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quarta-feira, 12 de maio de 2010

cotidianas #25 - Tudo Em Dia


Vou comprar uma casa, vou ganhar dinheiro
Vou pensar no futuro, vou fazer um seguro
Vou ganhar o pão nosso de cada dia
Vou por tudo o que tenho na garantia
Vou ter conta no banco, vou trabalhar no escritório
Vou tomar um chope, vou tomar sorvete
Vou tomar remédio, que maravilha
Vou casar e constituir família
Vou andar de táxi, vou deixar o troco
Vou pagar os impostos, vou por os filhos na escola
Vou ser respeitado, vou engraxar o sapato
Vou botar o chinelo, vou sentar na poltrona
Vou jantar na melhor churrascaria
Vou pedalar domingo na ciclovia
Vou ter conta na mercearia
Vou gozar a aposentadoria
Vou ter cic, eleitor, reservistas, rg
Automóvel, tv
Crediário, poupança, carnê
Tudo em dia, tudo em dia
Tudo em dia, tudo em dia
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"Tudo em Dia"
(Arnaldo Antunes, Branco Mello, Sérgio Britto)
álbum "Domingo"
Titãs

Ouça:
Titãs Tudo em Dia

terça-feira, 11 de maio de 2010

cotidianas #24 - Vai pular

Ia atravessar a rua mas o sinal fechou e ficou distraído olhando pra cima, meio que pro nada, só enquanto não dava o verde de novo. Nisso, uma senhora parou ao lado também esperando abrir, e vendo o rapaz com o olhar perdido pro alto, deu um aolhada pra cima também. Aí que uma outra se aproximou e, tomada por uma curiosidade misturada ao natural espírito alarmista humano, perguntou pra senhora “vai pular?”. A dona esta meio surpresa repetiu o “pular?”, o que saltou aos ouvidos de um outro transeunte qualquer.
-Quem vai pular?
-Essa senhora aqui disse que um homem lá em cima do prédio vai pular.
O rapaz que olhara até então distraidamente pro alto do prédio por ter visto talvez um reflexo no vidro, um pássaro ou por estar pensando na namorada, notando o pequeno burburinho, tirou o fone de ouvidos pra se inteirar do que estava se passando.
-Foi esse rapaz que viu primeiro.
-Viu o que? – perguntou confuso o rapaz.
-Chama os bombeiro.
-Graças a Deus alguém viu a tempo. Deus te abençoe meu filho.
-Viu o que? Me abençoar? Por que? Que que houve?
-Ele já tinha tentado antes. Foi na semana passada. – afirmou convicto o dono da banca de revistas.
-Que horror! Será que foi por causa de mulher?
-Se fosse eu não me matava – gritou um lá de trás - matava a desgraçada!
-Acho que é dinheiro. Essas coisas de bolsa, pregão, taxa Selic. As pessoas ficam loucas com isso.
-Não tem ninguém lá em cima – argumentava o rapaz já irritado - Ninguém vai pular. Eu só tava olhando pra cima porque...
Mas a gritaria e a histeria coletiva o interromperam. A calçada já estava tomada, parte da rua parada e carros buzinando.
Àquelas alturas ninguém mais o ouvia o rapaz que tentava dizer que não tinha ninguém lá em cima.
Chamaram bombeiros, abriram cama elástica, subiram escada magirus, veio polícia, isolaram a rua. Não tinha ninguém em cima de prédio nenhum.
A polícia levou o rapaz pra delegacia por causar perturbação da ordem pública e, por mais que o inspetor insistisse, ele não soube responder exatamente o que tanto olhava pra cima naquela esquina.
Passou a noite na cadeia pra aprender a não causar tumulto.


Cly Reis

segunda-feira, 10 de maio de 2010

"Alice No País das Maravilhas", de Tim Burton (2010)




O final de semana foi cinematográfico: sábado foi “Iron Man 2”, mas antes disso, na sexta-feira teve “Alice no País das Maravilhas”. Guardava grandes e boas expectativas acerca do filme pelo fato de adorar as histórias de Alice do Lewis Carrol (País das Maravilhas e Reino do Espelho) e por ser fã do trabalho de Tim Burton, suas atmosferas soturnas e suas criaturas fantásticas. Além disso tinha o fato de que um mundo concebido já tão fantasticamente quanto o que a garota Alice visita, receberia pelas mãos do diretor, um tratamento visual em 3 dimensões, o que é sempre uma sensação a mais em obras com tamanha sugestão visual ainda que só se justifique plenamente MESMO em uma cena ou outra.
Enquanto filme, entretenimento, adaptação, proposta para um público abrangente, “Alice no País das Maravilhas” atende plenamente ao que se propõe. É um barato! Tim Burton dá vida a personagens bizarros e estranhos do autor, confere cores e formas a ambientes surreais e dá ritmo a uma história que não é, na sua origem, exatamente uma aventura de ação ou algo parecido. No entanto, o preço de ter-se algo tão visual e tão frenético foi a TOTAL perda literária. Não restou nada da qualidade de texto de Lewis Carrol. A sutileza, o sarcasmo, a acidez, a inteligência do texto desaparecem por completo. Tudo o que é sugerido sobre crescimento, maturidade, personalidade, com genialidade nas entrelinhas de diálogos aparentemente banais nos dois livros do autor inglês, se perde ou fica diluído em conversas inexpressivas ou lições de moral que soam como clichês.
Pode parecer que dizendo tudo isso a respeito do filme não tenha gostado. Não! Incrivelmente achei bem legal. É que no cinema, vendo já num primeiro instante que o que havia de rico no texto tinha sido deixado à parte, me desapeguei disso e curti a proposta cinematográfica, e neste aspecto o resultado foi legal.
Tim Burton consegue dar cara de Tim Burton ao País das Maravilhas com aqueles seus galhos retorcidos, ambientes sombrios, muitas cores e ordem nas cenas. Recria os personagens de Carrol de uma maneira muito particular e simpática, como o adorável coelho de casaca, a sábia lagarta azul, os confusos gêmeos gorduchos e o impagável Gato com aquele constante e quase sinistro sorriso, aberto de um lado a outro da cara, sempre com um ar sonolento e viajante. Restrição à concepção de Alice que ele faz no filme uma moça prestes a casar e não uma menininha, o que tira um pouco da inocência da obra e do valor de algumas sacadas do livro que se palicariam mais a uma criança do que a uma adolescente. Eu que não gosto das atuações de Johnny Depp, xodó do diretor, tenho que tirar meu chapéu (com o perdão da redundância) para o Chapeleiro Maluco que ele interpreta. Muito divertido e expressivo. Mas como eu sempre digo a respeito deste ator: pra estes personagens cheios de caras e bocas, olhos arregalados, artificialismos e caricaturices, ele até que funciona bem. Um barato a "Futterwacken" que ele dança no final do filme, com ajuda da tecnologia é claro, uma vez que segundo a colega de set, Helena Bonham Carter (excelente como a cruel e divertida Rainha Vermelha), o cara não dança nada!



C.R.


"Homem de Ferro 2" de Jon Favreau (2010)








Sabadão... Depois de ir ao Atêrro do Flamengo pela manhã para ver as classificatórias do Air Race, emendei a tarde com uma sessão de cinema de “Homem de Ferro 2”. Estava mais com vontade de ver a sequência pelo fato do primeiro ter sido muito legal, de gostar de quadrinhos e do personagem, do que com esperanças que repetisse a qualidade do original. No início o filme parecia que iria desmentir minha expectativa e possivelmente ser até melhor que o anterior, mas aos poucos acabou-se confirmando ser apenas mais uma seqüência com muita ação, explosões, correria e tudo mais. A revelação da identidade de Tony Stark como Homem de Ferro em um noticiário de TV funcionando como um flashback ágil e inteligente; a dimensão da Iron-Mania visto na Expo-Stark; e toda a cena de Mônaco, com aéreas, câmeras on-board nos carros , inserções de imagens de telejornais e todo o ambiente, davam um ritmo alucinante e qualificado até ali. Somando-se à ótima a cena em que a câmera, na visão de Stark ,atravessa entre os fãs e imprensa, lembrando o clipe de "Smack My Bitch Up" do Prodigy; e aos afiadíssimos diálogos, principalmente as falas de Tony Stark, na sessão do congresso para “estatização” do Homem de Ferro, pareciam indicar que teríamos algo a mais nesta nova aventura. Engano! Aos poucos a coisa vai amornando; algumas coisas ficam sem explicações razoáveis; nosso vilão, Ivan Vanko (Mickey Rourke), tem motivos meio vãos e vagos e além do mais, no fim das contas, não mostra-se tão ameaçador assim. E o que temos então é SOMENTE um bom filme de ação sem grandes brilhos, novidades, tecnologias ou tramas.
Vale pelo super-herói, vale pela seqüência, pelos quadrinhos, pela roupa colante da Scarlet Johanson (à direita) e pelo ótimo Robert Downey Jr que, aliás, acho que nasceu para interpretar o homem da armadura vermelho e dourada. A propósito, Tony Stark é provavelmente o personagem mais filha-da-puta da história dos quadrinhos, não? Não vale nada! Provavelmente é por isso que simpatizo tanto com ele (hehehe)!


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Detalhe: assim como em “X-Men – Confronto Final” e “Wolverine”, tem uma cena extra depois dos créditos bastante curiosa, já encaminhando sobre uma próxima aventura da Marvel. Fiquem ligados!
É aguardar.


por Cly Reis

sábado, 8 de maio de 2010

Red Bull Air Race












DIRETO DA PRAIA DO FLAMENGO - Acompanhando, aqui a etapa brasileira do Air Race.
Demais!
Muita adrenalina e manobras radicais.
Tudo na paz. Galera na boa, curtindo a prova, ouvindo um som, sentados na areia, tomando umas geladas.
É isso aí. Grande espetáculo. Programaço pro sábado de manhã.


Cly Reis

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Um outro olhar sobre Buenos Aires




Dois trovadores na Rua San Telmo

Um pátio cheio de quinquilharias, também em San Telmo

General San Martin, em frente à Casa Rosada

Sol entre as árvores na Avenida de Maio

Melancólica estátua no Jardim Botânico

Também no Jardim Botânico

Parque do Rozedal
Boneco tradicional no bairro da Boca
Habitante preguiçoso

Tango no Caminito

Espaço oriental em Buenos Aires


Jardim japonês de Palermo

Cantor de tango na noite de Buenos Aires



Cly Reis

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O Bode Espiatório


O Frango Atirador

Na terra de "Dios"


Na Argentina, a exemplo do Brasil, também se respira futebol. Ainda mais em ano de Copa. Assim como aqui, as ruas está tomadas de camisetas da seleção, outdoors com as caras dos craques e a TV passando incessantes propagandas, promoções e programas sobre as Copas. Televisão que incrivelmente consegue ter mais futebol ao vivo do que a brasileira. Quase que incessantemente em dia de jogo: tem o jogo das 14h, o das 16h, o das 18h e o das 20h, e, depois de tudo isso ainda tem as resenhas esportivas e as mesas redondas. Puxa! Nos venceram!

Na bola, normalmente não nos vencem mas têm aquela mania de superioridade em relação ao futebol brasileiro, mas também tenho que admitir que, de um modo geral, com as pessoas que falei, guardam um grande respeito e não ignoram quem tem cinco estrelinhas na camisa.

Conversando com um motorista de táxi sobre futebol, que aliás é uma coisa indispensável e divertida, ele me revelava sua grande admiração pelo futebol brasileiro, pelo escrete de 70 (para ele inigualável ) e por Ronaldinho Gaúcho que considera um exemplo de futebol arte. E não só por isso: nas ruas tem outdoors com a foto do Kaká e a TV passa documentários do Brasil penta com reverências aos grandes selecionados e seus craques. Eles são pretensiosos, ambiciosos mas não tão burros. Reconhecem a qualidade.

Ao lado, os bonecos de Maradona, Evita e  Gardel,
no bairro da Boca.
Agora, que lá Maradona é Deus, isso é mesmo. Tem Maradona em tudo quanto é lugar. As lojas de souvenirs tem camisetas com a cara do Dieguito e com frases polêmicas dele; miniaturas do cara em lojas de bibelôs; lojas de artigos esportivos dividem a 10 entre o atual, Messi e o eterno, Maradona; nas ruas há grafites com o rosto de Dom Diego e principalmente no bairro da Boca, há bonecos dele nas calçadas, nas varandas, nos restaurantes. Podem até admirar o futebol brasileiro, mas para eles, Deus só tem um e não está no céu. Está, atualmente dirigindo a seleção argentina.

Fiquei também positivamente surpreso com o cartaz e prestígio que o meu time, o Internacional, voltou a ter no exterior, no outro país de maior expressividade futebolística do continente. Lá, todos lembram do Inter principalmente por causa dos portenhos que atualmente vestem a camisa colorada, como Abbondanzieri e D’Alessandro, mas não apenas por isso; há um respeito em relação à grandeza e dificuldade que é jogar contra o Colorado gaúcho. Falando com alguns argentinos, referiram o Beira-Rio como um lugar dificílimo de jogar, onde o Banfield (que nos vencera na partida de ida da L.A.) não agüentaria a pressão no jogo de volta. Um deles, torcedor do Boca, disse mesmo ver na casa colorada tanta pressão quanto a Bombonera e que lá não teríamos dificuldade de derrotar um time pequeno como o Banfield. O próprio site do jornal Olé, a mais prestigiada pubicação esportiva daquele país, já havia se manifestado quanto a isso quando da vitória do Internacional sobre o Emelec, dizendo que lá é “um lugar tão difícil de jogar quanto a Bombonera”. Por acaso, comprovando mais ainda este respeito-temor-restrição, visitando o mítico estádio do Boca Juniors, no início do percurso quando a guia perguntava os times dos brasileiros que ali conheciam o estádio, todos se manifestaram com os seus: três rubro-negros daqui, um atleticano ali, um pontepretano e eu, de camisa vermelha me apresentei “Internacional”, ao que a guia do estádio respondeu brincando “Não, não. não são bem-vindos.” Fui depois, em uma área menos tumultuada, perguntar, ainda que já imaginasse a reposta, o porquê da repulsa e ela me disse que não tinha boas lembranças e que não queria nem lembrar da Sul-Americana. Gostei daquilo. É a retomada de um nome internacional que meu clube havia deixado se perder nos anos 80 e 90 e que com as conquistas e bravos enfrentamentos continentais, acabou recuperando.
Assistindo ao jogo do Inter
na Libertadores no bar
Loucos por Futebol.

Só espero que tudo isso se confirme nesta quinta-feira quando precisaremos vencer os argentinos do Banfield por 2x0. Que o Banfiled se assuste com a pressão, que o clube confirme toda esta grandeza, que o Beira-Rio grite alto e que mostre ser tão terrível quanto a Bombonera.


(vendo o jogo do Inter na Libertadores no Bar Loucos por Fútbol)







LA BOMBONERA

Por falar neste legendário estádio, este era um passeio que queria muito fazer em Buenos Aires e felizmente realizei. Conheci o tão temido estádio do Boca Juniors onde torcidas adversárias ficam espremidas e times adversários temem pela pressão.
O estádio é velho, comum se não fosse por sua mística. Escadarias e corredores estreitos, sala de imprensa pequena, vestiário modesto, mas com uma certa imponência por conta de suas arquibancadas altas.
Logo na entrada tem um museu muito legal com monitores passando imagens dos títulos do clube, telão de 360°, as camisetas históricas, o hall da fama com todos os jogadores que já vestiram a camiseta xenaize e, lógico os troféus das glórias dos "azul y oro".
Ainda sobre o estádio, não deve ser pra menos que os visitantes tremam lá: a torcida fica muito perto! Deve ser mesmo um terror jogar ali. Do lado das tribunas então, é praticamente vertical sobre o campo. E atrás dos gols onde ficam as barras bravas, então? Nossa! E deve ser atordoante e ameaçador passar pelos corredores que levam aos vestiários com a torcida gritando ali em cima!!! E olha só  (ao lado) a distância que fica o torcedor de quem vai cobrar um escanteio. Imagina você ali e o cara te xingando a cada escanteio que você for cobrar e jurando "tu vas a morir, tu vas a morir". Não dá pra jogar tranquilo!

 
 
 
 
 
 
 
Confira aí outros cliques da Bombonera:
 
a fachada externa do estádio


o acesso aos vestiários


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O museu do Boca Jrs. Acima, os monitores com imagens dos títulos e a sala de troféus e abaixo, o hall da fama com destaque para Maradona que jogou no clube em 1980.
 



e as grandes glórias do clube: 6 Libertadores e 3 Mundiais

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Presentes

"DEMONS" de Lamberto Bava (1985)

Em uma brevísima visita do meu irmão que mora em Porto Alegre, ao Rio de Janeiro, recebi dele de presente alguns filmes em DVD. Havia pedido que me conseguisse o filme “Demons”, um terror italiano produzido por Dario Argento e dirigido por Lamberto Bava, do qual sempre gostamos mas depois de termos visto uma vez, alugado em VHS, nunca mais havíamos encontrado. É bem Dario Argento mesmo. Pessoas convidadas a uma sessão de cinema ficam presas lá e por conta de uma máscara antiga vão se transformando em zumbis e devorando uns aos outros, transformando assim os outros em mortos vivos. Ótimo pelas nojeiras, mortes, zumbis e também pelas metáforas (por incrível que possa parecer) sempre presentes nos filmes do mestre Argento, ainda que não dirigido por ele, mas certamente na linha de frente do trabalho. Obra de arte gore!



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"FOME ANIMAL" de Peter Jackson (1992)

Outro dos presentes foi "Fome Animal” ("Braindead") , que, por mais incrível que possa parecer, é de Peter Jackson, diretor da “Trilogia dos Anéis” e “King Kong (2005)”, mas que aqui é lixo puro na sua MELHOR forma. Um terrir podre cheio de brutalidades, sadismo, mortos-vivos, piadas infames e sangue jorrando à reviria. Imperdível pra quem curte o gênero!







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"THRILLER - A CRUEL PICTURE" de Boa Arne Vibenius (1974)

Mas o melhor e mais inesperado dos presentes foi “Thriller – A Cruel Picture” , que em princípio, pelo título, julguei tratar-se mais ou menos da mesma coisa, mas que soube depois ser algo assim como um predecessor de “Kill Bill”, por assim dizer. Aquela coisa toda de uma mulher mortal, vingança, artes marciais já poderia ser suficiente para associar as duas obras, mas some-se a isso o tapa-olho que a protagonista usa, a roupa amarela, o duelo, os sons repetitivos e perturbadores em várias cenas, e saberemos de onde, mais uma vez, Tarantino chupou algumas cenas e inspirações para realizar sua obra de dois volumes. (No que não há problemas algum, pois provavelmente ele assumiria).
O lance todo é que uma garota que não fala devido ao trauma devido a um estupro na infância, trabalha numa fazenda e um dia, após perder um ônibus, inocentemente pega carona com um sujeito que acaba levando-a para a casa dele, a droga, a vicia em heroína e a mantém dependente disso e fazendo assim com que ela se prostitua para sustentar o vício forçado. Só que, depois de muito, indignada pelas humilhações dos clientes impostos, pela morte de seus pais provocada pelo gigolô e pela morte de uma amiga que fez no prostíbulo, guarda dinheiro para pagar treinamentos em luta, tiro e direção que faz em seus momentos de folga, já planejando sua cruel vingança.
O filme tem problemas de roteiro em determinados momentos, cenas dispensáveis como as de sexo explícito, atuações péssimas de atores semi-amadores, mas as cenas de luta e tiroteio são absolutamente fantásticas com um super câmera lenta que confere uma intensidade toda especial a estas cenas.
Outra cena fantástica pelo grotesco, repugnante e pelo realismo é a que o homem que a raptou , insatisfeito com o tratamento que ela dera a um cliente, vaza-lhe o olho com um bisturi, o que é mostrado claramente e sem cortes. O segredo da cena? Foi filmada com um cadáver. E, a própósito: lâmina no olho não lembra alguma coisa? "Um Cão Andaluz" talvez? (foto ao lado)
Pois é. Esse é o barato de um filme como este. Ao mesmo tempo que consegue ser genial, ter referências tão significativas como Buñuel, servir de referência para a posteridade, e ser em determinados momentos tão tolo, tão mal-acabado, tão tosco. É exatamente  esse o charme do cinema trash, do underground, do filme B. Por estas coisas que gostamos de filmes que são muito ruins mas são muito bons e "Thriller" é um destes. Mas neste caso acho que prevalece o muito bom.
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Em tempo, obrigado, Dã!
Adorei os filmes.


Cly Reis