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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

cotidianas #61 - Eu disse um



Um bêbado entra no ônibus sob os olhares desconfiados, superiores e repugnados dos outros passageiros , senta como consegue no banco do fundo e anuncia tranquilamente, sem gritar, mas de modo que todos possam ouvir:
- Hoje eu vou comer um cu!
Abismados com o descaramento, indignados com a indelicadeza, estupefatos, enfim, todos se viram e olham para trás. Então ele emenda:
-Eu disse UM!!

"Film Socialisme", de Jean-Luc Godard (2010)



Não concordo que "Film Socialisme" seja uma reinvenção de Jean-Luc Godard como li de alguns críticos. Frequentemente se vê na obra do diretor os mesmos elementos, a mesma condução, a mesma dialética, os mesmos recursos. Não precisamos alardear uma 'reinvenção' para justificar o alto nível e qualidade da última obra do diretor. Que ela é grandiosa, é, mas o é como muitas outras dele mesmo. Com diferenças, outros meios, outros olhos, mas ainda assim um Godard autêntico.  O que considero louvável neste, é ver JLG a estas alturas, aos 80 anos, ainda incomodado, incomodando e em grande forma, com uma saudável vitalidade artística.
Com um navio, num cruzeiro marítimo, sobre a água (ou seja, sem chão) o cara consegue conter o mundo inteiro e destruir fronteiras; e nisso, utilizando-se das mais diversas formas e recursos, constrói um manifesto artístico que abrange dinheiro, política, religião, etnias, ideologias. Depois, com uma família, com quatro pessoas numa propriedade semi-rural, disseca a história política da França, sua política desde suas origens até os dias de hoje unindo (ou desunindo) quatro gerações de cidadãos franceses e suas ideias. Só que em meio a tudo isso , entre um "capítulo" e outro, entre uma "viagem" e outra, deixa perguntas no ar: no que se transformou sua França?, no que se tranformou a Europa?, no que nos transformamos?
"Film Socialisme" é um turbilhão de imagens e sons que vão compondo uma sinfonia cinematográfica que, de maneira aparentemente desordenada, mas sutilmente coordenada, vai botando o dedo nas feridas mais fundas da sociedade contemporânea. Entre cortes abruptos, diálogos inacabados, imagens desfocadas, barulhos ensurdecedores, Godard vai pontuando os temas e conduzindo aquele "caos" magistralmente como só um grande mestre do cinema poderia fazer. E, a propósito disso, no caso de Godard, quando se fala em DIRIGIR, pode-se tomar o termo literalmente, pois através de suas frases "jogadas" na tela intercalando partes, episódios, momentos, ele vai nos conduzindo e ensinando a ver seu filme.
Mestre! Mestre!
Fazia tempo que não via um Godard e  felizmente este reencontro foi para mim extremamente compensador.


Cly Reis

sábado, 4 de dezembro de 2010

"Zelig", de Wody Allen (1983)



Ainda tenho algumas dívidas de Woody Allen para comigo mesmo e uma delas era "Zelig", filme que sempre quis ver mas nunca loquei, perdia quando passava no Cult e assim por diante. Esta semana tive a oportunidade de assistir e só confirmou tudo o que eu esperava dele. Pode não ser tão espetacular quanto "Manhattan", meu preferido do diretor, mas é daqueles geniais, na mesma proporção por exemplo de "Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo mas tinha medo de perguntar". Só um gênio como Allen pra fazer um filme daquele e daquele jeito.
Zelig Gordo, Zelig Negro, Zelig Escocês.
Na forma de um (falso) documentário, conta a história de um homem, Leonard Zelig, que tem a capacidade de assimilar as característcas não só psicológicas mas também físicas de quem se aproxima dele. O cara vira um fenômeno, uma atração mundial e é badalado por onde passa até que acontecimentos fazem com que toda a opinião pública se volte contra ele. O barato, além deste formato é como ele é apresentado, com imagens verdadeiramente antigas da sociedade americana dos anos 20 e 30, mescladas às produzidas para o filme, que são tão bem trabalhadas, envelhecidas, riscadas, mal-cortadas que parecem realmente serem originais de muito tempo atrás. Os filmes reais dentro do filme alternam-se na condução do "documentário" com filmagens 'amadoras', gravações das sessões com o sr. Zelig, com fotos que praticamente dialogam, e depoimentos posteriores de pessoas envolvidas no curioso caso; tudo isso numa montagem espetacular, com inserções da imagem de Zelig (Allen) em fotos e acontecimentos de maneira muito convincente (isso muito antes e sem os mesmos recursos técnicos de "Forrest Gump"
"Zelig" na verdade é uma grande alegoria sobre a individualidade, a personalidade, a auto-estima do indivíduo e a volubilidade das pessoas e opiniões, tratando tudo isso de uma forma extremamente original, inteligente e divertida.
Ainda tenho uma certa dívida de Allens: não vi "Radio Days", não vi o recente "Tudo pode dar certo", perdi há poucos dias também na TV o "Bananas", mas aos poucos eu vou diminuindo este meu prejuízo. Gênio! Woody Allen é um dos que se pode atribuir este adjetivo sem medo.



Cly Reis

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Coluna dEle #19


E aí, filharada, como é que tão as coisas?
Bom, Eu que devia saber, né? Eu que comando toda essa bagunça.
A propósito, o mundo tá como o Diabo gosta. Vocês não tomam vergonha nessas caras, mesmo, hein! Só Me fazem merda!
Pra quê que Eu fui criar o tal do Livre-arbítrio!!!

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Andei afastado, aí, uns tempos, porque afinal de contas a Gente é dono dessa merda e tem que tomar conta do tal do Mundo. Se bem que às vezes dá vontade de pedir as contas!
Mas infelizmente não dá. É cargo vitalício. Fui inventar de criar  mundo, universo, e pepepé, agora segura a bomba, otário!

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Por falar em cargo e segurar o rojão, fiquei sabendo que vocês aí no Brasil escolheram uma mulher pra presidente! Tão de brincadeira, né? Bom, cada um com seu cada um, mas só brasileiro mesmo pra optar por ser mandado por mulher (hehehe).
(Boa sorte...)
Aqui em cima não tem dessas de eleição, não! O 'pepino' é eternamente Meu. Escolhi Meu ministério há muito tempo atrás e assim vamos seguindo: é o Jorginho no Ministério da Guerra, o Tadeu no das Causas Impossíveis, a Clara nas Telecomunicações, o Toninho no da União Civil e assim por diante. Só mexo nisso se for muito necessário.
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É, Eu falo, falo mas na verdade aqui em cima é bem aquela história da última palavra ser sempre Minha: “Tá bom , meu bem”, “Claro, amor”, “Como não, benzinho”.
A primeira-dama aqui é forte!

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Cara, falando nisso, agora que Eu lembrei que tamo perto do aniversário do Meu guri.
2010 anos, hein! Quem diria! Mas continua com aquela carinha de 33.
É aniversário dEle mas na verdade tem que comprar presente pra todo mundo. Olha só no que vocês transformaram a data. A Dona Encrenca, por exemplo, já falou que quer um sofá novo; que o nosso tá um lixo, que o gato arranhou todo, que tá cheio de farelos nos cantos e que eu derramo cerveja... já viu, né: vou dançar com uma bela duma grana.

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Andei acompanhando pela TV esses lances todos que aconteceram no Rio.
Tenho uma simpatia toda especial pelo Rio de Janeiro. Dei uma caprichada no visual aí: fiz aqueles morros, as praias e tudo mais, mas o quanto esse pessoalzinho se esforça pra dasmoralizar Minha obra de arte, não é brincadeira! Tem até uma estátua maneiríssima do Meu guri aí e tal. Pô, curto de montão! Mas essas paradas de atentado, tiroteio pra todo lado me deixam meio puto com vocês.
Vam’ dá um jeito nisso aí, porra!

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E ainda, por falar em Rio de Janeiro: o Nelsinho, aqui, (o Nélson Rodrigues, sabe?) tem Me enchido tanto o saco com Tricolor pra cá, Tricolor pra lá, que eu e o pessoal do Ministério dos Esportes resolvemos que... tá bom, tá bom. Esse ano é de vocês.

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Bom, vou vazar!
Tem um monte de coisas pra resolver e tentar deixar esse mundo um pouco mais ajeitadinho até o Ano-Novo pra ver se a gente começa um 2011 mais na moral.
Passei a régua e fechei a conta.Como diria a Carla Perez: F – O – I. Fui!

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pedidos de Natal de Ano-Novo, parabenizações pro meu filhote, cartas pra minha esposa ou pros meus ministros, para o e-mail:
god@voxdei.gov

terça-feira, 30 de novembro de 2010

cotidianas #60 - Falsos


Érica era o tipo da mulher que numa primeira olhada parecia desinteressante, meio magricela, sem corpo. Até que um dia, na festa empresa apareceu toda produzida e revelou então uma silhueta bastante interessante que fez deixar os rapazes todos boquiabertos: falsa-magra.
Aí que o João, tido como quietão, discreto, de pouca fala, não perdeu tempo, foi lá e arrebatou a Érica assim que ficaram reveladas suas qualidades físicas. Surpresa para todos. Logo o João, hein: falso-tímido.
Casaram-se o João e a Érica. Tiveram um filho. Mas lá pelas tantas por dívidas de carro, casa, colégio do menino, a coisa começou a apertar. Viviam em racionamento dentro de casa mas não perdiam a pose na rua: as coisas não são como parecem.
A Érica resolveu pintar o cabelo, ficou mais bonita, mais chamativa, mais reluzente e atraía atenção dos homens e comentários maldosos das mulheres: falsa-loira.
O João descobriu que a Érica o estava traindo. Ficou furioso, ameaçou botar ela pra fora, depois mudou de ideia e resolveu ele ir embora, até que por fim resolveram mesmo permanecer vivendo sob o mesmo teto por mais algum tempo por causa do Guilherme. Não seria bom para a formação dele, para o rendimento dele no colégio, além de suscitar comentários dos vizinhos e tudo mais. Ficaram vivendo assim por um tempo: casamento de aparências.


Cly Reis

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O Bode Espiatório

The Beatles - "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" (1967)


A Revolução do Sargento Pimenta



"Mais do que um mero disco pop,
"Sgt. Peppers" é um momento significativo
na história da civilização ocidental".
Jornal The Times (1967)



Você pode achar que o disco "Sargent Pepper's Lonely Hearts Club Band", dos Beatles, não seja o melhor de todos os tempos, mas uma coisa há de se concordar: foi revolucionário. Não estou me referindo somente a parte musical, mas sim os vários elementos em torno deste disco. Chamado por alguns especialistas de “obra de arte”, esse rótulo se deve ao fato que, além das suas canções, esse registro mexeu com uma idéia de conceito, incluindo as artes gráficas e a moda. Naquele momento, nenhuma banda tinha se caracterizado de personagens, como os Beatles fizeram. Se fardar de banda do Sargento Pimenta, com direito a uniformes psicodélicos de uma unidade militar regada à LSD, foi uma ideia inédita.

O que dizer da capa desse disco? Uma platéia de celebridades que foram “convidadas” a participar do encarte. Cheia de significados e de mensagens sublimares, as quais os Beatles tinham adoração e eram peritos em despertar a curiosidade no público. Essa “pegadinha” aos fãs vinha desde a época do Rubber Soul, com pistas que davam conta de que Paul McCartney estava morto, o que, na verdade, havia apenas se acidentado de carro, no entanto virou um excelente marketing para a banda. Macca segue mais que vivo do que nunca, apresentando vitalidade e músicas de grande nível, mesmo tendo passado, há alguns anos, dos seus Sixty-Four, como projetou em Pepper. A capa do Sargento é marcante e, não é à toa, que é uma das mais reproduzidas da história.

Importante salientar neste disco a proposta de conceito que ele apresenta, pois, anteriormente, os grupos gravavam, num LP, uma compilação de músicas. Além disso, Pepper apresentou técnicas e métodos diferenciados de gravação para a época, nos anos 60. Por mais que todas as músicas não foram compostas de uma maneira que fossem ligadas uma a outra, conforme John Lennon e George Harrison afirmaram em entrevistas, isso não impede afirmar que é conceitual. São os Fab Four acompanhados da banda do Sargento Pimenta, que, é claro, foi orquestrada pela batuta de George Martin, o quinto Beatle.

Sobre as canções, bom lembrar que o aquecimento do Pepper veio com um compacto com duas preciosidades: “Strawberry Fields Forever” e “Penny Lanne”. O que podia esperar? Era o prenúncio de que uma grande obra estava por vir.

O disco começa com uma inovação, uma transição da música título com a “With a Little Help from My Friends”. Outra novidade é a reprise dessa mesma canção tema – numa versão mais rock and roll -, que aparece na décima segunda faixa. Já com “Within You Without You", Harrison faz mais um esforço para popularizar a música oriental, até então pouca explorada. E não é só, it´s getting better, ou melhor, tem mais considerações importantes para comentar. Em “She's Leaving Home", Macca demonstra seu peculiar dom de compor canções emotivas. Fora que terminar o disco com “A Day in the Life”, uma música em que Lennon faz o “papel” de uma pessoa sonhando e McCartney o de uma acordada, é um grande desfecho. Aliás, de um sonho, ou de uma ajuda lisérgica, veio a inspiração para “Lucy in the Sky with Diamonds”. Enfim, uma obra que apresenta magia e criatividade, todas materializadas e verdadeiras.

Com esses argumentos que descrevi, se nota o quanto admiro e respeito o disco. É um registro que marcou época e eternamente vai ser lembrado. "Pepper" segue soando contemporâneo e digno de continuar sendo comentado e, lógico, escutado.
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FAIXAS:

  1. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
  2. With A Little Help From My Friends
  3. Lucy In The Sky With Diamonds
  4. Getting Better. Fixing A Hole
  5. She's Leaving Home
  6. Being For The Benefit Of Mr. Kite.
  7. Within You Without You
  8. When I'm Sixty-Four
  9. Lovely Rita
  10. Good Morning Good Morning
  11. Sgt. Pepper's Lonely Heart Club Band (reprise)
  12. A Day In The Life

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OUÇA:
The Beatles Sgt Pepper's Lonely Heart Club Band

por Eduardo Wolff




Eduardo Wolff é jornalista formado pela PUC/RS e também radialista. Atualmente, é assessor de imprensa, com passagens em algumas rádios. É devorador de CDs, DVDs, livros e qualquer coisa relacionada à boa música. O ecletismo está no sangue, no entanto os clássicos do rock dos anos 60 estão no top da sua lista de preferências. Baterista frustado, pretende um dia engrenar em alguma banda, mesmo que toque num buteco mais xinfrim da cidade.




domingo, 28 de novembro de 2010

"Avatar", de James Cameron (2009)



Quando saiu no cinema, com todo o barulho e estardalhaço que se fez, me recusei a me deslocar até uma sala, dedicar meu tempo e dinheiro para assistir ao tal "Avatar" que a meu pré-juízo era só mais uma grande produção pra encher os olhos do público e os bolsos do cineasta, da produtora, enfim, da indústria cinematográfica. Resolvi, já naquele momento que me prestaria a ver quando estreasse no Telecine. Nesse meio tempo leio um bocado de coisas favoráveis, elogios, menções à proposta inovadora, um marco no cinema, o conteúdo imbuído de mensagens ecologicas e humanísticas e coisa e tal, que até me animararm e me fizeram questionar minha posição preconceituosa, em princípio. E eis que o badalado filme estreia finalmente na TV paga neste final de semana. Então, conforme prometido, vou lá e assito; e, conforme eu imaginava, o filme é uma droga! Uma gloriosa porcaria! Nossa!!! Péssimo, fraquíssimo, ridículo.
Não tem nada, nada, nada....
...
...
...
...
Eu disse nada!

Lamentável!

(não, não! não em venham com a produção caprichadíssima, com os efeitos especiais, com a obra anterior do diretor, com a mensagem ecológica; não, não, não! não percam seu tempo! nada justifica!)


É fraco, é ruim mesmo.
Eu nunca vi uma série tamanha de clichês serem utilizados juntos , de maneira tão estúpida e óbvia em um mesmo filme. É a receita-de-bolo de filme americano: herói em potencial, um cara mau durão, o cara tem uma missão, se envolve com o lado mais fraco, se apaixona e blablablá, abraça a causa dos fracos e biriri-bororó... Putaquipariu!!! Vocês já não viram essa merda seiscentas vezes antes na vida? Cruzes! Aí até a tal da "mensagem", se é que vale de alguma coisa, fica rasa, fica rasteira no meio de todo esse nada. Parece ter sido colocada ali só pra justificar toda a parafernália. Só porque se não tivesse nem isso, o filme conseguiria ser pior ainda
Putaquipariu!

Um dos piores filmes que eu já vi.

LA-MEN-TÁ-VEL!!!



Cly Reis

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

cotidianas #59 - O Bar do O'Malley





Eu sou alto e sou esbelto
De uma invejável estatura
E eu tenho fama de ser um boa-pinta
Em um certo ângulo e uma certa luz


Bem, eu entrei no O’Malley’s
Disse: “O’Malley eu tenho uma sede”
O’Malley simplesmente sorriu pra mim
Disse “Você não seria o primeiro”


Eu bati no balcão e apontei
Para uma garrafa na prateleira
E enquanto O’Malley me servia um drinque
Eu dei uma cafungada e me benzi


Minha mão decidiu que a hora estava próxima
E por um instante ela sumiu de vista
E quando retornou, ela queimou brandamente
Com a confiança renovada


Bem, o trovão do meu punho de aço
Fez todos os copos retinirem
Quando atirei nele, eu estava tão boa-pinta
Era a luz, era o ângulo


"Vizinhos!" eu clamei, "Amigos!" Eu gritei
Eu bati meu punho no balcão
"Eu não guardo nenhum rancor contra vocês!"
E meu pau se sentiu comprido e duro


"Eu sou o homem pelo qual nenhum Deus espera
Mas que o mundo inteiro anseia
Eu sou marcado pelas trevas e por sangue
E mil queimaduras de pólvora"


Bem, você conhece aqueles peixes
Com os lábios inchados
Que limpam o fundo do oceano
Quando olhei para a pobre esposa do O'Malley
Foi exatamente isso que vi


Eu meti o cano debaixo de seu queixo
E seu rosto parecia cru e depravado
Sua cabeça acabou aterrissando na pia
Junto com todos as louças sujas


Sua pequena filha Siobhan
Tirava chopp do anoitecer até o amanhecer
E entre o povoado da cidade
Ela era motivo de piada
Mas ela tirava o melhor chopp na cidade


Eu me precipitei magníficente sobre ela
Enquanto ela se sentava tremendo em sua dor
Como a Madonna
Pintada na parede da igreja
Em sangue de baleia e folha de bananeira


Sua garganta se esfarelou em meu punho
E eu girei heroicamente ao redor
Para ver Caffrey levantar da sua cadeira
Eu atirei naquele filho da puta


Yeah Yeah Yeah


"Não tenho nenhum livre arbítrio", eu cantei
Enquanto eu voava sobre o assassinato
Sra. Richard Holmes, ela gritou
Você realmente deveria tê-la ouvido


Eu cantei e ri, eu uivei e chorei
Eu ofeguei como um cachorrinho
E abri um buraco na Sra. Richard Holmes
E seu marido estupidamente se levantou


Enquanto ele gritava, "Você é um homem mau"
Eu parei um instante pra pensar
"Se eu não tenho nenhum livre arbítrio então como Posso ser moralmente culpado, eu ponderei"


Atirei em Richard Holmes no estômago
E cuidadosamente ele se sentou
E sussurrou estranhamente, "Não leve a mal"
E então se atirou ao chão


"Não levei", eu lhe respondi
Entaõ ele deu um pequeno tossido
Com asas flamejantes eu mirei com precisão
E estourei seus miolos completamente


Eu vivi nesta cidade durante trinta anos
E não sou um estranho a ninguém
E eu pus balas novas em minha arma
Câmara por câmara


E virei minha arma para o Sr. Brookes cara-de-pássaro
Pensei em São Francisco e seus pardais
E enquanto eu atirava no jovial Richardson
Era em São Sebastião que eu pensava, e suas flechas


Eu disse, "eu quero me apresentar
E estou contente que todos vocês vieram"
E eu pulei sobre o balcão
E gritei meu nome


Bem Jerry Bellows, ele abraçou sua banqueta
Fechou os olhos, encolheu os ombros e riu
E com um cinzeiro tão grande quanto
uma porra de um tijolo realmente grande
Eu rachei sua cabeça ao meio


Seu sangue derramou pelo bar
Como um riacho escarlate vaporoso
E eu me ajoelhei na ponta do balcão
Enxuguei as lágrimas e olhei


Bom, a luz lá dentro estava de cegar
Cheio de Deus e fantasmas da verdade
Eu sorri para Henry Davenport
Que tentou se mover


Bom, da posição que eu estava
A coisa mais estranha que já vi
A bala entrou pelo alto do seu peito
E estourou suas tripas no chão


Aí eu flutuei pelo balcão abaixo
Não demonstrando nenhum remorso
Abri um buraco em Kathleen Carpenter
Recentemente divorciada


Mas eu senti remorso, eu tive remorso
E ele se prendia em tudo
Do pêlo do corvo em minha cabeça
Até as penas em minhas asas


O remorso espremeu minha mão
Em suas garras fraudulentas
Com seu peito dourado e sem pêlos
E eu deslizei em meio aos corpos
E matei o homem gordo Vincent West


Que se sentou calmamente em sua cadeira
Um homem se torna uma criança
E eu levantei a arma até sua cabeça
Ao estilo carrasco


Ele não ofereceu nenhuma resistência
Tão gordo e enfadonho e preguiçoso
"Você sabia que eu morei na sua rua?" Eu disse
E ele olhou para mim como se eu estivesse louco


"Oh", ele disse, "eu não fazia idéia"
E ele foi ficando quieto como um camundongo
E o estrondo da pistola quando disparou
Quase jogou aquele chapéu para fora da casa


Bem, eu me peguei me olhando no espelho
E dei uma longa e carinhosa inspeção
"Eis aqui um tipo de homem", eu urrei
E assim se mostrou, no reflexo


Meus cabelos penteados para trás
Como a asa de um corvo
Meus músculos fortes e rígidos
E acabou no tambor da minha arma
Mostrando a marca de pólvora


Bem eu girei pra esquerda, girei pra direita
E girei pra esquerda novamente
"Temam a mim! Temam a mim! Temam a mim!"
Mas ninguém temeu pois eles estavam mortos


E então surgiu a sirene da polícia
E um megafone silenciou e bradou
"Largue suas armas e saia
Com suas mãos para o alto"


Bem, eu chequei a câmara de minha arma
Vi que me restava uma última bala
Minha mão, parecia quase humana
Enquanto eu apontava para minha cabeça


"Largue sua arma e saia!
Mantenha suas mãos sobre a cabeça!"
Eu tive um longo pensamento sobre morrer
E fiz exatamente o que eles disseram


Devia ter cinqüenta policiais lá fora
Em volta do bar de O'Malley
"Não atire", eu gritei, "eu sou um homem desarmado!"
Então eles me puseram no carro


E me levaram para longe daquela cena terrível
E eu espiei da janela
Vi o bar do O'Malley, vi os policiais e os carros
E comecei a contar nos dedos


Um Aaaaaah
Dois Aaaaaah
Três Aaaaaaah
Quatro
O bar do O'Malley, o bar do O'Malley
*******************

"O'Malley's Bar"
de Nick Cave
do disco "Murder Ballads" de 1996

Ouça:
Nick Cave O'Malley's Bar

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

"Chico Buarque - Histórias de Canções", de Wagner Homem (Ed. Leya - 2009)



"Gostei da leitura, flui muito bem. Fiz algumas correções, até de erros de digitação, e assinalei-as com asteriscos. Enquanto lia, eu pensava, tenho uma história boa para contar ao Cachorrão. Mas à medida que o livro avançava, todas essas histórias apareciam. Vou pensar mais um pouco, procurar alguma anedota inédita, mas acho que você as conhece todas, melhor que eu."
e-mail de Chico Buarque
para Wagner Homem
em 30/01/2009




Acabei há poucos dias a agradável leitura de "Chico Buarque: Histórias de Canções"; uma linha de tempo da carreira do cantor, compositor e escritor, traçada através de suas obra musical, numa compilação de depoimentos, frases, relatos e entrevistas sobre várias de suas canções, idealizada por Wagner Homem, amigo e organizador do site de Chico.
Histórias, parcerias, origens, mentiras, verdades... O livro traz uma série curiosidades reveladoras, tais como a derrubada da lenda que "Jorge Maravilha", dos versos "você não gosta de mim, mas sua filha gosta", teria sido escrita para a filha do General Geisel que admitira na época admiração pelo artista; a revelação de algumas "brigas" com o parceiro eventual Vinícius de Moraes, especialmente em "Valsinha" quando Chico rebate sarcasticamente a todas as sugestões do poetinha para alterações na letra; a inspiração a partir do conto "Bola de Sebo" de Guy de Maupassant para "Geni e o Zepelin"; ou ainda as consultas a publicações especializadas de gastronomia e ornitologia para as músicas "Feijoada Completa" e "Passaredo, respectivamente. E tudo mais: censura, mulheres, filhos, festivais, trilhas, peças... Tudo sobre as grandes letras deste que é um dos maiores compositores da música popular brasileira e atualmente um dos melhores escritores contemporâneos da língua portuguesa.
Deliciosa leitura!



Cly Reis

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Bar Opinião - Porto Alegre (20/11/2010)

Aproveitei breve passagem por Porto Alegre por motivos profissionais e dei uma pequena esticada no final de semana. Além de churrascada com tios e tias na sexta-feira, curti a noite de sábado com os amigos. Fomos ao Bar Opinião, uma das melhores casas de espetáculo de POA, meio sem saber o que nos aguardava e tivemos a agradável surpresa de assitir à banda Os Maquinados. Cara, bem legal! Competentes, repertório bom. Basicamente aquele pop rock tradicional de bandas cover da noite mas incrementado com uns clássicos ("Jump" do Van Halen, "Rock'n Roll" do Led, "Jumping Jack Flash" dos Stones) muito bem executados. Bem boa a banda!
Além de tudo, também foi legal voltar ao Opinião. Tenho boas recordações musicais de lá: Lá vi Morrissey, Echo & the Bunnymen e assisti a trocentos shows dos Replicantes, sempre lá na roda-punk.
Demoramos pra decidir, ficou naquela de vamos pra lá ou pra cá, mas meio que na sorte acabou sendo uma boa pedida o nosso programa do sábado. Ponto negativo foi que o lugar só tinha Devassa ou Nova Schin. Aí, ninguém merece, né?. Mas no mais...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Björk - "Debut" (1993)


“As pessoas achavam que, só porque costumava cantar no Sugarcubes,
"Debut" não era realmente uma estréia.
 Mas estava compondo pela primeira vez.
Era meu debut.”
Björk Guðmundsdóttir


Esses dias recebi um convite do Cly, pedindo que eu fizesse uma resenha do CD "Debut" da Björk. Tenho que assumir que fiquei com medo e dei uma enrolada, ainda mais por ser um leitor do seu blog e de suas resenhas elaboradas e embasadas. Pensei: por que eu? Bom, que sou um fã de carteirinha da cantora em questão é um fato. Com isso ficaria mais difícil ainda, pois esse CD é a abertura de uma carreira solo de uma das maiores estrelas da música alternativa. Björk Guðmundsdóttir é islandesa e lançou seu primeiro disco com 12 anos de idade. Passou por vários grupos, sendo alguns deles o Spit and Snot, o Tappi Tíkarrass, o KUKL e The Sugarcubes.
Com a extinção do Sugarcubes, Björk tem o seu debut em 1993, marcando o movimento trip-hop. São 12 músicas explorando o sentimento humano. O disco abre com "Human Behaviour", uma visão do comportamento animal do ser humano e sua desarmonia com a natureza. Tem uma ótima batida de tambor contrastando com uma levada eletrônica.
A terceira música do disco, "Venus as a Boy" é, talvez, a minha preferida da cantora. O arranjo musical é fantástico e a letra gira em torno de um cara que aprecia a beleza e que sabe excitar uma mulher, por isso é comparado a Vênus, deusa mitológica da beleza e do amor. Esse foi seu segundo single, que seguiu com um clipe irreverente, onde Björk está numa cozinha, fritando ovo acompanhada de seu lagarto de estimação.
A faixa 6, "Big Time Sensuality", chegou ao primeiro lugar na parada dance dos EUA e seu clipe girava em torno da cantora, em cima de uma carreta, cantando pelas ruas de NY. "Crying", "There's More To Life Than This", "Like Someone In Love", "One Day', "Aeroplane", "Come To Me" e "The Anchor Song" são outras músicas do disco, dignas de serem escutadas, que só não vou comentar pra não transformar a resenha numa Bíblia e ter que dividir em capítulos. Mas duas outras músicas devem ser especialmente lembradas: "Violently Happy" e "Play Dead". A primeira tem um som mais vibrante, que te dá vontade de dançar. O clipe é fantástico (veja aqui) e se passa num manicômio, com pessoas com camisas de força, mostrando a loucura de um amor que transcende as quatro paredes de um quarto. A segunda foi feita especialmente pra trilha do filme "Rebeldes Americanos" e fecha o disco com chave de ouro (na verdade essa canção foi incluída em edições especiais do disco). Ela é mais melancólica, com arranjos acústicos, voltada pro sofrimento e agonia do ódio que veio do amor.
Com sua voz infantil, mas possante, e seu sotaque anglo-islandês, Björk colou seu rosto esquimó na história musical, mostrando que há espaço para sonoridades diferentes da música de massa, se a mesma for de qualidade. Provou, assim, que não só as rodinhas de intelectuais e pseudo-cults estariam dispostos a provar de sua arte e experimentalismo crescente, mas isso seria papo pra discutir as obras que se seguiram como o disco "Post", "Homogenic"...
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FAIXAS:
  1. "Human Behaviour" (Björk/Hooper) - 4:12
  2. "Crying" (Björk/Hooper) - 4:49
  3. "Venus as a Boy" (Björk) - 4:41
  4. "There's More to Life Than This" [Ao vivo] (Björk/Hooper) - 3:21
  5. "Like Someone in Love" (Björk/VanHeusen) - 4:33
  6. "Big Time Sensuality" (Björk/Hooper) - 3:56
  7. "One Day" (Björk) - 5:24
  8. "Aeroplane" (Björk) - 3:54
  9. "Come to Me" (Björk) - 4:55
  10. "Violently Happy" (Björk/Hooper) - 4:58
  11. "The Anchor Song" (Björk) - 3:32

FAIXAS BÔNUS:
"Atlantic" (Björk) - 2:04 (Faixa Bônus edição Japonesa)
"Play Dead" (Björk/Arnold/Wobble) - 3:56 (faixa bônus para Japão/Portugal/Reino Unido)
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Ouça:
por José Júnior




José Júnior é, assim como eu, apenas um apaixonado por música; não tem uma vida profissional ligada a isso mas tem na música um combustível indispensável para sua existência. Um cara extremamente curioso e atento a tudo o que rola por aí e por isso mesmo, tem sempre algo bacana pra recomendar. Muitas dicas de som e cinema já peguei com esse cara .
Um grande fã de Björk e uma das melhores cabeças musicais que eu conheço.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

cotidianas #58



Estava no auge do seu Creedence, na fila do banco quando na sua frente apareceu aquele filme mudo. Aquela mulher mexendo a boca ao som de ""Have You Ever Seen the Rain". Pronto; de novo tinha que tirar o fone de ouvido pra responder alguma coisa. Era sempre assim. Podia ter milhares de pessoas numa fila, num ônibus, no metrô, em qualquer lugar; tinham que perguntar alguma coisa exatamente para ele que estava sempre ouvindo música. Por acaso tinha cara de bem informado? E como é que é cara de bem informado? Mas os fones deviam, na sua opinião deixar subentendido, no mínimo, que não escutaria ou mal escutaria se falassem com ele, e para um melhor entendedor, devia ficar claro que não queria conversa. Mas não, o cara da frente não estava de fones, a mulher atrás dele também não, mas, era 'lógico',tinham que perguntar logo para ele. 
- Nessa fila dá pra pagar conta de luz?
- Não sei, senhora - respondendo numa espécie de desfalecimento da voz, sugerindo toda uma contrariedade em ter suspendido sua audição para responder algo para o que, além de tudo, não tinha a informação.
- Paga sim - respondeu solícito o senhor da frente.
(- Putaquipariu! Podia ter perguntado desde o início pra esse careca. Agora já acabou meu Creedence.)
E isso para ele era um agravante: interromper os clássicos. Como é que alguém tem a ousadia de cortar um Morrisson, um Ozzy, um Cash? Chamar no meio de "Love Will Tear Us Apárt", no solo de "Layla", no riff  de "Ace of Spades"? Era quase uma heresia.
Um dia, rodando numa dessas feiras alternativas, cheias de tatuadores, acessórios fashion, roupas bem originais, e coisas do tipo, deu com uma camiseta que, imaginou, ser a sua salvação para os inconvenientes solicitadores de informação espalhados pela cidade: trazia escrito, "vai pedir informação pra outro, não vê que não estou lhe escutando", separadas as sentenças por um grande fone de ouvidos estampado ao centro. E o melhor: estampado na frente e nas costas pra não ter desculpa de não ter visto porque estava virada pra este ou pr'aquele lado. Era o que precisava. Nunca mais nenhum idiota iria perguntar exatamente a ele qualquer bobagem que o resto do mundo poderia tranquilamente responder. Comprou logo duas pra não correr o risco de não poder usar por estar suja ou algo assim. Era tudo o que precisava.
Outro dia, já com sua 'camiseta-advertência', estava no ponto de ônibus esperando o 562, quase em transe dentro de "Gimme Shelter", quando sentiu aquela cutucão no ombro. Não era possível! Era inacreditável que pudessem incomodá-lo de novo mesmo com um aviso daqueles na frente e nas costas.
Baixou uma das pontas do fone e virou-se já bufando e com os olhos semicerrados como quem não quisesse nem ver o que importunava. Ao abrí-los, deparou-se com um senhor de idade de aparência humilde, meio encurvado que muito constrangida e respeitosamente lhe dirigiu a palavra:
- Seu moço, por favor, eu não sei ler; o senhor pode ver pra eu o que tá escrito nesse papel?




Cly Reis

cotidianas #57 - (sexo sem nome)



- E então, posso saber agora o teu nome?
- Pra quê? - perguntou ela um pouco surpresa.
- Ué, Pra saber o nome dessa mulher maravilhosa.
Ela torceu a boca, franzindo um pouco o nariz e soltou um suspiro meio que pra controlar uma certa impaciência:
- Acho que é melhor deixar assim.
- Mas que mal tem? Só um nome.
- Olha aqui, garoto - disse agora já mais agastada - Eu não sei da tua vida, tu não sabe da minha: se tu tem namorada, se mora com os pais, se tem gato, cachorro, papagaio e tu não sabe se eu sou rica, pobre, infeliz no casamento, se saio sempre com garotões como você ou se só fiz isso hoje. Não importa! Foi só uma noite, foi só sexo. Foi bom pra você?
- Ô! - arregalando os olhos - Nossa você é simplesmente...
- Pois então! - atalhou interrompendo-o bruscamente - Guarda na memória só que em tal noite você conheceu uma mulher numa boate, vocês foram para um motel, tiveram horas maravilhosas e pronto - falava enquanto tentava localizar a calcinha pelo chão. - Nome é só nome e não faz a menor diferença. Me chama como quiser, me dá um nome qualquer: Clara, Mariana, Fernanda...
- Tu tem cara de Marisa - atirou meio rindo.
- Então tá: sou a Marisa. Bonito nome. Tá bom pra você? Agora levanta e se veste que eu tenho que chegar em casa antes das quatro. Vai, vai...



Cly Reis