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domingo, 18 de julho de 2010

O Frango Atirador

"À Prova de Morte", de Quentin Tarantino (2007)



Fui assistir ontem a "À Prova de Morte", de Quentin Tarantino e,... nossa, por que ainda tentei?
O filme é muito ruim. RUIM, RUIM, RUIM!
Dir-me-ão que a proposta era esta, de fazer um filme com referências nos filmes de 5° categoria, exploitation, grindhouse, etc., sim, eu sei de tudo isso. Agora, então se a ideia era a de fazer um filme horrível, Tarantino teve sucesso, porque o troço é um lixo. (E escreve aqui alguém que gosta muito e admira este diretor)
Dirão muitos que provavelmente gosto de seus filmes pelos motivos errados, que não sei apreciar as sutilezas, sua estética própria e particular, seus diálogos e tal, mas neste projeto nem isso é bom.
Acabou acontecendo com "À Prova de Morte" o que eu temia que acontecesse, e por isso relutei em assistir a "Bastardos Inglórios"; uma mera repetição de tarantinismos: um amontoado de referências cinematográficas, uma série de exercícios estilísticos, auto-referências de uma marca consolidada, brincadeiras como as marcas de cigarro e fast-foods, violência extrema chocante, e aquela famosa "encheção de linguiça" dos diálogos longos e didáticos. Não estou desfazendo destes elementos que, no mais das vezes nas obras anteriores, aprecio muitíssimo, mas neste, ficam desvalorizados parecendo apenas ter intenção de homenagear ao próprio cinema e confirmar sua assinatura e grife. Os diálogos longos, então, outrora tão interessantes e instigantes (tome-se o do Cel. Hans Landa no início de "Bastardos Inglórios" ou a conversa sobre o Super-Homem de "Kill Bill 2" como exemplos), em "Death Proof" são absolutamente cansativos e improdutivos. Na metade do filme eu já estava impaciente para saber quando é que ia acabar aquela celeuma.
De bom mesmo, tem as duas cenas clímax das duas metades, por assim dizer, em que o filme se divide, pois praticamente consiste em duas enrolações longas com um ápice em cada uma; na primeira com a fantástica e hiper-real colisão dos carros, e no final da segunda metade com a empolgante perseguição na auto-estrada. Legal também o tipão do personagem principal, o Dublê Mike, o dono do carrão à prova de morte, que tirando a cicatriz, ficou parecido como Morrissey (hehehe).
Felizmente fui ver o posterior "Bastardos Inglórios" antes deste famigerado "À Prova de Morte". Acabou funcionando como uma espécie de máquina do tempo, pela qual fui ao futuro, dei uma espiadinha no que Tarantino faria depois e voltei ao presente. No presente vi ISSO mas sabendo o que "virá" depois, fico bem mais tranquilo.



PS.:(e só para lembrar, eu adoro Tarantino)


trailer "À Prova de Morte"




Cly Reis

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Fazendo turismo na cidade onde vivo





MARACANÃ - Rio de Janeiro (10/07/2010)

Por incrível que pareça, mesmo morando no Rio há seis anos e já tendo visto um bocado de jogos no Maracanã, nunca havia feito a tour do estádio. Sábado passado, aproveitando a visita de meu irmão à capital fluminense, banquei de guia e ao mesmo tempo turista no legendário palco da Copa de 50.
com a marca de Falcão, na Calçada da Fama
Para amantes do futebol como eu, é uma coisa mágica estar ali entre as pegadas dos maiores nomes do futebol brasileiro e mundial na Calçada da Fama, localizado logo no início do passeio. É como se estivéssemos entre os mestres, como se, com os pés gravados ali, suas energias estivessem presentes; cada jogada, cada drible, cada gol: Garrincha, Zico, Beckenbauer, Pelé, Ghiggia, Ronaldo; todos ali. Encontrei até os ídolos do meu time, o Internacional, os inesquecíveis, Figueroa, Falcão (que fiz questão de tirar foto junto às pegadas) e Carpeggiane que também brilhou no Rio defendendo as cores do Flamengo.
Já no interior do estádio um grande hall traz imagens de momentos inesquecíveis vividos naquele palco, desde os títulos e decisões dos quatro grandes da capital, passando por momentos históricos como o Gol 1000 do Rei, até a momentos como shows de Sinatra , Madonna e Stones.
O Rei comemorando o milésimo gol.
Subindo, lá nas cadeiras, se tem a visão ampla do estádio e todo seu porte na visão do torcedor; e descendo dali, indo aos vestiários, a mesma sensação mas do ponto de vista de quem faz o espetáculo, do nível do gramado, como uma pequena mostra do que deve ser estar ali, dentro do campo, jogando; jogando bola.
Agora, não sei por quê, desde a primeira vez que fui ao Maracanã, a imagem que tenho na cabeça olhando para o campo é a do Ghiggia invadindo pela direita em velocidade e chutando rasteiro no canto entre a trave e o goleiro Barbosa. Queira ou não queira, esta é minha imagem definitiva do estádio e que, provavelmente não se apagará nem com um título em 2014.
Ah, e a propósito, tenho uma camisa retrô do Ghiggia do gol de 50.


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'turistando' no gramado
Detalhe: Realmente o Maracanã, por mais simbólico e legendário que seja, precisa, sim, de reformas e modernizações consideráveis para encarar um mundial e ser o principal palco como se pretende.
Está velho, ultrapassado e fora dos padrões atuais de conforto, acessibilidade e instalações.
Mãos à obra!
A Copa tá logo ali.








Cly Reis

quarta-feira, 14 de julho de 2010

"Toy Story 3", de Lee Unkrich (2010)



Fui assistir ontem a "Toy Story 3".
Cara, muito legal!
Lindo, lindo! Não sei se fico com essa impressão por ter sido uma criança que brincou muito, que valorizava seus brinquedos, e que tinha aquela criatividade de improviso com os brinquedos que tinha, como mostra no filme, mas sei que ele deixa essa gostosa sensação de nostalgia. Deixa também, em determinado momento uma certa sensação de culpa, é verdade, por não termos guardado até hoje brinquedos tão VALIOSOS para nós naquela fase da vida; mas depois, o próprio filme trata de nos conceder o perdão.
Mas não fica só no lado emocional da coisa: talvez dos três filmes da franquia, seja o que tenha mais ação e a mais intensa de todas. Só para se ter uma idéia, a creche onde vão parar os brinquedos do Andy; o dono do boneco xerife Woody, agora um adolescente pré-universitário; acaba se tornando uma espécie de campo de concentração do qual eles tem que fugir para não ser destroçados por crianças que não sabem conservá-los direito e para fugir do jugo de um ursinho de pelúcia que se torna malvado deposi de ter sido abandonado por sua antiga dona.
Olha, um barato!!! Se não é algo assim brilhante, genial, um clássico, é emocionante para quem ainda é um pouco criança e adorava brinquedos na infância, e principalmente, é diversão garantida.

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Como único porém - não sei se eu que tô ficando muito chato, se não enxergo direito ou se as nossas salas de projeção não tem qualidade - achei o 3D praticamente desnecessário e , novamente justificável apenas por uma ceninha que outra. O que não tira de modo algum todos os méritos visuais do filme. 



trailer "Toy Story 3"




Cly Reis

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Coluna dEle #18


Só por causa da Copa, o Cara me fica mais de um mês sem mandar um post.
Tá foda, hein!
Tá cada vez mais insustentável manter o espaço dEle no blog.
(Que Ele mesmo me dê paciência pra agüentá-lo.)
Mas, então tá...Dessa vez passa. Já que já escreveu mesmo, aí vai a Coluna dEle.

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Tô na área, galera, se derrubar é pênalti. Hehehe! Por falar em pênalti, o que esses juízes erraram nessa Copa não foi brincadeira! O que foi aquele gol da Inglaterra??? Quase meio metro pra dentro!!! E o impedimento do Tevez??? Tá de palhaçada que não viu aquilo!!! Tá certo que tem coisas que só Eu consigo ver porque são, ali, no detalhe e tal, e afinal de contas Eu sou Eu, mas essas aí TODO MUNDO viu.
Tem que botar mesmo tecnologia no futebol, cara! Eu tento ajudar os caras a enxergar, a marcar certo mas tem uns que, cá entre nós, até sei que realmente não enxergam muito bem, uns são meio distraídos, outros são ruins mesmo. Agora, mas tem outros aí, que eu sei, e posso assegurar, que são mesmo mal intencionados, mesmo. Aí, ó, só com uma tevezinha na beira do campo pra derrubar essa ladroagem. E além do mais tem que parar essa coisa de o juiz ser a autoridade máxima, decisor supremo, que só vale a decisão dele e ponto final, afinal de contas, o árbitro não é Eu.

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E a propóstio de querer ser Deus, o Dieguito foi um personagem à parte, não?
Tá certo que tem o Messi no time, que às vezes faz coisas que até Eu duvido, mas desorganizado daquele jeito, aquele time não podia ir muito longe. Com um “treinero” que nem Maradona, nem Eu podia fazer milagre pra eles ganharem copa ou qualquer coisa. E não adiantava nem ficar fazendo aquele monte de sinal-da-cruz pra mim o tempo todo que não ia adiantar nada. Eu fiquei foi cansado de ser invocado toda hora.
A bolinha do time dele até deu pro gasto contra uns pobres coitados, mas foi só pegar alguém que jogasse um pouquinho mais que caiu a casa. Mas é isso aí Maradona: tu como técnico foi um excelente jogador. Mas só isso: UM EXCELENTE JOGADOR! Nada que não justifique a tua pretensão de ser Eu (ainda que eu tenha que admitir que nem Eu faria aquele gol contra a Inglaterra em 86).

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E ainda no embalo de Copa e falando em treinador novato, o caso do Dunga foi mas ou menos o mesmo. Só que aí foi mais grave, porque de tanto receber pedidos pr'a gente... quer dizer pro Brasil ser campeão, dei pra ele uns reforços de última hora pra garantir o caneco e o cara não aproveitou. Deixei o Ganso e o Neymar tinindo, metendo gol, driblando todo mundo, prontinhos, e disse “é só convocar os meninos”. Ele, teimoso, não levou os garotos. Deu no que deu.
Eu fiz o que pude.
Dou pra ele o Hernanes e ele leva o Felipe Mello. Paciência! Depois vem dizer que Eu não ajudei.
(sei que o blogueiro, que defende o Dunga, discorda quanto aos Meninos da Vila, mas, sinceramente, eu tô me lixando pro que ese cara pensa)

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Agora, o que também não ajudou ninguém foi aquela bola!
Cruzes... , ôpa, digo, Nossa!!! (o JC não gosta que fale cruzes porque não traz boas lembranças pra ele)
Nossa!!!
Os caras chutavam prum lado e a tal Jabulani ia pro outro. Loucura!
O pessoal, aqui em cima, vendo que a coisa tava estranha tentou ajustar o vento, a pressão atmosférica, a resistência do ar, pra adaptar às manias daquela da bola, pra ver se a coisa normalizavak mas nem isso adiantou. Nunca vi bola assim!
Mesmo assim a galera aqui de cima comprou uma aqui pra jogar nas peladas. Aí cheguei à conclusão que aí embaixo era só choradeira de quem não sabe chutar. O Didi, o "Príncipe Etíope" na primeira falta que teve, na frente da área, tacou-lhe uma folha seca que a tal Jabulani foi morrer lá no ninho da coruja. E olha que era o Yashin quem tava no gol!
Pra quem sabe não tem essa de bola boa ou ruim.

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Mas na boa, ainda bem que acabou a tal Copa. É que o meu guri, o JC, comprou o tal do álbum, e a patroa ficava folheando e dando sua avaliação nada técnica sobre os jogadores, tipo, "esse é gato", "aquele é bonitinho", "fulano tem umas coxas"... Ah, peraí um pouquinho! Vam’ se respeitar. Copa pra mulher só serve pra isso mesmo. Futebol que é bom, nada.
E o pior é que, não sei como, por incrível que pareça, sem sacvar bulhufas do negócio, foi Ela quem ganhou o bolão lá em casa. Nem Eu tenho explicação!

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Mas no caso da Espanha, depois que o Brasil saiu, Eu resolvi dar uma chance pros caras. Faz tempo que eles vão cheios de confiança, chegam pertinho e cablum... levam um tombo. Mas vocês não sabem, às vezes, o quanto me dá trabalho fazer as coisas acontecerem. Se Eu não dou uma forcinha daquela bola contra o Paraguai entrar, depois de bater três vezes na trave. Se fosse pros pênaltis eu não teria como garantir. Aí é loteria.

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Acabou a Copa, agora é hora de voltar ao trabalho. Tenho um Mundo pra cuidar e vocês não imaginam o quanto vocês me dão trabalho, crianças. Além do mais tem uma pilha de papéis na minha mesa e um monte de coisas atrasadas que não fiz no útlimo mês porque tava na frente da TV vendo jogo.
Té +
Fiquem Comigo e que Eu os abençoe!

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Súplicas, desejos, orações, reclamações, xingamentos e sugestões para
god@voxdei.gov

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A Fúria

Finalmente a Espanha deixou de ser uma promessa, deixou de ser uma expectativa, deixou de ser a amarelona, um injustificado favorito, e finalmente justificou o apelido de "Fúria". Não foi FÚRIA porque tivesse jogado um futebol vigoroso como o do Uruguai, viril como a sua adversária da final, a Holanda, ou agressivo e destemperado como o de um Felipe Mello; mas fez jus ao apelido, sobretudo, pela determinação em vencer. Uma constante vontade, gana, garra em busca do gol.
Sinceramente não cria na Espanha. Pensava que, como sempre, assim que topassem com a primeira camisa de peso, desabariam e voltariam pra casa com o rabinho entre as pernas desmontando todas as previsões, expectativas e teorias de críticos, cronistas e jornalistas. Mas desta vez a história foi diferente e quando deram de frente com o monstro de Copas, a Alemanha, não se intimidaram e mandaram os bicho-papões pra casa. Aí estava a comprovação de que realmente haviam subido um degrau, e este degrau levava ao patamar até então só alcançado por aquele seleto grupo de Brasil, Argentina, Uruguai, Alemanha, Itália, Inglaterra e França, aos quais a Espanha se junta agora.
Não sou dos que acham a seleção espanhola um exemplo de futebol; não penso que eles tenham feito nada muito mais brilhante do que qualquer outro. Nada disso de futebol arte e papapá, bebebé como vão querer decretar agora. Reconheço, sim, os méritos de uma seleção bem entrosada, com bom toque de bola e com um objetivo bem traçado dentro de uma partida. Prova de que não fora uma máquina ofensiva foi que não fizeram uma penca de gols ao longo do mundial. Não deram sequer uma goleada. E a prova de que não foram atacantes cegos, desvairados, foi que quase não tomaram gols. É isso ai: futebol é equilíbrio e sobretudo, a Espanha foi a mais equilibrada da Copa. Nada brilhante, nem espetacular, apenas muito equilibrada e competente, e por isso, com todos os méritos, agora faz parte do ilustre clube dos Campeões Mundiais de Futebol.


C.R.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Tiras Soltas


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quarta-feira, 7 de julho de 2010

O Frango Atirador

cotidianas #34

- Foi impedimento! - afirmou para tentar dar a entender que entendia alguma coisa de futebol.
- Lateral, Docinho. Foi só lateral. - corrigiu ela com aqule ar meio de "Senhor, dá-me paciência".
Não é que não gostasse de futebol, mas nunca simpatizou muito com aquilo. Sempre foi mais de um Mérimée a um Zidane, de um Borges a um Maradona, de um Machado a um Pelé. Era um amante da cultura, do cinema, dos livros; era um vivedor mental.
Desde o colégio era assim. Não concordava que só porque era menino tivesse que jogar bola, conhecer jogadores e tudo mais. Preferia devorar uma "Moby Dick" do Melville no recreio a correr atrás de um caroço de couro, habitualmente carcomido e estropiado. Até achavam que era meio efeminado por não compactuar com aquele gosto coletivo natural masculino, mas não tinha nada a ver com isso. Tanto gostava de mulher que estava ele agora ali com aquela mulata. Que preta linda! Que mulher maravilhosa. Só tinha um defeito, se é que se poderia chamar assim: adorava futebol. Era flamenguista fanática e até sabia de cor a escalação do time de 81, coisa que muito marmanjo dos mais fervorosos torcedores, por incrível que pareça , não sabe.
Encontro tão inusitado entre uma típica brasileira representante do povão e um nerd intelectualóide da Tijuca só poderia dar-se mesmo num meio termo entre o cultural e o popular: ou seja, numa exposição-palestra sobre cultura negra que teria na programação uma roda de samba no final da noite, como demonstração da riqueza e influência fundamental da música negra na cultura brasileira. Interessou aos dois. E ambos se interessaram um pelo outro.
E agora, dois meses depois, estavam ali em  frente à TV, ele tentando ser flexível e assistir a um jogo de futebol e ela simplesmente tentando assistir ao jogo de futebol.
- Só no chuveirinho não dá! - instruiu ela - Fica fácil pra defesa! - e bateu com os braços numa demosntrçaõ de desânimo momentâneo.
E ele só observou e assentiu levemente com a cabeça como que concordando.
- Banheira!- gritou ela - Tava na banheira, pô!
- Mas, Preta, não tava no chuveirinho? Não é banheira, você tinha falado chuveirinho. - argumentou ele supondo estar dando alguma contribuição com a correção.
- Não, não tem nada a ver. São coisas diferentes.
E continuou o jogo. Continuou a torcida dela e o constrangimento dele. Até que ela num sobressalto:
- Divide essa bola! - pro jogador na TV.
E ele em tom de dúvida:
- Mas pode dar um pedaço da bola pra cada time? Ah, é melhor porque daí sai mais gols, né?
- Não é isso. Dividida é quando dois vão disputar a bola, chegar junto. - explicou sem tirar os olhos da jogada e seguiu bradando na frente do aparelho:
- Cuida a segunda bola, a segunda bola.
- Ah, mas você falou que não tinham dividido! Como é que agora tem duas bolas?
Até que perdeu a paciência e virou pra ele com o dedo em riste:
- Se tu não me deixar assistir o jogo, eu é que vou arrancar as tuas duas, entendeu?
Ficou quieto pelo resto do jogo.
Por incrível que pareça se dão bem. Continuam juntos. Ele é que procura evitar interagir muito na hora que ela está assistindo ao futebol.

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terça-feira, 6 de julho de 2010

cotidianas #33 - Metrópole






"É sangue mesmo, não é mertiolate"
E todos querem ver
E comentar a novidade.
"É tão emocionante um acidente de verdade"
Estão todos satisfeitos
Com o sucesso do desastre:
Vai passar na televisão
"Por gentileza, aguarde um momento.
Sem carteirinha não tem atendimento -
Carteira de trabalho assinada, sim senhor.
Olha o tumulto: façam fila por favor.
Todos com a documentação.
Quem não tem senha não tem lugar marcado.
Eu sinto muito mas já passa do horário.
Entendo seu problema mas não posso resolver:
É contra o regulamento, está bem aqui, pode ver.
Ordens são ordens.
Em todo caso já temos sua ficha.
Só falta o recibo comprovando residência.
Pra limpar todo esse sangue, chamei a faxineira -
E agora eu vou indo senão perco a novela
E eu não quero ficar na mão
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"Metrópole" 
Legião Urbana
letra: Renato Russo

Ouça:
Legião urbana Metrópole

domingo, 4 de julho de 2010

sábado, 3 de julho de 2010

O maníaco da vuvuzela

Este ilustre blogueiro no estande da Sony no FIFA Fan Fest.
Rock'n Roll!!!
(o que é um homem quando perde a noção do ridículo, não?)




Veja outros vídeos do estande Sony na arena da FIFa na praia de Copacabana
http://www.youtube.com/ativacaobloggie

FIFA FAN FEST - Praia de Copacabana - Rio de Janeiro

DIRETO DA ARENA FIFA FAN FEST - Aproveitei hoje que diminuiu o movimento aqui no FIFA Fan Fest, por conta da desclassificação do Brasil pra assistir Paraguai e Espanha e conhecer a arena da Copa em Copacabana.
Bem legal! Pessoal na areia, choppinho, futebol. Só esperando gol do Paraguai.
Depois eu posto mais. Agora vou ver o jogo.

Novidades Animadas

Fiz recentemente duas aquisições relacionadas com o fascinante mundo dos desenhos animados, que de certa forma coloriram nossas infâncias e mesmo hoje ainda fazem mundo marmanjo parar na frente da TV e dar risada das "maldades" do Pica-Pau, do sadismo do Pernalonga ou do silêncio charmoso da Pantera-Cor-de-Rosa:

"ANIMAQ - O ALMANAQUE DOS DESENHOS ANIMADOS", de Paulo Gustavo Pereira

Um deles é "ANIMAQ - O Almanaque dos Desenhos Animados", uma publicação que acaba sendo um adorável exercício de nostalgia para os fãs de desenhos animados. Lembrar de desenhos esquecidos, de personagens queridos, seus gritos de guerra, seus bordões, seus uniformes. O livro faz uma linha de tempo, desde os anos 30 até hoje, com as datas de produção e exibição, com breves descrições do desenho citando origens, apetrechos, frases, temas musicais e em alguns casos episódios marcantes.
Bastante completo e bem pesquisado, vai desde Betty-Boop, passando pelos clássicos da Hanna-Barbera (Zé Colméia, Flintstones, Scooby-Doo), os da Warner Bros. (Pernalonga, Papa-Láguas, Patolino); os heróis da Marvel (Homem-Aranha, Homem-de-Ferro) e os da DC (Batman, Super-Amigos), citando mangás como Speed-Racer e Cavaleiros do Zodíaco, até chegar aos mais atuais como South Park, Dexter ou os Backyardigans.
Ponto negativo são as excessivas repetições de informação, tipo, se um desenho teve mais de uma versão em décadas diferentes, automaticamente alguma informação acaba sendo mencionada novamente no texto da outra temporada, bem como quando faz menção a desenhos relacionados (algo como, falar de Wally Gator na parte dedicada a ele e repetir a informação quando fala da Hiena Hardy porque fazia parte do Show do Wally Gator também) ou voltar a falar de todos eles nos textos especiais sobre as produtoras (HB, Warner Bros., Disney) o que acaba só acumulando linhas, páginas e deixando por vezes uma leitura ou pesquisa que deveria ser prazerosa, cansativa, repetitiva e meio chata. Mas este defeitinho não é suficiente pra derrubar o bom trabalho do autor, Paulo Gustavo Pereira, e no fim das contas o livro é uma viagem bem legal no túnel do tempo.
Nas páginas finais ainda tem uns extras com alguns textos das locuções de abertura de desenhos como o inesquecível da Corrida Maluca, "aqui estão agora os volantes mais birutas do mundo"; e letras das canções tema, como, por exemplo, a do divertido George da Floresta, "George, George, George of the Jungle/ Strong as he can be/ watch out for that tree!", aí ele dava aquele grito longo imitando Tarzã e dava com a cara na árvore.Lembram?
Pois é, o "ANIMAQ" nos traz este refresco de memória.
Um barato!

"SATURDAY MORNING - CARTOONS GREATEST HITS (1995)

E a propósito de canções de desenhos, a outra compra foi o CD "Saturday Morning", que tem trilhas de desenhos animados gravadas por diversas bandas de rock. Foi lançado em 1995 mas só agora o tenho de verdade. Tive em cassete há um tempo atrás, deixei de ter fitas, tentei baixar na internet e não encontrei, e agora como topei com ele por um precinho camarada, trouxe pra casa.
Nem tudo é MUITO BOM. Coisas como a trilha dos Banana Splits cantada por Liz Phair é bem mais-ou-menos, a dos Bugaloos com Colective Soul é outra bem fraquinha, e o Frente! tocando um tema dos Flintstones ("Open Up Your Heart and Let the Sun Shine In") é muito chato. Mas coisas como "Underdog", tema do Vira-Lata - O Super Cão, com os Butthole Surfers, "Gigantor" com o Helmet, o pequeno medley de "Johnny Quest e Pegue o Pombo" do Reverend Horton Heat, e principalmente a punkíssima versão de "Spiderman" dos Ramones, valem o CD.
Pra animar definitivamente as manhãs de sábado ou qualquer hora de qualquer outro dia da semana.

FAIXAS:
1. Tra la la Song (One Banana, Two Banana) [The Banana Splits] - Liz Phair with Material Issue
2. Go, Speed Racer, Go! [From Speed Racer] - Sponge
3. Sugar, Sugar [From the Archie Show] - Mary Lou Lord with Semisonic
4. Scooby-Doo, Where Are You? - Matthew Sweet
5. Josie and the Pussycats - Juliana Hatfield and Tania Donnely
6. The Bugaloos - Collective Soul
7. Underdog - Butthole Surfers
8. Gigantor - Helmet
9. Spiderman - Ramones
10. Johnny Quest/Stop That Pigeon - [from Dastardly and Muttley in their Flying Machines] The Reverend Horton Heat
11. Open Up Your Heart And Let The Sun Shine In - [from The Flintstones] Frente!
12. Eep Opp Ork Ah-Ah (Means I Love You) - [from The Jetsons] Violent Femmes
13. Fat Albert Theme - [from Fat Albert and The cosby Kids] Dig
14. I'm Popeye The Sailor Man - face to face
15. Friends/Sigmund And The Seamonsters - Tripping Daisy
16. Goolie Get-Together - [from The Groovie Goolies] Toadies
17. Hong Kong Phooey - Sublime
18. H.R. Pufnstuf - The Murmurs
19. Happy, Happy, Joy, Joy - [from Ren and Stimpy] Wax


Baixe para ouvir:
Saturday Morning Cartoon Greatest Hits (1995)


Cly Reis

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Dessa laranja fazer uma laranjada

De todo o monte de baboseiras que a imprensa insistiu em dizer nestes últimos meses, eu, mesmo apoiando o trabalho do técnico Dunga, tenho que dar o braço a torcer e admitir que nesta Copa, já estava caindo de maduro que em algum momento a Seleção teria sérias dificuldades ao enfrentar um adversário bem armado que não permitisse brilhos individuais, sobretudo do trio Robinho, Kaká e Luís Fabiano; e que não teria opções ou variações para mudar um jogo em circunstâncias adversas. Intimamente torcia e imaginava que Dunga tivesse alguma carta na manga, que já tivesse um plano B para esta iminente situação. Mas não tinha.
O Brasil perdia o jogo e Dunga tinha já lançado todas as suas fichas e só restava insistir nelas pois olhava para o banco e não via ninguém que pudesse fazer alguma coisa diferente, mudar sua proposta, por uma singela razão: ele não levara este jogador.
Na época da convocação entendi os critérios de convocação  e somente me incomodava o fato de não ter sido levado outro jogador criativo de meio, algum como o Kaká; fosse quem fosse - Diego da Juventus, Alex do Fenerbache da Turquia, Ricardinho do Galo (mesmo veterano), o reclamado e talentosdo jovem Ganso, ou mesmo o irregular e pipoqueiro Ronaldinho Gaúcho. Achava que faltava um destes ali no banco pra uma hora dessas que o nosso meia fosse suspenso (como aconteceu), ou que faltasse criatividade, ou que precisasse dividir a atenção dos marcadores adversários; mas dava meu crédito para um grupo que tinha se virado bem até então com muitas vitórias e conquistas jogando deste jeito. Mas ficou previsível demais, infelizmente e todo mundo sabia que anulando Kaká, marcando Robinho, a bola não ia chegar no ataque e Luís Fabiano não sobreviveria sem ela.
Tá certo que o primeiro gol laranja foi um grande golpe de sorte da Holanda; mas sorte, acaso, cruzamentos diretos pro gol, choques entre goleiro e jogadores, acontecem num jogo de futebol e deve-se estar preparado para coisas assim, sobretudo psicologicamente, e no psicológico foi principalmente onde o Brasil demonstrou estar muito fraco, tendo desmoronado depois da virada, tornando-se presa fácil para um segundo gol e uma ameaça controlável para os holandeses depois dele. Mas, amigos, tudo isso sem esquecer de uma coisa muito importante: não jogamos contra qualquer um. E é bom salientar-se isso porque parece sempre em copas que o Brasil tem que entrar em campo só pra cumprir um protocolo, pois o jogo já está ganho só pela camiseta, e não é bem assim. Copa do Mundo tem adversários e muitos deles são qualificados, e quando o são, jogos são definidos em detalhes, táticos, físicos e até mesmo nos detalhes emocionais também.
Não sou dos que acham que tudo foi um lixo, um horror, que nada se justificou ou valeu à pena, mas inegavelmente a derrota acabou por confirmar algumas desconfianças, ainda que não desvalorizem de todo o bom trabalho realizado. Afinal de contas quantas seleções brasileiras de técnicos mais renomados também não morreram nas quartas? Telê por duas vezes, Parreira, Lazzaroni (pior, nas oitavas). Dunga era um novato e não foi pior do que qualquer um destes seja lá pelos motivos que for. Poderia ter sido melhor, sim, em desempenho, e este era o desafio. Infelizmente não vencido.
O que é necessário sim, é a partir desta derrota encontrar, para a Copa do Mundo do Brail em 2014, um meio-termo entre a seriedade quase rude do trabalho do Dunga e a excessiva "liberdade" da Copa na Alemanha; pegar como exemplo a união deste grupo, o jeito de "clube" que Dunga conseguiu dar a uma seleção que se reunia a cada três meses e acrescentar uma dose maior de talento individual como se tinha em 2006 com Ronaldo, Adriano, R. Gaúcho, mas que naquela oportunidade via-se apagada pelos interesses pessoais e bagunça geral do ambiente; talvez ter uma convocação final mais equilibrada, ter convicções, sim,mas não ser intransigente; não se deixar pisotear pela imprensa mas ter um pouco mais de classe; um pouco de cada coisa. Tirar lições, aprender com os erros e desta laranja, fazer, quem sabe uma bela laranjada.



Cly Reis