terça-feira, 23 de novembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Bar Opinião - Porto Alegre (20/11/2010)
Aproveitei breve passagem por Porto Alegre por motivos profissionais e dei uma pequena esticada no final de semana. Além de churrascada com tios e tias na sexta-feira, curti a noite de sábado com os amigos. Fomos ao Bar Opinião, uma das melhores casas de espetáculo de POA, meio sem saber o que nos aguardava e tivemos a agradável surpresa de assitir à banda Os Maquinados. Cara, bem legal! Competentes, repertório bom. Basicamente aquele pop rock tradicional de bandas cover da noite mas incrementado com uns clássicos ("Jump" do Van Halen, "Rock'n Roll" do Led, "Jumping Jack Flash" dos Stones) muito bem executados. Bem boa a banda!
Além de tudo, também foi legal voltar ao Opinião. Tenho boas recordações musicais de lá: Lá vi Morrissey, Echo & the Bunnymen e assisti a trocentos shows dos Replicantes, sempre lá na roda-punk.
Demoramos pra decidir, ficou naquela de vamos pra lá ou pra cá, mas meio que na sorte acabou sendo uma boa pedida o nosso programa do sábado. Ponto negativo foi que o lugar só tinha Devassa ou Nova Schin. Aí, ninguém merece, né?. Mas no mais...
Além de tudo, também foi legal voltar ao Opinião. Tenho boas recordações musicais de lá: Lá vi Morrissey, Echo & the Bunnymen e assisti a trocentos shows dos Replicantes, sempre lá na roda-punk.
Demoramos pra decidir, ficou naquela de vamos pra lá ou pra cá, mas meio que na sorte acabou sendo uma boa pedida o nosso programa do sábado. Ponto negativo foi que o lugar só tinha Devassa ou Nova Schin. Aí, ninguém merece, né?. Mas no mais...
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Björk - "Debut" (1993)
“As pessoas achavam que, só porque costumava cantar no Sugarcubes,
"Debut" não era realmente uma estréia.
Mas estava compondo pela primeira vez.
Era meu debut.”
"Debut" não era realmente uma estréia.
Mas estava compondo pela primeira vez.
Era meu debut.”
Björk Guðmundsdóttir
Esses dias recebi um convite do Cly, pedindo que eu fizesse uma resenha do CD "Debut" da Björk. Tenho que assumir que fiquei com medo e dei uma enrolada, ainda mais por ser um leitor do seu blog e de suas resenhas elaboradas e embasadas. Pensei: por que eu? Bom, que sou um fã de carteirinha da cantora em questão é um fato. Com isso ficaria mais difícil ainda, pois esse CD é a abertura de uma carreira solo de uma das maiores estrelas da música alternativa. Björk Guðmundsdóttir é islandesa e lançou seu primeiro disco com 12 anos de idade. Passou por vários grupos, sendo alguns deles o Spit and Snot, o Tappi Tíkarrass, o KUKL e The Sugarcubes.
Com a extinção do Sugarcubes, Björk tem o seu debut em 1993, marcando o movimento trip-hop. São 12 músicas explorando o sentimento humano. O disco abre com "Human Behaviour", uma visão do comportamento animal do ser humano e sua desarmonia com a natureza. Tem uma ótima batida de tambor contrastando com uma levada eletrônica.
A terceira música do disco, "Venus as a Boy" é, talvez, a minha preferida da cantora. O arranjo musical é fantástico e a letra gira em torno de um cara que aprecia a beleza e que sabe excitar uma mulher, por isso é comparado a Vênus, deusa mitológica da beleza e do amor. Esse foi seu segundo single, que seguiu com um clipe irreverente, onde Björk está numa cozinha, fritando ovo acompanhada de seu lagarto de estimação.
A faixa 6, "Big Time Sensuality", chegou ao primeiro lugar na parada dance dos EUA e seu clipe girava em torno da cantora, em cima de uma carreta, cantando pelas ruas de NY. "Crying", "There's More To Life Than This", "Like Someone In Love", "One Day', "Aeroplane", "Come To Me" e "The Anchor Song" são outras músicas do disco, dignas de serem escutadas, que só não vou comentar pra não transformar a resenha numa Bíblia e ter que dividir em capítulos. Mas duas outras músicas devem ser especialmente lembradas: "Violently Happy" e "Play Dead". A primeira tem um som mais vibrante, que te dá vontade de dançar. O clipe é fantástico (veja aqui) e se passa num manicômio, com pessoas com camisas de força, mostrando a loucura de um amor que transcende as quatro paredes de um quarto. A segunda foi feita especialmente pra trilha do filme "Rebeldes Americanos" e fecha o disco com chave de ouro (na verdade essa canção foi incluída em edições especiais do disco). Ela é mais melancólica, com arranjos acústicos, voltada pro sofrimento e agonia do ódio que veio do amor.
Com sua voz infantil, mas possante, e seu sotaque anglo-islandês, Björk colou seu rosto esquimó na história musical, mostrando que há espaço para sonoridades diferentes da música de massa, se a mesma for de qualidade. Provou, assim, que não só as rodinhas de intelectuais e pseudo-cults estariam dispostos a provar de sua arte e experimentalismo crescente, mas isso seria papo pra discutir as obras que se seguiram como o disco "Post", "Homogenic"...
Com sua voz infantil, mas possante, e seu sotaque anglo-islandês, Björk colou seu rosto esquimó na história musical, mostrando que há espaço para sonoridades diferentes da música de massa, se a mesma for de qualidade. Provou, assim, que não só as rodinhas de intelectuais e pseudo-cults estariam dispostos a provar de sua arte e experimentalismo crescente, mas isso seria papo pra discutir as obras que se seguiram como o disco "Post", "Homogenic"...
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- "Human Behaviour" (Björk/Hooper) - 4:12
- "Crying" (Björk/Hooper) - 4:49
- "Venus as a Boy" (Björk) - 4:41
- "There's More to Life Than This" [Ao vivo] (Björk/Hooper) - 3:21
- "Like Someone in Love" (Björk/VanHeusen) - 4:33
- "Big Time Sensuality" (Björk/Hooper) - 3:56
- "One Day" (Björk) - 5:24
- "Aeroplane" (Björk) - 3:54
- "Come to Me" (Björk) - 4:55
- "Violently Happy" (Björk/Hooper) - 4:58
- "The Anchor Song" (Björk) - 3:32
FAIXAS BÔNUS:
"Atlantic" (Björk) - 2:04 (Faixa Bônus edição Japonesa)
"Play Dead" (Björk/Arnold/Wobble) - 3:56 (faixa bônus para Japão/Portugal/Reino Unido)
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Ouça:
por José Júnior
José Júnior é, assim como eu, apenas um apaixonado por música; não tem uma vida profissional ligada a isso mas tem na música um combustível indispensável para sua existência. Um cara extremamente curioso e atento a tudo o que rola por aí e por isso mesmo, tem sempre algo bacana pra recomendar. Muitas dicas de som e cinema já peguei com esse cara .
Um grande fã de Björk e uma das melhores cabeças musicais que eu conheço.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
cotidianas #58
Estava no auge do seu Creedence, na fila do banco quando na sua frente apareceu aquele filme mudo. Aquela mulher mexendo a boca ao som de ""Have You Ever Seen the Rain". Pronto; de novo tinha que tirar o fone de ouvido pra responder alguma coisa. Era sempre assim. Podia ter milhares de pessoas numa fila, num ônibus, no metrô, em qualquer lugar; tinham que perguntar alguma coisa exatamente para ele que estava sempre ouvindo música. Por acaso tinha cara de bem informado? E como é que é cara de bem informado? Mas os fones deviam, na sua opinião deixar subentendido, no mínimo, que não escutaria ou mal escutaria se falassem com ele, e para um melhor entendedor, devia ficar claro que não queria conversa. Mas não, o cara da frente não estava de fones, a mulher atrás dele também não, mas, era 'lógico',tinham que perguntar logo para ele. - Nessa fila dá pra pagar conta de luz?
- Não sei, senhora - respondendo numa espécie de desfalecimento da voz, sugerindo toda uma contrariedade em ter suspendido sua audição para responder algo para o que, além de tudo, não tinha a informação.
- Paga sim - respondeu solícito o senhor da frente.
(- Putaquipariu! Podia ter perguntado desde o início pra esse careca. Agora já acabou meu Creedence.)
E isso para ele era um agravante: interromper os clássicos. Como é que alguém tem a ousadia de cortar um Morrisson, um Ozzy, um Cash? Chamar no meio de "Love Will Tear Us Apárt", no solo de "Layla", no riff de "Ace of Spades"? Era quase uma heresia.
Um dia, rodando numa dessas feiras alternativas, cheias de tatuadores, acessórios fashion, roupas bem originais, e coisas do tipo, deu com uma camiseta que, imaginou, ser a sua salvação para os inconvenientes solicitadores de informação espalhados pela cidade: trazia escrito, "vai pedir informação pra outro, não vê que não estou lhe escutando", separadas as sentenças por um grande fone de ouvidos estampado ao centro. E o melhor: estampado na frente e nas costas pra não ter desculpa de não ter visto porque estava virada pra este ou pr'aquele lado. Era o que precisava. Nunca mais nenhum idiota iria perguntar exatamente a ele qualquer bobagem que o resto do mundo poderia tranquilamente responder. Comprou logo duas pra não correr o risco de não poder usar por estar suja ou algo assim. Era tudo o que precisava.
Outro dia, já com sua 'camiseta-advertência', estava no ponto de ônibus esperando o 562, quase em transe dentro de "Gimme Shelter", quando sentiu aquela cutucão no ombro. Não era possível! Era inacreditável que pudessem incomodá-lo de novo mesmo com um aviso daqueles na frente e nas costas.
Baixou uma das pontas do fone e virou-se já bufando e com os olhos semicerrados como quem não quisesse nem ver o que importunava. Ao abrí-los, deparou-se com um senhor de idade de aparência humilde, meio encurvado que muito constrangida e respeitosamente lhe dirigiu a palavra:
- Seu moço, por favor, eu não sei ler; o senhor pode ver pra eu o que tá escrito nesse papel?
Cly Reis
cotidianas #57 - (sexo sem nome)
- E então, posso saber agora o teu nome?
- Pra quê? - perguntou ela um pouco surpresa.
- Ué, Pra saber o nome dessa mulher maravilhosa.
Ela torceu a boca, franzindo um pouco o nariz e soltou um suspiro meio que pra controlar uma certa impaciência:
- Acho que é melhor deixar assim.
- Mas que mal tem? Só um nome.
- Olha aqui, garoto - disse agora já mais agastada - Eu não sei da tua vida, tu não sabe da minha: se tu tem namorada, se mora com os pais, se tem gato, cachorro, papagaio e tu não sabe se eu sou rica, pobre, infeliz no casamento, se saio sempre com garotões como você ou se só fiz isso hoje. Não importa! Foi só uma noite, foi só sexo. Foi bom pra você?
- Ô! - arregalando os olhos - Nossa você é simplesmente...
- Pois então! - atalhou interrompendo-o bruscamente - Guarda na memória só que em tal noite você conheceu uma mulher numa boate, vocês foram para um motel, tiveram horas maravilhosas e pronto - falava enquanto tentava localizar a calcinha pelo chão. - Nome é só nome e não faz a menor diferença. Me chama como quiser, me dá um nome qualquer: Clara, Mariana, Fernanda...
- Tu tem cara de Marisa - atirou meio rindo.
- Então tá: sou a Marisa. Bonito nome. Tá bom pra você? Agora levanta e se veste que eu tenho que chegar em casa antes das quatro. Vai, vai...
Cly Reis
domingo, 14 de novembro de 2010
Rio Comicon - Estação Leopoldina - Rio de Janeiro (14/11/2010)
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A Estação Leopoldina - potencial para um belíssimo centro cultural
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No interior, o público curtindo a exposição - painéis de diversos artistas.
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Todos os estilos, desde traços mais básicos a acabamentos mais elaborados como este
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| Um dos meus favoritos: Laerte |
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| E outro dos preferidos, Angeli |
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Este ilustre blogueiro em companhia do 'Homem-Aranha'.
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| "A pátria Desenhada", a história da argentina em quadrinhos (em destaque, a Guerra das Malvinas) |
Milo Manara
Como grande destaque e principal nome do evento, vai aí uma seçãozinha à parte:
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| Entrada da exposição de Milo Manara |
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| Gravuras do mestre, sempre com mulheres formosas. |
![]() |
| As colaborações com o amigo Fellini; Aqui, "Satyricon" |
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| ...o clássico "8 e 1/2", meu filme preferido de Fellini |
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| ... "Ginger e Fred" |
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| ...e o próprio Fellini ao telefone |
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| E ainda, os nus, corpos femininos, sensualidade, erotismo, marcas registradas da obra de Manara. |
sábado, 13 de novembro de 2010
Jorge Ben - "A Tábua de Esmeralda" (1974)
"É VERDADE
SEM MENTIRA
CERTO MUITO
VERDADEIRO"
Por diversas vezes já li por aí que seria este o maior disco da música brasileira.
É provavelmente o disco mais declaradamente influente na discografia nacional: canso de ver, ler, ouvir artistas dos mais variados dizerem que este, "A Tábua de Esmeralda" fora o disco que mais influenciara seus trabalhos: Samuel Rosa do Skank, Fred 04 do Mundo Livre S.A., Falcão dO Rappa, Mano Brown dos Racionais, e por aí vai.
Talvez o disco brasileiro que mais tenha causado aquela vontade de tocar, de ter uma banda, de fazer um som, provavelmente por conter toda aquela brasilidade, aquele swing, aquele balanço, mas com uma linguagem (incrivelmente) tão universal, com todo aquele rock, com doses de reggae, de funk, de soul e tudo mais de todos os ritmos negros possíveis.
Depois de uma estréia incrível com o ótimo "Samba Esquema Novo", Jorge Ben meio que se repetiu na sequência com “Ben é Samba Bom” e “Sacudin Ben Samba”, e mesmo mantendo um nível de qualidade bastante interessante, não apresentou nada de muito impressionante nos discos seguintes, exceção feita, na minha opinião a “Ben” de 1972, que também merece destaque especial. No entanto, sua evolução era notória, era gradual, e agregando um elemento daqui, outro dali, experimentações, influências, experiência musical, em 1974, com “A Tábua de Esmeralda”, Jorge atingia então um patamar superior na sua obra e na música brasileira como um todo.
Sob a luz de suas novas descobertas e estudos acerca de misticismos, escritos antigos, alquimistas, santos, magos e outros assuntos metafísicos, o ‘sambista-roqueiro’ concebia então um álbum verdadeiramente mágico. Uma obra criativa, coesa, refinada e de uma sofisticação que talvez nem ele mesmo tivesse noção naquele momento.
A produção é mais trabalhada e detalhada que nos discos anteriores, em parte, até para transmitir uma sensação etérea, algo cósmica, com ecos e efeitos; mas não se limitava a isso: há cordas em várias canções, os côros tem uma orientação direcionada ao que se pretende de cada sonoridade, o violão de Jorge Bem soa diferente a cada faixa. É primoroso.
O disco abre com “Os Alquimistas Estão Chegando os Alquimistas” e seu côro condutor marcante, num samba bem no seu estilo característico com aquela levada forte do violão mas já com uma letra que dá a tônica do disco: o lado místico do universo. O assunto ronda praticamente todo o disco, desde a capa com gravuras que o alquimista Nicolas Flamel encontrou no livro de Abraão, passando por uma citação ao título do livro de Erich Von Däniken, “Eram os Deuses Astronautas?” na faixa “Errare Humanun Est”, ou por uma letra adaptada de um escrito antigo que o faraó Hermes Trismegisto teria feito em uma lâmina de esmeralda, gerando uma inusitada 'parceria' do músico com o tradutor da tábua, o alquimista Fulcanelli como letrista, por assim dizer; ou ainda mesmo em faixas que aparentemente não tem nada a ver com a coisa toda, como a excelente “O Homem da Gravata Florida”, que reverencia o alquimista Paracelso.
Mas fora a coisa toda de misticismo, esoterismo e coisa e tal, é mesmo musicalmente que o álbum manda ver: “Menina Mulher da Pele Preta”, uma das grandes do disco é um daqueles sambas sensuais que o cara sabia fazer como poucos; a já citada "Errare Humanum Est" vai num crescendo mágico até finalizar num ápice de cordas acompanhado de uma contagem regressiva pra subir pro espaço; “O Namorado da Viúva” é um sambinha irreverente e gostoso também bem típico dele assim como a delicada “Magnólia” que traz um saboroso refrão. “Zumbi”, uma de suas melhores letras, é um samba cheio de swing também contando com arranjo de cordas e com uma retaguarda vocal bem bacana que dá peso e força à música; a genial “Brother” é um funk cadenciado com toques de gospel e uma letra num inglês tão tosco que faz de uma música que tinha tudo pra ser apenas uma cópia de estilos americanos, torne-se algo extremamente original; e o disco fecha em grande estilo com a melancólica “Cinco Minutos (5 Minutos)” com uma interpretação fantástica, inspirada e emocionante de Jorge, com um violoncelo choroso criando toda uma atmosfera de despedida. Grand finale!
Um dos discos mais IMPORTANTES da música brasileira e um dos melhores dela. Um dos poucos que é praticamente unanimidade entre público, críticos e músicos. Infelizmente nem todos que o ouviram, se inspiraram nele, conseguiram fazer algo de bom: o tal samba-rock se popularizou e vulgarizou e no fim das contas virou um balaio de gatos só. Mas se existe tal termo e se tem alguém que possa merecer ser considerado mestre na matéria é Jorge Ben, e um disco que simbolize toda sua qualidade e criatividade, é "A Tábua de Esmeralda".
Alquimia pura!
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FAIXAS:
- Os Alquimistas Estão Chegando os Alquimistas
- O Homem da Gravata Florida (A gravata florida de Paracelso)
- Errare Humanum Est
- Menina Mulher da Pele Preta
- Eu Vou Torcer
- Magnólia
- Minha Teimosia, Uma Arma para te Conquistar
- Zumbi
- Brother
- O Namorado da Viúva
- Hermes Trismegisto e sua Celeste Tábua de Esmeralda (Tratado Hermético Escrito Pelo Faraó Egpicio Hermes Trimegisto e Traduzido Por Fulcanelli)
- Cinco Minutos (5 minutos)
cotidianas #56 - Menina Jesus
Valei-me, minha menina Jesus
minha menina Jesus
minha menina Jesus, valei-me.
minha menina Jesus, valei-me.
Só volto lá a passeiono gozo do meu recreio,
só volto lá quando puder
comprar uns óculos escuros.
Com um relógio de pulso
que marque hora e segundo,
um rádio de pilha novo
cantando coisas do mundo --
pra tocar.
um rádio de pilha novo
cantando coisas do mundo --
pra tocar.
Lá no jardim da cidade,
zombando dos acanhados.
dando inveja nos barbados
e suspiros nas mocinhas...
zombando dos acanhados.
dando inveja nos barbados
e suspiros nas mocinhas...
Porque pra plantar feijão
eu não volto mais pra lá
eu quero é ser Cinderela,
cantar na televisão...
eu não volto mais pra lá
eu quero é ser Cinderela,
cantar na televisão...
Botar filho no colégio,
dar picolé na merenda.
viver bem civilizado,
pagar imposto de renda.
dar picolé na merenda.
viver bem civilizado,
pagar imposto de renda.
Ser eleitor registrado,
ter geladeira e tv,
carteira do ministério,
ter cic, ter rg.
ter geladeira e tv,
carteira do ministério,
ter cic, ter rg.
Bença, mãe.
Deus te faça feliz
minha menina Jesus
e te leve pra casa em paz.
Deus te faça feliz
minha menina Jesus
e te leve pra casa em paz.
Eu fico aqui carregando
o peso da minha cruz
no meio dos automóveis,
mas
o peso da minha cruz
no meio dos automóveis,
mas
Vai, viaja, foge daqui
que a felicidade vai
atacar pela televisão
que a felicidade vai
atacar pela televisão
E vai felicitar, felicitar
felicitar, felicitar
felicitar até ninguém mais
respirar.
felicitar, felicitar
felicitar até ninguém mais
respirar.
Acode, minha menina Jesus
minha menina Jesus
minha menina Jesus, acode.
**********
minha menina Jesus
minha menina Jesus, acode.
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Menina Jesus
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
sábado, 6 de novembro de 2010
Robert Johnson - "The Complete Recordings" (1990) - gravações originais de 1936 e 1937 *
Eric Clapton
Ele pode não ter sido o inventor do blues, mas com certeza é seu nome mais importante. Sei que existe um B.B. King, existe um Hooker, um Diddley, um Sonny Boy... Sei, sei. Mas nada se compara à técnica, à genialidade, à singularidade, à sua lenda.
Robert Johnson é daqueles músicos inovadores na sua arte. Daqueles caras que são divisores de águas, tipo: até ali a coisa era assim, a partir dali... Johnson mudou a batida do gênero, mudou o tom tradicional, saiu do trivial, e tudo isso só com um violão, que diga-se de passagem, reza a lenda, era velho e de péssima qualidade.
A propósito, não só o próprio R.J. por si só já é legendário, como muitos fatos que o cercam tem versões duvidosas e mal contadas: a começar pela sua data de nascimento, totalmente imprecisa, com registros de 1909, 1912, mas em princípio considerada oficialmente como 8 de maio de 1911; tem essa do violão, que além de ruim, diz-se, teria cordas enferrujadas quando Johnson fez as gravações (e no entanto, saiu o que saiu); outra é sobre as da versões de sua morte, prematura, aos 27 anos; uma delas atribuída a um uísque envenenado por um marido ciumento cuja esposa teria tido algo com Johnson; outra versão dá conta que teria levado um tiro por circunstâncias semelhantes; numa outra, pneumonia; em outra, sífilis; em outra ainda que teria sido encontrado urrando no corredor de um hotel e então ali morrido; o fato é que na certidão de óbito só consta "sem médico". Mas independente da causa mortis oficial, independente do modo como tenha acontecido, conta outra lenda, a mais impressionante e sobrenatural delas e a mais conhecida, que teria acontecido tão cedo, com apenas 27 anos de vida, por causa do resgate de uma dívida de Johnson com o demônio, que teria cobrado a alma prometida pelo cantor em um suposto pacto, que tivera o objetivo de obter talento e sucesso na carreira de cantor. Há uma outra ainda, vinculada à esta última, que sugere que haveria uma trigésima música (Johnson só gravou 29 canções) que teria ficado 'presa' em uma encruzilhada, onde o blueseiro teria feito seu trato maligno. Aliás, títulos como "Me & My Devil Blues" e "Crossroad Blues" que ajudam a alimentar a lenda.
A história do pacto é tão conhecida, tão rodeada de uma aura fantástica e poética que inspirou, por exemplo, músicas como "Mississipi" de Celso Blues Boy e o filme "A Encruzilhada" que conta exatamente a história de um rapaz que procura a tal da 30° música de Johnson. Demais é o duelo de guitarras do garoto contra o demônio, que no filme é nada menos que Steve Vai.
Mas voltando à obra de Robert Johnson, não há um álbum propriamente dito, já que todas as canções foram gravadas em 1936 e 1937 e na época as gravações era em compactos com uma ou duas músicas apenas. A compilação definitiva com todas as faixas (possíveis) e seus outtakes saiu em 1990 numa bela caixa em edição de luxo com dois CD's chamada "The Complete Recordings", e, amigos, esta caixa é fundamental. Ali está toda a essência do blues e o alicerce do rock. Tem ali toda a alma, a batida, o ritmo, a melancolia e a beleza. Todas as 41 faixas são bala, mas as minhas favoritas são "When You Got a Good Friend", "Sweet Home Chicago" e "They're Red Hot", só pra citar algumas.
Robert Johnson é ainda hoje um dos nomes mais influentes do blues frequentemente citado e gravado por uma porrada de músicos de rock, nos seus mais variados estilos e qualidade, como Rolling Stones, Simply Red, Eric Clapton, White Stripes, Red Hot Chilli Peppers, Led Zeppelin, entre tantos outros.
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FAIXAS:
ROBERT JOHNSON- THE COMPLETE RECORDINGS (1936-1937)
Disco 1
1. Kind Hearted Woman Blues 2:49
2. Kind Hearted Woman Blues (alternate take) 2:31
3. I Believe I'll Dust My Broom 2:56
4. Sweet Home Chicago 2:59
5. Rambling on My Mind 2:51
6. Rambling on My Mind (alternate take) 2:20
7. When You Got a Good Friend 2:37
8. When You Got a Good Friend (alternate take) 2:50
9. Come On in My Kitchen 2:47
10. Come On in My Kitchen (alternate take) 2:35
11. Terraplane Blues 3:00
12. Phonograph Blues 2:37
13. Phonograph Blues (alternate take) 2:35
14. 32-20 Blues 2:51
15. They're Red Hot 2:56
16. Dead Shrimp Blues 2:30
17. Cross Road Blues 2:39
18. Cross Road Blues (alternate take) 2:29
19. Walkin' Blues 2:28
20. Last Fair Deal Gone Down 2:39
Disco 2
1. Preaching Blues (Up Jumped the Devil) 2:50
2. If I Had Possession over Judgment Day 2:34
3. Stones in My Passway 2:27
4. I'm a Steady Rollin' Man 2:35
5. From Four Till Late 2:23
6. Hellhound on My Trail 2:35
7. Little Queen of Spades 2:11
8. Little Queen of Spades (alternate take) 2:15
9. Malted Milk 2:17
10. Drunken Hearted Man 2:24
11. Drunken Hearted Man (alternate take) 2:19
12. Me and the Devil Blues 2:37
13. Me and the Devil Blues (alternate take) 2:29
14. Stop Breakin' Down Blues 2:16
15. Stop Breakin' Down Blues (alternate take) 2:21
16. Traveling Riverside Blues 2:47
17. Honeymoon Blues 2:16
18. Love in Vain 2:28
19. Love in Vain (alternate take) 2:19
20. Milkcow's Calf Blues 2:14
21. Milkcow's Calf Blues (alternate take) 2:20
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Ouça:
Robert Johnson The Complete Recordings
Cly Reis
Nirvana - "Nevermind" (1991)
"Eu me odeio e quero morrer."
Kurt Cobain
Já nasceu clássico!
Num vazio de sonoridade, atitude, ídolos e identidade, "Nevermind" aparecia como uma luz, como uma perspectiva em meio a um universo rock perdido e inexpressivo.
"Smells Like Teen Spirit" era o novo grito de uma geração. Com sua letra aprentemente desconexa e alienada, era na verdade praticamente uma súplica de "nos dêem alguma coisa". Era um libelo, ao mesmo tempo que um reflexo de uma juventude vazia.
Kurt Cobain era a personificação daquele momento; mas mais precisamente, de tudo CONTRA aquele momento: perturbado, agressivo, inconformado, sarcástico, triste... Suas letras transpareciam isso. Sua fúria mostrava isso. E sua morte prematura comprovou que tudo aquilo não era só mise-en-scène como muitos rockstars fazem por aí.
Mas voltando ao álbum, além do clássico "Smells Like Teen Spirit", responsável pelo estouro e ascensão da banda, apresenta-nos músicas intensas como "Come as You Are", o foguete destruídor chamado "Territorial Pissings", os gritos de fúria de "Breed" e "Lithium" ou uma balada acústica dorida e melancólica como "Something in the Way" que fecha o disco.
Tem mais: a grande "In Bloom", a ótima "Polly; outra pedrada: "Stay Away", e por aí vai...
Um discaço!
Uma porrada!
Um verdadeiro tiro na cabeça!
O Nirvana viria a confirmar que este baita disco não fora exceção ou obra do acaso com o ótimo "In Utero" lançado depois em 1993, mas foi "Nevermind", efetivamente, que depois de muito tempo sem álbuns significativos na história do rock, conseguiu tornar-se um daqueles que se pode chamar FUNDAMENTAL.
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FAIXAS:
- "Smells Like Teen Spirit" - 5:01
- "In Bloom" - 4:14
- "Come as You Are" - 3:39
- "Breed" - 3:03
- "Lithium" - 4:16
- "Polly" - 2:56
- "Territorial Pissings" - 2:23
- "Drain You" - 3:43
- "Lounge Act" - 2:36
- "Stay Away" - 3:32
- "On a Plain" - 3:16
- "Something In The Way" - 3:50
Ouça:
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
terça-feira, 2 de novembro de 2010
7º Dia Internacional da Animação - Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa do RS - Porto Alegre (28/10/2010)
Por uma iluminada indicação, fui assistir no último dia 28 de outubro, a 7ª edição do Dia Internacional da Animação, num Teatro Dante Barone, da Assembleia Legislativa do RS, bem preenchido de gente. Esta data é comemorada todos os anos em várias cidades no mundo e do Brasil com uma mostra com o que há de mais inovador na animação nos quatro cantos do planeta. Foram duas horas, começando pela primeira de títulos estrangeiros de vários países, da África do Sul a Japão. Depois, os brasileiros.![]() |
| "Diário de uma Inspetora do Livro de Recordes" foi um dos destaques entre os internacionais. |
Mas as produções brasileiras foram as que mais agradaram ao público, e diria que a mim também. De cara, “Bonequinha do Papai” (São Paulo /2010), dirigido por Luciana Eguti e Paulo Muppet, um videoclipe retrô-futurista com desenhos estilo anos 20 (mas com uma animação dinâmica e moderna) feito sobre a música homônima de Edgar Scandurra (ex-Ira!) e Antonio Pinto, arrancou aplausos da plateia. Constante no ótimo CD e DVD “Pequeno Cidadão”, projeto do multimídia Arnaldo Antunes (que, aliás, participa da música) com os seus filhos e de parceiros com seus respectivos pequenos.
![]() |
| "Como Comer um Elefante" arrancou muitas risadas do público. |
![]() |
| A solidão é retratada em "O Acaso e a Borboleta". |
Trailer: "Eu queria ser um monstro"
Assistindo mostras como estas fica bastante reconhecível de onde sai a inspiração da publicidade nas milhares de animações que vemos todos os dias nas propagandas de TV e internet. Valeu a correria para chegar em tempo no Centro. E valeu a indicação.
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Este festival, comemorado desde 2000 em várias partes do mundo há 7 no Brasil, homenageia a primeira sessão pública de uma animação ocorrida na história, que aconteceu num dia 28 de outubro de 1892 (3 anos antes do cinematógrafo ser apresentado pelos irmãos Lumière), quando Emile Reynaud realizou a primeira projeção do seu teatro óptico no Museu Grevin, em Paris.
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Pra quem quiser daruma conferida mais detalhada ou mais informações, vai aí o site da mostra no Brasil:
http://www.abca.org.br/dia/
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postado por Daniel Rodrigues
(Porto Alegre)
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