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terça-feira, 18 de novembro de 2014

Edith Piaf apresenta Atahualpa Yupanqui a Paris e ao mundo

Yupanqui e Piaf, encontro de duas lendas da música mundial
A uns dias atrás eu comentava com amigos sobre este encontro grandioso, que reuniu dois dos maiores pilares da musica universal. A diva da chanson francaise Edith Piaf e o cantor popular-folklórico argentino Atahualpa Yupanqui em Paris. Quando eu estive naquela cidade, comprei um box com a coleção completa das canções de Edith. Sua obra é muito extensa e num belo dia acompanhado de um bom Tannat Viejo Stagnari do Uruguai, ouvia atentamente um dos CDs, entre uns tragos e a canção "Milord", me deparo surpreso com uma música raríssima a qual Atahualpa acompanha Edith no violão. Fiquei de queixo caído, pois não tinha relato dessa gravação em lugar algum, pesquisei e nada. Conheço profundamente a obra do artista argentino, tanto em livros como em sua discografia e este tema em duo ainda não tinha escutado ou ouvido falar. Conversei com amigos portenhos e surenhos que também não conheciam, mas estava lá nos créditos do álbum. Algo que talvez tenha saído só na França ou neste box especial. Só sei que me sinto privilegiado por ter este disco. A verdade é que Edith convidou Don Ata a participar de um show seu em Paris, e terminou-o apresentando ao mundo. Abaixo o depoimento de Yupanqui sobre este encontro na casa do grande poeta Frances Paúl Eluard e o cartaz daquela apresentação histórica. Melhor degustar ouvindo e com um bom vinho é claro.


O cartaz da histórica apresentação
"...A principios de 1950, en la casa de Paúl Eluard, Edith Piaf lo escuchó tocar la guitarra y lo invitó a compartir un recital.
En 1949, después de unos recitales por países comunistas, hizo un alto en París donde conoció a los poetas franceses Aragon y Paul Eluard. Con Aragon no simpatizó pero con Paul Eluard se estableció una amistad basada sobre una gran estima recíproca. Un día, Eluard le dijo: “Esta noche ven con tu guitarra, te voy a dar una sorpresa”. Y fue efectivamente una gran sorpresa cuando vio entrar al departamento del poeta a Edith Piaf, que estaba en el apogeo de su carrera.
Cuando la Piaf lo escuchó, quedó deslumbrada y le preguntó: “¿Dónde trabajas?”, a lo que Don Ata le respondió: “En ninguna parte, ya me voy, ya me voy a mi país.” Algo emocionada, la cantante francesa replicó en voz alta una especie de orden y súplica: “No, París tiene que escucharte. Ven mañana a las 8 al Athenée con tu guitarra. Te mandaré el auto al hotel.” Al día siguiente, cuando el secretario de Edith Piaf vio que Yupanqui vivía en un hotelucho de ‘pulgas numeradas’, como él mismo decía, le contó sorprendido a la cantante.
"Ella, en esa época, estaba en su mejor momento y llenó París de carteles con una publicidad muy original que decía: 'Edith Piaf cantará para usted y para Yupanqui'. Fue un gesto maravilloso de su parte. Ella estaba en la cima de su carrera y quería compartir conmigo un espectáculo. Conmigo, que era un negrito que se escondía detrás de su guitarra".

Don Ata saboreando 
seu mate
Aquella noche del 6 de junio de 1950, Edith abrió el recital y cantó más de veinte canciones, para luego tomarlo de la mano y presentarlo al público. “Les presento a Atahualpa Yupanqui, un músico de mucho talento, a quien dejo cerrar el espectáculo. Quiero que lo escuchen como lo merece”, dijo la cantante ante un público sorprendido y curioso. Luego de interpretar sus zambas y sus milongas, el cantautor argentino recibió los aplausos más conmovedores de su vida.
Alargando su estancia en la ‘ciudad luz’, pocos días después firmó un contrato con Chant du Monde, y la Academia Charles Cros lo distinguió entre 350 artistas de todos los horizontes al otorgarle el Primer Premio al Disco Extranjero. En ese mismo año dio más de 60 recitales en toda Francia.
“Casi cuarenta años después, en 1989, con muchas idas y venidas, la ciudad luz y Atahualpa ya se tuteaban, había un mutuo entendimiento. En 1989, cuando se celebró el Bicentenario de la Revolución Francesa, hacía unos años que Atahualpa había sido nombrado 'Caballero de las Artes y de las Letras de Francia'. Entonces, desde el Ministerio de Cultura le encargaron una cantata para tan trascendental fecha. A la cantata la tituló 'La sagrada palabra' y allí decía:
"Nosotros, los del cabello lacio y el rostro de bronce, los hijos de la pampa y la montaña, decimos gracias Francia, por señalar un día el camino de la libertad".



(fragmento em espanhol do depoimento de Daniel León - Fonte)

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

cotidianas #334 - O Fazedor de Amanhecer



foto: Jaime Batista da Silva
Sou leso em tratagens com máquina.
Tenho desapetite para inventar coisas prestáveis.
Em toda a minha vida só engenhei
3 máquinas
Como sejam:
Uma pequena manivela para pegar no sono.
Um fazedor de amanhecer
para usamentos de poetas
E um platinado de mandioca para o
fordeco de meu irmão.
Cheguei de ganhar um prêmio das indústrias
automobilísticas pelo Platinado de Mandioca.
Fui aclamado de idiota pela maioria
das autoridades na entrega do prêmio.
Pelo que fiquei um tanto soberbo.
E a glória entronizou-se para sempre
em minha existência.
*****************************
"O Fazedor de Amanhecer"
(Manoel de Barros)

sábado, 15 de novembro de 2014

"Lucy", de Luc Besson (2014)




Mais uma vez, assim como em Nikita (1990) e O Profissional (1994) , Luc Besson nos apresenta uma personagem principal feminina e forte, em uma história um tanto maluca como em O Quinto Elemento (1997). "Lucy" (2014) é um filme que sim, pode ser considerado inteligente e reflexivo, por que não? Fala de um tema que é quase um mito, “Será que utilizamos apenas 10% da nossa capacidade cerebral? O que aconteceria se alguém fosse capaz de utilizar 100%?” Mas você também pode considerar isso uma pseudociência barata, por que de acordo com estudos esse mito é dado como falso, e o surrealismo exagerado do longa pode parecer cômico, mas afinal, é um filme de Luc Besson, não dá para fugir muito disso.
Neste filme temos Lucy (Scarlett Johansson), uma mulher que é sequestrada pela máfia Coreana, que acaba colocando uma nova droga dentro de seu corpo para que ela carregue a droga de Taiwan para a Europa. Após ser violentamente agredida, o saco de drogas que estava dentro do estomago de Lucy se rompe, após este acidente, grande quantidade de CPH4 (assista o filme para ter uma explicação mais técnica) se espalhe pelo corpo de Lucy através de sua corrente sanguínea, fazendo com que sua capacidade cerebral aumente, agora ela não usa apenas 10%, e seu potencial vai aumentando até que ela chegue ao 100%. Lucy ao longo do filme vai sofrendo por estar “perdendo sua humanidade”, ela se assusta com seu poderes, procura formas de se controlar, reflete sobre como pode ajudar as pessoas com seu conhecimento, porém como é um blockbuster de ação, antes disso tudo ela vai buscar vingança.
Morgan Freeman desempenhando, além deseu papel no filme.
a tarefa de dar alguma credibilidade ao longa
Todos sabemos que Scarlett Johansson, não é uma GRANDE atriz, mas é muito competente, e nos últimos anos tem feito bons personagens, se você pegar a filmografia da atriz vai ver que as escolhas de papel que ela fez ao longo se sua carreira normalmente são acertadas, o que mostra que ela está evoluindo, já sabe o que quer (e o que pode fazer), tem uma carreira sólida. Como Lucy ela está bem mais uma vez, convence nas cenas de drama, e está super bem nas cenas de ação (acho ela uma das melhores atrizes para filmes de ação, na atualidade). Não é uma atriz mecânica, com apenas belas curvas, ela atua de verdade, você vê a vontade dela, a sua entrega ao papel, Scarlett Johansson é um grande destaque positivo do filme. No filme, também há outros grandes atores, como o consagrado Morgan Freeman, no papel do professor Samuel Norman, ele é o narrador da primeira parte filme, que fica dando uma palestra sobre sua pesquisa sobre o desenvolvimento do cérebro humano, sua teoria é sobre o que aconteceria se alguém conseguisse utilizar além de 10% do seu cérebro. Se o Morgan Freeman fala, você acredita, não importa o que esse cara está falando, ele dá credibilidade total, e é para isso que está no filme (é só isso). Também temos Choi Min-sik (do excelente Old Boy) como Jang, que neste filme não passa de um chefão de máfia asiático genérico, que fica gritando coisas em Coreano.
Como falei, o filme tem um elenco de respeito, um enredo bem legal, porém seu desenvolvimento não é assim tão positivo. O filme é quase divido em capítulos (o que não é ruim), na tela algumas vezes aparece escrito “10%, 20%, 30% e assim por diante, dividindo os “capítulos” para que você acompanhe o desenvolvimento de Lucy, de uma maneira bem didática, e se isso ainda não fosse suficiente, temos o Morgan Freeman, que nos explica tudo. Não temos o elemento surpresa, a trama não tem reviravoltas segue do mesmo jeito do inicio ao fim. O que realmente não me agradou, foi o fato do distanciamento que temos de Lucy, está certo que ela está além dos humanos comuns, mas em nenhum momento você vê ela ameaçada, seus “super poderes” a fazem ser capaz de TUDO, tirando o peso do vilão, pois com um gesto ela acaba com um bando de capangas coreanos, o que faz o filme ter um final previsível. A polícia francesa no filme é quase um alivio cômico, eles não desvendam nada e apanham sempre que aparecem.
A bela Scarlett Johansson de atuação destacada, é muito
bem aproveitada pela competente direção de Besson 
Luc Besson deixa sua assinatura muito clara (o que mais faz simpatizar com o diretor), o filme é bem dirigido, cenas de ação bem feitas, com diversos closes fechado no rosto de Scarlett Johansson no começo com uma cara assustada, conforme o andamento do filme sua expressão vai mudando, vai “perdendo sua humanidade” e você acompanha isso no olhar dela, bem legal. Ele é mestre neste tipo de filme, pega uma ideia mais “cult” e transforma em um filme pop contemporâneo.
Não é um grande filme, mas ele traz um assunto muito interessante, o link que é feito com "Lucy" que foi o fóssil de hominídeo mais antigo (que não é mais, outro mais antigo foi descoberto recentemente) que mostra ela usando as mãos para beber água, não mais como um animal, supostamente pela primeira vez, mostrando Lucy (hominídeo) indo além dos outros da sua espécie, assim como a Lucy do filme irá fazer. Ele faz você refletir, mas fica no meio caminho de “eu quero que você reflita sobre o assunto” e “eu quero que você curta esse filme de porrada, perseguições e asiáticos engravatados apanhando”, se você gosta mais de um estilo do que do outro, o filme pode se tornar cansativo. É um filme que tem camadas, assim como todos os filmes de ficção cientifica, mas diferente dos excelentes filmes, esse que é apenas bom, você pode pular as camadas e focar na ação, que vai se divertir também.
Então, decida quanto da sua capacidade cerebral você vai utilizar para assistir o filme!



sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Sem Título










Sem título - COSTA, Leocádia
gravura em metal e carimbo (2009)



Coletivo Big Buka



Coletivo Big Buka – Para Charles Bukowski: uma nova chance para as coletâneas!


por Alessandra Carvalho.



"Big Buka" - ilustração da capa
por Emerson Wiscow
As coletâneas, livros que reúnem textos de diferentes autores escrevendo sob uma mesma temática, tiveram seu ápice há cerca de cinco anos. Havia dezenas, talvez centenas de projetos de coletâneas circulando pela internet, dos mais variados selos, dos mais diferentes temas. Uma chance expressiva para que novos escritores, muitos nunca publicados, divulgassem seus textos em um livro.
No entanto, com o passar dos anos, a qualidade destas publicações caiu consideravelmente. Coletâneas se transformaram em verdadeiros balaios de escritores, e algumas saíam com setenta, com cem autores em uma mesma edição. Passou-se a desprezar a qualidade dos textos; a excelência na elaboração da capa; os cuidados com revisão gramatical, edição, produção, divulgação, e outros detalhes que fazem toda a diferença no final.
As coletâneas tornaram-se uma fonte fácil e rápida de lucro para as editoras, que publicavam muitos autores em um mesmo livro, exigindo de cada um a aquisição de um número X de exemplares. Assim garantiam sua venda e sua rentabilidade, e não precisavam se preocupar com a qualidade da obra, e muito menos em distribuí-la e divulgá-la.
Resultado: os autores passaram a ver as coletâneas com desconfiança, e até com desprezo. Com razão. Muitos viveram na pele a experiência de ter seu texto publicado em um livro sem qualquer aprimoramento, sem qualquer cuidado, comprometimento e profissionalismo. E, atualmente, pouco se ouve falar em coletâneas. A má qualidade e o descomprometimento de editores e editoras colaboraram efetivamente para enterrar as coletâneas no hall das publicações com forte potencial para o fracasso.
Contudo, os escritores e editores Jana Lauxen e Afobório, pseudônimo de Alexandre Durigon, pensam diferente. E por isso, em outubro de 2013 fundaram a Editora Os Dez Melhores, com o objetivo de publicar somente dez livros por ano, oferecendo a cada um o tratamento exclusivo, diferenciado e profissional que merece:
Acreditamos que um selo que publica cem, duzentos, mil livros por ano, não tem condições, não tem mão de obra, e também não tem tempo hábil de proporcionar um trabalho diferenciado e efetivamente competente para cada um, uma vez que o processo de edição e lançamento de um único livro é trabalhoso e demorado. Logo, em se tratando de literatura, qualidade e quantidade não costumam combinar – afirma Jana Lauxen.
Recentemente, a Editora Os Dez Melhores decidiu fazer o caminho oposto da maioria das editoras, e apostar novamente em coletâneas, oferecendo para elas a mesma qualidade, dedicação e exclusividade destinadas aos seus autores solos, e aos lançamentos de seu selo social, o Nascedouro.
No entanto, Jana Lauxen e Afobório sabem o desafio que tem pela frente:
O desleixo e a falta de profissionalismo que assinalaram a publicação de coletâneas nos últimos anos marcaram negativamente este gênero literário, e precisamos agora romper as barreiras e as desconfianças que assombram este tipo de publicação. Mas estamos dispostos a fazer acontecer – garante Afobório.
E é Afobório, aliás, o nome por trás da organização do primeiro coletivo da Editora Os Dez Melhores. Trata-se do livro Big Buka – Para Charles Bukowski, que buscará homenagear o escritor através de contos que versem sobre as temáticas que sempre permearam sua obra: bebedeiras, mulheres, literatura, cotidiano, melancolia.
Serão selecionados somente dez textos, de dez autores. A ideia é justamente publicar poucos escritores, a fim de oferecer a cada um a atenção e os serviços que merecem.
E assim como ocorre com todos os lançamentos realizados pela Editora Os Dez Melhores, o coletivo Big Buka – Para Charles Bukowski contará com uma ilustração inédita e exclusiva em sua capa, elaborada pelo ilustrador gaúcho Emerson Wiskow. Também desfrutará de todo aparato de divulgação oferecido pela editora, que através de sua assessoria de comunicação elaborará releases, resenhas, entrevistas com os autores e reportagens sobre a obra, contatando mais de 300 veículos de comunicação, entre impressos e digitais – incluindo os das cidades dos escritores selecionados.
Todo o investimento deste lançamento, bem como a divulgação e distribuição da obra, ficará sob inteira responsabilidade da editora. Ou seja: os autores selecionados não precisarão pagar qualquer taxa, e nem se comprometer com a aquisição de um número X de exemplares. Muito pelo contrário: cada autor receberá, gratuitamente, um exemplar do livro.
A tiragem da publicação será comercializada e distribuída pela própria editora, através de atividades literárias envolvendo escolas e instituições de ensino:
Nosso objetivo é colocar o livro na mão do leitor. E mostrar aos autores que é possível, sim, lançar coletâneas com qualidade e com profissionalismo, sem transformar a publicação em um balaio de textos, e sem cobrar absolutamente nada de seus autores – assegura Jana Lauxen.
A seletiva, que selecionará dez contos para o coletivo Big Buka – Para Charles Bukowski, está aberta até o dia 10 de dezembro de 2014.
Confira abaixo o regulamento, e participe.
É a chance de ser você e mais nove.


Edital de Publicação
Coletivo
Big Buka – Para Charles Bukowski
Organização: Afobório

  1. A Editora Os Dez Melhores abre seletiva através do ‘Selo Coletivo’, e receberá, até o dia dez (10) de dezembro de 2014, textos inéditos e em português de autores que escrevam contos com a mesma temática que inspirou o escritor Charles Bukowski (mulheres, bebidas/bebedeiras, azar, sorte, cotidiano, literatura, melancolia etc.);

  1. A Editora Os Dez Melhores provém seu Edital de Publicação com a seguinte formalidade: não haverá nenhum investimento por parte do autor para participar desta publicação;

  1. A Editora Os Dez Melhores fornecerá, gratuitamente, um exemplar da obra para cada autor aprovado para publicação;
  1. Serão publicados nove (09) autores + um (01) texto do organizador, totalizando dez (10) autores; o que justifica o método de publicação da editora, ‘Você e mais nove’;

  1. A comercialização, distribuição e divulgação da obra serão de inteira responsabilidade da Editora Os Dez Melhores que, através de sua assessoria de comunicação, elaborará entrevistas, releases, resenhas e reportagens sobre o lançamento, e encaminhará este material para um mínimo de trezentos (300) veículos de comunicação, impressos e digitais, tanto em nível local e estadual, quanto nacional;

  1. A obra também será utilizada em ações educativas realizadas pela equipe da Editora Os Dez Melhores em escolas e instituições de ensino;

  1. Os textos, com no mínimo dez (10) mil caracteres (incluindo espaços) e no máximo vinte (20) mil caracteres (incluindo espaços), devem ser enviados completos, revisados e dentro das novas regras gramaticais, de acordo com o vocabulário ortográfico da Academia Brasileira de Letras, em arquivo Word, fonte Courier New, tamanho 12 e espaçamento 1,5, com o título ‘Big Buka – Para Charles Bukowski’ no campo ‘Assunto’. Abaixo do conto, o autor deverá enviar uma breve biografia com, no máximo, cinco (5) linhas, escrita em terceira pessoa, informando um e-mail para contato no corpo da mesma. Qualquer inconformidade quanto a tais especificações automaticamente desclassifica o conto enviado;

  1. O autor será responsabilizado por qualquer questão relativa a direitos autorais e plágio, previsto em contrato. Os selecionados serão comunicados do resultado por e-mail, tão logo o mesmo seja apurado, em até trinta (30) dias úteis após o encerramento do prazo para recebimento dos textos. A seleção dos contos é de competência do Conselho Editorial da Editora Os Dez Melhores;

  1. Qualquer assunto não abordado neste regulamento será resolvido pelo organizador;

  1. Para maiores informações e envio de textos, contatar (coletivos@editoraosdezmelhores.com.br);


Envie o seu conto.
A todos, sorte, luz e literatura, sempre!



* Para saber mais sobre o novo método de publicação em coletivos da Editora Os Dez Melhores, favor acessar: www.editoraosdezmelhores.blogspot.com.br/p/coletivos.html

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

ClyBlog + Os Dez Melhores



"Queremos publicar bons livros
de bons escritores,
elaborando um projeto de divulgação
para cada um de nossos lançamentos,
para que o autor comercialize seu livro
e lucre com esta venda também.
Queremos oferecer aos autores publicados
sob nosso selo um trabalho sério,
profissional e exclusivo,
que inclui avaliação, edição, produção,
publicação, divulgação e distribuição."
expediente da ed. Os Dez Melhores



É com grande satisfação que venho anunciar o início da parceria, a  partir desta data, do clyblog com a editora Os Dez Melhores. O surgimento da ideia da colaboração deu-se por conta do meu contato com o criador da editora, Afobório, originado quando da seleção para a antologia "Os Matadores Mais Cruéis que Conheci, vol. II", e transformado em amizade virtual a partir de então, muito em função da mútua admiração pelo trabalho um do outro.
As colaborações pontuais do Afobório no clyblog, como a COTIDIANAS ESPECIAL de 5 ANOS, por exemplo, geraram o meu convite para que elas se tornassem mais frequentes e, da parte dele, para que nossos meios de divulgação se tornassem parceiros.
E tinha como dizer não?
Ora, um enorme prazer me dá em fazer parte deste notável projeto que abre espaço para autores que procuram uma maneira de mostrar seu talento e potencial. E é isso que a Os Dez Melhores proporciona: além dessa oportunidade, oferece ao seu cliente, O AUTOR, um tratamento realmente sério, atencioso e profissional visando sucesso para ambas as partes, a editora e para o autor.
Além disso a editora apresenta também uma belíssima iniciativa, o projeto Nascedouro, que incentiva e seleciona talentos literários dentro de escolas, ONG's e outras instituições, com oficinas itinerantes que estimulam o gosto pela leitura e pela escrita.
Publicações, ações, eventos e conteúdo da editora, tudo isso poderá ser encontrado neste nosso espaço a partir de agora com resenhas sobre os novos lançamentos do selo e promoções.
É com muito prazer que dou início a esta parceria.
Sucesso para nós.
Um brinde!


Cly Reis

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

cotidianas #333 - O Pagamento



A campainha tocara.
Foi até a porta e abriu a porta direto, sem se dar ao trabalho de espiar no olho-mágico.
- Ah, é você. Já imaginava... Entra – indicou o interior demonstrando alguma contrariedade.
O homem de paletó e gravata entrou e por um momento parecer ficar um tanto perdido, um tanto sem ação, sem saber qual a próxima ação, no que foi socorrido pela providência da mulher que lhe abrira a porta.
- Então vamos com isso. Se é pra ser é pra ser. Onde é que você quer? Como é que vai ser?
Ele então, percebendo que ela lhe entregara o controle da situação, não hesitou:
- Ali – disse apontando um aparador de madeira no lado oposto da sala- Vai até lá, se apóia ali.
Ela obedeceu. Caminhou até o móvel, apoiou nele as duas mãos, inclinou-se levemente e visivelmente pouco à vontade separou um pouco as pernas.
- empina mais essa bunda, vai – exigiu o homem agora já totalmente auto-confiante.
Ela o fez.
- Ele então desafivelou o cinto, aproximou-se dela, encostou-se às suas costas quase a empurrando. Levantou a leve saia branca que cobria aquela bela mulher, abaixou sua calcinha com uma mão enquanto com a outra sacava o pau de dentro da calça, e começou a penetrá-la.
Meteu.
Meteu com vontade, com prazer.
Era uma bela mulher.
Ela que no início parecia constrangida, parecendo estar apenas cumprindo uma tarefa, mesmo sem querer aos poucos foi sentindo alguma coisa. Sim, sentia. Não queria mas tinha que admitir que sentia prazer. Sentia a ponto de em algum momento sussurar baixinho, quase que só para si mesma, quase inaudivelmente, “me fode..., me fode...”.
Ele não ouviu.
Mas continuou fodendo de maneira frenética e selvagem até se desfazer em gozo.
Afastou-se dela quase cambaleante e despencou sentado no sofá que ficava praticamente atrás dele.
Ela abaixou a saia, se recompôs minimamente e perguntou:
- Era isso? Pronto?
Esparramado no sofá, ainda com o pau pra fora, agora flácido, com um sorriso sorrateiro no canto da boca, disse:
- Não estou satisfeito ainda. Eu quero mais.
Fingindo uma ponta de indignação, pois naquele momento ela também queria mais, suspirou longo e alto.
- Aqui mesmo?
- Não. Agora eu quero no quarto.
- Se não tem jeito... Vamos então.
E seguiram para o quarto e repetiram o ato com a mesma intensidade da primeira vez, com ela novamente tentando não demonstrar o quanto também estava gostando daquilo tudo.
Por fim, ele deu-se por satisfeito. Vestiu-se, apertou o nó da gravata e na saída, na porta da sala, voltou a mostrar-se embaraçado.
- Bom, acho que... não sei o que dizer. Bom, é tchau, então. Obrigado. Foi muito bom.
Ao que ela não respondeu.
Ele não vendo resposta ou reação, virou as costas um tanto sem jeito e se retirou.
Ela fechou a porta e sentou-se no sofá da sala com um misto de vergonha e prazer.
Não demorou quase nada para ouvir um barulho na porta. Era alguém girando a chave. A porta se abriu. Ela virou-se para olhar mesmo tendo certeza de quem era. Era o marido.
Cabisbaixo, envergonhado, sequer conseguia encarar a esposa.
Ela então levantou-se, foi na direção dele ainda estático no hall de entrada, e parou à sua frente.
- Toma – disse depositando a calcinha em sua mão - Tua dívida tá paga. Agora, vê se não se mete em outra merda dessas que eu não vou salvar a tua pele de novo - completou saindo para o quarto.
Ele foi até o sofá e sentou-se. Abaixou a cabeça quase entre os joelhos, levou a mão à cabeça, passando os dedos por entre os cabelos e chorou como um menino.




Cly Reis

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Escape Velocity










"Escape Velocity" - RODRIGUES, Luna Gentile; REIS, Cly
gouache sobre papel vergê - 29,7 x 21 cm

RODRIGUES, Luna Gentile
REIS, Cly

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O Frango Atirador

“Relatos Selvagens”, de Damián Szifron (2014)



O cinema argentino vive um grande momento, mesmo com a economia em ruínas e a situação caótica do país. Mais uma prova do vigor desta cinematografia que a cada dia conquista mais cinéfilos por todo o mundo é “Relatos Selvagens” do diretor Damián Szifron. Usando seu próprio roteiro, Szifron conta seis histórias bem distintas onde a interferência intrusiva da sociedade, de seus preceitos e suas limitações na vida dos indivíduos acaba por levar a mais completa e insana barbárie.
O astro Ricardo Darín no papel do homem
 que enfrenta a burocracia argentina
Os episódios se sucedem: o primeiro mostra um voo comercial aonde os passageiros vão descobrindo aos poucos que têm algo em comum. No segundo, uma jovem garçonete de um boteco de beira de estrada se vê às voltas com o homem que causou problemas em sua família. O embate entre classes é o tema do terceiro onde um burguês em seu supercarrão tem sua ultrapassagem impedida numa estrada por uma fubica toda enferrujada. No quarto episódio, o darling do cinema argentino, o ótimo Ricardo Darín, é um engenheiro de explosões que se vê envolvido com o guinchamento de seu carro e o consequente mergulho no mar da burocracia estatal. Já o episódio número 5 trata de um atropelamento e fuga que resulta em morte e em uma negociata das mais sórdidas para impedir a prisão do jovem condutor. Por fim, em plena festa de casamento, noiva descobre que uma das amantes do noivo está no salão e surta.
Erica Rivas, em primeiro plano,
se destaca como a noiva em surto
Em todos estes aparentemente distintos episódios, a reação às injustiças sociais, urbanas, pessoais e estradeiras acaba por decretar uma catarse nos personagens. O absurdo de algumas situações cotidianas enfrentadas por cada um de nós nem sempre tem o desfecho que gostaríamos. Acabamos nos acomodando e seguindo em frente, mesmo que estejamos com razão. Os personagens de Szifron não pensam assim e partem para o confronto, sempre com consequências trágicas, em uns momentos, e tragicômicas, em outros. Os espectadores mais ligados em cinema poderão lembrar-se de “Um Dia de Fúria”, de Joel Schumacher, com Michael Douglas, ou ainda de “Fora de Controle”, com Ben Affleck e Samuel L. Jackson. Mas o tratamento que Damián Szifron dá às histórias e aos personagens é infinitamente mais realista do que a visão simplista dada por Hollywood a estes casos. A violência é explícita e crua, mas também é real. Ricardo Darín é, indiscutivelmente, o astro do filme, mas cada história conta com um elenco de atores da melhor qualidade, destacando Erica Rivas como a noiva enlouquecida, Rita Cortese como a cozinheira e Mauricio Nunez, como o pai do jovem atropelador, entre outros.
Curiosamente, o filme tem produção da El Deseo, a empresa de Pedro Almodóvar e de seu irmão Agustín. A julgar pelo sucesso crítico e estilístico de “Relatos Selvagens”, poderia se esperar que Almodóvar se espelhasse em seu produzido e voltasse a fazer filmes interessantes, trilha da qual se afastou no horroroso “Os Amantes Passageiros”, um dos piores jamais vistos nos últimos tempos. “Relatos Selvagens” já é um dos melhores filmes do ano.


domingo, 9 de novembro de 2014

Robert Evans: o homem que bancou Coppola


Não sei o que mais chama a atenção nesta foto: a superbarba do Lee Marvin, o tapa-olho do John Wayne ou a elegância do Clint. Mas uma coisa eu sei: o que tem as mais escabrosas histórias a contar é o Robert Evans. O homem já era um milionário da Costa Leste, ligado à indústria da moda, quando foi descoberto por Norma Shearer nadando numa piscina de hotel em LA. Virou ator famoso, ainda que medíocre. Não se contentou: queria ser o novo Darryl Zanuck, o bambambam dos estúdios de “OIiú”. E conseguiu. Como produtor, tirou a Paramount da ingrata nona posição entre os maiores estúdios para o primeiro lugar – em apenas quatro anos, entre o fim dos 60 e o começo dos 70. Produziu “Love Story”, "O Poderoso Chefão", “Ensina-me a Viver”, “Chinatown” e “Maratona da Morte”.
Quando ninguém queria dirigir o filme inspirado no livro de Mario Puzo, foi ele quem teve a ideia de chamar Coppola, um jovem de 30 anos que tinha feito três fracassos até então, mas que reunia uma virtude: era o único diretor ítalo-americano da época. E um filme sobre a máfia só funcionaria se fosse comandado por alguém "de dentro" – até então, a maioria dos filmes de gângster eram dirigidos por judeus. E não emplacavam.
À época de ‘Love Story” (filme que causou uma explosão de nascimentos de crianças nove meses depois do lançamento), Evans casou com a Ali McGraw. Era rico, bonito, bem-sucedido, tinha a mulher mais linda da época e linha direta com Henry Kissinger. Enfim, a vida mais invejável do mundo, aparentemente. Mas ele se preocupava demais em trabalhar. Em novos sucessos. Depois de dois meses na Europa comercializando os direitos de “O Poderoso Chefão”, Evans lembrou de ligar para a esposa, que filmava “Os implacáveis”, com Steve McQueen. Pobre Evans. Logo para quem acabou perdendo a mulher. "Você poderia ser o homem mais poderoso do mundo, mas perder a esposa para McQueen fazia me sentir insignificante", reconheceu.
Dali em diante, Evans ainda emplacou algumas coisas nos anos 70, como o próprio “Chinatown”, baseado num roteiro que ninguém entendia. "Eu não compreendia aqueles diálogos, mas se o Robert Towne garantia que era bom, então eu insisti", relembra. Valeu e pena, tanto que ganhou tudo quanto é prêmio, como todos sabem. Fato é que a traição pesou. Nos 80, Evans apostou todas as suas fichas em “Cottom Club”, também de Coppola e com o Richard Gere, que acabou sendo um fracasso. Ali, na verdade, o próprio produtor já estava fracassando. Pirou na cocaína, foi parar num hospital psiquiátrico – de onde conseguiu fugir a muito custo. Perdeu sua mansão em LA. Como não conseguia se desvencilhar da velha vida, acabou alugando a ex-casa para morar. Pagava 25 mil dólares mensais – isso estando quebrado. A casa acabou recomprada por Jack Nicholson, que presenteou o amigo com o pequeno regalo.

Quando recomeçava, foi acusado de assassinato, em um processo inconclusivo que levou quase uma década. Nos 90, recomeçou como produtor, tentando emplacar porcarias como “O Santo”, “O Fantasma” e “Jade”. Ganhou dinheiro (e provavelmente mais alguma coisa da Sharon Stone) com “Invasão de Privacidade”. Na prática, a melhor coisa que fez desde então foi escrever o livro "The Kid Stays in the Picture", que deu origem ao documentário "O Show Não Pode Parar", de 2002 – onde conta tudo isso. Na carreira, no entanto, fico em dúvida entre as coisas pelas quais mais o admiro: 1) Ter batido pé para Coppola estender “O Poderoso Chefão”, quando o diretor entregou o filme com 2h7min; 2) Ter metido a mão na trilha de “Ensina-me a Viver”, colocando Cat Stevens no filme mais sui generis que já vi; ou, claro, 3) Ter casado com a Ali McGraw. Cara legal esse Evans.


por Ricardo Lacerda

sábado, 8 de novembro de 2014

Jorge Luis Borges e a Morte do Gaucho



Muitos escritores, poetas e pesquisadores, escreveram sobre o Gaucho e sua composição total. Mas poucos conseguiram em suas obras e poesias, definir tão bem este personagem como os que vou descrever abaixo. Cada um o fez a seu modo e com observações e considerações em particular. A poesia gauchesca que ao contrario do que se pensa não é feita por gauchos e sim por homens educados e que tiveram contatos com os da alcunha pejorativa , em guerras, patriadas e outros eventos, teve total importância para nos apresentar esta definição. Assim como A Ilíada de Homero que narrava os acontecimentos de Tróia, a poesia gauchesca narrou as façanhas deste personagem primitivo e antigo. Poetas como; Bartolomé Hidalgo, Hilário Ascasubi, José Alonso y Trelles, Leopoldo Lugones e José Hernandez. E escritores como; Estanislao del Campo, Ricardo Güiraldes, Simões Lopez Netto e Antonio Lussich, este com sua obra "Los Tres Gauchos Orientales" e que foi considerado por Borges o antecessor de Martin Fierro, todos eles deram o norte para as bases de estudo feitas ao longo dos anos. Cabe lembrar que nesse contexto, pesquisadores mais recentes como; Fernando O. Assunção e Lidia Teresita Berón, conseguiram em suas pesquisas, unificar melhor os dados sobre a origem do mito e assim dar uma definição real sobre ,costumes, vestimentas, e sua relação com o meio em que viviam.
Borges comparou e unificou
a estética cultural dos gauchos
No Livro "El Martín Fierro" de Jorge Luis Borges, ele nos presenteia com uma análise íntima e profunda sobre esta poesia e em tudo o qual ela se insere. Eu considero o melhor estudo sobre este personagens e também das obras dos autores acima, já que Borges as compara.
A pesquisa vai além do livro argentino e apresenta metáforas para acreditar que Martín Fierro não inicia ou intermedia um ciclo, mas sim se encerra com fim da poesia do livro homônimo. Creio que no livro de Hernández ,ele decreta o fim de uma era com a morte universal de nosso Quijote e a qual Borges afirma haver uma real tentativa de reinvenção em nossos dias. Eu acredito fielmente nisso. Leiam estas bibliografias e tirem suas conclusões, eu particularmente as considero dentre tantas as mais importantes para quem deseja se aprofundar no estudo. Ainda acho que Hernández matou o Gaucho (sem acento) e Borges jogou a pá de cal encima.

O Frango Atirador


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Rick Wakeman – Auditório Araújo Vianna – Porto Alegre/RS (31/10/2014)


Rick Wakeman em mais um grande show em Port Alegre

foto: Lúcio Brancato
Em dezembro de 1975, um jovem de 15 anos ficou embasbacado com o último show do Projeto Aquarius, que trouxe Rick Wakeman a Porto Alegre com a OSPA. Foi um espetáculo memorável. Gigantinho lotado. Agora, 39 anos depois, este já não tão jovem senhor de cabelos e barba grisalhos foi conferir se continuava tão entusiasmado como antes. Claro que duas pessoas diferentes viram os espetáculos. Este senhor de hoje trabalha com música, já leu e viveu muita coisa e, até prova em contrário, sabe as armadilhas que o chamado Prog Rock prega em seus fãs. Mesmo assim, este cara ficou fascinado, pois quase 40 anos depois esta grandiloquência estilística, o exagero do uso de orquestra e coral, a capa misturada com calça de abrigo, tênis branco e barriguinha aparecendo não atrapalharam a emoção de reviver aqueles temas todos.
O som do mini-moog, a banda afiada, o cantor Ashley Holt dividindo o palco com a nossa Ana Lonardi (que se saiu muito bem) e a história narrada pelo Álvaro Luthi terminaram por me seduzir, mesmo que eu saiba que esses exageros fazem parte de um mise-en-scène já superado. Todos os defeitos do chamado rock progressivo estavam no palco do Araújo Vianna. Foi isso que fez o show de Rick Wakeman, acompanhado da Orquestra Unisinos Anchieta e do Coral Porto Alegre, tão profissional e irresistível. Mais um da série "Azar, eu gostei".



Sem Título









sem título - COSTA, Leocádia
gravura sobre sulfite 1/1 - 2009


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

cotidianas #332 - "Hoje"




O que menos quero pro meu dia
polidez,boas maneiras.
Por certo,
um Professor de Etiquetas
não presenciou o ato em que fui concebido.
Quando nasci, nasci nu,
ignaro da colocação correta dos dois pontos,
do ponto e vírgula,
e, principalmente, das reticências.
(Como toda gente, aliás...)

Hoje só quero ritmo.
Ritmo no falado e no escrito.
Ritmo, veio-central da mina.
Ritmo, espinha-dorsal do corpo e da mente.
Ritmo na espiral da fala e do poema.

Não está prevista a emissão
de nenhuma “Ordem do dia”.
Está prescrito o protocolo da diplomacia.
AGITPROP – Agitação e propaganda:
Ritmo é o que mais quero pro meu dia-a-dia.
Ápice do ápice.

Alguém acha que ritmo jorra fácil,
pronto rebento do espontaneísmo?
Meu ritmo só é ritmo
quando temperado com ironia.
Respingos de modernidade tardia?
E os pingos d’água
dão saltos bruscos do cano da torneira
e
passam de um ritmo regular
para uma turbulência
aleatória.

Hoje...


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"Hoje"
Waly Salomão

Berinjela Beligerante


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Joni Mitchell - "Hejira" (1976)



“Havia muito afeto nessas relações.
O fato de que eu não poderia permanecer nelas
por uma razão ou outra foi doloroso para mim.
Os homens envolvidos são pessoas boas.
Eu fui apaixonada por eles neste dia.
Temos um carinho mútuo,
 mesmo que cada um tenha ido 
para novos relacionamentos.
 Certamente bolsões de mágoa se formam.
Você fica um pouco maltratada ao sair de um relacionamento
 que vê não vai durar para sempre.
Eu não vivo em amargura.”
Joni Mitchell,
em 1979, para a Rolling Stone,
respondendo à matéria da revista
que falava sobre seus relacionamentos



Foi muito difícil resolver escrever sobre este disco. Ele é talvez o disco que eu mais goste de todos os que já ouvi na minha vida. Pelo significado das letras, pela música estranha e sombria e, ao mesmo tempo, lírica e sensível, pela sonoridade que não se encontra em qualquer outro trabalho. E também porque partilho este apreciar com um dos meus melhores amigos, o Mauro Magalhães. O que eu escrever aqui terá o julgamento dele. Bom, o disco é “Hejira” da cantora e compositora canandense Joni Mitchell. Este disco foi lançado em 1976 e é fruto de uma viagem de carro que Joni fez do estado do Maine até a Califórnia, onde mora, sozinha e com seu violão. Isto equivaleria vir do Amazonas até o Uruguai. Nesta viagem, Joni, que estava saindo de um relacionamento, compôs o tempo inteiro. O resultado é este disco.

Começamos por "Coyote", talvez a música com mais jeito de hit do disco. Um ritmo folk com aquele violão num groove, a percussão de Bobbye Hall e, especialmente o baixo fretless de Jaco Pastorius, ele próprio um quase coautor do disco, tamanho o destaque e a importância que tem para o som de "Hejira". A letra conta uma carona que Joni deu para um índio e das aventuras que os dois viveram durante este período. O refrão diz tudo: "você pegou um caroneiro/ um prisioneiro das faixas brancas da estrada". A canção seguinte, "Amelia", é uma homenagem à aviadora Amelia Erhart e uma evocação da mulher que se liberta e consegue destaque no mundo dos homens. É bom lembrar que o disco foi gravado na metade dos anos 70, quando as mulheres ainda lutavam por sua independência e lugar na sociedade. Além disso, havia um preconceito contra atuação sexual da mulher. E Joni era namoradeira. Um ano antes, a revista Rolling Stone, num arroubo machista como jamais visto, publicou uma "árvore genealógica" dos amores de Joni. De certa maneira, "Amelia" – e todo o disco – se constitui numa resposta à toda esta intolerância. Depois de descrever todo um trecho da viagem e fazer um relatório lírico, ela diz: "Parei num cactos Tree Motel/ Pra tirar a poeira/ e dormi num travesseiro estranho da minha luxúria/ Sonhei com 747/ sobre fazendas geométricas/ Sonhos, Amelia, sonhos e falsos alarmes". Tudo isso com a guitarra de Larry Carlton como nunca foi ouvida em outro disco. Pontuando o violão de Joni e a guitarra de Carlton, está o vibrafone de Victor Feldman, totalmente integrado ao clima.

Depois, vem "Furry Sings the Blues", que conta sua visita ao blueseiro Furry Lewis, em Memphis. Observadora, Joni mistura o relato da visita a uma acurada descrição da decadência dos bairros pobres da cidade. Ela levou bebida e cigarros para o lendário homem do blues que está numa cama sem uma perna. A visita se torna tensa: "Velho Furry canta o blues/ Ele aponta um dedo grosso pra ti/ e diz: 'Não gosto de você'/ Todo mundo ri como se fosse uma piada/ mas é verdade/só somos bem-vindos porque trouxemos bebida e cigarros". Nesta viagem, Joni traz dois de seus companheiros do L.A. Express, banda que tinha tocado com ela: Max Bennett no baixo e John Guerin na bateria, na época, seu namorado. E também Neil Young, que faz intervenções exatas e precisas na harmônica. Como sempre, Joni e seus violões com afinações diferentes. Mais um relato de um amor da estrada, "A Strange Boy" conta do relacionamento dela com um jovem skatista. Similar em tema e sonoridade a "Coyote", a canção faz Joni admitir que estava numa viagem a procura de si mesma e do amor: "Apenas quando eu penso que ele é bobo e infantil/ e eu quero que ele seja adulto/ eu resgato minha bobice e infantilidade/ precisando de amor e compreensão". É o grito de uma mulher à procura do amor e de alguma coisa a mais.

Este disco dá uma série de pistas ao que se passava na cabeça de Joni Mitchell nesta e em todas as épocas. À medida que o disco avança, mais e mais, ela vai se desnudando, lentamente, mas nunca deixando ver tudo. E aí vem a música mais emblemática, a faixa-título. Novamente aquele violão strummed, o baixo de Pastorius e a percussão de Bobbye Hall. “Héjira” foi a jornada do profeta Maomé e seus seguidores de Meca a Medina. Joni usa o termo para fazer um relato da viagem e da jornada para dentro de si mesma e dos relacionamentos amorosos entre os seres humanos. A letra é toda interessante e citável, mas destaco alguns trechos: "No nosso relacionamento possessivo/ muita coisa não podia ser dita/ agora estou voltando pra mim mesma/ estas coisas que eu e você suprimimos". Mais adiante, ela diz: "Na igreja, eles acendem as velas/ e a cera corre como se fosse lágrimas/ Tem a esperança e o desespero/ que eu presenciei 30 anos". E o refrão – se é que se pode chamar de refrão este trecho – afirma: "Estou viajando em um veículo/ Estou sentada em algum café/ um desertor de guerra sem importância/ Até que o amor me carregue de volta pra aquele caminho". Lírica e intensa, Joni faz metáforas com prédios e sua solidez com a natureza volátil do amor.

Entretanto, uma das chaves para entender "Hejira" e Joni Mitchell está na música seguinte, "Song for Sharon". Escrita como se fosse uma carta a uma amiga que vai casar, Joni deixa transparecer sentimentos confusos e contraditórios a respeito de sua liberdade e da "prisão" em que sua amiga está entrando. Ela começa descrevendo uma viagem que fez a Staten Island, onde comprou um mandolin. Durante toda a música, Joni fala para Sharon das coisas que vê durante esta viagem como se a estivesse provocando. Lá pelas tantas, a descrição se torna sombria: "Uma mulher que eu conhecia se afogou/ O poço estava lamacento e profundo/ Ela estava se livrando da futilidade/ ou punindo alguém/ Meus amigos ligaram ontem o dia inteiro/ todas emoções e abstrações/ Parece que todos nós vivemos muito perto desta linha/ e tão longe da satisfação". Joni fala do casamento como se fosse uma prisão, mas toda aquela cerimônia e os rituais parecem lhe fascinar. As explicações virão seis anos depois, quando ela se casa com o baixista Larry Klein e faz um disco inteiro celebrando este casamento chamado "Wild Things Run Fast".

Já "Black Crow" compara o corvo que ela encontra na estrada a si mesma. "À procura de amor e de música/ toda minha vida foi dedicada/ Iluminação, corrupção/ e mergulho, mergulho, mergulho, mergulho/ Mergulho pra pegar qualquer coisa brilhante/ como aquele corvo voando/ num céu azul". A busca do corvo é a mesma de Joni: algo que a faça feliz, mesmo que efêmero. O que é a mesma busca que empreendemos toda nossa vida. Metaforicamente falando. Com os violões, temos a guitarra de Carlton nunca tão violenta e lancinante. Depois de tanta procura e frustração, vem o momento em que as coisas dão uma trégua. "Blue Motel Room" usa o clima de balada jazzística para contar uma história de amor moderna. "Você ainda vai me amar/ quando eu te ligar, quando eu voltar pra casa". Depois, ela brinca que "sabe que você tem todas estas garotas espalhadas pela cidade... diga pra elas que tu tens sarampo, que tu tens germes". Ou em: "Você e eu somos como América e Rússia/ Estamos sempre tentando ganhar... Precisamos armar uma conferência de paz/ em algum café neutro/ Você vai continuar circulando pela cidade/ e eu vou cair na estrada". O amor continua, mas a liberdade é mais importante para Joni.

E, pra fechar, ela procura "Refuge of the Roads". Como em todo o disco, o clima é confessional. Joni vai contando de figuras que encontrou. Cada uma delas procura o refúgio nas estradas. Andarilhos, homens e mulheres perdidos, personagens desgarrados pelo mundo. São estas pessoas que Joni Mitchell descreve e com as quais se sente em casa. Jaco Pastorius brilha como nunca nesta canção, acompanhado pelos sopros de Chuck Findley e Tom Scott e pelo sempre presente violão de Mitchell e suas afinações malucas. É muito difícil analisar um disco que se ama tanto e que a cada ouvida se descortina. Algumas das coisas que Mitchell diz neste disco iriam se revelar por completo anos depois com o surgimento de uma filha adulta que ela tinha abandonado para adoção em 1965. Bom, isso é outra história. Recomendo a todos que mergulhem neste disco como ela mergulhou na estrada. E eu nem falei da capa, uma das mais lindas ever.
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FAIXAS:
1. Coyote
2. Amelia
3. Furry Sings the Blues
4. A Strange Boy
5. Hejira
6. Song for Sharon
7. Black Crow
8. Blue Motel Room
9. Refuge of the Roads

todas as composições de Joni Mitchell

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OUÇA:
Joni Mitchell Hejira