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segunda-feira, 2 de novembro de 2020

“A Vida não me Assusta”, de Maya Angelou e ilustrações de Jean-Michel Basquiat - ed. DarkSide Books (1993)

Basquiat e Angelou



Numa edição caprichada por ocasião da exposição de Jean-Michel Basquiat no CCBB/RJ em 2018, “Jean-Michel Basquiat Obras da Coleção Mugrabi”, e dos 25 anos do premiado poema de Maya Angelou encontrei na Livraria da Travessa do mesmo local, sob holofotes, o livro, não à toa, o que me pareceu ser uma síntese muito sensível do que eu havia visitado visualmente horas antes. 

O livro traz o poema ilustrado com pinturas de Basquiat. Conforme comenta Sara Boyers, que assina o posfácio do livro, “A Vida não me Assusta” é sobre a experiência de vida, perseverança e orgulho. Basquiat e Angelou encontraram o seu lugar na história das próprias vidas. Nem sempre é fácil ou óbvio que isso aconteça. A maior parte das pessoas escolhe viver iludido, viver a vida de outros, achar que um dia será algo diferente do que traz internamente. alguns vivem toda a sua existência distantes de si. Mas eles reinventaram suas existências. Trouxeram suas falas para questões raciais, cheias de obstáculos e superações que eles mesmos vivenciaram minuto a minuto. Cada um deles criou obras singulares. Ambos nos deixaram uma dica preciosa: a de utilizarmos nossas experiências pessoais para construirmos novos olhares para outras pessoas além de nós. 

A história deles é um convite para você mergulhar em sua própria história. Coragem, porque a vida não deve nos assustar, mas sim nos desafiar a oferecer esse tempo de aprendizado sobre si mesmo da melhor forma. E, sem dúvida, a Arte é sempre uma inquieta e profunda companheira de viagem!   

Vídeo gravado em 2020 #fiqueemcasa


Leocádia Costa

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

"Infiltrado na Klan", de Spike Lee (2018)


Pessimista
por Vagner Rodrigues


Até os momentos finais do filme, meu texto teria um tom mais alegre. Reflexivo, sim, mas ainda assim positivo. Mas meus amigos, acho que minhas esperanças estão indo embora. Mas, a propósito,... que baita filme!
Em 1978, Ron Stallworth, um policial negro do Colorado, conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan local. Ele se comunicava com os outros membros do grupo através de telefonemas e cartas e, quando precisava estar fisicamente presente, enviava um outro policial branco no seu lugar. Depois de meses de investigação, Ron se tornou o líder da seita, sendo responsável por sabotar uma série de linchamentos e outros crimes de ódio orquestrados pelos racistas.
“Infiltrado na Klan” algumas vezes acaba pendendo para um lado cômico demais ao retratar alguns personagens, até aliviando um pouco o peso de suas atitudes erradas, fazendo até parecer que não seriam pessoas tão más (E SIM, SÃO, SIM) e, sim, apenas idiotas (SIM. SÃO ISSO TAMBÉM). Mas com uma direção segura, mesmo nesses momentos onde o humor parece exagerado percebemos que Spike Lee o está fazendo propositadamente para que o impacto no final seja ainda maior.  Lee não perde a oportunidade de fazer um discurso forte, político e de posicionamento bem claro. Se é isso que espectador espera dele num filme como esse, é exatamente isso que ganha.
As impactantes e divertidas ligações de Ron para a KKK.
Adam Driver, que faz Flip Zimmerman, é o personagem que mais evolui ao longo da trama, o que mais sofre mudanças, mudando sua percepção de si mesmo e do mundo à sua volta, destacando-se bastante exatamente por conseguir transmitir isso de manira bastante convincente. John David Washington, como Ron Stallworth, é outro que está superbem. Sua veia cômica e incrível mas se sai muito bem, igualmente, nas cenas mais sérias e tensas mantendo um bom equilíbrio.
Ainda que a evolução do personagem Flip chamem atenção e suas cenas infiltrado serem bem tensas, como a da reunião da KKK, por exemplo, gosto bastante também das cenas em que fica evidente o desconforto interno que o personagem passa por estar naquele ambiente e ainda assim ter que manter a tranquilidade. Porém é obvio que as cenas fortes são as mais impactantes. Temos o segundo discurso para universitários negros relatando um caso de violência, com fotos e fazendo referência ao filme “Nascimento de uma Nação”(1915), e, especialmente, os 5 minutos finais do longa que, meu amigo e minha amiga, são de chorar. Prepare seu psicológico senão você vai desabar.
Um filme que cumpre todos os objetivos: é muito bem, diverte, e nos faz refletir. Não tenho intenção de influenciar as pessoas positivas mas, após assistir ao filme e chegar ao seu final, eu fiquei pessimista quanto ao nosso futuro próximo. Espero estar errado. Spike Lee mostra mais uma vez que é genial. Atira para todos os lados e acerta em todos.


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Merece mas não leva
por Daniel Rodrigues


Patrice Dumas (Laura) e Ron Stallworth (Washington):
par no romance e no ativismo
Não é tarefa fácil contar uma história passada há mais de 40 anos e atá-la com a realidade atual com incisão. Ainda mais quando o enredo toca em questões delicadas e polêmicas, como racismo e os direitos civis. Pois o experiente Spike Lee conseguiu esse feito com “Infiltrados na Klan” (2018), seu novo filme, pelo qual recebeu, com décadas de atraso, a primeira indicação ao Oscar de Melhor Diretor. No centro da trama: a ação nazifascista da Ku Klux Klan em meados dos anos 70. Com isso em mãos, o cineasta (que assina ainda o Roteiro Adaptado, pelo qual também é indicado, igualmente em Filme) expõe o quanto não se evoluiu o suficiente neste aspecto na sociedade norte-americana – ou o quanto se retrocedeu. O resultado é um dos melhores filmes da extensa e referencial filmografia do autor de “Faça a Coisa Certa” e “Febre da Selva”, aliando entretenimento, cinema de arte e registro documental.
Em 1978, Ron Stallworth (John David Washington), um policial negro do Colorado, consegue, incrivelmente, se infiltrar na Ku Klux Klan local. Ele se comunica com os outros membros do grupo através de telefonemas e cartas, mas quando precisa estar fisicamente presente, envia outro policial branco no seu lugar, o colega Flip Zimmerman (Adam Driver, concorrente ao Oscar de Ator Coadjuvante). Depois de meses de investigação, Ron se torna, ainda mais absurdamente, o líder da seita, sendo responsável por, às escondidas, sabotar uma série de linchamentos e outros crimes de ódio orquestrados pelos racistas. As coisas se complicam, contudo, quando ele se envolve com a ativista Patrice Dumas (Laura Harrier), alvo do grupo extremista por sua atividade militante.
Spike Lee, como ocorre com todo negro que consegue se destacar nos Estados Unidos, é produto da dor. Angela Davis, Martin Luther KingLouis ArmstrongMuhammad Ali e Jean-Michel Basquiat são exemplos de afrodescendentes que, com talento e, principalmente, perseverança, não apenas passaram por cima das dificuldades impostas em uma nação institucionalmente racista para trazerem a público suas contribuições como têm, justamente, o objeto de suas ações focado nesta causa. Lee, desde o curta “The Answer”, de 1980, é afetado pelo totalmente justificável sentimentos de reação. Crítico da sociedade em que vive, ele trilhou muitas vezes pelo caminho do combate ao racismo e ao direito à cidadania das “minorias” em suas obras, tornando-se um ícone ativista. Em “Infiltrados...”, não é diferente, mas o recado político é dado de forma mais inteira.
O tempo parece ter ajudado a melhorar o discurso de Lee e lhe trazido, aos 61 anos de vida e mais de 40 atrás das câmeras, maior maturidade. “Infiltrados...” é uma prova disso. Unindo os elementos característicos de seu estilo – cenas de ação, humor ácido, romance, resgate histórico e, claro, crítica social – o filme tem provavelmente sua mais bem conduzida direção, acertando em ritmo, contrastes narrativos, estética e no próprio discurso. Divertido e empolgante, concilia a representação ficcional e os elementos documentais por meio da edição de Barry Alexander Brown, outro concorrente ao Oscar nessa categoria. O filme dá, assim, um claro recado ao expectador de que o cinema pode ser tanto entretenimento quanto campo de discussão, pois a realidade é, acima de tudo, muito mais brutal e impiedosa. Isso tudo, aliado a diálogos impagáveis (como as ligações de Ron para o líder da KKK, Michael Buscemi), direção de arte competente (Marci Mudd), que faz boas referências à Blackexplotation, e, igualmente, a trilha sonora (também indicada a Oscar). “Infiltrados...”, assim, guarda a contundência peculiar de Lee, porém com um controle absoluto do tom narrativo que os anos lhe trouxeram.
Lee no set com o ator Adam Driver,
que como ele, também concorre ao Oscar
Com um delay de 30 anos, entretanto, veio a Lee a indicação ao Oscar de Melhor Direção. E o pior: ele não deve ganhar. Mesmo com as recentes presenças de outros cineastas negros nesta categoria, como Jordan Peele, Steve McQueen e Barry Jenkins (estes dois últimos, vencedores pelos filmes que realizaram, “12 Anos de Escravidão” e “Moonlight”, respectivamente, mas não pela direção), a falta do nome de Lee em outras edições vem se somar às igualmente injustificáveis ausências de Don Cheadle por seu “Miles Ahead” ou de Antoine Fuqua por “Sete Homens e um Destino”, ambos em 2016. A explicação para isso é bem menos devido à proporcionalidade de profissionais negros aptos, em menor quantidade em comparação a cineastas de origem “não-africana” por motivos histórico-sociais evidentes, e mais pela relutância de se enfrentar questões espinhosas e maculáveis à imagem da democrática “América”. Afinal, quando se fala de Spike Lee, essa premissa é totalmente refutável, uma vez que ele, um dos mais talentosos cineastas de sua geração, é merecedor já de muito tempo. “Faça...”, de 1989, um dos melhores filmes da história da cinematografia norte-americana, e “Malcom X”, de 1992, outra realização impecável, são pelo menos dois exemplos.
Em épocas de governo Trump e da ascensão da extrema-direita em vários países – entre eles, o Brasil –, “Infiltrados...” é, assim, não apenas essencial como necessário. As cenas finais mostrando as imagens reais das passeatas neonazistas ocorridas recentemente em Charlottesville, na Virgínia, denotam a urgência da obra. Porém, por melhor resultado que tenha obtido, Spike Lee provavelmente não vencerá o Oscar ao qual concorre. A Academia, embora a visível tentativa de maior arejamento nas duas últimas décadas, geralmente, quase que por convenção, premia o diretor da produção que não leva o principal Oscar da noite, o de Melhor Filme, numa estratégia de equilibro entre aqueles que, geralmente, são os favoritos. Ou seja: pelas estimativas, este ano a coisa deve ficar entre “A Favorita” (Yorgos Lanthimos) e “Roma” (Alfonso Cuarón), no máximo “Vice” (Adam McKay).
A questão é que Spike Lee, o ativista e o artista, representa justamente a injustificável venda nos olhos da Academia para com a sua obra e, logicamente, para a questão do racismo e das injustiças sociais. Um reflexo da sociedade norte-americana em formato de estatueta dourada. Em quase 40 anos de realizações, é sabido por que Lee nunca havia sido indicado: sua cor e seu discurso, seu discurso e sua cor. Como ocorreu, por outros motivos, com os Oscar para Scorsese, Chaplin e Hitchcock, a Academia relutou, relutou, mas uma hora teve que dar o braço a torcer – ainda que quase tarde demais em alguns casos. Por esta lógica, o desafio de Lee se faz imenso e ainda instransponível, o que, em compensação, talvez só aumente a façanha de “Infiltrados...”.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Exposição "Jean-Michel Basquiat - Obras da Coleção Mugrabi" - Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) - Rio de Janeiro/RJ



O bom senso jornalístico sugere que se use com muita parcimônia o termo “gênio” para classificar alguém. A explicação é bem lógica, como ironizou certa vez Ariano Suassuna: se for empregar o adjetivo a alguém como Chimbinha – tal como irresponsavelmente o fizeram para com o apenas esforçado guitarrista de brega music brasileiro –, o que resta para um Mozart ou Shakespeare? Raras são as personalidades na humanidade que atingiram esse status e que, por consenso, podem ser tidas de geniais. Caso de Jean-Michel Basquiat (1960-1988), o artista visual nova-iorquino que, em seus meteóricos 27 anos de vida, edificou uma obra gigantesca em quantidade e simbologias, assemelhando-se, a seu modo, a outros gênios das artes visuais como Michelangelo, Picasso ou Cézanne. Um pouco de sua extensa e marcante obra pude conferir, juntamente com Leocádia Costa e Cly Reis, na exposição de retrospectiva no CCBB do Rio de Janeiro.

Duas coisas me impressionaram sobremaneira na mostra, até pelas lógicas praticamente antagônicas de ambas, mas, justamente, oriundas da mesma natureza: a brutal naturalidade com que Basquiat criava sua arte, quase instintiva e sem travas, e, ao mesmo tempo, uma igualmente brutal força interna, esta, capaz de transformar o natural aparentemente banal em algo grandioso, acima da média. Motivações grandiosas, como a crítica à Igreja ou a condição do negro norte-americano, dividem espaço com temas aparentemente vulgares, como personagens de desenho animado, produtos descartáveis e “rabiscos” infantis “despretensiosos” (“Tiranossaurus”, “A House Build by Frank Lloyd Wright for his Son“), Mas que, de modo feroz, expressam a mais profunda intenção artística. Há, por exemplo, quadros inteiros com apenas o uma frase escrita, como em “A Shadow in his Space”. E é de encher os olhos.

A brutal simplicidade do traço da criança
Basquiat era muitos e ao mesmo tempo uno. Como outros gênios, incorporou as ondas e tensões de sua época e as traduziu em arte. Sua obra personifica o caráter de Nova York nos anos 1970/80, quando a mistura de empolgação e decadência criou um espaço importante de criatividade. Estava tudo no ar: a Guerra Fria, a questão dos negros e dos imigrantes, a cultura pop, as ditaduras sangrentas na África e América, a era Reagen/Tatcher,  o rap enquanto música de protesto e de reelaboração da cultura negra, a publicidade dos anos yuppie, a tradição da arte clássica e o desmonte desta pela arte moderna. Tudo estava em Basquiat, à flor da pele, a cada jato de spray, a cada pincelada, a cada borrão, a cada palavra escrita ou rasurada, a cada ironia ou protesto. A intensidade do traço, compulsão expressiva, a obsessiva reelaboração da ideia – peculiar de uma mente inquieta e criativa –, o uso instintivo da palheta cromática, as camadas ora de tinta, ora de colagens ou mesmo do suporte da tela, bem como os escritos poéticos e multilíngues e as figuras cadavéricas e não menos constrangidas pela vida.

A Mesquita, de 1982, multiplicidade de técnicas
e de signos
Tudo é de um impacto tamanho, que se demora a elaborar internamente.

Estou fazendo isso até agora. Não sei com que grau de maldade, discriminação ou simples ignorância veículos de imprensa noticiaram esta mesma mostra, quando ocorrida em São Paulo, no início do ano, classificando Basquiat como “grafiteiro”. Basta apreciar algumas das 80 quadros, desenhos e gravuras expostos para perceber o quão desrespeitoso se é ao reduzi-lo como se fosse um mero vândalo urbano. A quantidade de técnicas e suportes que se utilizava para montar uma obra eram extremante variados, indo das mais tradicionais, como a pintura a óleo ou acrílica, a outras mais pop e adequadas à sua realidade, como colagem, tinta spray, xerox ou serigrafia. “A Mesquita” (1982), “Coelho Vermelho” (1982) e “Bracco di Ferro” (1983).

Igualmente, impressiona o domínio de Basquiat do desenho. Mesmo sem uma formação tradicional, como se “exige” de artistas visuais para serem aceitos no metiê, Basquiat não apenas suplantou isso pela qualidade como, inovador, adicionou-lhe elementos estéticos e simbólicos ao que se convencionou chamar de neoexpressionismo. Há momentos em que na sua obsessão pela estrutura humana, vista nas repetições de esqueletos e ossos (dos negros como ele, segundo ressaltava o próprio) e nas figurações distorcidas, há traços tão elegantes quanto um Picasso de "As senhoritas de Avignon" ou dos cartazes publicitários de Tholouse-Lautrec, ambas as referências do início do século XX. Mais atual, porém anterior a Basquiat, o alemão Joseph Beuys, de quem comungava do mesmo sarcasmo e olhar crítico, e Andy Wahrol, também uma forte inspiração, tanto que motivou a ambos amigarem-se e a trabalharem juntos na segunda metade dos anos 80, produzindo quadros brilhantes – embora a crítica, ignorante, tenha virado a cara à época. Na sala especialmente reservada a esta fase, podem ser vistas obras em que o talento de um não se sobressai ao do outro, impulsionando-se mutuamente. A serigrafia e o traço elegante de Wahrol – algo que ele não fazia desde os anos 60 – convive com as intervenções espontâneas de Basquiat.

Rosto cujos traços lembram Picasso primitivo
A sensação que se sai de uma exposição tão rica e instigante como esta é que qualquer um pode expressar-se artisticamente – ainda mais a quem, como nós três, têm facilidade no traço .“Por que não nos aventuramos mais na pintura, no desenho?” Saímos nos questionando. Por outro lado, a percepção de que, independente do que fizermos, jamais atingiremos o que um Basquiat produziu, e essa é um sentimento de profunda admiração e gratidão. No caso dele, o fato de ter sido um totem de motivações histórico-sociais, que introjetou e reelaborou as tensões do seu tempo, não explicam na totalidade o porquê da qualidade daquilo que legou. Afinal, para se tornar um ícone não basta apenas a atribuição externa: tem que ser intimamente capaz disso. E Basquiat o foi, mesmo que inconscientemente. Mais do que isso, Basquiat foi aquilo que explica tudo o que se viu: um gênio. Assim mesmo, adjetivo superlativo.

Confira um apanhado de algumas das obras expostas de "Jean-Michel Basquiat - Obras da Coleção Mugrabi":

"Braccio di Ferro", impressionante e sua complexidade

"Elefante Rosa com Caminhão de Bombeiros", de 1984, das melhores

Peça com a assinatura estilística de Basquiat

Frank Lloyd Wright ficaria orgulhoso de seu filho

Foto de uma das intervenções assinadas como SAMO na NY do final dos 70

"Coelho Vermelho", das peças mais impactantes da mostra

A construção fragmentada dos quadrinhos e da televisão em "Old Cars", de 1981

Detalhe de "Old Cars"

Díptico de duas das principais referências de Basquiat, o negro e a músico dos negros

"Cantor", de 1980-85, lápis de cor e crayon sobre papel

Música da Cabeça versão Basquiat

"Moisés Jovem", outro soco tomado de sagacidade e bom-humor

Detalhe de "Quatro Grandes", de 1982, religiosidade, sexo e ídolos

Basquiat e Wahrol, união de talentos dialogando numa linguagem ultramoderna
"Ovos", de 1986, Wahrol, com seu inconfundível traço, voltando a pintar depois de 20 anos por causa do amigo

Precisa mais que isso para ser arte?

"Natchez", profusão e sobreposições que remetem à multitela, profetizando a era do mobile

Detalhe de "Natchez" com os escritos repetidamente obsessivos do artista

"Fifty Nine Cents" (1983), acrílico sobre tema, a influência da publicidade e a ironia ao capitalismo

Cly e eu tentando desvendar a lógica deste "Xadrez" tão fora dos padrões

Convivência da elegância do traço no rosto abaixo e da inquietude logo acima

Ironia metalinguística na era dos fakes: de Basquiat  falsificando a si próprio

As raízes africanas expostas em cores e símbolos na obra do final de carreira

Admiração e espanto de quem vê um Basquiat ao vivo que chega a dar um passo pra trás ("Sem Título", 1981)

As impressionantes cerâmicas desenhadas com caneta de tinta permanente
e
O coração jazzístico de Basquiat
Quem não enxerga aí crítica à Igreja e à condição do negro não entendeu nada

Obra que nos leva a questionar, por que não fazer a própria arte?

Cultura pop, religião, violência, ecologia e capitalismo: caldeirão ideológico

Mais uma vez a influência da publicidade e da sociedade de consumo

Pura genialidade em "Ciclista", de 1984, das mais poéticas da mostra

"Venus 2000 B.C.", de 1982, simplicidade genial que se conecta ao alemão Joseph Beuys

Colagem, spray, óleo, pintura: várias técnicas de Basquiat sobre suas figuras geralmente cadavéricas

Merece até um abraço por tamanho assombro que causa

A referência aos HQs e o universo dos super-heróis  de "Il Flash" (1984) atraiu a criançada presente no CCBB

Absorvendo a paulada desta obra até agora...

Das obras do final da carreira nos fez questionar: onde iria parar a arte Basquiat se vivo?

Os cabelos de Basquiat e meus

texto: Daniel Rodrigues
fotos: Leocádia Costa

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exposição "Jean-Michel Basquiat:
Obras da Coleção Mugrabi"
local: Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro
endereço:Rua Primeiro de Março, 66 - Centro
visitação: de quarta a segunda, das 9h às 21 horas.
período: até 7/01/2019
entrada: gratuita