
domingo, 4 de outubro de 2009
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Bar Naval - Porto Alegre 27/09/09
![]() |
O Mercado Público de Porto Alegre,
patrimônio histórico
|
![]() |
| A velha placa do Naval |
Revi o proprietário, figura simpaticíssima e já parte da história da cidade, Seu Paulo Naval, amigo de longa data de meu pai que mesmo não me vendo há anos não esqueceu do gurizinho que era levado lá e sempre pedia a mesma coisa: chuletinha de porco à milanesa (inclusive ainda me trata por “gurizinho”).
O Naval, bar com 102 anos de história, sempre teve a característica de, mesmo com suas acomodações modestas e simples, receber as mais ilustres figuras da cidade além de visitantes importantes como Nélson Gonçalves, Gardel e muitos outros. Dizem que o ex-governador Olívio Dutra era cliente assíduo (e consta que seja chegado numa birita), que Lupicínio Rodrigues ia lá de vez em quando, atores do centro do país, jogadores da dupla Grenal – lá eu conheci pessoalmente Figueroa, o capitão do Andes do Internacional.
Pra manter a tradição comi, é óbvio, uma chuleta de porco à milanesa. O mesmo sabor de todos estes anos. Sempre que ia a Porto Alegre pensava em ir lá, visitar o Seu Paulo, falar das histórias do pai, almoçar lá e tudo mais, mas sempre deixava passar. Acho que paguei uma dívida comigo, com o Naval, com Seu Paulo, com a tradição e com a minha cidade.
Cotidianas #7- Lá

LÁ
Volta e meia, por aí, acontece de um ônibus da vida parar ao lado do outro em um sinal, os motoristas se reconhecerem, se cumprimentarem num aceno e um, da sua janela, fazer sinal para o outro abrir a porta para ouvi-lo. Quando o outro abre a porta quase que invariavelmente começa um intrigante diálogo que é basicamente o mesmo, apenas com pequenas variações:
- E aí, foi LÁ?
- Puxa! Não fui, não. Não deu.
- Pô, cara...
- Como é que tava LÁ?
- Ô!!! Tava cheio.
- O Negão tava LÁ?
- Tava. Tava ele, o Bigode. Até a mulher dele foi.
O sinal abre e eles apressam a conclusão da conversa:
- Vou ver se vou LÁ na semana que vem.
- Legal. Vê se vai mesmo.
- Tu vai?
- Ainda vou ver também. Vou tentar trocar a escala com o Buiú.
- Ô! Dá um jeito. Vê se vai LÁ.
- Vou ver, vou ver...
- É isso aí. Vamo que vamo, então.
- Falôôô! Té depois.
Cada um segue em frente, toma sua rota, pega mais passageiros, param em mais sinais e reproduzem quase sempre a mesma conversa e eu fico pensando, eternamente intrigado com uma pergunta para a qual provavelmente nunca terei a resposta: afinal de contas onde é que é o tal de LÁ?
Volta e meia, por aí, acontece de um ônibus da vida parar ao lado do outro em um sinal, os motoristas se reconhecerem, se cumprimentarem num aceno e um, da sua janela, fazer sinal para o outro abrir a porta para ouvi-lo. Quando o outro abre a porta quase que invariavelmente começa um intrigante diálogo que é basicamente o mesmo, apenas com pequenas variações:
- E aí, foi LÁ?
- Puxa! Não fui, não. Não deu.
- Pô, cara...
- Como é que tava LÁ?
- Ô!!! Tava cheio.
- O Negão tava LÁ?
- Tava. Tava ele, o Bigode. Até a mulher dele foi.
O sinal abre e eles apressam a conclusão da conversa:
- Vou ver se vou LÁ na semana que vem.
- Legal. Vê se vai mesmo.
- Tu vai?
- Ainda vou ver também. Vou tentar trocar a escala com o Buiú.
- Ô! Dá um jeito. Vê se vai LÁ.
- Vou ver, vou ver...
- É isso aí. Vamo que vamo, então.
- Falôôô! Té depois.
Cada um segue em frente, toma sua rota, pega mais passageiros, param em mais sinais e reproduzem quase sempre a mesma conversa e eu fico pensando, eternamente intrigado com uma pergunta para a qual provavelmente nunca terei a resposta: afinal de contas onde é que é o tal de LÁ?
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Os Causo de Dois Morro - Mr. Brownie e os muffins
Já contei procês dos profiteróle? Já? Ah, entonces... Bueno! Mas não só de profiteróle vive Dois Morro. Dois Morro tem umas fauna riquístima com muitos bicho importante.
É tão importante a bicharada de Dois morro que um famoso pesquisadêro vêio de lá das Inglaterras só pra estudá os bicho de Dois Morro. Mr. Brownie, um inglaterrense com um jeito meio metido a besta, vêio dá por esses lado (num bom sentido, é craro) pramode descobri novas espécime. Pesquizô, pesquizô, remexeu, subiu em árvre, cagô no mato, senvergonhô nas moita e no fim das conta escreveu um livro qui acabo sendo-se um dos mais importântico da História das Ciênça e dos conhecimento centífico : “A Orige das Espécime”. Dissero que foi aquele barbudo, o Darv, Darws... sei lá o nome desse sujeito. Mas na verdade o Mr. Brownie teve aqui muitos anos ante dele.
Mr. Brownie estudô ixcruzive um bicho muito curioso – qui era curioso assim purqui sempre queria sabê de tudo qui os ôtro tavo dizendo -, que era os Muffin. Os muffin éro assim meio qui mais ou mens paricido com os profiteróle só que mais ligêro, mais peludo e mais curioso. Muito bonitin, bonitin, qui éro umas fofureza! Teve uma época qui tinha tanto muffin, mas tanto muffin qui aparecia até dendicasa. Ajente tinha que enxotá os bicho assim “sai, mãfi, sai mãfi!”. Dispois com a famosa enxente de ’26 eles desaparecêro. Como o seu Noé não botô um casarzinho na arca dele, os muffin não procriaro mais e acabaro.
O gringo, seu Brownie, gostô tanto de Dois Morro que ficssô residênça até. Casô, fêiz uma renca de cria com a Dona Evangelina e ficô muito conhecido na região. Só qui como o nome dele era meio esquisito, meio difícer, cabô ficando conhecido como Seu Bráulio. Morreu na miséra anos depois afogado na mardita.
postado por Chico Lorotta
terça-feira, 22 de setembro de 2009
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
"Nada Vai nos Separar", de Saturnino Rocha (2009)
Meu programa de cinema do fim de semana foi especial desta vez. Fui ver o filme do centenário do meu clube, o Internacional, “Nada Vai nos Separar” e é lógico que passei com os olhos marejados o filme inteiro.Particularmente, gostei mais do “Gigante”, o filme sobre a conquista do mundial interclubes, mas este é um emocionante documento da formação de uma das maiores instituições esportivas do país contado pela peça mais importante e impulsionadora de tudo o que este grande clube se tornou: seu torcedor.
É evidente que não se esquece das conquistas, dos grandes craques, do patrim
ônio, mas até nisso o torcedor com seus anseios, suas expectativas, sua idolatria, sua dedicação suas frustrações (por que não?), é personagem principal.O desejo de ser participativo na sociedade e ter um clube no qual todos pudessem participar, a idolatria pelo time mágico dos anos 40 conhecido como Rolo Compressor, a euforia do esquadrão que encantou o país nos anos 70, as constantes frustrações dos anos 90 mas que levaram à ânsia de almejar algo maior e que de uma forma ou de outra levou às conquistas atuais, a dedicação que levava torcedores a levar um tijolinho debaixo do braço para colaborar com o estádio. Um estádio que é verdadeiramente nosso. É verdadeiramente MEU, pois meu pai era um dos que dava cimento pro Beira-Rio e este estádio será uma das sedes da Copa do Mundo em 2014. Além disso eu sou sobrinho de craque do Rolo Compressor, o “Atacante Satânico”.
Também lembrei de uma coisa que me contavam mas minha memória não buscava, que fui ao Beira-Rio na campanha do título de 79. Ou seja: Eu vi o título invicto!!!Essa coisa no filme faz com que nos sintamos, cada um por motivos diferentes, não só torcedores, mas parte do clube. Nós não somos do Sport Club Internacional, nós somos o Sport Club Internacional.
Lindíssimo para colorados mas interessante para quem pura e simplesmente gosta de futebol, da sua história e das coisas que o cercam e o fazem.
Cly Reis
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Cotidianas #6 - "Cotidiano"

Todo dia ela faz
Tudo sempre igual
Me sacode
Às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca
De hortelã...
Todo dia ela diz
Que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz
Toda mulher
Diz que está me esperando
Pr'o jantar
E me beija com a boca
De café...
Todo dia eu só penso
Em poder parar
Meio-dia eu só penso
Em dizer não
Depois penso na vida
Prá levar
E me calo com a boca
De feijão...
Seis da tarde
Como era de se esperar
Ela pega
E me espera no portão
Diz que está muito louca
Prá beijar
E me beija com a boca
De paixão...
Toda noite ela diz
Pr'eu não me afastar
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor...
Todo dia ela faz
Tudo sempre igual
Me sacode
Às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca
De hortelã...
Todo dia ela diz
Que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz
Toda mulher
Diz que está me esperando
Pr'o jantar
E me beija com a boca
De café...
Todo dia eu só penso
Em poder parar
Meio-dia eu só penso
Em dizer não
Depois penso na vida
Prá levar
E me calo com a boca
De feijão...
Seis da tarde
Como era de se esperar
Ela pega
E me espera no portão
Diz que está muito louca
Prá beijar
E me beija com a boca
De paixão...
Toda noite ela diz
Pr'eu não me afastar
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor...
Todo dia ela faz
Tudo sempre igual
Me sacode
Às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca
De hortelã...
Tudo sempre igual
Me sacode
Às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca
De hortelã...
Todo dia ela diz
Que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz
Toda mulher
Diz que está me esperando
Pr'o jantar
E me beija com a boca
De café...
Todo dia eu só penso
Em poder parar
Meio-dia eu só penso
Em dizer não
Depois penso na vida
Prá levar
E me calo com a boca
De feijão...
Seis da tarde
Como era de se esperar
Ela pega
E me espera no portão
Diz que está muito louca
Prá beijar
E me beija com a boca
De paixão...
Toda noite ela diz
Pr'eu não me afastar
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor...
Todo dia ela faz
Tudo sempre igual
Me sacode
Às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca
De hortelã...
Todo dia ela diz
Que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz
Toda mulher
Diz que está me esperando
Pr'o jantar
E me beija com a boca
De café...
Todo dia eu só penso
Em poder parar
Meio-dia eu só penso
Em dizer não
Depois penso na vida
Prá levar
E me calo com a boca
De feijão...
Seis da tarde
Como era de se esperar
Ela pega
E me espera no portão
Diz que está muito louca
Prá beijar
E me beija com a boca
De paixão...
Toda noite ela diz
Pr'eu não me afastar
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor...
Todo dia ela faz
Tudo sempre igual
Me sacode
Às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca
De hortelã...
"Cotidiano"
Chico Buarque de Hollanda
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Invasores são Bem-Vindos
Nesta época do ano começam a pipocar as boas atrações internacionais de shows aqui pela cidade de São Sebastião.
Além da Lily Allen que é legal mas que ainda não tem essa 'bola" toda pra me fazer sair de casa, sei que virão por estas bandas os Pet Shop Boys, que na verdade não me atraem em nada e o glorioso Prodigy com a turnê do álbum "Invaders Must Die".
Gostei muito do álbum, tanto que já o comentei entusiasticamente aqui, e sempre tive uma grande vontade de ver os caras. Deve ser um show vibrante, elétrico, pegado. Perdi oportunidades anteriores de vê-los em SP. Uma num Skol Beats e outra vez acho que foi um lance tipo Close-Up Festival, se não me engano ou algo assim. Mas desta vez não tem erro: estarei lá, no meio da galera, pogueando como numa festa punk.
Apresentam-se aqui no Rio no Citibank Hall, dia 24 de outubro e a venda por enquanto só há venda para clientes Citibank. Para a galera em geral, ainda não foram abertas.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
The Stranglers "Greatest Hits - 1977-1990"
Meu pai me aparece em casa um dia com uma fita cassete de uma banda de rock e me dá. Como se só por ser banda de rock eu fosse gostar assim, sem mais. Ele costumava comprar umas tralhas de um bêbado, maltrapilho quase mendigo que arranjava relógios, bijuterias baratas, ervas para chás e desta vez uma fita cassete. Me deu a fita. Li “The Stranglers”. Nunca ouvira falar. Fui ouvir... Até que era bom. E foi melhorando. Cara, é muito bom!
Vim ouvindo hoje no caminho para o trabalho o mesmo Stranglers que ganhei e ouvi naquela época cheio de desconfiança, “The Greatest Hits- 1977-1990”. Depois vim a descobrir que os caras foram parte importante do movimento punk e foram grande influência de uma série de bandas dos anos 80, em especial de uma da qual gosto muitíssimo, o Cure.
“Greatest Hists” mostra esta linha de evolução sonora. O início com a ótima “Peaches” é bem reflexo do punk com uma bateria seca, um baixo cru e um vocal rasgado e agressivo. “No More Heroes” mantém a linha mas com um trabalho de teclado mais bem acabado. O ponto alto da coletânea vem com a versão para a música multi-regravada de Burt Bacharach, “Walk on By”, um épico de uns sete minutos com um baixo agressivo e incendiário permeado pelo teclado característico da banda, que a faz lembrar muito The Doors. A influência do pessoal do Jim Morrison mostra-se evidente pela característica do timbre do teclado e de como ele é colocado nas músicas. Confirma essa fonte de inspiração principalmente a regravação do hit dos Kinks “All Day and All of the Nght” que, a propósito, é parecidíssima com “Hello, I Love You” dos Doors tendo gerado inclusive uma suspeita de plágio na época de seu lançamento. Gravar “All Day...”, no fim das contas era como tocar Doors sem estar tocando “Doors”. “96 Tears’ e “No Mercy” que fecham a coletânea já demonstram uma inserção nos anos 80 com uma ar bem mais pop e acessível.
A obra-prima dos caras na verdade é o álbum “Black and White” de 1978, que tem a doida “Nice’n’ Sleazy” e a punkíssima “Enough Time”. Li também que o primeiro disco “Ratus Norvegicus” é excelente mas não ouvi ainda. O que tenho em casa e que devo ao fato de meu pai comprar “porcarias” por aí é este ótimo “Greatest Hists- 1977-1990”.
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FAIXAS:
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FAIXAS:
- "Peaches"
- "Something Better Change"
- "No More Heroes"
- "Walk On By"
- "Duchess"
- "Golden Brown"
- "Strange Little Girl"
- "European Female"
- "Skin Deep"
- "Nice in Nice"
- "Always the Sun"
- "Big in America"
- "All Day and All of the Night"
- "96 Tears"
- "No Mercy"
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sábado, 5 de setembro de 2009
Cotidianas #5 - O Maluco do Chevette Prata

Béééiinnn!!! Foooommm!!! Píííí!!!
Nossa, pra que tanta buzina? Não vai fazer andar o engarrafamento.
Que será que houve? Quase uma hora e pouco parado aqui. Devo ter andado uns duzentos metros nesse tempo. Acidente? Sei lá. Não quero nem saber. Assim, ouvindo um som eles quase não me incomodam.
Volume 13, 14, 15......... 22.
Não, não. Muito alto.
Volume 22 ............15. Agora sim.
Uau! Lindo. A guitarra parece que está serpentenado. Ouve só as cores do teclado. E a bateria então? Um relógio. (Precisa). Agora, o refrão. TUDO JUNTO. Demais!!!
Ih, será que alguém nos outros carros está me vendo dançar?
Olho pro ônibus à minha esquerda, nada. Olho pra direita e uma menininha no banco de trás do carro ao lado me olha com cara de espanto, com a boquinha entreaberta. Os pais conversando na frente nem me dão bola. Devem estar bravos demais com o engarrafamento que não anda, mas ela está ali me olhando com uma cara de “que que esse maluco tá fazendo?”.
Hehehe! “O maluco do Chevette prata”.
Ah! Dane-se! Continuo dançando.
Nossa, pra que tanta buzina? Não vai fazer andar o engarrafamento.
Que será que houve? Quase uma hora e pouco parado aqui. Devo ter andado uns duzentos metros nesse tempo. Acidente? Sei lá. Não quero nem saber. Assim, ouvindo um som eles quase não me incomodam.
Volume 13, 14, 15......... 22.
Não, não. Muito alto.
Volume 22 ............15. Agora sim.
Uau! Lindo. A guitarra parece que está serpentenado. Ouve só as cores do teclado. E a bateria então? Um relógio. (Precisa). Agora, o refrão. TUDO JUNTO. Demais!!!
Ih, será que alguém nos outros carros está me vendo dançar?
Olho pro ônibus à minha esquerda, nada. Olho pra direita e uma menininha no banco de trás do carro ao lado me olha com cara de espanto, com a boquinha entreaberta. Os pais conversando na frente nem me dão bola. Devem estar bravos demais com o engarrafamento que não anda, mas ela está ali me olhando com uma cara de “que que esse maluco tá fazendo?”.
Hehehe! “O maluco do Chevette prata”.
Ah! Dane-se! Continuo dançando.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
"Anticristo" de Lars Von Trier (2009)

Aguardava com muita expectativa para ver dois filmes, em especial, este ano: um, o já visto e comentado, “Arraste-me para o Inferno” de Sam Raimi e outro, o polêmico Lars VonTrier com seu “Anticristo”.
Fui assisti-lo na ultima terça-feira com muita expectativa mas também com muita reserva. A expectativa de um grande diretor que por mais que tivesse saído da sua rota normal, não faria nenhuma porcaria porque acima de tudo SABE dirigir e pelo que se havia dito a respeito do filme, queria ver como ele mergulharia nessa experiência nova dentro da sua carreira. Este fato novo para o diretor ao mesmo tempo me causava a reserva, uma vez que podia errar a mão ao tentar se aventurar por um caminho estranho. Além disso, parte da crítica (para quem eu também guardei alguma reserva) meio que minimizou intenções do diretor, possíveis significados e profundidade do filme, relegando-o a um mero exercício de escatologia, violência crua e imagens chocantes. Então assim eu sentei na sala de cinema: tendo que preliminarmente filtrar as impressões.
O início, chamado “Prólogo” dentro da divisão de partes do filme (seguido por “Luto”, “Dor: O caos reina”, “Desespero: Genocídio”, “Os três mendigos” e “Epílogo”), que nos introduz ao drama do casal que perde o filho pequeno, que cai de uma janela enquanto eles fazem sexo, é filmado com uma beleza admirável, com uma película em preto-e-branco, em câmera lenta e ao som de uma sinfonia de Handel. Já começa impressionando positivamente, ao menos no que diz respeito à beleza cinematográfica, o que virá a ser um contraponto a boa parte do que se seguirá, sobretudo em “Desespero” e “Os três mendigos”.
O desconsolo e o sentimento de culpa pela morte do menino pela distração do casal faz com que a mãe caia em depressão e não consiga aceitar o fato. Esta dificuldade passa a ser tratada pelo próprio marido, terapeuta, que dispensa os remédios e encaminha seu tratamento examinando os medos da esposa, onde ela revela ter medo da natureza, da floresta e associa estes elementos a Éden, um local retirado na floresta onde eles têm um chalé.
Lá, nas “seções” de análise que faz com a própria esposa percebe que as associações que ela faz dos elementos que lhe causam medo levam a práticas de satanismo e bruxaria, coisas que ela teria concluído na sua passagem anterior por Éden, quando estava apenas em companhia do filho estudando para uma tese sobre violência contra mulheres.
Na cabana em determinado momento depois de altos e baixos emocionais e com uma constante procura dela por sexo, parece que ela surta (ou é tomada por alguma coisa) e desencadeia uma série de atitudes brutais, desmedidas e inconseqüentes contra o próprio marido. Trier deixa no ar se aquilo é por conta do trauma, se faz parte de rituais, se Éden existe (nome sugestivo), e se existe se tem algum influência sobre as atitudes dela ou se tudo é um delírio pós-trauma. Nos sugere até uma participação voluntária da mãe na morte do filho como que para um sacrifício em nome das propriedades místicas que descobrira em seus estudos. Mas apenas sugere. Deixa nas entrelinhas.
O filme é cheio de símbolos e signos: o veado, a raposa, o pássaro (os três mend
igos), as bolotas de carvalho, os pés do menino, o granizo, a ponte, a floresta. Muita coisa deve ser considerada e outras não. Algumas imagens, como o próprio diretor afirmou fazem parte recordações de sonhos e delírios que tivera em um momento de doença, e algumas cenas inclusive são aleatórias e foram acrescentadas depois, na edição final. Algumas cenas são fortes demais, outras são forçadas demais e outras belas demais, mas sobretudo mostram que quem sabe, sabe. E quem sabe dirigir um drama, um policial, uma aventura, faz também um terror. E o terror de Lars Von Trier é sutil mas incrivelmente presente.
A construção do ponto onde pretende introduzir o terror é feita de forma tão minuciosa e inteligente que leva a esta série de incertezas, o que torna rico o argumento estabelecendo um novo patamar para um filme de um gênero tão básico e invariavelmente pouco inventivo. Lars Von Trier talvez sem querer, com suas imagens de sonhos, acabou fazendo um terror para pensar. Pode-se interpretar como uma afirmação de um poder superior das mulheres mas pode-se também interpretar como uma visão machista mostrando expondo uma ex
cessiva fragilidade e dependência feminina. Tomando por este ponto de vista, pode-se considerar a sugestão de uma possível ligação das mulheres com o demônio. Ou seria o homem? Ou no fim das contas seria a natureza o MAL? O Anticristo?
Hesito em aceitar a possibilidade de uma repentina revolta contra as mulheres, em primeiro lugar por sua obra recente na qual esta condição se revela exatamente oposta e mais ainda pela dedicatória no final do filme que faz a Andrey Tarkovski que costumeiramente destacava com brilho as mulheres de seus filmes.
Por fim, Lars Von Trier não é o melhor diretor do mundo como o próprio imodestamente veio a afirmar, mas mesmo com um filme um tanto irregular por causa de sua condição emocional, consegue um produto final com imagens fantásticas, impressionantes e plásticas e ainda de quebra acrescenta algo ao modelo cinematográfico em âmbito geral . Entre os grandes diretores dos últimos tempos com certeza ele está sim.
O início, chamado “Prólogo” dentro da divisão de partes do filme (seguido por “Luto”, “Dor: O caos reina”, “Desespero: Genocídio”, “Os três mendigos” e “Epílogo”), que nos introduz ao drama do casal que perde o filho pequeno, que cai de uma janela enquanto eles fazem sexo, é filmado com uma beleza admirável, com uma película em preto-e-branco, em câmera lenta e ao som de uma sinfonia de Handel. Já começa impressionando positivamente, ao menos no que diz respeito à beleza cinematográfica, o que virá a ser um contraponto a boa parte do que se seguirá, sobretudo em “Desespero” e “Os três mendigos”.
O desconsolo e o sentimento de culpa pela morte do menino pela distração do casal faz com que a mãe caia em depressão e não consiga aceitar o fato. Esta dificuldade passa a ser tratada pelo próprio marido, terapeuta, que dispensa os remédios e encaminha seu tratamento examinando os medos da esposa, onde ela revela ter medo da natureza, da floresta e associa estes elementos a Éden, um local retirado na floresta onde eles têm um chalé.
Lá, nas “seções” de análise que faz com a própria esposa percebe que as associações que ela faz dos elementos que lhe causam medo levam a práticas de satanismo e bruxaria, coisas que ela teria concluído na sua passagem anterior por Éden, quando estava apenas em companhia do filho estudando para uma tese sobre violência contra mulheres.
Na cabana em determinado momento depois de altos e baixos emocionais e com uma constante procura dela por sexo, parece que ela surta (ou é tomada por alguma coisa) e desencadeia uma série de atitudes brutais, desmedidas e inconseqüentes contra o próprio marido. Trier deixa no ar se aquilo é por conta do trauma, se faz parte de rituais, se Éden existe (nome sugestivo), e se existe se tem algum influência sobre as atitudes dela ou se tudo é um delírio pós-trauma. Nos sugere até uma participação voluntária da mãe na morte do filho como que para um sacrifício em nome das propriedades místicas que descobrira em seus estudos. Mas apenas sugere. Deixa nas entrelinhas.
O filme é cheio de símbolos e signos: o veado, a raposa, o pássaro (os três mend
igos), as bolotas de carvalho, os pés do menino, o granizo, a ponte, a floresta. Muita coisa deve ser considerada e outras não. Algumas imagens, como o próprio diretor afirmou fazem parte recordações de sonhos e delírios que tivera em um momento de doença, e algumas cenas inclusive são aleatórias e foram acrescentadas depois, na edição final. Algumas cenas são fortes demais, outras são forçadas demais e outras belas demais, mas sobretudo mostram que quem sabe, sabe. E quem sabe dirigir um drama, um policial, uma aventura, faz também um terror. E o terror de Lars Von Trier é sutil mas incrivelmente presente.A construção do ponto onde pretende introduzir o terror é feita de forma tão minuciosa e inteligente que leva a esta série de incertezas, o que torna rico o argumento estabelecendo um novo patamar para um filme de um gênero tão básico e invariavelmente pouco inventivo. Lars Von Trier talvez sem querer, com suas imagens de sonhos, acabou fazendo um terror para pensar. Pode-se interpretar como uma afirmação de um poder superior das mulheres mas pode-se também interpretar como uma visão machista mostrando expondo uma ex
cessiva fragilidade e dependência feminina. Tomando por este ponto de vista, pode-se considerar a sugestão de uma possível ligação das mulheres com o demônio. Ou seria o homem? Ou no fim das contas seria a natureza o MAL? O Anticristo?Hesito em aceitar a possibilidade de uma repentina revolta contra as mulheres, em primeiro lugar por sua obra recente na qual esta condição se revela exatamente oposta e mais ainda pela dedicatória no final do filme que faz a Andrey Tarkovski que costumeiramente destacava com brilho as mulheres de seus filmes.
Por fim, Lars Von Trier não é o melhor diretor do mundo como o próprio imodestamente veio a afirmar, mas mesmo com um filme um tanto irregular por causa de sua condição emocional, consegue um produto final com imagens fantásticas, impressionantes e plásticas e ainda de quebra acrescenta algo ao modelo cinematográfico em âmbito geral . Entre os grandes diretores dos últimos tempos com certeza ele está sim.
Cly Reis
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
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