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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Os Causo de Dois Morro - Roque in Dois Morro



Tá se falando muito desse ter de Rock in Rio mas, é que esse pessoar de hoje tem memória curta e não se alembra que o maior evento desses que já teve foi o Roque em Dois Morro. Aquilo sim é que foi festivar!
Foi-se no sítio do compadre Jesuíno. Ele emprestô uma parte da pastage prumas gurizada dessas que gostava dessas música barulhenta fazê lá os tar de show.
As gente da cidade de começo fêiz poco caso da festança porque o negócio deles mesmo era fandangada, mas aos poco fôro se costumando co’a ideia, fôro ficando curioso e no fim das conta quando foi de tê os espetáclo, tava todo a indiada e todo o chinaredo lá. Foi cousa linda de se vê. Devia tê, só no pátio do compadre Jesuíno, uns vinte milhão de pessoa. Gente até adonde as vista arcançava. Isso sem sem fala nos bicho. O que tinha de besta, viado, vaca e galinha era uma grandeza. Os da fazenda do seu Jesuíno, é craro!
Se presentaro no festivar uns pessoarzinho meio esquisito, uns estrangero lá das estranja dos Iuésssei, uns gringo que falavo enrolado e podio até tá chingando nóis, mas como nóis num entendia nada, só dancemo e pulemo.
Tinha uns lá que era os Metálico, que ero o pessoar que trabalhava na siderúrgica e que resorvero montá um grupo, mas era um troço mui barulhento; tinha a Neide GaGa  que era uma véia que levava esse pelido porcausdeque já tava  tão esclerosada que já tava té usando umas rôpa mutcho da esquisita ; tinha os Hot Dog Xis e Pepsi que era a turma lancheria da esquina que se ajuntou também pra fazer um som; o Feijans‘n Arrozes que era o pessoar que fazia as colheta dos grão;  o Barrão Vermelho que era o pessoar da plantação de beterraba; uma tar de Carla Leitte que trabaiava nas ordenha; a Ri-Ana que nas verdade só se achamava-se Ana, mas como que ria mutcho, o pessoar começô a chma´ela assim; tinha tamém o Ramiro Cai, um rapaz que tava sempre tomando uns tombo, e mais um bocado de gente. Mutcha gente boa.
Sei que o festivar foi um sucesso. Mutcho, secsso, mutcha droga e mutcho roquenrrou! Depois um empresário quis fazê ôtro lá e pediu de novo o sítio do compadre, mas o véio Jesuíno não ia querê aquela rapaziada fazendo senvergonhice e usando tóchico na fazenda dele de novo. Aí acabô que não teve ôtro festivar. Só sei que o empresariador esse, levô o evento pra cidade do Rio de Janêro e virô o tar de Rock in Rio, mas que não chega nem perto do de Dois Morro.
Antes já tinho tentado fazê um ôtro mas um mar-entendido acabô por impossibilitá o evento: foi que um empresariante interessado chegou pro dono da venda, o seu Valério, que tava disposto a botá dinheiro, e falô pra ele bem assim: “a gente podia fazer um festival de rock, podia fazer aqui o Woodstock”, aí o seu Valério, o comerciante respondeu, “o do estoque acabou. Não vai dá pra fazê” e o moço que queria fazer o festivar, desistiu, fêiz em ôtro lugar. Acho que foi lá pras banda dos Estadozunido.
Pra vê como são as coisa...
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Tem uma ôtra versão que diz que na verdade o Roque em Dois Morro foi um dia que o Roque Santêro, o Roque Júnior, o Roque SantaCruz e o Roque do pograma Sílvio Santos visitaro a cidade. Mas vai se sabê. É difícer acreditá em tudo o que esse pessoar fala por aí.

postado por Chico Lorotta

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Exposição "I'm A Cliché" - CCBB - Rio de Janeiro (18/09/2011)





Estive ontem, finalmente, na exposição "I'm a Cliché - Ecos da Estética do Punk" no CCBB, aqui no Rio, um retrato da estética do punk, na companhia do meu irmão, colaborador, jornalista e blogueiro, Daniel Rodrigues, que é tão amarradão no assunto quanto eu.
Muito legal a exposição!
Melhor do que eu imaginava.
da série "Rimbaud em
Nova York"
Destaque principalmente para os trabalhos dos fotógrafos Bruce Conner e David Wojnarowicz que me impressionaram muito positivamente, especialmente este último com a série "Rimbaud em Nova York".
No restante, muito legais os espaços do Velvet Underground com projeções de pequenos filmes do padrinho Andy Wahrol e a sala dos Sex Pistols com toda aquela identidade visual inconfundível dos puplilos de Malcolm McLaren.
entrada da exposição:
passeando entre LP's
Bacana também a entrada da exposição com um pórtico por onde se passa e se vê, ali, nas paredes capas de discos marcantes do movimento, enquanto os alto falantes tocam exemplares clássicos de punk-rock como Kennedy's, Television, New York Dolls e outros. Enquanto instalação de exposição, era até meio tosca pra falar a verdade, mas é sempre um barato passear entre as capas dos discos que nos marcaram e empolgam ao som daquela trilha sonora.
Entre Sid e Johnny
na sala dos Pistols
Punks, roqueiros e simpatizantes, apressem-se. A exposição só fica até 02 de outubro.

sábado, 17 de setembro de 2011

cotidianas #104 - O Barroso


Éramos os renegados.
Éramos aqueles que não serviam para os melhores times do bairro ou do colégio, então resolvemos nos juntarmos e fazermos nosso próprio time. De início sem uniforme mesmo. Sem nome. Somente um bando de desprezados juntos. Éramos aqueles com pouca habilidade, pouco trato, dribles parcos e criatividade mínima. Embora dotados de muito interesse e muita paixão pela bola, não havíamos sido contemplados com a benção de seu manejo. Eu um avante tosco; o Cabelo um zagueiro baixo e porra-louca; o Alembér que tinha um bom chute mas não muito mais que isso; o Carlos Henrique rápido mas sem cérebro; o Éderson, um pouco mais habilidoso mas insuficiente; e aí por diante.
Deve-se, contudo, fazer justiça ao nosso goleiro, o Tairone, frequentemente solicitado e pretendido pelos melhores times do bairro e para os torneios mais importantes. Havia treinado no Inter até, mas embora não fosse exatamente baixo, sua estatura mediana não favorecia a pretensões profissionais. Assim, ficava atendendo a diversos timezinhos pelas redondezas. Mas apesar de tanto prestígio e procura, colocando como critério maior a amizade, a camaradagem, a curtição, o Tairone seguia conosco; ao lado dos perdedores. E nosso time começava com ele, que invariavelmente evitava vexames maiores contra o time do Leléco, para o qual sempre perdíamos. O Leléco jogava nas categorias de base do Internacional mas volta e meia, quando não tinha compromisso com o clube, se prestava a juntar-se ao pessoal da Saldanha da Gama para nos humilhar. Os demais não eram lá tudo isso: tinha o Ronaldo que era goleador, o Mad que achava que jogava mais do que realmente jogava e tinha esse apelido por ser a cara do Alfred Newmann da revista MAD; tinha o Testa que até jogava bola mas que sempre queria dar um lençol em qualquer jogada, e alguns outros certamente mais hábeis que nós, mas que sem o ‘craque’ semiprofissional, o Leléco, até seriam possivelmente batíveis.
Mas todo domingo de manhã quando nos encontrávamos no campinho do colégio Caldas Júnior, onde passávamos por um buraco na cerca para jogar, embora enchêssemos-nos de expectativa de que daquela vez o Leléco estaria doente, viajando com a delegação dos juniores do Inter, indisposto, ou qualquer coisa assim, e seria então desta vez mais fácil vencê-los, lá vinha ele com seu andar de boleiro, meio de lado, insolente. Resultado: mais uma goleada. Estávamos convencidos que só um alguma coisa fora do comum, uma nevasca, um furacão, um fenômeno natural poderia nos fazer ganhar a primeira.
Então que numa daquelas manhãs de jogo, no inverno gaúcho, chegamos a ficar em dúvida se deveríamos ou não comparecer ao nosso compromisso dominical, tal era a intensidade da chuva e o frio que fazia. Domingo 8h da manhã, sair de baixo do cobertor pra levar outro ‘arrodião’? A resposta foi 'sim'! A fome falava mais alto.
Chegamos no campinho de terra do colégio e além do frio que era maior do que imaginávamos, as gotas de chuva batiam na pele como pedras, grossas e geladas, mas já que estávamos ali, o melhor que se podia fazer àquelas alturas era rolar o caroço pra se esquentar. As condições adversas nos davam a esperança que alguns deles tivessem desanimado e preferido ficar debaixo dos cobertores e chegassem bem desfalcados, mas para nossa decepção, assim como nós, não tinham resistido ao chamado da bola e todos, inclusive o Leléco, tinham tomado coragem e resolvido ir jogar bola naquele domingo tempestuoso.
Mas naquele dia não adiantou Leléco nem telecotéco. Parecia que a chuva derramava-se sobre nós como uma espécie de mágica e naquela lama toda, era como se nos transformávamos em gigantes. Não chagava a fazer o milagre de nos fazer jogar como Zicos, Sócrates ou Falcões mas nos imbuía de uma coragem e uma raça que até então não conhecíamos em nós mesmos e que surpreendia até o adversário deixando-os um tanto atônitos.
Assim, de forma surpreendente e heroica os gols foram se sucedendo: de cabeça, de falta, com a bola parando na poça, com falha do goleiro, um gol meu de carrinho no lamaçal da pequena área, um dos Henrique driblando meio time, e por fim, um golaço do Alembér do meio da rua, no ângulo. 7x4! Tínhamos vencido! Tínhamos vencido!
A nossa vitória fora tão impressionante pela entrega, pela luta, que o Testa, um dos bons do time deles, provavelmente impressionado pela força coletiva, a partir daquele dia preferiu os mais fracos porém mais apaixonados, do que aquele outro bando de futeboleiros pedantes. O Leléco ainda saiu de campo nos tentando nos zombar, “ganharam uma, hein!”, mas não estávamos nem aí. Sabíamos que a partir daquele momento éramos um time.
Naquela época rolava uma propagando do Conhaque Dreher que duvidava que um jóquei conseguisse ganhar com um cavalo pangaré. O cara olhava para o cavalo e dizia pro jóquei, “quero ver ganhar com esse, Barroso” e no final da propaganda, provavelmente por ter tomado o tal conhaque, o jóquei, o Barroso ria por último. Nós, também desacreditados, tínhamos vencido com nosso pangaré. E naquele barro, então!!! Aí foi inevitável: brincávamos com nossa própria desgraça e triunfo: Éramos o Barroso.
O nome foi mesmo mais folclórico e acabou que durou pouco. Logo achamos a necessidade de ter um nome um pouco mais respeitável, nos levamos mais a sério, nos estruturamos a partir dali, compramos camisetas, tivemos dificuldades de nos firmar com um bando de ruindades, agregamos mais qualidade com o tempo e o Barroso acabou-se transformando na temível Juventus, um time de bairro extremamente competitivo e vencedor como nunca poderia-se imaginar ao ver naquele domingo chuvoso de junho ou julho, aquele bando de guris perebas correndo atrás de uma bola no meio do barro.
Ao voltar pra casa naquela manhã, imundo e enlameado, entrei pela cozinha pra não molhar a casa toda, e enquanto minha avó ralhava comigo pelo estado em que chegava, ouvia no rádio dela que aquela manhã havia sido a mais fria do inverno e uma das mais frias dos últimos tempos na cidade com sensação térmica de 4 ° negativos. Nossa! Não havia sido à toa que tínhamos ganho naquele dia. Não tinha sido uma nevasca, é verdade, nem um furacão tampouco, mas aquele pequeno dilúvio e todo aquele frio naquela manhã de Porto Alegre, não tinha lá sido uma coisa muito comum.



Cly Reis

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

"Escuta Só - do Clássico ao Pop", de Alex Ross, ed. Companhia das Letras (2011)



"Eu sempre quis falar de música clássica como se fosse popular
e de música popular como se fosse clássica."
Alex Ross


Tão logo soube que sairia, já me aprontei para comprar o livro "Escuta Só - Do Clássico ao Pop", do jornalista Alex Ross, e agora finalmente o adquiri. Meu acentuado interesse dá-se muito pelo fato que, pelo que sei e conheço deste crítico, sua abordagem nesta obra aproxima-se muito de uma visão que eu já expunha aqui no blog algumas vezes, quanto à relação da música contemporânea com oque se considera um música erudita ou de nível superior.
Alex Ross, assim como eu, antes de mais nada, entende que música é música simplesmente e que os rótulos ou nomenclaturas, em grande parte dos casos são inadequados, sobremaneira o do gênero tido como 'clássico', e que na verdade, só o afasta do público em geral e tenta colocá-la num pedestal mais alto do que precisaria estar. E tudo isso, quando na verdade tudo na música não passa de uma evolução, transformação de conceitos, épocas, ideias que fazem desembocar em outras formas de manifestação,novas técnicas, linguagens muitas vezes tão válidas e qualificadas quanto estas elitizadas porém subestimadas por serem punk, funk, pop, etc.
Embora não precise de respaldo para escrever qualquer coisa que afirme aqui, fico feliz em ver num crítico e jornalista conceituado e criterioso, um pouco desta proximidade de conceito a respeito da música. Apenas para citar como exemplos, aqui mesmo já foi mencionada a formação erudita de Trent Raznor dos Nine Inch Nails, e que no entanto, não o impede de produzir algumas das canções mais furiosas dos últimos tempos; a veia clássica do Kraftwerk que faz deles, para mim, os herdeiros legítimos de toda a tradição musical alemã de Brahms, Bach, Schubert; as sinfonias ruidosas do My Bloody Valentine; a breve analogia entre "TV II" do Ministry com "Eggo Sum Abbas" da obra "Carmina Burana" e a própria inclusão desta obra de Carl Orff  nos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS do ClyBlog, salientando toda a característica pop da obra, valendo-me inclusive de um comentário do próprio Ross na introdução.
Comecei agora a leitura. Nem sei se ele toca exatamente nestes pontos, nem qual exatamente o foco de abordagem, mas a mera semelhança de pensamentos e o fato de falar de música de forma tão abrangente já me faz ter todo o interesse neste trabalho.
À leitura!



Cly Reis

Coleção Folha Grandes Arquitetos





Aos colegas arquitetos e outros possíveis interessados, para quem não sabe ainda, a Folha de São Paulo lançou, desde a última semana uma coleção interessantíssima com livros sobre 18 grandes nomes da arquitetura mundial com suas respectivas biografias, obras significativas, croquis, plantas, dados técnicos e curiosidades. A Coleção Grandes Arquitetos sai todo o final de semana e já teve no primeiro número Frank Lloyd Wright, levando de quebra, na primeira semana, o segundo, de Renzo Piano, sendo que esta dobradinha só se deu nesta abertura de coleção e os demais exemplares serão vendidos individualmente. Virão por aí ainda mestres como Mies Van der Rohe, Le Corbusier, Gaudí e muitos outros. Particularmente senti falta de Richard Meyer na coleção, mas, enfim..., não se pode ter tudo; e de todo modo muitas vezes essas coisas de coleções coletivas e similares passam por questões como de direitos de imagem, autorais, editoriais e etc. que talvez seja o caso.
Os livros podem ser adquiridos em qualquer banca de revistas e custam R$16,90. Quem perdeu o primeiro número, com certeza, se se apressar, ainda pode encontrar esta semana nas bancas. E fiquem ligados porque no próximo número tem o mestre brasileiro Oscar Niemeyer.




Confira abaixo todos os números da publicação:


  1. Frank Lloyd Wright
  2. Renzo Piano
  3. Oscar Niemeyer
  4. Antoni Gaudí
  5. Le Corbusier
  6. Santiago Calatrava
  7. Norman Foster
  8. Jean Nouvel
  9. Tadao Ando
  10. Steven Holl
  11. Dominique Perrault
  12. Mies Van Der Rohe
  13. Zaha Hadid
  14. Rafael Moneo
  15. Álvaro Siza
  16. Alvar Aalto
  17. David Chipperfield
  18. Kango Kuma