quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
cotidianas #68
A vantagem de trabalhar em obra, muitas vezes, é o que a gente ouve dos funcionários. Certa vez, um pintor que trabalhava numa reforma conosco, relatava bem-humorado o seguinte caso que tento reproduzir da forma mais fiel possível:
- Hihihihi! Não quero mais saber de mulher, não! Não é que eu virei viado. Só não quero mais saber de mulher, assim, pra ter pra mim. Só quero agora é ficar sabendo quem é corno pra ficar rindo da cara deles. Hihihi! Depois que eu cheguei um dia em casa e encontrei o cara temperando a carne na minha mulher em cima do fogão eu decidi que não queria mais saber de mulher. Agora é só essas aí, de pegar por aí. Mulher de ser minha, mesmo, nunca mais. Só fico agora rindo dos corno quem nem eu. Hihihihi!
E ria-se com gosto, como se o mero conhecimento das infidelidades alheias lhe servisse de consolo por ter certeza de não ser o único.
-Hihihi! - ria-se ele, bem feliz.
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Tim Maia - "Tim Maia" (1970)
"Eu estou tocando música com influência americana, mas com muita raiz brasileira também porque eu aprendi a tocar violão aqui, meu conhecimento harmônico foi todo aqui."
Tim Maia para o "Pasquim" em 1970
Já começa com um rock pegado, carregado no xaxado mas com uma pitada de música negra americana. Assim é "Coroné Antônio Bento" a primeira faixa deste álbum histórico da música brasileira e um dos mais importantes do seu contexto geral. E esta é a tônica da obra, o álbum "TimMaia" de 1970: música brasileira, cheia de raizes, de origens, mas com influências consideráveis da black-music da terra do Tio Sam. Tudo isso fruto da temporada americana de Tim, pouco antes de gravar seu primeiro álbum. Lá, nos EUA, Tim absorvia James Brown, Stevie Wonder, Ray Charles e trouxe consigo na bagagem o que de melhor conseguiu tirar da musicalidade deles agregando ao seu universo e formação musical, obtendo disso, então um extraordinário resultado.
"Jurema" e "Flamengo" são puro funk-soul ao melhor estilo Mr. Dynamite, com sonoridade toda à americana porém, ambas, com títulos bem brasileiros; "Padre Cícero" é outra carregada de regionalismos e brasilidades, fundindo a tradição religiosa brasileira com a sonoridade gospel americana; "Cristina", que aparece em duas versões, sobremaneira na parte um, mais lenta, tem um baixo marcante bem suingado e muito bonito que serve de moldura qualificada para Tim deitar seu vocal imponente e poderoso.
Destaque também para as baladas 'Primavera" e "Azul da Cor do Mar", outros dois shows de interpretação no vozeirão afinadíssimo e singular de Tim.
Em época de caixas (Box da Universal Music) e reedições (Coleção Abril) das obras do Síndico, nada mais justo que destacar este grande disco aqui nos FUNDAMENTAIS.
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FAIXAS:
- "Coroné Antônio Bento" (Luiz Wanderley / João do Vale)
- "Cristina" (Carlos Imperial / Tim Maia)
- "Jurema" (Maia)
- "Padre Cícero" (Cassiano / Maia)
- "Flamengo" (Maia)
- "Você fingiu" (Cassiano)
- "Eu Amo Você" (Silvio Rochael / Cassiano)
- "Primavera" (Vai Chuva) (Rochael / Cassiano)
- "Risos" (Fábio Imperial / Paulo Imperial)
- "Azul Da Cor Do Mar" (Maia)
- "Cristina nº 2" (Carlos Imperial / Tim Maia)
- "Tributo à Booker Pittman" (Cláudio Roditi)
Ouça:
Tim Maia 1970
Cly Reis
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Box Bob Dylan - "The Witmark Demos: 1962-1964"
Saiu há pouco e está por aí, pelas bocas, uma caixa de raridades de Bob Dylan. "The Witmark Demos: 1962-1964" é um material bem curioso, especialmente para fãs. Fãs mesmo, pois talvez o público em geral, mesmo apreciadores do cantor, não curtam tanto por se tratar quase que exclusivamente de versões demos, gravações incompletas, fragmentos, gravados bem espontâneamente por Dylan em um gravador de rolo no escritório da gravadora. Tudo bem puro, bem bruto, sem acabamento nem produção. O material traz 2 CD's reunindo 47 faixas no total, além de um livro com fotos da época. Por se tratarem, às vezes, apenas de testes ou ensaios, algumas das canções chegam a ter menos de um minuto e outras apresentam até mesmo 'defeitos' como pigarros e ruídos no ambiente, mas certamente o material, gravado entre 62 e 64, época que vai do álbum de estreia, "Bob Dylan" até o "Another Side...", é uma daquelas pérolas para fãs.
Caixa Bob Dylan -"The Witmark Demos: 1962-1964"
The Bootleg Series - Vol. 9
CD duplo (47 faixas) + livro
Sony Music
R$ 48,80
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Caixa Bob Dylan -"The Witmark Demos: 1962-1964"
The Bootleg Series - Vol. 9
CD duplo (47 faixas) + livro
Sony Music
R$ 48,80
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domingo, 20 de fevereiro de 2011
"Cisne Negro", de Darren Aronofsky (2010)
O filme é lamentável!
Fraco, fraco, fraco.
Absolutamente previsível da primeira à última cena. Um roteiro extremamente mal desenvolvido com diálogos medíocres e rasos. Um suspense-terror com pouquíssimo impacto talvez adequado para filmes de adolescentes. Pouquíssimos méritos, efetivos, de direção; tipo aquilo que se possa dizer que só foi assim ou assado porque uma 'batuta' de mestre levou àquele resultado. Não! Pelo contrário: o glorioso Darren Aronofsky não faz muito mais do que tirar da lona e levar para o palco seu último filme "O Lutador", igualmente fraco e rasteiro. Só que lá era um lutador tentando tirar um paizão de dentro de si e neste é uma bailarina tentando extrair de si um lado negro; e tudo isso para AMBOS mergulharem (literalmente) em câmera lenta sobre o espectador a caminho de seus respectivos 'cantos do cisne'. É lógico que é um exagero mas os filmes tem, sim, muita semelhança, especialmente no que diz respeito a seus deficientes desenvolvimentos. Tem algum ponto a favor no jogo de espelhos e tal, mas não passa muito disso.Como disse, concordei, enfim em quase tudo como colunista dO Globo. Ele ainda salientou a deficiência técnica da atriz no que diz respeito à dança, mas aí não vou querer dar palpite porque não entendo especificamente do assunto ainda que todo leigo tenha sua opinião sobre qualquer assunto e, me pareça, que até nisso ele tem razão. O que acho mesmo é que está sendo superestimada é a atuação da atriz, Natalie Portmann, vancedora do Globo de Ouro e favorita para o Oscar, em uma interpretação para mim, no mínimo, muito comunzinha, e arriscando-me a dizer até, excessivamente afetada e inexpressiva.
O duro de tudo isso é o cara sair do cinema e comentar com a esposa que achou o filme uma droga e ela achar que o cara não gostou porque não gosta de balé.
Meu Deus!!!! Muitas pessoas parecem não entender que não tem nada a ver com assistir a um filme de guerra, de boxe, de futebol, de romance, etc. O importante é ver um FILME.
Não tem nada a ver com não gostar de balé. Não gostei do filme porque eu gosto de cinema. Só isso.
por Cly Reis
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