quem teria deixado aquilo ali, a namorada, a vizinha, a faxineira... Mas, com fome e sem tempo para nada, não pensou duas vezes. Apanhou o bolo e meteu na boca. Depois questionaria a origem do doce.

Correu para o ponto de ônibus. Teve uma certa dificuldade para embarcar. Parecia que o degrau da entrada estava mais alto que de costume. "Esses novos ônibus que estão  circulando...", pensou, desapontado. Sem assentos disponíveis, teve que esticar bem o braço para segurar-se na barra horizontal. Definitivamente, a nova frota não fora pensada para conforto do passageiro!

Para descer, teve que literalmente saltar do ônibus. No curto trajeto que percorreu entre o ponto de ônibus e o prédio da empresa, tudo pareceu estranho à sua volta mas não sabia identificar exatamente o quê. 

No prédio, no elevador, foi ajudado por um gentil senhor para apertar o botão do décimo sexto andar. Percorreu os corredores do escritório como se ninguém o visse. Era impressão sua ou as divisórias estavam mais altas? Chegou à sua estação de trabalho e para sua surpresa não alcançava a cadeira. Ficou na ponta dos pés, deu um impulso, não adiantou. Teve que derrubar a lixeira e subir nela, deitada, para alcançar a área do assento. 

Ouviu de um colega que passava na entrada da sua baia, "O nosso colega aqui não vem hoje, não?".

Estava ali, mas ninguém o via. Ele pelo contrário, via os demais esticados como que intermináveis na direção do teto. Só então entendera o que estava se passando, por mais inverossímil que aquilo lhe parecesse. Olhou em volta como se procurasse alguma solução. Talvez tivesse encontrado: em cima da sua mesa do escritório repousava um pequeno frasco com um líquido amarelo fluorescente dentro, com um rótulo escrito, "Beba-me". Supondo que o bolo tivesse causado tudo aquilo, imaginou que a bebida o fizesse voltar ao normal.

Tomou distância até o final da cadeira, correu, deu um pulo, segurou na borda da mesa e conseguiu subir. Com muito esforço escalou a pequena garrafa, tirou a rolha e a empurrou, derramando o líquido na mesa, à qual pôs-se a lamber sofregamente como um se fosse um gatinho.


*******


Um estrondo acompanhado de um tremor assustou a todos. E outro, e outro... Se repetiam como passos. 

No escritório, todos correram para a janela para ver o que se passava. 

Um olho enorme cobriu toda a superfície da janela espiando para dentro.



Cly Reis

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Lido Especial ClyBlog 18 anos - "1986 - O Ano que o Rock Nacional Acertou", vários autores com organização de Karina Faria, Lauro Arreguy e Chico Izidro

 




"Somos feitos de anos 80"

Cly Reis



Adoro falar de música. Desde que a música entrou na minha vida é assim. E foi exatamente na metade dos anos 80, quando coisas até então difíceis, muito restritas e até proibidas, começaram a chegar para nós, ainda adolescentes,  que o mundo começou a abrir-se à nossa frente. Encontrava-se Sex Pistols, Iron Maiden, Black Sabbath em supermercados e nós consumimos aquilo como comida. Aqueles punks, aqueles metaleiros, aqueles satanistas, agora estavam ao nosso alcance em lojas de departamentos.

Tudo era descobertas e era um grande barato trocar ideias com pessoas que se identificavam com aquelas coisas. Chegávamos a passar madrugadas falando de som com amigos, sobre discos, instrumentistas, preferências, montando listas.

Aquele contexto de coisas novas chegando, combinado com o fim da ditadura militar, incentivara jovens a colocar tudo pra fora, manifestar sua criatividade, colocar sua opinião, e a música era um recurso mais que apropriado para este fim. A juventude oitentista, literalmente, faria ouvir sua voz.

O sistema estava abalado, o punk havia mostrado o caminho de que não precisava de muito para fazer uma música, as tecnologias de gravação haviam dado um salto, os jovens estavam loucos para dar seu recado, e a indústria fotográfica estava sedenta por sangue novo. Assim, uma nova geração começava a mostrar a que viera e o auge dessa expressão, me parece ter acontecido em 1986.

A seção ÁLBUNS FUNDAMENTAIS do clyblog, criada exatamente a partir desse gosto por falar sobre música e grandes discos que gostamos, que admiramos, já vinha revelando esse protagonismo do ano de 1986. No nosso tradicional levantamento anual e cumulativo de discos e artistas que são destacados na seção, esse ano em especial é um dos que mais têm grandes álbuns lembrados, e, no âmbito nacional especialmente, tem diversos grandes representantes.

Nada mais justo que agora, completando 40 anos dessas obras relevantes, elas recebessem o merecido reconhecimento com uma publicação que trata exatamente sobre aquele ano mágico e inspirado da música brasileira.

Tenho a honra e o prazer de fazer parte de um qualificadíssimo time de colaboradores que deram seu depoimento sobre algum álbum lançado naquele incrível 1986. Alguns desses discos que mudaram nossas cabeças, mudaram nossas vidas, nos influenciaram, inspiraram, ou apenas renderam bons papos com amigos. "1986 - O Ano que o Rock Nacional Acertou", organizado por Karina Faria, Lauro Arreguy e Chico Izidro, é, antes de tudo, um trabalho de pessoas apaixonadas por música, pessoas que mantém aquele gosto de falar sobre letras, rimas, riffs, melodias, e que entendem o quanto aquele momento, há quarenta anos atrás, foi importante para suas formações. Afinal, todos nós que vivemos aquela época, que ouvimos aquelas coisas fascinantes, que gravávamos fita cassete das rádios FM, que compramos vinis na Mesbla, somos, de certa forma, feitos de anos 80.


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"Eu devia essa reverência ao BRock de 1986"
Daniel Rodrigues



Um dos maiores baratos do clyblog é escrever sobre os discos que gostamos. Desde quando comprávamos, nos anos 80, a revista Bizz, o que mais atraía a meu irmão e a mim era a última sessão, chamada Discoteca Básica. Nem quando a revista passou por uma reformulação para pior, nos anos 90, transformando-se em Showbizz, a parte onde se falava dos discos clássicos perdera sua qualidade. Não à toa, Cly e eu levamos essa ideia para nosso blog – que este ano está completando 18 anos com, inclusive, mais e mais resenhas musicais –, prosseguindo com o prazer de falar sobre os discos que gostamos na seção ÁLBUNS FUNDAMENTAIS.

Mas parecia que nos faltava registrar essa paixão para a posteridade. De tantas coisas que já produzimos, havia um hiato: fora o que está no blog, nada desses textos musicais se materializara noutro formato. Não que o ambiente online não cumpra esse papel em parte, mas é diferente de um volume impresso, né? Pois o convite que recebi por meio dos amigos e colegas Chico Izidro e Lauro Arreguy para integrar o grupo de autores do livro “1986 - O Ano que o Rock Nacional Acertou", organizado pelos dois em parceria com Karina Faria, veio para fechar esse ciclo. Isso, a mim e a meu irmão, tanto que o convite foi estendido a ele e, mais uma vez, estamos nós participando de uma publicação juntos: eu, com a resenha do álbum de estreia da Hanoi-Hanoi, e Cly, com “Selvagem?”, da Paralamas do Sucesso.

Curiosamente, nesses anos todos de blog, dos mais 200 ÁLBUNS FUNDAMENTAIS que já escrevi, por mais que admire e saiba da importância, nenhum é sobre o rock brasileiro de 1986 – diferentemente de Cly, que abordou vários dos clássicos do BRock deste fatídico ano. De brasileiros, falei apenas sobre artistas da MPB: Caetano Veloso e Zeca Pagodinho em seus LPs homônimos daquele ano. Estava mais do que na hora de, enfim, abordar, como diz o próprio livro, os discos que fizeram esta história quarentona.

Caprichado e feito com o esmero de quem é apaixonado por música como nós, o livro traz coisas maravilhosas, que ainda estou sorvendo aos poucos, mas que muito já me agradou o que li. O time de autores já fala por si. A curadoria dos títulos selecionados, idem. Estão listados discos de inegável importância (“Vivendo e Não Aprendendo”, da Ira!, e “Capital Inicial”, por exemplo); outros de grande sucesso comercial (“Rádio Pirata Ao Vivo”, da RPM); outros cultuados (“Só se Vive Duas Vezes”, da Fellini, ou “Desastre Mental”, da Herva Doce), outros emblemáticos (a coletânea “Rock Grande do Sul”, “Viva”, da Camisa de Vênus, ou ainda “O Futuro é Vortex”, d'Os Replicantes). O ano de 1986 é tão marcante que é dele que saem dois dos melhores discos não apenas do rock nacional, mas da música brasileira de todos os tempos: “Cabeça Dinossauro”, da Titãs, e “Dois”, da Legião Urbana

Estão todos lá, todos devidamente resenhados, refletidos, sorvidos, elaborados. Algo especial aconteceu naquele ano de 1986 para o rock brasileiro, que certamente nenhum outro ano repetirá. “1986 - O Ano que o Rock Nacional Acertou" nos dá pistas mas, antes de mais nada, nos remete a um momento especial de nossas vidas, que segue reverberando através dos sons das guitarras brazucas até hoje em nossos corações. 


terça-feira, 4 de agosto de 2026

Aquele das Trevas

 





Aquele das Trevas - REIS, Cly
(grafite em sulfite - acabamento digital)




Aquele das Trevas
Cly Reis

segunda-feira, 29 de junho de 2026

A Magia do Futebol Brasileiro

 



A magia do futebol brasileiro - REIS, Cly
(hidrocor e lápis de maquiagem)





A magia do futebol brasileiro
Cly Reis

segunda-feira, 6 de abril de 2026

cotidianas #892 - LMNT 4VR

 



Fotos com a galera na praia, fotos com as meninas na festa da Gabi, foto com as miga no Pop Festival... A Lari devia estar quase chegando pra irem juntas pra festa na casa do Edu. Enquanto isso, aproveitava pra baixar as fotos pro computador e selecionar as melhores.

Ai, essa não com a chata da Aline! Deletar! Own..., a Juli é um amor! Adoro essa foto junto com ela. Haha, o cachorro da Gabi. Essa eu tenho que guardar. Ah, não! O Marcelo... Pior que essa foto tá ótima. O que estraga é ele.

Havia terminado com o Marcelo havia poucas semanas e, naquele momento, a imagem dele era algo pouco agradável, era alguém que preferia não ver. E pensar que teria que encontrá-lo na festa...  Mas não tinha jeito: ele também era amigo do Edu e estaria lá de qualquer forma. Preferia não deletar uma foto tão legal, no sítio do pai da Lara, com as meninas, com o Jefinho que é um cara massa, com o Rafa que é gatinho... Bem que podia eliminar só o Celo!

Procurou no Google algum aplicativo que removesse imagens indesejáveis. Remove-It, Photo X-clude, Edit 4U... 'LMNT 4VR, elimine para sempre aquela figura indesejável'. Nunca tinha visto esse, nunca tinha ouvido falar. Adorou a chamada! Era exatamente isso que queria: remover o Marcelo para sempre de qualquer lembrança.

Entrou. Arraste sua foto para cá. Colocou lá a fotinho. Use o pincel para apagar. Passou o cursor em forma de número 4 apenas sobre a imagem do ex. Você realmente deseja eliminar este elemento? Pensou um pouco... Confirmou. SIM.

Nesse momento a mãe entrou no quarto e avisou que a Lari estava lá  embaixo e que era para ela descer. Baixou a tampa do laptop, apagou a luz do quarto e saiu para a festa. 

Selfies, poses, drinks, baseados, paqueras! A galera tava toda lá. Quer dizer, todo mundo menos o Marcelo. Estranho! O Gui veio com a piadinha, "Tem alguém que não apareceu por aqui hoje... Será que é dor de corno?". Não enche, Gui! A Gabi encostou nela e, de forma bem mais conveniente questionou: "Sabe do Celo?". Não sei e não quero saber, respondeu. De fato não queria saber, mas que era estranho não ter ido à festa, era. Além de não costumar se abalar com qualquer rompimento, finais de namoro, era amigo de infância do Edu e além disso todos os rapazes, os amigos estavam lá, o pessoal do time, do clube, do inglês...

Marcelo não apareceu aquela noite e não apareceu mais.

Não fora mais visto.

Polícia, noticiários, família desesperada... Como se tivesse evaporado.

Nada a ver, mas começou a pensar naquele aplicativo... Desde a noite em que resolveu apagar o Marcelo, ele não apareceu mais. E era um app estranho pra falar a verdade. Nunca tinha visto nem ouvido falar daquela coisa. 

Será???

E se testasse? Pra conferir se era isso mesmo. Se o tal aplicativo teria alguma coisa a ver...

lmnt4vr.com

Entrou.

(Com quem faria o teste?)

A Aline era uma chata, mesmo...

Arraste sua foto para cá. Colocou lá a foto. A Aline toda sorridente no churrasco na piscina.

Use o pincel para apagar.

Passou o cursor apenas sobre a imagem do desafeto.

Você realmente deseja eliminar este elemento?



Cly Reis


terça-feira, 17 de março de 2026

quinta-feira, 12 de março de 2026

Clyblood #8 - "Pecadores", de Ryan Coogler (2025)


INDICADO A:
MELHOR FILME
DIREÇÃO
ATOR
ATRIZ COADJUVANTE
ATOR COADJUVANTE
ROTEIRO ORIGINAL
SELEÇÃO DE ELENCO
DIREÇÃO DE ARTE
FOTOGRAFIA
FIGURINO
MONTAGEM
MAQUIAGEM E CABELO
SOM
EFEITOS VISUAIS
TRILHA SONORA ORIGINAL
CANÇÃO ORIGINAL


O blues é a música do Diabo
por Cly Reis

As impressões que me passavam a respeito de "Pecadores" na época do lançamento eram simplistas, genéricas e um tanto depreciativas. Havia uma opinião corrente que se tratava de nada mais que um novo "Um Drink no Inferno" em outro contexto. Aí que fui para ele com a expectativa de assistir a mais um filme de vampiros qualquer sem maiores qualidades. Foi até bom esperá-lo desta maneira pois aos poucos foi, cada vez mais, revelando valor, qualidades, mostrando que, absolutamente, não se resumia a uma aventura banal, um terror barato com tema batido, uma imitação oportunista.

"Pecadores" é um filme sobre a identidade do negro, a alma do negro e a tentativa de intimidar suas manifestações e, não sendo possível isso, roubá-la.

No longa, dois gêmeos retornam à sua cidade depois de muito tempo, com a intenção de abrir uma casa de blues só para negros. Na noite de abertura, um pequeno grupo de brancos aparece no local e insistem em serem convidados a entrar na festa. Os três misteriosos brancos virão a se revelar, na verdade, vampiros que, não conseguindo entrar, tentam então contaminar outros negros de modo a atingir os demais lá dentro.

Uma metáfora sobre a apropriação da cultura negra, da interferência, da vigilância sobre os hábitos e tradições dos afrodescendentes na América. Algo como, "Se não pudermos fazer parte, tomamos para nós e ainda destruímos a imagem de vocês".

Muito mais do que apenas um filme de vampiro, muito mais do que meramente um filme sobre blues, "Pecadores" se utiliza da linguagem do horror para expor o verdadeiro terror de uma realidade de perseguições, violência, covardia e humilhação, mas muito hábil funde essa treva, esse mal, à beleza do blues, à riqueza da cultura negra criando uma obra única na filmografia recente do cinema.
A cena da festa, em que o jovem bluesman toca e evoca toda a cultura negra, ancestral e futura, para o salão é algo mágico e absolutamente emocionante. De arrepiar!!!

Grandes atuações, especialmente de Michael B. Jordan (que eu nem gosto muito) fazendo os gêmeos protagonistas, grande trilha sonora, ótima maquiagem, direção competentíssima! "Pecadores" justifica seu grande número de indicações ao Oscar pelo grande número de virtudes que tem em diversos âmbitos. Se vai ganhar em muitas é outra história, mas as nomeações por si só valorizam suas qualidades.

"Pecadores" é terror, é musica, é drama. É sangue, é pele, é ritmo. É vermelho, é negro, é blue! E se o blues é a música do diabo, como muitas lendas falam a respeito de pactos, maldições, almas perdidas, nada mais apropriado que essa tenha sido o tema dessa obra que já nasce como um novo clássico do terror, do cinema de vampiros e do cinema negro. Deixem tocar o blues!

O blues invocando espíritos do passado e do futuro.




🧛🧛🧛🧛🧛🧛🧛🧛🧛🧛


Sangue sem pecado
por Daniel Rodrigues


Ryan Coogler
, assim como outros cineastas negros norte-americanos da nova geração, como Steve McQueenJordan PeeleKasi Lemmons e Anthony Fuqua, são comprometidos com a causa negra. Todos sabem que, diante do nível que alcançaram dentro na indústria cinematográfica depois de décadas de apagamento da voz negra, não podem perder oportunidades de dizerem aquilo que ficou por tanto tempo silenciado. Em “Pecadores”, filme premiado de Coogler recordista em indicações ao Oscar na história, com 16 - batendo  "A Malvada" (1950), "Titanic' (1997) e "La La Land" (2016), todos com 14 -, essa máxima prevalece. E de uma forma bem original.

Com figurinos, atuações, direção de arte e, principalmente, uma trilha sonora acachapante, “Pecadores” traz a história dos irmãos gêmeos Smoke e Stack (ambos interpretados por Michael B. Jordan), que voltam à sua cidade natal com o objetivo de reconstruir a vida e apagar um passado conturbado. Endinheirados, eles querem montar um juke joint, casa noturna com música ao vivo para a comunidade negra. Porém, uma força maligna passa a persegui-los e busca tomar conta da cidade e de todos os cidadãos, obrigando-os a lutar para sobreviver e a lidar com lendas e mitos ameaçadores à suas existências. É a luta dos vampiros brancos contra os mocinhos pretos.

Celebrado por gente como Spike LeeChristopher Nolan e Tom Cruise, Coogler não só realiza um filme diferenciado como exercita sua já provada versatilidade, uma vez que é diretor de dois blockbusters dos tempos atuais, o revolucionário MCU “Pantera Negra” e a exitosa franquia “Creed”, spin-off de “Rocky”, dois projetos totalmente distintos, mas ambos construídos com muita habilidade por ele. Ao colocar a questão do preconceito racial no cerne de um thriller de terror, o cineasta reafirma o inteligente caminho aberto por Peele em “Corra!” e “Nós”, marcos do que se pode chamar de neo black horror, porém adicionando uma problemática há muito aventada, mas pouco discutida: a apropriação cultural.

O caminho é o que se conhece: a sociedade brancocêntrica primeiro nega a existência do negro, relegando-o ao “não-ser”, apaga sua história, descredibiliza sua produção intelectual e o oprime moral, material e fisicamente para, feito isso, roubar-lhe suas riquezas. Uma delas, e talvez a de maior evidência nesse histórico roubo simbólico, é a música. Em “Pecadores”, essa questão é o centro da disputa: por inveja dos caipiras brancos dessa cultura preta verdadeira e elevada, eles tornam-se vampiros. De sangue, literalmente, o mesmo que mentem ser desprovido de nobreza, mas que tanto se mordem (opa, no pescoço?!) por não tê-los correndo em suas veias.

Sangue não à toa tão valorizado. Uma das cenas de “Pecadores”, que vale o filme, mostra o personagem Sammie "Preacher Boy" Moore (Miles Caton) cantando e tocando um blues no bar e fazendo emergir do além diversas almas negras em camadas simbólicas e tempos que se misturam. Dos primórdios do blues, nascido das mentes e corações amargurados dos escravos, até os rappers da atualidade, passando pelo rock, o soul, o funk, o gospel e toda contribuição do negro dos Estados Unidos para a cultura pop. Simplesmente genial.

Antológica cena de "Pecadores" em que a magia da música negra faz o tempo se diluir

As resoluções para a trama sobrenatural que o filme vai ganhando, principalmente a partir de sua segunda metade, são boas, mas não empolgantes. O stinger, a cena pós-créditos, este sim (sem dar spoiler) é surpreendente, mas não suficiente para elevar um filme a uma classificação maior do que “bom”. Já Michael B. Jordan é um capítulo à parte. Ele passou a ser mais valorizado enquanto indicado como Melhor Ator ao Oscar depois do triste e revoltante episódio de racismo em plena cerimônia do Bafta, na Inglaterra, em fevereiro - onde, aliás, levou o prêmio. Embora agora com mais atenções para si, o astro não está tão bem quanto nos dois outros filmes que fez com Coogler, exatamente “Pantera...” e “Creed” – este último, no qual é protagonista. Agora, ele concorre com Wagner Moura e Timothée Chalamet, os dois fortes candidatos entre os indicados, mas pode ser que surja como uma terceira via por conta de um falso moralismo da Academia. Não será mal dado, mas menos justo e, se acontecer como prêmio de consolação por causa desse mal-estar, hipócrita.

Independentemente de qualquer coisa, Coogler faz história e, mais uma vez, acerta em sustentar o discurso antirracista ao qual é um importante porta-voz na indústria cultural. Ele sabe disso e mantém-se fiel ao compromisso de evidenciar as barbaridades promovidas pelo racismo na sociedade, mas também toda a riqueza da cultura afro-americana em suas infinitas frentes. Neste sentido, “Pecadores” cumpre muito bem sua proposição. Sem cometer nenhum pecado.

trailer de "Pecadores"





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"Pecadores" 
título original: "Sinners"
direção: Ryan Coogler
elenco: Michael B. Jordan, Delroy Lindo, Hailee Steinfeld
gênero: terror, ação, musical
duração: 138 min.
país: Estados Unidos
ano: 2025
onde assistir: HBO Max e Prime Video (pago)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

cotidianas #886 - Sexta-Feira 13 de Carnaval: Sangue, suor e folia

 



Varre, varre, varre. É lantejoula, é  plástico, é papel, é pano. Aquele barracão fica um lixo só quando todo mundo sai. Ficam só uns pra dar os últimos acabamentos, deixar tudo prontinho. Pra não atrapalhar os últimos que ficaram pra dar  aqueles retoques finais e aquelas frescuras, vou pra parte onde as coisas já estão prontas. Colares, chapéus, máscaras, penduricalhos... só varrer com cuidado sem derrubar nada.

Varre, varre, varre, passo a vassoura por baixo do balcão e ela bate em alguma coisa mais dura, mais pesada. Não é só  papel, plástico, isopor. Puxo pra frente do balcão com a vassoura e vem uma máscara. Não parece com as outras, não parece fazer parte de nenhuma alegoria. Trabalho no barracão faz meses e não sei de nenhuma ala que use uma coisa daquelas. Parece aquelas máscaras de... futebol americano. Não! Futebol americano  não usa máscara, usa, tipo, um capacete. É máscara de rósqui, rock,  hóquei, eu acho. Meu filho que gosta de esporte é que entende dessas coisas. Toda amarelada, rachada, podre. O que que aquela porcaria faz ali?

Só recolho e jogo fora como seria o normal a fazer? Ou será que pergunto pra alguém se faz parte de alguma coisa que eu não sei?

Não vou incomodar o carnavalesco. Tá lá concentrado dando instrução numa estátua de orixá.

Ah, vai pro lixo. Ninguém vai dar falta disso.

Antes de me livrar daquilo, só de graça, mesmo toda nojenta, resolvo experimentar. Botar na cara.

Um acampamento, adolescentes, um lago, desespero, afogamento, fundo, fundo, mãe, morte, vingança, máscara, sangue, sangue, coração, pernas, cabeças, sangue, morte, morte, morte. Tudo me vem à cabeça numa sequência alucinante, como um filme todo passando em um segundo.

Encho o peito de ar, respiro fundo. A meu lado uma enorme tesoura de costura repousa sobre uma bancada.

Já não sou eu mesmo quando a apanho e caminho com determinação barracão adentro. Tem pouca gente ali trabalhando a essa hora, mas tem muito mais gente lá fora e terá ainda mais nos próximos dias. Ainda é sexta-feira, o Carnaval está apenas começando.


Cly Reis 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Criatura Subaquática

 






Criatura Subáquatica
foto com manipulação digital: Cly Reis




'Criatura Subaquática'
Cly Reis

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

cotidianas #883 - "Feliz Homem Novo"

 

O ano novo se aproximava.

Em casa, cada vez que a esposa falava de sua cada vez mais crescente barriga, Roberto prometia, "Ano que vem eu perco essa barriga. Tu vai ver um novo homem."

No ponto de ônibus, para cada vez que ficava horas esperando o transporte, entrava no coletivo atrolhado e sentia-se apertado como uma sardinha, tinha que sair se espremendo e empurrando todo mundo para chegar na porta para saltar na sua parada, prometia a si mesmo, "Vocês todos vão ver um novo homem no ano que vem. Com carro novo, um carrão, um cara que não vai precisar mais ficar se sujeitando a isso tudo. Vocês vão ver!".

No trabalho, sempre que chegava atrasado e o supervisor o repreendia, Roberto se comprometia, "A partir do ano que vem vou melhorar. Vocês vão conhecer um novo homem".

Deu ano novo...

Na meia-noite, entre fogos, abraços e champanhas, a campainha toca. Roberto, estatelado no sofá nem se prestou a levantar para abrir. A mulher, perguntando aos demais se estavam esperando alguém, vai até a porta e abre. "Beto, você nunca me falou que tinha um irmão!". Roberto meio que abriu os olhos e confirmou, "...não tenho". Quando voltou a cabeça para o hall de entrada, viu a esposa acompanhada de um homem absolutamente igual a ele mas muito mais bem cuidado, bem vestido, tratado e... sem barriga. Ia dizer alguma coisa mas, antes que pudesse completar uma frase, apagou.

Ao despertar, não encontrou ninguém na casa. Teriam ido à praia, viajado para Cabo Frio. Nunca teriam ido sem ele mas, por outro lado, ele nunca teria ido. Nunca queria ir quando a mulher propunha. Talvez por isso agora tivessem tomado uma atitude e o deixado dormindo no sofá. Qual não fora sua surpresa quando ao ligar a TV, pelo noticiário, percebera que já não era a manhã seguinte, o dia primeiro. Havia ficado fora de órbita por três dias! Já era a segunda-feira depois do feriadão, tinha que ir trabalhar.

Vestiu-se, correu, embarcou no ônibus já não tão cheio pelo atraso no horário e meia-hora depois chegava ao escritório. Felizmente não muito atrasado. Na frente do prédio, uma Ferrari reluzente era conduzida à garagem no subsolo por um manobrista. Ficou curioso a respeito de quem teria um carrão daqueles.

Subiu. O ascensorista o olhava de cima abaixo com um olhar de desprezo e desaprovação. Ia se instalar na sua estação de trabalho quando ouviu a voz do supervisor. "Atrasado de novo...". Ia começar a se desculpar quando o superior o interrompeu. "Na verdade, não precisamos mais dos seus serviços". Não abriu a boca. Apenas olhou para o chefe estupefato e intrigado. "Contratamos aquele cara ali", disse apontando para um homem charmoso, alinhado, elegante, na sala envidraçada da chefia. Parecia muito com ele mas... "Por sinal, lembra muito você logo quando chegou aqui; dinâmico, interessado, cheio de vida", reforçou o supervisor. "E tem um currículo muito bom, muito parecido com o seu na verdade, mas a diferença é que na recomendação dele diz que... nunca chegou atrasado", completou sorrindo.

Pegou suas coisas, desceu, pegou o ônibus, chegou em casa, sentou no sofá. Percebeu então algo que não havia notado antes quando saíra de casa correndo: em um porta-retrato, com uma foto dele e da esposa ainda jovens, estava fixado um bilhete. A mensagem era bastante breve e objetiva: "Fui embora, Roberto. Encontrei um homem de verdade".

Um novo ano começara e era tudo novo, exceto ele, Roberto, que era o mesmo antigo sujeito.

cly


quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

ClyBlood#6 - Especial de Natal - "A Invasora", de Alexandre Bustillo e Julien Maury (2007)



Noite de Natal. Há quem prefira a confraternização com parentes e amigos na comemoração do nascimento de Cristo, e os que preferem fugir de toda a agitação , uma espécie de isolamento introspectivo. Sarah até tinha o que comemorar, o filho que estava prestes a chegar, mas por outro lado também tinha motivos para lamentar e refletir. Um acidente de carro levara seu marido mas poupara a ela e ao bebê que levava no ventre. Agora, meses depois, na véspera de Natal, sua opção foi pedir a casa de um amigo, se afastar do resto do mundo, se isolar de tudo, refletir, lamentar uma vida que se fora e esperar pela nova vida que virá. No entanto, uma indesejada visitante viria a lhe perturbar a paz. Uma misteriosa mulher insiste em entrar na casa e, depois de ardilosamente conseguir, faz do retiro natalino de luto de Sarah, uma verdadeira noite infeliz. A todo custo, sem limites, sem piedade, a invasora tenta, com todos os recursos possíveis, matar aquela mulher grávida. O resultado dessa caçada dentro de uma casa suburbana francesa é um banho de sangue e brutalidade num nível quase insuportável.

Representante do chamado Novo Cinema Extremo Francês, "A Invasora", não se preocupa em poupar o espectador de cenas chocantes, desconfortáveis e perturbadoras. O ataque a uma mulher grávida, indefesa, leva inevitavelmente o espectador à questão do por quê alguém agiria daquela maneira selvagem, incontrolável, irascível contra uma pessoa tão vulnerável? E sem levar minimamente em consideração o fato de sua vítima estar carregando em seu ventre um inocente! E o pior ainda: ter esse ser indefeso que nem nasceu também como alvo.

O motivo? Seria spoiler contar se existe um motivo ou não e qual seria ele. Não cometerei essa canalhice com meu leitor. O que posso dizer é que independente da razão, se existe, se é justificável ou não, essa invasora proporciona ao fã do terror uma das caçadas mais cruéis que já se viu no cinema, indo até o limite total de suas forças, possibilidades, armas, condição física, para atingir seu objetivo.

Uma das minhas vilãs preferidas do cinema. Béatrice Dalle, a eterna Betty Blue, aqui determinada, impiedosa, implacável, imparável! Se é pra ser má, se é pra cumprir o que se propôs, não é pra ter mimimi. E com essa invasora anônima de Natal, não tem mesmo. 

Ela, a misteriosa assassina, não vai desistir até dar um fim na pobre grávida
que só queria um pouco de paz interior na véspera de Natal.


Cly Reis

🔪🔪🔪🔪🔪🔪🔪🔪🔪🔪🔪

"A Invasora"
título original: "À l'intérieur"
direção: Alexandre Bustillo e Julien Maury
elenco: Alysson Paradis, Béatrice Dalle
gênero: horror, terror psicológico, gore
duração: 78min.
país: França
ano: 2007
onde assistir: MUBI, TV Macabra e YouTube

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

cotidianas #881 - O Final da Escada Rolante

 


Um, dois, três, quatro... Os degraus iam se aproximando da borda da escada rolante e um a um sendo engolidos naquela mínima fresta final. Quando pequeno tinha medo de permanecer no degrau até o último instante e ser puxado para dentro da escada rolante. Por outro lado, tinha a curiosidade sobre o que aconteceria: eu seria esmagado e um chafariz de sangue espirraria nos passageiros que viessem atrás de mim? Seria prensado como nos desenhos animados e sairia achatado como uma panqueca pelo outro lado ? Ou haveria lá embaixo, do outro lado, um mundo inverso onde tudo seria o contrário do plano onde vivemos?

Nunca quis tirar a prova. Ficava na expectativa da chegada dos degraus à borda; um, dois, três, quatro degraus... e dois antes do meu, eu já pulava para a beirada na parte firme.

Só agora, depois de adulto, homem feito, é que consegui racionalizar o suficiente a situação para encarar o final de uma escada rolante.

Decidi superar meus medos e ir até o final. Permanecer no degrau até o último instante, até a borda segura, até  que o degrau metálico se encolha e escorregue suavemente por baixo daquela abertura dentada desencontrada.

Preferi enfrentar algo tão traumático com o máximo de discrição possível. Fui à noite a um shopping center, desses com longas e lentas escadas rolantes. Permaneci até o horário de fechamento, esperei saírem os espectadores das últimas sessões de cinema, me escondi no banheiro de onde ouvi os avisos finais para que todos deixassem o estabelecimento, confundi a atenção dos vigias e, com o shopping deserto, me postei diante da borda fixa de um daqueles aterrorizantes monstros mecânicos. Não sei bem porquê, escolhi a descida. Talvez para poder visualizar meu destino final.

Respirei fundo, me concentrei. Hoje eu vou até o final, até o último degrau. Sem tirar o pé. Nada pode acontecer.

Minha determinação, no entanto, foi interrompida por uma voz vindo lá do fundo do shopping. Um dos seguranças da noite me vira. "Ô, aí. Que que você faz aqui dentro ainda? Não pode ficar ninguém!", gritou.

Era agora ou nunca. Tinha que aproveitar minha decisão, minha coragem. Não poderia deixar para outro dia. Do local onde ele estava, a alguns corredores de distância, mesmo que corresse, provavelmente, daria tempo para minha descida toda antes que chegasse até mim. Dei um passo à frente e botei o pé no degrau que surgia por baixo do chão firme. Comecei a ser levado pela escada para baixo, para baixo, para baixo... Lá no final os degraus iam sumindo um a um por baixo do chão. Faltam quatro, três, dois, um...

*******************

Estalos repicavam pelo piso, do contato apressado da sola do sapato do vigia no reluzente granito cinza do shopping center. A esforçada corrida do obeso vigia não fora rápida o suficiente para impedir que o homem à beira da escada embarcasse nela. Era tarde. Estava a uns dez passos ainda e a cabeça do intruso já sumia no horizonte do segundo piso.

Sacou o rádio. "O Corrêa, tem um cara descendo pro primeiro de rolante. Pega ele aí embaixo que ele ficou aqui dentro depois de fechar. Copiou?". "

Quando finalmente chegou, ofegante, na beira da escada, no andar de cima, não encontrou nem rastro do último cliente. Nada.

Não demora nada e chega o Corrêa de braços abertos com cara de quem não entendeu nada. "Não passou ninguém por aqui", disse.

Deram de ombros e voltaram para suas respectivas rondas. "Fica de olho", disse o de cima. Se estivesse lá dentro, iriam encontrá-lo até o amanhecer.

Tudo estava quieto novamente. Apenas o rangido mecânico abafado das escadas rolantes quebrava o silêncio da madrugada. Algo parecido com um doloroso gemido.


Cly Reis

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Zumbi - Senhor das Guerras, Senhor das Demandas



Zumbi - Senhor das Guerras, Senhor das Demandas - REIS, Cly
arte estilo HQ inspirada na canção "África Brasil (Zumbi)", de Jorge Ben


Ouça: África Brasil (Zumbi) - Jorge Ben

Zumbi,
Senhor das Guerras,
Senhor das Demandas
arte: Cly Reis