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sábado, 18 de agosto de 2012

Massive Attack - Mezzanine (1998)




"O Massive Attack nunca foi uma banda convencional."
Robert Del Naja



Conheci o Massive Attack com o clipe de “Teardrop” na MTV. Fã que sou de Cocteau Twins, fiquei fascinado com aquela combinação da voz angelical de Liz Fraser com a batida eletrônica sutil e a melodia delicada da canção. Descobrindo que a música fazia parte do álbum “Mezzanine”, tratei de comprá-lo o quanto antes. Para minha agradável surpresa, ouvindo o álbum, chegava então à conclusão que a excelente “Teardrop” não era a melhor coisa que aquele disco tinha. A começar por “Angel”, que abre o disco, com seu ar misterioso, atmosfera árabe, vocal meio sussurrado, iniciando suavemente até incendiar-se com uma furiosa e estrepitosa guitarra que dá corpo à canção da metade para o final.
O disco todo é meio que mergulhado em climas orientais arábicos e a ótima “Innertia Creeps” com sua percussão bacanérrima e a faixa-título do álbum, “Mezzanine”, repetem esta característica de forma bem marcante. Mas o disco é um festival de estilos, influências e colagens e dentro disso, cores reggae aparecem sutilmente combinadas ao vocal hip-hop de “Risingson”; mais fortes no baixo grave de “Dissolved Girl”, e mais evidentes na condução da ótima “Man Next Door”, que conta com samples de The Cure e Led Zeppelin; já “Exchange”, esta com trecho sampleado de Isaac Hayes, é um adorável cool jazz charmoso com a marca da sofisticação sonora do grupo.
Liz Fraser volta a aparecer em duas faixas, “Black Milk”, canção lenta em que divide os vocais com um dos vocalistas do Massive, Rober Del Naja; e na excelente “Group Four” uma espécie de pesadelo crescente, intensa, forte, de vocal envolvente e enfeitiçante de tirar o fôlego. Para recuperá-lo, antes de encerrar o disco, “(Exchange”) retorna só para dar aquele último gostinho e aquela relaxada final para terminar com uma sensação gostosa.
Um ótimo disco de uma banda que sempre fez discos no mínimo interessantes mas sofria constantemente com problemas internos. Na época do “Mezzanine’ conta inclusive que os integrantes mal se falavam. Pode? Nem mesmo sei como é que um grupo que brigava tanto conseguiu produzir pérolas como foram especialmente o ótimo "Blue Lines" e este, também excelente, “Mezzanine”.

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FAIXAS:
  1. "Angel" - 6:18
  2. "Risingson" - 4:58
  3. "Teardrop" - 5:29
  4. "Inertia Creeps" - 5:56
  5. "Exchange" - 4:11
  6. "Dissolved Girl" - 6:07
  7. "Man Next Door" - 5:55
  8. "Black Milk" - 6:20
  9. "Mezzanine" - 5:54
  10. "Group Four" - 8:13
  11. "(Exchange)" - 4:08


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 Ouça:

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

cotidianas #174 - Dentro (II)




"Voz e Fera" - Rodrigues, Daniel
grafite sobre sulfite com manipulação digital, 18x 16cm
Calou no peito
porque pegou no fundo
o dito não grato
que ao ouvido arde.

Vocifera e emudece
Acomoda na introspecção
Acolhe mas desespera
Quase contrito
e vai parar no mar dos olhos
semicerrados de água salgada

Agridoce gosto
sorriso sem dente
amarelo como vermelho-sangue.

Cala no peito calado, vivo
pois que grita mudo na boca.


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

"Maus - A História de um Sobrevivente", de Art Spiegelman - Cia. das Letras (2005)


Acabei de ler ontem a consagrada HQ agraciada ineditamente com um Prêmio Pulitzer, a excelente “Maus”, do jornalista e ilustrador Art Spiegelman, e comprovo que realmente ele justifica a condição de um dos maiores e mais importantes trabalhos em quadrinhos já publicados.
Spiegelman, filho de um judeu sobrevivente da segunda guerra, conta a saga do pai em esconderijos sub-humanos, vivendo de migalhas de comida, sob mira de metralhadoras e entre campos de concentração, misturando isso ao próprio processo de criação, à sua condição psicológica em relação à mãe, ao irmão que não conheceu, à própria obra e ao estado do pai, velho, ferido, esclerosado e cheio de reminiscências do Holocausto, que lhe relata toda essa dolorida história entre ranzinices e mesquinharias.
Poderia até passar por mais uma obra em quadrinhos qualquer não fossem alguns detalhes importantíssimos: a amarração perfeita, coerente e precisa da narrativa, o caráter documental de uma história verídica contada com implacável detalhamento e colocada de maneira absolutamente crua e chocante; a qualidade gráfica de Spiegelman e o retrato traçado por ele, desenhando os judeus como ratos, os alemães como gatos, americanos como cães, franceses como sapos, poloneses como porcos, assumindo assim já na concepção da obra um caráter crítico e pessoal, até bem discutível enquanto comparação étnica, mas inegavelmente dotado de admirável originalidade artística.
Publicado originalmente em duas partes, em 1986 e 1991, e lançado em versão integral no Brasil em 2005, "Maus" é a prova definitiva que as HQ's, assim como filmes, livros, entrevistas, etc. podem ser, sim, documentos históricos sérios e altamente qualificados e confiáveis. Certamente já se viu grandes filmes sobre Segunda Guerra Mundial, já se viu fotos marcantes, já se leu admiráveis ensaios e ralatos, mas nunca (ou poucas vezes) até então alguém havia feito uma obra em quadrinhos sobre o assunto com tamanha força, contundência, credibilidade e varacidade.
Obra de Art.



Cly Reis

terça-feira, 14 de agosto de 2012

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Os Causo de Dois Morro - As Olimpíada de Dois Morro




'Cês fico falando muito dessa tar de Olimpida de Lontra, Londra, Londre, sei lá eu como é o nome, mas ninguém nunca que se alembra que de começo, os premero jogos olimpinico fôro em Dois Morro.
Ééééé!!!
Teve os dos grego, que foi bem antes, mas mesmo naquele tempo, os maior vencedor já ero os doismorrense.
Mas os jogo das era-modérnica começaro lá pelos ido 1685, maizomeno. Dois Morro naquela época era a maior potença mundiar e o Comitê Limpico foi lá perguntá pro Coroner Ormenegirdo se podia de realizá os Jogo Olímpico na terra dele. Ele disse que podia mas só se fosse as competição que ele quisesse. Nada disso de marchatlética com home se arrebolando, ginástecartística com macho de colã, nem sarto ornamentar sincronizado que essas coisa são coisa de fresco. Os organizador num gostaro muito mas concordaro, afinar de conta naqueles tempo tudo o que o mundo queria era assistir a uma Olim Piada em Dois Morro e eles não querío desapontá os telespectador do nundo intêro.
Pois entonce que se assucedeu-se os Jogo.
A festa de iniciamento foi uma lindeza: foi no estádio do Doismorrense e tinha mais de 400 mil pessoa lá pra vê. Teve chôu forcrórico de Dois Morro, chôu de ranchêra, teve uma criôla lá, uma tar de Neyde Zys que cantô umas música esquisita e uns roquêro maluco uns tar de Os Cabeça que fôro convidado a se retirá do parco pois num tavo agradando. Depois entrou as comitiva dos país: da Pérsia, de Esparta, da Babilônia, da Mesopotâmia, da Alsácia, da Indochina, de Atrântida, de tudo que era país importante. Dispois o púbrico formava uns desenho com uns pedaço de papér colorido que cada um levantava, como tava todo mundo bêbado, uns não fazío junto, cada um levantava na hora errada, ôtros pegava o papér de ôtra cor,...Ih! Ficô um horror.
Até que lá pelas tanta, fartô luz no estádio. Aí que juntaro um monte de galho seco na parte de cima do telhado da arquibancada pra mode fazê uma foguêra ali e alumiá todo o campo, nisso o coroné mandou vir lá da fazenda dele um peão com uma tora acesa na mão pra acendê a tar da foguêra. Antonce que o empregado dele, o tar do João Baratona veio correndo com a o pau aceso na mão (num bom sentido, é craro). Quando ele entrô no estádio foi aquela empolgação! Aí ele subiu pelas arquibancada, subiu no telhado, enconstô o lume nos galho e acendeu a foguêra. Ninguém nunca que ia imaginá que aquilo ia sê tão importante  e que ia virá a tradição de leva a tocha e acendê a pira olímpica. Ah, e ficou conhecida como PIRA porcausdequê depois daquilo, com tanta correria pra acendê o fogo, o João Baratona ficou pirado e foi internado num manicômico; e a corrida dele, que foi de maizomens uns 42 quilômetro, ficô conhecida como maratona por conta de um amigo fanho que ele tinha que quando contava o causo o pessoar entendia maratona e não baratona.
Mas nas prova Dois Morro foi imbatíver: ganhou 140 medalhas de ôro, 45 de prata, 23 de bronze, 12 de zinco, 5 de cobre e 2 de níquer. Nos 100 metro raso batero o recorde com 8 segundo, 56 centésimo, 43 milésimo, 92 ésimo e 22 pentelionésimo. Foi só botá uma garrafa de pinga na linha de chegada que o Tinoco Ventania correu como um corisco pra chega lá e pegá ela. Já nos 100 metro fundo, ninguém venceu porque todos os competidor morrero afogado. Por falá em água, na nadação o Geraldo Tainha ganhô fácer na prova de uma vorta na sanga, na de duas vorta e vorta com revezamento; no salto ornamental sobre a sanga o Tião Pança levô a melhó com uma entrada de barriga que jogo água na pratéia intêra, já que em Dois Morro o critério pra vencê era espaia mais água possíver. Na vela, a Dona Eunice foi destaque riscando o fósforo, acendendo a vela, levando pro quarto do fio e apagando pra ele dormir em menos de 3 minuto. Já na catarrada a distância que ganho foi o Chico Roncoio. Primêro pigarreô, depois respiro, puxou lá do fundo da caixa e largô aquele catarro amarelo, bonito, lustroso, quase chegando no esverdeado. Adistnaça? 6m40cm. Ôtro recorde!
Ganhemo em praticamente tudo: bolita, pauzinho, bocha, jogo do osso, carrinho de lomba, truco. Um chôu dos desportista Doismorrense.
Aí vocês do Brasir ficom se contentando com 15 medalhinha... Fazê o quê? Atreta bão mesmo ero os de Dois Morro.
Mas ninguém valoriza. Hojendia ninguém mais lembra. Êta povinho sem memória.


postado por Chico Lorotta