Curta no Facebook

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Cocteau Twins - "Treasure" (1984)





“A voz de Deus”
como a imprensa britânica,
entusiasticamente apelidou
Liz Fraser quando do aparecimento da banda



 Tal qual um raio de sol iluminando o dia é como surge A Voz de Deus na canção que abre o terceiro álbum dos escoceses do Cocteu Twins, quando pela primeira vez conseguem extrair o melhor de sua potencialidade melódica, lírica e estética. Não que os trabalhos anteriores fossem ruins, mas a mecanicidade das programações de bateria, especialmente no primeiro trabalho, “Garlands” e a rigidez dos vocais da vocalista Elizabeth Fraser na época, quando a banda podia até mesmo ser enquadrada na cena dark tal a densidade e obscuridade das musicas, desperdiçava exatamente o que a banda tinha de melhor e comprovaria futuramente, que era a melodiosidade instrumental e o potencial lírico de sua vocalista.
Em “Head Over Heels”, segundo álbum o caminho começava a ser encontrado, as programações ainda estavam lá e ainda soavam frias, os climas ainda eram sombrios, mas já se notava uma evolução compositiva significativa e sobremaneira uma maior leveza na condução da vocalista, de evidente capacidade até então subexplorada. Mas era então em “Treasure”, de 1984, que o milagre acontecia e aquela abertura de álbum, com a voz semi-soprano de Liz Fraser surgindo doce e frágil, como que levantando do horizonte, anunciava que os Cocteau Twins encontravam o caminho que seguiriam dali para frente com cada vez maior apuro e perfeição técnica, desenvolvendo como nenhuma outra banda uma música de climas etéreos, incorpóreos, imateriais.
Com uma bela levada de violão à espanhola , “Ivo” tem uma interpretação envolvente e apaixonada de Fraser, fazendo nos refrões algo parecido com pequenos e graciosos soluços. “Lorelei” que a segue é alegre, fresca, cheia de sinos e pirilampos, enfeitando suas variações e brincadeiras vocais. Num clima todo clerical, “Beatrix”, com seus teclados sacros sobre uma notável linha de baixo de Simon Raymonde, traz a voz de Liz Fraser no máximo de seu potencial operístico, nesta que é uma das canções mais arrepiantes do disco.
Num álbum cujas canções levam títulos que remetem a seres fantásticos, lendas celtas ou personagens mitológicos, “Persephone” (a deusa dos mundos inferiores na mitologia grega) é uma pequena viagem ao inferno, lembrando muito a sonoridade do primeiro disco, “Garlands”, com programação de bateria dura, forte, pesada, marcada, indesmentivelmente eletrônica, mas aqui claramente com uma intenção formal mais consolidada. Montando uma atmosfera toda sombria e claustrofóbica, somados à batida fria, a guitarra de Robin Guthrie aparece mais ruidosa que nunca, o baixo de Raymonde cria uma espécie de camada sonora e Liz Fraser canta desesperada e angustiadamente, no limite entre o belo e o trágico.
“Pandora”, a outra deusa grega do disco, ao contrário da anterior, é como uma brisa amena, como uma fonte de água cristalina, como uma chuva de verão, tal a leveza da guitarra de Guthrie e a beleza dos vocais sobrepostos, ecoados e misturados de Fraser, cantando versos ininteligíveis, palavras inexistentes ou meras vocalizações de sonoridade interessante.
Num fado valseado que caracterizaria bem o som da banda dali para a frente, “Amelia”, apaixonante, traz mais uma interpretação de tirar o fôlego de Miss Fraser, cantarolando sem letra e explorando toda sua capacidade praticamente de cantora clássica.
“Cicely” é mais crua, com a bateria eletrônica soando dura; “Aloysius” tem uma bela melodia de escala decrescente de guitarra; e a nebulosa “Otterley” é praticamente sussurrada sobre leves dedilhados de violão, antecipando a sonoridade que seria tônica no trabalho seguinte, “Victorialand”.
“Donimo” anuncia o final do com a voz de Liz emergindo com uma doçura incrível, depois florescendo em sons até atingir um êxtase de emoção num final mais que digno para um disco como este.
Embora a banda não morra de amores pelo álbum, penso que a partir dele é que o trio escocês escreveu seu nome na história do rock com uma linguagem absolutamente singular. Muitos trabalham essa linha etérea, muitos a linha pop-lírico, alguns se parecem, alguns tantos como Lush, Bat for Lashes, St. Vincent, The Moon Seven Times, surgiram por causa deles; mas nenhum deles conseguiu colocar todos os ingredientes de melancolia, beleza, dramaticidade, paixão, dor, magia, juntos com tamanha perfeição como os Cocteau Twins. E isso, aliado à unidade sonora que conseguem, a essa assinatura inconfundível que criaram no universo pop, somando-se à voz de qualidades únicas e incomparáveis de Liz Fraser, garante a eles seu lugar de respeito no mundo da música e o de “Treasure” entre os FUNDAMENTAIS.

***************************************** 
FAIXAS:
  1. "Ivo" – 3:53
  2. "Lorelei" – 3:43
  3. "Beatrix" – 3:11
  4. "Persephone" – 4:20
  5. "Pandora (for Cindy)" – 5:35
  6. "Amelia" – 3:31
  7. "Aloysius" – 3:26
  8. "Cicely" – 3:29
  9. "Otterley" – 4:04
  10. "Donimo" – 6:19
***************************************** 
Ouça:


quarta-feira, 6 de junho de 2012

The Doors - "Strange Days" (1967)





“Os dias estranhos nos encontraram
E por suas horas estranhas
Ficamos sozinhos à espera.”
da letra de “Strange Days”



E pensar que eu não gostava de  Doors ...
Minha principal restrição é que achava a música dos caras com muita ênfase nos teclados. Coisa de recém iniciado. Não percebia todo o blues, a influência de ritmos latinos (rumba, tango, bolero), o legado que deixaram, a atitude, a rebeldia, sem falar nas letras chapadas e chapantes de Jim Morrisson. O que poso dizer hoje do the Doors é que simplesmente têm algumas das canções de rock mais empolgantes que eu já ouvi na vida, e continuo ouvindo sempre com renovado entusiasmo.
Já destaquei aqui o primeiro álbum , de mesmo nome da banda, de 1967, e agora os  ÁLBUNS FUNDAMENTAIS  vão com seu sucessor, “Strange Days”, do mesmo ano, e, inclusive, com muito material que fora descartado do primeiro trabalho, fazendo deste praticamente uma seqüência.
A faixa que dá nome ao disco de melodia sensual e letra pessimista, “Strange Days”; a charmosissíma, “People Are Strange” com sua sinceridade cáustica; a psicodélica “You’re Lost Little Girl” que mais tarde receberia uma versão muito interessante de Siouxsie e sua turma; são algumas das melhores do álbum. Além delas, a excitante “Love Me Two Times”, carregada no blues, é das coisas mais fantásticas do grupo e daquelas que sempre me enlouquecem quando ouço; e “When the Music Is Over”, a exemplo de “The End” no primeiro disco, é um final marcante numa longa peça musical dramático-poética como só os Doors sabiam fazer.
Dias estranhos aqueles em que eu não gostava de  Doors .

**********************************************

FAIXAS:
  1. "Strange Days" - 3:09
  2. "You're Lost Little Girl" - 3:03
  3. "Love Me Two Times" (Robby Krieger)– 3:16
  4. "Unhappy Girl" – 2:00
  5. "Horse Latitudes" – 1:35
  6. "Moonlight Drive" (Jim Morrison) – 3:04
  7. "People Are Strange" – 2:12
  8. "My Eyes Have Seen You" – 2:29
  9. "I Can't See Your Face In My Mind" – 3:26
  10. "When the Music's Over" – 10:59
*********************************************

Ouça:

terça-feira, 5 de junho de 2012

cotidianas #162 - HÍFEN



hífen-se
vocês
boas-vidas
mal-educados
joões-ninguém

hífen-se todos
ofendam-se
se quiserem
fodam-se
chaves-de–fenda
olhos–do-cu

Admirem-se vocês
super-homens
supermães
superprotetoras
e bons samaritanos

malmequeres
amores-perfeitos
cor-de-rosa
lixem-se
danem-se vós

hifenize-se
exorcizem-se

agora, imagine-se
obra-prima
manjar-dos-deuses
abelha-rainha
(pensa só)

dir-te-ei, então
dir-te-ei:

comigo-ninguém-pode!



Cly Reis

segunda-feira, 4 de junho de 2012

sábado, 2 de junho de 2012

LEONILSON



"Empregada de Novela e
mais chique que Madame" 1991
escritos de Leonílson -
agendas, cadernos, anotações.
O caminho para as ideias
A mostra do artista Leonilson, não por um acaso, está localizada em um dos principais e mais acolhedores espaços da cidade. Lugar este onde a arquitetura convida o visitante a entrar literalmente em uma experiência artística: a Fundação Iberê Camargo. A curadoria é de Ricardo Resende, diretor geral do Centro Cultural São Paulo e consultor do Projeto Leonilson, e de Bitu Cassundé, crítico de arte e curador. Quem quiser conferir, a mostra vai até este domingo, 3 de junho.
Leonilson é um daqueles artistas que dificultam a catalogação, o enquadramento de estilo e como na maioria dos casos, é pouco conhecido em toda a sua extensão de artista contemporâneo. Cearense, nasceu em 1957, José Leonilson Bezerra Dias. Mudou-se para São Paulo com a família ainda criança e aos 20 anos, ingressou na Licenciatura em Educação Artística, na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), tornando-se aluno de artistas como Nelson Leirner, Júlio Plaza e Regina Silveira. Em 1980, ele realizou sua primeira exposição individual, no Museu de Arte Moderna da Bahia, e desde então produziu intensamente até o ano de seu falecimento, em 1993.
A mostra em cartaz reúne mais de 350 obras, dando ao espectador um amplo panorama da produção do artista. A seleção abrange desde o início da carreira, na década de 1970, até o período final de produção, no início dos anos noventa. Entre os destaques da exposição estarão as agendas e os cadernos que mostram um pouco mais sobre o seu processo artístico, além de revelar a fixação que ele tinha pelo registro do desenvolvimento das suas idéias.
"Isso e a Lua
(Not the Last Chance)" 1989
Fazem parte também de 'Sob o peso dos meus amores' as ilustrações que o artista realizou para uma coluna do jornal Folha de São Paulo, entre 1991 e 1993. Também estarão reunidos trabalhos de amigos artistas como Leda Catunda, Sérgio Romagnolo, Daniel Senise, Luiz Zerbini e Albert Hien. Foi com este último que Leonilson estabeleceu uma parceria e amizade duradoura, que seguiria até o fim da vida. A instalação How to rebuild at least one eighth part of the world [Como reconstruir ao menos uma oitava parte do mundo], de 1986, que abre a exposição na Fundação Iberê Camargo, foi realizada com a parceria de Hien. A obra foi fruto do questionamento sobre o acidente nuclear de Chernobyl, materializando na instalação uma utopia de salvação do planeta.





************************************************* 


Fundação Iberê Camargo - (Av. Padre Cacique, 2000 - Porto Alegre) 
Exposição - Sob o peso dos meus amores
Artista - Leonilson
Período da mostra: até 03 de junho
Curadoria: Ricardo Resende e Bitu Cassundé




sexta-feira, 1 de junho de 2012

Echo and the Bunnymen - "Crocodiles" (1980)


"você quer saber o que há
de errado com este mundo?"
(do texto do encarte do álbum)



Que baita disco!
Daqueles excelentes da primeira à última.
Gravado ainda sob a sombra do punk, “Crocodiles” do Echo and the Bunnymen, tinha o vigor e a energia do estilo vigente naquele final de anos 70, mas já antecipava tendências do som dos 80, do pós-punk e do gótico.
“Going Up”, a canção que abre “Crocodiles’ não podia ser um exemplo melhor, com sua primeira parte pegada, crua, guitarrada, e seu trecho final arrastado, soturno, sombrio. Já “Stars are Stars” fica num bom meio termo entre as sonoridades e “Rescue”, de riff marcante, vocal preciso e refrão fácil é mais cadenciada já sinalizando para uma linha que a banda seguiria dali para a frente; “Villiers Terrace”, agressiva à sua maneira, tem sonoridade forte suavizada por um piano que lhe confere um certo charme; e “Pictures on my Wall’, com seu climão meio western, já remete mais à melancolia dark oitentista.
Mas se o assunto é pegada punk, “Pride”, que chega a ser suja e gritada, não desonra a classe; e “All That Jazz” com seu furioso ‘refrão instrumental’ é uma das melhores do disco. Já “Monkeys”, um pop-rock cuja crueza fica um pouco disfarçada pela produção cuidadosa, funciona de forma fundamental como gancho de entrada para “Crocodiles”, um punk-rock furioso, agressivo, cheio de energia, daqueles de convidar para a roda de ‘pogo’.
O disco fecha com a fantasmagórica “Happy the Man”, canção lúgubre e obscura que acaba com o já mencionado trecho final de “Going Up”, igualmente sorumbático e sombrio, de certa forma terminando o disco por onde começou.
Impecável no começo, impecável no fim. Ou seja, álbum perfeito do começo ao fim.
Baita disco!
********************************************** 

FAIXAS:
  1. "Going Up" – 3:57
  2. "Stars Are Stars" – 2:45
  3. "Pride" – 2:41
  4. "Monkeys" – 2:49
  5. "Crocodiles" – 2:38
  6. "Rescue" – 4:26
  7. "Villiers Terrace" – 2:44
  8. "Pictures on My Wall" (Sergeant, McCulloch, Pattinson) – 2:52
  9. "All That Jazz" – 2:43
  10. "Happy Death Men" – 4:56
**********************************************
Ouça:

quarta-feira, 30 de maio de 2012

cotidianas #161 - Jacarés


Um fazendeiro resolve colher algumas frutas em sua propriedade, pega um balde vazio e segue rumo às árvores frutíferas.
No caminho ao passar por uma lagoa, ouve vozes femininas e acha que provavelmente algumas mulheres invadiram suas terras.
Ao se aproximar lentamente, observa várias belas garotas nuas se banhando na lagoa.
Quando elas percebem a sua presença, nadam até a parte mais profunda da lagoa e gritam:
- Nós não vamos sair daqui enquanto você não deixar de nos espiar e for embora.
O fazendeiro responde:
- Eu não vim aqui para espiar vocês, eu só vim alimentar os jacarés!

ELVIS


terça-feira, 29 de maio de 2012

Alegria









"Alegria (esquerda)"
acrílico sobre tela 20x20cm
"Alegria (centro)"
acrílico sobre tela 20x20cm
"Alegria (direita)"
acrilico sobre tela 20x20cm

"Alegria" composição em 3 partes
acrílico sobre tela
Reis, Cly
(para Luna)

Bo Diddley - "Bo Diddley" (1958)




“Bo Diddley é Jesus”
título de música da banda
The Jesus and Mary Chain 



Aquela guitarra era solo, base e percussão ao mesmo tempo!
Bo Diddley, ex-fabricante do instrumento, depois de ter produzido algumas tantas pela vida, reinventava o instrumento com uma batida única que revolucionaria o blues, o rock, a música de um modo geral. (Depois ainda reinventaria o instrumento, literalmente, produzindo a sua famosa guitarra quadrada, cujo formato não tinha muito a ver diretamente com a sonoridade e mais com o conforto de Bo na hora de tocar).
Destaco aqui seu primeiro álbum “Bo Diddley” de 1958, disco que traz algumas de suas mais marcantes canções como a 'pausada' “I’m a Man”; o gostosíssimo blues “Before you Acuse Me”; a ‘percussionada’ “Hush Your Mouth”; a excelente “Who Do You Love?”, regravada depois numa versão bem bacana pelo duo escocês The Jesus and Mary Chain, que o tem praticamente como um deus; além, é claro, das auto-homenagens megalomanas “Hey, Bo Diddley” e a outra que simplesmente leva o seu nome assim como o disco.
É outro dos poucos que eu listei aqui nos FUNDAMENTAIS que eu não tenho. Tenho, sim a coletânea da Chess Records que tem tudo de melhor da carreira do artista, inclusive todas deste álbum. Boa alternativa pra quem, como eu, não tem este primeiro disco deste bluesman pra lá de original. Mas, se encontarem, comprem. Eu, certamente farei o mesmo se topar com ele.

***********************************

FAIXAS:
1. "Bo Diddley" (2:30) 
2. "I'm a Man" (2:41)
3. "Bring It to Jerome" (Jerome Green) (2:37)
4. "Before You Accuse Me" (2:40)
5. "Hey! Bo Diddley" (2:17)
6. "Dearest Darling" (2:32)
7. "Hush Your Mouth" (2:36)
8. "Say, Boss Man" (2:18)
9. "Diddley Daddy" (McDaniel, Harvey Fuqua) (2:11)
10. "Diddy Wah Diddy" (Willie Dixon) (2:51)
11. "Who Do You Love?" (2:18)
12. "Pretty Thing" (Dixon) (2:48) 


*************************************

Ouça:
Bo Diddley 1958


Cly Reis











sábado, 26 de maio de 2012

cotidianas #160 - O Jardim Suspenso


Acordou assustado. Suado. Ofegante. Olhando em volta. Um barulho vindo da cozinha o acordara e o livrara daquele sonho que, não lembrava exatamente do que se tratava mas sabia que tinha sido perturbador.
O barulho continuava. Parecia alguém mexendo na geladeira.
Levantou-se e foi dirigindo-se lentamente a cozinha, descalço, pisando cuidadosamente e esgueirando-se para não ser notado por quem quer que estivesse lá.
"O Jardim das Delícias Terrestres",
Hyeronimus Bosh, séc. XV
Chegando no final do corredor virou à direita e dali já pôde avistar a porta da cozinha de onde notou então em frente à geladeira aberta, um homem de roupão cinza e pantufas mas cujo rosto não conseguia visualizar pois o estranho estava levemente inclinado olhando para dentro da geladeira. O intruso notando a aproximação de alguém voltou-se na direção da porta da cozinha e foi então que o dono a casa viu aquela cara bizarra. Uma cara de rato.  Corpo humano, mas com cara de roedor, de ratazanda de esgoto. Acuado por ter sido descoberto, o invasor, tratou de embrenhar-se geladeira adentro apressadamente. Tentou alcançar ainda o visitante antes que a porta do eletrodoméstico se fechasse mas não conseguiu em tempo. Mesmo tendo-o perdido num primeiro momento, reabriu a porta e deparou-se ali com um caminho escuro, uma passagem estreita de chão batido cercada pelos dois lados por uma extensão de mato baixo que precedia uma espécie de bosque. Colocando primeiro uma perna, depois a outra, a exemplo do visitante, ingressou pela passagem. Lá dentro seguiu pelo único caminho existente, em frente, já àquelas alturas nem pensando mais em encontrar o intruso e simplesmente andando para onde a trilha levasse. Caminhava agora olhando as árvores de galhos tortos e formas curiosas, o mato ia ficando mais alto conforme avançava e pensava se não haveria cobras naquele bosque, sentindo um pouco de medo por isso.
- Será que aquilo é um morcego? – perguntou sua irmã, que caminhava a seu lado.
- Acho que é algum tipo de pássaro noturno – respondeu com ar de conhecimento de causa.
Agora à sua volta não era mais aquele bosque assustador e sim um parque alegre e florido cheio de crianças onde resplandescia um belo dia ensolarado. Sentou no gramado olhando para as crianças e sentindo o calor agradável do sol no rosto. Sua irmã já não o acompanhava e agora uma bela moça sentava-se ao seu lado no gramado e fazia-lhe carinho nos cabelos. Pensou ainda, “mas não era minha irmã que estava aqui agora há pouco?”. Não importava. A garota era atraente, lembrava-lhe alguém que conhecia mas não sabia exatamente quem. Lentamente aproximou os lábios dos dela e aplicou-lhe um beijo longo e apaixonado. Logo levou e mão a seus seios, foi deixando descer até entrear por baixo da saia alisando-lhe primeiro as pernas e logo em seguida subindo lentamente. A troca de carinhos foi interrompida por uma voz rude e colérica.
“Que que tu tá fazendo com a minha guria, rapaz?”
Ergueu os olhos e  viu em pé à sua frente quatro rapazes fortes e com cara de poucos amigos.
Pôs-se em pé também e tratou de tentor argumentar, alguma coisa – a moça já não estava mais lá. Nada dispostos a aceitarem qualquer explicação que fosse, os brutamontes começaram a lhe aplicar empurrões, safanões e ameaçá-lo com mais veemência. Em desvantagem, um contra quatro, resolveu que o melhor era sair dali, e assim que os brigões lhe deram uma brecha engatou uma corrida veloz e decidida. Seguiram-lhe correndo e gritando. Não o alcançavam, corria bem, corria rápido, mas olhou para trás para se certificar de que estava em segurança. O que vou foi uma pequena horda munida de paus, garrafas, levando cães de caça e tochas acesas aglomeradas sobre a ponte elevadiça de um castelo medieval. Correu mais ainda mas logo viu-se num beco sem saída, diante de uma sólida parede de pedras. O grupo aproximava-se, sua angústia crescia. Olhou para os lados: nenhuma escapatória.   Mas de repente notou, ali, próximo a ele a porta de sua casa. Deu alguns passos tranqüilos, já sem os perseguidores no seu encalço, levou a mão à maçaneta, abriu, entrou, deixou a carteira e as chaves sobre a mesa e, cansado, dirigiu-se para o quarto. Lá, tirou os sapatos, a roupa, colocou o pijama e deitou-se para dormir. Havia sido um dia agitado. Pegou no sono. No sonho, teve a impressão de ouvir um barulho estranho. Abriu os olhos e viu um vulto parado no canto do quarto. Uma criatura, um ser bizarro, monstruoso que  aproximou-se rápida e ameaçadora mente em sua direção. Tentou gritar mas a voz não lhe saiu.
Acordou assustado. Suado. Ofegante. Olhando em volta. Um ruído vindo da cozinha o acordara e o livrara daquele sonho que, não lembrava exatamente do que se tratava mas sabia que tinha sido perturbador.
O barulho na cozinha continuava. Parecia alguém mexendo na geladeira.


Cly Reis

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Pix


"Aniversário Macabro" ("Happy Birthday to Me"), de J. Lee Thompson (1981)




O José Júnior, um dos colaboradores deste blog, às vezes funciona como uma espécie de traficante de filmes. Ele, por assim dizer, abastece os amigos com algumas preciosidades que baixa da Internet. Já ganhei dele, por exemplo, o “Inland Empire” e o “Mulholand Drive”do Lynch, o cult  "Corrida Contra o Destino, o bom “Agonia e Êxtase”, com Charlton Heston na pele de Michelangelo, mas desta vez, me apareceu com o tal “Aniversário Macabro” (“Happy Birthday to Me”), de 1981, do qual ele já havia me falado por ocasião do aniversário dele mesmo.
Bom, por mais que o Júnior tenha crédito pelos tantos bons que me forneceu, infelizmente tenho que dizer que esse “Happy Birthday to Me” é horrível. E não horrível no sentido de ser assustador, horripilante. É horrível de péssimo!
Clichezão de filmes do gênero. O serial-killer ‘mal-humorado’ do campus (da praia, do acampamento, ou seja lá de onde for) matando um a um os coleguinhas  (as namoradas dos coleguinhas, os namorados dos coleguinhas, o quarter-back do time, a líder de torcida...) e aumentando o mistério a medida que o filme segue. O pior é que nem sequer as mortes são legais. É, por que às vezes isso pode fazer valer um filme podre. Boas execuções, originalidade, bizarrice, repugnância. Não, nem isso.
A cena do aniversário... Simplesmente estapafúrdia.
E aquela coisa de sempre: jovens porra-loucas, o suspeito é um esquisitão, o diretor tenta nos despistar com algumas evidências falsas ou incompletas, mulheres passeando no mato em horas que não deviam, tropeços e quedas inaceitáveis... Aff!
O lance é mais ou menos esse: num campus de faculdade alguns alunos vão sofrendo mortes violentas causadas por algum perturbado. Aos poucos vão sendo sentidas as suas ausências e percebe-se que tem alguma coisa errada. O negócio é que uma das alunas é meio esquisita, tem umas tonturas, uns insights de memória de vez em quando que podem estar querendo nos dizer alguma coisa. Não! Engano! Nada de significativo.
Acho que pra fugir do convencional o glorioso J. Lee Thompson opta por um final estapafúrdio que eu não vou contar pro caso alguém ter a coragem de assitir, mas só posso dizer que é tão ruim quanto todo o resto. Vi até o final na esperança de que de repente o desfecho salvasse mas... nossa... minha decepção foi maior.
Eu não gostei, Mas se você tiver coragem de assistir, e ainda por cima gostar, parabéns pra você.




Cly Reis

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Dorival Caymmi - "Canções Praieiras" (1954)



“Dorival é um Buda nagô,
filho da casa real da inspiração.“ 
Gilberto Gil



Antes de mais nada, um aviso aos navegantes das águas de Iemanjá: Dorival Caymmi não é música. Para o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, a verdadeira arte manifesta algo que não está somente naquilo que se percebe na epiderme da obra, mas, sim, na sua estrutura, no seu significado mais profundo. Assim como uma “Guernica” de Picasso é mais do que uma pintura ou “Tempos Modernos” de Chaplin mais do que um filme, pois são marcos históricos divisores-de-águas da sociedade, o que Caymmi produziu tem uma amplitude antropológica que vai além dos limites da música. Caymmi conseguiu traduzir através de sons os costumes de um povo, os jeitos de um povo, o pensar de um povo. “Canções Praieiras”, de 1954, é isso: extrapola o sentido de uma simples gravação. É um documento fonográfico de suma importância para tudo o que se possa classificar como cultura no século XX, seja popular, folclórico ou erudito, pois ele foi um criador de linguagem. Como disse  Gilberto Gil , Caymmi é o início da “nova idade de ouro da canção”.
A universalidade da música deste baiano abençoado pelos orixás está em cada som, em cada dedilhado graúdo mas delicado na viola, em cada entoar do seu barítono, em cada rebolado sensual do seu canto. Nos temas, os conflitos, sentimentos e a luta diária pela sobrevivência daquele que vive em contato com o que há de mais primitivo e puro na natureza: o pescador. E os elementos dessa poética são os mais essenciais da vida: o mar, a água, a terra, o vento, a noite, a morte. De uma coesão conceitual impressionante, as oito faixas que compõem o disco trazem tudo isso do primeiro ao último segundo. Terra, mar e céu, assim como as dimensões do homem, da natureza e do místico, são trazidos em sua poesia em plena simbiose, equiparados, indistinguíveis. Tudo voz e violão, executados com tanta naturalidade que passa a sensação de que ele gravou na beira da praia, com os pés sobre a areia e olhando pro mar, apenas deixando os sons virem.
“Canções Praieiras” é uma escritura de clássicos absolutos, todos irreparáveis. O que dizer de “É Doce Morrer no Mar”, “O Mar” ou “A Jangada Voltou Só”? Operísticas, as três trazem o tema da morte, mas abordado sob a ótica mística e singela do pescador. Deslumbrante, mágico e de uma dramaticidade teatral espantosa. De tão visuais, é possível enxergar um filme em cada música. Misturando um pouco das histórias de cada uma, olhem só no que dá:

CENA 1 - EXTERNA – FIM DE TARDE – Várias tomadas do mar agitado.

CENA 2 - INTERNA – FIM DE TARDE - Pescador Pedro se despede com pesar de sua amada, Rosinha de Chica, pois não sabe se vai voltar da pescaria.

CENA 3 - INTERNA – FIM DE TARDE – Já sozinha, Rosinha, intuindo o pior, reza chorando.

CENA 4 – INTERNA/EXTERNA – NOITE - Pedro e seus companheiros, Chico, Ferreira e Bento, encontram-se na praia para iniciar o trabalho. Pegam a jangada e ganham o mar bravio na noite ventosa.

CENA 5 - EXTERNA – NOITE – Já em alto-mar, as águas se revoltam. Os pescadores acreditam ser por vontade de Iemanjá. Eles lutam para sobreviver, mas não resistem e caem no mar.

CENA 6 - EXTERNA – MANHÃ - A jangada aparece na beira da praia toda quebrada e sem os pescadores. Juntam várias pessoas da comunidade de Jaguaripe. As moças choram de fazer dó. Comoção geral.

CENA 7 - EXTERNA – MANHÃ – O corpo de Pedro aparece em outra ponta da praia próximo às pedras, todo roído dos peixes.

CENA 8 – EXTERNA – TARDE – FLASHBACK – Os pescadores felizes na festa da aldeia. Chico vestido de boi adornado na procissão de Natal. Bento, cantando modinhas e dançando, diverte a todos. Pedro e Rosinha trocam olhares de amor.

CENA 9 – EXTERNA – FIM DE TARDE - Rosinha, traumatizada, enlouquece. Passa a zanzar pela praia catatônica e com os olhos marejados dizendo baixinho: “Morreu. Morreu”.

CENA 10 – EXTERNA – FIM DE TARDE – Sob o sol vespertino, a onda do mar quebra lindamente na areia da praia.

FIM

Um roteiro de cinema perfeito! Caymmi é capaz de criar imagens, verdadeiros quadros da realidade de uma cultura, semelhante ao que fizeram, cada um em sua área, Jorge Amado, Caribé e Pierre Verger da mesma Bahia de Todos os Santos. Neste sentido, a música de Caymmi é extremamente figurativa, pois consegue ser literária ao mesmo passo que é cênica e imagética. “Canoeiro”, das que mais me assombro, reproduz em sons e versos o movimento sincronizado e o canto de um grande grupo de pescadores no ato da pesca, com aquela rede gigante sendo tirada do mar lotada de peixes. Sempre que ouço lembro sempre de cenas de “Barravento”, do também baiano Glauber Rocha.


O fantástico (sereias, lendas, cultos, santos, Batucajé) está constantemente presente. Assim é a incrível “Lenda do Abaeté”, com seus acordes de violão graves parecendo berimbau e clima introspectivo (até assustador) que arrepia ao se escutar, pois dá a impressão que faz suscitar sensações muito viscerais do ser humano. O disco fecha com a brejeira “Saudade de Itapoã”. Em águas calmas.
É de Caymmi que nasce toda a construção melódica da MPB moderna – esta uma das mais modernas e criativas expressões musicais de todo o mundo no último século. Carmen Miranda conquistou o planeta mostrando, com música dele, o que é que a baiana tem. Os grandes intérpretes, de Nelson Gonçalves a  Gal Costa, de Elizeth Cardoso Nara Leão, sempre reverenciaram sua obra. A bossa nova herdou-lhe as inusitadas dissonâncias, o ritmo e o gingado nordestino do samba, além da engenhosidade timbrística e harmônica e, largamente, o estilo sintético. Voz e violão. Foi o exemplo que bastou para  João Gilberto ajudar a criar uma música universal como a bossa nova.
Tudo isso porque, mais do que um músico que transpõe a realidade para sua arte, Caymmi é, justamente, ator e personagem dessa própria realidade. Ele é sua própria arte. Morto em 2008, deixou uma obra relativamente pequena se comparado com outros contemporâneos seus (Cole Porter, Noel Rosa, Carlos Gardel, Pixinguinha, Ernesto Lecuonda). Mas sua música vai além das fronteiras da própria música; é arte em sua mais pura essência. Simplesmente, Dorival Caymmi é como o mar quando quebra na praia: é bonito. É bonito.
*************************************
FAIXAS:
01 - Quem Vem Pra Beira do Mar
02 - O "Bem" do Mar
03 - O Mar
04 - Pescaria (Canoeiro)
05 - É Doce Morrer no Mar
06 - A Jangada Voltou Só
07 - Lenda do Abaeté
08 - Saudade de Itapoã

(Todas de autoria de Dorival Caymmi)

********************************************



terça-feira, 22 de maio de 2012

cotidianas #159 - "Bitter Sweet Symphony"



The Verve - Bitter Sweet Symphony [1997][SkidVid] por Heupiyapa

Madonna - "MDNA" (2012)


Dei de presente pra ‘patroa’ o novo CD da Madonna, o “MDNA”, e mesmo não tento lá grandes expectativas por conta do último trabalho da cantora, 'Hardy Candy", uma vez o tendo em casa, então, resolvi escutá-lo e dar uma chance. Mas,contrariando a minha má vontade, minha desconfiança para minha agradável surpresa o disco é bem interessante. Bom disco, mesmo! Havia lido em algum lugar que o disco era excessivamente diversificado e por isso não tinha uma identidade, mas na minha opinião a variedade de possibilidades propostas por Madonna e seus produtores, é exatamente um dos principais méritos do trabalho. Se é pra ter uma linha e ficar na mesmice do álbum anterior, tal coerência de linguagem é completamente contraproducente, mas neste, a exemplo de “Like a Prayer”, onde atacava na música negra (‘Like a Prayer”), pop básico (“Express Yourself”), funk minimalista (“Love Song”), balada à espanhola (“Spanish Eyes”),  Madonna e seus parceiros, dentro de uma linguagem de música eletrônica, desfilam diversas facetas e alternativas, tendo como resultado um produto final altamente interessante.
Já havia gostado muito de “Give me All Your Lovin” quando a ouvi pela primeira vez no intervalo do Superbowl e ouvindo agora, a sensação só se confirma, nesta música que tem um dos refrões mais bacanas da música pop nos últimos tempos com aqueles gritos de cheerleaders e aquele clima super up. Mas surpreenderam-me muito positivamente também a primeira faixa do álbum “Girl Gone”, um bom cartão de visitas; a minimalista, agressiva, de batida forte e marcada, “Gang Bang”; a lenta “Masterpiece”, uma espécie de ragga com tons espanhóis; e a excelente “I’m Addicted” com sua levada furiosa e uma performance impecável da cantora, num 'punk-eletrônico' que lembra de certo modo Kraftwerk (sei que é redundância dizer que música eletrônica lembra os robôs, mas em especial remete às músicas do “Computer World”). Madonna ainda se aventura em “Free Falling” que fecha o disco, a cantar sobre uma base orquestrada de cordas, numa canção que soa quase como uma oração, e, surpreendam-se, senhores, sai-se muitíssimo bem dando um final mais que digno pra o álbum.
De resto, algumas são popzinhos competentes, outras, na verdade, descartáveis outras poucas dispensáveis, mas no geral, Madonna, cercada de uma boa retaguarda (William Orbit, Martin Solveig, Benny Bennassi) consegue de novo nos proporcionar mais um bom trabalho em sua discografia.
Não chega a ser um "True Blue", um “Erotica”, um “Like a Prayer” mas é um filho legítimo que não pode negar que ali tem o DNA da Rainha do Pop.

**************************************

Ouvir:

domingo, 20 de maio de 2012

The Beatles - "A Hard 's Night" (1964)



Na milésima postagem publicada no Clyblog, um A.F. especial com a maior banda de todos os tempos pelos ouvidos do meu amigo  Christian Ordoque .
*********************************************************


"Pouca gente se dá conta, mas este disco é uma trilha sonora."


Bom, como vocês podem ter notado, sou uma pessoa que dá bastante valor ao lado pop das produções culturais (ou ao lodo cult das produções pop). Por isso escolhi este que é o terceiro disco dos Beatles, lançado em 1964 para conversar com vcs. O  ClyBlog  já fez belos reviews sobre os  ÁLBUNS FUNDAMENTAIS,  "Revolver" e "Sgt. Peppers" que abordam uma fase maravilhosa e experimental do Beatles (colocar os links nos nomes). Este é o “The Head on The Door” (The Cure), o “True Stories” (Talking Heads) ou o "Rocket to Russia" (Ramones) enfim um disco tão bom que tem cara de 'Best Of....'
Trilha sonora do filme homônimo, a "Hard Day´s Night" , este disco reflete bem o poder de composiçáo pop que os Beatles atingiram nesse disco, onde todas, repito, todas as músicas têm cara de Hit Single e todas tem menos de 3 minutos de duração. Começa com 3 músicas compostas por Lennon “A Hard Day´s Night” mais uma das músicas cartão de visitas (aquela que consegue resumir o que será o disco todo), “I Should Have Known Better” (conhecida e divulgada no Brasil através da versão do Renato e Seus Blue Caps chamada Menina Linda) e “If I Feel” uma pérola muito bem arranjada e cantada com muita suavidade, em um casamento perfeito de vozes entre Lennon e McCartney.
Em seguida vêm a primeira composição Lennon / McCartney que foi cantada pelo Harrison que é “I´m Happy Just to Dance With You”. “And I Love Her” é a primeira do McCartney a aparecer nesse disco e também teve uma versão na época da Jovem Guarda feita pelo Roberto Carlos chamada 'Eu Te Amo'.
Nas 2 músicas seguintes são 2 aulas de guitarra base. Uma composição do Lennon “Tell Me Why”, que tem uma guitarra base maravilhosa tocada por Lennon que se ouve bem pouco, mas que merece muito o esforço de tentar. “Can´t Buy Me Love”, clássico do McCartney presente até hoje em suas turnês e que tem a guitarra acompanhando a bateria e deixando o baixo livre para passear entre os instrumentos.
“Any Time at All” e “I´ll Cry Instead” esta última em um clima bem country são outras 2 músicas do Lennon. Músicas de transição que existem em todo bom álbum fundamental.
“Things We Said Today” é uma composição do McCartney com a característica bateria do Ringo, fazendo a base para acordes eventuais do Harrison. E entramos na reta final com as últimas 3 músicas, todas do Lennon “When I Get Home”, a clássica “You Can´t do That” que tem um detalhe de um metal tocado pelo McCartney que é a base ritmica da musica e termina este disco a maravilhosa “I´ll Be Back” onde Lennon mostra que pode fazer músicas tão suaves e ternas como o McCartney. Em resumo, de 13 músicas. 9 do Lennon, 1 Lennon / McCartney e 3 do McCartney e um clássico eterno. É seu Lennon, dessa vez tirei o chapéu para o Sr.
********************************************

FAIXAS:
1. "A Hard Day's Night" 2:34
2. "I Should Have Known Better" 2:43
3. "If I Fell" 2:19
4. "I'm Happy Just to Dance with You" 1:56
5. "And I Love Her" 2:30
6. "Tell Me Why" 2:09
7. "Can't Buy Me Love" 2:12
8. "Any Time at All" 2:11
9. "I'll Cry Instead" 1:46
10. "Things We Said Today" 2:35
11. "When I Get Home" 2:17
12. "You Can't Do That" 2:35
13. "I'll Be Back" 2:24



*************************************************

sábado, 19 de maio de 2012

Os Causo de dois Morro - O Imperador Tiramizu



Dois Morro, no passar do tempo, já recebeu muita visita importante. Já fôro lá Napoleão Boaparte, John Leno, Cristóvo Com o Lombo, Tomás Édisso, e muitos ôtro. Té Jesus Cristo já foi lá e foi recebido pelo Prefeito da época, seu Epaminondas Fragoso da Rocha com toda a pompa e respeito que merecia.
Mas em 1736, se não me falha as ideia, teve uma visita que eu nunca que vô me esquecê: teve lá o Imperador Tiramizu, que era na época o Rei do JáBrioche, uma ilhazinha miudinha que despois cresceu e passô a se chamá JaPão.
Sei que o pessoar do tar do lugar apreciava muito a carne de profiteróle porque dizio que era melhor do que os pêxe deles pra fazê sushi. Nóis lá de Dois Morro não gostemo muito dessa coisa de comer profiteróle pra mijá meió, mas o home explicou que num era nada disso e que o tar do sushi era na verdade carne crua. Nóis não gostemo disso tamém mas... cada um com seus gosto, como já dizia a Dona Nilda, que gostava de comê ranho.
Sei que os japonêis visitaro as terra do Coroné Epaminondas, visitaro as plantação de presunto e as de ovo, tomaro Coca-Cola direto nas teta das vaca, ficaro tão impressionado com tudo que nem discutiro preço: compraro 100 tonelada de carne de profiteróle e levaro de barco.
Na despedida fizero uma churrascada pro imperador Tramizu no armoço, de tarde jogaro bocha e apostaro carrera em cancha reta, e de noite levaro ele e os puxa-saco dele pra zona pra conhecer as guria. Enxero os corno de pinga e não querío saber de pará de safadeza com as xina. Elas só se espantaro com o tamanico das minhoquinha dos jabriochês mas como eles tavo pagando bem e elas num tavo sentindo nada mesmo, deixaro os home se diverti.
Sei que no ôtro dia embarcaro tudo de ressaca e fôro simbora com o navio cheio de carne de profiteróle e pinga do alambique do Véio Bida.
Aquela noitada na Rua do Buraco Molhado com o imperador Tiramizu entro pros anal de Dois Morro.

postado por Chico Lorotta