domingo, 28 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
"A Onda", de Dennis Gansel (2008)
Na onda d”A Fita Branca”, formação de fascismo, regimes totalitários, etc., por acaso acabou caindo na minha frente logo na seqüência, outro filme onde estes temas reaparecem.Trata-se de “A Onda”, produção alemã de 2008, dirigida por Dennis Gansel, que reproduz fatos reais ocorridos na Califórnia em 1967, mas que ambientado na Alemanha como é, ganha muito mais impacto por todo o histórico daquele país nos âmbitos político e militar.
Um simples exercício didático, uma demonstração prática como tentativa de despertar o interesse dos alunos para uma aula de autocracia, acaba se tornando o estopim para uma espécie de movimento coletivo, que aos poucos, sustentado inicialmente por interesses comuns baseados em igualdade, colaboracionismo, união, revela-se por fim um exemplo de núcleo autocrata tendo como figura central o professor. Os alunos, mesmo submetidos a uma rígida disciplina de sala de aula, acabam por se identificar com os princípios que norteiam a proposta pois vêem naquela possibilidade de formação de grupo vantagens diferentes conforme seus interesses, tais como, inclusão, segurança, identidade, atenção, incentivo, etc.
Em nome do grupo, da unidade, do que se pode fazer juntos, do que se pode conquistar, primeiro se sugere nome, depois uniforme, depois um símbolo, depois uma saudação e dali a pouco a coisa corre de uma maneira desenfreada e o impressionante é como o professor, inocentemente, não vê a proporção que a coisa vai tomando. A erva-daninha estava ali viva o tempo inteiro mas só estava esperando um pouco d’água.
Foi o que o professor deu. (Quase) Todos de certa forma estavam sequiosos por algo assim: interesses em comum demonstrados e conduzidos por um líder, e quando isso lhes foi dado A ONDA cresceu, cresceu e transformou-se em uma pequena unidade fascista mas com potencial perigosíssimo para crescimento. E o mais impressionante é como sempre tem aqueles cabeças fracas, os vidas-vazias, os sem-propósito que acabam adotando coisas como estas como os ideais de vida, pois, afinal de contas não tem nada mais para abraçar.
O filme trata do assunto em uma escola, mas poderia muito bem aplicar-se a outros contextos coletivos como as tais torcidas uniformizadas do Brasil, que vivem se matando, cantando hinos de guerra escondidos atrás de cores clubísticas, por exemplo; ou mesmo, num exemplo mais próximo, dos grupos neonazistas que existem por aí que saem nas ruas espancando os que julgam inferiores. Não é parecido? Símbolos, gestos, hinos, uniformes, cores? Acho que tem mais méritos que defeitos mas com um pouquinho mais de “estrada” do jovem diretor, tenho a impressão que o resultado teria sido melhor ainda.
Cly Reis
"A Fita Branca", de Michael Heneke (2010)
Recomendado pelos prêmios significativos que vem recebendo, como a cobiçada Palma de Ouro em Cannes, “A Fita Branca”, de Michael Heneke, é aquele tipo de filme que não acaba com o final da sessão. O escurecimento gradual da tela com a passagem dos créditos no mais profundo silêncio é um convite à reflexão. As mais variadas sensações e dúvidas ficam suspensas na mente do espectador, e em pouco tempo acabamos por perceber que toda a chamada à trama ao mistério, ao suspense não era mais que uma máscara para a verdadeira intenção do diretor que era o tempo todo se aprofundar na natureza das pessoas e daquela comunidade onde viviam.
Tendo como ponto de partida uma série de incidentes, que se revelam depois propositais, Michael Heneke vai aos poucos saindo do geral para o particular e nos levando a conhecer as famílias de um pequeno vilarejo no interior da Alemanha, suas particularidades e personalidades, mostrando faces brutas, cruéis, invejosas, mesquinhas e preconceituosas, tudo isso inserido em um sistema patriarcal controlado por um barão que se faz impor mais pelo medo que pelo respeito, sempre às voltas também com a religião, que é ponto comum nas famílias naquela pequena sociedade.
Os referidos incidentes, pela reincidência e pelo aumento das gravidades, passam a causar medo nos cidadãos do lugar e aos poucos também a se mostrar como castigos a faltas cometidas. Coisas que acontecem dentro dos lares, desvios de caráter individuais ou injustiças, passam a ser julgados por algum vigilante (ou vigilantes) e atrocidades ou vandalismos são cometidos contra famílias como forma de punição.
Acaba-se criando um mistério, mas aí é que está a questão: ainda que fiquemos com a impressão que um grupo de crianças seja responsável por aquilo, por seu comportamento estranho e formação de grupos; mesmo que sejam eles; este não é o ponto principal, e sim o porquê destas crianças ou fosse lá quem fosse estar movido por aquele ímpeto justiceiro. É o contexto autoritário, é o rigor religioso, são os castigos domésticos, os abusos infantis, tudo contribuindo para a formação de um INDIVÍDUO repressor.
Devo admitir que tinha-me passado despercebido, e somente depois lendo uma crítica do filme, que me alertei para o fato de que o narrador (um professor morador da vila), anos depois nas suas reminiscências, ao relatar os fatos, os classifica como fundamentais para se entender os acontecimentos que se sucederiam nas décadas seguintes na Alemanha. Na concepção do diretor, o narrador por certo se refere à formação da sociedade que resultou no nazismo. Que aquele tipo de contexto social, autoritário, patriarcal, segregaconista, às portas da 1° grande guerra, acabaria por formar os indivíduos que moldaram a política fascista que culminou na 2° Guerra Mundial. A própria representação da fita branca no braço das crianças, para lembrar da sua pureza, tem como intenção esta alusão aos judeus dos guetos com suas braçadeiras com a estrela de Davi, usadas como forma de diferenciação.
Bom..., aceitável enquanto influência, impulso, mote, mas espero que o sr. Michael Heneke não tenha se enganado e encarado isto como uma desculpa, do tipo, um psicopata fatiou a namorada porque o pai batia nele. Não serve. Por mais que aceitemos que o sistema interno da Alemanha e do seu povo pré-1° guerra, já contribuísse para o que acabou se tornando, não servirá de justificativa para o Holocausto e para todas as atrocidades cometidas durante a 2° Guerra. Se não é por ai, a causa apresentada é válida sim, mas apenas se somada a outras tantas. Jamais sozinha.Temática ousada, técnica apurada, qualidade, suspense e beleza plástica. Ingradientes que fazem de "A Fita Branca" um programa sem risco de arrependimento.
Segue abaixo um trecho de uma entrevista do diretor, que dá uma idéia das pretensões dele com “A Fita Branca”:
“Não ficaria feliz se esse filme fosse visto como um filme sobre um problema alemão, sobre o nazismo. Este é um exemplo, mas significa mais que isso. É um filme sobre as raízes do mal. É sobre um grupo de crianças, que são doutrinadas com alguns ideais e se tornam juízes dos outros – justamente daqueles que empurraram aquela ideologia goela abaixo deles. Se você constrói uma idéia de uma forma absoluta, ela vira uma ideologia. E isso ajuda àqueles que não têm possibilidade alguma de se defender de seguir essa ideologia como uma forma de escapar da própria miséria. E este não é um problema só do fascismo da direita. Também vale para o fascismo da esquerda e para o fascismo religioso. Você poderia fazer o mesmo filme – de uma forma totalmente diferente, é claro – sobre os islâmicos de hoje. Sempre há alguém em uma situação de grande aflição que vê a oportunidade, através da ideologia, para se vingar, se livrar do sofrimento e consertar a vida. Em nome de uma idéia bonita você pode virar um assassino.”
Cly Reis
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Jorge Ben, "Samba Esquema Novo" (1963)

“Uma noite no Bottle’s Bar, ainda meio vazio, ouvi um mulato forte e bonito cantando e tocando um violão muito diferente(...) Ele não dedilhava o violão mas tocava-o com a mão inteira, rítmico e percussivo, à maneira dos bluesmen. Mas o que ele tocava era indiscutivelmente samba, mas um samba muito diferente...”
Trecho de “Noites Tropicais”,
de Nélson Motta
de Nélson Motta
Acabei de adquirir, há poucos dias, substituindo o meu “piratinha”, um dos mais importantes álbuns da discografia nacional; um daqueles discos revolucionários em linguagem, estilo e inovação. Trata-se do clássico “Samba Esquema Novo” disco de estréia de Jorge Ben, lançado em 1963 mas que permanece vanguardista e influente até hoje.
Toda essa onda de samba-rock; Seu Jorge, Otto, Lenine, Mundo Livre S/A; todos estes e muitos outros não seriam quem são nem teriam feito o que fazem sem a existência do “Samba Esquema Novo”. Diria mais: talvez de forma indireta, talvez por conexões desconhecidas, talvez pela própria expansão natural interfronteiras da música ou por correntes marinhas do Atlântico, mas vejo no pop rock inglês, principalmente do início dos ’90, muito da linguagem proposta neste álbum e que viria a se aprimorar e ficar mais clara nos discos seguintes, principalmente no grande "Tábua de Esmeraldas" de ‘74.
Sempre lembro da descrição de Nélson Motta, no seu ótimo “Noites Tropicais”, da primeira vez que ouviu Jorge Ben: “ele não dedilhava o violão, mas tocava com a mão inteira”. Tocava samba como se tocasse rock. E seria simplificar dizer que aquilo se resumisse a um dos dois estilos ou que fosse apenas uma conjugação dos dois. Era mais. Era jazz, funk, soul, blues, gafieira e um “misto de maracatu” como anunciava a letra da sua “Mas que Nada”. Jorge Ben talvez não soubesse o que estava fazendo ali, mas com “Samba Esquema Novo” ele revolucionava de novo a música brasileira, mesmo inserido num contexto absolutamente criativo e inovador como era a Bossa-Nova.
A já citada “Mas que Nada”, abrindo o disco, já dava o cartão de visitas, apresentando todo aquele misto inusitado até então. “Tim Don Don”, que a segue, é a única não composta por Jorge, mas se presta perfeitamente para esmiuçar a levada, com onomatopéias atribuídas ao som do violão que quase explicavam o som que o garoto estava fazendo ali.
“Rosa, Menina Rosa”, uma das melhores do disco, que acrescenta à mistura do cantor uma atmosfera meio espanhola por conta de seus metais, dá o recado de que aquele samba é capaz de passar muita gente pra trás. “Menina Bonita Não Chora” é outra das grandes do álbum, e as conhecidas “Chove Chuva” e “Balança Pema”, regravada depois por Marisa Monte, são outros grandes momentos do álbum. “Por Causa de Você, Menina”, que encerra a obra em grande estilo, traz aquele “voxê” que o cantor fazia em homenagem a uma pequena fã, e que muita gente na época acreditava ser um problema de dicção. Mesmo que fosse isso... Mesmo que fosse gago, não invalidaria o baita disco que é esse “Samba Esquema Novo”.
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FAIXAS:
1. Mas que Nada (Jorge Ben)
2. Tim dom dom (João Mello - Clodoaldo Brito)
3. Balança Pema (Jorge Ben)
4. Vem Morena, Vem (Jorge Ben)
5. Chove Chuva (Jorge Ben)
6. É Só Sambar (Jorge Ben)
7. Rosa, Menina Rosa (Jorge Ben)
8. Quero Esquecer Você (Jorge Ben)
9. Uala Ualalá (Jorge Ben)
10. A Tamba (Jorge Ben)
11. Menina Bonita Não Chora (Jorge Ben)
12. Por Causa De Você, Menina (Jorge Ben)
“O samba de Jorge Ben, da batida de seu violão à linha melódica e letra de suas composições revela um novo caminho nos horizontes de nossa música popular. É o esquema novo do samba(…) Seu inato talento musical proporcionou-lhe descobrir uma nova puxada para o nosso samba, fazendo do violão um instrumento, sobretudo, de ritmo (…) Somente o violão de Jorge já da a necessária marcação dispensando, portanto, aquele instrumento de ritmo. O balanço do acompanhamento repousa quase sempre no seu violão”.
Trecho do texto da contracapa original de 1963, de Armando Pittiglianni
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
cotidianas #18 - Compensação
— Pai, o que é compensação?
— É uma coisa que compensa a outra, filho. Que... Como é que eu vou lhe explicar? Que compensa, entende?
— Não!
— Eu vou dar um exemplo... Se a sua mãe transasse com o padeiro, com o carteiro, com o açougueiro, com o vizinho... O que eu seria?
— Ah, pai, você seria um côrno!
— É... Mas, em COMPENSAÇÃO, você seria um filho da puta!
10 Dúvidas Sobre a Cerveja
O ClyBlog vem numserviço de utilidade pública esclarecer algumas dúvidas e derrubar alguns mitos sobre o consumo de cerveja.
10 dúvidas sobre a cerveja
1. A CERVEJA MATA?
Sim. Sobretudo se a pessoa for atingida por uma caixa de cerveja com
garrafas cheias. Anos atrás, um rapaz, ao passar pela rua, foi atingido por
uma caixa de cerveja que caiu de um caminhão levando-o a morte instantânea.
Além disso, casos de infarto do miocárdio em idosos teriam sido associados
as propagandas de cervejas com modelos boazudas.
2. A BEBIDA ENVELHECE?
Sim. A bebida envelhece muito rápido. Para se ter uma idéia, se você deixar
uma garrafa ou lata de cerveja aberta ela perderá o seu sabor em
aproximadamente quinze minutos.
3. CERVEJA CAUSA DEPENDÊNCIA PSICOLÓGICA?
Não. 89,7% dos psicólogos e psicanalistas entrevistados preferem uísque.
4. MULHERES GRÁVIDAS PODEM BEBER SEM RISCO?
Sim.. Está provado que nas blitz a polícia nunca pede o teste do bafômetro
pras gestantes. E se elas tiverem que fazer o teste de andar em linha reta,
sempre podem atribuir o desequilíbrio ao peso da barriga.
5. CERVEJA PODE DIMINUIR OS REFLEXOS DOS MOTORISTAS?
Não.. Uma experiência foi feita com mais de 500 motoristas: foi dada uma
caixa de cerveja para cada um beber e, em seguida, foram colocados um por um
diante do espelho. Em nenhum dos casos, os reflexos foram alterados.
6. O USO CONTINUO DO ALCOOL PODE LEVAR AO USO DE DROGAS MAIS PESADAS?
Não. O álcool é a mais pesada das drogas: uma garrafa de cerveja pesa cerca
de 900 gramas.
7. A CERVEJA ATRAPALHA NO RENDIMENTO ESCOLAR?
Não, pelo contrário. Alguns donos de faculdade estão aumentando suas rendas
com a venda de cerveja nas cantinas e bares na esquina.
8. O QUE FAZ COM QUE A BEBIDA CHEGUE AOS ADOLESCENTES?
Inúmeras pesquisas vinham sendo feitas por laboratórios de renome e todas
indicam, em primeiríssimo lugar, o garçom.
9. CERVEJA ENGORDA?
Não. Quem engorda é você.
10. A CERVEJA CAUSA DIMINUIÇÃO DA MEMÓRIA?
Que eu me lembre, não.
Agora sim você pode continuar saboreando sua gelada sem culpa nem arrependimento.
10 dúvidas sobre a cerveja
1. A CERVEJA MATA?
Sim. Sobretudo se a pessoa for atingida por uma caixa de cerveja com
garrafas cheias. Anos atrás, um rapaz, ao passar pela rua, foi atingido por
uma caixa de cerveja que caiu de um caminhão levando-o a morte instantânea.
Além disso, casos de infarto do miocárdio em idosos teriam sido associados
as propagandas de cervejas com modelos boazudas.
2. A BEBIDA ENVELHECE?
Sim. A bebida envelhece muito rápido. Para se ter uma idéia, se você deixar
uma garrafa ou lata de cerveja aberta ela perderá o seu sabor em
aproximadamente quinze minutos.
3. CERVEJA CAUSA DEPENDÊNCIA PSICOLÓGICA?
Não. 89,7% dos psicólogos e psicanalistas entrevistados preferem uísque.
4. MULHERES GRÁVIDAS PODEM BEBER SEM RISCO?
Sim.. Está provado que nas blitz a polícia nunca pede o teste do bafômetro
pras gestantes. E se elas tiverem que fazer o teste de andar em linha reta,
sempre podem atribuir o desequilíbrio ao peso da barriga.
5. CERVEJA PODE DIMINUIR OS REFLEXOS DOS MOTORISTAS?
Não.. Uma experiência foi feita com mais de 500 motoristas: foi dada uma
caixa de cerveja para cada um beber e, em seguida, foram colocados um por um
diante do espelho. Em nenhum dos casos, os reflexos foram alterados.
6. O USO CONTINUO DO ALCOOL PODE LEVAR AO USO DE DROGAS MAIS PESADAS?
Não. O álcool é a mais pesada das drogas: uma garrafa de cerveja pesa cerca
de 900 gramas.
7. A CERVEJA ATRAPALHA NO RENDIMENTO ESCOLAR?
Não, pelo contrário. Alguns donos de faculdade estão aumentando suas rendas
com a venda de cerveja nas cantinas e bares na esquina.
8. O QUE FAZ COM QUE A BEBIDA CHEGUE AOS ADOLESCENTES?
Inúmeras pesquisas vinham sendo feitas por laboratórios de renome e todas
indicam, em primeiríssimo lugar, o garçom.
9. CERVEJA ENGORDA?
Não. Quem engorda é você.
10. A CERVEJA CAUSA DIMINUIÇÃO DA MEMÓRIA?
Que eu me lembre, não.
Agora sim você pode continuar saboreando sua gelada sem culpa nem arrependimento.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
"O Último Grande Herói", de John McTiernan (1993)
Acabo de assitir pela enésima vez um filme que curto de montão e que considero injustiçado pelo fato de não ter recebido a devida atenção, elogios nem reconhecimento que é "O Último Grande Herói", de John McTiernan. Pode-se subestimar inicialmente esta película pelo fato de ser estrelada pelo grandalhão monossilábico (mas carismático) Arnold Shwarzenegger mas no fundo, o filme cheio de ação e de "mentiras" típicas de cinema, é uma grande declaração de amor à Sétima Arte com todas as suas referências a clássicos, homenagens, ridicularizações de clichês, brincadeiras com a própria indústria cinematográfica, e participações especiais.
Além de manter um bom ritmo de ação e interesse, pelas mãos do diretor que já havia nos tirado o fôlego em "Duro de Matar 2", "O Último Grande Herói" ainda nos põe frente-a-frente com a tela e faz questão de nos lembrar que vida real é uma coisa e cinema é outra, reforçando seus argumentos pelos exageros do mundo da ficção (durante o tempo em que o filme se passa lá) e pela impotência dos personagens ficcionais no mundo real, onde, aliás, respinga até uma crítica à nossa sociedade quando se sugere que aqui, na realidade, os vilões podem vencer.
O negócio todo deste trânsito entre real e irreal é que um garoto, aficcionado por filmes, ganha de um velho porteiro e projetista do cinema que freqüenta, um suposto ingresso mágico, e por incrível que pareça o tal bilhete funciona e dá passagem da relaidade para um mundo paralelo. O lance é que o guri está dentro do cinema e acaba caindo exatamente no filme do seu grande ídolo, Jack Slater, interpretado por Shwarzenegger. Lá, do outro lado da tela, o garoto, Danny, tenta argumentar de todas as formas com o herói que tudo aquilo é um filme e por isso as coisdas sempre dão certo, carros explodem com um tiro, vidros são quebrados com socos sem que se sinta dor, e as mulheres são todas perfeitas; além do fato, é claro, de tentar convencê-lo que é apenas um personagem interpretado pelo astro Arnold Shwarzenegger que o herói, é claro, nunca ouvira falar.
As homenagens ao mundo do cinema vão desde uma passadinha rápida por Catherine Trammel de "Instinto Selvagem"entrando na delegacia, uma visita à locadora à procura de "O Exterminador do Futuro II" (ali estrelado por Stallone), passando pela menção a "Amadeus" de Milos Forman no qual o personagem de F. Murray Abraham é lembrado por ter matado Mozart; mas é mais bacana ainda principalmente quando A Morte de "O Sétimo Selo", clássico de Ingmar Bergmann, sai da tela e diz a Danny que Jack Slater não está na sua lista pois não trata com ficção.Não é um clássico absoluto, não é um cult-movie - com boa vontade, na minha concepção um candidato a cult - mas com certeza figura, ali, junto com filmes como "Ed Wood", "Cinema Paradiso" e mais recentemente "Bastardos Inglórios, como um destes filmes de ode ao cinema. Filme de apaixonados pela arte.
Cly Reis
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
The Rolling Stones "Let It Bleed" (1969)

“Todos precisamos de alguém
para sangrar em cima
Se você quiser
pode sangrar em mim.”
Mick Jagger - letra de "Let It Bleed"
Independente da qualidade da contribuição musical dos Beatles ao mundo da música através dos tempos, inegável e fundamental, sempre tive para mim a impressão de que os Garotos de Liverpool eram os bons moços e os Rolling Stones os maus. Ainda que os Beatles também possuam polêmicas, episódios com mulheres e tal, a conduta de Mick Jagger e companhia sempre me pareceu muito mais roqueira. Até o jeito de cantar, de vestir, da postura do palco, tudo. Talvez por tudo isso sempre tenha gostado mais dos Stones.
E verdadeiramente o disco é TUDO ISSO. Uma obra admirável e grandiosa quase que sem igual na história do rock.
Pra começar, abre com “Gimme Shelter” que na minha opinião é a melhor canção de rock de todos os tempos. Jagger com um vocal impetuoso, quase agressivo; os vocais femininos de arrepiar, a guitarra precisa de Richards e aquele tom apocalítico da letra fazem de “Gimme Shelter” algo mágico e superior.
“Love in Vain” que vem na seqüência é demonstração evidente de uma das influências mais fundamentais da banda, o blues, e particularmente, Robert Johnson, que imortalizou a canção. A propósito, os chatos (mas bons) irmãos Reid do Jesus and Mary Chain, chegaram a afirmar que os Stones eram apenas “a melhor banda de blues do mundo”, e quando dizem APENAS de blues, quer dizer que não consideram uma banda de rock. Mas tirando essa antipatia dos Reid, eu compreendo a afirmação, pois no fim das contas os Rolling Stones incrementaram seu rock com muito blues e deram ao blues traços mais roqueiros e fizeram isso como ninguém.
O blues se faz presente em vários momentos no disco e outros bons exemplos no disco são a ótima “Midnight Rambler”, mais agitada, forte e vibrante, e a faixa título “Let It Bleed”, mais melancólica.
O álbum fecha com a grandiosa “You Can’t Always Get What You Want” pontuada por um belíssimo coral gospel, num crescendo mejestoso que confere um final digno a uma obra fantástica como esta. Se eu até posso não ter sempre o que quero, não sei, mas a sensação que se tem ao ouvir “Let It Bleed” é de que não se precisa de mais nada.
*******************************************
- "Gimme Shelter" – 4:32
- "Love in Vain" (Robert Johnson) – 4:22
- "Country Honk" – 3:10
- "Live with Me" – 3:36
- "Let It Bleed" – 5:34
- "Midnight Rambler" – 6:57
- "You Got the Silver" – 2:54
- "Monkey Man" – 4:15
- "You Can't Always Get What You Want" – 7:30
*****************************************
Ouça:
Coluna dEle #16
Eu sei, eu sei que ta todo mundo puto Comigo por causa desse negócio de Haiti, mas vocês tem que entender que essa droga desse planeta de vocês, é cheio de rachaduras por baixo e que quando Eu tento consertar um lado pra não movimentar, outro mexe e daí fudeu . Além disso essa casa toda aí ta uma bagunça, né? Eu sei. Tá dando defeito em tudo quanto é lugar. É água demais, é gelo demais é calor demais. Tudo que Eu recebo são reclamações, reclamações e reclamações. O meu pessoal aqui tá se esforçando mas não tamo conseguindo dar conta de tudo.
Mas já tô providenciando pra consertar isso aí. Tô tirando uns orçamentos pra manutenção mas o pessoal tá “caprichando” no preço, hein! É cada facada!
Chamei a empreiteira que trabalhou na construção disso aí - o Mundo. Como a garantia de 5000 anos já acabou vou ter que pagar pelo serviço.
Só não vou revelar os valores pra não expôr muito as finaças aqui da administração, mas vocês não fazem idéa do que esses caras tiveram a cara de pau de Me cobrar. Esse mundo tá perdido!
em todo o caso dêem uma olhada nos serviços que realizaremos nos próximos mesmes. Pediremos desculpas por quaisquer transtornos, mas estaremos trabalhando para vosso bem estar.
Mas já tô providenciando pra consertar isso aí. Tô tirando uns orçamentos pra manutenção mas o pessoal tá “caprichando” no preço, hein! É cada facada!
Chamei a empreiteira que trabalhou na construção disso aí - o Mundo. Como a garantia de 5000 anos já acabou vou ter que pagar pelo serviço.
Só não vou revelar os valores pra não expôr muito as finaças aqui da administração, mas vocês não fazem idéa do que esses caras tiveram a cara de pau de Me cobrar. Esse mundo tá perdido!
em todo o caso dêem uma olhada nos serviços que realizaremos nos próximos mesmes. Pediremos desculpas por quaisquer transtornos, mas estaremos trabalhando para vosso bem estar.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
cotidianas #21 - Os Passistas
Essa coisa toda de Carnaval me lembrou passistas, que me lembrou essa música do Caetano que considero ser uma das grandes letras deste maravilhoso compositor. Notem a perfeição da língua portuguesa empregada nesta letra e o cuidado formal. Chega a ser um preciosismo gramatical em uma música as mesóclises e a pronominação precisa, mas é algo que só um grande escritor conseguiria fazer e musicar.
Isso sem falar nos palíndromos rebatidos de um verso para outro em "Roda:" e "A dor"; "Amor" para "Roma" e em "Amas" com "Mas, ah".
Mas tudo isso é só por causa dos passistas do Carnaval, dos passistas das avenidas e passarelas do samba.
Vem,Eu vou pousar a mão no teu quadril
Multiplicar-te os pés por muitos mil
Fita o céu,
Roda:
A dor
Define nossa vida toda
Mas estes passos lançam moda
E dirão ao mundo por onde ir.
Ás vezes tu te voltas para mim
Na dança, sem te dares conta enfim
Que também
Amas
Mas, ah!
Somos apenas dois mulatos
Fazendo poses nos retratos
Que a luz da vida imprimiu de nós.
Se desbotássemos, outros revelar-nos-íamos no Carnaval.
Roubemo-nos ao deus Tempo e nos demos de graça “a beleza total, vem.
Nós,
Cartão Postal com touros em Madri,
O Corcovado e o Redentor daqui,
Salvador,
Roma
Amor,
Onde quer que estejamos juntos
Multiplicar-se-ão assuntos de mãos e pés
E desvãos do ser.
*********************
"Os Passistas"
(Caetano Veloso)
Ouça:
Caetano Veloso Os Passistas
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Devassa
Vocês viram quem será a garota propaganda da Devassa na próxima campanha?
É! Paris Hilton.
Tudo a ver. Ainda mais depois daqueles vídeos e tudo mais...
Gosto muito do chopp Devassa mas a cerveja não é tudo isso. É mais ou menos que nem a loirinha aí: é muuuito barulho pra pouca coisa. Bonitinha, gostosinha, é claro que eu comeria mas... era isso. A cerveja Devassa vai tranqüilo num dia de calor ou se não tiver outra na casa, mas se puder escolher outra melhor, eu troco.
Mas a campanha, capitaneada pelo cineasta Fernando Meirelles, de "Cidade de Deus" e "Ensaio sobre a Cegueira", foi bem sacada, com certeza.
É! Paris Hilton.
Tudo a ver. Ainda mais depois daqueles vídeos e tudo mais...
Gosto muito do chopp Devassa mas a cerveja não é tudo isso. É mais ou menos que nem a loirinha aí: é muuuito barulho pra pouca coisa. Bonitinha, gostosinha, é claro que eu comeria mas... era isso. A cerveja Devassa vai tranqüilo num dia de calor ou se não tiver outra na casa, mas se puder escolher outra melhor, eu troco.
Mas a campanha, capitaneada pelo cineasta Fernando Meirelles, de "Cidade de Deus" e "Ensaio sobre a Cegueira", foi bem sacada, com certeza.
C.R.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
"Chéri", de Stephen Frears (2010)

Sempre gostei de Stephen Frears. Da sua maneira calculada de filmar, do seu estilo limpo, da natureza sórdida de seus personagens. "Chéri", que assisti na semana passada, o personagem que dá nome ao filme, é mais um destes protagonistas de caráter pouco elogiável na filmografia do diretor. Mas sua conduta e atitudes não são culpa exclusiva dele. Muito se devem ao meio no qual vive: a aristocracia francesa do final do século XIX, ou melhor, o segundo escalão desta classe, uma vez que nosso herói, um rapazote bon vivant é filho de uma cortesã "aposentada", digamos assim. A mãe do rapaz (Kathy Bates) bem como sua amiga, a outra protagonista, Léa, vivida por Michelle Pfeiffer, já estão meio "passadinhas" e agora apenas desfrutam do luxo e dinheiro obtidos no tempo de "labuta" entre os lençóis mais nobres da França.
O caso todo é que a mãe do rapaz pede a Léa que lhe sirva de tutora por algum tempo a fim de afastá-lo dos hábitos mundanos e encaminhá-lo melhor. O problema é que mesmo com toda a experiência e frieza da profissão a ex-cortesã acaba-se deixando envolver pelo garoto e de repente ambos estão apaixonados, só que este envolvimento não significa que mudem suas naturezas vaidosas, egoístas e vis. Acrescente-se a isso ainda a grande diferença de idade entre os dois e a coisa toda fica complicada de verdade.
Frears, de certa forma, revive seu bom "Ligações Perigosas", desta vez porém, com menos crueldade que naquele. Mas as obras guardam semelhanças, sim, muito, até pela retomada do filme de época na filmografia do diretor e do retorno a Paris.
Boa pedida.
Cly Reis
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Bar Duke - Ipanema - Rio de Janeiro (06/02/2010)
Tive notícias de um bar interessante, com características bem rock'n roll, tocando música legal que abrira em Ipanema e fui dar uma conferida. O lugar em questão, o Duke, acabou revelando-se não extamente isso. A informação que tinha, de que sua temática remetia ao ano de 1979, no som e na decoração, não procede totalmente. O ano de '79 é importante sim no que diz respeito à concepção do bar, mas basicamente no que diz respeito aos acontecimentos ligados à vida do fundador: sua primeira viagem à Inglaterra, seu primeiro beijo, sua mudança para NY, a adoção do seu cão, o seriado que via na TV americana. Tudo isso de alguma forma ligado ao nome Duke que, por justiça, acabou batizando o estabelecimento.
De rock da época, só alguma menção no breve histórico que aparece no cardápio; e mesmo o som que toca lá é mais contemporâneo e não muito qualificado.
O chopp é bom, da marca Eisenbahn, e a comida é bem mais ou menos e com preços meio salgados. Mas aí que está: se é pra ouvir rock e tomar chopp em Ipanema, prefiro cotinuar mantendo as velhas tradições e hábitos, indo ao bom e velho Empório, o que além de tudo sai mais barato.
Valeu pra conhecer o tal do Duke - bonitinho, limpo, bom atendimento - mas não preciso voltar.
De rock da época, só alguma menção no breve histórico que aparece no cardápio; e mesmo o som que toca lá é mais contemporâneo e não muito qualificado.
O chopp é bom, da marca Eisenbahn, e a comida é bem mais ou menos e com preços meio salgados. Mas aí que está: se é pra ouvir rock e tomar chopp em Ipanema, prefiro cotinuar mantendo as velhas tradições e hábitos, indo ao bom e velho Empório, o que além de tudo sai mais barato.
Valeu pra conhecer o tal do Duke - bonitinho, limpo, bom atendimento - mas não preciso voltar.
Tour da Taça da Copa do Mundo FIFA - Forte de Copacabana - Rio de Janeiro (07/02/2010)
Fui ver ontem a Taça FIFA, que está em tour mundial para visitação antes da Copa do Mundo da África do Sul, que começa em junho. A parte que interessa mesmo que é VER a taça, é muito rápida. A gente para ao lado do troféu um cara tira uma foto e já manda a fila seguir. Vale mesmo pelo circuito que inclui um mini-museu das copas com imagens e víeos; uma sala de jogos e interatividade, cuja duração de permanência também achei muito curta; e o cineminha 3D que exibiu um filmezinho bem legal com cenas dos mundiais passados em uma máquina do tempo construída por meninos africanos pobres que pretendiam sintonizar algum jogo da Copa. Legal é que a máquina deles, por algum fenômeno, vai pulando no tempo e acaba levando ao futuro, para a Copa de 2022, com uma animação tipo mangá em 3D que aí sim, acabou valorizando bem este recurso de projeção.
No mais, na sala interativa, tinha um quiz sobre copas do mundo. Fui lá só pra ver até que ponto as perguntas poderiam ser desafiadoras pra mim. Hmmf!!! Barbada! Cinco perguntas, cinco acertos. Tem que ser muito difícil pra eu não saber alguma coisa das Copas do Mundo.
No mais, na sala interativa, tinha um quiz sobre copas do mundo. Fui lá só pra ver até que ponto as perguntas poderiam ser desafiadoras pra mim. Hmmf!!! Barbada! Cinco perguntas, cinco acertos. Tem que ser muito difícil pra eu não saber alguma coisa das Copas do Mundo.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Imelda May - "Johnny's Got a Boom Boom"
Conheci há pouco tempo e fiquei bem impressionado com Imelda May e com seu som meio jazz, rockabilli, contemporâneo. Vai aí pra a galera curtir "Johnny's Got a Boom Boom". Bem legal!
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Jards Macalé "O Q Faço é Música" (1998)
Procurava há algum tempo e encontrei agora o cd "O Q Faço é Música" de Jards Macalé.
Muito bom disco!
Jards com seu samba bem eclético dentro das vastas possibilidades do gênero, apresenta uma visão bem humorada, irônica e apaixonada do Rio de Janeiro. Bons exemplos são "Rei de Janeiro", um belo samba-exaltação, composto sobre texto de Glauber Rocha; a crítica social de "Favela" e a escrachada "Cidade Lagoa" cuja letra, dos anos 50,sujere que o cidadão carioca tenha um barco para os dias mesmo de pouca chuva. E não sem propósito, não?
De quebra tem uma versão impagável sambada de "Blues Suede Shoes"; tem ótima "Coração do Brasil", uma perfeita combinação letra-música-conceito com seu surdo numa marcação praticamente cardíaca; e ainda o já clássico da MPB, "Vapor Barato" na versão do próprio autor, muito mais melancólica e sentida do que as outras gravações populares que se ouve por aí.
Críticos costumam apontar "Let's Play That" como o melhor álbum de Jards, eu, no entanto, fico com "O Q Faço é Música".
segue a letra debochada de "Cidade Lagoa":
CIDADE LAGOA
(Sebastião fonseca e Cícero Nunes)
Essa cidade que ainda é maravilhosa
Tão cantada em verso e prosa
Desde o tempo da vovó
Tem um problema vitalício e renitente
Qualquer chuva causa enchente
Não precisa ser toró
Basta que chova mais ou menos meia hora
É batata, não demora
Enche tudo por aí
Toda cidade é uma enorme cahoeira
Que da praça da Bandeira
Vou de lancha a Catumbi
Que maravilha nossa linda Guanabara
Tudo enguiça, tudo para
Todo trânsito engarrafa
Quem tiver pressa seja velho ou seja moço
Entre n'água até o pescoço
E peça a deus pra ser girafa
Por isso agora já comprei minha canoa
Pra remar nessa lagoa
Cada vez que a chuva cai
E se uma boa me pedir uma carona
Com prazer eu levo a dona
Na canoa do papai
(breque)
Ai meu Deus,. Mas que toró... Vou meter uma roupa de escafandro
pra atravessar essa lagoa.
Muito bom disco!
Jards com seu samba bem eclético dentro das vastas possibilidades do gênero, apresenta uma visão bem humorada, irônica e apaixonada do Rio de Janeiro. Bons exemplos são "Rei de Janeiro", um belo samba-exaltação, composto sobre texto de Glauber Rocha; a crítica social de "Favela" e a escrachada "Cidade Lagoa" cuja letra, dos anos 50,sujere que o cidadão carioca tenha um barco para os dias mesmo de pouca chuva. E não sem propósito, não?
De quebra tem uma versão impagável sambada de "Blues Suede Shoes"; tem ótima "Coração do Brasil", uma perfeita combinação letra-música-conceito com seu surdo numa marcação praticamente cardíaca; e ainda o já clássico da MPB, "Vapor Barato" na versão do próprio autor, muito mais melancólica e sentida do que as outras gravações populares que se ouve por aí.
Críticos costumam apontar "Let's Play That" como o melhor álbum de Jards, eu, no entanto, fico com "O Q Faço é Música".
segue a letra debochada de "Cidade Lagoa":
CIDADE LAGOA
(Sebastião fonseca e Cícero Nunes)
Essa cidade que ainda é maravilhosa
Tão cantada em verso e prosa
Desde o tempo da vovó
Tem um problema vitalício e renitente
Qualquer chuva causa enchente
Não precisa ser toró
Basta que chova mais ou menos meia hora
É batata, não demora
Enche tudo por aí
Toda cidade é uma enorme cahoeira
Que da praça da Bandeira
Vou de lancha a Catumbi
Que maravilha nossa linda Guanabara
Tudo enguiça, tudo para
Todo trânsito engarrafa
Quem tiver pressa seja velho ou seja moço
Entre n'água até o pescoço
E peça a deus pra ser girafa
Por isso agora já comprei minha canoa
Pra remar nessa lagoa
Cada vez que a chuva cai
E se uma boa me pedir uma carona
Com prazer eu levo a dona
Na canoa do papai
(breque)
Ai meu Deus,. Mas que toró... Vou meter uma roupa de escafandro
pra atravessar essa lagoa.
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