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terça-feira, 26 de julho de 2011

Gang of Four - "Entertainment!" (1979)


"O índio sorri, ele acha que o cowboy é seu amigo.
O cowboy sorri, ele está feliz porque o índio foi tapeado.
Agora ele pode explorá-lo."
texto em torno dos quadrinhos
na capa do álbum



Estava ouvindo o “Entertainement!” do Gang of Four dia desses e pensando o quanto bandas que eu gosto muito beberam dele. A gangue de Leeds foi responsável provavelmente pela formação de grande parte da identidade musical da maioria das bandas dos anos 80, dos ditos pós-punk, mas também de uma boa galera dos 90 e mesmo dos tempos atuais. Ainda levava no sangue punk nas veias com uma certa agressividade sonora, com o minimalismo, com a crueza , mas já perseguia uma ideia de um som mais desenvolvido, mais elaborado, mais complexo na sua concepção, com os vocais entrecortados e silábicos de John King e baixos repletos de funk de Dave Allen.
“Entertaiment!” de 1979 é discaço com todas as letras. ÁLBUM FUNDAMENTAL com todas elas maiúsculas. Sonzaços do disco? Todas! Mas em especial a quebrada “Not Great Man”; a pegada punk legal de “I Found the Essence Rare”; uma parcela na antecipação do gótico na ruidosa “Anthrax”; e sobretudo a excelente “Ether” que abre o disco com sua levada indígena e ritualística.
Detalhe: a capa, totalmente pop art, é outro ponto a se destacar. Show de bola! Disco literalmente bom por dentro e por fora.
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FAIXAS:
  1. "Ether" – 3:52
  2. "Natural's Not in It" – 3:09
  3. "Not Great Men" – 3:08
  4. "Damaged Goods" – 3:29
  5. "Return the Gift" – 3:08
  6. "Guns Before Butter" – 3:49
  7. "I Found That Essence Rare" – 3:09
  8. "Glass" – 2:32
  9. "Contract" – 2:42
  10. "At Home He's a Tourist" – 3:33
  11. "5.45" – 3:48
  12. "Anthrax" – 4:23


Ouça:
Gang of Four Entertainment!


Cly Reis

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Exposição de fotos "AQUI, ALI E ACOLÁ"’, de Nilton Santolin – Casa de Cultura Mário Quintana – Porto Alegre - RS





Eu, batendo um papo com
o jornalista e músico
Domício Grillo durante a exposição
Amante de cinema como sou, tenho lá minhas pretensões de, um dia, realizar um filme meu, pois me considero apto a, na posição de diretor, conceber, gerenciar e transmitir as ideias de um projeto audiovisual. Mas sempre pondero nessa hora que, certamente, precisarei andar de mãos dadas com o diretor de fotografia, tendo em vista minha limitação técnica no manejo de iluminação, temperatura de lente e outros pormenores que só o fotógrafo é capaz de executar com seu conhecimento e com aquele ganho de qualidade característico. Um olhar perspicaz e aguçado que só os (bons) fotógrafos têm. Mesmo em fotos estáticas, foi esta qualidade “a mais” que pude conferir na abertura da exposição "Aqui, ali e acolá!" do amigo fotógrafo (e colorado!) porto-alegrense Nilton Santolin, na Casa de Cultura Mário Quintana, a qual segue lá no 7º andar até 28 de agosto.
"Negra e Branco"
Reunindo uma boa galera ligada à fotografia, dentre os quais os colegas de profissão Mauro Schaeffer, Dulce Helfer, Edison Vara e Itamar Aguiar, pude ver, entre uma taça de vinho e o gostoso som de Beatles tocado pela Nowhere Band, excelentes cliques (a maioria num apurado p&b) batidos em, como o título indica, algumas cidades por aí, como Rio de Janeiro, Paris, Morro de São Paulo (Bahia) e, claro, Porto Alegre. São registros entre o documental e o jornalístico carregados de arte, sensibilidade e bom humor – uma marca de Nilton –, presente em títulos e, principalmente, na abordagem empregada na concepção de algumas dessas imagens.
"A Canoa, o pescador e o mar"
As 20 fotos mostram desde detalhes de ruas, extraindo lirismo de cantos despercebidos das grandes cidades, até momentos inusitados e paisagens cotidianas, como a pictórica “Toruga na Serração” (e que ilustra o convite da exposição), uma impressionante tela onde as cores de uma nebulosa Porto Alegre noturna parecem ter sido pintadas a óleo tamanha a fusão de palhetas que os azuis e lilases aludem sob a luz branca dos postes. Noutra, a metaliguística “Negra e Branco”, são duas mãos dadas em close que suscitam uma poética história. Nilton conta que os personagens são o mais velho casal do bairro onde mora, o Santana: dona Lourdes, a negra, e seu Sérgio, o branco, que, com mais de 80 anos ambos, tiveram que lutar por seu amor interracial numa provinciana e preconceituosa sociedade gaúcha dos anos 50 para, vencida a batalha, estarem juntos até hoje. A foto registra, com simplicidade e encanto, na textura das peles enrugadas de gente batalhadora e no contraste cromático que suas melaninas sugerem, justamente esta união tão rica de significado.
Com definiu o jornalista Jayme Copstein no texto de apresentação da mostra, o que chama atenção na obra de Nilton Santolin é, além da reconhecida técnica, o talento de buscar “a imensidão escondida nas pequenas coisas, tesouro cada vez mais distante neste mundo de olhos turvados pelo gigantismo da tecnologia”.
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exposição "Aqui, Ali e Acolá"
Nilton interagindo com suas fotos.
fotos de Nilton Santoli
na Casa de Cultura Mário Quintana, 7° andar 
Rua dos Andradas, 736 - Centro - POA
visitação, até 28 de agosto
segunda-feira das 14h às 21h;
de terça à sexta-feira das 9h às 21h;
e sábado e domingo das 12h às 21h




"Um Homem Com Uma Câmera", de Dziga Vertov (1929)





O Canal Futura volta e meia nos proporciona deleites cinematográficos inestimáveis, não? Tive a felicidade de assitir ontem, no Cine Conhecimento, ao filme russo de 1929, "Um Homem Com Uma Câmera", uma notável sucessão de imagens do cotidiano filmadas de uma maneira absolutamente artística e poética. O olho de uma câmera mostrando, com arte, o dia de uma cidade: as pesssoas, suas relações, o trabalho, a dor, a alegria, a natureza... Tudo, é claro, ainda em tempos de cinema mudo, sem uma palavra sequer; mas mesmo que pudesse tê-las, para que precisaria?

Esse olho onipresente do cameraman, o próprio realizador, Dziga Vertov, proporciona-nos imagens de incrível beleza plástica, de rara técnica, de extrema felicidade, conseguindo extrair impressionantes sincronias do homem com o mundo industrial, de máquinas com música, do urbano com a arte.
Precursor da linguagem de documentário no cinema e fundamental para uma linguagem como a do videoclipe, tão comum nos dias de hoje. Ousado, técnico com uma fotografia admirável e, mesmo no final da década de 20, com uma montagem de fazer inveja a muitos cineastas dos dias atuais.
Como é que um filme desse ainda não tinha entrado na minha vida? Simplesmente uma das melhores coisas que já vi.




Cly Reis

sábado, 23 de julho de 2011

Morre Amy Winehouse


Amy Winehouse, (1983-2011)
Infelizmente, não precisava ser nenhum adivinho pra saber que isso não ia demorar para acontecer, mas hoje, há poucas horas atrás, a polícia britânica encontrou o corpo de Amy Winehouse em seu flat, em Londres. A polícia não divulgou oficialmente a causa da morte, mas as primeiras informações parecem apontar para uma overdose (bem provável).
Uma pena.
Vai-se cedo, jovem e ainda transbordando talento, uma das maiores cantoras dos últimos tempos e talvez de todos eles.
Mas também, infelizmente, isso é natural nos gênios e esta precocidade da morte, essa rapidez de passagem por este mundo. Talvez seja porque não consigam permanecer muito tempo entre nós mortais.
Foi-se a última grande Diva da música.Uma diva meio marginal, maio avessa a tudo, meio química, meio etílica, meio rock'n roll demais, mas ainda assim, uma Diva.




C.R.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

cotidianas #94 - Um Dia na Vida


Um Dia na Vida
(açúcar, ameixa, biscoito... açúcar, ameixa, biscoito.)
Eu li as notícias de hoje, oh rapaz!
Sobre um sortudo que ganhou na loteria
E embora as notícias fossem um tanto tristes
Bem, não pude deixar de rir
Eu vi a fotografia


Ele arrebentou a cabeça num carro
Não tinha percebido que o semáforo havia mudado
Uma multidão parou e o encarou
Já tinham visto seu rosto em algum lugar
Mas ninguém tinha certeza se não era um Senador.

Eu vi um filme hoje, cara
O exército inglês acabara de vencer a guerra
Uma multidão teve que ir embora
Mas eu tive de olhar
Tendo lido o livro, eu adoraria te excitar!

Acordei, caí da cama
Passei uma escova pela minha cabeça
Desci as escadas e tomei um café,
E olhando para cima, vi que estava atrasado


Achei meu casaco e peguei meu chapéu
Subi no ônibus segundos depois
Subi as escadas e fumei um cigarro
E alguém falou, e eu entrei em um sonho


Eu li as notícias de hoje, rapaz
Quatro mil buracos em Blackburn, Lancashire
E embora os buracos fossem bem pequenos
Eles tiveram que contá-los um a um
Agora sabem quantos buracos são necessários para encher o Albert Hall
Eu adoraria te excitar!

“A Day in the Life”
Lennon/MacCartney

Ouça:
The Beatles  - A Day in the Life

postado por Daniel Rodrigues