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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Um sábado com Antonioni



Porto Alegre tem dessas coisas magníficas. Sábado passado, estive em uma sessão comentada de um clássico do cinema cult e da contracultura dos anos 60: “Blow-Up: Depois Daquele Beijo”, do cineasta italiano Michelangelo Antonioni, de 1966.
A atração foi promovida no Museu Julio de Castilhos (Duque de Caxias - Centro), pela produtora Curta o Circuito, que já programou outro encontro sobre a montagem fílmica de Jean-Luc Godard, dia 6 de novembro. (Mais informação aos interessados em: http://www.curtaocircuito.art.br/)
Museu Júlio de Castilhos
em Porto Alegre
O debate foi ministrado pelo diretor, crítico e professor de cinema Fabiano de Souza, que já me deu aula na faculdade. Fiquei bem impressionado com a fluência, didática e coesão das ideias que Fabiano nos apresentou, principalmente em se tratando de um filme tão complexo, subjetivo e que suscita muitas, mas muitas interpretações
É sempre surpreendente rever “Blow-Up”, meu Antonioni preferido, coisa que não fazia há uns três anos. Um verdadeiro caldeirão de elementos pop, desde a moda (época do auge do nascimento do Prét-à-Porter), passando pela arquitetura, design e música, aqui, especialmente composta pelo mestre Herbie Hancock.
Em meio à efervescência da Swingin’ London, o filme narra o envolvimento de um fotógrafo em um possível crime, o qual suspeita ter acontecido ao ampliar fotos feitas por ele em um enigmático parque. Obcecado por aquele acontecimento, ele começa a investigar e tenta elucidar o caso cercado de mistérios, sem, no entanto, chegar a uma conclusão concreta. Nem ele e nem o espectador, graças à genial condução de Antonioni, que levanta propositalmente mais dúvidas do que certezas.
A exposição de Fabiano e as intervenções do público me fizeram reforçar alguns conceitos e elucidar outros sobre o filme, às vezes perceptíveis só inconscientemente, mas que, postos assim, ficam muito mais claros e reveladores.
Fora as sequências incríveis da montagem/desmontagem do possível crime através das fotos impressas, ou a famosa cena do “braço da guitarra” de Jeff Beck no show dos Yardbirds,



 dois aspectos me chamaram bastante atenção desta vez. Um deles é que “Blow-Up” parece, nas palavras de Fabiano, um “filme de portais”. A sensação labiríntica tanto das ruas de Londres quanto do próprio estúdio do fotógrafo-protagonista é constantemente reforçada por imagens em profundidade, pessoas cumprindo a função de objetos dentro do espaço, superenquadramentos (plano onde se enquadra, por exemplo, uma porta, que, por sua vez, “enquadra” outro elemento) e, principalmente, pela presença marcante – ao longo das aproximadamente 24 horas em que a história se desenrola – de portas, janelas, portões, basculantes – muitas vezes entreabertos, como se avisando que algo não está “fechado”; que ainda há algo a se descobrir.
Moda, estética, comportamento:
O fotógrafo (Cummings) em atividade
em seu estúdio.
Isso tudo tem ver com a própria narrativa que, através de uma aura misteriosa e subjetiva, traz à tona, no fundo, a busca do protagonista por algum sentido na vida. Típico filho da sociedade pós-moderna, amoral, perdido e cético, ele vive num mundo de abstração, onde a imagem e a estética são supervalorizadas. Obviamente, a vida deste cara é vazia, sem significado, o que se evidencia em sua dificuldade de se relacionar e na mentirosa máscara de pessoa bem resolvida consigo. Porém, ao defrontar-se com a morte (ou a possibilidade da), um paradigma se abre à sua frente. A obsessão pela resolução daquele caso no parque simboliza a busca interior dele e de toda uma geração pós-baby boom, pessoas voltadas para as coisas frívolas que a sociedade de consumo oferece à mancheia. É aí, então, que o talentoso e amoral fotógrafo, sempre tão poderoso ao manipular como um deus as imagens, é surpreendido por ela, que parece, agora, vingar-se dele.
O final, com o grupo de mímicos fingindo jogar tênis no mesmo parque onde ele “presenciou” o assassinato é tão emblemática quanto múltipla em sentidos, rendendo até hoje teses e mais teses do que de fato aconteceu e o que a cena significa. Antonioni é genial neste desfecho, pois coloca ao mesmo tempo diversos olhares em confronto: o dos mímicos, o do fotógrafo, o do espectador e o próprio olho da câmera, o olhar do filme, O que é real e o que é imaginação ali? Será que aquela bolinha de tênis existia e só nós espectadores que não vemos? O que a tal bolinha simboliza ideologicamente? Seria, talvez, a realidade mais abstrata do que a julgamos?
Afora o marco estético e comportamental que “Blow-Up” certamente é, a fragmentação dos personagens, dos objetos e da própria realidade fazem da obra-prima de Antonioni um divisor de águas também no campo dos questionamentos sociais e psicológicos do final do século 20, pondo em discussão o valor da sociedade de consumo em que vivemos desde aqueles idos de 66.


trailer "BLOW-UP" de Michelangelo Antonioni (1966)







quarta-feira, 20 de outubro de 2010

PIL - "Album" (1986)

"Ele (John Lydon) canta como eu toco trumpete."
Miles Davis


Uma superbanda, um disco cujo título é seu formato, um hit com a cara dos anos 80 com refrão fácil e inconfundível e um’ frontman’ que havia sido nada mais nada menos que o rei do punk. O cara: John Lydon, ex-Johnny Rotten do Sex Pistols; o álbum: bom, o nome do álbum era “Album” mesmo. E todo o panorama em torno dele e seu lançamento pode ser justificado com o nome de outro disco da banda: “Isso é o que vocês querem, isso é o que vocês terão”. Com “Album”, John Lydon dava à industria pop o que ela queria, e o PIL, sempre avesso às regras do sistema, por sua vez aproveitava então para ganhar dinheiro com a brincadeira. E por que não?
Como o PIL na verdade é John Lydon, ou, John Lydon é o PIL (não importa), depois de brigar com um integrante aqui, dispensar outro ali, convocar outro lá, resolveu então chamar um timaço de feras para reforçar a IMAGEM PÚBLICA da banda: Ruyichy Sakamoto nos teclados; o multicolaborador de inúmeras bandas Jonas Hellborg no baixo; Steve Vai (que dispensa apresentações) nas guitarras; Tony Williams (da banda de Miles Davis) e Ginger Baker (ex-Cream) para a bateria, tudo sob a batuta do produtor Bill Laswell.
Laswell era conhecido por trabalhos de funk, ligações com o jazz tendo conduzido um trabalho interessantíssimo com Herbie Hankock pouco antes. Trabalhara também produzindo o Time Zone, parceria de Lydon com Afrika Bambaata, o suficiente para convencer o ‘anticristo’ a convidar o cara para produzir seu novo projeto. A escolha mostrou-se perfeita! Laswell dava ao projeto de Lydon o tempero que ele precisava acertando em cheio logo de cara com o sucesso “Rise” composto pelos dois. Quem não lembra daquele refrão “I could be wrong, I could be wright”?
“Album” provavelmente consegue o melhor resultado daquilo que se costuma chamar “superbanda”, normalmente grupos com muito nome, pouca qualidade e resultado bastante insuficiente. Neste não: Ginger Baker destrói na bateria, sempre soando alta e estourando, com destaque especial para “Round”que por ser enfática para a percussão permite-lhe um showzinho à parte. Sakamoto e Tony Willimas são aqueles que não aparecem muito pra torcida mas jogam um bolão; sempre discretos mas competententíssimos, sendo que o japonês pode, sim, ser destacado em “Ease”, épico que fecha o disco, na qual aliás todos matam-a-pau. Em “Ease” Ginger volta a estourar o couro da bateria, Lydon está inspirado, mas nesta especialmente Steve Vai, que na maior parte das faixas empresta seu talento com disciplina e discrição, aqui estraçalha e esmirilha num solo final arrepiante.
Se por um lado Lydon parece com “Album” ter-se rendido de vez à indústria fonográfica, dando o que ela queria; por outro mantém nas letras seu tradicional fel e violência pouco palatáveis para rádio e deixa uma dose implícita de cinismo quando, ao invés de uma capa colorida, chamativa, com a banda posando fodona, simplesmente nos apresenta uma capa branca com o nome do formato escrito grande. (Bem pouco comercial, não?) Algo como uma caixa de medicamento, uma embalagem... um produto.
Mas tal simplicidade da capa, de certa forma, se justifica plenamente: o que mais precisaria-se dizer de um disco como este, afinal?
Basta dizer apenas que é O ÁLBUM.

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(O disco efetivamente leva o nome do formato, tanto que a versão em fita chamava-se "Cassete" e o CD chama-se "Compact Disc", mas é conhecido e referido na maioria das vezes, independente da forma como se apresenta, como "ALBUM")
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FAIXAS (listadas na contracapa como "Ingredientes") :
  1. "F.F.F." (John Lydon, Bill Laswell) – 5:32
  2. "Rise" (Lydon, Laswell) – 6:04
  3. "Fishing" (Lydon, Jebin Bruni, Mark Schulz) – 5:20
  4. "Round" (Lydon, Schulz) – 4:24
  5. "Bags" (Lydon, Bruni, Schulz) – 5:28
  6. "Home" (Lydon, Laswell) – 5:49
  7. "Ease" (Lydon, Bruni) – 8:09
Músicos:
John Lydon - vocais
Tony Williams - bateria em "FFF", "Rise" e "Home"
Ginger Baker - bateria na "Fishing", "Round", "Bags" e "Ease"
Bernard Fowler - backing vocals em todas as faixas
Ryuichi Sakamoto - Fairlight CMI em "Rise", "Fishing", "Bags" e "Ease"
Nicky Skopelitis - guitarra em todas, exceto "Ease"
Steve Vai - guitarra em todas as faixas
Jonas Hellborg - baixo em todas as faixas

pessoal adicional
Shankar - violino elétrico de "Rise" e "Round"
Bernie Worrell - órgão em "FFF", "Round" e "Home", Yamaha DX7 em "Fishing"
Malaquias Favores - baixo acústico em "Fishing" e "Bags"
Steve Turre - didjeridu em "Ease"
Aïyb Dieng - tambores em "Round"


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Ouça:
PIL Album



Cly Reis

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

cotidianas #53 - "Incompatibilidade de Gênios"


Dotô,
jogava o Flamengo, eu queria escutar.
Chegou,
Mudou de estação, começou a cantar.
Tem mais,
Um cisco no olho, ela em vez de assoprar,
Sem dó falou,
sem dó falou, que por ela eu podia cegar.
Se eu dou,
Um pulo, um pulinho, um instantinho no bar,
Bastou,
Durante dez noites me faz jejuar
Levou,
As minhas cuecas pro bruxo rezar.
Coou,
Meu café na calça prá me segurar
Se eu tô
Devendo dinheiro e vem um me cobrar
Dotô,
A peste abre a porta e ainda manda sentar
Depois,
Se eu mudo de emprego que é prá melhorar
Vê só,
Convida a mãe dela prá ir morar lá
Dotô,
Se eu peço feijão ela deixa salgar
Calor,
Mas veste o casaco prá me atazanar
E ontem,
Sonhando comigo mandou eu jogar
No burro,
E deu na cabeça a centena e o milhar
Ai, quero me separar

"Incompatibilidade de gênios"
João Bosco/Aldir Blanc
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Ouça:
João Bosco Incompatibilidade de Gênios

O Adeus ao Bispo

“Quando olho para trás na minha vida, eu vejo todos os meus amigos que já partiram para outra jornada, então é hora de fazer tudo que posso.”
Solomon Burke (1940-2010)


Nesta última semana morreu, aos 70 anos, um dos principais cantores da música americana e um dos criadores da soul music, difundida aos quatro cantos do planeta a partir dos anos 50. Trata-se de Solomon Burke, o ex-pastor que saiu do altar das igrejas para demarcar seu lugar no showbizz, considerado pelo produtor musical Jerry Wexler como o "o melhor cantor de soul de todos os tempos". Vitimado por causas naturais, o Bispo, como era conhecido, partiu desta para melhor depois de chegar ao aeroporto Schipol, em Amsterdã. Além de músicas, deixou na Terra 21 filhos, 90 netos e 19 bisnetos. Poxa!...
Burke morreu menos conhecido que outras lendas do rythm’ n’ blues, como Otis Reding, James Brown, Ray Charles e Sam Cooke, todos de grande sucesso e até idolatria. Com seu barítono romântico cheio de groove e carregado de tradição gospel, embora de importância inegável para a música pop, não foi um campeão de hits como seus contemporâneos. Seu maior sucesso nas paradas foi “Just Out of Reach”, de 1961. Depois disso, teve outras de impacto ora bom ora mediano, como “The Price”, inspirada em um sermão, e “Cry to Me”, uma das duas músicas de seu repertório gravada pelos já antenados Rolling Stones no primeiro disco da banda, de 1964. A outra, “Everybody Needs Somebody to Love”, além da versão dos ingleses, também aparece cantada por John Belushi e Dan Akroyd no divertido filme-homenagem à soul music "Irmãos Cara-de-Pau" , de 1980.
Há muito Burke vinha produzindo bastante, porém sem vendagens significativas. Até que Deus interveio. O Todo-Poderoso não poderia deixar de dar, em vida, uma graça a um filho tão talentoso – ainda mais a um que O propagandeou tão bem como líder religioso fora e dentro dos palcos. Em 2002, já aos 62 anos, a independente Fat Possum Records, aproveitando de sua boa saúde – principalmente vocal –, resolveu prestar-lhe uma grata homenagem. Resgatando-o do ostracismo e oferecendo-lhe um aparato técnico de qualidade, a gravadora produziu um CD onde o Bispo interpreta canções de outros compositores, todas inéditas e feitas especialmente para aquela ocasião. O disco chama-se “Don’t Give Up to Me” (“Não desista de mim”, título bem apropriado).
Olhem só o time de feras chamado para este serviço: Bob Dylan, Van Morrison, Tom Waits, Elvis Costello, Brian Wilson, entre outros. O resultado não poderia ser diferente: um discaço! Não tenho muita noção de outros discos de carreira de Burke, mas provavelmente este é seu melhor trabalho. De produção cuidadosa, valoriza sua voz ao mesmo tempo em que imprime uma sonoridade entre o retrô e o moderno, transpassando a ideia não só de resgate da cultura negra americana mas, também, do quanto aquele Solomon Burke ainda era potente, vivo, às novas gerações. “Don’t Give...” deu-lhe, enfim, o primeiro grande reconhecimento: o prêmio Grammy, em 2003.
Deste disco, destaco a sensível “Diamonds in Your Mind” (de Waits), a lindíssima faixa-título – cartão de visita ao abrir em clima de balada a la Atlantic Records dos anos 50/60 – e o bluesão “Stepchild”, de Dylan, que parece tê-la escrito e dito (naquele seu jeitão presunçosamente carinhoso): “Toma aí, velho: manda ver!”.
Mas a obra-prima mesmo é “Fast Train”, uma das duas compostas por Van Morrison (a outra é “Only a Dream”). Uma balada arrasadora: amor, vida, morte, passagem do tempo; tudo está nela. Pincelada por agudas frases de órgão típico das igrejas negras nas quais Burke tanto pregou, e interpretada com intensidade na sua voz levemente envelhecida mas incrivelmente vigorosa, “Fast.Train” – como toda boa balada – começa calma e prossegue num crescendo de emoção. Vão se adicionando aos poucos um coro feminino, e os elementos sonoros se intensificam até o clímax, quando começa a decrescer lentamente, diminuindo e subtraindo cada um dos sons, como se já saciado e feliz. Como se aquele “rápido trem” tivesse, enfim, chegado á estação final, até sumir no horizonte com um último – e afinadíssimo – sopro de voz do Bispo-cantor.

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Dos registros antigos, certamente o melhor deles está compilado no CD “The Very Best of Solomon Burke”, de 1998. Como sempre, a caprichada edição do selo Rhino remasterizou as matrizes originais e traz todos os principais hits do cara.
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Coincidentemente, comentaram-me esta semana (por um outro motivo) sobre o filme “Alta Fidelidade”, que conta a história de um dono de uma loja de música à beira da falência (interpretado por John Cusack), um profundo conhecedor da música pop e fiel aos discos de vinil. Mas a referência a Burke está no livro ao qual o filme é inspirado, que tem "Got to Get You (Off My Mind)" como tema-chave.

Ouça o disco:
Solomon Burke Don't Give Up On Me

postado por Daniel Rodrigues

sábado, 16 de outubro de 2010

Flamengo x Inter - Engenhão - Rio de Janeiro/RJ












18:00 - Vim ver meu time e aproveitar para conhecer o Engenhão. O estádio é melhor do que eu imaginava, boas circulações, confortável, bonito, só é realmente meio ruim pra se chegar, distante da avenida principal do bairro e com ruas de acesso estreitas e 'esquisitas'.
Quanto ao jogo, o Internacional está numa fase melhor, temos um time melhor e não estamos pressionados como eles. Na teoria tudo a favor, mas como diz o sábio, futebol se resolve dentro das 4 linhas.
Depois do jogo a gente vê...



Cly Reis

Exposição Keith Haring - Caixa Cultural - Rio de Janeiro









"Em minha vida fiz muitas coisa, ganhei muito dinheiro e me diverti muito. Mas também vivi em Nova Iorque nos anos do ápice da promiscuidade sexual. Se eu não pegar AIDS, ninguém mais pegará."




Este ilustre blogueiro
na exposiçã
Visitei também no último feriado a expoição de Keith Haring, no Centro Caixa Cultural, aqui no rio de Janeiro.
Conhecia pouco do trabalho do cara, achava legal o que tinha visto por aí e tal, mas é mais apreciável ainda vendo assim em exposição, entendendo o conceito do trabalho, as sequências temáticas, as experimentações, os métodos e técnicas.
Muita cor, muito movimento, traços espessos típicos de grafiteiro, conceitos pop, um jeito irônico, inquieto e inconformado de ver o mundo, com mensagens e atitude expressas em cada gravura. Show de bola!
Um barato uma exposição dessas aqui, ao nosso alcance. Que outras como esta venham mais vezes.



Keith Haring (Reading, 4 de maio de 1958 – Nova Iorque, 16 de fevereiro de 1990) foi um artista gráfico e activista estadunidense. Seu trabalho reflecte a cultura nova-iorquina dos anos 1980.
Nascido no estado de Pensilvânia, cedo mostrou interesse pelas artes plásticas. De 1976 até 1978 estudou design gráfico numa escola de arte em Pittsburgh. Antes de acabar o curso, transfere-se para Nova Iorque, onde seria grandemente influenciado pelos graffitis, inscrevendo-se na School of Visual Arts. Homossexual assumido, o seu trabalho reflecte também um conjunto de temas homo-eróticos.
Keith Haring começou a ganhar notoriedade ao desenhar a giz nas estações de metro de Nova Iorque. As suas primeiras exposições formam,michelleis acontele era gayecem a partir de 1980 no Club 57, que se torna um ponto de encontro da elite vanguardista.
Na mesma década, participou em diversas bienais e pintou diversos murais pelo mundo - de Sydney a Amsterdão e mesmo no Muro de Berlim. Amigo pessoal de Grace Jones, foi ele quem lhe pintou o corpo para o videoclip "I'm Not Perfect".
Em 1988, abre um Pop Shop em Tóquio. Na ocasião, afirma: "Em minha vida fiz muitas coisa, ganhei muito dinheiro e me diverti muito. Mas também vivi em Nova Iorque nos anos do ápice da promiscuidade sexual. Se eu não pegar AIDS, ninguém mais pegará."
Meses depois declara em entrevista à revista Rolling Stone que tem o vírus HIV. Em seguida, cria a Keith Haring Foundation, em favor das crianças vítimas da AIDS.
Em 1989, perto da igreja de Sant'Antonio Abate, em Pisa, Itália, executa a sua última obra pública - o grande mural intitulado 'Tuttomondo[1]', dedicado à paz universal.
Haring morreu aos 31 anos de idade, vítima de complicações de saúde relacionadas a AIDS, tendo sido um forte activista contra a doença, que abordou mais que uma vez em suas pinturas.
fonte: Wikipédia

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Exposição com 94 obras de Keith Haring
de 28/09 a 28/11
Terças, Quartas, Quintas, Sextas e Sábados das 10:00 às 22:00
Domingos das 10:00 às 21:00
(não é permitido fotografar)
Caixa Cultural - Rio de Janeiro (RJ)
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25. Centro - Rio de Janeiro (RJ) .

"Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora é Outro", de José Padilha (2010)



É legal ver o cinema nacional produzindo uma boa sequência como esta!
Com ousadia, coerência e qualidade.
O apresentador sensacionalista
Fortunato (André Mattos)
à frente do seu "Mira Geral"
Na minha opinião "Tropa de elite 2 - O Inimigo Agora é Outro" não chega a superar o primeiro, mas quantas continuações conseguiram ser melhores que os originais? "O Poderoso Chefão 2", provavelmente; os "Star Wars"; "Exterminador do Futuro 2", talvez; "Onze (Doze e Treze) Homens e um Segredo"?, pode ser; talvez mais um ou outro por aí. Assim sendo, podemos combinar que não é demérito algum não superar seu antecessor, ok? Na realidade, se formos para pra analisar, este segundo é até melhor no que diz respeito à produção no seu todo, é também mais bem acabado, talvez mais bem desenvolvido, mas o anterior tem a favor de si a condução quase documental, o realismo, a crueza e o impacto causado, não que este não tenha estes elementos ou parte deles, mas a surpresa, a novidade, a sensação, ficaram por conta do outro que a partir do momento que teve suas cópias pirateadas e foi visto em milhares de lares ilegalmente, até ser revisto no cinema por livre espontânea vontade por mais tantos (como eu) já se transformava num marco do cinema brasileiro.
A sequência tem todo este envolvimento político, de gabinete, do submundo, do que está por baixo dos panos e por trás das cortinas, e talvez por isso, em determinado momento perca um pouco de ritmo, mas certamente não de interesse; mesmo não sendo exclusivamente um filme de ação, o diretor José Padilha não perde o espectador em momento algum e por um interesse ou outro dentro da história permanecemos grudados na cadeira e vidrados na tela.
Seu Jorge mandando bem como líder da
rebelião em Bangu 1
Wagner Moura novamente muito bem como o carismático Capitão Nascimento; Seu Jorge faz uma ponta muito  legal ainda no início do filme; mas destaque mesmo para o humorista André Mattos fazendo papel de um destes apresentadores de noticiários policias sensacionalistas, com uma caracterização que lembra muuuito um tal de Wágner Montes. Coincidência? Aliás muitos personagens desta ficção lembram personlidades de meios políticos, sociais e jornalisticos. Tente identificar.
Baita filme, galera!
Corram pra ver!





Cly Reis

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

The Chemical Brothers - "Further" (2010)

Comprei no último sábado, finalmente, o último Chemical Brothers, o "Further" . Demorei um pouco pra comprar desde o lançamento pois tinha lido algumas coisas que davam conta de uma certa mudança de comportamento, variações de sonoridade, viagens transcedentais e tal, e levei um pouco de medo.
(E pensar que eu hesitei...)
Cara, é chover no molhado dizer que Tom Rowlands e Ed Simons não são apenas DJ's, que não são apenas uma dupla de eletrônico, que são músicos, compositores criativos, artistas, mas neste, "Further", eles vão um pouco além de onde já chegaram.
Cada faixa é construída com paciência, com cuidado, com requinte, com arte. O álbum tem um quê de rock progressivo até, psicodélico, com a maior parte das faixas apenas instrumentais e quase todas bem longas e trabalhadas, mas contraditoriamente é mais eletrônico e futurista de todos que já fizeram até então.
"Escape Velocity", que foi a primeira faixa de divulgação do álbum, por exemplo, é uma longa sinfonia eletrônica de 12 minutos, montada, moldada aos poucos, depois caprichosamente desmoldada, ganhando então outra cara, outra nuance a todo instante. Assim como incorpora elementos os perde, assim como acelera, desacelera, num jogo longo e envolvente.
Em "Snow" que abre o disco, o início maquinal, eletrônico quase que desordenado, não parece que possa trazer dali a diante, assim que a faixa toma corpo, uma das canções mais doces da dupla. Um primor. Uma sonoridade leve como neve.
"Dissolve" namora o hard-rock com suas explosões sonoras que chegam a lembrar as guitarras do The Who; em "K+D+B" o legal é aquela percussão e bruta, pesada; e "Swoon", uma house embalada e contagiante, que remete um pouco mais os trabalhos anteriores dos caras, é uma das melhores do disco.
Mas o melhor ainda não é isso: "Horse Power", a minha favorita do disco, é um petardo eletrônico que justifica plenamente o nome que leva: é pura potência. Pronta pras pistas! Daquelas de fechar os olhos e dançar, dançar, dançar até não se saber mais onde se está nem quem é. Tem pelo menos uns 2500CV!
Posso afirmar sem medo que "Further" junta-se a "Dig Your Own Hole" e a "Surrender" como um dos melhores trabalhos dos caras.
(E pensar que eu hesitei...)

FAIXAS:
1. "Snow" 5:07
2. "Escape Velocity" 11:57
3. "Another World" 5:40
4. "Dissolve" 6:21
5. "Horse Power" 5:51
6. "Swoon" 6:05
7. "K+D+B" 5:39
8. "Wonders of the Deep" 5:12


Clipe de "Swoon" , uma das melhores na minha opinião
The Chemical Brothers - Swoon

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Fazendo Turismo na Cidade Onde Vivo #2 - Cinelândia -Rio de Janeiro







Feriadinho de Nossa Senhora Aparecida ou de Dia das Crianças, como prefiram. Fui ao centro do Rio e aproveitei que estava vazio, quase civilizado, para apreciar melhor os belos prédios e a arquitetura histórica da Cinelândia.
O prédioda Assembleia Legislativa

O belíssimo Teatro Municipal e sua fachada recentemente restaurada

E a fachada lateral com os capiteis dourados nas colunas
A imponente Biblioteca Nacional

E o Museu de Belas Artes
No interior do Belas Artes,
 esculturas em mármore

Salas de exposição com as artes plásticas
brasileiras através dos tempos
Obras importantes da pintura nacional
('Baile à fantasia' de Rodolpho Chambelland)
E um painel fantástico de Di Cavalcanti


Cly Reis

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Legião Urbana - "Dois" (1986)


“Eu não falo porque quero salvar alguém. Eu falo porque gosto. Quem sou eu para salvar alguém? Eu é que tenho que me salvar!”

“Minha geração sempre foi tachada de vazia e idiota. Eu não podia fazer uma besteira.”
Renato Russo


Lembro que ganhei o “Dois” em cassete num Natal. O rock Brasil estava em plena efervescência, “Tempo Perdido” tinha estourado havia pouco tempo e todo mundo queria ter discos de Titãs, RPM, Legião. Pedimos de presente então, eu, o novo do Legião Urbana, e meu irmão, o “Selvagem?” dos Paralamas. Lembro que botamos a fita pra tocar, ali, ainda naquela noite. Iniciava com um ruído de sintonia radiofônica que passava brevemente por “Será”, como que anunciasse exatamente que ali estava uma continuação melhorada do bom álbum de estréia. E “Daniel na Cova dos Leões”, começava então, confirmando bem o refinamento e aperfeiçoamento em relação ao que haviam feito anteriormente, num rock preciso, intenso, numa composição forte claramente mais elaborada que os punks quase crus do disco anterior, com um final clássico com um piano cheio de dramaticidade.
“Quase sem Querer” que a seguia, apresentava uma faceta meio cancioneira que o público não conhecia até então dada a característica do disco anterior. Com um rock acústico de letra introspectiva e intimista Renato expunha sentimentos de tal forma que músicas como esta seriam fundamentais para consolidar a proximidade que o público viria a assumir a partir dali cada vez mais com a banda.
A terceira, “Acrilic On Canvas” tinha um arranjo duro, baixo, com vocal forçado nos graves. Tem como maior mérito o interessante paralelo, cheio de matáforas, entre uma desilusão amorosa e a concepção e pintura de um quadro. Talvez seja a mais amarga e dolorosa do disco.
Já a seguinte, “Eduardo e Mônica”, com sua levada acústica, foi sucesso imediato apesar de sua letra longa, sem refrão e sua historinha de amor. Meio piegas, meio breguinha, é verdade, mas provavelmente fora exatamente isto o que cativara tanto as pessoas. Uma história contada de forma objetiva e direta cheia de ternura e bom humor versando sobre pessoas comuns; comuns como nós.
“Central do Brasil” era um pequeno interlúdio; um lamento acústico, meio sertenejo, breve, servindo praticamente de entrada para um dos grandes hits da banda, “Tempo Perdido”, esta por sua vez, um dos maiores ‘hinos’ da Legião. Talvez seja a que tenha conquistado o público de vez e que tenha efetivamente impulsionado o disco e a popularidade do quarteto de Brasília. Forte, intensa, cheia de sentimento, “Tempo Perdido” mostrava uma levada bem próxima ao som do The Smiths, que na época era influência forte de Renato Russo, desde a sonoridade, passando pelo jeito de dançar no palco e pelas flores que carregava em shows e fotos, assim como Morrissey. Mas “Tempo Perdido” era mais que uma “imitação” de Smiths, era algo como um grito desesperado da juventude e Renato Russo aparecia como uma espécie de representante. Todos nos identificamos na época com Renato porque ele se colocava no nosso mesmo barco e lamentava o fato de que ainda éramos tão jovens e já havíamos perdido tanta coisa.
A seqüência do disco era destruidora com duas pancadas sonoras, “Metrópole” e “Plantas Embaixo do Aquário”, especialmente a primeira, um punk-rock agressivo no melhor estilo Aborto Elétrico.
Seguia então com “Música Urbana 2”, um blues acústico lamentoso e amargo que a seu modo resumia o dia-a-dia nas cidades grandes; e “Andréa Doria”, que vinha em seguida, funcionava como uma de gêmea de “Acrilic On Canvas”, apenas um pouco mais leve sonoramente mas tão triste, infeliz e com o coração tão partido quanto na outra.
“Fábrica”, a seguinte, também lembrava Smiths no som - mais de leve, mas lembrava -, e era uma das mais belas e emocionantes do disco com Renato novamente se colocando junto com a massa, exigindo justiça e elevando valores como honestidade, bondade, igualdade. Era uma espécie de Messias?
Mas seu 'messianismo' ainda estava por mostrar-se mesmo na última faixa, “Índios”, uma letra longa, difícil, construída a partir de uma anáfora cujo verso repetido passaria a ser emblemático para a banda: “quem me dera ao menos uma vez”. “Índios” era um canto de esperança e desesperança ao mesmo tempo, uma demonstração de inocência traída, um clamor de justiça, uma declaração de amor ao país e um pedido de algo em troca. E nós nos sentíamos aqueles índios. Nós éramos a partir de então os índios, e todos sabíamos disso.
Não à toa, a partir daí passou-se a chamar, informalmente e extraoficialmente, os fãs do Legião Urbana de “tribo” e a banda de A legião, como se aquilo tudo do que fazíamos parte fosse uma espécie de seita, de religião.
E era mais ou menos isso, e por incrível que pareça, hoje exatamente 14 anos depois da morte de Renato Russo, não é muito diferente. Já não somos mais crianças, já não somos mais tão jovens quanto o próprio Renato cantou, sabemos que não somos fiéis de ninguém e que essa coisa de líder messiânico é bobagem, mas, independentemente disso, A Legião Urbana, sobretudo na figura de seu líder, ainda preserva essa aura de ascendência sobre uma geração. A geração Coca-Cola.

Renato Russo era soropositivo desde 1989 e morreu em virtude complicações causadas pela AIDS em 11/10/1996.
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FAIXAS:
  1. "Daniel na Cova dos Leões" (Renato Russo/Renato Rocha) – 4:04
  2. "Quase Sem Querer" (Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Renato Rocha) – 4:42
  3. "Acrilic on Canvas" (Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Renato Rocha/Marcelo Bonfá) – 4:43
  4. "Eduardo e Mônica" (Renato Russo) – 4:31
  5. "Central do Brasil" (Renato Russo) – 1:34
  6. "Tempo Perdido" (Renato Russo) – 5:03
  7. "Metrópole" (Renato Russo) – 2:42
  8. "Plantas Embaixo do Aquário" (Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Renato Rocha/Marcelo Bonfá) – 2:53
  9. "Música Urbana 2" (Renato Russo) – 2:40
  10. "Andrea Doria" (Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá) – 4:53
  11. "Fábrica" (Renato Russo) – 4:55
  12. ""Índios"" (Renato Russo) – 4:17
* o formato cassete trazia ainda a faixa "Química" que depois vira a fazer parte do álbum seguinte, "Que País é Este".
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Ouça:
Legião Urbana Dois



Cly Reis

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

cotidianas #52



"Tomou três chopes duplos, comeu queijo picado pensando: viver é tão simples e eu não sabia: tomar chope e comer queijo é viver; viu uma moça de verde: ver uma moça de minissaia verde é viver e ver as pessoas atravessando a rua de noite também é viver. 
Tudo tão simples e eu não sabia. 
Lembrou do pé-de-moleque que a mãe fazia - comer pé-de-moleque que a mãe da gente faz também é viver, mas eu não sabia."

trecho do conto "A outra margem"
de Roberto Drummond


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Roky Erickson - "True Love Cast All Evil" (2010)

Soube que o doidão ex-13th Floor Elevators, Roky Erickson, mais de 40 anos depois do fim da banda lançou um novo álbum. Fui ouvir o lance e o cara não perdeu a qualidade.
Depois de muitas drogas pesadas, prisões, internações, eletrochoques, tratamentos, "True Love Cast Out All Evil" meio que funcionou como uma terapia de recuperação e válvula de escape para a mente ainda meio perturbada de Erickson.
O som vai mais na linha do folk, esbarra no blues, no country mas não abandona o toque psicodélico dos 13th. Floor Elevators. Destaque para as faixas "Goodbye Sweet Dreams" e "John Lawman", as melhores na minha opinião.
Um reinício na vida de Roky Erickson e, por sinal, um belo reinício.





fique com o áudio de "Goodbye Sweet Dreams"


Cly Reis

Janelle Monáe - "The ArchAndroid" (2010)

Um amigo me apresentou e achei bem bacana.
Janelle Monae, cantora americana, em seu primeiro álbum, "The ArchAndroid" faz um pop bem diversificado atacando por várias praias, tendências e estilos sem fazer feio em nenhum. O legal é que é bem variado, eclético, mas não soa pretensioso ou pedante . O disco abre, por exemplo, com uma composição clássica que lembra uma trilha de filme meio épico, meio ficção-científica chamada "Suite II - Overture" confirmando o visual da capa que remete a" Metropolis"; mas o álbum depois vai passar por uma disco-music, "Locked Inside"; por  um jazz acelerado meio rackabilly ("Come Alive"), pela psicodélica "Mushrooms & Roses; ou pela etérea "57821". Às vezes chaga aparecer uma coletânea de vários artistas tal a diversidade, mas o interessante é que de alguma forma a obra não perde a unidade.
Destaque pra mim, além das já mencionadas, para "Cold War", um pouco mais roqueira, para a balada cool "Say You'll Go", bem à Marvin Gaye ou Michael Jackson (negro), e para a que fecha o disco, "BaBopByeYa", algo que seria como uma 'trilha-mutante' para um James Bond.
Para um primeiro álbum é um cartão de visitas e tanto.

Confiram aí o clipe da minha preferida do disco, "Cold War".





C.R.

domingo, 3 de outubro de 2010

"Baarìa - A Porta do Vento", de Giuseppe Tornatore (2010)



Fui assistir a "Baarìa - A Porta do Vento" de Giuseppe Tornatore (de"Cinema Paradiso") , na semana passada.
Bom. Competente e tal.
Mas comunzinho.
Tornatore nos conta a trajetória de uma família da Bagheria, na região da Sicília ao longo do século XX, suas dificuldades, a pobreza, o pós-guerra, a política, os amores, as alegrias e os dissabores, tudo com um fundo autobiográfico, mas se esforçando demasiado em nos emocionar. Chega a ser artificial o empenho em tocar o espectador, mas tenho certeza que a olhos mais despreparados e corações mais emotivos que o meu, deve atingir.
Não sei se está em pré-lista para o Oscar estrangeiro, mas se estiver, leva a estatueta. É bem ao gosto de Hollywood. Só faltava ser falado em inglês pra levar o prêmio principal.
Falando assim parece ter só defeitos. Não. Como comecei falando, é bom, competente e não se sai arrependido do cinema mesmo não achando lá toda essa coisa. Como programa, entretenimento, agrado pra 'patroa', vale.
A se destacar, além da conhecida boa mão do diretor, a fotografia excelente.

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Só pra não deixar passar, boa também é a pequena ponta de Monica Bellucci, sempre gostosíssima, sendo bolinada por um pedreiro e espiada pelos alunos de uma escola próxima a uma construção. Afinal de contas,Monica Bellucci é sempre Monica Bellucci, mesmo que por poucos segundos na tela.


Trailer "Baarìa - A Porta do Vento"




C.R.

Vinil é Cultura - CCBB/ Rio de Janeiro








Centro Cultural Banco do Brasil - 15:35 - Ao som da discotecagem de um dos ícones da cultura de rua do Brasil dos anos 80, o DJ Hum, que ao lado de Thaíde, divulgou o RAP e o Hip-hop pelo país, vou desfilando entre as capas dos 'bolachões' que embalaram minha adolescência. Capas de trilhas, de equipes de som, de épocas marcantes para o formato vinil ; como os anos 80 no Brasil e a explosão do BR-Rock naquele momento (foto).
Sinceramente, esperava mais visualmente da exposição, mas nos quesitos 'revival' e nostalgia, é legal de todo modo.

O som do brasil nos anos 80


Cly Reis

sábado, 2 de outubro de 2010

Andrea Dutra - TribOz - Rio de Janeiro (02/10/2010)




TribOz - Lapa/ RJ - 22:10- Sábado musical.
Sábado jazz.
No palco, Andrea Dutra e sua banda fazendo aquele samba-jazz.
Som mais 'noite', mais boêmio, mais 'marginal''.
Legal.

Samba Jazz Trio - Modern Sound Copacabana (02/10/2010)






JAM -Jazz Aroud Mid-day

Modern Sound - Copacabana - RJ - Neste exato momento, 13:30, almoçando no Allegro Bistrô na loja Modern Sound e curtindo a Samba Jazz Trio num sábado de homenagem a Miles Davis. Desfilando o repertório do gênio com coisas do 'Kind of blue', do 'Bitches Brew' ou do 'Tutu'.
O baterista, então, é um monstro! No aquecimento ele estava executando as músicas sozinho. Tocando trumpete e bateria ao mesmo tempo. Incrível!
Grande banda!
Grande som!
Deleite completo.








Cly Reis