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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Cotidianas #10 - A Letra do Morto


A LETRA DO MORTO

"Gosto dos cemitérios por serem eles cidades monstruosas prodigiosamente habitadas."
Guy de Maupassant, "As Tumulares" 

empre fui dado a catar souvenirs.
Por onde passo, de festas, viagens, encontros, levo alguma recordação. Não sei porquê. Talvez por medo de perder o momento.
Mas não se engane meu eventual leitor, não os roubo. Na maior parte das vezes, peço licença a um anfitrião ou conviva para levar a lembrança. A não ser quando está ali, ao dispor para que todos peguem. Como no aniversário da filha do Corrêa, onde a esposa, D. Amália, fez uns arranjos graciosos com flores e guirlanda. Vi que as mulheres, principalmente, quando prestes a irem embora levantavam e levavam os das suas mesas com a anuência de D. Amália. Percebendo que não havia mal algum, já me despedi dos anfitriões com o arranjo nas mãos.
Outro dia, devo revelar que em um desses encontros furtivos com uma amiga, antes de nos deixarmos, pedi que me desse algo para recordar nosso primeiro encontro.
Enrubesceu logo mal pensando, com certeza, ao que lha aliviei pedindo apenas o grampo que prendia a grinalda do chapéu.
Sou assim, guardo todos esses mimos. Chego a ter um quarto nos fundos, onde fora antigamente a senzala, no qual acumulo todas essas bugingangas. São broches de moças bonitas, lenços já com quase sem perfume, rosas ressequidas pelo tempo, taças de velhas comemorações, papéis de carta, brinquedos, cachimbos, pince-nezes, tudo.
Conto isto porque penso que um destes bibelots casuais tenha acabado por mudar meu destino em determinado momento. Deixe que lhes explique o porquê:
Por ocasião da morte do Seixas, colega de repartição, vítima de tuberculose, fui ao enterro no São João Batista, ali em Botafogo. Não que fosse muito chegado, muito próximo, não. Mas um pouco por respeito, um pouco porque os outros colegas podiam julgar mal minha ausência, resolvi por prestar minha última homenagem.
Também não sou daqueles nojentos e supersticiosos que não suportam cemitérios. Não. De minha parte até que se configurava um passeio assaz curioso. Perambular por entre covas, jazigos, sepulturas; cada uma com adornos mais interessantes que a outra: anjos, santos, cruzes latinas, cruzes gregas, até caveiras. Lápides das mais simples, só com mármore branco pobre, aos mausoléus mais espetaculares, com Nossa Senhora ajoelhada à beira do catre derradeiro do Filho retirado da cruz, tão perfeitos em pedra branca que se diriam ser os próprios.
Leontina das Neves, Antônio Amaro Rocha Brandão, Joaquim Maria de Alencar (saudades eternas), Quincas Lisboa de Assis (dos filhos e esposa que nunca te esquecerão). Foi assim passando os olhos pelos nomes, alguns curiosos e exóticos, outros comuns, que começou a se configurar meu infortúnio.
Ainda antes do enterro do Seixas, caminhando em direção à ala onde realizar-se-ia a cerimônia funeral, caminhando nas vielas, fiquei a pensar no que poderia eu levar dali, sem que ofendesse os mortos e que me satisfizesse a mania de colecionador. Pensei em flores mas já estavam secas e até malcheirosas, e as que estavam frescas, ora, eram ainda oferenda válida a um falecido. Uma tira de fita das corôas de flores, avaliei que seria igual despropósito. Um pedaço de mármore já meio rachado seria interessante, pensei eu, começando então a vasculhar a ver se algum estava em mau estado, quebradiço, esturricado; mas por minha má sorte, exatamente naquele trecho que percorria, todas as lápides estavam em perfeita conservação.
Temporariamente desestimulado do intento, apaguei da mente a idéia e segui em direção à saída. Tirei a mão do bolso e, como que criança, estendi um dos braços de modo a alcançar as sepulturas e roçar-lhes com as pontas dos dedos, tocando-as apenas pelo prazer de distrair as mãos com algo diferente durante aquele percurso. Nesse dedilhar de mármores e letras em relevo, uma delas, que por certo já estava meio solta, desprendeu-se então de todo da pedra com um levíssimo contato meu, desfalcando o nome que identificava o morto ali residente: JOSÉ TRANQÜILINO DE AZEVEDO _AVIER, 1854-1903.
O inusitado do incidente deixou-me com o “X” de Xavier na mão e não considerando ter cometido ilícito ou vandalismo, preferi atribuir meu benefício ao acaso, embolsando assim o souvenir sem culpa.
Mas só Deus sabe o quanto me custou alimentar meu hábito de acumulador de quinquilharias.
Como que de uma hora para outra minha sorte mudara. Logo que cruzei o portão do cemitério isto ficou claro e límpido para mim. Avaliando que não tinha eu mais o que fazer por ali e pensando que, àquelas horas, em tempo ainda poderia aproveitar minha ida a Botafogo para passar na casa do Vilela; ali no Largo dos Leões; para cobrar-lhe uns cinco mil-réis que me devia; resolvi correr para alcançar um tílburi que se afastava vazio e nesta, fui ao chão de maneira vexatória proporcionando um constrangedor espetáculo para todos que assistiam na rua. Por conta do ocorrido, humilhado pela situação, até desisti da cobrança do Vilela, subi no mesmo tílburi, que consegui fazer parar, e fui direto para minha casa. Como se não bastasse a vergonha pública, ao chegar em casa, notei que meu relógio, herança de meu avô, acabara com o vidro trincado por conta da queda. QUE AZAR!
Mas, amigos, este seria só o primeiro de muitos. Minha vida transformar-se-ia em um verdadeiro inferno. Desde então, só para enumerar, a jovem a quem eu cortejava passou a ignorar-me, assim sem mais; perdi 2 contos de réis, que não possuía, na mesa de Vinte e Um, na qual era habitual vencedor a ponto de se perguntarem meus parceiros de jogo, de onde tirava tamanha sorte; fui difamado por ocasião de um furto na repartição que, como não se esclareceu muito bem, manteve a injusta mácula do crime sobre mim, tornando-me mal-visto e disfarçadamente indesejado nas rodas sociais; enxarcaram-se meus livros em uma chuvarada que fez vazar o telhado justo sobre a biblioteca; e ainda me pegou fogo, sem motivo racional, na antiga senzala onde guardava os souvenirs.
Não sou supersticioso, como já disse mas, procurando entender porque me acometiam constantes insucessos, não pude deixar de associar o início da fase aziaga à retirada da letra da tumba. Retirada não! Nunca que a arrancara. Aquela caiu, soltara-se. Ora, mas a quem quero enganar? Não a extraí, não a broquei, é verdade, mas, sim, me aproveitei da brincadeira do destino de fazê-la soltar-se logo para mim, à minha frente, para então levá-la e poder dividir a culpa com o acaso. A quem pensava enganar? Profanara uma sepultura, brincara com os mortos, ofendera um defunto. Os céus, o mundo do além, a alma do sr. Tranqülino, deviam estar me cobrando agora tal injúria. Um Xavier sem X; ora, mas como pude? Gostaria eu, morto, que me aparecesse um João qualquer e retirasse o D, que fosse, do “descanse em paz” da minha lápide? Não, por certo.
Ponderei que o correto, para o bem de minha consciência e de modo a acalmar a fúria vingativa do falecido ultrajado, seria devolver-lhe o X. Decidido a não perder mais tempo e desfazer a maldição, corri ao São João Batista, não sem levar uma vasilha com um pouco de grude para o caso do carácter não querer fixar-se por bem.
Adentrei os mórbidos portões, que me pareceram agora mais assustadores do que nunca e dirigi-me para onde me recordava, vagamente, de ter recolhido o objeto. Andei entre as vielas, voltei, perdi-me, andei em círculos, até que, lá pelas tantas, vi-me frente a frente com a lápide aleijada do sr. Tranqüilino. Tratei logo, como que para abreviar meu sortilégio, de repor a letra no lugar. Ao contrário do que imaginava, nem precisei do grude e a peça encaixou perfeitamente como se nunca tivesse estado frouxa o suficiente para ter caído com um alisar de mãos. Pronto: estava refeito o Xavier do nome. Minha agonia acabaria. Teria o perdão silente do além. Mas não. Engano meu. Parece ter tido efeito contrário. As coisas pioraram.
Perdi muitas de minhas posses para pagar a dívida do Vinte e Um, que com o tempo só fez crescer, tive que vender a casa onde vivia na Glória e por causa do incidente do furto na repartição, nunca mais recuperei o bom olhar dos amigos que passaram, mesmo sem comprovação, a ver-me como larápio, não podendo eu contar com eles para ajudar a sanar minhas dívidas. Agora, doente,com um inexplicável mal, que nem a medicina nem curandeiros souberam explicar nem curar, me encontro entrevado nesta cama, nesta modesta pensão na Rua do Ouvidor; e a cada noite, juro-lhes amigos, todas as noites sem exceção, rogo pelo perdão do falecido, ou da casa dos mortos, ou de Deus, de quem quer que seja, pelo mero ato de ter recolhido do chão aquela letra, aquele X, que não sei até que ponto tem poder sobre tudo isso. Mas hoje, de toda feita, tudo o que me resta, e, a estas alturas, não custa tentar, é pedir perdão.

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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Os Causo de Dois Morro - "O causo da funda que derrubô um disco avoador" ou "Um Ósveni em Dois Morro" ou "O Causo do Osvardo"


Teve esse causo agora nos Rio de Janêro de derrubá um heliscópetero a chumbo, pois num foi? Teve aquele moço do cinema, do firme, o Debruço Willis, não é esse o nome?, que derrubô um bicho avoador desse, também, com um automóver. Mas essas coisa nem se compara ao que aconteceu em Dois Morro.
Foi- se o que aconteceu-se que um guri, um piá, tava brincando de caçá gaviota com uma funda. Ele catava os coquinho dos butiá, esticava a borracha e pim! Era ôtra gaviota derrubada.
Tava lá o piazito, o tar doRodrigo (purqui, ô criançada pra dá de sê capeta esses qui si chamo Rodrigo) e no de fazê mira pra acertar o anemar de asa, me passa um disco avoador bem na hora. O guri, qui já tinha engatilhado a funda, sortô a tira e o coquinho foi. Errou o bicho mas acertô direito no avião dos extraterrense. Aquela geringonça bambeô, bambeô, deu dois rodopio e caiu atráis do morro da esquerda.
A piazada toda correu pra lá pra vê, e pra falá a verdade uma porção de gente foi lá também, purque nunca qui tinha caído um ósveni em Dois Morro.
Cheguemo lá só que, na caída, o disco pegô fogo e todos os ET morrero. Todos menos um!
Um deles ficô vivo. Socorremo ele, tratamo ele, ele sarô das queimadura, fico amigo de toda gente, ficô amigo das criança e mora em Dois Morro té hoje. Nóis chama ele de Osvardo. Por caus’deque Osvardo? Ué, foi um nome quarqué qui nóis demo pr’ele.
Sei qui o Osvardo casô com a Leocrécia, vivêro bem por uns tempo, dispois o Osvardo deu pra bebê, perdeu o sítio no jogo e tá cada vêiz mais afundado na mardita.
Vive oiando pra cima e gritando pros céu pedindo pra argúem vim buscá ele. Quem num sabe da história do coquinho acha qui ele é loco de creditá em disco avoador.
Coitado do Osvardo!
postado por Chico Lorotta

domingo, 25 de outubro de 2009

Prodigy - Citibank Hall - Rio de Janeiro (24/10/2009)




Prodigy quebrando tudo!
O que é que foi aquilo ontem?
Destruição total!!!
Vou ter que conferir se o Citibank Hall ainda está em pé, no seu lugar, porque o Prodigy botou abaixo o lugar.
Já saíram anunciando a destruição do mundo com "World is on Fire" e aí, meu amigo, se abriu-se a roda punk e a ninguém segurou mais a galera.
Seguiu-se o agressivo hit "Breathe" que alucinou ainda mais o público e na seqüência, uma das novas queridinhas dos prodigianos, "Omen".
É verdade que houve alguns problemas de som no início e principalmente "Spitfire", que gosto muito sofreu com a deficiência no som dos samples. Tinha a batida, tinha o groove, mas aquele gemidinho cantarolado que conduz a música, e os efeitos ficaram bem sumidinhos. Outra que gosto muito, "Poison", perdeu força ao vivo. Não funcionou. Tanto que o próprio Liam Howlwet deu uma reduzida no tempo dela. "Voodoo People", ao contrário, ficou melhor no palco mesmo tendo perdido o peso daquelas guitarras sampleadas entrecruzadas da versão original, ainda que houvesse um guitarrista no palco. Legal que como ela é um dos temas dos intervalos do futebol americano, e no Rio o esporte é bem popular, parte do público ficava imitando com a boca um sample da música, criando sua própria versão.
O mundo em chamas!
A qualidade do som foi sendo corrigida aos poucos e parece que, muito convenientemente ela melhorou de vez na esperadíssima (e novo xodó dos fãs) "Take me to the Hospital", um verdadeiro atropelamento por um ômibus de dois andares,entoada em côro e puxando de novo a galera lá pro meio do tumulto. Muito foda!
A propósito disso, tanto "Take me...", quanto "World is on Fire", "Omen", "Invaders Must Die", e outras do novo álbum foram aguardadas e cantadas com o mesmo entusiasmo de uma "Firestarter", por exemplo, demonstrando o quanto o público dos caras é fiel e conhece o que a banda vem fazendo, ao contrário de muitas turnês de lançamento de álbuns, onde o público só fica esperando pelos antigos sucessos.
A citada "Firestarter" verdadeiramente "incendiou" o lugar e foi outro dos pontos altos do show na que foi a melhor performance de Keith Flint, que no palco, perde de longe para o Maxxim Reality, que é sim verdadeiramente um MC de presença e domínio. Flint é carismático, com aquele seu visual cyber-punk-Bozo, mas basicamente fica, na maior parte das vezes dançando (pulando) de um lado pra outro no palco.
A primeira parte fechou com a não menos esperada "Smack my Bitch Up" e os caras voltaram só para fazer a clássica "Out of Sapece", detonando, cheia de peso, de groove, mas carregada de raggae.
Uma verdadeira celebração! Uma festa punk! Um dos melhores shows de rock que já assisti. Mas sei que dirão "ROCK? Prodigy é eletrônico". Mais do que nunca ficou provado para mim que rock é mais do que um ritmo, um estado de espírito.
Aquilo era sim um show de rock.
Foi uma celebração!

Um grande show.
OUTROS TOQUES:

-Um horror a primeira banda de abertura lá no Citibank Hall, a tal de Montage.
Quando eu chegeui tavam tocando uma espécie de "funk carioca" meio Prodigy (se é que issso é possível) e lá pelas tantas tocaram uma versão esdrúxula de "I Wanna be Your Dog" que deixaria o Iggy Pop constrangido;

-Depois deles teve o projeto eletrônico do Igor Cavalera, ex-Sepultura com sua esposa, o Mix Hell.
Ruim, pra falar a verdade.
Coisa de criança que ganhou brinquedo novo. Sabe quando a criança quer brincar com todos ao mesmo tempo? É isso. Pra fazer música eletrônica com percussão ao vivo não se precisa utilizar todos os elementos da sua bateria ao mesmo tempo, e é exatamente o que faz o ótimo baterista. além disso as bases sonoras são pobres. As percussivas até são interessantes (como uma com uma sampler de berimbau), mas cansativas e mal aplicadas. No mais das vezes, sobre bases fracas e mal ensaiadas, o espetáculo ficou parecendo um mero exibicionismo de um grande bateirista sobre um improviso eletrônico.
Fraco, fraco.

-Ainda, pra aquecer a galera teve um DJ que, sinceramente não conheço, mas que mandou bem nas pick-ups, enquanto o pessoalzinho do Howlet naõ entrava. Acredito que fosse alguém da trupe deles mesmo, só pra galera não ficar impaciente. Bom DJ. Vou procurar me informar a respeito depois.



Cly Reis

sábado, 24 de outubro de 2009

Prodigy "Smack my Bitch Up"

Um dos clipes mais polêmicos da história.

A MTV americana proibiu total, a brasileira passava depois das 11 da noite, depois flexibilizou um pouco mais.

No fim das contas, acho muito barulho por pouco. De forte, FORTE mesmo, tem a cena da "cheirada". No mais, umas porradas aqui, outras ali; uma bebedeira, uns peitinhos e foi tudo o que precisava pros diretores da MTV "quase terem um filho".

Já que o Prodigy é hoje à noite aqui no Rio, vai aí, se não o melhor, mas o mais bombástico clipe dos caras.

Berinjela Beligerante

Hoje estreando uma nova tirinha: a Beringela Beligerante.

"Como é que é?"
"Beligera Belingerante? Beringela Beringelante? Belingera Beligerante? Beri..."

Ahhh!!! Não importa.
O que importa é que o Beringela tá sempre puto e qualquer coisa é motivo pra sair na porrada.
Com vocês a partirde hoje, BERINGELA BELIGERANTE




sexta-feira, 16 de outubro de 2009

"Che 2- A Guerrilha", de Steve Soderbergh (2009)




Depois da boa surpresa que foi “Che – parte 1”, fui dar uma conferida na seqüência. Sem muito entusiasmo para falar a verdade. Com a impressão de que, por mais que a trajetória do líder guerrilheiro tenha sido rica, não seria o suficiente para sustentar, com força, uma segunda parte.

Dito e feito. Depois da conquista da ilha no primeiro longa ficou muito pouco por mostrar. A “carreira” de guerrilheiro não vai muito além do que fora mostrado anteriormente e não tinha nenhuma necessidade em ser realçada, caso esta fosse a intenção.
Nem o filme, a película propriamente dita se justifica enquanto obra. Soderbergh produz um filme muito inferior em técnica, recursos, roteiro e ousadia se comparado com o primeiro e não consegue dar ao novo nenhum brilho.

De positivo, a ótima interpretação de Benício Del Toro, como já havia acontecido na primeira parte, a cena de combate na mata boliviana e a cena da morte do revolucionário, onde o diretor usa a câmera como os olhos de Che vendo seu executor.

Tipo do filme desnecessário. Valia mais dar uns quinze minutos a mais de duração no anterior e acabar por ali, ou nem isso, simplesmente ao final do filme escurecer a tela e mostrar um texto na tela resumindo que Che, já legendário por conta da sua atuação em Cuba, vai para o Congo, entra ilegalmente na Bolívia para liderar a revolução naquele país e é capturado depois de um ano e executado pelos militares bolivianos associados à CIA.

Desculpem ter contado o final mas acho que todo mundo já sabia, não?





Cly Reis

Cotidianas #9 - "Cidade"





poema "Cidade"
de Augusto de Campos

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

"Terra em Transe", de Gláuber Rocha (1967)



Assisti no sábado, novamente, a um dos filmes mais significativos do Cinema Novo brasileiro: "Terra em Transe" de Gláuber Rocha.
"Terra em Transe" é ainda hoje uma das alegorias políticas mais notáveis do cinema com sua sugestão de comparação com um lugar fictício "muito parecido com o Brasil" chamado Eldorado.
Admirável pela sua fotografia com o preto-e-branco extremamente realçado nos contrastes, pelos enquadramentos na cara dos atores, pela atuação de Jardel Filho, "Terra em Transe, na minha opinião, acaba perdendo um pouco do brilho no texto, que, se por um lado é ousado e inovador, por outro tem um discurso extremamente direto em muitas situações, perdendo um pouco da poesia e passando quase que por um documento de protesto e denúncia. Podia até ser adequada e apropriada para a época, mas o prórpio diretor conseguiu ser tão contundente com mais sutileza em filmes como "Deus e o Diabo na Terra do Sol" e o "Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro".
A poesia fica por conta da imagem do cinema de Gláuber, sempre muito artística e trabalhada, e com os textos intensos e marcantes do conflituado poeta Paulo Martins, contrastando com falas às vezes cruas demais. É com a angústia de um homem confuso sobre a sua condição de cidadão, sobre sua consciência política, se sentindo enganado por aqueles a quem devotou confiança, decepcionado com sua pátria, que, ferido, à beira da morte, o poeta grita: "É preciso resistir, resistir! Eu preciso cantar!"





Cly Reis

sábado, 10 de outubro de 2009

Coluna dEle #12


De volta hoje com a participação dAquele colunista que vocês tanto amam e que segundo diz, ama todos vocês.

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chagando, chegando.
E aí, na boa?
E esse negócio de Prêmio Nobel pro Obama, hein?
Não sei muito bem o que pensar disso ainda. Não sei se ele já deu alguma contribuiçãããão em nome da taaaal da paz até agora.
Tá certo, que o carinha mostrou uma boa vontade em tirar as tropas do Iraque, fechou Gunatánamo, tá... E daí?
Sei que vocês aí embaixo se animaram com o cara quando ele assumiu e tudo mais, mas Eu vou esperar pra ver esse negócio de paz quando pisarem nos calos dele e ele tiver que mandar bombardear alguém.
Vamos ver, vamos ver...

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O meu guri quando teve aí tentou esse troço de paz e boa vontade, de perdoar inimigos e o cacete, e vocês viram o que fizeram com ele.
Prêmio Nobel? Que nada! Deram uma cruz bem bonita com uns pregos desse tamanho.
Como diz o Dunga: “quem bate esquece, quem apanha não”.

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A propósito de Dunga, pra vocês aí que não davam nada pelo cara até que ele tá botando moral. E nem é ajuda minha,não. Eu só não atrapalho quem trabalha sério.
Não gosto muito de algumas escolhas do cara, tipo Maicon de titular, Felipe Melo que eu não sei de onde ele tirou, mas, vá lá. Tá dando certo, . Pra quem viu Carlos Alberto na lateral em 70 como Eu vi, não pode aceitar um Maicon da vida. Mas agora: o Lúcio mata a pau, hein! Dá gosto de ver o cara jogar.
Mas vou parar de falar de Seleção Brasileira porque dizem que Eu puxo muito pra vocês.

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Mas não posso deixar de falar do Dieguito.
(Que situação, hein!)
Usa a tal da “Mão de Deus” agora pra classificar teu timezinho, usa.
Aquele pessoalzinho lá do Prata fica elevando demais esse cheirador e ele fica se achando mesmo. Acho que ele acreditou que era Deus. Hohoho!
Mão de Deus só tem uma, meu velho. Aliás,... tenho duas.

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Ainda no esporte, acompanhei esse troço todo de Olimpíadas pra vocês aí do Rio.
Pelo que Eu vejo estou dispensado de todas as minhas tarefas aí. Ao que noto a Olimpíada vai resolver tudo. Li até que vai acabar com a desigualdade social. PUXA! Eu pensei que só nós aqui de cima que fazíamos milagre.
Mas em todo caso, boa sorte, galera. Sem brincadeira, de minha parte, no que Eu puder ajudar, tamos aí.
Se os caras de gravata tomarem vergonha nas suas caras deslavadas e não aproveitarem rios de verbas para roubarem muito, até que pode ser legal.

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Juízo, hein!
Juízo!


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Dúvidas, sugestões, reclamações, preces, súplicas, desejos
e-mails para o: god@voxdei.gov

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Death in Vegas "The Contino Sessions" (1999)


Não sei se agradeço ou se amaldiçôo a meu “livro da vida”, o “1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer” que cada vez mais faz aumentar minha discoteca. Meu espaço já está exíguo, minguado, quase acabando mas a minha bíblia dos discos sempre me apresenta alguma coisa nova fascinante.
Desta vez, estou eu lá percorrendo os “anos 90”, já no finalzinho -um dos últimos álbuns da década- e topo com um pessoalzinho que eu tinha ouvido falar bem por alto, de passagem mas que nem sabia do que se tratava. Aí vou lá e leio o que fala do disco: da mesma linha dos Chemical Brothers, com participação de Bob Gillespie do Primal Scream, com participação de Jim Reid do Jesus and Mary Chain, participação de Iggy Pop em uma que provavelmente é das suas melhores interpretações... Cara, que que é isso?
Aí fui eu lá ouvir os caras pra ver se era tudo isso mesmo e para minha agradável surpresa era melhor.
Dirge”, a faixa de abertura, é uma sinfonia catártica que vai-se montando a partir de um doce cantarolado que vai se repetindo enquanto elementos vão se juntando na canção até que tudo culmine num êxtase instrumental.
Soul Auctioneer” tem a marca de Bob Gillespie com aquele seu vocal relaxado e versos mal-encaixados, bem Primal Scream. “Death Threat” é outro dos pontos altos e assim como “Dirge” vai se montando aos poucos, mas aqui o ponto de partida é um efeito, um sampler, que acaba compondo uma base funkeada e que passa a ser o fio condutor desta música que remete claramente aos mestres do Kraftwerk por conta da utilização de sons de telégrafo como os de “Radioactivity”.
O insuportável mas genial Jim Reid dá sua grande contribuição a “Broken Little Sister”, conferindo aquele peso, aquela sonoridade do Jesus a uma base eletrônica que, por sinal, não soa como tal.
Iggy empresta sua voz, talento e carisma para “Aisha”, onde na verdade ele não canta, ele quase que declama, interpreta, se declara um serial-killer mas curiosamente sem toda a agressividade punk que o marcou durante toda a carreira. “Aisha” é um funk limpo, sofisticado, bem conduzido com uma linha de base muito bem escolhida.
Todas são ótimas, “Flying”, “Lever Street”, “Alladin Story” e a bela “Neptune City” que fecha com estilo o álbum.
Resultado: ouvi, adorei e foi mais um para a minha prateleira de CD’s.
Os espaços estão acabando.
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FAIXAS:
1."Dirge" - 5:44
2."Soul Auctioneer" – 5:59
3. "Death Threat" - 4:50
4."Flying" – 7:06
5."Aisha" - 5:54
6."Lever Street" – 3:39
7."Aladdin's Story" – 4:45
8."Broken Little Sister" – 5:18
9."Neptune City" – 4:43

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Ouça:
Death In Vegas The Contino Sessions


Cly Reis

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

cotidianas #8 - Conversa Entre Aspas


Crase morri, ontem
no pretérito perfeito
acometido de violenta interjeição.
Hifenizei, ponto final,
Tomei acento
Podia ser minha antiga conjunção.

Respirei fundo, tomei um substantivo
que um advérbio ali do lado me alcançou.
Levantei sentindo ainda meio oblíquo
Mas fui saindo sem demonstrar preposição

Despedi-me
e apanhei meu circunflexo
e as reticências que deixei cair no chão.
Ainda tonto procurando encontrar nexo
Saí na rua e ali na aliteração

A um sujeito que vendia artigos masculinos
Perguntei onde encontraria alguma próclise
Agradeci e fui ao etimologista
Que logo disse “ora, tudo se resolve”

Que lhe mostrasse minha língua portuguesa
e se não tinha nenhum vício de linguagem
Disse que não “Sei lá eu. É o que eu acho”
mas entre aspas entendi sua mensagem

“Serei direto”, disse, “não farei rodeios
e é melhor que o senhor desde já reze.”
“É que o senhor tem inflexão nos seus dois pontos,
E na verdade sofre de uma catacrese.”

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"Conversa Entre Aspas"
Samba-canção-chorinho-rock
da banda Hímen Elástico (Cly, Lúcio, , Lê, e Pereba)
letra Cly, música Cléber Leão
Porto Alegre (1999)