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sábado, 11 de julho de 2026

"4x4", de Mariano Cohn (2019) vs. "A Jaula", de João Wainer (2022)

 



Quem é  melhor no futebol, Brasil ou Argentina? O Brasil tem mais Copas do Mundo, mas a Argentina é a atual campeã mundial. O maior jogador de todos os tempos é brasileiro, Pelé, mas muitos contestam e afirmam que seria o argentino Diego Maradona ou até  mesmo Lionel Messi. A Argentina ganhou mais vezes a Copa América, mas só o Brasil foi a todas as Copas do Mundo... E no cinema? A Argentina tem dois Oscar de melhor filme estrangeiro, o Brasil tem um, mas é o mais recente do continente. Enquanto a Argentina só tem a Palma de Ouro de curta-metragem, o brasileiro "O Pagador de Promessas" já teve a glória de ser escolhido o melhor filme em Cannes... Pois hoje a disputa cinefutebolística vai entrar definitivamente em campo. Não com duas equipes brilhantes, é verdade como recomendaria a tradição das duas escolas, mas times bons o suficiente para proporcionar um bom jogo.

O cinema argentino produziu o tenso suspense psicológico "4x4" em que um ladrão de carros, ao arrombar uma luxuosa SUV fica preso dentro dela, controlada remotamente pelo sádico proprietário do veículo que sujeita o criminoso a um terror físico e psicológico constante. O cinema brasileiro então resolveu refilmar o drama do meliante enclausurado no carro de luxo no longa "A Jaula", praticamente sem nenhuma mudança significativa. Mas apesar de não  mexer em quase nada em relação ao original, o filme brasileiro não consegue atingir a mesma intensidade do rival sul-americano.

Embora a Argentina também tenha lá seus problemas sociais sérios, o filme brasileiro tinha tudo para levar uma grande vantagem nesse ponto, mas não consegue fazer disso seu trunfo. Em parte pela escolha do protagonista, Chay Suede, um ladrão com cara de mauricinho que não convence ninguém. Talvez na ânsia de não estereotipar um delinquente, tenham optado por não colocar um negro, um nordestino, ou um ator com mais cara de povão, o que geraria um certo alvoroço, sim, mas retrataria de forma mais realista a situação social do país. O argentino, numa sociedade predominante branca, tem cara de bandido e fica bem caracterizado com um jeito chulé e uma camiseta do Boca Júniors. "A Jaula" até tenta compensar esse eufemismo poético que comete com o linchamento de um outro ladrão que tenta arrombar a pick-up na qual nosso protagonista já está dentro mas é visto pela vizinhança. Tem impacto? Tem, sem dúvida. Mas a presença  dentro do carro de um representante das faixas desfavorecidas e discriminadas da sociedade, seria um constante e pesado soco no estômago.


"4x4" (2019) - trailer



"A Jaula" (2022) - trailer


Não só por isso, é  claro, mas "4x4" se sobressai de maneira evidente em relação a "A Jaula", os detalhes, as escolhas, a fotografia limitada praticamente ao interior de um veículo mas tratada de forma mais intencional no original, garantem a ele vantagem eu relação ao remake.

O proprietário do carro quando aparece, um médico com síndromes, traumas, complexos de insegurança, é mais convincente que o pouco expressivo brasileiro (Alexandre Nero), o filme argentino constrói melhor o cerco policial e confere maior tensão à toda a cena do que a segunda versão, a intervenção do negociador tem elementos mais bem pensados, bem tratados, mais envolventes que na refilmagem, enfim, o longa argentino não deixa saída para o brasileiro. A favor de "A Jaula" tem as incursões no início e no fim do filme de um desses telejornais sensacionalistas, típicos desse tipo de situação, formadores de opinião pública, com a participação da grande Astrid Fontenelle como âncora, fazendo uma espécie de Datena.

Assim como vem acontecendo no futebol nos últimos anos, os Hermanos não dão a menor chance para a nossa Seleção. 4x1 para a Albiceleste.

À esquerda, Peter Lanzani em "4x4", e à direita, o pouco convincente Chay Suede, em "A Jaula".
Aqui pode-se dizer que o adversário, tanto do argentino quanto do brasileiro,
jogou fechadinho.


A 4x4 argentina acelera o jogo,
marca a saída,
e atropela o time brasileiro.




Cly Reis

sábado, 13 de junho de 2026

A Seleção do Jorge

 

Ninguém entende mais de futebol do que Jorge Benjor! Pelo menos, nenhum compositor sabe como ele colocar futebol em versos cantados. Mais do que qualquer outro artista da música, Jorge consegue associar esses universos de forma única e inspirada.

São diversas as canções dele em que o esporte paixão das multidões está  presente de alguma forma, seja como tema principal, como personagem ou de forma sutil na forma de uma mera alusão  ao clube do coração.

Então, no dia da estreia da Seleção na Copa do Mundo, decidimos escalar a Seleção do Jorge, as 11 titulares do Cavaleiro Imaculado.

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"Eu vou lhe avisar
Goleiro não pode falhar"







1."Goleiro", do álbum "23" (1993): Não poderia ser diferente e a gente começa com o goleiro. Jorge Benjor homenageou o jogador da posição mais solitária do campo em seu álbum "23". A canção "Goleiro" alerta para a responsabilidade da posição na qual qualquer falha pode ser fatal, e uma desatenção pode originar um frango vergonhoso.

Ouça: Goleiro










2."Troca Troca", do álbum "A Banda do Zé  Pretinho" (1978): Música que remete às criativas transações que o cartola tricolor Francisco Horta, dos anos 70, promovia entre os grandes clubes do Rio de Janeiro, incrementando o campeonato e alvoroçando os torcedores.
No mais famosos 'pacotão' de trocas, Horta levou para as Laranjeiras o goleiro Renato do Flamengo em troca do também arqueiro Robero do Fluminense, deu o argentino Doval em troca  do atacante Zé Roberto do rubro-negro, e já que estamos falando de lateral, cedeu o lateral Rodrigues Neto do Fluzão, em troca de Toninho, do rival.

Ouça: Troca Troca





"Zagueiro tem que ser malandro
Quando tiver perigo com a bola no chão
Pensar rápido e rasteiro
Ou sai jogando ou joga bola pro mato
Pois o jogo é de campeonato"



3."Zagueiro", do álbum "Solta o Pavão" (1975): E no centro da defesa ele, o zagueiro, impávido, imponente, aguerrido. Jorge Benjor descreve e canta de forma magistral a desenvoltura do dono da grande área com suas virtudes e atribuições, nesta que é, sem dúvida, uma das mais belas canções sobre futebol.

Ouça: Zagueiro










4."Cadê o Pênalti", do álbum "A Banda do Zé Pretinho" (1978): Caiu na área? É pênalti! Se o zagueiro não tomar cuidado, for driblado, perceber um perigo eminente, for seu último recurso e tiver que fazer a falta dentro da grande área, o juiz aponta pra marca da cal e aí já era. Jorge Benjor, também no disco "A Banda do Zé Pretinho" trata da infração mais séria e fatal do futebol: a penalidade máxima.

Cuidado, zagueiro!

Ouça: Cadê O Penalty



"Eu quero ser
jogador de futebol"





5."Meus filhos, Meu Tesouro", do álbum "África Brasil", (1976): Que menino nunca sonhou em ser jogador de futebol? Não foi diferente com Artur Miró, filho fictício da música "Meus filhos, meu tesouro". Ele, o irmão Jesus Corrêa e a irmã, Anabela Gorda, questionados pelo pai, na letra da canção integrante do disco "África Brasil", manifestam suas aspirações. O irmão, quer ser um empresário, ela, dona de casa ou 'dondoca' de sociedade, já Artur Miró, por sua vez, não hesita: "Eu quero ser jogador de futebol".

Jorge Benjor foi um desses meninos que tinha esse desejo e, dizem, tinha talento para tal. Até tentou alguma coisa na base do Flamengo antes da carreira artística. Acabou mesmo na música. Sorte a nossa.

Ouça: Meus Filhos, Meu Tesouro










6."Jesualda", do álbum "Solta o Pavão" (1976): Jogando na nossa lateral-esquerda ela que é simpática, pura e meiga e foi trabalhar na zona sul de cozinheira de forno e fogão. E o que é que a donzela Jesualda tem a ver com futebol? É que na volta do trabalho, no ponto de ônibus, num domingo à tarde, encontrou um sujeito meio apressado que ia com bandeira e tudo ao Maracanã e a partir daquele momento a sorte da moça suburbana mudou. Casou, espera um bebê e foi morar no exterior. Ah, o futebol... Unindo destinos e mudando vidas.

Ouça: Jesualda










7."Fio Maravilha", do álbum "Ben" (1975): Somente Jorge Benjor conseguiria narrar um gol musicalmente como fez com a jogada celestial do atacante Fio.

Jorge descreve com inigualável inspiração, ritmo, musicalidade a jogada do gol de placa de um jogador carismático de seu clube do coração, o Flamengo. O tempo de jogo, o desenvolvimento da jogada, o sentimento do jogador, a reação da torcida... Um golaço de Jorge Benjor!

Ouça: Fio Maravilha



"Olha que a cidade toda ficou vazia
Nessa tarde bonita só pra te ver jogar"





8."Ponta de Lança Africano (Umbabaruma)", do álbum "África Brasil" (1976): Este meia-atacante saído da mente luminosa do compositor é certamente o jogador fictício que todo fã de música imagina como seria e gostaria de ver jogando. Um ponta de lança decidido que pula, cai, levanta, sobe, desce, abre espaço e que é capaz de levar uma multidão ao estádio especialmente para vê-lo jogar. O jogador decisivo, o homem-gol.

Um samba-rock embalado e irresistível que tem, possivelmente, um dos melhores rifas da música brasileira.

Ouça: Ponta de Lança Africano (Umbabarauma)











9."O Nome do Rei é Pelé", do álbum "Reactivus Amor Est (Turba Philosophorum)" (2004): Homenagem de Jorge Benjor ao maior de todos. Canção pouco inspirada, pra falar a verdade, numa fase já  menos genial do compositor. Jorge praticamente se limita a enumerar os feitos e listar estatísticas do rei, com ritmo, com balanço, bom refrão, é verdade, mas numa composição bem inferior a outras coisas que já fizera.

O Rei do Futebol poderia ter algo melhor do Rei das Músicas de Futebol.

Ouça: O Nome Do Rei É Pelé




"É falta na entrada da área
Adivinha quem vai bater?
É o camisa 10 da Gávea"




10."Camisa 10 da Gávea", do álbum "África Brasil" (1976): Eu podia ter posto o 10 eterno, Pelé, com a camisa 10 da nossa seleção musical, mas não tem como não reservar este posto para uma canção cujo título é nada menos que o número da camisa. Jorge Benjor já se encantava com o garoto Zico antes dele se tornar tudo o que representou na história do Clube de Regatas do Flamengo. Numa canção mansa, malemolente, Benjor adverte do perigo fatal de cometer uma falta na entrada da área quando aquele jovem craque estava em campo. Isso alguns anos antes do Galinho de Quintino colocar o Flamengo no topo do mundo. Jorge Benjor entende mesmo de bola.

Ouça: Camisa 10 Da Gávea











11."Camisa 12", do álbum "Salve, Jorge" - Inéditas e Raridades - 1963-1976 (2009): Quem fica com a nossa camisa 11 aqui é a "Camisa 12". Uma ode à mítica camiseta canarinho da Seleção Brasileira e a todos os apaixonados por ela. "Camisa 12", canção antiga recuperada em um álbum extra de raridades, exalta os jogadores que defendem, que honraram a camisa amarela e trouxeram cinco títulos mundiais para o Brasil, toda sua raça, sua determinação e sua técnica, além de reverenciar os torcedores, e a troca de energia que acontece quando a Seleção está em campo, especialmente em Mundiais. 

Nada mais oportuno para o momento, no dia da estreia do Brasil em mais uma Copa do Mundo. 

Ouça: Camisa 12


C.R.

sábado, 7 de janeiro de 2023

A Arte do Clyblog em 2022

Como já é de costume, na virada do ano, compilamos alguns trabalhos que destacamos da arte, comunicação visual e parte gráfica do blog. Entre logos, chamadas de internet, datas comemorativas, produções artísticas, sempre procuramos fazer alguma coisinha diferente, interessante e buscar novas alternativas técnicas. Esse ano, por exemplo, os trabalhos de vídeo também foram mais comuns e Daniel, meu parceiro do blog, teve alguns resultados muito estimulantes. De minha parte, mais seguro nas técnicas e recursos das ferramentas, pude ampliar mais minhas possibilidades nas ilustrações digitais, com resultados bastante satisfatórios, aplicando-os em vários temas, como futebol, música e cinema. 

Também foi ano de Copa do mundo e, além das nossas comunicações visuais se adequarem ao tema, tivemos nossas copas musicais e, é claro, cada artista, cada fase do torneio, cada chamada, teve um tratamento especial. 

2022 também marcou os 80 anos de grandes nomes da MPB e, além de homenageá-los com um ÁLBUM FUNDAMENTAL para cada, criamos toda uma arte específica para o aniversário de cada um desses gênios. E ainda, para o nosso aniverário, nossos 14 anos, tivemos toda uma parte gráfica dedicada com uma arte especial para o evento e aquela tradicional adaptação do logotipo do blog. 

(E imaginar que em 2023 faremos 15 anos, hein!)


Fiquem, abaixo, com uma pequena amostra do que produzimos nesse sentido no ano que passou. 


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Um dos vídeos de Daniel Rodrigues, "Cratera Lunar"


Os falsos-posters de cinema inspirados em artistas 
da MPB e em suas obras.

E se os artistas pop-rock fossem heóis, personagens de quadrinhos?
Aqui, uma série de trabalhos inpirados em HQ's com grandes nomes da música.

Ilustração de gols da Seleção Brasileira.
Os gols dos 5 títulos e a 'pintura' de Richarlison, na Copa do Qatar.

Ainda nas ilustrações da Copa, o gol de Messi, na final contra a França.

No ano em qua perdemos Pelé, a ilustração da defesa mágica de Gordon Banks, na cabeçada do Rei.



Tivemos as nossas Copas do Mundo e para a do mestre Gilberto Gil,
tivemos artes especiais a cada fase, criando logos, brincando com as capas de discos,
até o grande momento na superfinal.

Teve Copa do Mundo Kraftwerk também e, igualmente, artes espaciais
se utilizando da riquíssima identidade gráfica do grupo alemão.

As chamadas, os anúncios do blog também merecem destaque e 
foram espalhadas por aí, pelas redes sociais.

Essa uma das chamadas mais curtidas e elogiadas pelos amigos e leitores nas redes sociais.

Não somos santos mas temos nosso vitral.

O universo de discos reverenciados as chamadas da seção ÁLBUNS FUNDAMENTAIS.

Discos, discos e discos!!! Isso é a ÁLBUNS FUNDAMENTAIS.






As artes dedicadas aos 80 anos dos mestres da música brasileira, Gilberto Gil, Caetano Veloso,
Paulinho da Viola e Milton Nascimento.
Arte dos 14 anos do ClyBlog.
Toda a comunicação visual do blog acompanhou esses motivos geométricos durante o mês de aniversário, em agosto.



O ClyArt tem, sem dúvida, o logo mais mutante.
Sempre se adaptando à obra apresentada.

O logo do blog sempre se mudando, variando, se adequando a ocasiões, datas, períodos, etc.


E como não podia deixar de ser, no ano em que Pelé se foi,
a gente se despede desse post com a imagem dele.
O eterno soco no ar.
Vai em paz, Rei!




Cly Reis


sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

domingo, 20 de novembro de 2022

cotidianas #780 - O Preto na Camisa Amarela

 




Salve Pelé
Salve Édson
Salve Dico
O atleta do Século

Salve Pelé com P maiúsculo
Salve os 3 erres
Ronaldinho
Ronaldo
e Rivaldo

Salve o Rei do Futebol
Salve o Rei Dadá
Salve o Reizinho da Vila
Salve o Príncipe Etíope

Salve o pé de Pelé
As mãos de Barbosa
As de Dida
Os dedos quebrados de Manga

Salve o negro Pelé
O mestiço Mané
O mulato Romário
E o sarará Ademir que era negro também

Salve o preto
o crioulo
o tição
Salve o carvão

O carvão de onde se extrai o diamante
Sim! O diamante!
Salve Diamante Negro
Salve a joia da Vila
Salve a prata da casa
Salve o nosso ouro

Salve o azul do Sangue do Rei
Salve o amarelo da camisa
o verde dos gramados
Salve o preto da pele

Salve o homem de cor
Salve o preto na camisa amarela



Cly Reis

Gol de Pelé - Suécia x Brasil - Final da Copa do Mundo 1958

 






Gol de Pelé - Suécia 2 x Brasil 5 - Final da Copa do Mundo de 1958
REIS, Cly (ilstração digital - GIMP)


Cly Reis