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sexta-feira, 2 de maio de 2014

Copa do Mundo Legião Urbana - segunda fase

Eletrizante!
É a única palavra que eu tenho para definir a fase que se abre agora na Copa do Mundo Legião Urbana. Como a partir de agora os clássicos locais, ou seja, os enfrentamentos de músicas do mesmo álbum está liberada, logo de cara já temos 4 jogaços caseiros: "Perfeição" pega "Os Anjos" no derby d"O Descobrimento do Brasil", Baader-Meinhof Blues enfrenta "Será" no embate do disco de estreia; e "Quimica encara a fortíssima "Que País é Esse" que dá nome ao disco ao qual ambas pertencem; e "Fábrica" pega a poderosa "Índios" no duelo das músicas do álbum "Dois". Mas não pára por aí! Não fiquemos só nos clássicos regionais, a adorada "Eduardo e Mônica" pega a forte "A Dança", a boa "Sete Cidades" bate de frente com "Eu Sei", uma das mais queridas da banda; e "Meninos e Meninas" encara 'Por Enquanto" num confronto que promete muito equilíbrio. Mas o grande confronto da fase fica por conta de "Tempo Perdido" contra "Pais e Filhos", duas das grandes favoritas se enfrentando cedo na competição e o pior: só uma sobreviverá.
Vai sair faísca!!!
Confira abaixo todos os confrontos da segunda fase da Copa Legião Urbana:





  • HÁ TEMPOS x O LIVRO DOS DIAS
  • 1965 (DUAS TRIBOS) x QUANDO VOCÊ VOLTAR
  • ACRILIC ON CANVAS x DEZESSEIS
  • BAADER-MEINHOF BLUES x SERÁ
  • EDUARDO E MÔNICA x A DANÇA
  • SETE CIDADES x EU SEI
  • ESPERANDO POR MIM x DANIEL NA COVA DOS LEÕES
  • MENINOS E MENINAS x POR ENQUANTO
  • PERFEIÇÃO x OS ANJOS
  • FABRICA x ÍNDIOS
  • QUANDO O SOL BATER NA JANELA DO TEU QUARTO x ANDREA DORIA
  • EU ERA UM LOBISOMEM JUVENIL x O DESCOBRIMENTO DO BRASIL
  • A FONTE x FEEDBACK SONG FOR A DYING FRIEND
  • A TEMPESTADE x GIZ
  • QUÍMICA x QUE PAÍS É ESSE
  • PAIS E FILHOS x TEMPO PERDIDO


quinta-feira, 1 de maio de 2014

Copa do Mundo Legião Urbana - classificados da primeira fase

Os grandes hits entraram neste primeira fase mas nem todos tiveram boa vida, não. Geração Coca-Cola, Monte Castelo, Angra dos Reis ficaram pelo caminho, mas a maior zebra da competição até agora foi a eliminação do clássico Faroeste Caboclo logo na fase inicial. Em compensação times tradicionais como Tempo Perdido, Paise Filhos, Há Tempos e Que País é Esse confirmaram suas vagas na segunda fase sem dificuldades e algumas que entraram na pré, como Daniel na Cova dos Leões, Andrea Doria e a surpreendente O Descobrimento do Brasil que já tirou Ainda é Cedo e A Via Láctea, mesmo sem o status de mega-sucesso vão seguindo firme sua caminhada.
Confira abaixo todos os classificados e fiquem ligados no sorteio para a segunda fase da Copa LEGIÃO URBANA.
(Os classificados destacados em vermelho):


cotidianas nº 290 Especial Dia do Trabalhador - A Bola do Jogo



Olha, olha, olha
Olha, meu olhar mais fundo
Entra, entra, entra
Senta, bem vinda ao novo mundo
Minhas pernas são bastantes fortes
Como de todo trabalhador
Os meu braços são de aço
Como os de todo operário
Mas como já dizia um velho casca
A merda dos trabalhadores é sua alma inútil
Eu tenho uma alma que é feita de sonhos
Mas como já dizia um velho casca
A alma de um trabalhador
É como um carro velho só dá trabalho
Tira, tira, tira
Deixa, não apaga o meu fogo
Suba, suba, suba
Gira, gira linda
É a bola do jogo
A bola do jogo
Sou um trabalhador sou sim,
Eu tenho uma alma que dseja e sonha
Deseja e sonha
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"A Bola do Jogo"
mundo livre S/A

(letra: Fred Zero Quatro)


Ouça:
Mundo Livre S.A. - "A Bola do Jogo"

Presentes

Ganhei da minha guria, a minha esposa Rosana, de aniversário,  dois presentes surpreendentes e espetaculares, aos quais fico ansioso em lê-los. Um, uma biografia da banda The Smiths, uma de minhas favoritas, do jornalista britânico, Tony Fletcher, "The Smiths - A light that never goes out"; e o outro um apanhado de crônicas de escritores e jornalistas brasileiros renomados, de ontem e hoje, sobre futebol,  chamado "Um time de primeira".
Dois temas que gosto muito, música e futebol em dois livros que me parecem altamente interessantes.
Presentes perfeitos. Coisa de quem conhece bem seu parceiro.
Devorá-los-ei com grande interesse.

Cly Reis

quarta-feira, 30 de abril de 2014

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Copa do Mundo Legião Urbana - primeira fase

Acabou a brincadeira!
As grandes entraram na jogada.
Agora tem Faroeste Caboclo, Geração Coca-Cola, Eduardo e Mônica e outros grandes sucessos.
Sorteados os confrontos, já temos embates fantásticos como Teatro dos Vampiros x Acrilic on Canvas, Meninos e Meninas x Metal Contra as Nuvens, O Senhor da Guerra x A Dança, Quase sem Querer x Baader-Meinhof  Blues, e alguns curiosos como o 'clássico da espera', Se Fiquei Esperando Meu Amor Passar x Esperando por Mim, o 'clássico dos perdidos', Perdidos no Espaço x Tempo Perdido e o 'clássico do clima', Vento no Litoral x A Tempestade. Temos ainda os, teoricamente, mais fáceis como Há Tempos x Love Song, Perfeição x A Ordem dos Templários, mas sabe como é que é, né... rock'n roll às vezes é uma caixinha de surpresas
Bom, confira aí, abaixo, todos os confrontos:





domingo, 27 de abril de 2014

Copa do Mundo Legião Urbana - classificados da fase preliminar

O primeiro degrau já foi superado.
Pra alguns.
32 músicas da Legião Urbana já ficaram pelo caminho. Mas nem tudo são flores para as que conseguiram se classifiacar, essas outras 32 'felizardas' vão encarar, nada mais nada menos, que os grandes sucessos e favoritas do público, que entram na próxima fase.
Nessa pré-fase, que passou, muitos confrontos tinham desfechos bem previsíveis, como a eliminação de High Noon, a derrota de Central do Brasil para A Tempestade, ou a derrocada de Dado Viciado diante do Lobisomem Juvenil. Sem surpresas. Mas no mínimo uma 'zebra', se é que se pode chamar assim, aconteceu, que foi a precoce eliminação de Ainda é Cedo já nesta fase prévia. Cedo demais, se me perdoam o inevitável trocadilho. Tivemos também, pelo menos dois bons confrontos, que se não fosse o impiedoso sorteio, poderiam ter ocorrido mais adiante: Conexão Amazônica contra Metrópole e Daniel na Cova dos Leões contra Teorema. Mas as coisas são assim... cruéis às vezes, e Conexão e Teorema nos deixaram muito rapidamente.
Bom, é vida que segue. Aliás, é campeonato que segue e agora vem a primeira fase e, com Tempo Perdido, Será, Há Tempos, entre outras grandes em campo, não vai ter refresco pra ninguém.
Confira aí, abaixo, destacados em vermelho, os classificados da fase preliminar:




quinta-feira, 24 de abril de 2014

Copa do Mundo Legião Urbana - fase preliminar

Feito o sorteio da pré-fase da Copa do Mundo Legião Urbana.
Nesta etapa ainda não estão presentes os grandes sucessos e as mais conhecidas da banda, mas mesmo assim já temos confrontos quentes como "Conexão Amzônica" x "Metrópole", "Baader-Meinhof Blues" x "A Montanha Mágica" e "Daniel na Cova dos Leões" x "Teorema", só para você ter uma ideia do que ainda vem pela frente.
Bom, neste torneio, as avaliações e decisões sobre quem é melhor, quem passa, quem elimina quem, dessa vez ficam a cargo do amigo Jowilton Amaral da Costa, dos clyblogueiros, Daniel Rodrigues, Luan Pires, Christian Ordoque e Cly Reis, todos, é claro, legionários de carteirinha. Mas é claro, contaremos com a ajuda da 'tribo', os muitos fãs da LU, que certamente não deixarão de expor suas preferências.
Confira aí os confrontos da fase preliminar:



quarta-feira, 23 de abril de 2014

Pix

cotidianas #288 -Zagueiro





Arrepia, zagueiro
Zagueiro
Limpa a área, zagueiro
Zagueiro
Sai jogando, zagueiro
Zagueiro
Ele é um zagueiro
É o anjo da guarda da defesa
Mas para ser um bom zagueiro
Não pode ser muito sentimental
Tem que ser sutil e elegante
Ter sangue frio
Acreditar em si
E ser leal
Zagueiro tem que ser malandro
Quando tiver perigo com a bola no chão
Pensar rápido e rasteiro
Ou sai jogando ou jogaa bola pro mato
Pois o jogo é de campeonato
Tem que ser ciumento
E ganhar todas as divididas
E não deixar sobras pra ninguém
Tem que ser o rei e o dono da área
Nessa guerra maravilhosa de 90 minutos
De 90 minutos
Arrepia, zagueiro
Zagueiro
Limpa a área, zagueiro
Zagueiro
Sai jogando, zagueiro
Zagueiro



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"Zagueiro"
(Jorge Ben)

Ouça:
Jorge Ben - "Zagueiro"

Copa do Mundo Legião Urbana

E a bola não para aqui no clyblog... quero dizer, a guitarra não para... Bom... que seja!
Depois da emocionante Copa do Mundo The Cure, onde o clássico "A Forest" saiu como campeão, agora é a vez de uma das bandas mais carismáticas do rock nacional ter suas canções em batalhas históricas: nada mais nada menos que a Legião Urbana, uma das mais importantes e idolatradas bandas de rock do Brasil, comandada pelo líder, quase messiânico, Renato Russo.
Serão 96 músicas ao total. 64 se enfrentam numa fase preliminar e as classificadas enfrentam 32 grandes sucessos e músicas mais conhecidas, que só entram a partir da fase seguinte, sempre em jogo único eliminatório. Na pré-fase e na 1a. fase não poderá haver confrontos do mesmo álbum, mas depois disso é 'seja o que Deus quiser'. É pegar quem cair pela frente até a grande final.
Prepare seu coração.
É ripa na chulipa e pimba na gorduchinha.
Vai começar o espetáculo.
Quem será que vai conseguir vencer?



terça-feira, 22 de abril de 2014

João Bosco - "Galos de Briga" (1976)




Não é o sucesso, é o contrário: é o sufoco mesmo,
é a vontade de cantar e de falar.
Só que de repente isso não foi possível de acontecer a nível popular,
porque a cada dia as pessoas têm mais medo, não têm defesa,
cada vez sabem menos o que está acontecendo.
Aí você vem e começa a cantar umas coisas
que elas gostariam de dizer e cantar.
A razão do sucesso, então, não é bem ele mesmo.
Talvez a razão dele seja o fracasso de todo mundo.”
João Bosco,
em entrevista de 1976
sobre o disco “Galos de Briga”



Este mês de abril de 2014 não ficará marcado apenas pelas vésperas de Copa do Mundo no Brasil (quando se espera dos cidadãos, sem querer pedir muito, civilidade) ou pelas celebrações de 222 anos pela memória do “patrono cívico” brasileiro, Tiradentes, mas, também, por outra data de importância patriótica menos feliz, porém necessariamente rememorável: os 50 anos do começo da Ditadura Militar, em 1º de abril de 1964. Diante de tantas manifestações contra a realização da Copa, de mais um feriado que não se acessa o verdadeiro motivo da paralisação nacional e de tantas controvérsias em razão dos arquivos ainda velados dos porões da ditadura, o que seria capaz de unir de alguma forma futebol, liberdade civil e política, representando essas três datas distantes cronologicamente, mas próximas em simbologia?

Um disco que une esses três polos como nenhum outro é “Galos de Briga”, terceiro da carreira de João Bosco. Gravado em 1976 pela RCA Victor, este sucesso de público e crítica à época é fruto, curiosamente, de um momento de alta ebulição no Brasil: enquanto Geisel iniciava seu governo anunciando uma “abertura lenta e gradual”, o AI-5 inda vigorava e barbaridades aos direitos humanos ainda ocorriam em todos os cantos do País. A Lei Falcão punha uma mordaça na oposição política; a estilista e mãe de guerrilheiro Zuzu Angel, pedra no sapato dos militares, morria num ainda inexplicado acidente de carro no mesmo fatídico abril; meses antes, o jornalista Vladmir Herzog era assassinado dentro do DOI-CODI. Torturas tomavam os porões do DOPS e pessoas desapareciam sem praticamente ninguém saber. Porém, a resistência se mostrava forte: o rabino Henry Sobel e Dom Evaristo Arns comandam a missa ecumênica em nome de Vlado na Praça da Sé, reunindo milhares de pessoas que, sob o olhar e a mira dos policiais, rezam silenciosamente; Ulysses Guimarães fundava a OPB, Ordem dos Parlamentares do Brasil, associação sem vínculos partidários, religiosos ou sociais que representava a luta pela abertura política; o PCdoB, esfacelado na Guerrilha do Araguaia, voltava a se reorganizar através das lideranças estudantis. O Brasil estava pegando fogo, e a classe artística, obviamente, ansiava por se manifestar, por resistir de alguma forma.

Eis então que, no início dos anos 70, através do meio universitário, se dá o encontro de João Bosco com Aldir Blanc. João, um mineiro que virou carioca, mas que nunca perdeu a vastidão poética de Minas Gerais dentro de si. Aldir Blanc, típico poeta maldito da Rio de Janeiro carnavalesca e vadia, do fervor pelo futebol e pela militância política. A fusão dessas duas forças artísticas foi explosiva, e eles criam com “Galos de Briga” uma obra que é tapa contundente na cara do regime em mensagens inteligentes aos milicos e aos mantenedores do sistema. Com crítica social, combatividade e um posicionamento de esquerda visível, o álbum só podia ter este título, uma vez que, como animais de rinha, eles vão para o enfrentamento com as armas que têm: os sons e a palavra.

Exímio violonista e compositor, amante de Clementina de Jesus, dos mitos da Rádio Nacional, de sambas antigos, de João Gilberto e do populacho das rádios AM, João consegue criar desde boleros emanados dos puteiros do baixo meretrício da Lapa até sambas gingados, passando por ritmos portugueses e marchas da antiga. Isso, aliado à poesia afiada de Aldir. É esse arsenal rítmico e melódico que “Galos de Briga” traz, como uma dupla de atacantes habilidosos que tiram da cartola jogadas inesperadas. O clássico samba "Incompatibilidade de Gênios" dá o pontapé inicial com seu humor ácido, já pontuando a crítica social de um país que persegue e mata seus filhos enquanto, dentro dos lares, a violência e a incompreensão reinam. A referência ao futebol, tanto como paixão do brasileiro como fuga da realidade, já aparece no primeiro verso na rusga entre marido e mulher: “Dotô, jogava o Flamengo, eu queria escutar/ Chegou, mudou de estação, começou a cantá...” Na mesma linha, porém ainda mais aguda, “Gol Anulado” usa o futebol de forma metafórica para expressar a mesma incompatibilidade entre amor e o momento político de dureza e opressão, o que, numa sociedade ignorante, machista e inculta, desemboca na válvula de escape, o futebol. É o caso do marido que espanca a mulher por que ela mentia ser vascaína como ele, mas, na verdade, torcia pelo rival Flamengo. “Quando você gritou Mengo/ No segundo gol do Zico/ Tirei sem pensar o cinto/ E bati até cansar...” E desfecha, reforçando esse simbolismo maléfico que o entretenimento futebol desgraçadamente pode ter: “Eu aprendi que a alegria/ De quem está apaixonado/ É como a falsa euforia/ De um gol anulado”.

De igual potência crítica, “O Cavaleiro e os Moinhos”, das canções imortalizadas na voz de Elis Regina (lançadora de João e Aldir em 1972, ao gravar-lhes o hit “Bala com Bala”), inicia com um provocador ritmo de marcha militar sob os versos: “Arrebentar/ a corrente que envolve o amanhã/ Despertar as espadas/ Varrer as esfinges das encruzilhadas...”. De repente, o clima marcial se transforma numa debochada rumba! E a letra, pontuda como um bico de galo, continua atacando: “Todo esse tempo/ foi igual a dormir num navio/ sem fazer movimento/ mas tecendo o fio da água e do vento/ Eu, baderneiro/ me tornei cavaleiro/ malandramente/ pelos caminhos”. E, exaltando os diversos grupos da guerrilha armada, finaliza referenciando Cervantes: “Meu companheiro/ tá armado até os dentes/ já não há mais moinhos/ como os de antigamente”. Afinal, numa época como aquela, quem era o “louco Quixote” e quem era o “moinho”?

O suingue caribenho reaparece na gostosa “Rumbando”, assim como o bolero nas não menos deliciosas “Latin Lover” (já gravada por Simone um ano antes) e “Miss Suéter”, o antigo certame que destacava as jovens que apresentavam os bustos, digamos, mais avantajados. Aldir penetra no universo brega de forma engraçada e crônica (“Eu conheço uma assim/ Uma dessas mulheres/ Que um homem não esquece/ Ex-atriz de TV/ Hoje é escriturária do INPS/ E que, dia atrás/ Venceu lá no concurso de Miss Suéter...”) e João realiza o sonho de fazer duo com uma de suas divas, Ângela Maria, que executa uma impressionante progressão tonal no riff com sua treinada voz de contralto.

Embora ainda tenha o divertido partido-alto “Feminismo no Estácio“ e o samba-canção “Vida Noturna”, típica fossa-boemia-carioca, o negócio naquele momento era mesmo partir para a briga. Aí é que o jogo engrossa! “Transversal do Tempo”, outra eternizada por Elis (foi título de disco e espetáculo dela, em 1978), que fala sobre pobreza (“As coisas que eu sei de mim/ São pivetes da cidade/ Pedem, insistem e eu/ Me sinto pouco à vontade/ Fechada dentro de um táxi/ Numa transversal do tempo”), exílio (“As coisas que eu sei de mim/ Tentam vencer a distância/ E é como se aguardassem feridas/ Numa ambulância”) e desesperança (“Acho que o amor/ É a ausência de engarrafamento”). Pungente. Igualmente, o fado lusitano que dá título ao álbum, de poesia rebuscada e caráter combativo: “Não o rubrancor da vergonha/ mas os rubros de ataduras/ o rubro das brigas duras/ dos galos de fogo puro/ rubro gengivas de ódio/ antes das manchas do muro”. (Sim, não é coincidência que a imagem das pichações com palavras de ordem contra a ditadura venha à cabeça.)

Mas não para por aí. A raiva de toda a sociedade civil oprimida e sem voz parecia não caber em apenas poucas músicas para João e Aldir. Tinham que falar, exatamente, desta raiva, deste inconformismo. Pois então, toma!: “O Ronco da Cuíca”. Tal samba-enredo, literalmente, enredou a censura que, burra e limitada, embaralhou-se com seus versos circulares e envolventes, que a denunciavam como que dizendo: “vocês até podem parar nossa reação através das força, mas jamais serão capazes de conter nosso desejo pela liberdade”. Uma “Opinião”, de Zé Keti, revisitada. Letra e música geniais, que expande os sentidos e simbologias das palavras (como na personificação do instrumento “cuíca”, dando-lhe vida e politizando-o), uma vez que o próprio termo “fome” tanto pode significar a crítica econômico-social da falta de comida ao povo (talvez tenha sido isso que induzira os milicos ao erro) quanto, num espectro maior, a urgência da democracia.

Pra terminar, o “tiro de misericórdia” (não à toa, título do LP seguinte de João Bosco, de 1977): “O Rancho da Goiabada”, uma marcha-rancho aparentemente festiva mas que, como em poucas obras do cancioneiro brasileiro, denunciam algo que se falava somente nas esquinas e a boca pequena: a situação desumana dos boias-frias – trabalhadores rurais escravos apelidados assim por causa das refeições que levavam em recipientes sem isolamento térmico desde que saíam de casa, de manhã cedo, o que faz com que estas já estejam frias na hora do almoço. Os versos pintam um quadro sócio-profissional perturbador, que contrasta com o ritmo de carnaval da melodia: “Os boias-frias quando tomam umas biritas/ Espantando a tristeza/ Sonham, com bife a cavalo, batata frita/ E a sobremesa/ É goiabada cascão/ com muito queijo...”. E finaliza condenando sem meias-palavras os latifundiários criminosos em suas fantasias de homens poderosos comparando-os aos soberanos egípcios cujo tempo já passou dizendo que, bravamente, os boias-frias: “São pais de santos, paus de arara, são passistas/ São flagelados, são pingentes, balconistas/ Palhaços, marcianos, canibais, lírios pirados/ Dançando, dormindo de olhos abertos/ À sombra da alegoria/ Dos faraós embalsamados”.

João e Aldir criaram um disco que é o retrato de um país em período de mudanças, as quais só se concretizaram por que artistas corajosos como eles, junto a centenas de opositores ativos – entre estes, vários desaparecidos –, ofereceram resistência, seja em armas ou em ideias. Estes são grandes responsáveis pela democracia que se vive hoje num País capaz de receber, inclusive, uma Copa do Mundo sem a sombra da vigília militar como ocorrera na Argentina em 1978. Afinal, naquele tempo, quem se opunha sabia claramente o porquê de estar fazendo. Não era por 20 centavos: era para viver num país livre.

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Certamente, foi por uma causa nobre como esta que, naquele mesmo 1976, João Bosco e Aldir Blanc recusaram o prêmio Golfinho de Ouro, conferido pelo Governo do Rio de Janeiro, pois queriam que o premiado fosse Cartola, uma vez que consideravam, sem modéstia burra, o trabalho do compositor daquele ano, o histórico LP com “As Rosas não Falam” e “O Mundo é um Moinho”, melhor do que o seu. A dupla recebeu, então, o troféu de Compositores do Ano pela Associação Brasileira dos Produtores de Disco.
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FAIXAS
1 - Incompatibilidade de Gênios
2 - Gol Anulado
3 - O Cavaleiro e os Moinhos
4 - Rumbando
5 - Vida Noturna
6 - O Ronco da Cuíca
7 - Miss Suéter
8 - Latin Lover
9 - Galos de Briga
10 - Feminismo no Estácio
11 - Transversal do Tempo
12 - O Rancho da Goiabada
todas as músicas são de autoria de João Bosco e Aldir Blanc

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OUÇA O DISCO






Os 15 Melhores Discos Brasileiros de Música Instrumental

Hermeto Paschoal, presente em 3 discos da lista,
"Em Som Maior", "tide" e o seu, "Hermeto".
Nessas brincadeiras diletantes de criar listas sobre os mais diferentes temas musicais nas redes sociais (10 melhores show assistido no Teatro da Ospa, 10 melhores discos de jazz da ECM, 10 melhores músicas contra a ditadura militar, 10 músicas chatas do Chico Buarque, 10 melhores discos de soul music, e por aí vai) fui instigado a montar uma que, num primeiro momento, titubeei. “Será que eu saberia compor uma com esse tema?”, pensei. Tratava-se do “Melhor Disco Instrumental de Música Brasileira”. Mesmo com meu conhecimento musical, que não é pouco, teria eu embasamento suficiente para criar uma lista interessante e, além disso, suficientemente informada a esse respeito? Pois, para minha própria surpresa, a lista saiu, e bem simpática, diga-se de passagem. Além de não se prender a um estilo musical específico (o que se chamaria burramente de “música instrumental brasileira” pura), típico de minha forma de enxergar a música e a arte, acredito que minha listagem não ficou pra trás em comparação a de outros que se empolgaram e publicaram as suas também.
Claro que tem muita coisa que não consta na minha lista que vi na de outros, pois certamente ainda tem muito o que se conhecer dentro do mar de maravilhas sonoras que existe. Raul de Souza, Barrosinho, Os Cobras, Victor Assis Brasil, Djalma Correa e Edison Machado, por exemplo, nem cito, pois não tive o prazer ainda de conhecer seus trabalhos a fundo ou ponto de saber selecionar-lhes um disco representativo. Mas acho que, afora o gostoso dessa prática quase infantil de elencar preferências, tais lacunas são justamente o papel dessas listas: abrir novos paradigmas para que novas revelações se deem e se passe a conhecer aquele artista ou banda que, quando se ouve pela primeira vez, se pensa com surpresa e excitação: “Cara, como que eu nunca tinha ouvido isso?!” Se algum dos títulos que enumero causar essa sensação nos leitores, já cumpri meu papel.

Aí vão, então os meus 15 discos preferidos da música brasileira instrumental, mais ou menos em ordem:


1 – “Maria Fumaça”, da Banda Black Rio (1977)


2 – “Coisas“, do Moacir Santos (1965)
3 – “A Bed Donato”, do João Donato (1970)
4 – “Wave”, do Tom Jobim (1967)
5 – “Em Som Maior”, da Sambrasa Trio (1965)


6 – “Revivendo”, do Pixinguinha e os Oito Batutas (1919-1923 – coletânea de 1895)
7 – “O Som”, da Meirelles e os Copa 5 (1964)
8 – “Donato/Deodato”, do João Donato e Eumir Deodato (1973)
9 – “Sanfona”, do Egberto Gismonti (1981)
10 – “Light as a Feather”, da Azymuth (1979)
11 – “Jogos de Dança”, do Edu Lobo (1982)
12 – “Opus 3 No. 1”, do Moacir Santos (1968)
14 – “Tide”, do Tom Jobim (1970)


15 – “Hermeto”, de Hermeto Paschoal (1971)






segunda-feira, 21 de abril de 2014

Copa do Mundo The Cure - Campeã


E chegou a hora, torcedor !
Um clássico local, ou seja, duas músicas do mesmo álbum, "M" e "A Forest" do "Seventeen Seconds" de 1980, decidem a Copa do Mundo The Cure.
Nossos especialistas Christian Ordoque, Daniel Rodrigues, Anderson Reis, juntamente comigo e contando com as manifestações dos amigos da nossa página no facebook, elegeram a grande campeã.
Confira abaixo as avaliações da bancada cureística e seu 'verdedito' final:




>>> "M" x "A FOREST" <<<



Cly Reis
Não tem jeito. "M" pode ser muito boa, muito certinha, uma ótima representante do pós-punk do Cure, mas diante de "A Forest" não segura. "A Forest" simplesmente se impõe e faz 3x0. Mas não aquele três a zero humilhante de goleada. É um 2x0 no primeiro tempo, tirando o pé do acelerador quando vê que o jogo tá sob controle e um golzinho no segundo tempo, no contra-ataque só pra sacramentar. Não tinha como dar outra. 
A FOREST VENCE.






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Anderson Reis
Nem preciso pensar. É "A Forest", certo! Sinceramente, eu acho que dá uns 3x0 para "A Forest". 
A FOREST VENCE.






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Christian Ordoque
Baaaaahhhhhh, complicado! Repito o que disse sobre A Forest no confronto anterior: M perde para A Forest por um simples motivo: Foi a única música que vi tocada ao vivo onde milhares de pessoas a aplaudiu NO MEIO da execução ! A Forest é a Hey Jude do The Cure. Pode parecer monótona ou coisa de fã, mas só quem está no meio da multidão pode saber e sentir do que se trata. A Forest é a vencedora deste confronto e pela minha escolha é a campeã.
Não tem como ser diferente.
A FOREST VENCE





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Daniel Rodrigues
Dois tempos bem distintos. No primeiro, “M”, com personalidade e a confiança de quem passou por pedreiras como “End” a “A Night Like This” por estar ali, sai apavorando, botando pressão, inesperada para “A Forest”. E deu resultado. Aos 14, “M” marca o primeiro numa roubada de bola na intermediária, passe pro atacante matador que ainda dribla um zagueiro e chuta cruzado, meio mascado, mas suficiente pro goleiro não alcançar e estufar as redes. 1 x 0 surpreendente no inicinho do jogo. E agora, “A Forest”, e o favoritismo? E os prognósticos da imprensa que lhe davam vantagem? E a campanha irreparável, em que bateu fortíssimos concorrentes do calibre de “Friday I’m in Love”, “The Caterpillar” até com facilidade? É, o negócio ficou feio pro lado de “A Forest”: aos 21, logo em seguidinha do primeiro gol, “M” botou uma na trave e, mais pro final do primeiro tempo, quase marcou de novo, numa cabeçada do zagueiro no escanteio, que o goleiro fez milagre. Mas acabou assim os primeiros 45 min, com vantagem para “M”, que podia ter sido maior, mas não foi.
Mas aquela máxima do futebol que não falha: quem não faz leva. “M”, que teve duas chances claras de marcar no primeiro tempo e fechar definitivamente o placar, levando o caneco pra casa, desperdiçou. Então que os deuses do futebol não perdoam. Aguerrido e agressivo como na sua versão do “Concert”, “A Forest” tira da cartola um empate aos 30 min e dali pra diante, meus senhores, foi um verdadeiro filme de terror pra “M”. Bola pra área, chute da intermediária, pênalti claro pra “A Forest” que o juiz não marcou. Bombardeio. No abafa, na pressão, “A Forest”, aos 41, num escanteio ensaiado, o lateral esquerdo escora a bola na segunda trave e o zagueiro central entra com tudo no meio da área de cabeça. Gol da vitória que sacramenta o título. 2 x 1 e...

A FOREST VENCE


 A FOREST CAMPEÃ
A MELHOR MÚSICA DO THE CURE


The Cure - A Forest 

domingo, 20 de abril de 2014

cotidianas #287 - "Aquele que nunca errou que atire a primeira pedra"


Na antiga Judéia, nos tempos que o Filho do Senhor vivia entre nós, um grupo de homens encurralara uma mulher de vida fácil, uma prostituta, e começava a se munir de pedras para proceder do costumeiro apedrejamento de que eram alvo os criminosos, os mentirosos, os desonestos, os impuros, os adúlteros e, é claro, as mulheres da vida.
Vendo que os homens preparavam-se para lançar as pedras em direção àquela mulher pecadora mas indefesa, aquele Homem interveio. Sim, era Ele. E Ele falou:
- Parai, irmãos. Parai. É certo que esta mulher é impura, que cometeu pecados, que cometeu erros, mas dentre vós qual nunca errou também?
O silêncio se fez, os apedrejadores envergonhados baixaram as cabeças e o Salvador então continuou:
- Ide! Ide! Aquele que nunca errou que atire a primeira pedra.
Um homem então se aproximou da rameira com uma pedra na mão e, bem de perto arremessou-a fortemente acertando sua cabeça.
O Nazareno então, surpreso, inagou:
- Irmão, vós nunca errastes?
Ao que o homem respondeu:
- Dessa distância não.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Copa do Mundo The Cure - Grande Final


Chegou o grande momento!
Só restaram duas.
De 96 músicas que começaram a competição agora só restaram as grandes finalistas na Copa do Mundo The Cure : "M" e "A Forest", ambas do disco "Seventeen Seconds" de 1980, o que faz inevitavelmente vir à tona a questão: seria "Seventeen Seconds" o melhor álbum da banda?
Hum...
Discutível.
Bom, mas polêmicas à parte, as nossas finalistas tiveram que percorrer um longo caminho e topar com os mais duros adversários e percalços em suas trajetórias.
"M", que entrou na pré-fase, teve um confronto a mais que sua adversária da final, que já entrou na fase de singles, e derrubou os seguintes adversários:

  • "End", na fase preliminar;
  • "Mint Car", na primeira fase;
  • "A Night Like This", na segunda fase;
  • "Inbetween Days", nas oitavas-de-final;
  • "Just Like Heaven", nas quartas-de-final e
  • "The Walk" na semifinal.


Já "A Forest", que como já foi dito, já entrou na primeira fase, encarou e tirou do caminho os seguintes adversários:

  • "Other Voices", na primeira fase;
  • "The Caterpillar", na segunda-fase;
  • "The Top", nas oitavas-de-final;
  • "Friday I'm in Love" nas quartas-de-final e 
  • "Push", na semifinal.


Como vemos, ninguém teve moleza, apesar de, na avaliação da nossa bancada, os confrontos de "A Forest" terem sido sempre mais tranquilos que os de "M", que na maioria das vezes passou suando sangue.
Agora nossa comissão cureóloga, com a participação dos nossos amigos, fãs da banda, do Facebook, tem a tarefa de decidir qual a melhor música do The Cure entre as duas que chegaram à decisão. "M" ou "A Forest". vá tirando suas dúvidas aí com os vídeos das duas em sensacionais performances acústicas.


M
 

 X


A Forest
 

"A Vida de Brian" - Terry Jones (1979)


A proximidade da Páscoa traz aquele monte de filmes sobre a vida de Jesus, a Via Sacra, a crucificação, etc., na TV. é oportunidade para se ver grandes filmes como "Ben-Hur", "O Manto Sagrado", "A Última Tentação de Cristo", "A Paixão de Cristo", entre outros, mas nenhum filme sobre a vida do Salvador se compara a "A Vida de Brian", do grupo britânico Monthy Pyton, dirigido pelo integrante, Terry Jones. Pra começar, o filme não é exatamente sobre a vida do filho de Deus, e sim de um pobre coitado, sonso e azarado que é confundido com o Messias. Suas vidas se cruzam desde o início quando o pequeno Brian nasce num estábulo próximo ao que o Menino-Jesus vem ao mundo, confundindo, já de cara, os Reis Magos que vão entregar os presentes para a criança errada, mas logo, percebendo o erro, voltam e os retiram bem indelicadamente da engraçadíssima mãe de Brian.
Embora goste muito também do clássico "O Sentido da Vida" e do hilário "Monthy Pyton Em Busca do Cálice Sagrado", considero "A Vida de Brian" a obra-prima do grupo. Por mais que a saga dos Cavaleiros da Távola Redonda em busca do Santo Graal promovida por eles seja absolutamente fantástica e inusitada, esta paródia da vida de Cristo, pela própria proposta, é mais inteligente e ousada, abordando de maneira sempre divertida, temas como política, o papel do Estado, o papel do cidadão na sociedade, direitos da mulher, desigualdades sociais, pensamento coletivo, etc., tudo isso sem ser panfletário ou tentar parecer sério. Tudo sem abrir mão do escracho, do bom humor e sobretudo da inteligência.
Filme genial num todo mas as cenas dos conspiradores tentando achar defeitos no governo romano, no Coliseu; a das mulheres usando barbas para poderem ir no apedrejamento; do carcereiro gentil que organiza a retirada de cruzes para cada condenado; a do julgamento público de Brian por um Pilatos 'língua presa'; e, é claro, a cena dos condenados cantando uma música extremamente otimista pregados à cruz, todas são impagáveis.
Cansado de ver Jesus Cristo sendo chicoteado e massacrado todo o ano? Que tal virar o disco e dessa vez dar umas boas risadas? O divertido, abusado, blasfemo e genial "A Vida de Brian" é uma ótima opção para se assistir nesta Páscoa. Tenho certeza que o cara lá de cima os perdoará.


cena final "A Vida de Brian"



Cly Reis

Pix

quarta-feira, 16 de abril de 2014

cotidianas #286 - A Bolinha



O menino estava no cinema com a mãe quando de repente do nada começou a berrar:
- A minha bolinha! A minha bolinha! Eu perdi a minha bolinha, mãe!!!!!!!
- Ssssshhhhhh! Vai atrapalhar os outros que estão vendo o filme.Quieto! - repreendeu a mãe.
- Mas eu perdi, mãe. Eu perdi a minha bolinha! - insistiu o guri aos berros.
E já surgiam os primeiros sinais de insatisfação dos demais presentes no cinema com aquela balbúrdia causada pela criança.
- Quieto, menino! Os outros querem ver o filme - acudiu a mãe constrangida pelo incômodo que o fedelho causava.
Mas o menino não se aquietava e continuava:
- Mas a minha bolinha, mãe? Eu perdi a minha bolinhaaaaaaa!!!!
- Chega, menino - disse perdendo a paciência e dando uns para-te-quietos no garoto, que agora sim abrira mais o berreiro ainda - E cala a boca senão a gente vai pra casa agora - completou a mãe completamente indignada com aquela cena que o filho fazia.
Fungando, engolindo o choro, soluçando, o menino então respondeu:
- Não faz mal, Eu faço outra.
Meteu então o indicador no nariz, tirou uma meleca grossa e gosmenta, rolou entre o polegar e o indicador e fez outra bolinha.

Copa do Mundo The Cure - finalistas


Dois jogos.
Duas batalhas.
Quatro grandes músicas.
Apenas duas delas chegarão  final e apenas uma será proclamada a Melhor Música do The Cure.
O clássico 'The Walk', um sinth-pop da fase de transição do Cure dark para uma banda mais pop encarou a boa 'M', do álbum Seventeen Seconds, um pós-punk irretocável com bela base de guitarra e sintetizadores quebrando os tempos. A grandiosa 'A Forest', uma das músicas que melhor representa o som do Cure e uma das mais executadas ao vivo ao longo da carreira da banda pegando a ótima 'Push', um show instrumental com uma guitarra espetacular de Robert Smith, em uma das melhores performances coletivas da banda. Puxa vida... E agora? Nossos 4 especialistas, ajudados pelos amigos do Clyblog no Facebook tiveram a dura tarefa de escolher apenas 2 classificadas. Uma em cada confronto.
Confira abaixo as análises de cada um e o resultado destas semifinais:



Daniel Rodrigues

"M" x "THE WALK"
" “The Walk” é daqueles ex-campeões nacionais que há muito não ganha um título, tipo Botafogo e Atlético Mineiro, mas que, desta vez, montou um time competitivo, armadinho, eficiente. Por isso, vinha despachando adversários fortes nas fases anteriores, como as “Disintegration” “Fascination Street” e “Lovesong”. Mas só força de vontade não basta em futebol quando se pega pela frente um time com mais consistência e qualidade técnica. “M” não se apavora com o retrospecto de “The Walk” e lhe aplica um 2 x 0 sem susto, um gol em cada tempo: jogada armada pela esquerda no primeiro (aquele cruzamento da linha de fundo implacável com cabeçada do centroavante na marca do pênalti, sabe?), e, no segundo, de pênalti.
‘M’ NA FINALEIRA! "

"PUSH x "A FOREST"
"Pensei que esta seria a final, mas, por essas coisas do futebol, deu aquele “jogo da morte” nas semi, tipo “Gre-Nal do Século”, tipo Holanda e Itália de 1978, tipo Uruguai e Hungria de 1954. Mas quem foi o Inter, a Holanda e a Hungria da vez? “A Forest”. 1 x 0 com um golaço de fora da área, uma bucha no ângulo, aos 20 do segundo tempo. O jogo encrespou a partir de então, porque “Push”, com a qualidade que tem, foi pra cima e botou pavor na área adversária. Mas “era dia de floresta”, depois de por um volante e mais um zagueiro (abdicando de atacar) e...
‘A FOREST’ CLASSIFICA "

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Anderson Reis

"M" x "THE WALK"
"Meu voto vai para "The Walk
THE WALK CLASSIFICA


"PUSH x "A FOREST"
"A Forest" ! Não tem como, meu.. "Push" é mto boa mais "A Forest" é fodastica e ao vivo é melhor ainda.
A FOREST CASSIFICA

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Christian Ordoque
"M" x 'THE WALK"
Ganha 'M'. Por mais que 'The Walk' cresça ao vivo não é o suficiente para ganhar da 'M'. Aristocraticamente falando, M tem berço, tem estirpe, tem origem e pedigree. 'The Walk' não tem. 'The Walk' é novo-rico comparado com a bem nutrida, centrada e consistente 'M'.
"M" CLASSIFICA

"PUSH" x  "A FOREST"
Conheci “A Forest” como muitos de vocês devem ter conhecido no glorioso Concert Live numa versão acelerada empurradaça por um teclado poderoso que fazia mais um zumbido opressor do que tocava as notas da música e um reverber no vocal que chegava a dar eco e foi nesta versão que eles vieram a Porto Alegre no show do Gigantinho que não fui. Muito escutei esse disco. Ou muito me engano ou tive que ter dois discos destes porque o primeiro gastou. Depois retomei minhas audições do The Cure quando daquela fase do Wish pelos EUA que resultou no disco ao vivo Show, uma Forest mais comportada, mas ainda mantendo a essência. Depois nos anos 90 vi meu primeiro show do Cure no Hollywood Rock onde conheci os colegas Cureólogos e dedicados à Cureologia Aplicada Cly Reis E Daniel Rodrigues. Foi um show mais de emoção do que de razão onde chorei horrores e que dizem que não foi tão bom assim. Para mim foi bem bom. Ano passado fui ver como estava a banda e me surpreendi com a coesão do grupo. Neste show e imagino em todos os outros que passararam e que virão eles tocaram “A Forest”. Em um show de 40 músicas, eles “queimaram” este cartucho na música 14 ! Um clássico dessa envergadura antes da METADE do show. Corta. E Push ? O que dizer de Push ? Musicaço cartão de visitas, onde mostra todo o potencial de instrumentistas em várias formações ao longo dos anos. Foi por anos a cortina do Glorioso programa Boys Don´t Cry do Mauro Borba. Contarei um causo. A Pop Rock tinha um programa depois das 11 ao vivo onde o Ricado Padão atendia a alguns pedidos da galera e numa dessas noites pedi a Push para ele. Foi muito engraçado e diferente ouvir uma música que era características dos sábados de tarde tocar de madrugada. Push é hino, Push é instrumental absurdo, Push é símbolo de uma música bem composta por exímios músicos. Mas não é imbatível. Perde para A Forest por um simples motivo: Foi a única música que vi tocada ao vivo onde milhares de pessoas a aplaudiu NO MEIO da execução ! A Forest é a Hey Jude do The Cure. Pode parecer monótona ou coisa de fã, mas só quem está no meio da multidão pode saber e sentir do que se trata.
"A FOREST" CLASSIFICA
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Cly Reis
"M" x "THE WALK"
"M" tem mais jogo, tem mais talento. "Walk" tem um jogo muito mecânico, sempre a mesma jogada. "M" aproveita a previsibilidade de "Walk" e anula suas principais virtudes. Faz 1x0 já  no início, só por aquela introdução que é muito bala, o jogo fica equilibrada na maior parte do tempo, mas "M" liquida o jogo no solinho final. 
"M" CLASSIFICA

"A FOREST" x "PUSH"
Agora o bicho pegou! 'A Forest' tinha passado por outras grandes mas provavelmente por nenhuma tão completa quanto 'Push'. São estruturas diferentes mas ambas extremamente técnicas e muito bem desenvolvidas. Enquanto 'Push' faz uma longa introdução instrumental, onde apresenta toda a estrutura da música e então a repete acompanhada da letra, 'A Forest' tem três partes cantadas que desembocam num solo e que por sua vez vai se desvanescendo até morrer nas notas do baixo. O que vale mais? Difícil escolher! 0x0 no tempo normal.
'Push' tem guitarras mais altas, mas estridentes, mais vibrantes, mas 'Forest' tem a intensidade precisa pra manter o clima sombrio, tem a medida exata de intervenções, e um solo final de arrepiar. Se 'Push' tem aquele "the only way to beeeeeee....", "A Forest" tem seu 'again and again and again and again...". Segue a igualdade. 
O contrabaixo: o baixo de 'Push' é notável, mas o que dizer do da outra, simplesmente o coração da música? "A Forest' até faz 1x0 por conta dessa performance de Simon Gallup, mas o gol é anulado.
Enquanto os teclados de 'Push' são mais um complemento, os de 'Forest', notáveis, densos, formando uma atmosfera escura e esfumaçada, são fundamentais. 1x0 na prorrogação, e agora valeu. Mas a bateria de 'Push' supera a discreta bateria eletrônica da original de 'A Forest'  e 'Push' empata nos acréscimos do tempo extra.
Vai para os tiros livre da marca da cal. Nos penais, pelas versões ao vivo de "A Forest", pela remix e pelo tanto que representa e simboliza em relação à banda, 'A Forest' faz 3x1. 
A FOREST CLASSIFICADA


por maioria de votos "M" e "A FOREST" estão na grande final.


Agora é aguardar a avaliação da bancada, as opiniões populares e todo o desenrolar deste grande clássico para sabermos quem será o grande campeão da Copa do Mundo The Cure.