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sábado, 14 de abril de 2012

cotidianas #153 - Jesualda



JESUALDA
(Jorge Ben)
Jesualda parou com o morro
Pois ela estava no alto
Mas não estava por cima
Moça simpática prendada ano ginasial completo
Toda certinha ainda donzela
Prá ninguém botar defeito
Cheia de afeto
Desceu pra ver de perto o asfalto quente
Sentir a brisa e a água salgada do mar
Molhando seu corpo delgado
Procurou um emprego e achou
Foi trabalhar num duplex na zona sul
De cozinheira de forno e fogão
La, la, la, la, la, la, la, la, la
La, la, la, la, la, la, la, la, la
Na flor da idade
Tão pura tão linda tão meiga
No ponto do ônibus
Num domingo à tarde
Sua felicidade pintou
Pois um moço simpático
Que ia no seu carro meio apressado
Com bandeira e tudo
Com bandeira e tudo ao Maracanã
No que olhou pro lado, parou
Saltou levou um papo
E a linda simpática donzela ele amarrou
Hoje Jesualda é feliz
Casou de véu e grinalda
E agora espera baby
Espera baby no exterior
Espera baby no exterior
Salve simpatia

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Ouça:
Jorge Ben - "Jesualda"

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Os Causo de dois Morro - O maior estádio do mundo

Pelo que nóis andô sabendo aqui em Dois Morro vai tê Copa do Mundo no Brasir. Eu sube que tão recauchutando uns campo de futebor por aí. Hmm...
Minerão, Ponte Nova, Maracanão... Faço pôco!!!
Estádio mesmo é o Municipar.
Pôca gente sabe mas Dois Morro tem o maior estádio do mundo. Todo mundo fala de Maracanhã, Uêmbli... Tudo fichinha perto do Estádio Municipar de Dois Morro "Epaminonda Nepomuceno Neto”, que nóis chama só de Municipar, mesmo.
O Municipar de Dois Morro
meio mal conservado
No Municipar? Ah, cabe mais ou mens uns trêis Macarranã drento. Coisa linda dissivê.
E muito antes de se inventá essas coisa de arena murtiuso nóis já usava o Municipar pra gineteada, feira gropecuária, exposição de profiteróle, fandangada, matadôro, moter e ôtras cozas más.
O inauguramento do Municipar deu-se em 1886 num amistoso entre Doismorrense contra os Amigos do Arlindo Cachaça. O púbrico totar deu de mais de 500.000 pessôa. Ganhemo de 5x1: dois do Zuninga, um do Xinapre, um do juiz, um do bandeirinha, um do maqueiro, um do Beijoqueiro e um do gandula; o golo deles foi contra do nosso beque, o Morrão, que tava bêbado.
Cês acho que o Bombonera é calderão? É porque cês num conhecero o municipar. Procês tê uma ideia, o alambrado era tão perto do campo que o torcedor ali na ponta, perto da cerca é que batia o escanteio. As mulhé passavo as mão nas perna dos jogador que elas achavo bonito. Ééééé! Pressão totar!
Durante muitos ano o Doismorrense mandô seus jogo lá. Foi Dezacampeão nacionar, Tri da Conquistadores da Mérica (não por ter ganhado trêis vêiz, porque na vardade nóis ganhemo 6 título, mas a gente dizia que era tricampeão porque o time era tri bom) e 5 vêiz campeão mundiar. Depois nóis cansemo de tanto ganhá e encerramo o futebor profissionar. Hojendia o Municipar tá lá. Bandonado. Jogado às traça. Curpa da diministração incompetente do novo Perfeito, o Dr. Emiliano Vendelino. Ladrão, safado, senvergonho.
Com um poquinho de esforço e se não robasse tanto, podia tê levado a Copa pra Dois Morro. Era só dá uma ajeitadinha no Municipar e ele tava novo em folha.
Mas há de se fazê o quê?
Mas que era um tempo bão aquele que a gente ia no Municipar pra vê o Doismorrense jogá, isso era. Ia as família pro estádio, ia a piazada, ia os boi, ia os porfiteróle, os muffin. E o espetáclo era garantido: os craque do Doismorrense não decepcionava a gente. Sempre tinha no mínimo uns 3 jogador do adeversário com a perna quebrada. Aquilo é que era futebor bonito.
Ah, tempo bão.


postado por Chico Lorotta

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Arte Espontânea









Arte Espontânea
superfície de compensado manchada e arranhada

fotos: Cly Reis

Hank Williams - "Memorial Album (1953)

"Poucos compositores deste século
souberam expressar a
profunda dor da solidão
e da saudade por causa do amor
tão sombria e docemente como Hank Williams"
Matt Johnson, The The


Conheci Hank Wiliams através do The The. Seu líder e homem-banda, Matt Johnson, resolveu homenagear o lendário cantor country com a gravação de um álbum só com versões e releituras das músicas de Hank, chamado "Hanky Panky". Matt já havia feito um música numa linha mais country para a trilha do filme "O Juiz" e me deixara uma boa impressão, despertando alguma curiosidade quanto ao que poderia na matéria que se propunha então. Ouvi o "Hanky Panky" do The The, gostei bastante e fiquei bastante curioso a partir disso para ouvir, então, o verdadeiro, o original, uma vez que ouvira muito falar a respeito dele mas nunca havia escutado suas músicas interpretadas por ele mesmo. Até porque o astro country dos anos 40 e 50, tinha a fama de ser maldito, marginal e muito rock'n roll antes mesmo do termo ser efetivamente abençoado por Chuck Berry.
O disco que destaco aqui é um dos poucos dos quais falo nesta seção que não tenho. Ouvi e tenho, na verdade uma coletânea com todos os grandes sucessos do cantor chamada "Hank Willliamms 40 Greatest Hits", mas como o legal aqui é destacar sempre uma obra concebida, seu contexto histórico, suas circunstâncias de produção, etc., aponto como Fundamental o "Memorial Album", terceiro disco de Williams e contentor de alguns de seus grandes sucessos como "Move it on Over e "Your Cheatin' Heart".
"Move it on Over" é uma canção descontraída, alegre, conduzida por um violino e cantada naquela voz anasalada de Williams com uns propositais falseamentos de 'rouquidão' que já eram tradicionais nas suas interpretações; divertida também é a grande "Hey, Good Lookin'", fronteira entre o country, o blues e o rock;  "Your Cheatin' Heart" ainda, até hoje, persiste como uma das  mais belas baladas já feitas e ganhou posteriormente versão de Elvis Presley; e "You Win Again", brilhante, teve versão gravada pelos Stones presente nos extras do álbum  "Some Girls" .
"Cold, Cold Heart", outra balada, tem outra interpretação marcante ; "Half as Much" e "I Could Never Be Ashamed of You", também lentas, de dor-de-cotovelo, fazem o estilo bem campeiro característico; e "a ótima "Kaw-Liga", bem rock'n roll no conceito, tem uma batida indígena forte e marcada acompanhada por um violino.
Influência evidente para artistas como os já citados Elvis e  Rolling Stones , além de outros como Bob Dylan, Neil Young, Johnny Cash, The Smiths entre tantos outros, Hank Williams, ali por aquele final de anos 40 representava mais um passinho que a música dava em direção ao que seria o rock'n roll.

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FAIXAS:
  1. Your Cheatin' Heart
  2. Settin' The Woods On Fire
  3. You Win Again
  4. Hey, Good Lookin'
  5. Crazy Heart
  6. Move It On Over
  7. Cold, Cold Heart
  8. Kaw-Liga
  9. I Could Never Be Ashamed Of You
  10. Half As Much
  11. My Heart Would Know
  12. I'm Sorry For You, My Friend
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Ouça:
Hank Williams Memorial Album



Cly Reis

terça-feira, 10 de abril de 2012

Maurice Ravel - "Bolero" (1928)

"Ele sabe muito bem o que fez.
Não se pode falar de forma
nem de desenvolvimento ou modulação (...)
é uma coisa que se autodestroi,
uma partitura sem música, uma fábrica orquestral sem objeto,
um suicida cuja arma é apenas o alargamento, a amplificação do som."
Jean Echenoz, 
escritor francês, autor do romance "Ravel"


Um único movimento.
Uma sequência rítmica que se repete ao longo de mais de 15 minutos assumindo variações, adquirindo forma, desfazendo-se e incorporando elementos. Ora erguendo-se em ênfases, ora reduzindo-se quase a silêncio.
Uma obra-prima minimalista de linhas grandiosas, tons heróicos, um acento levemente ibérico e percussão quase militar.
Uma composição crescente que vai ganhando corpo, forma, amplitude pelo acréscimo progressivo de instrumentos, partindo de um vazio sonoro até chegar um final apoteótico no qual todos os elementos se unem para propiciar um êxtase total.
Modelo de composição altamente moderno e sofisticado, influente para a música da sequência do século 20, encontrado com frequencia em gêneros tidos por vezes como limitados ou burros, como a música eletrônica, por exemplo.
Este é o "Bolero".
De Maurice Ravel.
Um único movimento.
Um movimento único.

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FAIXAS:
1. Boléro (16:13)
2. La Valse (13:17)

*Os primeiros lançamentos em disco de "Bolero" apareceram em um compacto que tinha "La Valse" no outro lado. Teve vários outros formatos posteriormente mas ainda há edições onde se encontra esta primeira disposição.
*Há divergências quanto à duração oficial da peça: originalmente, pela partitura de Ravel ela teria algo em torno de 14 minutos, porém execuções mais lentas chegam mesmo a ter durações superiores a dezoito.
* A minha versão, que tenho em casa, da Slovak Radio Symphony Orchestra, tem duração de pouco mais de dezesseis minutos.
*"La Valse", apenas pra não deixar passar, também é uma peça bastante interessante. Intensa, de tom grandioso, misterioso e de valseado levemente insinuado. Muito valorosa também e não deve ser ignorada, de forma alguma.


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Ouça:
Bolero - Maurice Ravel (Orquestra Sinfônica de Londres - regência Valerie Gergiev)
La Valse - Maurice Ravel (Orquestra Filarmônica Radio France - regência de Myung-Whun Chung)

Cly Reis