Curta no Facebook

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A Fúria

Finalmente a Espanha deixou de ser uma promessa, deixou de ser uma expectativa, deixou de ser a amarelona, um injustificado favorito, e finalmente justificou o apelido de "Fúria". Não foi FÚRIA porque tivesse jogado um futebol vigoroso como o do Uruguai, viril como a sua adversária da final, a Holanda, ou agressivo e destemperado como o de um Felipe Mello; mas fez jus ao apelido, sobretudo, pela determinação em vencer. Uma constante vontade, gana, garra em busca do gol.
Sinceramente não cria na Espanha. Pensava que, como sempre, assim que topassem com a primeira camisa de peso, desabariam e voltariam pra casa com o rabinho entre as pernas desmontando todas as previsões, expectativas e teorias de críticos, cronistas e jornalistas. Mas desta vez a história foi diferente e quando deram de frente com o monstro de Copas, a Alemanha, não se intimidaram e mandaram os bicho-papões pra casa. Aí estava a comprovação de que realmente haviam subido um degrau, e este degrau levava ao patamar até então só alcançado por aquele seleto grupo de Brasil, Argentina, Uruguai, Alemanha, Itália, Inglaterra e França, aos quais a Espanha se junta agora.
Não sou dos que acham a seleção espanhola um exemplo de futebol; não penso que eles tenham feito nada muito mais brilhante do que qualquer outro. Nada disso de futebol arte e papapá, bebebé como vão querer decretar agora. Reconheço, sim, os méritos de uma seleção bem entrosada, com bom toque de bola e com um objetivo bem traçado dentro de uma partida. Prova de que não fora uma máquina ofensiva foi que não fizeram uma penca de gols ao longo do mundial. Não deram sequer uma goleada. E a prova de que não foram atacantes cegos, desvairados, foi que quase não tomaram gols. É isso ai: futebol é equilíbrio e sobretudo, a Espanha foi a mais equilibrada da Copa. Nada brilhante, nem espetacular, apenas muito equilibrada e competente, e por isso, com todos os méritos, agora faz parte do ilustre clube dos Campeões Mundiais de Futebol.


C.R.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Tiras Soltas


¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨


¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨


¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O Frango Atirador

cotidianas #34

- Foi impedimento! - afirmou para tentar dar a entender que entendia alguma coisa de futebol.
- Lateral, Docinho. Foi só lateral. - corrigiu ela com aqule ar meio de "Senhor, dá-me paciência".
Não é que não gostasse de futebol, mas nunca simpatizou muito com aquilo. Sempre foi mais de um Mérimée a um Zidane, de um Borges a um Maradona, de um Machado a um Pelé. Era um amante da cultura, do cinema, dos livros; era um vivedor mental.
Desde o colégio era assim. Não concordava que só porque era menino tivesse que jogar bola, conhecer jogadores e tudo mais. Preferia devorar uma "Moby Dick" do Melville no recreio a correr atrás de um caroço de couro, habitualmente carcomido e estropiado. Até achavam que era meio efeminado por não compactuar com aquele gosto coletivo natural masculino, mas não tinha nada a ver com isso. Tanto gostava de mulher que estava ele agora ali com aquela mulata. Que preta linda! Que mulher maravilhosa. Só tinha um defeito, se é que se poderia chamar assim: adorava futebol. Era flamenguista fanática e até sabia de cor a escalação do time de 81, coisa que muito marmanjo dos mais fervorosos torcedores, por incrível que pareça , não sabe.
Encontro tão inusitado entre uma típica brasileira representante do povão e um nerd intelectualóide da Tijuca só poderia dar-se mesmo num meio termo entre o cultural e o popular: ou seja, numa exposição-palestra sobre cultura negra que teria na programação uma roda de samba no final da noite, como demonstração da riqueza e influência fundamental da música negra na cultura brasileira. Interessou aos dois. E ambos se interessaram um pelo outro.
E agora, dois meses depois, estavam ali em  frente à TV, ele tentando ser flexível e assistir a um jogo de futebol e ela simplesmente tentando assistir ao jogo de futebol.
- Só no chuveirinho não dá! - instruiu ela - Fica fácil pra defesa! - e bateu com os braços numa demosntrçaõ de desânimo momentâneo.
E ele só observou e assentiu levemente com a cabeça como que concordando.
- Banheira!- gritou ela - Tava na banheira, pô!
- Mas, Preta, não tava no chuveirinho? Não é banheira, você tinha falado chuveirinho. - argumentou ele supondo estar dando alguma contribuição com a correção.
- Não, não tem nada a ver. São coisas diferentes.
E continuou o jogo. Continuou a torcida dela e o constrangimento dele. Até que ela num sobressalto:
- Divide essa bola! - pro jogador na TV.
E ele em tom de dúvida:
- Mas pode dar um pedaço da bola pra cada time? Ah, é melhor porque daí sai mais gols, né?
- Não é isso. Dividida é quando dois vão disputar a bola, chegar junto. - explicou sem tirar os olhos da jogada e seguiu bradando na frente do aparelho:
- Cuida a segunda bola, a segunda bola.
- Ah, mas você falou que não tinham dividido! Como é que agora tem duas bolas?
Até que perdeu a paciência e virou pra ele com o dedo em riste:
- Se tu não me deixar assistir o jogo, eu é que vou arrancar as tuas duas, entendeu?
Ficou quieto pelo resto do jogo.
Por incrível que pareça se dão bem. Continuam juntos. Ele é que procura evitar interagir muito na hora que ela está assistindo ao futebol.

**************************

terça-feira, 6 de julho de 2010

cotidianas #33 - Metrópole






"É sangue mesmo, não é mertiolate"
E todos querem ver
E comentar a novidade.
"É tão emocionante um acidente de verdade"
Estão todos satisfeitos
Com o sucesso do desastre:
Vai passar na televisão
"Por gentileza, aguarde um momento.
Sem carteirinha não tem atendimento -
Carteira de trabalho assinada, sim senhor.
Olha o tumulto: façam fila por favor.
Todos com a documentação.
Quem não tem senha não tem lugar marcado.
Eu sinto muito mas já passa do horário.
Entendo seu problema mas não posso resolver:
É contra o regulamento, está bem aqui, pode ver.
Ordens são ordens.
Em todo caso já temos sua ficha.
Só falta o recibo comprovando residência.
Pra limpar todo esse sangue, chamei a faxineira -
E agora eu vou indo senão perco a novela
E eu não quero ficar na mão
**********************************
"Metrópole" 
Legião Urbana
letra: Renato Russo

Ouça:
Legião urbana Metrópole

domingo, 4 de julho de 2010

sábado, 3 de julho de 2010

O maníaco da vuvuzela

Este ilustre blogueiro no estande da Sony no FIFA Fan Fest.
Rock'n Roll!!!
(o que é um homem quando perde a noção do ridículo, não?)




Veja outros vídeos do estande Sony na arena da FIFa na praia de Copacabana
http://www.youtube.com/ativacaobloggie

FIFA FAN FEST - Praia de Copacabana - Rio de Janeiro

DIRETO DA ARENA FIFA FAN FEST - Aproveitei hoje que diminuiu o movimento aqui no FIFA Fan Fest, por conta da desclassificação do Brasil pra assistir Paraguai e Espanha e conhecer a arena da Copa em Copacabana.
Bem legal! Pessoal na areia, choppinho, futebol. Só esperando gol do Paraguai.
Depois eu posto mais. Agora vou ver o jogo.

Novidades Animadas

Fiz recentemente duas aquisições relacionadas com o fascinante mundo dos desenhos animados, que de certa forma coloriram nossas infâncias e mesmo hoje ainda fazem mundo marmanjo parar na frente da TV e dar risada das "maldades" do Pica-Pau, do sadismo do Pernalonga ou do silêncio charmoso da Pantera-Cor-de-Rosa:

"ANIMAQ - O ALMANAQUE DOS DESENHOS ANIMADOS", de Paulo Gustavo Pereira

Um deles é "ANIMAQ - O Almanaque dos Desenhos Animados", uma publicação que acaba sendo um adorável exercício de nostalgia para os fãs de desenhos animados. Lembrar de desenhos esquecidos, de personagens queridos, seus gritos de guerra, seus bordões, seus uniformes. O livro faz uma linha de tempo, desde os anos 30 até hoje, com as datas de produção e exibição, com breves descrições do desenho citando origens, apetrechos, frases, temas musicais e em alguns casos episódios marcantes.
Bastante completo e bem pesquisado, vai desde Betty-Boop, passando pelos clássicos da Hanna-Barbera (Zé Colméia, Flintstones, Scooby-Doo), os da Warner Bros. (Pernalonga, Papa-Láguas, Patolino); os heróis da Marvel (Homem-Aranha, Homem-de-Ferro) e os da DC (Batman, Super-Amigos), citando mangás como Speed-Racer e Cavaleiros do Zodíaco, até chegar aos mais atuais como South Park, Dexter ou os Backyardigans.
Ponto negativo são as excessivas repetições de informação, tipo, se um desenho teve mais de uma versão em décadas diferentes, automaticamente alguma informação acaba sendo mencionada novamente no texto da outra temporada, bem como quando faz menção a desenhos relacionados (algo como, falar de Wally Gator na parte dedicada a ele e repetir a informação quando fala da Hiena Hardy porque fazia parte do Show do Wally Gator também) ou voltar a falar de todos eles nos textos especiais sobre as produtoras (HB, Warner Bros., Disney) o que acaba só acumulando linhas, páginas e deixando por vezes uma leitura ou pesquisa que deveria ser prazerosa, cansativa, repetitiva e meio chata. Mas este defeitinho não é suficiente pra derrubar o bom trabalho do autor, Paulo Gustavo Pereira, e no fim das contas o livro é uma viagem bem legal no túnel do tempo.
Nas páginas finais ainda tem uns extras com alguns textos das locuções de abertura de desenhos como o inesquecível da Corrida Maluca, "aqui estão agora os volantes mais birutas do mundo"; e letras das canções tema, como, por exemplo, a do divertido George da Floresta, "George, George, George of the Jungle/ Strong as he can be/ watch out for that tree!", aí ele dava aquele grito longo imitando Tarzã e dava com a cara na árvore.Lembram?
Pois é, o "ANIMAQ" nos traz este refresco de memória.
Um barato!

"SATURDAY MORNING - CARTOONS GREATEST HITS (1995)

E a propósito de canções de desenhos, a outra compra foi o CD "Saturday Morning", que tem trilhas de desenhos animados gravadas por diversas bandas de rock. Foi lançado em 1995 mas só agora o tenho de verdade. Tive em cassete há um tempo atrás, deixei de ter fitas, tentei baixar na internet e não encontrei, e agora como topei com ele por um precinho camarada, trouxe pra casa.
Nem tudo é MUITO BOM. Coisas como a trilha dos Banana Splits cantada por Liz Phair é bem mais-ou-menos, a dos Bugaloos com Colective Soul é outra bem fraquinha, e o Frente! tocando um tema dos Flintstones ("Open Up Your Heart and Let the Sun Shine In") é muito chato. Mas coisas como "Underdog", tema do Vira-Lata - O Super Cão, com os Butthole Surfers, "Gigantor" com o Helmet, o pequeno medley de "Johnny Quest e Pegue o Pombo" do Reverend Horton Heat, e principalmente a punkíssima versão de "Spiderman" dos Ramones, valem o CD.
Pra animar definitivamente as manhãs de sábado ou qualquer hora de qualquer outro dia da semana.

FAIXAS:
1. Tra la la Song (One Banana, Two Banana) [The Banana Splits] - Liz Phair with Material Issue
2. Go, Speed Racer, Go! [From Speed Racer] - Sponge
3. Sugar, Sugar [From the Archie Show] - Mary Lou Lord with Semisonic
4. Scooby-Doo, Where Are You? - Matthew Sweet
5. Josie and the Pussycats - Juliana Hatfield and Tania Donnely
6. The Bugaloos - Collective Soul
7. Underdog - Butthole Surfers
8. Gigantor - Helmet
9. Spiderman - Ramones
10. Johnny Quest/Stop That Pigeon - [from Dastardly and Muttley in their Flying Machines] The Reverend Horton Heat
11. Open Up Your Heart And Let The Sun Shine In - [from The Flintstones] Frente!
12. Eep Opp Ork Ah-Ah (Means I Love You) - [from The Jetsons] Violent Femmes
13. Fat Albert Theme - [from Fat Albert and The cosby Kids] Dig
14. I'm Popeye The Sailor Man - face to face
15. Friends/Sigmund And The Seamonsters - Tripping Daisy
16. Goolie Get-Together - [from The Groovie Goolies] Toadies
17. Hong Kong Phooey - Sublime
18. H.R. Pufnstuf - The Murmurs
19. Happy, Happy, Joy, Joy - [from Ren and Stimpy] Wax


Baixe para ouvir:
Saturday Morning Cartoon Greatest Hits (1995)


Cly Reis

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Dessa laranja fazer uma laranjada

De todo o monte de baboseiras que a imprensa insistiu em dizer nestes últimos meses, eu, mesmo apoiando o trabalho do técnico Dunga, tenho que dar o braço a torcer e admitir que nesta Copa, já estava caindo de maduro que em algum momento a Seleção teria sérias dificuldades ao enfrentar um adversário bem armado que não permitisse brilhos individuais, sobretudo do trio Robinho, Kaká e Luís Fabiano; e que não teria opções ou variações para mudar um jogo em circunstâncias adversas. Intimamente torcia e imaginava que Dunga tivesse alguma carta na manga, que já tivesse um plano B para esta iminente situação. Mas não tinha.
O Brasil perdia o jogo e Dunga tinha já lançado todas as suas fichas e só restava insistir nelas pois olhava para o banco e não via ninguém que pudesse fazer alguma coisa diferente, mudar sua proposta, por uma singela razão: ele não levara este jogador.
Na época da convocação entendi os critérios de convocação  e somente me incomodava o fato de não ter sido levado outro jogador criativo de meio, algum como o Kaká; fosse quem fosse - Diego da Juventus, Alex do Fenerbache da Turquia, Ricardinho do Galo (mesmo veterano), o reclamado e talentosdo jovem Ganso, ou mesmo o irregular e pipoqueiro Ronaldinho Gaúcho. Achava que faltava um destes ali no banco pra uma hora dessas que o nosso meia fosse suspenso (como aconteceu), ou que faltasse criatividade, ou que precisasse dividir a atenção dos marcadores adversários; mas dava meu crédito para um grupo que tinha se virado bem até então com muitas vitórias e conquistas jogando deste jeito. Mas ficou previsível demais, infelizmente e todo mundo sabia que anulando Kaká, marcando Robinho, a bola não ia chegar no ataque e Luís Fabiano não sobreviveria sem ela.
Tá certo que o primeiro gol laranja foi um grande golpe de sorte da Holanda; mas sorte, acaso, cruzamentos diretos pro gol, choques entre goleiro e jogadores, acontecem num jogo de futebol e deve-se estar preparado para coisas assim, sobretudo psicologicamente, e no psicológico foi principalmente onde o Brasil demonstrou estar muito fraco, tendo desmoronado depois da virada, tornando-se presa fácil para um segundo gol e uma ameaça controlável para os holandeses depois dele. Mas, amigos, tudo isso sem esquecer de uma coisa muito importante: não jogamos contra qualquer um. E é bom salientar-se isso porque parece sempre em copas que o Brasil tem que entrar em campo só pra cumprir um protocolo, pois o jogo já está ganho só pela camiseta, e não é bem assim. Copa do Mundo tem adversários e muitos deles são qualificados, e quando o são, jogos são definidos em detalhes, táticos, físicos e até mesmo nos detalhes emocionais também.
Não sou dos que acham que tudo foi um lixo, um horror, que nada se justificou ou valeu à pena, mas inegavelmente a derrota acabou por confirmar algumas desconfianças, ainda que não desvalorizem de todo o bom trabalho realizado. Afinal de contas quantas seleções brasileiras de técnicos mais renomados também não morreram nas quartas? Telê por duas vezes, Parreira, Lazzaroni (pior, nas oitavas). Dunga era um novato e não foi pior do que qualquer um destes seja lá pelos motivos que for. Poderia ter sido melhor, sim, em desempenho, e este era o desafio. Infelizmente não vencido.
O que é necessário sim, é a partir desta derrota encontrar, para a Copa do Mundo do Brail em 2014, um meio-termo entre a seriedade quase rude do trabalho do Dunga e a excessiva "liberdade" da Copa na Alemanha; pegar como exemplo a união deste grupo, o jeito de "clube" que Dunga conseguiu dar a uma seleção que se reunia a cada três meses e acrescentar uma dose maior de talento individual como se tinha em 2006 com Ronaldo, Adriano, R. Gaúcho, mas que naquela oportunidade via-se apagada pelos interesses pessoais e bagunça geral do ambiente; talvez ter uma convocação final mais equilibrada, ter convicções, sim,mas não ser intransigente; não se deixar pisotear pela imprensa mas ter um pouco mais de classe; um pouco de cada coisa. Tirar lições, aprender com os erros e desta laranja, fazer, quem sabe uma bela laranjada.



Cly Reis

quarta-feira, 30 de junho de 2010

cotidianas #32


"Creio que não saio mais hoje;
mas que hei de fazer com estes pobres olhos?
Ler é piorá-los; ah! se eu soubesse música!
Pegava o violino, trancava bem as portas
para não ser ouvido pela vizinhança,
e deixava-me ir atrás do arco.
Talvez saia a passeio..."



Conselheiro Aires em "Memorial de Aires"
de Machado de Assis

****************************************


O Frango Atirador

domingo, 27 de junho de 2010

Os Causo de Dois Morro - "Os Firme em 6D"

Essas coisa que se fala mutcho hojendia de cinema 3D, pra nóis lá de Dois Morro não tem novidade nehuma.
Há mutcho tempo que nóis da cidade já vê os firme em várias mutcha dimensão. Mas o de lá é tão meór, tão mais vançado que os de oncêis que nem é mais 3D, chega a ser 6D. Pois é!
E tomém não tem essas frescura de botá ósculos na entrada do cinema. Em Dois Morro, pra vê nos 6D o vivente chega na bileteria compra as entrada e uma garrafa de pinga. Mas não num pode sê quarqué cachaça; tem que sê a que é feita no lambique da Dona Gervásia. Aí sim!
Aí que entonces o vivente entra, toma assento e vai vê a película. Acontece que o cidadão fica tão lôco, tão desvairado dispois de tomá aquilo que começa a imaginá que as coisa tão saindo da tela de verdade. É coisa de lôco, mesmo! Das vêiz vira um pânico só. Uma gritaria no cinema porcaus'que as pessoa acha que o aeroprano vai cair ali, que matador vai les cravá a faca, ou que o trem vai passá por cima.
Foi o que se passô uma vêiz quando uns tar de ermão Lumié foro passá lá em Dois Morro um firme dum trem, uma cousa assim. Sei que a indiada, que já tinha tomado mais de uma garrafa da mardita, saiu correndo de drento do cinema com medo da locomotiva. Cambada de guinorante!!!
Sei que agora, por esses dia, andô passando lá um tar de "Ah, vai tarde" dum cineastra locar chamado Jaime Camarão. Bão o firme, até. A peonada só ficou um pôco sustada com aqueles bicho azur, mas daí atiravo na tela e os bicho morrío. Com o 6D parecia té que as criatura azur do firme tavo ali do ladinho. Das vêiz dava té pra sentir o bafo da cachaça do bicho. Como no mais das vêiz nóis cabava dormindo no cinema de tão borracho, só depois quando acordava nôtro dia é que percebia que a criatura do firme era o vizinho da cadêra do lado que, por sinar, já tinha tomado todas e achava que o ôtro tomém era da história. No fim das conta ficava tudo bom. ninguém tinha entendido nada da história mas o portante era que tinho ido no cinema e enchido os corno.
Agora, pobrema mesmo é quando passa firme de bangue-bangue. Nossa Senhora... Aí não sai quase ninguém vivo. É bala comendo em 6D pra tudo que é lado.


postado por Chico Lorotta


************************

sábado, 26 de junho de 2010

Michael Jackson - "Thriller" (1982)


"Pois nenhum mero mortal pode resistir
À malevolência do terror."
trecho do texto narrado por Vincent Price
na música "Thriller"



Na Semana de aniversário de um ano da morte de Michael Jackson, mesmo não sendo fãzaço, não posso ignorar um dos discos que mudaram a história da música, e não apenas dela como do comportamento, dos costumes, da moda, da mídia e etc.
Como não destacar um álbum que até hoje é o mais vendido de todos os tempos, que fez do artista nada mais nada menos que o rei do pop e que teve a música que revolucionou a linguagem do videoclipe e da exposição de artistas em TV para sempre? É lógico que os méritos não ficam limitados a isso. Sonoramente a obra acaba sendo uma das que melhor aproxima toda a musicalidade de cultura negra tentada, experimentada, inventada até então do grande púbico. Funde-se funk, soul, jazz, disco, R&B de uma maneira tal que acabou por se consolidar como a fórmula certa do pop (digo "certa" no sentido de alcançar-se grandes vendagens, popularidade e público; porque em qualidade, na minha opinião Prince, por exemplo, já havia atingido isso antes e continuou com maior qualidade ainda depois, mas isso, lá, é outra história). Mas criar-se uma "fórmula" para algo tão popular infelizmente tem seu preço, e as as gerações seguintes acabaram vendo então este monte de ccantores de hip-hop, meninas rebolando com vozinhas sensuais, múscas ruins sustentadas apenas por mega-videoclipes e artistas que se baseiam mais em performances coreográficas do que na música.
Sou um daqueles que acham que Quincy Jones inventou Michael Jackson e que o dito Rei do Pop sem ele seria somente mais um na cena, mas não posso deixar de valorizar o resultado da acolhida deste brilhante produtor a um, até então, potencial "menino-prodígio". E se o que se deu desta adoção foi "Thriller" há de se reconhecer que acabou sendo uma das uniões mais felizes da história da música.

********************
Recentemente saiu uma versão comemorativa dos 25 anos do álbum com as faixas originais, vídeos, inclusive com o clássico clipe da faixa-titulo, e remixes com versões com alguns desse pessoalzinho aí que eu disse que formam o "legado" do Jacko: Kanye West, Fergie, Akon e will.i.am. Ou seja, as faixas Bônus, são ônus na verdade.

FAIXAS ORIGINAIS 1982:
1. "Wanna Be Startin' Somethin'" M.Jackson 6:03
2. "Baby Be Mine" R.Temperton 4:20
3. "The Girl is Mine" (com Paul McCartney) M.Jackson 3:42
4. "Thriller" R.Temperton 5:58
5. "Beat It" M.Jackson 4:18
6. "Billie Jean" M.Jackson 4:54
7. "Human Nature" J.Bettis, S.Pocaro 4:06
8. "P.Y.T (Pretty Young Thing)" J.Ingram, Q.Jones 3:59
9. "The Lady In My Life" R.Temperton 4:59

*a edição especial de 2008 conta com uma faixa com a locução de Vincent Price, a mesma da música "Thriller"

EXTRAS EDIÇÃO 25 ANOS:
1. "The Girl is Mine" com will.i.am
2. "P.Y.T (Pretty Young Thing)2008" com will.i.am
3. "Wanna Be Startin' Somethin'" com Akon
4. "Billie Jean" com Fergie
5. "Human Nature" com Kanye West
9. "For all Time" unreleased track from original sessions

DVD DA EDIÇÃO DE 25 ANOS:
1. "Billie Jean" (videoclipe)
2. "Beat It" (videoclipe)
3. "Thriller" (videoclipe)
4. "Billie Jean" (apresentação na festa de 25 anos da Motown na qual imortalizou o passo conhecido como "Moonwalk"

***********************
Aí o clipe de "Thriller" o video que revolucionou o gênero. Praticamente um curta-metragem dirigido por John Landis ("Os Irmãos Car-de-Pau" e "Um Lobisomem Americano em Londres"). Este pequeno filme além virar referência e objeto de imitação, consolidou a linguagem do videoclipe e elevou definitivamente os lançamentos de músicas e álbuns a outro patamar.


Michael Jackson - "Thriller"


Ouça o disco:
Michael Jackson - Thriller 25th. Anniversary Edition


Cly Reis

sexta-feira, 18 de junho de 2010

cotidianas #31 - "Mano a Mano"


*clique na imagem para ampliar

Mano a Mano
 Meu pára-choque com seu pára-choque
Era um toque
Era um pó que era um só
Eu e meu irmão
Era porreta
Carreta parelha a carreta
Dançando na reta
Meu irmão
Na beira de estrada valeu
O que era dele era meu
Eu era ele
Ele era eu

Ela era estrela
Era flor do sertão
Era pérola d'oeste
Era consolação
Era amor na boléia
Eram cem caminhões
Mas ela era nova
Viçosa, matriz
Era diamantina
Era imperatriz
Era só uma menina
De três corações
E então

Atravessando a garganta
Jamanta fechando jamanta
Na curva crucial
Era uma barra, era engano
Na certa, era cano
Na mão, mano a mano
Pau a pau
Na beira de estrada se deu
Se o que era dele era meu
Ou era ele ou era eu

Ela era estrela
Era flor do sertão
Era pérola d'oeste
Era consolação
Era amor na boléia
Eram cem caminhões
Mas ela era nova
Viçosa, matriz
Era diamantina
Era imperatriz
Era só uma menina
De três corações
E então

Então lavei as mãos
Do sangue do
Meu sangue do
Meu sangue irmão
Chão

de Chico Buarque e João Bosco
******************************************

"Mano a Mano" - Chico Buarque com João Bosco - 1984



Mano a Mano

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Led Zeppelin - "Led Zeppelin" ou "Led Zeppelin IV" ou "Four Symbols", ou "ZoSo" ou "o disco do velho" (1971)


“Ninguém nunca mais nos comparou ao Black Sabbath depois deste álbum.”
John Paul Jones


Sempre tive a ideia de botar algum Led Zeppelin no ÁLBUNS FUNDAMENTAIS mas hesitava um pouco pensando em qual deles pra não cometer injustiça. O primeiro? Ou o incrível Led Zeppelin II? Ou por que não o III ? Ou o fantástico "Physical Graffiti"? Podia ser qualquer um destes sem problema algum, mas na minha opinião o quarto álbum do Led Zeppelin, de 1971, conhecido como "IV", ou "Four Symbols" ou "ZoSo" ou ainda, somente, como "o disco do velhinho na capa" é o que melhor representa toda a pagada, a força, a sonoridade e a qualidade da banda.
Com influências que iam de blues, ao country, a Elvis e a bruxaria, o Led consolidava em "IV" uma sonoridade que iria se tornar pedra fundamental do estilo metal e similares, com muito peso nas guitarras, ritmos acelerados e vocais  gritados. "Black Dog", canção que abre o disco é prova e símbolo disso, com aquela guitarra extremamente pesada e mágica de Jimmy Page, alternado tempos com o vocal poderoso e estridente de Robert Plant. Certamente é, ainda hoje, um dos riffs mais conhecidos e lembrados de todos os tempos. Um clássico imortal do rock!
E a propósito de clássico e de rock, o que dizer de um álbum que tem uma música chamada "Rock'n Roll"? Bom, muitos podem ter uma música com este nome, mas provavelmente só o Led  conseguiu fazer com que ela remetesse ao estilo com tanta clareza, ficasse marcada pelo nome e virasse um clássico absoluto. Eu mesmo, sempre que ouço o termo rock' roll me vem à cabeça aquele início marcado na bateria de John Bonham, que aliás, "quebra tudo" nesta música. Mas não só ele. Nesta, a guitarra menos distorcida que de costume, conduz uma espécie de blues acelerado, um rockabilly pesado alucinante, num show à parte que se constitui em outro dos riffs mais conhecidos da história da história da música.
Para os mais "populares", este álbum traz ainda o clássico "Stairway to Heaven" que serviu até mesmo de faixa de trilha sonora de novela nos anos 80, fazendo-a alcançar uma grande popularidade até entre os não-fãs e público em geral, mesmo com sua estrutura rica, complexa e sua extensa duração para padrões comerciais.
Todas as 8 faixas são excepcionais mas o disco acaba com outra de minhas favoritas, a poderosa "When the Levee Brakes", sonoramente impactante com sua bateria estrondosa  com uma marcação ao que ao mesmo tempo é tem um tom marcial mas é também emocionante e sedutora. Mas Bonham não cria esse fascínio sozinho: a guitarra de Page aqui é mística, mágica e hipnótica; John Paul Jones conduz a linha de maneira segura e forte; e Plant é preciso nos vocais em cada verso, em cada entonação, em cada nota, além da harmônica que toca conferindo um ar ainda mais místico à canção. Um final monumental para um disco fantástico!
Pela seleção privilegiada de faixas do álbum, pelos clássicos que traz, pelo significado no cenário musical, pela consolidação de um estilo, pela importância da obra, pela popularidade, pela sonoridade, por todas estas razões e muitas mais é que "Led Zeppelin IV" é para mim não só o melhor álbum da banda como um dos melhores de todos os tempos. Acho que não cometo nenhuma injustiça em mencioná-lo aqui. Agora, o que também não invalida de daqui a pouco termos aqui na seção um "Led Zeppelin II", por exemplo... Ou o " Led III", ou o "Physical" ou o "Houses"...
Não precisamos ter apenas um, precisamos?
***************************
FAIXAS:
  1. "Black Dog" (Page/Plant/Jones) – 4:57
  2. "Rock and Roll" (Page/Plant/Jones/Bonham) – 3:40
  3. "The Battle Of Evermore" (Page/Plant) – 5:52
  4. "Stairway to Heaven" (Page/Plant) – 8:03
  5. "Misty Mountain Hop" (Page/Plant/Jones) – 4:38
  6. "Four Sticks" (Page/Plant) – 4:45
  7. "Going To California" (Page/Plant) – 3:31
  8. "When The Levee Breaks" (Page/Plant/Jones/Bonham/Minnie) – 7:08
***************************
Ouça:
Led Zepppelin IV 1971


Cly Reis

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Ela se foi, Green!

Há pouco tempo atrás havia postado aqui uma crônica que falava a respeito de um jogador de futebol que com a cabeça inquieta por uma separação recente, falhara num lance decisivo de uma partida ficando aquele momento marcado como o início do ocaso de sua carreira.
Aquilo era ficção. Um conto. Mas não sem um fundo de verdade.
Abordei o assunto porque sei o quanto este tipo de coisa mexe com a cabeça de um homem. Já aconteceu comigo, por que não admitir? Não foi jogando futebol no meu caso; a "perda" me atrapalhou nos estudos, na faculdade. Não conseguia pensar em outra coisa e não tinha ânimo pra nada como se aquilo fosse a coisa mais importante do mundo. É passado, foi outro momento, é superado, mas desde então entendo o que se passa quando um sujeito está assim.
Lembro também, na época que tinha meu time de bairro, de, na condição de técnico, receber um desabafo de um garoto que passava por má fase alegando mais ou menos isso: brigara com a namorada, estava triste, abatido, não conseguia fazer gols, não rendia bem.
Aconteceu também com o pugilista Popó, se vocês não lembram, que depois de ter rompido o relacionamneto com a noiva adiou lutas, voltou a lutar fora de forma, perdeu outras tantas e declinou bruscamente em uma carreira bastante exitosa até então para sua categoria.
E agora não é que vem à tona de novo o fator "dor-de-corno"?
Um dos frangos mais incríveis e espetaculares ocorridos em copas do mundo teria acontecido exatamente porque o goleiro inglês Green estaria abalado com o fim de um relacionamento.
Um chute meio despretensioso da entrada da área. Não muito forte.O goleiro da seleção inglesa se abaixa na direção da bola pra encaixá-la; prendê-la contra o peito e segurar firme. Mas cai ajoelhado meio de lado, sem fazer o que manda a cartilha do goleiro - proteger a bola com o corpo atrás dela. Vai pra pegar a bola meio que como se já estivesse convicto de tê-la ou pensando já em repor em jogo, ou no próximo ataque, no posicionamento, ou quem sabe na namorada... Mas ela (a bola) não estava segura e lhe escorre pelas luvas, lentamente. Mas rápida o suficiente para não dar-lhe tempo de voltar e busá-la. Ela passou e como se diz no futebol para um frango clássico, ele só ficou com as penas na mão.
Ela escapou, Green. Quem? A bola? A Namorada? As duas.
Onde você estava com a cabeça Green?
Na namorada? Na separação?
Não duvido, Green. Compreendo. Isso acontece.
Como escreveu uma vez Françoise Segan, "os homens são animais de hábitos e sempre sofrem mais com a separação.". Eu compreendo, Green.
Agora, compreendo, mas, humildemente, aconselho o técnico da seleção inglesa Fabio Capello (ainda que com certeza ele não venha a ler-me), a tirá-lo do time. Uma cabeça assim, inquieta e atormentada por um golpe que para ele tem a dimensão de uma copa do Mundo, e com o qual o cara não está sabendo lidar, somado a um recente fracasso pessoal tão grandioso como foi aquele gol que custou a vitória de sua equipe, constituem-se em uma ameaça constante sob as traves.
Green só vai voltar a ser o mesmo se ela (a namorada) voltar ou se esquecê-la. Já a bola que escapou, não volta e talvez ele não a esqueça tão cedo.
E não dá pra ficar esperando ou apostando que ele as supere.



C.R.

cotidianas #27 - Casamento Grampeado


Achei incrível a notícia de um casamento interrompido pela polícia?
Uau! Demais!!! Hehehehe!!!
O lance foi que a polícia desbaratou um bando de fraudadores de cartões de crédito (veja a notícia do site G1) e soube que estariam todos juntos em um evento, e eis que o anunciado convescote era nada mais nada menos que o casamento de dois integrantes da gangue.
Chegaram e levaram todo mundo em cana!
Bárbaro!!!
E a gente que ria da situação hilária da música "Defunto Grampeado" interpretada classicamente por Bezerra da Silva, nunca imaginou que a situação aconteceria de modo praticamente igual ... só que num casamento.

****************


Parem o enterro, gritaram os homens da lei!
Parem o enterro, gritaram os homens da lei!
Nós temos ordem pra levar esse defunto pra xadrez!
Nós temos ordem pra levar esse defunto pra xadrez!


Mas aquela atitude causou muito espanto e admiração
Até o vigário 171 dizia que aquilo era anti-cristão
Fechou o tempo lá no cemitério,
Ninguém entendeu a tal voz de prisão!


Sururu formado, falei malandragem!
Sururu formado! onde foi que já se viu
Um defunto grampeado?
Sururu formado, aí gente boa!
Sururu formado! onde foi que já se viu
Um defunto grampeado?


Parem o enterro, gritaram os homens da lei!
Parem o enterro, gritaram os homens da lei!
Nós temos ordem pra levar esse defunto pra xadrez!
Nós temos ordem pra levar esse defunto pra xadrez!


E os acompanhantes estavam por fora e desinteirados
Somente o vigário e a malandragem
Sabiam quem ali ia ser enterrado
Quando os tiras chegaram perto do caixão
Eles gritaram: "meu deus, fomos caguetados!"


Sururu formado, falei malandragem!
Sururu formado! quando os homens abriram o caixão
O defunto era apenas cabrito importado!
Sururu formado, falei malandragem!
Sururu formado! quando o vigário sentiu o flagrante perfeito
Quis sair de pinote, mas foi logo algemado!


Parem o enterro, gritaram os homens da lei!
Parem o enterro, gritaram os homens da lei!
Nós temos ordem pra levar esse defunto pra xadrez!
Nós temos ordem pra levar esse defunto pra xadrez!

********************************
"Defunto Grampeado"
(Pedro Butina e Evandro Do Galo)
Ouça:
Bezerra da Silva- Defunto Grampeado