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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

The Beatles - "Rubber Soul" (1965)

Transpiração ou inspiração? A história por trás de “Rubber Soul”, o álbum revolucionário que sobreviveu ao deadline

"Eu realmente não estava completamente
pronto para aquela unidade.
Parecia que todas [as músicas] eram juntas.
‘Rubber Soul’ era uma coleção de canções que,
de alguma forma, eram juntas
 como nenhum álbum já feito antes,
e fiquei muito impressionado.
Eu disse: ‘É isso. Eu realmente fui desafiado 
a fazer um grande álbum’."
Brian Wilson,
líder dos Beach Boys


Quando o assunto em pauta é a obra dos Beatles, a transpiração sempre andou abraçada à inspiração. Principalmente, no período entre 1962-1965, quando o quarteto vivia à base de anfetaminas para cumprir a agenda transbordada de shows, aparições na BBC, entrevistas e sessões de gravação em Abbey Road.
       
Com “Rubber Soul” não foi diferente. O LP, lançado em 3 de Dezembro de 1965, teve a honra de ser o primeiro a marcar um dos “fins” ligados aos Beatles. John, Paul, George e Ringo bateram o martelo para o empresário Brian Epstein. A turnê pelo Reino Unido seria a última da carreira. E eles cumpriram a promessa.  O fim dos shows foi uma exigência, já que o interesse era desenvolver as composições e o trabalho no estúdio. “Rubber Soul”, não há dúvida, foi o grito inicial de independência da banda para fugir da maratona de compromissos... Apesar de que muito sofrimento ainda estava por vir.

Bob Dylan
E não foi brincadeira. Com o Natal chegando, e a turnê pela Grã-Bretanha à vista, os Beatles foram obrigados a produzir (com ajuda de Norman Smith e George Martin) o sexto álbum da carreira em apenas um mês, entre Outubro e Novembro de 1965.

A inspiração transbordava pelas mentes da principal dupla de compositores.  Uma das fontes mais generosas foi Bob Dylan, que continuava a influenciar o grupo (“Help” – também lançado em 65 – trouxe “You’ve Got To Hide Your Love Away”, bastante dylanesca). Em “Rubber Soul”, o mix de folk e eletricidade de álbuns como "Bringing It All Back Home" e "Highway 61 Revisited" (respectivamente lançados em março e agosto daquele ano) deram o toque do novo rock americano ao sabor britânico de Liverpool.

Deadline
  Além de Lennon/McCartney, George Harrison aparecia naquela hora como a segunda força criativa. Na verdade, até Ringo conseguiu um crédito em uma das 14 faixas que entraram no disco. Mas como não dava apenas para ficar na inspiração, os Beatles precisaram resgatar músicas de seu arquivo para completar o álbum. O deadline era antes do Natal. E antes da excursão pelas Terras da Rainha, que estava marcada para iniciar na Escócia, dia 3 de Dezembro (Exatamente no dia que o LP chegaria às lojas).

Por isso, “Wait” foi fisgada das fitas de gravação de “Help!”, e “What Goes On” (composição antiga de John) teve de ser recuperada para ganhar cores das novas roupas dos Beatles.  No caso de “What Goes On”, Ringo contribuiu com 5 palavras, e ganhou o crédito como Richard Starkey, ao lado de John Lennon e Paul McCartney. As demais faixas – incluindo mais duas não incluídas no disco – precisaram ser geradas “à força” para cumprir o calendário.

“Maternidade”
A história das músicas dos Beatles pode ser complexa, mas como também existe limite de tempo e espaço para escrever, os contos da maternidade criativa serão breves...

“I’m Looking Through You” nasceu lenta, e ganhou mais pegada na versão definitiva. A música, que escancara os problemas de relacionamento entre Paul McCartney e Jane Asher, é um rocker com sombras do som produzido por Dylan em "Highway 61 Revisited" e do single “Positively 4th Street”.

A origem da linda balada “In My Life” é das mais disputadas. John garantiu que Paul criou o meio da música. Paul disse em sua biografia, “Many Years For Now”, que colocou a melodia sobre um longo poema editado pelo amigo sobre a infância e amigos da região de Penny Lane, em Liverpool.

A melodia de “Michelle” já existia há alguns anos na cabeça de Paul, mas só virou composição com a ajuda de John que a complementou com os “I want you, I want you, I want you”, inspirado por Nina Simone. O francês da música veio das aulas de francês da mulher do amigo Ivan Vaughan.

“Drive My Car” é outro exemplo da parceria Lennon/McCartney. Ao invés de “You can give me golden rings”, John sugeriu “Baby you can drive my car”, alimentando o duplo sentido materialista da letra.

Já “The Word” foi a primeira tentativa da dupla de escrever sobre o que aconteceria no “Verão do Amor” dois anos mais tarde. “Say the Word and you’ll be free... it’s sunshine”.

The Byrds
Na turnê de 65 pelos Estados Unidos, George Harrison tinha ficado amigo da banda The Byrds, que misturava o folk e o rock, também influenciada pelo som de Bob Dylan. Esta inspiração aparece nos arranjos de “If I Needed Someone” – o seu recado nada animador às fãs histéricas – graças à magistral base criada pela guitarra de 12 cordas usada no estúdio. Sua outra contribuição – “Think For Yourself” – tem letra filosófica e conteúdo pragmático. A letra acusa alguém de falar mentiras. Quem seria? A mulher Patty Boyd (que viria a ser mulher de Eric Clapton anos mais tarde) ou o empresário Brian Epstein?

Ciúmes
As músicas de Paul McCartney e John Lennon também não tinham tons alegres. “You Won’t See Me” e “We Can Work It Out” seguem a linda de “I’m Looking Through You”. Todas são gritos de descontentamento com a relação amorosa com a noiva, uma atriz bastante ocupada com o tradicional grupo inglês Old Vic.

 Já a sensual “Girl” – com instrumentação que remete à música grega – conta a história de uma mulher destruidora de corações, insensível e materialista.

“Run For Your Life” é o grito de ciúmes de John, casado com Cynthia Powell. “Day Tripper” (que divide o espaço do single com “We Can Work It Out”) fala de mulheres e drogas de forma subliminar. Segundo o próprio Lennon, assim como “Nowhere Man” (resultado de uma noite em claro, tentando buscar inspiração) a música foi criada “à força” (imagine se não fosse) para preencher os 14 sulcos do vinil.

Uma das (muitas) joias da coroa do LP fecha esse texto. Em “Norwegian Wood” (100% dylanesca) John e Paul dão show nas harmonias, e contam a história de um provável caso extraconjugal de Lennon que termina com incêndio no apartamento do casal. “So I lit a fire – isn’t good, Norwegian Wood” (“Então eu toquei fogo – a madeira da Noruega não é das melhores”).

A madeira citada na música pode não ser das melhores. Mas “Rubber Soul” – que completou 48 anos em dezembro de 2013 – é força de inspiração contínua no universo musical de hoje. E do amanhã.


por Eduardo Lattes
fonte e revisão: Claudio Dirani, autor de "Paul McCartney - Todos os Segredos da Carreira Solo" (esgotado na editora)
e "Na Rota da BR-U2" (disponível com o autor).

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FAIXAS:              
1. "Drive My Car" - 2:30
2. "Norwegian Wood (This Bird Has Flown)" - 2:05
3. "You Won't See Me" - 3:22
4. "Nowhere Man"  - 2:44
5. "Think for Yourself" (Harrison) - 2:19
6. "The Word" - 2:43
7. "Michelle" - 2:42
8. "What Goes On" (Lennon/McCartney/Starr) - 2:50
9. "Girl" - 2:33
10. "I'm Looking Through You" - 2:27
11. "In My Life" - 2:27
12. "Wait" - 2:16
13. "If I Needed Someone" (Harrison) - 2:23
14. “Run for Your Life" - 2:18

todas de Lennon/McCartney, exceto indicadas

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OUÇA:




Eduardo Lattes de Mattos Vellani é paulista é formado em Comunicação Social, Publicidade e Propaganda.RP pela FIAM -Faculdades Integradas Alcântara Machado, de São Paulo. Devoto de Elvis Presley e de seus “apóstolos”, os Beatles, tem quase duas décadas de experiência em Public Relations. Coordena matérias jornalísticas de cobertura em campo, tendo acompanhado de perto a execução de filmagens e reportagens para clientes como SBT, Bandeirantes, FAAP, Roberto Manzoni, Astrid Fontenelle e vários outros.

domingo, 26 de janeiro de 2014

cotidianas # 269 - A mulher dos outros


- Adoro meter na mulher dos outros.
- Safado! - ela riu já quase desfalecendo de prazer.
- Isso, isso... - dizia o rapaz ofegante, pressentindo o gozo.
- Ai, Alan - gritava ela, de quatro, montada pelo rapaz.
Poucos segundos depois os dois encontravam-se em êxtase.
Gozaram juntos.
Ele não podia demorar-se uma vez que não estava em sua casa e não queria ser surpreendido. Vestiu-se rapidamente, despediu-se da amante com um beijo. Em seguida deixou o prédio o mais discretamente possível e seguiu para o ponto de ônibus ali perto. A viagem foi rápida.
Desceu sozinho.
Poucos minutos depois encontrava-se em frente à sua casa.
- Alan? - chamou um homem montado numa moto do outro lado da rua.
- Isso... - respondeu hesitante já pressentindo o perigo.
-Safado! - disse o homem da moto sacando uma pistola de dentro da jaqueta de couro e apontando na direção do rapaz que tentava abrir o portão atabalhoadamente.
- Gosta de meter na mulher dos outros?



Cly Reis

Autoconhecimento II



"Auto-retrato", REIS, Cly
nanquim sobre papel vegetal, 10x10cm

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

cotidianas #268 - Sir Alex


Sir. Alex pousou o charuto sobre a borda do cinzeiro. Não havia terminado de fumá-lo mas já era hora. Apanhou seu pince-nez sobre a escrivaninha, levou-o ao nariz e então passou a procurar sua caneta tinteiro dentro de uma das gavetas. Encontrou. Hesitou um pouco ainda antes de assinar o documento à sua frente. Era uma decisão importante. Foi em frente. Ouviu a ponta da pena raspando o papel e viu a tinta espalhando-se contidamente obedecendo ao desenho de sua assinatura. Estava feito. Levantou-se então de sua confortável cadeira forrada em couro, vestiu o fraque, retirou o relógio do bolso do colete dando-lhe algumas voltas de corda, e por fim acertou levemente sua gravata borboleta. Lembrou-se que não havia colocado as abotoaduras de ouro que herdara do pai. Que diferença faria? Aqueles seriam mesmo seus últimos momentos sobre a terra. Seguiu em passos firmes até a porta do escritório e girou a maçaneta. Pôde ouvir então a fanfarra dos convidados no salão. Sabia que um deles o mataria aquela noite.


Cly Reis

Pix

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Madonna - "Erotica" (1992)



"Eu não acho que sexo é algo ruim,
eu não acho que nudez seja algo ruim.
Eu não acho que estar em contato com sua sexualidade
e ser capaz de falar sobre isso seja ruim.
Acho que o problema é que todo mundo é tão encanado sobre sexo
que fazem isso parecer ruim."
Madonna



Álbum um tanto eclipsado pelas polêmicas dos filmes “Na Cama com Madonna”  e “Corpo em Evidência”, e principalmente do bombástico livro “Sex”, “Erotica”, de 1992, é, no entanto para mim, o melhor disco de Madonna, com um trabalho de produção impecável, sonoridades interessantíssimas, trabalhos vocais elogiáveis, e atitude e provocação no grau máximo. A Material Girl encarnava a personagem Dita e deixava correr soltas todas as suas perversões: a brilhante faixa título, "Erotica", com sua base de baixo sampleada, propositalmente chiando como em um LP, acompanhada de um funkeado hipnótico, já é o cartão de visitas de Dita, com Madonna praticamente declamando os versos, sussurrando, numa interpretação sedutoramente ameaçadora. Dita volta a aparecer em outro grande momento do disco, a matadora “Waiting”, um hip-hop pesadão, com samples muito bem sacados e mais uma violenta dose de pimenta da safada personagem criada por Madonna para expor com mais naturalidade todas suas fantasias. E já que estamos nesse assunto, a ótima “Where the Life Begins”, um funk cadenciado, com tendências rythm’n blues e samples de cordas, é outra que não fica para trás no quesito putaria, uma vez que La Ciccone literalmente 'cai de boca', falando sobre sexo oral sem muitas cerimônias.
Mas falando assim parece que o álbum resume-se a um monte de hip-hop's sacanas pra chocar a galerinha menos avisada. Não! Embora a muitas faixas apresentem essa tendência, “Erotica” trazia Madonna passeando por outras tendências, experimentando desde a disco, na espetacular “Deeper and Deeper”; passando por uma espécie de ragga high-tech, com a ótima “Why’s it So Hard”, um manifesto contra preconceitos; revisitando Peggy Lee, lá dos anos 50, numa versão competentíssima de “Fever”; e logicamente trazendo aquelas canções pop que só ela sabe fazer, como “Rain”, provavelmente uma das melhores canções da cantora até hoje, numa interpretação inspirada e marcante.
Outros grandes momentos são a ótima balada “Bad Girl”, a bem ritmada e muito interessante “Words”; a vingativa e (até) divertida “Thief of Hearts”; na melancólica “In This Life”, para um amigo falecido pela AIDS; “Did You Do It?”, com uma performance à parte de dois MC’s, trabalhando sobre a base de “Waiting”, do próprio álbum; e o grande final com a sensual e misteriosa “Secret Garden”, um hip-hop lento, com ares de jazz, novamente com uma interpretação maviosa e precisa da loura, encarnando uma Dita dessa vez fragilizada e confessional.
 O fato é que se o hip-hop, os ritmos negros, as revisitas à disco, ao funk e aos rythm’n blues viraram moda dali para a frente naquele início dos 90’s, provavelmente em “Erotica” pela primeira vez aqueles elementos eram explorados de uma maneira eficiente e bem acabada por uma artista pop.
É isso que faz o diferencial de Madonna. Sempre um pouquinho à frente. Sempre mostrando como se faz.
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FAIXAS:
1. "Erotica"
2. "Fever"
3. "Bye Bye Baby"
4. "Deeper and Deeper"
5. "Where Life Begins"
6. "Bad Girl"
7. "Waiting"
8. "Thief Of Hearts"
9. "Words"
10. "Rain"
11. "Why's It So Hard?"
12. "In This Life"
13. "Did You Do It?"
14. "Secret Garden"


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Ouça:


Cly Reis

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

cotidianas #266 - "Luka"



Meu nome é Luka
Eu moro no segundo andar
Eu moro bem em cima de você
Sim, acho que você já me viu antes


Se ouvir alguma coisa de madrugada
Algum tipo de encrenca, algum tipo de briga
Não me pergunte o que aconteceu
Não me pergunte o que aconteceu
Não me pergunte o que aconteceu


Acho que é por que sou desastrado demais
Tento não falar alto demais
Talvez seja por que eu seja louco
Tento não bancar o orgulhoso


Eles só batem até você chorar
Depois disso, você não pergunta por quê
Simplesmente nem discute mais
Simplesmente nem discute mais
Simplesmente nem discute mais


Sim, acho que estou bem
Dei outra vez com a cara na porta
Se você perguntar, é o que eu vou dizer
Seja como for, você não tem nada a ver com isso
Acho que gostaria de ficar sozinho
Sem nada quebrado, sem nada jogado


Só não me pergunte como estou
Só não me pergunte como estou
Só não me pergunte como estou


Meu nome é Luka
Eu moro no segundo andar
Eu moro bem em cima de você
Sim, acho que você já me viu antes


Se ouvir alguma coisa de madrugada
Algum tipo de encrenca, algum tipo de briga
Não me pergunte o que aconteceu
Não me pergunte o que aconteceu
Não me pergunte o que aconteceu


Eles só batem até você chorar
Depois disso, você não pergunta por quê
Simplesmente nem discute mais
Simplesmente nem discute mais
Simplesmente nem discute mais

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"Luka"
Suzanne Vega

domingo, 12 de janeiro de 2014

Promoção [OMMCQC]



E o ganhador do sorteio de um exemplar do livro "Os matadores mais cruéis que conheci ",  volume II,  sorteado entre mais de 50 pessoas, foi Kaleo Frank, de Roraima, que receberá seu prêmio em sua casa, pelo correio. É só aguardar que em breve estará pintando por aí.
Parabéns, Kaleo.
Entraremos em contato, via Facebook para informações de envio.
Quanto aos demais. Só temos a agradecer. Obrigado a todos que visitaram nossa página, visitaram o blog, curtiram e compartilharam. Apareçam sempre aqui pelo Clyblog que sempre temos muita variedade, coisas novas e interessantes.
Em breve a gente inventa outra coisa pra galera participar de novo.
Valeu.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Floripa







Férias!
Finalmente.
Curtindo um merecido descanso pelas bandas de Santa Catarina, num roteiro que pretende incluir várias praias da bela Florianópolis, como esta da foto panorâmica, a adorável Praia da Daniela, ao Noroeste da Ilha.
Bom, por hora é apenas isso. Com certeza teremos um relatório de viagem mais completo ao término dassa temporada.
O sol me espera.
Fui!

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

cotidianas #265 - Tônus



"Omnem in Home Venustatem Mors Abolet,"
Hans Sebald, 1547
eros
eras tânatos
ânus falos
viril rijo
língua
que sai de dentro
tanto sexo
muito falo
e eram tantos

músculo
cabeça tronco
tronco membros
falo boca
língua
que vem de fora
tanto falo
muito sexo
e eram tantos


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

DOSSIÊ ÁLBUNS FUNDAMENTAIS 2013


E 2013 chegou ao fim e os ÁLBUNS FUNDAMENTAIS, neste ano em que o clyblog comemorou 5 anos, tiveram um ano pra lá de especial. Além dos nossos colaboradores habituais que sempre nos proporcionam textos fantásticos, cada um à sua maneira, cada um com seu estilo, e da incorporação do qualificadíssimo Paulo Moreira ao time de colunistas, desta vez tivemos participações especiais de luxo: a começar por Roberto Freitas, vocalista do Ths Smiths Cover Brasil que nos brindou com uma resenha especial para a publicação nº 200 dos A.F, trazendo o ótimo álbum "Meet is Murder" dos Smiths, e para fechar com chave de ouro, Carlos Gerbase, ex-vocalista dOs Replicantes nos presenteou com o especial de aniversário do blog, falando sobre o disco de estreia da banda, o clássico "O Futuro é Vortex". Precisa mais que isso?
(Precisar não precisa, mas a gente gosta de um pouquinho mais, sempre.)
Mas 2013 também marcou a tomada do poder pelos Rapazes de Liverpool! Finalmente os Beatles, considerada por uma enormidade de pessoas ao redor do mundo, a maior banda de todos os tempos, assumiu a liderança em aparições nos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS. Acompanhado por David Bowie, é verdade, ali, com 4 indicações cada, mas já é alguma coisa, pra quem, na posição que ostenta, sequer figurava entre os maiores do AF até o ano passado. Mas é bom cuidar porque o pessoal dos Rolling Stones está na cola com 3 aparições com um monte de gente boa junto: Miles Davis, The Cure, Led Zeppelin, Kraftwerk, Stevie Wonder, entre outros.
São muitos os que já pintaram por aqui com dois grandes álbuns, mas é interessante destacar o ingresso do Iron Maiden e do Public Enemy nesse time de bicampeões. Cuidado, pessoal da frente, que esses aí têm mais discos pra botar na lista, hein!
Quanto à nacionalidade, os americanos continuam mandando no pedaço com 87 artistas, seguidos pelos ingleses com 63 e pelos brasileiros com 48. A década de 70 tem tido mais discos destacados, com 67, seguido da década de 80 com 61 e dos anos 90, com 49, e os tão festejados anos 60, têm um a menos. o interessante neste 2013 é que finalmente rompemos a barreira dos séculos e saímos apenas dos séculos XX e XXI para viajarmos até  século XVIII com "As Quatro Estações" de Vivaldi.
O Ano-Novo promete e já começamos bem com a resenha do jornalista Márcio Pinheiro, do disco "Quem é Quem", de João Donato, que não entrou na contabilidade,aqui do Dossiê, porque os números são relativos ao ano passado, mas já vai pra estatística de 2014, e, a propósito, pelo andar da carruagem, devemos chegar à postagem de número 300 dos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS ainda este ano, o que merecerá, por certo, outra boa comemoração. Aí vem coisa boa!
Vamos ver o que conseguimos preparar. Talvez mais alguma participação super-especial.
Quem sabe...



Cly Reis 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

João Donato - "Quem é Quem" (1972)


“Senão ninguém cantava,
ninguém gravava.”
João Donato
sobre gravar pela primeira vez
músicas com cantadas por ele



Depois de ter atravessado os anos 60 vivendo na Califórnia, João Donato estava com saudades do Brasil. O cachê conseguido com os discos “A Bad Donato” e “Donato/Deodato“ (parceria com o também compositor e arranjador brasileiro Eumir Deodato e com participações de Airto Moreira, Randy Brecker e Ray Barreto) seria usado para pagar a passagem de volta. Chegou ao país como um nome das “internas” da bossa nova. Era um músico dos músicos, respeitado pelos seus pares mas pouco conhecido pelo público. Da convivência com o cantor Agostinho dos Santos, um grande incentivador de seu trabalho, nasceu a ideia de colocar letras nas suas músicas.

Assim, em 1972, surgiu “Quem é Quem”, disco que trazia a novidade de ter no repertório músicas com letras cantadas pelo próprio compositor, com destaque para “Até Quem Sabe”, “Mentiras” (as duas feitas em parceria com o irmão, Lysias Ênio) e “Chorou, Chorou” (com Paulo César Pinheiro).

Revigorado pela temporada americana, João Donato se sentia também mais seguro para dar às inspiradas melodias e letras os arranjos que, pela primeira vez, eram todos assinados por ele. Donato confessa que, na época, lembrava muito do seu amigo, o maestro Laércio de Freitas, um de seus principais incentivadores. “Ficava na dúvida sobre uma frase musical e perguntava: Laércio, é melhor isso ou isso? Ele respondia simplesmente: ‘Acredita!’”.

por Márcio Pinheiro

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FAIXAS:
1. Chorou, Chorou (Paulo César Pinheiro, João Donato) (2:40)
2. Terremoto (Paulo César Pinheiro, João Donato) (2:28)
3. Amazonas (Keep Talking) (João Donato) (2:10)
4. Fim De Sonho (João Carlos Pádua, João Donato) (3:39)
5. A Rã (João Donato) (2:31)
6. Ahiê (Paulo César Pinheiro, João Donato) (2:52)
7. Cala Boca Menino (Dorival Caymmi) (2:23)
8. Nãna Das Águas (Geraldo Carneiro, João Donato) (2:20)
9. Me Deixa (Geraldo Carneiro, João Donato) (2:18)
10. Até Quem Sabe? (Lysias Ênio, João Donato) (2:11)
11. Mentiras - com Nana Caymmi – (João Donato, Lysias Ênio) (4:15)
12. Cadê Jodel? (Marcos Valle, João Donato) (2:01)
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Ouça:
João Donato Quem é Quem



Jornalista gaúcho, Márcio Pinheiro é especialista na área de jornalismo cultural, principalmente literatura, história, televisão e música. Em duas décadas de profissão, passou pelas redações de Zero Hora, Jornal do Brasil, Jornal da Tarde, Gazeta Mercantil, RBS TV e TVCOM, além de ter colaborado com sites, jornais e revistas como Usina do Som, Jornal Musical, O Estado de S. Paulo, Showbizz, Placar e Revista Imprensa. Realiza trabalhos de redação e edição de textos para diferentes publicações e projetos em TV e cinema, tendo escrito o roteiro dos documentários “Mais uma Canção", sobre o cantor e compositor gaúcho Bebeto Alves, de 2013, e o premiado “Renato Borghetti - Quarteto Europa”, de 2010. Ocupa há cerca de 3 anos e meio o cargo de coordenador do Livro e da Literatura da Secretaria de Cultura de Porto Alegre.


domingo, 5 de janeiro de 2014

Autoconhecimento








"Auto-retrato", REIS, Cly
acrílica, gouache e óleo sobre papel pardo (2000)


REIS, Cly

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

"Os Matadores Mais Cruéis que Conheci", volume II - Promoção OMMCQC





"Está aberto o reino da morte!"
Chegou às nossas mãos, autores participantes, e em breve deve estar pintando nas livrarias, a antologia "OMMCQC II" (Os Matadores Mais Cruéis que Conheci, vol. II) que traz 37 contos que exploram exatamente esse lado tão misterioso, sórdido, selvagem, primitivo e inutilmente reprimido do homem: seu lado assassino.
Pois se você quer ter o mórbido prazer de folhear essas páginas empapadas de sangue antes que elas sujem as prateleiras das livrarias, compartilhe a nossa promoção na página do clyblog no Facebook e fique esperando a morte chegar, ou melhor... o livro chegar... na sua casa.
O sangue é da melhor qualidade e quem garante isso, somos nós, os 'matadores' que criaram esse universo de instinto selvagem. Tem matadores jovens, maduros, mulheres, homens, há as que matam com um salto-alto, há os que matam com machados, os que matam em porões imundos, há os que matam em motéis, há os sofisticados, há os afoitos, há os que mataram por acidente e os que matam por vocação... Variedade é o que não falta, e estes, abaixo são os criadores desse universo tão provocante e assustador, com suas histórias sangrentas:

HOJE EU VOU COMER SUA BUNDA -  Cly Reis

A ESCRITORA - William Schmahl Barros

A FACE DO EXTREMO - Eliane Verica

A LENDA DE MIGUEL JUAREZ - Edinaldo Garcia

“A ÚLTIMA CEIA” Juliana Pitta

A ÚLTIMA OFERTA - Valdison S. Barbosa

A VINGANÇA DO LOBO - Eduardo Colucci de Castro

AMOR DE MÃE - Graziela Fusco Ramos

AS MÃOS QUE CONTROLAM A MARIONETE - Maristela Abreu

BÁRBARA - Bruna Leôncio

CARONTE - Ricardo Esteves

A TESTEMUNHA - César Costa

DE JOVEM PROMISSOR, À SERIAL KILLER - Gustavo Demarchi

A ENFERMEIRA - Thiago Vilard

ACEITA UMA BEBIDA? - Gui Barreto

O PASSEIO - Heliton Queiroz

CORAÇÕES FRIOS - W.G. Souza

IGOR - Fábio Baptista

MELISSA - Davi M. Gonzales

MENINA ASSASSINA - Michele Mourão

MENTES INSANAS - Debora Gimenes

O ASSASSINO DO BOTIJÃO - Márcio Lobo

O COLECIONADOR DE ÓRGÃOS - Marcio Milton de Souza

O DONO DO ANTIQUÁRIO - Zulmênia Pereira do Vale

O VARAL - Luciana Rodrigues

O FOSSO - César Bravo

LOUCO OU CRUEL? - Ana Angélica Ferrazi

PACIÊNCIA - Henrique Seben

PAI NOSSO - Guilherme Matos

PRATO FRIO - Jowilton Amaral da Costa

RESPEITEM A MINHA NATUREZA - André Albuquerque

TRÊS PORQUINHOS - Narjara Oliveira

UM FURO DE REPORTAGEM - Leônidas Grego

SANGUE FEDE - Fábio Gonçalves

UMA NOITE COMO OUTRA QUALQUER - Ramon Bacelar

VERDADES - Beto Canales

WILLY PANCAS - Afobório



Compartilhe. Boa sorte, luz e sangue, sempre.


Cly Reis

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

COTIDIANAS nº264 - Especial 5 anos do ClyBlog - A Profissionalização da Demanda


Vivemos um problema dos mais fodas, muita gente falando bastante coisa com pouco conhecimento de causa e isso bagunça tudo. Acho que é preciso mais confiança no editor, porque um bom editor meu amigo, fala do que vive todo dia e não de suposições e fantasias promulgadas em grupos de FB e etc. Um editor que não fala coisas baseadas na verdade, e sim na conveniência, num primeiro momento, agrada ao autor, mas depois o desagrada, porque não conseguirá comandar uma publicação de bom resultado, e mais dia ou menos dia, pagará um preço por isso.
Eu entendo quando escuto que pagar é foda, o que muda é que muita gente não entende quando falo, que de graça, nem ponteiro de relógio se mexe. O autor não pode pagar, mas a editora e o editor podem trabalhar de graça, é isso? Se a grana tranca a publicação do autor, também veta o trabalho da editora. Uma coisa não está distante da outra.
Penso que grande parte dos equívocos acontece porque ainda não se sabe o que é uma editora independente e qual é o seu papel. Editoras independentes surgiram para publicar/dar uma força, para quem ainda não conseguiu dizer, eu sou autor da minha sonhada editora x, qual é a parte que ninguém entende?
Eu sei qual é. É que agora, como a demanda está em alta e tem revelado bons autores e bons livros, tal modalidade deixou de ficar em segundo plano e passou a estar em primeiro plano para muita gente, e isso borbulha um grande número de editoras no mercado, que muitas vezes oferecem um preço muito abaixo do mínimo necessário para que a publicação tenha qualidade editorial e relevância. Isso fode as coisas e queima o mercado! Porque surge o editor-meia-boca e o autor-especulador.
É preciso filtrar. Não há como fazer um bom livro sem um bom editor, sem um bom revisor, sem um bom design gráfico, sem uma boa estratégia de venda, sem um bom plano de divulgação, sem um bom autor etc. Um exemplo, por que existem tantas resenhas críticas no mercado sentando o pau sobre a ortografia de alguns livros feitos na demanda?
Por que um bom revisor tem o seu valor, e isso acresce custo no livro. E para cada bom profissional envolvido na confecção do folhoso, se ganha um novo custo. Eu não abro mão de qualidade em nenhuma etapa, e se é assim, entendo que tenho um preço compatível com o resultado final. Não existe milagre. E em minha mente, o que não tem qualidade não vende.
Eu também acho complicado ouvir certas coisas totalmente fora de contexto, como por exemplo, queremos livros mais baratos. Deveríamos enquanto profissionais, pedir por um melhor custo/benefício. É bem diferente. Ninguém consegue bons resultados nivelando uma produção editorial por baixo. Quanto mais barato o preço, mais barato é o resultado.
Quando profissional, a demanda não é uma vilã, é uma oportunidade para não mofar esperando um ‘sim’ que talvez nunca, ou quase nunca chega, porque viver num país que ferra com a arte é dose. Além do mais, eu acho que a demanda significa liberdade. Sempre publiquei assim e acho que consegui bons frutos com tal modalidade de publicação. É o que endossa um fato que se tornou a saída para muitos autores que fazem dela o seu repasto porque deu certo.
Sei que cada um entende essa coisa ‘de colher bons frutos’ de uma maneira pessoal. Quem sabe para você, eu pense muito baixo. Contudo, eu vislumbro um degrau de cada vez. Prefiro passos seguros para nunca retroceder. Não há nada mais importante para mim do que os meus livros, eu deixaria de fazer qualquer coisa para poder investir neles com o máximo de qualidade. Não vejo como simplesmente ‘pagar’, mas como uma oportunidade para aplicar a minha grana e lucrar com a venda deles.
Publicar pela demanda é tornar-se empresário de si mesmo. A premissa é, pague pela primeira publicação e com o seu lucro em mãos, gerencie as próximas. Eu acho que vale a pena. Mas não dá para usar o capital de publicação para tomar cerveja. É uma premissa empresarial. As adversidades são tudo o que vai mover o seu comportamento profissional. Elas existem para que você transforme cada uma delas em um desafio que precisa ser superado. É para frente que se anda, e quem não está disposto a dar um passo em frente, permanece no mesmo lugar e se desgasta um monte, sem qualquer necessidade.
Em minha mente, a demanda é uma escolha que funciona, mas que exige a profissionalização do autor enquanto escritor e também enquanto seu próprio investidor. Vejo o mercado da demanda atual, como sendo o mais promissor de todos os tempos. A publicação independente é o maior movimento literário já desencadeado em nosso país. Gera concorrência e aperfeiçoamento.
O autor publica, o mercado filtra, a qualidade se sobressai, é como em qualquer área profissional. Enquanto autor e editor entendo que profissionalizar o mercado é antes de tudo, ser coerente com as nossas palavras e com as nossas atitudes.
Penso que a demanda só pode ser estabelecida como um grande problema, a partir do momento em que não existem duas coisas, qualidade na obra e público leitor, porque a partir do momento em que você possui um bom produto enquanto livro e um público interessado em sua literatura, a demanda é a modalidade de publicação mais rentável para qualquer pessoa que escreve bem.
Outro detalhe, a demanda e o seu autor ainda enfrentam problemas de distribuição, porque existe preconceito com o profissional do meio, pois há uma questão que eu classifico como absurda, a exigência das livrarias em distribuir livros somente diante de um desconto de 40% ou 50% sobre o preço de capa. É uma proposta do tipo, a gente lucra se vender e vocês que se lasquem. Uma atitude assim, mina qualquer possibilidade e algo precisa ser avaliado aqui, porque tal postura é imposta primeiramente para a editora, só que normalmente, uma situação tensa como a que mencionei, acaba se tornando um atrito entre o autor e a editora, quando na verdade, a livraria que impõe o desconto como condição para a distribuição passa batida na discussão e isso não é justo com o editor, que aguenta uma reclamação totalmente passional.
Mas eu também tenho um argumento para dizer que a demanda é viável mesmo com restrições de distribuição, foi o que funcionou comigo e é o que eu e alguns editores e autores defendem como alternativa para a distribuição de nossos livros publicados pela demanda, o trabalho de campo. Se o autor desenvolver um bom projeto para o seu folhoso e conseguir transformar o enredo da sua obra em algo palpável e relevante para o leitor, é possível furar o bloqueio, discorrer sobre sua obra e tudo que a circunda, convertendo suas ações profissionais em venda direta ao público interessado, através de instituições e escolas. Falar sobre a sua obra é o trampo do autor, ou não? A rapadura é doce, mas não é mole. Temos de mudar o nosso jeito de pensar. Precisamos de alternativas ‘porque chorar não vale mais a pena’, cantou um dia o grande Celso Blues Boy.
Enfim, em um único texto é impossível falar sobre tudo e eu já escrevi demais, mesmo assim, espero que tal post sirva como uma injeção de ânimo em sua vida. A cultura do ‘faça você mesmo com uma editora legal’ é a única postura com capacidade para transformar uma porta fechada em uma porta aberta.
Aquele abraço! Sorte, luz e demanda, sempre!


por Afobório


Afobório é o pseudônimo do gaúcho Alexandre Durigon, escritor, editor e revisor de texto, organizador e autor em várias antologias, entre elas, "Contos Medonhos", "The King", "Mistério das Sombras", "A Morte do Outro Lado da Luneta", "Os Matadores Mais Crueis Que Conheci", sua sequência, recentemente lançada, "Os Matadores Mais Cruéis Que Conheci' vol. II, além dos romances "Livre para Ser Preso" e "Contos de Amor e Crime - Um Romance Violento". Afobório é idealizador e coordenador do projeto social, PROJETO BALACLAVA, que leva a literatura as escolas públicas e municipais e atualmente, dedica-se a seu novo projeto, a editora Os Dez Melhores, que abre espaço para publicações de novos autores.
Informações e trabalhos do autor você encontra em (www.medoemorte.blogspot.com.br)


ClyBola 2014


Nem só de cultura vive o homem e, de vez em quando é legal, SIM, alguma futilidade. Mesmo que alguns digam que é alienante, que é  'ópio do povo', que é tudo armado, mesmo que muitos se perguntem como é que alguém pode gostar de ver 22 marmanjos correndo atrás duma bola, nós do clyblog também nos amarramos em futebol, afinal, como diz o 'filósofo contemporâneo', "futebol é a coisa desimportante mais importante do mundo". E não é mesmo?
Assim, nesse ano de Copa do Mundo traremos uma programação toda especial de publicações. Pra começar, teremos a ClyBlog Rock Cup decidindo qual a melhor música de um artista ou banda, ali, no mata-mata, uma música contra a outra. Fantásticos 'confrontos' estão por vir!!! Imagine um "There's a Light That Never Goes Out" X "The Boy With the Thorn in His Side", numa Copa The Smiths; ou um "Tempo Perdido" contra "Faroeste Caboclo, numa Copa Legião Urbana; ou ainda, um "Vogue" versus "Like a Prayer" numa Copa Madonna. Uau! Estes e outros duelos incríveis estão por acontecer na nossa Copa do Mundo particular.
Além disso, durante esse ano, até a Copa, teremos a seção "O Jogo da Sua Vida", onde leitores, amigos, colaboradores vão nos contar tudo sobre aquele jogo que lhes arrepia até hoje, quando lembram. O jogo que os fez chorar, que fez sorrir, o grito de campeão, a estrondosa derrota, a primeira vez no estádio, o show da torcida, o gol inesquecível... o que quer que tenha feito aquele jogo tornar-se o jogo da sua vida.
E não para por aí: as demais seções do Clyblog volta e meia trarão alguma coisa ligada a futebol, seja nas tirinhas, onde já desfilaram, por exemplo, figuras como o Peymar no Pix, ou o time dos Transgênicos no Berinjela Beligerante , só para citar algumas; nas COTIDIANAS, onde, não raro, já figuram textos sobre o esporte mas que terá algum incremento neste sentido; e mesmo na seção ÁLBUNS FUNDAMENTAIS, que trará alguns discos, logicamente de grande importância musical, mas que tenham aquela ligação com o esporte mais popular do Brasil.
É isso aí: 2014 começando e vem coisa por aí.
Preparem-se.
Vai ser dado o apito inicial...


Cly Reis

sábado, 28 de dezembro de 2013

cotidianas #263 - Projeto R



Foto dos restos do incêndio
com os arquivos encontrados.
Os relatórios a seguir foram encontrados nos escombros do incêndio do III Grupamento Militar da  Zona IV, Phoenix, AZ.
Os própros soldados do batalhão combateram o fogo, até a chegada dos bombeiros, mas não puderam evitar a destruição praticamente total da unidade. Pouca coisa foi salva, mas registros parcialmente recuperados da Divisão de Ciências do grupamento, ajudam a conhecer algumas circunstâncias, até hoje não totalmente esclarecidas, do incêndio que destruiu as instalações do quartel e vitimou grande parte do batalhão.
Além do arquivo-geral da batalhão, foi encontrado o diário pessoal do Dr. Stewart, médico-responsável do local e chefe dos projetos científicos. Muitas páginas foram queimadas mas, na medida do possível, as informações foram colocadas em ordem cronológica.
Esta parte, encontrada danificada, parece definir os objetivos da Divisão naquele momento. O nome do relatório, e outras partes da introdução, encontravam-se chamuscados mas o procedimento cinetífico em questão parece ter sido chamado de PROJETO R.


 (sem indicação de início)
...jeto R visa a imunização total contra quaisquer tipo doenças, o aumento de resistência a ferimentos em áreas não vitais do corpo, e ainda um (...) força muscular em um curto prazo sem a necessidade de atividade física específica, de modo a dotar o solda... divisão e...
(...) graus de longevidade, força e ...stência para ...tividades de campo e combates.
(...)
...cedimentos com ratos, macacos...
(...)
...humanos

dia #7
As experiências têm sido bem sucedidas. Os rato responde bem à substância.

dia #8
Os ratos continuam apresentando atividade normal.
Nada de diferente, por enquanto.

dia #9
Algo interessante. O rato A, que recebeu injeção da substância parece subitamente inquieto. O rato B, sem o medicamento, parece acuado.

dia#10
A srta. Bailey , minha assistente foi quem notou que o rato A está extremamente agressivo, até mesmo...
(…)

 provavelmente dia #11 ou #12 (cabeçalho queimado - impossível identificar)
… terrível quando encontramos o rato B totalmente devorado pelo rato A.
(...)
Sacrificamos o animal de experiên...
(...)

dia #16
Modificações na formulação do AH-30 foram feitas. Aplicamos em outro rato.

Páginas do dia #17 a #35 destruídas

dia #36
...sde a redosagem da medicação, a nova amostra, rato C, tem reagido normalmente em relação ao outro. Maior resistência na esteira, mais força, sem indícios de degeneração celular.
Impressionante.

dia #57
(…) substituir as amostras...

dia #60
… macacos respondem bem à substância.

dia #123 (apenas fragmentos de palavras podem ser identificados no diário neste dia)

(…) redosagem... tentativas...
...macacos … experiência... humanos...
… força …
imortalidade.

dia #157
Não sei se devo fazer isso mas, diante dos resultados positivos obtidos com os macacos, resolvi trocar a amostra (…)
Indivíduo branco, aproximadamente 32 anos (…)
Se tudo der certo estaremos fazendo aqui o super-soldado, talvez o super-homem.

(Os dias #158 a #165 apenas apresentam relatos da melhora de saúde do indivíduo, do qual não conseguimos identificar a procedência nos arquivos)

dia #166
É com pesar que registro a perda da amostra. O paciente faleceu subitamente depois de vir apresentando impressionante evolução de saúde. Uma pena.
Temo não ter mais o devido entusiasmo para retomar as experiências.
Comunicarei a decisão a meus...

dia #167
Está vivo! Está vivo!
Acredito que a substância tenha agido de alguma forma, de maneira retardada. A move-se com alguma dificuldade, parece confusa (...)dócil.
(...)íris e pupilas totalmente esbranquiçadas.
(...) fome...

dia #167
(...) erece uma comemoração!
(...)i uma champagne e comemorei com a srta. Bailey, o único outro ser-humano que tenho contato nos últimos 5 meses. Até hoje, é claro. Hoje juntou-se a nós a 'amostra '.
(Tenho que dar um nome para a amostra)

dia #168
(...) amostra (...) agressiv...

dia #169
Fui mordido (...)

dia #170
Infelizmente, a amostra, que vinha-se mostrando cada vez mais agressiva, teve que ser eliminada. Creio que, agora sim, o projeto esteja encerrado.
Devo apenas juntar minhas coisas e deixar o laboratório nos poróximos dias.

dia #171
(...)-me estranho. Passei mal durante o dia inteiro.
(...) vômitos, calafrios... pulsação baixando
(...)
uita fome.

(Ilegível. Pela sequência, provavelmente dia #181)
Meu Deus, o que eu fiz?
O que eu fiz com a srta. Bailey?
Que horror!
Que horror!
Eu tinha muita fome (...)

(provavelmente #dia 182. Apenas uma frase legível em todo esta página do diário)
(...) já não sou mais eu mesmo (...)

dia ####################
qdeorfntyfbbrceis bhrvnrkwdljcbeubjdcs
deufbefjeefd fome fnrgru  rjgjrijfe
odfepep hhrffbfbf

(dia seguinte. sem indicação)
to cbcedc edfnfjpppppoododd
fome
nnmkklels gfdddddoooppxx

dia#? nao sei mais em que dia de experiencia estou
cosegui injetar em mim mesmo uma medicacao que havia testado nos macacos e recuperei creio que temporariamente alguma razao. estou morrendo eu sei. alias ja estou morto pois nao tenho mais pulso estou frio. foi (...) experiencia. o soro noa pode ser produzido. ele mata e traz de volta a vida. mas quando se volta na verdade ja se esta morto e ................................. diferente. com fome (...) fome do qe houver pela frente (...) de outros humanos.
(...) eliminar o projeto r. não posso permitir que ele seja levado adiante.
(...) que ele seja conhecido.
(...) superiores não devem saber que pretendo destruir o projeto e todos seus registros (...) talvez o objetivo do exeército tivesse sido exatamente (...)
(...) espalhando gasolina (...) laboratório.
(...) elesestõachegando!!!!!!!!!!!!!!!!!!!1111111111111111111111opvodnddddkhjfjf
(...) fogo
...................................................


Não há como confirmar precisamente mas, com base nas descrições dos sintomas feitas pelo Dr. Stewart, é bastante provável que a presente epidemia que ameaça praticamente todo o mundo neste momento tenha alguma ligação com o próprio Projeto R e com suas pesquisas, e que, mesmo com a tentativa de eliminar-se todas as amostras e experimentações, algum soldado ou bombeiro que participou do socorro, de alguma forma tenha sido infectado e a partir daí espalhado o mal.
Acreditamos que os materiais salvos do incêndio, da Divisão de Ciências do Grupamento Militar, nas condições que se encontram, queimados, extraviados e bastante reduzidos, sejam insuficientes para dar-nos algum indicativo de como deter a peste.
Prossegiremos em nossas pesquisas. 
E que Deus nos ajude.


Dr. William Otterlay
Centro de Controle de Doenças, Atlanta, GA
27 de outubro de 2019






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