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domingo, 29 de julho de 2012

Anarquia em Porto Alegre - Noite de autógrafos de Daniel Rodrigues - Pinacoteca Café (19/07/2012)




Tinha ficado devendo imagens e algumas considerações sobre o lançamento do livro "Anarquia na Passarela" (ed. Dublinense, 2012) do meu irmão, jornalista, parceiro-colaborador deste blog e dono blog do O Estado das Coisas Cine, Daniel Rodrigues.
Bom, pra começar, voltar a Porto Alegre para mim é sempre um prazer e ainda mais em circunstâncias festivas e alegres como esta, neste caso especialmente numa realização pessoal do Daniel e que por extensão enche de orgulho a todos nós da família.
O evento em si estava um grande barato. Tudo muito bacana, muito alegre, muito amistoso e ambiente aconchegante do bar Pinacoteca Café. Amigos, familiares, desconhecidos, curiosos, todos ali dando uma conferida, cumprimentando o escritor e demonstrando grande interesse pelo tema que num primeiro momento parece estranho mas que olhando em volta se vê o quanto é comum.
Tive a oportunidade de encontrar parentes queridos como minha adorada tia-prima Isaura, amigos de tempo como o Christian Ordoque e a Iris Borges, amigos até então virtuais como a Valéria Luna e o Eduardo Wolff, rever meu outro 'irmão' velho, meu primo e ex-parceiro de banda, o Lúcio Agacê detonando um punk rock nas 'picapes', e até topar com uma das lendas do punk-hardcore gaúcho, o ex-vocalista da Atraque, Leandro Padraxx, que dava uma banda por lá.
Grande noite. Grande honra e prazer ter estado lá com todas essas pessoas. E, mais uma vez parabéns, Daniel! Sucesso e que venham outros e outros livros por aí.


Abaixo algumas das cenas da noite captadas pela lente de Leocádia Costa, que igualmente tive o prazer de conhecer nesta visita:

"Anarquia na Passarela", já à venda
Família presente prestigiando o evento.
Lucio Agacê comandando o som:
Replicantes, Kennedy's, Pistols, Joy, e  por aí vai.
O autor, Daniel, na mesa de autógrafos,
atencioso com os visitantes
...tudo isso 'embalado' pela saborosa
cachaça Da Chica
Daniel com o grande Eduardo Wolff, resenhista
de vários ÁLBUNS FUNDAMENTAIS
aqui no blog,...
... com sua adorável namorada, Leocádia. 
... e revivendo a extinta HímenElástico,
com este blogueiro que vos escreve (dir.) e com Lúcio Agacê.
Irmãos
Autógrafos
Daniel Rodrigues e seu livro


fotos: Leocádia Costa
Luís Ventura


quarta-feira, 25 de julho de 2012

cotidianas #171 - Feito Bicho


Cara de um
Corpo de dois
Focinho do outro
Boca do rosto

Beiço da lata
Ferro no corpo
Bicho de homem
Outro de duplo

Keith Haring por  Annie Leibovitz (1986)
Focinho de porco
Nariz de tomada
Corrente no fio
Olho no olho

Cara e coragem
Mete as fuças
Crava os dentes
Latido de cão

Cara de pau
Olho do cu
Santo de casa
Pau-oco do santo

Sangue na veia
Arrepio que corre
Lenha que desce
Pau que come

Cama no chão
Tapa na cara
Cheiro de mijo
Suor de asa

Dupla de quatro
Cama de gato
Língua no ouvido
Água na boca

Parede de quarto
Plano de filme
Cena de amor
Sangue na tela

Tomada de ombro
Olho de câmera
Lata de luz
Imagem do outro


O Frango Atirador


segunda-feira, 23 de julho de 2012

Johnny Cash - "At Folson Prison" (1968)




"Eu atirei num cara em Reno
só pra vê-lo morrer."
Folson Prison Blues



Outro daqueles concertos clássicos da história da música. Com o ingrediente de este ter sido executado para uma platéia, no mínimo, inusitada: detentos de uma das mais tradicionais penitenciárias americanas, a Prisão Estadual de Folson, na Califórnia.
Aquelas duas apresentações de Johnny Cash na casa de detenção, era o típico do negócio que era bom para os dois lados: para ele, Cash por estar retomando a carreira e tentando reimpulsioná-la depois de um período de recuperação das drogas e para os aqueles condenados que teriam um evento, uma grande atração e sobremaneira alguém com que se identificavam por conta de suas temáticas marginais, principalmente por causa da canção “Folson Prison Blues” que sempre suscitara pedidos através de cartas para que o cantor se apresentasse em presídios. E aquele era o momento certo para fazer um grande show e recuperar o prestígio.
E não teve erro!
A apresentação foi emocionante, o disco resultante dela, “At Folson Prison” lançado em 1968, teve êxito e Cash, revigorado, voltava à evidência.
Pra começar o show o Homem de Preto apresentava seu cartão de visitas com a música que todos ali queriam ouvir, “Folson Prison Blues”, e com seu carisma, sua voz adoravelmente sinistra e sua levada característica de violão, cativava aqueles homens enclausurados ali com uma série de músicas sobre presos, homens simples, dor, solidão, saudades de casa e de suas amadas, ganhando definitivamente o público para seu lado. “Green, Green Grass of Home” fala dessa vontade de rever o lar; “Cocaine Blues” sobre um cara que mata a mulher e acaba exatamente lá, em Folson; e a dramática “The Wall” é sobre o plano de um interno de chegar até o muro da cadeia para fugir mas já sabendo que a tentativa seria suicídio. Além disso, fala de trabalhadores como o solitário e triste mineiro de “Dark as Dungeon”, e na espetacular “The Legend os John Henry’s Hammer” sobre um funcionário de uma ferrovia que tem que praticamente disputar o emprego contra uma máquina, com a percussão imitando as marretadas do operário, numa interessante metáfora sobre o desemprego na sociedade industrial.
Mas Mr. Cash também é romântico como em “Give My Love To Rose” na qual divide os vocais com a esposa June Carter; é sentimental em “Send a Picture of Mother”; mas também faz rir como na hilária “Dirty Old Egg-Suckin'Dog” ou na trágica, interpretada de maneira irreverente, “25 Minutes to Go”, com sua contagem regressiva para a forca.
Surpreende a todos encerrando o show com “Greystone Chappel”, composição de autoria de um dos presos dali, que havia-lhe enviado a canção meses antes ao saber que o cantor se apresentaria na penitenciária, em mais um momento emocionante da apresentação.
Depois daquilo era hora de retornar às celas. A dura realidade voltava a reinar. A diversão havia acabado.
Show lendário de uma das figuras mais importantes da história da música. Talvez o maior ícone do country-rock de todos os tempos e um dos músicos mais influentes que já esteve neste planeta. Ali, com o concerto na prisão de Folson, Johnny Cash se reerguia mais uma vez ressurgindo das cinzas, mas cairia de novo infelizmente. Levantaria novamente, é verdade, cairia de novo e seguiria assim, praticamente até o final de sua carreira quando teria a consagração definitiva e final com a série “Americans” que o faria ter de novo todo o reconhecimento que sempre mereceu. Mas isso é assunto para outra resenha.

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FAIXAS:
1. Folsom Prison Blues
2. Busted*
3. Dark as The Dungeon
4. I Still Miss Someone
5. Cocaine Blues
6. 25 Minutes to Go
7. Orange Blossom Special
8. The Long Black Veil
9. Send a Picture of Mother
10. The Wall
11. Dirty Old Egg-Suckin'Dog
12. Flushed From the Bathroom of Your Heart
13. Joe Bean
14. Jackson
15. Give My Love to Rose*
16. I Got Stripes*
17. The Legend of John Henry's Hammer
18.
Green, Green Grass of Home
19. Greystone Chapel

*não faziam parte da edição original do álbum, tendo sido acrescentadas no formato CD.


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Ouça:

quarta-feira, 18 de julho de 2012

cotidianas #170 - Maratona



A Juventus, time de futebol sete no qual eu jogava, chegou um momento que ficou grande demais para os domínios locais. Ganhávamos praticamente tudo de torneios de bairro e arredores. Começamos então a participar dos torneios da Federação Gaúcha de Futebol Sete e os jogos passaram a ser então nas sedes determinadas pela organizadora. Uma das sedes era na Ilha da Pintada, localidade próxima a Porto Alegre, já no município de Eldorado do Sul, do outro lado da Ponte Elevadiça, que é um dos cartões postais da cidade.
Os jogos da FGF7 costumavam ser pela manhã, sendo às vezes o primeiro horário, às 8 e meia, indo até uma ou duas das tarde no máximo, o que nos obrigava no caso de sermos sorteados nos primeiros jogos a nos mobilizarmos muito cedo.
Como éramos amadores, jogávamos mais pela curtição, muitas vezes, eu na condição de ‘dirigente’ tinha que me desdobrar para garantir que tivéssemos o número mínimo de jogadores no domingo de manhã, às vezes muito cedo. Às vezes era difícil. Tinha que encarar a falta de comprometimento de alguns, dificuldade financeira de outro que não tinha sequer dinheiro pra passagem, compromissos familiares ou profissionais de fulano, resultados de noitadas de cicrano e assim por diante. Por mais que fôssemos um time de bairro, e a maioria morasse próxima, alguns moravam em outros bairros e por isso, tínhamos como ponto de encontro o terminal de ônibus da Praça XV, no Centro de Porto Alegre, em frente ao Mercado Público. Lá os que chagavam, esperavam os demais até um horário limite para que pegássemos um ônibus até a Ilha da Pintada onde aconteciam nossos jogos. O problema é que o ônibus tinha pouca freqüência, poucos horários e tínhamos que contar com a possibilidade da ponte estar levantada e nos atrasar, então o horário limite de saída do Centro, tinha que ser seguido rigorosamente.
Um dos nossos jogadores, o Testa, tipo folclórico, meio bronco, dono de uma ingenuidade tal que o fazia passar por burro muitas vezes, mas que no fundo revelava uma pessoa extremamente afável, trabalhava em uma padaria durante a noite toda e mesmo assim ia direto para os jogos, e quando os jogos eram da Federação, na Ilha, se juntava a nós no ponto de encontro, no terminal do centro da cidade.
Naquele domingo tínhamos jogo na Ilha e havia um agravante que poderia nos atrasar: acontecia a Maratona de Porto Alegre e uma parte do trajeto passava pelo Centro. Marcamos de nos encontrarmos mais cedo ainda para não correr o risco de que ruas fossem interditadas, que o trânsito ficasse ruim, que fosse interrompido, que o itinerário fosse muito alterado ou que qualquer coisa acontecesse. Não queríamos ser surpreendidos pelo acaso.
Por azar aquele domingo era um daqueles dias que estávamos contadinhos: dos confirmados no dia anterior, teríamos SETE jogadores certinho, contando com o Testa que nos encontraria lá. Não tinha muito risco, o Testa não era de faltar, era fiel. Podia ter trabalhado a noite toda diante de um forno de pão mas não nos deixava na mão. Assim, nós, eu, meu irmão Daniel e mais 4 fominhas, tendo chegado antes, esperaríamos o Testa até o horário marcado.
O problema é que a hora foi passando, o horário se aproximando e nada do Testa. O que teria acontecido? Ele não era de atrasar. Teria pego um trecho da maratona em outra parte da cidade? Teria ficado até mais tarde na padaria? Não teria podido ir? E o tempo passando e nada do Testa. Tínhamos que embarcar. Não tinha como esperar. O próximo ônibus pra Ilha era só dali há uma hora e se perdêssemos aquele fatalmente perderíamos o jogo por WO.
Embarcamos. Melhor 6 jogadores em campo do que nenhum. O motorista deu a partida. Ainda mantínhamos uma esperança de que nosso atleta aparecesse na última hora mas nada. O ônibus pôs se andar, andou alguns metros e, sentados no banco do fundo, olhamos ainda mais uma vez para trás. O ônibus ia então dobrando a esquina que dá do terminal para a Av. Júlio de Castilhos quando para nossa feliz surpresa avistamos o Testa descendo em desabalada carreira a Rua Marechal Floriano. Foi aquele alvoroço. “O Testa, o Testa!” gritávamos em comemoração. Mas nossa festa foi um tanto precoce pois, não tendo nenhum ponto ali imediatamente, o motorista recusou-se a parar mesmo sob os nossos insistentes pedidos.
“Fodeu!”, pensamos enquanto víamos pelo vidro traseiro o Testa ainda correndo quase desanimando ao perceber que o motorista, provavelmente seguindo as rigorosas regras da empresa, não lhe abriria aquela exceção e pararia fora do ponto. O ônibus já seguia um bom pedaço da avenida quando avistamos bem ao fundo o Testa, persistente, acelerando a corrida esperançoso de embarcar. Já que não contávamos com a boa vontade do motorista, passamos então a torcer para que o Testa conseguisse, favorecido por um ritmo mais lento, pelos sinais vermelhos dos semáforos, alcançar o veículo até o próximo ponto. Chegou perto disso em algum momento mas pondo-se em marcha novamente, mesmo sob nossas súplicas para que permanecesse mais um pouco no ponto, o carro afastara-se novamente do nosso colega. Nossa torcida vivaz e barulhenta dentro do ônibus começava a contagiar outros passageiros, que víamos, já atentos à possibilidade do rapaz conseguir ou não embarcar no carro. Mas a chance pareceu se esvair quando o coletivo fez a curva na altura da rodoviária e a figura do corredor se perdia lá atrás. Nosso entusiasmo com a até então heróica corrida arrefeceu e sentamos desanimados lamentando. A próxima parada seria longe dali, na avenida Voluntários da Pátria mas muuuito adiante. Não dava mais.
O ônibus dobrou na Voluntários e mesmo desesperançosos, ainda demos uma olhadinha pra trás por ‘desencargo de consciência’. Vai que ele tivesse insistido. “Não, ninguém insistiria”. Mas eis que...Não era possível!!! Lá estava ele! Ele pegara um atalho pela Coronel Vicente e estava ali ainda, tenaz, nos seguindo como um cavalo de raça. O ônibus então ‘veio abaixo’! Não apenas nós mas todos os passageiros, agora já envolvidos no nosso drama e no drama do Testa, vibraram com a aparição milagrosa do negro na esquina da Voluntários, e como ali a circulação de veículos, separada por uma faixa, se misturava à da Maratona de Porto Alegre, o Testa pôs-se a passar um a um, por cada participante da prova, sem lhes tomar conhecimento. Qualquer um daqueles atletas deve ter pensado, “eu não sei quem é esse queniano, mas com certeza esse cara vai ganhar a prova”. E passou um, dois, e outro e outro... Os atletas boquiabertos eram ultrapassados como se fossem tartarugas.
A essas alturas até o inflexível motorista já se sensibilizara com o esforço do garoto e começava a diminuir a marcha de modo a permitir sua aproximação. A torcida era tamanha, os pedidos de todos, inclusive dos que não tinham nada a ver com a situação, tão insistentes, que o condutor se rendeu e parou fora do ponto até que o heróico corredor se aproximasse e entrasse ovacionado no veículo. Exausto, esgotado, esbaforido, exaurido, desabou num banco qualquer até recuperar o fôlego não levantando dali até chegarmos ao local do jogo.
Depois nos explicou que saíra mais tarde da padaria, perdera o ônibus que o levaria até o Centro ou algum outro motivo que não lembro. Não interessava. Estava ali e só pelo seu esforço nosso dia já tinha valido. Sua prova de fidelidade e lealdade tinha valido por todos aqueles que tinham ficado dormindo e nos deixaram com o número mínimo de jogadores para encarar uma parida difícil como a que teríamos.
O jogo?
Ah!
Ganhamos por 2x1 do time da casa.
Nós ganhamos o jogo mas pode-se dizer que o Testa ganhou o jogo e a maratona também.



Cly Reis

terça-feira, 17 de julho de 2012

Muddy Waters - "Fathers and Sons" (1969)




“Meu ‘encanto’ funciona,
mas não com você”
“Got My Mojo Working”



Depois da fase experimental, uma retomada ao bom e velho blues característico e as pazes com os fãs, críticos, e consigo mesmo. Em “Fathers and Sons” de 1969, o grande Muddy Waters retornava ao seu estilo habitual proporcionando blues da melhor qualidade, dois discos após a psicodelia barulhenta de "Electric Mud", disco excelente, renegado no entanto pelo próprio artista.
Lançado originalmente como LP duplo, trazia 16 músicas no total sendo o disco 2 apenas com versões ao vivo.  O formato CD tem 4 faixas de estúdio a mais mas mantém as seis originais de show. Entre estas ao vivo temos a arrepiante “Long Distance Call” com sua guitarra estridente levando o público ao delírio; “Baby Please Don’t Go” que já havia sido consagrada na versão do Them, mas aqui não tão acelerada quanto na versão da banda de Van Morrison; e o clássico “Got My ‘Mojo’ Working”, tocada duas vezes, executada de modo vibrante com participação entusiástica da galera. No mais, a balada com a harmônica chorosa, “Mean Disposion”; o show particular de guitarra de Muddy em “Can’t Lose What You Ain’t Never Had”; a performance coletiva arrasadora de todo o time em “Stand Round Cryin’” e a incrível “Twenty Four Hours mostravam quem mandava no pedaço.
Era o velho McKinley Morganfield retornando com vivas ao seu bom e velho blues elétrico.
A capa genial com um  Deus negro criando o Homem, de certa forma é muito sugestiva quanto a este retorno de Muddy às suas raízes e parece conter uma espécie de recado, tipo, Deus criou o Homem. O Homem criou o blues. Muddy Waters  criou o Blues de Chicago.
Muddy fez “Fathers and Sons”...
Deus é pai, Deus é pai.
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FAIXAS:
  1. "All Aboard" – 2:52
  2. "Mean Disposition" – 5:42
  3. "Blow Wind Blow" – 3:38
  4. "Can't Lose What You Ain't Never Had" – 3:06
  5. "Walkin' Thru The Park" – 3:21
  6. "Forty Days And Forty Nights" (Roth) – 3:08
  7. "Standin' Round Cryin'" – 4:05
  8. "I'm Ready" (Dixon) – 3:39
  9. "Twenty Four Hours" (Boyd) – 4:48
  10. "Sugar Sweet" – 2:18
  11. "Long Distance Call" – 6:37
  12. "Baby, Please Don't Go" (Williams) – 3:03
  13. "Honey Bee" – 3:56
  14. "The Same Thing" (Dixon) – 5:59
  15. "Got My Mojo Working, Part 1" (Foster, Morganfield) – 3:22
  16. "Got My Mojo Working, Part 2" (Foster, Morganfield) – 2:54
faixas extras da versão CD:
"Country Boy" – 3:20
"I Love the Life I Live (I Live the Life I Love)" (Dixon) – 2:45
"Oh Yeah" (Dixon) – 3:38
"I Feel So Good" (Big Bill Broonzy) – 3:00

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Ouça:

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Presa








"Presa"
REIS, Cly
grafite sobre papel manteiga
20x20cm

The Smiths Cover / The Cure Cover - Rio Rock and Blues Club - Lapa - Rio de Janeiro (14/07/2012)



Smiths Cover detonando
(de novo)
O evento que se anunciara era tudo o que eu podia querer em matéria de entretenimento na noite carioca, num lugar pra lá de bacana: The Smiths Cover, banda que eu já conhecia, de comprovada competência e The Cure Cover, para mim uma incógnita que guardava, no entanto, boas expectativas, embora com uma ponta de desconfiança por considerar o Cure um grupo um tanto peculiar, com um vocal muito característico e detalhes técnicos muito significativos. Arriscado.
Assim, fui então ao Rio Rock & Blues Club no último sábado mais com a curiosidade de ver o cover do The Cure do que propriamente por rever os Smiths, que teoricamente não teriam nada de novo para apresentar em relação ao que eu havia visto antes.
E, no tocante aos Smiths, era verdade. Não tinham nada de novo. Nenhuma novidade... Mas por incrível que pareça estão cada vez melhores e conseguem fazer com que mesmo depois de tê-los visto várias vezes, o show ainda seja atraente, surpreendente e vibrante. “Handsome Devil” foi matadora; “This Charming Man” espetacular; “There’s a Light tha that Never Goes Out” emocionante; “Barbarism Begins At Home” absolutamente bem executada com o baixista João Ricardo esmerilhando nas quatro cordas; e o guitarrista Eric Marr absolutamente perfeito inclusive nas mais ‘encrespadas’ como “Girl Afraid” e “Still Ill”, sem falar na execução impecável de “How Soon is Now?”. Pensei que não pudessem mais me empolgar, que simplesmente seria mais um showzinho cover mas me enganei. Agradável engano.
O "Robert Smith" genérico do fraco
The Cure Cover
Já para o tal cover do The Cure não posso tecer elogios com o mesmo entusiasmo. Aliás parece que eles não demonstravam entusiasmo. Ah, dirão “mas o The Cure não é uma banda que se possa chamar de animada”. Sei. Não é disso que estou falando. Estou falando de tesão, vibração, presença de palco. E quanto a isso, não se viu nada.
Pra não dizer que não vi nada de bom, o baterista foi o único que se salvou, começando o show, inclusive com a difícil “Hanging Garden”, mantendo regularidade impressionante naquela batida complicada. Já o nosso “Robert Smith” era extremamente fraco. Não exijo que TENHA a voz do seu homenageado, mas um cantor que pretenda fazer cover, na minha opinião, tem que ter alguma semelhança de timbre, tem que tirar algum elemento característico da interpretação do original, ou no mínimo colocar alguma empostação que remeta o ouvinte àquele que pretende imitar. Se não não é cover. É uma banda tocando a música de tal banda e aí tá cheio dessas na noite, dessas que tocam hits dos anos 80 e que certamente vão tocar “Boys Don’t Cry” provavelmente melhor do que eles.
Mas não ter essa identidade vocal não teria sido nada se não fosse o fato de que parecia que não tinha vocal. A voz não saía. Não sei se o cara tava tímido, se o som estava ruim, se ele estava bêbado (volta e meia entornava uma garrafa de vinho que estava ao seu lado no chão) mas o fato é que não cantava. Sem falar na peruca... Não precisava! Ficaria muito mais 'honesto' sem o cabelo espetado de Robert Smith. Ficou mais caricatural ainda.
E a baixista? O que falar da baixista? Nossa!!! Acho que se ela pudesse estar em casa de pantufas ela estaria, mas tenho certeza que ela gostaria de estar em qualquer lugar menos ali. Rigorosamente fria, sem sangue. Não exigia que ela fosse agitada como o baixista do Cure, Simon Gallup, mas a apatia dela se refletia nas suas execuções que ficavam absolutamente mecânicas e automáticas. Só se salvou o batera mesmo que, além da já citada, “Hanging Garden”, mostrou serviço em outras como “A Forest”, “Killing Na Arab”, “10:15 Saturday Night”.
Devo admitir que fui embora antes do final. Não tive paciência para agüentar aquilo ali tão sem alma. Mais uma vez, a noite valeu pelo The Smiths Cover que não deixou nada a desejar. Esses sim, me provaram que, por mais que já tenha assistido várias apresentações deles, sempre vai valer a pena ir vê-los de novo.



Cly Reis

sexta-feira, 13 de julho de 2012

cotidianas #169 Dia do Rock - "Muita Estrela, Pouca Constelação"


A festa é boa tem alguém que tá bancando
Que lhe elogia enquanto vai se embriagando
E o tal do ego vai ficar lá nas alturas
Usar brinquinho pra romper as estruturas
E tem um punk se queixando sem parar
E um wave querendo desmunhecar
E o tal do heavy arrotando distorção
E uma dark em profunda depressão

campanha da Rádio Horizonte (Chile)
autor: Zuk (Cristóbal Suzuki Thielmann)
blog Zukland

Eu sei até que parece sério, mas é tudo armação
O problema é muita estrela pra pouca constelação


Tinha um junkie se tremendo pelos cantos
Um empresário que jurava que era santo
Uma tiete que queria um qualquer
E um sapatão que azarava minha mulher
Tem uma banda que eles já vão contratar
Que não cria nada, mas é boa em copiar
A crítica gostou, vai ser sucesso ela não erra
Afinal lembra o que se fez lá na Inglaterra

Eu sei até que parece sério, mas é tudo armação
O problema é muita estrela pra pouca constelação


Agora vem a periferia...

O fotógrafo ele vai documentar
O papo do mais novo big star
Pra aquela revista de rock e de intriga
Que você lê quando tem dor de barriga
E o jornalista eke quer bajulação
Pós new old é a nova sensação
A burrice é tanta, tá tudo tão à vista
E todo mundo posando de artista


Eu sei até que parece sério, mas é tudo armação
O problema é muita estrela pra pouca constelação


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letra de "Muita Estrela, Pouca Constelação"
(Seixas, Nova)

Ouça:
Camisa de Vênus e Raul Seixas - "Muita Estrela, Pouca Constelação"

The Clash - "London Calling" (1979)




"A única banda que interessa"

slogan da banda

na época de seu surgimento




Câmbio.

Início de transmissão. Codificando sinal. É Londres chamando. 

The Clash. Álbum London CallingLançado em 14 de dezembro de 1979.

Terceiro disco do grupo. Pulsos elétricos mais ecléticos.

Menos punk rock. Outros gêneros musicais presentes como: rockabilly, jazz, ska e reggae.

Mais instrumentos incorporados no álbum. Joe Strummer e Mick Jones, além das guitarras e dos vocais, tocam piano e harmônica. Instrumentos de sopro foram agrupados em muitas faixas desse registro.

Polêmico entre os fãs na época. Posteriormente, um clássico.

Lançado como LP duplo por preço de um. Atitude punk.

Capitalismo é a principal temática do disco.

No tributo Burning London: The Clash Tribute quase a metade das covers são do London Callling.

Desvendando os códigos. Sinais entrando em 1,2,3...

London Calling, faixa-título. Muitas distorções nas guitarras é o que ressoa no início desta transmissão. O baixo de Paul Simonon é poderoso e presente, praticamente leva a música.

Segundo sinal Brand New Cadillac. Um rockabilly mais ácido. Faz lembrar o Stray Cats, grupo que tocava este estilo musical. Anos mais tarde, iria difundir este som nos anos 1980.

Jimmy Jazz é o terceiro. Assovios no início, guitarras quase “limpas” (com poucas distorções) e instrumentos de sopro. O jazz é bem presente. Completa para esta sonoridade um solo de saxofone, mesclado com guitarra.

Quatro sinal é Hateful. Som punk rock em nível médio, um agressivo moderado. Para agradar os fãs dos primeiros discos do Clash. A letra fala de ódio. Sentimento convencional de um “punkrocker”.

Próximo é Rudie Can't Fail.  Reggae tocado ao estilo “clashiano”, ou seja, uma boa sujeira de rock nesse ritmo jamaicano. Mick Jones e Strummer trocam os vocais principais nessa canção.

Sexto é Spanish Bombs. Resgata a história da Frente Popular na Guerra Civil Espanhola. De Analuzia até Granada, cidades onde tiveram batalhas sangrentas. No refrão, as frases são cantadas em espanhol, mas sem muito nexo.  

Na sequência é The Right Profile. Novamente, uma influência de jazz. Porém, a canção é mais raivosa que Jimmy Jazz. Do mesmo modo, a parte de solo é com saxofone.

Lost In The Supermarket é o próximo. Consumismo é tratado nesta canção com ironia e depressão. “I'm all lost in the supermarket. I can no longer shop happily. I came in here for that special offer. Guaranteed Personality” (Eu estou totalmente perdido no supermercado. Eu não consigo mais comprar feliz. Eu vim pelas promoções. Personalidade garantida).

Frequência Clampdown. Mais perturbações sonoras de uma guitarra começa mais um punk rock. Como também na letra, que aguça a repressão do capitalismo entre os trabalhadores.

Décimo The Guns Of BrixtonÚnica composição com assinatura do baixista Paul Simonon. Brixton, um bairro de Londres, tem moradores descendentes de africanos e caribenhos. Reggae é o ritmo dessa canção, com menção a composição “Harder they Come”, de Jimmy Cliff.

Espere por 10 segundos. Intervalo curto. Retomando contato.

Sinal Wrong 'em Boyo. Tem o ska como ritmo. É ao estilo movimento Two Tone, oriundo no final dos 1970, tendo bandas inglesas como The Specials e Madness explodindo na época.

Décimo segundo Death Or Glory. Inicia com uma guitarra a la blues soando de fundo. Música que deixa uma atmosfera reflexiva e paradoxal, ou seja, morte ou glória.

Frenquência Koka Kola. Parecendo um jingle, a letra é justamente contra as propagandas. Com um punk rock ecoando, reflete sobre os inúmeros anúncios espalhados em vários cantos do mundo.

Próximo, The Card Cheat. A mais dramática, com Mick Jones nos vocais. Piano é a base da canção, parecendo, por vezes, trilha sonora de filme de época. É a música mais produzida do disco.

Sinal Lover's Rock. Um rock de intensidade suave cantado por Strummer, com Jones fazendo a segunda voz. Muitos instrumentos de percussão, geralmente encontrados no reggae.

Décio sexto é Four Horsemen. Depois de falar dos quatro cavaleiros em meio ao consumismo, metade da canção tem uma batida de cavalaria. Acompanhada de um solo de baixo e guitarras, dando uma atmosfera viajante.

Na sequência I'm Not Down. Como sugere o nome da letra, tem ritmo animado. Com direito a uma quebrada na música que remete ao Caribe.

Penúltimo, Revolution Rock. Canção com reggae mais encorpado ao estilo tradicional da Jamaica. No final, uma batucada em ritmo africano.

Train In Vain, o último. Estilo pop, no entanto autêntica. Grandes riffs de guitarra de Mick Jones. A harmônica acompanha bem os instrumentos de cordas.

Londres se despede. Encerrando a transmissão.

Câmbio, desligo.

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Ouça:

Pix

Oração do Rock

Neste Dia Mundial do Rock, posto esta oraçãoznha para que Nosso Senhor Elvis Presley nos proteja de músicas ruins.
O texto não é meu, topei com isso na internet. Não estou me apropriando dele, simplesmente não sei a quem dar o crédito, mas tem os meus parabéns. Ficou show!

Rock nosso que estais na veia,
Muito escutado seja o vosso solo,
Assim venha a nós o riff inteiro,
Seja feito barulho a vontade,
Assim em casa como nos shows,
Musica boa de cada dia nos dai hoje.
Perdoai nossas ofensas, assim como nós perdoamos os pagodeiros,
com aquelas músicas horríveis,
Não nos deixei cair no pagode...
E nos livrai de todo axé.

Amém

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Lançamento do livro "Anarquia na Passarela" de Daniel Rodrigues



Acontecerá na próxima quinta-feira em Porto Alegre o lançamento do livro "Anarqui na Passarela" do meu irmão e colaborador deste blog, Daniel Rodrigues , muito aguardado por mim por mim, em especial, em primeiro lugar por ver uma realização pessoal de uma pessoa querida e muito também por já conhecer a essência do trabalho exposto no livro, uma vez que o assunto praticamente foi o tema de sua tese final para o curso de jornalismo.
Trata-se de mostrar o quanto o punk, mesmo com seu caráter negativo a tudo, destrutivo, anti-moda, anti-tendência, de comportamento anti-comportamental, acabou por ter enorme influência na maneira de vestir, agir, portar-se, criar, compor a partir de seu acontecimento no final dos anos 70, e demostrar toda a influência estética que acabou exercendo na sociedade desde então.
(estou certo, Dã?)
De minha parte, já estou inclusive de passagens compradas e estarei lá para prestigiar o lançamento.
O evento acontece no dia 19 de julho, no Pinacoteca Café, na Rua da República, 409, no Centro de Porto Alegre.
Parabéns pelo livro, Daniel.
Tomara que eu consiga um autógrafo.


Cly Reis

quarta-feira, 11 de julho de 2012

“Futebol no País da Música", de Beto Xavier – Ed. Panda Books (2009)


"Uma coisa é certa: no Brasil a música brota em todas as partes, como o futebol. Basta ter uma caixa de fósforos ou uma bola de meia, que dá samba ou dá jogo."
Beto Xavier


Mais um daqueles maravilhosos presentes que ganho dos meus irmãos. Desta vez foi minha irmã, Karine, que conhecendo-me bem, sabendo que minhas duas grandes paixões são futebol e música, tratou de me dar, no último Natal, um livro que une essas duas predileções, juntando-as com uma terceira que é a leitura. Trata-se de “Futebol no País da Música” de Beto Xavier, um gostoso passeio pela história do futebol desde sua chegada ao Brasil com Charles Miller, sempre marcando sua relação com a música mesmo que de maneira mínima ou sutil, como foi o caso do próprio Miller, introdutor do esporte no Brasil, que por sua vez tinha uma esposa pianista. A relação já começou ali.
E, convenhamos, que a idéia do autor de abordar estes dois temas em conjunto não poderia ser mais feliz, ainda mais em se tratando de Brasil onde os dois elementos tem uma ligação tão íntima, tão intrínseca, tão próxima, sobretudo quando se fala em samba. Aí sim, tem tudo a ver! O gingado, a malandragem, o dom, a malícia. Predicados típicos do brasileiro e que ele aplica com a mesma qualidade tanto nos campos quanto nos palcos, com a bola ou com o violão.
E nessas modalidades em comum, música e futebol, alguns nomes não poderiam deixar de ser mencionados e aparecem com o merecido destaque nas páginas do livro deste jornalista gaúcho, como a clássica tabelinha João Bosco e Aldir Blanc com seus nomes sugestivos alusivos a futebol (“Linha de Passe”, “De Frente pro Crime”, “Gol Anulado”); as inúmeras composições de Jorge Ben sobre o tema (“Ponta de Lança Africano”, “Zagueiro”, “Camisa 10 da Gávea”, a famosa “Fio Maravilha” e mais tantas outras); ou ainda a paixão e as freqüentes citações à bola do praticante ‘craque amador’ Chico Buarque, como “minha cabeça rolando no Maracanã” de “Pelas Tabelas”, “tem as pernas tortas e se chama Mané” de “Pivete”, ou ainda em “Deus me deu perna comprida e muita malícia prá correr atrás de bola e fugir da polícia” em “Partido Alto”, e composições belíssimas como aquela que leva, nada mais nada menos, que o nome do esporte mais amado pelos brasileiros: “O Futebol”.
Mas tem mais. Tem muito mais que isso: tem Noel querendo saber qual foi o resultado do futebol, tem a partida de futebol do Skank, tem o amor de Elza e Mané, tem as camisetas de clubes dos Engenheiros do Hawaii, as inúmeras homenagens ao rubro-negro carioca, os temas da Seleção Canarinho, os hinos de Lamartine Babo, o canal 100, o time dos Novos Baianos , Pelé cantando,... Ufff! Tem coisa que não acaba mais.
Muito legal, Karine. Adorei o presente. Livro que a gente lê cantando, ou melhor, lê jogando bola. Ou talvez, joga lendo, ou... Bom, tudo isso um pouco.
O que que eu posso falar desses irmãos? Sempre me brindando com agradáveis surpresas.
Golaço, Kaká! Golaço!



Cly Reis