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terça-feira, 30 de setembro de 2008

"O Alienista", adaptação de Fábio Moon e Gabriel Bá para o conto de Machado de Assis (ed. Agir - 2007)




"(...)De todas as vilas e arraiais vizinhos afluíam loucos à Casa Verde. Eram furiosos, eram mansos, eram monomaníacos, era toda a família dos deserdados do espírito. Ao cabo de quatro meses, a Casa Verde era uma povoação. (...)
trecho de "O Alienista"



Aproveitando o momento no qual se recorda dos 100 anos da morte do maior escritor brasileiro de todos os tempos, Machado de Assis, quero citar aqui uma de suas novelas que admiro muito e que acaba de ganhar versão em HQ. Trata-se de O Alienista. Para quem não conhece a história, o conto narra a história de um médico que dentro de suas pesquisas, pensamentos, estudos, vai chegando à conclusão que determinadas pessoas na cidade estão loucas, por fugirem de um padrão de comportamento que ele estabelecera. Aos poucos vai aumentando e variando seus conceitos sobre a loucura até chegar ao ponto de internar toda a cidade no manicômio chamado de Casa Verde. A história tem seus desenrolares e reflexões não só sobre a lucidez, mas sobre a condição humana, ética, convenções, política e também sobre influência da ciência na sociedade numa época em que descobertas e teorias estavam em alta porém engatinhando, em um tema que se mantém extremamente pertinente até hoje.
Muito legal a versão da dupla Fábio Moon e Gabriel Bá, bastante fiel ao conto sem perder sua originalidade na adaptação gráfica.



Cly Reis



segunda-feira, 29 de setembro de 2008

"Sindicato dos Ladrões", de Elia Kazan (1954)




O canal TCM de clássicos tem me proporcionado sessões fantásticas de obras que até então não tinha visto por falta de oportunidade ou porque preferi pegar algo mais atual na locadora e fui deixando o clássico pra depois, depois, depois... e no fim não vi.
Vi ontem Sindicato dos Ladrões (1954), com Marlon Brando, no especial Elia Kazan que o canal está exibindo.
Não é à toa que este filme tem a fama que tem. É um grande filme, mesmo! Um clássico!
Uma direção preciosa com uma fotografia fantástica e uma atuação incrível de Marlon Brando, que lhe valeu um Oscar de Melhor Ator, além dos outros sete que o filme levou, incluindo Melhor Filme.
A película conta a história de um ex-boxeador que é usado, sem saber, numa cilada que leva à morte de um dos estivadores do cais do porto que desafiou o poder chefão do sindicato. O boxeador se envolve com a irmã da vítima e com isso, aos poucos, se volta contra os chefões e abraça a causa dos trabalhadores.
Remete muito ao neo-realismo italiano de Rosselini, De Sicca e Viscontti, com características mais hollywoodianas é claro, mas que não o fazem perder a qualidade. Destaque também para a ótima música de Leonard Bernstein que valoriza e pontua cada cena de maneira vibrante e emocionante.
O filme também tem um fator de comportamento cultural importante. Ele é certamente um dos elementos formadores do visual do jovem rebelde nos anos 50, juntamente com outros filmes como O Selvagem, com o prórprio Brando e Juventude Transviada, com a imagem de rebelde sem causa de James Dean e com a tendência rock'n roll que cada vez mais crescia, impulsionada pelo jovem Elvis Presley, naquele momento.




Cly Reis

domingo, 28 de setembro de 2008

Maior do que River x Boca


Tive a satisfação, hoje de assistir, à tarde um grandioso clássico: Milan x Internazionale. Um dos maiores clássicos do mundo. Um jogaço, com todos os ingredientes que um jogo deste porte deve ter. Jogadas de categoria, de raça, confusão, expulsão, gol e tudo mais.

Há outros, há rivalidades fantásticas, mas, particularmente no Brasil não considero nenhum maior, mais disputado ou mais aguerrido. Respeito muito o clássico argentino, o qual é chamado nada mais nada menos que SUPERCLÁSSICO. É isso, não o chamam pelas sílabas de cada nome dos clubes como Fla-Flu, com algum nome engraçadinho como Vovô, Sansão, não chamam de derby... Não. É o Superclássico.

Mais tarde no início da noite assisti ao clássico da minha terra, com uma arrasadora vitória sobre o inimigo, e OUÇO, após o jogo, um grande jogador, de seleção argentina, campeão olímpico, que já jogou no River Plate, Andrés D'Alessandro declarar que o clássico graNal é maior que um River e Boca. Já tinha ouvido Muricy Ramalho, atualmente, técnico do São Paulo declarar que no Brasil não conhecia rivalidade maior, já tinha ouvido de Abel Braga, que já dirigiu Fla-Flu e Clássico dos Milhões, mas essa do D'Alessandro dá uma dimensão maior do que eu mesmo imaginava.

Olha, esse cara é argentino. A gente sabe o quanto as barras castellanas são vibrantes, o quanto o jogo é pegado e ainda ssim ele se impressiona com uma rivalidade como esta. Nos enche de orgulho por ter no Rio Grande do Sul um clássico com tamanha tradição e que neste confronto o Internacional tenha vantagem em número de vitórias, títulos no próprio Estado, confrontos internacionais e em eliminatórias nacionais.



greNAL é o maior clássico do país e um dos maiores clássicos do mundo!

abaixo a declaração do argentino:

sábado, 27 de setembro de 2008

The Cure- "Disintegration" (1989)


O MAIOR DISCO DO MUNDO



"Disintegration é o maior disco do mundo!"


Tem um episódio do South Park em que a Barbra Streisand vira um monstro (se é que já não é), tipo aqueles de seriados japoneses, começa a destruir tudo e então as crianças da cidade chamam Sydney Pottier para combatê-la. Este se transforma em gigante, usa todas as suas forças e não consegue vencê-la, ao que chamam então Robert Smith, do The Cure, que fica também gigante, como um Ultraman, um Jaspion, e consegue derrotá-la. No final, quando Bob Smith está indo embora, um dos meninos o chama, ele se volta e o garoto diz, "Disintegration é o maior disco do mundo!" e Robert segue e some no horizonte.
Não, Disintegration não é o maior disco do mundo. Mas é bom pra caralho!!! E é com certeza um dos melhores desta banda da qual sou fãzaço.
Costumam colocá-lo numa espécie de 'trilogia das sombras' com o Pornography e o Bloodflowers. Concordo com o Pornography, que acho também um discaço, mas só aceito colocá-los juntamente com o Bloodflowers pelo clima mais deprê dos álbuns, mas não por qualidade, uma vez que o Bloodflowers é muitíssimo inferior.
Disintegration abre com a mágica "Plainsong" com seus tilintares que parecem uma explosão estrelar, segue a adorável e doce "Pictures of You", sempre num clima pesado passa-se por "Closedown", "Lovesong" e pelo sombrio hit "Lullaby", chegando à que considero a melhor música do álbum, a intensa "Fascination Street". Com um fio condutor que é uma linha de baixo violenta e arrasadora, a música ganha efeitos sobrepostos que dão uma atmosfera alucinante e guitarras que parecem quase que como independentes do restante da música estando porém em plena harmonia o tempo todo. É a mais emplogante do disco.
Segue com "Prayers for Rain" que abre com uma guitarra forte e se desenvolve com uma melancolia agressiva, vai à triste e longa "The Same Deep Water as You" com seus efeitos de chuva e chega novamente a outro ponto alto, a faixa-título "Disintegration". Esta um pouco mais "pra cima" , também com uma linha de contrabaixo marcante que orienta toda a canção, na melhor interpretação vocal de Robert Smith no disco. O álbum fecha com "Untitled", que é uma faixa simples, delicada, mas que mantém esse clima de escuridão mas que serve pra fechar bem um disco grandioso. Eu listei assim porque tive este disco primeiro em LP, no CD tem duas faixas extras, "Last Dance" e a ótima "Homesick", que fica melhor ao vivo, no mini-álbum Entreat.
Desde que vi o tal episódio de South Park, sempre que vou à minha prateleira de CD's pegar o Disintegration pra ouvir, penso: "É o maior disco do mundo!"
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FAIXAS:
1. “Plainsong”
2. “Pictures Of You”
3. “Closedown”
4. “Lovesong”
5. “Last Dance”
6. “Lullaby”
7. “Fascination Street”
8. “Prayers For Rain”
9. “The Same Deep Water As You”
10. “Disintegration”
11. “Homesick”
12. “Untitled”

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Ouça:

"O Anjo Exterminador" de Luis Buñuel (1963)


Depois de assistir ao ótimo "Ensaio sobre a cegueira", lembrei de outro filme que, assim como ele também traz situações limite de convivência humana por conta de uma circunstância, igualmente, extraordinária. É O Anjo Exterminador, de Luís Buñuel, de 1962. Não estou dizendo que os filmes sejam iguais, que tem tudo a ver e coisa e tal, é só porque em algum ponto um lembra o outro, e neste caso, já, no cinema mesmo, assistindo ao "Blindness", quando os internos começam a ficar irascíveis, quando o respeito pelos outros começa a ir por água abaixo e uma das alas começa a botar as "manguinhas de fora", já me veio à mente o clássico do Buñuel.

Em O Anjo Exterminador o que acontece é que ao final de uma festa da alta-sociedade os convidados, por conta alguma força desconhecida, não conseguem deixar o local para ir embora. Algo os impede de cruzar uma porta que está aberta. Em um primeiro instante parece natural, quem chega à porta pronto para ir, acaba desistindo e voltando, mas logo notam que não estão conseguindo mesmo sair.
Aí com o decorrer da situação, que se estende por dias os dias, o cansaço, a fome e outras necessidades fisiológicas começam a ficar maiores do que o espaço que os confina e toda a pompa e amabilidades de gente de sociedade desaparecem. A tolerância humana vai pro ralo e situações de egoísmo, falsidade, vaidade, se impõe em um ambiente pesadíssimo.

É um clássico! Este, sim, posso dizer que é um filme maravilhoso que certamente vale a conferida pra quem não viu, e vale assistir novamente pra quem já teve o privilégio.

Como curiosidade, o filme concorreu com o incrível 8 1/2 do Fellini e com o Pagador de Promessas no Festival de Cannes de 1963, onde pela primeira e única vez, um filme brasileiro venceu o prêmio principal.
É mole? O Pagador... ganhou de 8 1/2 e O Anjo Exterminador!!!

Mas sobre o Pagador de Promessas eu falo outro dia.


Cly Reis

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Ensaio Sobre os Mortos




Como comentei, anteriormente aqui, Ensaio Sobre a Cegueira, o filme de Fernando Meirelles baseado na obra de José Saramago levanta uma série de questões humanas significativas e com certeza faz pensar e fica martelando na cabeça, ainda, por um tempo depois de vê-lo. Pensando sobre o filme me ocorreu uma similaridade de temática, ainda que os gêneros e os apelos sejam completamente distintos.
Essa coisa toda de um mal com causa desconhecida, essa anomalia, a propagação, a epidemia, o isolamento de um grupo e suas diferenças pessoais, a exceção dos saudáveis, tudo isso me lembra também ótimo Madrugada dos Mortos, do diretor Zack Snyder.

Não, não!!! Não quebrem o monitor! Não estou comparando os filmes. É evidente que a qualidade do Ensaio... é superior enquanto história, - até pela fonte que o inspirou, o livro homônimo de José Saramago - enquanto tema e até mesmo enquanto obra final, mas a analogia faz-se principalmente pelo ponto em comum do mal que se alastra e causa este isolamento de algumas pessoas.
No caso do Madrugada... o mal é um vírus desconhecido que aparece de repente e transforma as pessoas em zumbis. Estes passam a ser ferozes e famintos e atacam todas as pessoas vivas que estiverem pela frente transformando-as também em zumbis por qualquer ferimento que causarem nos outros.
Neste caso também há a exceção dos não contaminados, que aqui são algumas pessoas, ao contrário do Blindness onde somente a esposa do médico pode ver, mas com o ponto em comum que a líder do grupo também é uma mulher.
Também, assim como no ...Cegueira, o grupo fica isolado, só que neste caso dentro de um Shopping Center, enquanto o mundo lá fora está transformado num caos por conta dos ataques dos mortos-vivos e da propagação do vírus. Lá dentro os sobreviventes brigam, se desentendem e também aparecem questões humanas (porém bem mais rasteiras),que no outro filme, mas o que prevalece mesmo são as piadinhas típicas de filmes de terror, mesmo que intrínsecamente também haja um conceito, como o consumismo desenfreado do ser humano
Há também em comum com o Ensaio..., a imagem do mundo devastado que as pessoas do shopping encontram quanto tem que sair de lá, que com características de filmagem, de fotografia e de enfoque diferentes, parecem com a visão um do outro.
Para o gênero terror de zumbis, eu acho ótimo, mas não é comparável a uma proposta séria, estudada e muito bem adaptada como o Ensaio sobre a Cegueira, sem contudo tirar os grandiosos méritos do diretor Zack Snyder que mostra com muita qualidade de direção em grande parte das cenas, com destaque principalmente para a cena da fuga de automóvel pela estrada, filmada do alto (incrível), a da explosão dos zumbis (demais) e o final (que eu não vou comentar pra não perder a graça pra quem não viu).
São filmes diferentes, eu sei, eu sei. Mas minha cabeça funciona assim: uma coisa chama outra.



quinta-feira, 25 de setembro de 2008

'Ensaio sobre a Cegueira" - Fernando Meirelles (2008)




Perturbador, tenso, angustiante. Estes são alguns muitos dos adjetivos com os quais se pode definir o filme Ensaio Sobre a Cegueira (Blindnes), do diretor Fernando Meirelles. Mas o filme não se limita a criar "climas" e "atmosferas". Existem muitos outros méritos neste que é, com certeza, um dos melhores filmes que assisti nos últimos tempos.

A direção é impecável, com uma contraste de imagem quase sempre esbranquiçado, fazendo com que o espectador participe, em parte, da cegueira dos personagens. Até como uma provocação, o diretor trabalha muito, em boa parte do filme, com imagens obtidas de maneira indireta (sombras, reflexos e às vezes imagem direta interagindo com reflexo no mesmo enquadramento,) como quem pergunta se realmente estamos vendo o que estamos olhando.

O filme tem uma série de outras questões intrínsecas, mas se sobressai principalmente, me parece, a da convivência humana em um estado limite. Como as pessoas começam a reagir em uma situação crítica comum dentro de um grupo em um espaço restrito. Aí, se não prevalece o espírito de solidariedade, ordem, princípios, a coisa desanda e fatores como ganância, vaidade, anarquia, passam a imperar. É o como se um Caos se aproveitasse de uma inquietude coletiva, de uma insatisfação, um cansaço geral, somado ao isolamento, divergências, desesperança e à fome, para fazer seu ninho.

É o que acontece em determinado momento quando pessoas acometidas por uma cegueira epidêmica desconhecida que repentinamante começa a se alastrar, são levadas para um isolamento e lá ao longo de alguns dias, com a população de doentes crescendo e os problemas de higiene, comida, comunicação, aumentando alguns internos de uma das alas resolvem tomar o poder pela força e aí então é que estas mazelas humanas explodem. O caso é que apenas uma pessoa pode enxergar e esta resolve permanecer naquele sanatório por amor e solidariedade ao marido, só que para ela, nesta condição, tudo é mais torturante apesar de sua grande força interior.

Filmaço!

Vale a pena dar uma olhada.

Um barato também as cenas externas com locações em uma São Paulo abandonada e suja, como se fosse o fim do mundo.
(deve ter sido difícil em uma cidade como SP isolar trechos grandes, como os que vemos, e filmar sem nenhuma viva-alma na rua ou mesmo aparecendo nas janelas dos prédios)

Belos trabalhos de cenografia e fotografia.



Cly Reis
Cly Reis

domingo, 21 de setembro de 2008

"Linha de Passe", de Walter Salles e Daniela Thomas (2008)



Fui assistir, nesta semana que passou, ao bem recomendado Linha de Passe de Walter Salles e Daniela Thomas e saí um pouco decepcionado. Não posso dizer que é um filme ruim, mas também não tem nada que se destaque, que emocione, que impressione.

Minhas expectativas pelo filme recaíam todas no diretor Walter Salles que me deixara muito boa impressão com o emocionante Central do Brasil, que por ter também estes aspectos humanos, retratos urbanos de pobreza, solidariedade, simplicidade, dava algum indicativo que poderíamos ter algo daquele nível ou até superior, por uma possível evolução de direção, recursos e/ou conceitos. Não vai por aí, não. O filme é simplório, tratado de maneira simplória e com uma condução sem muito arrojo.

Tem seus bons momentos mas na maior parte do filme, ali pelo seu miolo, principalmente, temos a impressão que já está se arrastando demais.

Nem a temática do futebol ,que me agrada bastante, consegue ser expressiva o suficiente para entusiasmar. Tema aliás que por mais apaixonante, emocionante, mobilizador de multidões como é, sempre encontra alguma dificuldade na transposição dos gramados para as telas.

Até pela dificuldade de "entrosamento" das duas linguagens, a futebolística e a cinematográfica, fica como destaque e mérito de filmagem, a cena do pênalti, muito bem dirigida.

Também há de se destacar a ótima e justamente premiada atuação da mãe de família solteira, interpretada pela atriz Sandra Corveloni e a reaparição boa de Vinícius de Oliveira, o menino de Central do Brasil, com o diretor que o lançou naquele filme.


Cly Reis

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Portishead - "Third" (2008)


Sabe aquele tipo de sonho, por exemplo, que vc percorre um lugar que não conhece, cheio de corredores, uma casa velha e sombria, aí chega pra falar com vc uma pessoa desfigurada, um ser extraterrestre ou um zumbi. Aí, lá pelas tantas vc sai correndo, suas pernas não atendem, como se vc estivesse sendo segurado ou estivessse atolado numa lama, e quando consegue chega a um abismo ou buraco e cai, cai, cai e aquela queda não tem fim e vc acorda assustado. Sabe?


Pois é. O último disco do Portishead, Third, me dá esta sensação. Adquiri faz pouco tempo e agora resolvi comentar sobre ele, ainda que muito já se tenha falado, bem ou mal a seu respeito.


O disco parece um pesadelo no melhor sentido possível que uma definição desta possa conter. É uma sucessão de sensações intencionais ou não. Intencional como no caso da violenta Machine Gun, com sua bateria eletrônica repetida e insistente que remete ao barulho de uma metralhadora, ou mais ocasionais como em Hunter, uma balada triste com interferências de um efeito doido que se fosse traduzido em imagem, seria algo como uma espiral enlouquecida.


O disco já abre magnificamente bem com a tensa Silence que começa com uma gravação de uma voz em português e depois vai crescendo, crescendo e termina abruptamente como se fosse um defeito de gravação. O pesadelo segue e encontra na faixa 5, The Rip, uma bateria alta com rolos "desconexos" e muitos efeitos compondo uma atmosfera sombria, passando pela alucinante e angustiante Plastic até fechar com a "interminável" Threads.


O álbum é bem Portishead sendo, no entanto, bem diferente dos álbuns anteriores da própria banda. Me parece que em muitos aspectos houve um amaurecimento de idéias que já estavam presentes nos outros mas que em Third foram colocadas em prática já se sabendo aonde chegariam.


Na primeira vez que ouvi Portishead mesmo gostando, comentei com meus amigos que parecia "música de plástico". É curioso que neste álbum ao mesmo tempo que parece mais humano por ter guitarras mais vivas e percussões (ainda que eletrônicas mesmo), continua com esta alma sintética, como aliás me dão razão faixas com nomes como Plastic e Nylon Smile.


Música de plástico? Sintética? Isso não é defeito. É uma marca. É a assinatura do som do Portishead.




Cly Reis

terça-feira, 16 de setembro de 2008

1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer




Não venho tendo, lá, muito tempo para ler, e quando tenho, por conta do desgaste, do ritmo de acordar cedo, obra e tudo mais, acabo ficando com muito sono e minhas leituras não rendem.
Até por isso estou lendo um livro de longo prazo, daqueles que dá pra pegar aos pouquinhos todos os dias e mesmo assim curtir bastante, que é caso do 1001 discos para ouvir antes de morrer.
Bem legal!
Poderia ter escolhido qualquer tipo de ordem para a leitura: por década, por álbuns que conheço, por álbuns que gosto muito, mas resolvi pegar desde o inicio. Às vezes por uma circunstância qualquer, pulo e vou a alguma pesquisa específica, mas por regra estou indo d´cada por década.
O livro vem desde a década de 50, quando o livro se concentra mais no jazz, mas já apresentando figuras marcantes do rock como Elvis que não poderia ficar de fora, claro, passando aos sessenta já com o efetivo estouro do rock e o surgimento de seus grandes mitos como, os Beatles e Stones, por exemplo. Daí vai aos setenta com o um rock já consolidado, ficando psicodélico, assumindo atitudes, ficando minimalista, ficando barulhento. Vê o punk se sofisticar e ganhar várias caras, roupas pretas, roupas coloridas e uma porrada de estilos diferentes nos 80 quando se fortalece o pop. Vai, literalmente, ao Nirvana nos 90, com o chamado grunge, além de nos apresentar o que se chamou brit-pop e mostra o eletrônico ganhando uma cara que se configuraria mesmo no início do século XXI.
É logico que isso tudo é só um resumo bem básico. O livro pega álbum por álbum destes 1001 e comenta todos com detalhes de produção, projeto gráfico, curiosidades e informações úteis (e inúteis, também). Muitos álbuns acho que não deveriam estar ali e acho que outros fazem falta na lista. Não dá pra concordar com tudo. Mas os básicos, os fundamentais estão todos ali e dá aquele gosto legal de ver um Let It Bleed, um Darkside of the Moon, um Nevermind, entre tantos outros clássicos recheando um livro como este.
Ainda estou lendo os anos 80 pra falar a verdade, ainda em 83. Mas não estou com pressa, não. Estou degustando a leitura de cada disco. Conhecendo muitos e apreciando ver falar sobre obras pelas quais sou apaixonado.
Costumo dizer que o 1001 discos para ouvir antes de morrer é a minha Bíblia.
Ali estão os discos sagrados.


Cly Reis

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Coluna dEle #2

Hoje, novamente aquela participação especialíssima do meu colunista convidado.
Vocês sabem quem é. Dispensa apresentações...




E aê, galera! Tô na área. Se derrubar é pênalti.
A propósito de pênalti tenho ouvido muita reza pra fulano ser campeão brasileiro, cicrano não cair e coisa e tal. Olha, Eu tento não me meter muito nessas coisas, sabe. Só acompanho. Se Eu for atender reza de todo mundo, como dizem naquele jargão do futebol, o campeonato baiano acabava empatado se fosse por tanta macumba. Aí, é mais ou menos isso: os caras entram em campo, fazem uma corrente, rezam um Pai Nosso como se fosse um jogral e querem que Eu ajude eles a ganhar. O outro lá, ajoelha debaixo das traves, ergue as mãos pro céu, fecha os olhos e quer que eu evite que ele tome os gols. Vem outro e dá entrevista e fala no Meu nome pra cada duas palavras, tipo “se Deus quizé, se Deus ajudá pra nóis saí vencedô e coquistá os treis ponto”. Ah, cara! Parem de encher o saco e vão jogar bola.
Não vou negar que tenho uma certa predileção pelo Santos, por motivos óbvios, mas vcs hão de convir comigo que Eu não to ajudando. Vão se virar sozinhos. Se meteram aí, que saiam.
O Paulinho, aqui, tem pedido que Eu ajude o São Paulo. Por mais que seja camarada dele, já disse, não meto a mão nessas coisas. Tudo que o Tricolor do Morumbi ganhou nos últimos tempos foi por que fez por merecer.Bom, aí qdo Eu vejo que merece, Eu até dou uma força, que nem naquele jogo do Liverpool, lá em Yokohama. Sem Mim, ali, teria sido uns 4x1 pros caras. Ou mais.

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Acordei cedão ontem, em pleno domingo, pra ver a corrida. Cara, o moleque, esse, Hamilton é bom pra caralho, mesmo, hein! Dei talento pro menino, mas que ele é abusado por si só, é, não é mesmo?
Só tem mesmo é que melhorar o comportamento. Jogar os outros pra fora da pista não tá legal, não.

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Tenho dado uma olhada no horário eleitoral, aí de vocês. Como sempre tem uns tipos bizarros, mas também, tenho tomados cuidado pra colocar alguns mais qualificados pra vocês escolherem. Sei que com aquela geração mais antiga, os Malufs e ACM’s da vida, chegava uma hora que não tinha muito pra onde correr. Até por isso entrou uma galerinha mais jovem de uns tempos pra cá. Tô tentando botar na cabeça deles um pouco mais de juízo, ética, valores, etc. Vamos ver se dá certo. Pelo menos pra dar opção pra vocês, aí.
Agora... Só que os melhorzinhos ainda estão misturados com os outros, né. Aí é com vocês de saberem escolher direito. Olhem lá o que vão fazer. Depois não venham me culpar.
Mas o problema, também, e Eu sei bem disso, é que Me esforço tanto pra fazer a cabeça dos caras pra uma coisa boa, mas quando chegam lá eles mudam tanto. Aí é foda e nem Eu posso fazer nada.

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Tava, esses dias, na sala de espera do dentista e peguei um dessas revistas de fofoca pra folhear (só tinha destas) e vi que o tal do Dado Dollabella deu um carrão de sei lá quantos mil pra Luana Piovani. Tão noivos e tal...
Cara! Já sabe como é que ela vai retribuir isso, né? Com um belo chapéu no otário!É só o Paulo Vilhena, por exemplo, dar um pulinho no Rio que vai lá e dá uma carimbada.
Pô! Tem cara que não enxerga ou não quer enxergar! Tem mulher de ficar e mulher de casar. Essa não é pra casar. Homem também, homem também, antes que as minhas leitoras fiquem furiosas. É verdade.
E esse também não é lá flor que se cheire. Quero ver no que é que vai dar isso.
Na próxima consulta ao dentista Eu vejo como isso acabou.
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Subiu pra cá, hoje, o Rick Wright do Pink Floyd.
Que que eu posso fazer? Uma hora os caras vão ter que vir. Compreendam.
Eu também adoro Pink Floyd mas aos poucos Eu vou ter que ir chamando a galera.
E daqui a pouco também vão ter que vir outros da antiga: Page, Fripp, Gillan, Watts, Ringo.
O Paul vcs sabem que já veio, né? O que está aí é... Bom vcs viram a capa do Abbey Road.
Difícil mesmo é o tal do Richards. Tô chamando ele há tempos mas ele não vem de jeito nenhum. É um fenômeno!


Vazei, galera!
Té + e que Eu lhes abençoe.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

"U23D", de Catherine Owens e Mark Pellington (2008)



Olha, perdi minha paciência com o U2 já faz algum tempo. Mais precisamente desde o Achtung Baby, um disco pop no pior sentido da expressão, fraquíssimo com uma banda que tinha perdido sua identidade. Desde então, salvo o discaço Zooropa, levado nas costas por Brian Eno, que sempre produziu as melhores coisas da banda, não fizeram nada que relamente valesse algum entusiasmo. Depois de virarem umas caricaturas de si próprios resolveram retomar um caminho que tinham renegado quando, segundo o próprio Bono, não queriam ser salvadores do mundo. Resultado: uma banda que é o retrato da demagogia.

Já tinha visto pela TV o show de São Paulo da turne Vertigo, com direito a Katilce subindo no palco e tudo mais já sabendo que não podia esperar grande coisa do show em si. Fui então ver o "U23D" mais por causa do tal 3D.

Cara, e não é que valeu a pena!

A sensação de um show de rock, com imagens extremamente bem estudadas e captadas com primor, com este tipo de tecnologia e recurso, é simplesmente fantástica.

É logico, que tem que se gostar minimamente da banda pra curtir o que se está assistindo e apesar da minhas restrições, curto muito as músicas mais antigas que acabam salvando um repertório de altos e baixos. Acaba enchendo o saco, um pouco, aquela baboseira de "bom moço" do Bono. Blá, blá, blá, direitos humanos, a guerra, a igualdade, quando na verdade só tá preocupado em encher as burras de dinheiro.

Mas enquanto filme, tudo isso é compensado pela clima de estar praticamente na primeira fila, praticamente no palco, com a sensação de se poder tocar nas cordas do baixo do The Edge ou do Clayton, bater nos pratos do Mullen Jr., ou abraçar o Bono, ou talvez esfaqueá-lo...


Cly Reis

domingo, 7 de setembro de 2008

"A Espiã", de Paul Verhoeven (2006)




Perdi no cinema, mas locamos ontem para ver "A Espiã" do holandês Paul Verhoeven, que havia sido muito elogiado quando do seu lançamento.

Muito bom filme. Muito bom, mesmo.

Envolvente, tenso, mantém o clima, mantém a a tensão e o interesse.

Me parece a reabilitação do diretor depois de uma jornada americana de altos e baixos, com filmes interessantes como Robocop e Vingador do Futuro e o ótimo Instinto Selvagem e horríveis como Tropas Estrelares e o lixo-cult Showgirls.

Trata da história de uma judia que depois de perder a família numa emboscada dos nazistas, trabalha para a resistência holandesa infiltrada no escritório alemão após seduzir e se envolver com um dos oficiais.

Tem todos os elementos de Verhoeven americano mas com o toque de Verhoeven europeu: violência, sensualidade, ação e um roteiro envolvente. O curioso é que tem uma surpresa que se espera que aconteça, mas que não acontece como se poderia prever, o que valoriza o suspense.

Bem legal. Ótima sessão do meu sábado à noite.


Cly Reis

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

"Medeia", de Pier-Paolo Pasolini (1969)




Assisti no sábado, na despedida do cinema Paissandu, que esta' fechando suas portas, a "Medeia" de Pier Paolo Pasolini. A programacao era extensa com grandes classicos mas optei por conferir este porque era um dos filmes deste cineasta que nao tinha visto ainda, ja' tendo boas referencias de filmes como Canterbury Tales e do excelente e fortissimo Salo'. No entanto, esta adaptação da tragedia clássica de Eurípedes não me agradou como os anteriores do diretor.
Mesmo considerando o caráter alternativo da obra e a visão particular de um artista incomum, não pode-se deixar de se exigir mais qualidade no produto final. O filme e' muito mal acabado. E quando digo isso nao me refiro a recursos financeiros, produção ou algo assim. E' tosco em elementos básicos para um cineasta. Em alguns momentos parece dirigido com um desleixo que não pode ser atribuído somente a uma eventual precariedade e sim a deficiências e limitações do diretor. Ve-se que ele tentou fazer uma coisa e ficou assim... então ficou. Em nome da 'pureza'? Hmmm... Na
ão sei se se justifica o suficiente.
Isso serve também para os atores que, por serem amadores, ao invés de conferir uma crueza `as cenas, o que talvez fosse a intenção, acabam comprometendo a qualidade de uma obra que com um texto tao rico, teria um ganho enorme com interpretações que fossem no minimo boas.
A gente sabe que o cinema autoral, muitas vezes opta pela ideia em si, mais do que a forma. Nao tenho duvida disso. Mas parece que a ideia em si fica comprometida nestas condições.
É claro que um pouco deste improviso, deste desapego formal tem a ver com a linha cinematográfica do diretor, muito próxima do nosso Cinema Novo, no caso especifico deste filme, mas que dentro do todo da obra se perdem em meio a artifícios fragilíssimos e pobres e aí já não sabemos mais o que era acaso, intenção e consequentemente o que e' mérito.
No meu ponto de vista, há mérito na desconstrução que Pasolini faz da narrativa, ainda que um tanto confusa, em parte pela já citada limitação dos atores e outra por uma certa "pressa" na montagem que faz com que elementos fiquem desconexos demais, sobretudo na primeira metade.
Outra virtude do filme é a não utilização de cenários artificiais e isto feito com muita qualidade, com panorâmicas e planos abertos sobre cenários naturais contendo significados e simbolismos. Mas, sobremaneira, me agradaram os figurinos e a direcao de arte. Muito criativa, utilizando galhos, flores, fibras naturais e tecidos leves inserindo `a sua maneira, sutilmente, um contexto sugerido.
Destaque também para a unica aparição dramática em cinema da soprano Maria Callas interpretando a personagem titulo.
Como eu costumo dizer: Vale conferir. Foi o que eu disse a mim mesmo depois do filme. "Valeu conferir".
No entanto recomendo mesmo, Salo'- ou os 120 dias de Sodoma também do Pasolini, mas que, advirto, deve ser visto com muito "estomago" e tolerância.



Cly Reis



Madonna no Rio




Começa hoje a venda de ingressos para o show de Madonna aqui no Rio. Passei agora pela manha ao lado do Maracanã e me impressionei com a fila.

Me assustei um pouco qto à possibilidade de acabar perdendo o show, caso aconteça algo semelhante à final da Libertadores, qdo em poucas horas não tinha mais nada de ingressos.

Vou nesse show (se conseguir ingresso) pq é a Madonna. Gosto muito e tal. Mas tudo que ouvi deste novo álbum me pareceu meio "sem sal-sem açucar", chato, fraco. Vou lá mesmo ver as antigas, as que eu curto, as performances de palco e etc., mas realmente o repertorio das novas, provavelmente não irá me seduzir muito, mesmo ao vivo.

Dêem uma olhada nas informações do site Globo Online Cultura, no link abaixo: