segunda-feira, 24 de maio de 2010
domingo, 23 de maio de 2010
"Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo", de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes (2009)
Não havia me empolgado muito com a estréia de "Viajo porque preciso, volto porque te amo", mesmo apreciando o cinema do pernambucano Karim Aïnouz (diretor de "O Céu de Suely) e tendo boas referências do co-diretor Marcelo Gomes (de "Cinema, Aspirinas e Urubus"). Parecia-me em principio, apenas mais um filme com a temática do sertão, com foco no popular, nos dramas sociais da região, etc. No entanto, uma observação em uma crítica de jornal, aliada a uma sinopse bem objetiva e convincente, me estimularam a ir assistir ao filme. O texto em questão referia-se ao filme como "uma pequena obra-prima" que teria seu lugar assegurado na filmografia nacional e descrevia-o como um filme quase sem palavras, visto com os olhos do narrador, sendo que este, em momento algum aparecia. Pela descrição, pareceu-me, no mínimo, valer uma conferida.
O que se vê no início de "Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo" é uma sucessão de filmagens amadorísticas, imagens toscas, às vezes só fotos na tela, enquadramentos parados longos, tudo isso acompanhando a narração do protagonista, um geólogo que percorre o interior do Sertão Nordestino a fim de avaliar uma área para implantação de um canal na região. Só que por trás deste aparente mal-acabamento, de um descuido estético e técnico, se esconde, ou melhor, se MOSTRA, uma obra rigorosamente pensada e cuidada em todos os detalhes. A película, a fotografia, a montagem, a trilha "incidental", a duração de uma cena, a extensão de uma frase; tudo tem um intuito, uma utilidade, um objetivo por vezes cada elemento deste complementando o outro, ora na mesma cena, ora ao longo do filme.
Num formato meio documentário, meio amador, meio câmera-na-mão, o narrador vai alternando relatos técnicos sobre sua pesquisa com revelações íntimas sobre uma mulher, que chama de Galega, e constantes declarações de amor e saudades. Mas aos poucos vai se revelando uma relação não muito feliz com esta pessoa e problemas no casamento ficam evidentes. Aí pensamentos vão se confundindo, intenções vão se transformando, objetivos mudando e os relatos e ficam cada vez mais reveladores em um espírito atormentado, inquieto, para o qual a viagem teoricamente profissional, acaba-se justificando em parte como uma tentativa de fuga do problema e uma de fuga de si mesmo. O problema é que logo no início desta tentativa, nosso narrador descobre que fugir não adianta.
As imagens dialogam fantasticamente com o texto, quase sempre pessimista, desiludido e triste na voz do geólogo-narrador. Ao mesmo tempo que reforçam este seu estado de espírito de tédio, melancolia e confusão, o desmentem várias vezes quando ele nos diz uma coisa e as imagens apresentam detalhes que o desautorizam e mostram mais do que ele gostaria de contar. Isso semfalar nas músicas, quase sempre escutadas no rádio do carro do pesquisador mas que valem por muitos diálogos.Confira aí o trailer do filme:
Cly Reis
sábado, 22 de maio de 2010
cotidianas #26 - O Dalvo
- Desculpa, mas o senhor não é o Dalvo? O Dalvo que jogou no Nacional, na Seleção?
- Eu mesmo, garoto. Como é que me reconheceu? Não é do seu tempo - fazendo esta última observação entre uma tímida risada.
- É - concordei rindo também - Não é mesmo, mas eu pesquiso, eu me interesso pelos jogadores do passado... Puxa, Dalvo, eu sou seu fã!
- Obrigado, garoto! - disse verdadeiramente satisfeito e lisonjeado.
- Meu pai sempre falava do senhor. Dizia que foi o melhor centroavante que ele viu jogar. Que cabeceava como ninguém. Era o "Cabeça-de-Nêgo" porque a cabeçada era uma verdadeira bomba.
- Tu sabe tudo, hein, garoto!
- Puxa, seu Dalvo, o senhor é uma lenda!
-Quê isso, garoto? Assim eu fico até meio sem jeito.
Nisso, a fila já chegara até a porta e uma das amigas do Caco interrompe:
- Vamos entrar, Thiago?
- Vão entrando. Eu vou daqui a pouco.
Não entrou.
Ficou horas na porta conversando com o Dalvo e depois ainda foram pra um boteco falar sobre futebol.
No final da noite, saiu com um autógrafo do Dalvo no verso do ingresso da festa.
Cly Reis
quinta-feira, 20 de maio de 2010
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Coluna dEle #17
Depois de muito tempo sem dar as caras por aqui, sem mandar um post, uma coluna, um SMS que fosse, me reaparece aqui com uma cara deslavada e cheio de desculpas esfarrapadas o tal do Colunista deste espaço. Só porque é Dono do Mundo acha que é o dono do blog, e no entanto é quese um ex-dono deste espaço. Só não rodou ainda porque tem gente que lê esse monte de bobagem que ele escreve. Mas estou, novamente, repensando a situação deste colaborador.
Enquanto eu decido o que fazer, fiquem com mais uma Coluna dEle.
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Sei, sei que tá todo mundo puto Comigo. Tô sabendo, tô sabendo.
Recebo milhões de e-mails e orações todos os dias dizendo que isso não é pai, que Eu abandonei vocês, que já sabiam que Eu não prestava e coisas do tipo. Tudo isso porque, devo admitir, o mundo está de cabeça pra baixo. É enchente, ciclone extratropical, terremoto em todo o lugar, isso sem falar naquela chaminézinha da Islândia.
Não é desculpa ou conversa fiada, galera, mas é que, aqui em cima, a gente tem um sistema todo, uma rede, sala de comando com computador central e tudo mais. É tudo informatizado. Negócio de primeiro mundo, sabe. Eu, mesmo nem sei mexer nessas coisas. Eu só dou as coordenadas e a rapaziada mais nova que entende dessas coisas de nets, internets, long-net, vai lá no computador e bota pra funcionar.
Daqui a gente comanda tudo: fases da lua, velocidade dos ventos, nível pluviométrico, temperatura. Só não temos gerência direta sobre a língua do Lula, por exemplo. Mas de resto é tudo por aqui, e salvo alguma falha de sistema, algum vírus, um apagão ou algo assim, as coisas vão mais ou menos na ordem natural.
Só que de uns tempos pra cá o pessoal notou algo estranho no sistema, e não estamos conseguindo sequer acessar a nossa própria rede.
Aí, um desses meninos da informática descobriu que tem um hacker no sistema e que ta comandando tudo de fora. Rastreamos e descobrimos que vem lá de baixo, das profundezas do Inferno. E, cara, o Coisa-Ruim tá no comando! É por isso que o mundo tá que é só tragédia. O cara foi lá na rede e modificou os níveis de movimentação de placas e deu no que deu: terremoto no Haiti. Foi lá e reativou um vulcão que tava dormindo a 200 anos: eo que deu? Caos aéreo na Europa. Mexeu em tudo! Fez até o time dele ser campeão brasileiro!!!
O pessoal da técnica aqui tentando solucionar isso tudo e transferir os comandos pra cá de novo, mas tá foda! Enquanto isso é esperar. Eu mesmo tô sem trabalhar aqui em cima. De braços cruzados. Sem o sistema, não dá pra fazer nada.
É, são os novos tempos. Como a gente ficou dependente da informática!
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E esses padrecos que comem criancinha, hein?
Putz! Me racham a cara de vergonha.
E ainda usam meu nome pra fazer essas putarias. “Somos homens do senhor”, “a palavra Dele”. Eu fora!
Acho que deram OUTRA interpretação pr’aquela passagem do “vinde a mim, ó, criancinhas”.
Não era nada disso, cambada de tarado!
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E a seleção do Dunga, hein?
Pô, Dunga, cadê os meninos da Vila?
Já li que o blogueiro concorda com a besta-quadrada deste técnico, mas a opinião desse aí não conta porque não entende nada de futebol. Essa gurizada nova que não viu seleções de 58, de '70 não sabe o que é futebol de verdade.
Ai, ai, tô vendo que eu vou ter que ajudar vocês aí, de novo.
(Não sabem o quanto foi complicado fazer aquela bola do Baggio subir tanto).
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E falando ainda de futebol, o Adriano não tem jeito mesmo.
O cara passa a vida inteira me pedindo uma oportunidade na vida, pra sair da favela, pra ser um grande jogador, ir pra seleção e blá, blá, blá. Aí Eu, burro, atendo. Faço o cidadão jogar pra cacete, boto o cara na Europa jogando em time grande e morando numa das melhores e mais sofisticadas cidades do mundo, o cara enche o cu de dinheiro e quer voltar pro Brasil pra brincar na favela. Ah, para!!! Mas até aí tudo bem. É lá com ele trocar a Inter pelo flamengo. Mas faço o cara jogar o bastante pra chegar na seleção, o cara é um dos preferidos do técnico e nas vésperas de uma Copa faz tudo isso: falta a treino, vai a baile funk, engorda como um porco, faz orgia com anão, jumento e os cambal e depois ainda quer reclamar que não foi convocado? Tá de pilha! Depois Eu que sou ruim, que não dou oportunidade, que não perdôo.
O mal é que Eu dou biscoito pra quem não tem dentes.
Esse é o mal.
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Bom, vou nessa, galera.
Espero conseguir normalizar o sistema e voltar ao comando. Enquanto isso, recomendo paciência por que a coisa vai continuar como o Diabo gosta.
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Orações, sugestões, reclamaões, palpites, preces, súlicas, promessas para
god@voxdei.gov
(pode mandar poque ainda estou conseguindo acessar o e-mail e o Belzebu não tem a senha)
segunda-feira, 17 de maio de 2010
NOVAS AQUISIÇÕES FONOGRÁFICAS
Aproveitando os baixos preços da Argentina por conta do desvalorizado Peso, trouxe alguns CDzinhos na bagagem:
Um deles foi
MGMT - "Congratulations"
Frustrando toda minha expectativa depois do espetacular (com o perdão da redundância) "Oracular Spectacular", o MGMT vem com um som pretensioso metido a Beach Boys, a Steely Dan ou outras coisas do tipo. Deu um outro tom pro seu psicodelismo mas capturou o que havia de pior e mais chato da tendência. Tentando se desfazer muito rápido das amarras do sucesso, da exposição, dos mainstream, tentam mostrar logo no segundo disco que não são só mais uma bandinha de refrões fáceis e pegajosos. Ora, amigos, mas ninguém tinha dito que vocês eram isso! "Oracular Spectacular" havia sido brilhantemente pop, criativo, original, eclético e multi-influenciado. Claramente se notava que ali tinha hippie, gótico, punk, eletrônico, folk e não precisava de nenhuma prova de que eram músicos de verdade para serem levados a sério. Quem tinha consagrado "Time to Pretend" não havia sido o grande público, o público fácil. Foi quem enxergou em um hit qualidades de grandes e ótimas influências. No fim das contas, pela tentativa dos rapazes, "Congratulations" acaba, infelizmente, soando meio forçado e até pedante.
Mesmo assim, detaques para "It's Working" e "Brian Eno".
também trouxe de lá
Morrissey "Swords"
Já que não vinha encontrando por aqui no Rio, assim que topei com ele em um loja em Palermo, me apoderei e não larguei mais. A boa surpresa é que mesmo sendo um disco de sobras e B-sides, consegue formar um álbum e, por incrível que pareça, um álbum bastante bom. Talvez pelo descompromisso de não ter que compor uma unidade musical para um momento específico, um desejo da gravadora, um objetivo de vendas etc., "Swords" é mais ousado, por exemplo, que "Ringleader of Tormentors", "Maladjusted" e até mesmo do que o bom "Years of Refusal". Além de mais pegada, mais sonoridade, tem, de novo, um Morrissey melodioso, musical e mordaz. "Good Looking Man About Town" que abre o disco já causa boa impressção e surpreende com sua base meio oriental, indiana ou algo do tipo. "Ganglord", já destacada aqui no blog é outra das grandes do álbum com uma base sutilmente eletrônica. "Shame is the Name" é bem Moz e bem radiofônica até.Gostei muito também de"Sweetie Pie", estranha, melancólica mas interessantemente bela e "The Never-Played Symphonies", tristíssima, mas linda.
Boa aquisição.
E outro ainda que compre lá foi
Miles Davis "Tutu"
Comprei numa loja exatamente que homenageia o trumpetista, a Miles, na Rua José Luís Borges, também no bairro de Palermo. Eu tive o "Tutu" em cassete há um tempo atrás em Porto Alegre, deixei lá com meu irmão, depois consegui um piratinha e agora finalmente o tenho decentemente. Sei que não é das obras-primas deste gênio, mas particularmente gosto muito da obra. Miles Davis que virou o jazz (e a música em geral) de cabeça pra baixo umas três vezes ou quatro, acelerando, desacelerando, colocando elementos e tirando, aqui dá uma aula de como fazer um jazz vanguardista, moderno e atrevido, cheio de misturas e influências.
Destaque para a faixa-título, "Tutu", minha preferida.
Um deles foi
MGMT - "Congratulations"
Frustrando toda minha expectativa depois do espetacular (com o perdão da redundância) "Oracular Spectacular", o MGMT vem com um som pretensioso metido a Beach Boys, a Steely Dan ou outras coisas do tipo. Deu um outro tom pro seu psicodelismo mas capturou o que havia de pior e mais chato da tendência. Tentando se desfazer muito rápido das amarras do sucesso, da exposição, dos mainstream, tentam mostrar logo no segundo disco que não são só mais uma bandinha de refrões fáceis e pegajosos. Ora, amigos, mas ninguém tinha dito que vocês eram isso! "Oracular Spectacular" havia sido brilhantemente pop, criativo, original, eclético e multi-influenciado. Claramente se notava que ali tinha hippie, gótico, punk, eletrônico, folk e não precisava de nenhuma prova de que eram músicos de verdade para serem levados a sério. Quem tinha consagrado "Time to Pretend" não havia sido o grande público, o público fácil. Foi quem enxergou em um hit qualidades de grandes e ótimas influências. No fim das contas, pela tentativa dos rapazes, "Congratulations" acaba, infelizmente, soando meio forçado e até pedante.
Mesmo assim, detaques para "It's Working" e "Brian Eno".
também trouxe de lá
Morrissey "Swords"
Já que não vinha encontrando por aqui no Rio, assim que topei com ele em um loja em Palermo, me apoderei e não larguei mais. A boa surpresa é que mesmo sendo um disco de sobras e B-sides, consegue formar um álbum e, por incrível que pareça, um álbum bastante bom. Talvez pelo descompromisso de não ter que compor uma unidade musical para um momento específico, um desejo da gravadora, um objetivo de vendas etc., "Swords" é mais ousado, por exemplo, que "Ringleader of Tormentors", "Maladjusted" e até mesmo do que o bom "Years of Refusal". Além de mais pegada, mais sonoridade, tem, de novo, um Morrissey melodioso, musical e mordaz. "Good Looking Man About Town" que abre o disco já causa boa impressção e surpreende com sua base meio oriental, indiana ou algo do tipo. "Ganglord", já destacada aqui no blog é outra das grandes do álbum com uma base sutilmente eletrônica. "Shame is the Name" é bem Moz e bem radiofônica até.Gostei muito também de"Sweetie Pie", estranha, melancólica mas interessantemente bela e "The Never-Played Symphonies", tristíssima, mas linda.
Boa aquisição.
E outro ainda que compre lá foi
Miles Davis "Tutu"
Comprei numa loja exatamente que homenageia o trumpetista, a Miles, na Rua José Luís Borges, também no bairro de Palermo. Eu tive o "Tutu" em cassete há um tempo atrás em Porto Alegre, deixei lá com meu irmão, depois consegui um piratinha e agora finalmente o tenho decentemente. Sei que não é das obras-primas deste gênio, mas particularmente gosto muito da obra. Miles Davis que virou o jazz (e a música em geral) de cabeça pra baixo umas três vezes ou quatro, acelerando, desacelerando, colocando elementos e tirando, aqui dá uma aula de como fazer um jazz vanguardista, moderno e atrevido, cheio de misturas e influências.
Destaque para a faixa-título, "Tutu", minha preferida.
domingo, 16 de maio de 2010
sábado, 15 de maio de 2010
ARQUIVO DE VIAGEM - Comer na capital Argentina
| Ao estilo criollo, jantar ao som de tango. |
Havia escrito sobre passeios, lugares, futebol, mas tinha prometido falar de gastronomia e ficara devendo esta parte.
Amigos, pra quem gosta de churrasco, carnes na brasa, grelhados em geral, a gastronomia argentina é um achado. Eu, gaúcho, então, me fartei dos mais saborosos e suculentos pratos. A especialidade, que é imperdível, é a parrillada, algo bem próximo do nosso churrasco mas com um "formato" um pouco diferente. Tudo é feito na brasa mas são servidos cortes específicos em um prato só. Tipo um churrasco misto. A carne deles também é diferente do padrão de churrasco brasileiro, sobretudo da região sudeste (Rio-SP) que prefere cortes finos e sequinhos. Se assemelha, até por questões geográficas, ao padrão gaúcho de corte e preparo, com uma carne bem mais gordurosa, mais rústica, mais campeira. Comi a tal parrillada no bairro da Boca supondo que por ser meio que caseira, pela característica dos restaurantes dali, fosse mais autêntica e tradicional mas me enganei e a qualidade do prato ficou a desejar. Gostei muitíssimo, sim, de uma que comi no centro da cidade, que foi absolutamente espetacular e muitíssimo bem servida para uma pessoa. Mas o melhor prato, e que não foi a parrillada inteira e sim apenas um corte, foi o vacio (uma espécie de filé mignon, mas com uma capa de gordurinha de cada lado) que comemos em Palermo Soho, num simpaticíssimo restaurante chamado Estilo Criollo.
Localizado na rua Serrano, próximo à movimentada praça Julio Cortazar, tem ótimo atendimento , ambiente aconchegante e uma carne fantástica. Gostamos tanto que fomos lá quase que por acaso no primeiro dia da viagem e quisemos voltar para comemorar meu aniversário; e logicamente, pedimos o mesmo prato.
| O Punta Brasas, mais chiquezinho. |
Outro lugar legal pra se conhecer e comer é Palermo Hollywood, ali pertinho do Soho. Um lugar cheio de resturantes; estes já de um nível um pouco mais elevado mas, curiosa e favoravelmente, com preços não muito mais altos do que os do resto da cidade. O preço das coisas aliás é um ponto a favor. Nas atuais condições econômicas, com o Real mais valorizado que o Peso, a maioria das coisas estão muito baratas para nós brasileiros, aí o que acontece é que se come bem e se gasta pouco.
| vista da janela do La Paraolaccia. |
De resto, a cidade não tem muitos vendedores de rua, lanches rápidos ou "podrões". Até se encontra um churrasquinho que outro, um cachorro-quente, mas não é aquela coisa fácil de se tropeçar em um destes a qualquer momento. Como lanchinhos deve-se provar os empanados e croissants em qualquer café ou padaria, normalmente muito bons. Vale a pena assim como em Paris, SENTAR mesmo nestess cafés argentinos e saborear as delícias.
Cly Reis
Cly Reis
quarta-feira, 12 de maio de 2010
cotidianas #25 - Tudo Em Dia
Vou comprar uma casa, vou ganhar dinheiro
Vou pensar no futuro, vou fazer um seguro
Vou ganhar o pão nosso de cada dia
Vou por tudo o que tenho na garantia
Vou ter conta no banco, vou trabalhar no escritório
Vou tomar um chope, vou tomar sorvete
Vou tomar remédio, que maravilha
Vou casar e constituir família
Vou andar de táxi, vou deixar o troco
Vou pagar os impostos, vou por os filhos na escola
Vou ser respeitado, vou engraxar o sapato
Vou botar o chinelo, vou sentar na poltrona
Vou jantar na melhor churrascaria
Vou pedalar domingo na ciclovia
Vou ter conta na mercearia
Vou gozar a aposentadoria
Vou ter cic, eleitor, reservistas, rg
Automóvel, tv
Crediário, poupança, carnê
Tudo em dia, tudo em dia
Tudo em dia, tudo em dia
**************************
"Tudo em Dia"
(Arnaldo Antunes, Branco Mello, Sérgio Britto)
álbum "Domingo"
Titãs
Ouça:
Titãs Tudo em Dia
terça-feira, 11 de maio de 2010
cotidianas #24 - Vai pular
Ia atravessar a rua mas o sinal fechou e ficou distraído olhando pra cima, meio que pro nada, só enquanto não dava o verde de novo. Nisso, uma senhora parou ao lado também esperando abrir, e vendo o rapaz com o olhar perdido pro alto, deu um aolhada pra cima também. Aí que uma outra se aproximou e, tomada por uma curiosidade misturada ao natural espírito alarmista humano, perguntou pra senhora “vai pular?”. A dona esta meio surpresa repetiu o “pular?”, o que saltou aos ouvidos de um outro transeunte qualquer.
-Quem vai pular?
-Essa senhora aqui disse que um homem lá em cima do prédio vai pular.
O rapaz que olhara até então distraidamente pro alto do prédio por ter visto talvez um reflexo no vidro, um pássaro ou por estar pensando na namorada, notando o pequeno burburinho, tirou o fone de ouvidos pra se inteirar do que estava se passando.
-Foi esse rapaz que viu primeiro.
-Viu o que? – perguntou confuso o rapaz.
-Chama os bombeiro.
-Graças a Deus alguém viu a tempo. Deus te abençoe meu filho.
-Viu o que? Me abençoar? Por que? Que que houve?
-Ele já tinha tentado antes. Foi na semana passada. – afirmou convicto o dono da banca de revistas.
-Que horror! Será que foi por causa de mulher?
-Se fosse eu não me matava – gritou um lá de trás - matava a desgraçada!
-Acho que é dinheiro. Essas coisas de bolsa, pregão, taxa Selic. As pessoas ficam loucas com isso.
-Não tem ninguém lá em cima – argumentava o rapaz já irritado - Ninguém vai pular. Eu só tava olhando pra cima porque...
Mas a gritaria e a histeria coletiva o interromperam. A calçada já estava tomada, parte da rua parada e carros buzinando.
Àquelas alturas ninguém mais o ouvia o rapaz que tentava dizer que não tinha ninguém lá em cima.
Chamaram bombeiros, abriram cama elástica, subiram escada magirus, veio polícia, isolaram a rua. Não tinha ninguém em cima de prédio nenhum.
A polícia levou o rapaz pra delegacia por causar perturbação da ordem pública e, por mais que o inspetor insistisse, ele não soube responder exatamente o que tanto olhava pra cima naquela esquina.
Passou a noite na cadeia pra aprender a não causar tumulto.
-Quem vai pular?
-Essa senhora aqui disse que um homem lá em cima do prédio vai pular.
O rapaz que olhara até então distraidamente pro alto do prédio por ter visto talvez um reflexo no vidro, um pássaro ou por estar pensando na namorada, notando o pequeno burburinho, tirou o fone de ouvidos pra se inteirar do que estava se passando.
-Foi esse rapaz que viu primeiro.
-Viu o que? – perguntou confuso o rapaz.
-Chama os bombeiro.
-Graças a Deus alguém viu a tempo. Deus te abençoe meu filho.
-Viu o que? Me abençoar? Por que? Que que houve?
-Ele já tinha tentado antes. Foi na semana passada. – afirmou convicto o dono da banca de revistas.
-Que horror! Será que foi por causa de mulher?
-Se fosse eu não me matava – gritou um lá de trás - matava a desgraçada!
-Acho que é dinheiro. Essas coisas de bolsa, pregão, taxa Selic. As pessoas ficam loucas com isso.
-Não tem ninguém lá em cima – argumentava o rapaz já irritado - Ninguém vai pular. Eu só tava olhando pra cima porque...
Mas a gritaria e a histeria coletiva o interromperam. A calçada já estava tomada, parte da rua parada e carros buzinando.
Àquelas alturas ninguém mais o ouvia o rapaz que tentava dizer que não tinha ninguém lá em cima.
Chamaram bombeiros, abriram cama elástica, subiram escada magirus, veio polícia, isolaram a rua. Não tinha ninguém em cima de prédio nenhum.
A polícia levou o rapaz pra delegacia por causar perturbação da ordem pública e, por mais que o inspetor insistisse, ele não soube responder exatamente o que tanto olhava pra cima naquela esquina.
Passou a noite na cadeia pra aprender a não causar tumulto.
Cly Reis
segunda-feira, 10 de maio de 2010
"Alice No País das Maravilhas", de Tim Burton (2010)
O final de semana foi cinematográfico: sábado foi “Iron Man 2”, mas antes disso, na sexta-feira teve “Alice no País das Maravilhas”. Guardava grandes e boas expectativas acerca do filme pelo fato de adorar as histórias de Alice do Lewis Carrol (País das Maravilhas e Reino do Espelho) e por ser fã do trabalho de Tim Burton, suas atmosferas soturnas e suas criaturas fantásticas. Além disso tinha o fato de que um mundo concebido já tão fantasticamente quanto o que a garota Alice visita, receberia pelas mãos do diretor, um tratamento visual em 3 dimensões, o que é sempre uma sensação a mais em obras com tamanha sugestão visual ainda que só se justifique plenamente MESMO em uma cena ou outra.
Enquanto filme, entretenimento, adaptação, proposta para um público abrangente, “Alice no País das Maravilhas” atende plenamente ao que se propõe. É um barato! Tim Burton dá vida a personagens bizarros e estranhos do autor, confere cores e formas a ambientes surreais e dá ritmo a uma história que não é, na sua origem, exatamente uma aventura de ação ou algo parecido. No entanto, o preço de ter-se algo tão visual e tão frenético foi a TOTAL perda literária. Não restou nada da qualidade de texto de Lewis Carrol. A sutileza, o sarcasmo, a acidez, a inteligência do texto desaparecem por completo. Tudo o que é sugerido sobre crescimento, maturidade, personalidade, com genialidade nas entrelinhas de diálogos aparentemente banais nos dois livros do autor inglês, se perde ou fica diluído em conversas inexpressivas ou lições de moral que soam como clichês.
Tim Burton consegue dar cara de Tim Burton ao País das Maravilhas com aqueles seus galhos retorcidos, ambientes sombrios, muitas cores e ordem nas cenas. Recria os personagens de Carrol de uma maneira muito particular e simpática, como o adorável coelho de casaca, a sábia lagarta azul, os confusos gêmeos gorduchos e o impagável Gato com aquele constante e quase sinistro sorriso, aberto de um lado a outro da cara, sempre com um ar sonolento e viajante. Restrição à concepção de Alice que ele faz no filme uma moça prestes a casar e não uma menininha, o que tira um pouco da inocência da obra e do valor de algumas sacadas do livro que se palicariam mais a uma criança do que a uma adolescente. Eu que não gosto das atuações de Johnny Depp, xodó do diretor, tenho que tirar meu chapéu (com o perdão da redundância) para o Chapeleiro Maluco que ele interpreta. Muito divertido e expressivo. Mas como eu sempre digo a respeito deste ator: pra estes personagens cheios de caras e bocas, olhos arregalados, artificialismos e caricaturices, ele até que funciona bem. Um barato a "Futterwacken" que ele dança no final do filme, com ajuda da tecnologia é claro, uma vez que segundo a colega de set, Helena Bonham Carter (excelente como a cruel e divertida Rainha Vermelha), o cara não dança nada!
C.R.
"Homem de Ferro 2" de Jon Favreau (2010)


Sabadão... Depois de ir ao Atêrro do Flamengo pela manhã para ver as classificatórias do Air Race, emendei a tarde com uma sessão de cinema de “Homem de Ferro 2”. Estava mais com vontade de ver a sequência pelo fato do primeiro ter sido muito legal, de gostar de quadrinhos e do personagem, do que com esperanças que repetisse a qualidade do original. No início o filme parecia que iria desmentir minha expectativa e possivelmente ser até melhor que o anterior, mas aos poucos acabou-se confirmando ser apenas mais uma seqüência com muita ação, explosões, correria e tudo mais. A revelação da identidade de Tony Stark como Homem de Ferro em um noticiário de TV funcionando como um flashback ágil e inteligente; a dimensão da Iron-Mania visto na Expo-Stark; e toda a cena de Mônaco, com aéreas, câmeras on-board nos carros , inserções de imagens de telejornais e todo o ambiente, davam um ritmo alucinante e qualificado até ali. Somando-se à ótima a cena em que a câmera, na visão de Stark ,atravessa entre os fãs e imprensa, lembrando o clipe de "Smack My Bitch Up" do Prodigy; e aos afiadíssimos diálogos, principalmente as falas de Tony Stark, na sessão do congresso para “estatização” do Homem de Ferro, pareciam indicar que teríamos algo a mais nesta nova aventura. Engano! Aos poucos a coisa vai amornando; algumas coisas ficam sem explicações razoáveis; nosso vilão, Ivan Vanko (Mickey Rourke), tem motivos meio vãos e vagos e além do mais, no fim das contas, não mostra-se tão ameaçador assim. E o que temos então é SOMENTE um bom filme de ação sem grandes brilhos, novidades, tecnologias ou tramas.
Vale pelo super-herói, vale pela seqüência, pelos quadrinhos, pela roupa colante da Scarlet Johanson (à direita) e pelo ótimo Robert Downey Jr que, aliás, acho que nasceu para interpretar o homem da armadura vermelho e dourada. A propósito, Tony Stark é provavelmente o personagem mais filha-da-puta da história dos quadrinhos, não? Não vale nada! Provavelmente é por isso que simpatizo tanto com ele (hehehe)!
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Detalhe: assim como em “X-Men – Confronto Final” e “Wolverine”, tem uma cena extra depois dos créditos bastante curiosa, já encaminhando sobre uma próxima aventura da Marvel. Fiquem ligados!
É aguardar.
por Cly Reis
sábado, 8 de maio de 2010
Red Bull Air Race
DIRETO DA PRAIA DO FLAMENGO - Acompanhando, aqui a etapa brasileira do Air Race.
Demais!
Muita adrenalina e manobras radicais.
Tudo na paz. Galera na boa, curtindo a prova, ouvindo um som, sentados na areia, tomando umas geladas.
É isso aí. Grande espetáculo. Programaço pro sábado de manhã.
Demais!
Muita adrenalina e manobras radicais.
Tudo na paz. Galera na boa, curtindo a prova, ouvindo um som, sentados na areia, tomando umas geladas.
É isso aí. Grande espetáculo. Programaço pro sábado de manhã.
Cly Reis
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Um outro olhar sobre Buenos Aires
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| Dois trovadores na Rua San Telmo |
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| Um pátio cheio de quinquilharias, também em San Telmo |
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| General San Martin, em frente à Casa Rosada |
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| Sol entre as árvores na Avenida de Maio |
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| Melancólica estátua no Jardim Botânico |
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| Também no Jardim Botânico |
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| Parque do Rozedal |
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| Boneco tradicional no bairro da Boca |
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| Habitante preguiçoso |
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| Tango no Caminito |
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| Espaço oriental em Buenos Aires |
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| Jardim japonês de Palermo |
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| Cantor de tango na noite de Buenos Aires |
Cly Reis
quarta-feira, 5 de maio de 2010
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