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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Hey Girl, Hey Boy











"Hey Girl"
(óleo e acrílico sobre tela - 20 x 10cm)

"Hey Boy"
(óleo e acrílico sobre tela - 20 x 10cm)
Reis, Cly (2008)

Deep Purple - "Machine Head" (1972)


"Tantantaan-tantantaraan
tantantaan-tantaan"



Deep Purple!
"Machine Head"!
Força, potência, vivacidade, energia. Tudo isso! Guitarras altas, transbordando mas sem deixar de lado a técnica.
Talvez o precursor mais direto e importante do que conhecemos como metal. Mas não se limitava a isso. O som deles era blues, era hard, era progressivo, era simplesmente rock.
Discaço! Bomba! Arrasador!
O que temos nele?
"Highway Star", por exemplo. Provavelmente a música que mais incite um motorista a pisar fundo. Impossível ouví-la sem botar o pé no fundo. Multa certa!
E o que mais?
Que tal "Smoke on the Water"? Sempre lembrado em todas as listas dos riffs mais famosos de todos os tempos. Até por escrito a gente sabe qual é a música: tantantaan-tantantaram-tantantaan-tantaan.
Lembrou?
Como não lembrar.

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FAIXAS:
1. Highway Star – 6:09
2. Maybe I'm a Leo – 4:52
3. Pictures of Home – 5:08
4. Never Before – 4:01
5. Smoke on the Water – 5:42
6. Lazy – 7:23
7. Space Truckin' – 4:34

todas as faixas Blackmore, Gillan, Glover, Lord e Paice
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Ouça:
Deep Purple_Machine Head


Cly Reis

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

cotidianas #51 - Plantação de maconha em cobertura de prédio no Rio

Ó o Bezerra aí de novo. O cara era um profeta.
Depois daquela do "Defunto Grampeado", ou melhor, os noivos grampeados, agora uma plantação de maconha na varanda de um apê na barra. E, de novo, já tinha uma música pronta pra isso.
Saca só essa:

A Semente
(Bezerra da Silva)

Meu vizinho jogou
Uma semente no seu quintal
De repente brotou
Um tremendo matagal (Meu vizinho jogou...)


Quando alguém lhe perguntava
Que mato é esse que eu nunca vi?
Ele só respondia
Não sei, não conheço isso nasceu ai


Mas foi pintando sujeira
O patamo estava sempre na jogada
Porque o cheiro era bom
E ali sempre estava uma rapaziada


Os homens desconfiaram
Ao ver todo dia uma aglomeração
E deram o bote perfeito
E levaram todos eles para averiguação e daí...


Na hora do sapeca-ia-ia o safado gritou:
Não precisa me bater, que eu dou de bandeja tudo pro senhor
Olha aí eu conheço aquele mato, chefia
E também sei quem plantou


Quando os federais grampearam
E levaram o vizinho inocente
Na delegacia ele disse
Doutor não sou agricultor, desconheço a semente

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Ouça a música:
Bezerra da Silva_A Semente


Agora dêem uma conferida na notícia:
Plantação de maconha em cobertura de prédio no Rio



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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Os Causo de Dois Morro - O Nemar


Eu tô vendo essa história toda de Nemar pra lá, Nemar pra cá. Piá passado esse!
Isso é falta de um relho no lombo em casa! Mas dexa isso pra lá...
Mas isso tudo me alembrô que em Dois Morro também tinha um Nemar e também era assim meio metido a besta que nem que esse aí.
Jogava no Doismorrense e tinha mania de contrariá as ordenação do véio Arlindo Cachaça (sardoso Arlindo Cachaça, que Deuzotenha). Um dia, num jogo lá, teve um penárti a nosso favor e como o guri, que na época ainda se era só conhecido como Argemiro Firula, tinha fazido umas frescura na hora de chutá e já ia pra  uns trêis ou quatro os golo que ele tinha desprediçado, o véio Arlindo não dexô ele cobrá o friquique. Ah, mas aquele vivente ficô muito do brabo. Sortô cobras e largato pra cima do nosso treinador mas o nosso capitão, o Marafo, foi lá e paziguô a situação.
O Véio que não era de dexá as coza assim, tirô logo o piá da cancha. Aí que piorô de vêiz. Foi a gata d'água: o guri saiu falando tanto imporpério, tanto nome-feio que as gente que via o jogo ali na cerca, revortado, gritaro pra ele, "Não fala assim com os mais velho. Tu não tem ducação, anemar? É, tu é um anemar, mesmo". E foi que todo o resto do pessoar que companhava a peleja em vorta do campo gritaro "Nemar, nemar, nemar!!!", e aí que ele ficô conhecido como Nemar pro resto da vida.
Como depois do espisódico ninguém mais quis saber dele, de chamá ele pra jogar, ele largô do futebór. A úrtima notiça que se teve dele foi que se mudô pro Brasir, se entregô pra cachaça e morreu na pobreza.
Agora, imagina: desrespeitá o véio Arlindo Cachaça!
Piá abusado!

postado por Chico Lorotta


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"Resident Evil 4: O Recomeço", de Paul W.S. Anderson (2010)



Me prestei ontem a ir assistir ao "Resident Evil 4: O Recomeço".
Nossa!!!
Pegaram duas xícaras cheias de "Matrix", quatro colheradas (de sopa) de "Madrugada dos Mortos", uma pitada de "Predador", botaram tudo num liquidificador e acrescentaram depois uma bela dose de 3D.
O monstrengo do machado. Quem é? o que é?
De onde veio? Perguntas sem resposta.
Só não é um completo lixo porque ainda consegue se sustentar no próprio argumento original da  série, embora este, cá entre nós, já seja bem fraco. Mas mesmo assim se garantindo em pé a duras penas deixa uma série de lacunas, interrogações e novidades injustificadas como as línguas-ramificações-tentáculos (?) ou algo do tipo que os zumbis agora apresentam e que não mostravam em nenhum dos filmes anteriores; ou um zumbi grandalhão com um machado que ninguém sabe de onde veio, por quê é mais forte, por quê é enorme; ou um presidiário misterioso que se diz irmão de uma das fugitivas. Parece roteiro escrito às pressas ou subestimando totalmente o público, tipo, "ah, põe qualquer merda aí que eles vão gostar".
Só pra não deixar passar, vale a pena também pela Mila Jovovic, a Alice, que a propósito, começa a mostrar sinais de idade, mas que não a desvalorizam em nada - muito pelo contrário - tá, assim, que nem vinho: melhorando com a idade. Mas, marmanjos, boa mesmo é a coleguinha, a tal da Claire, interpretada por Ali Larter ("Premonição 1 e 2").  Se o filme não valesse por mais nada, valeria por ela. Muito gata!
A duplinha  Larter/ Jovovic . É mole ou quer mais?
No mais, se sustenta mesmo no 3D, que por sinal é de primeira! Mas eu, que me recusei a ver "Avatar" exatamente porque considerava que só valeria pelos efeitos e pela tecnologia, volto a me questionar até que ponto vale a pena ir a um cinema apenas apoiado no fato de um filme ser em 3D? E me respondo, bem no início desta era do cinema, que para mim já não vale quase nada. Será necessário, muito em breve, que se alie a este recurso técnico notável, interessantíssimo e espetacular, qualidade. Bons roteiros, boas histórias, situações que realmente requeiram ou permitam sua utilização de maneira produtiva para o filme, para a história e não simplesmente para causar sensação. Mais ou menos o que Christopher Nolan fez com "A Origem" em relação a efeitos especiais que já começavam a ficar fúteis. Ali se fez um FILME que utilizava (brilhantemente) efeitos especiais e não um filme DE ou PARA efeitos especiais. Tomara que se faça isso com o 3D. acho que far-se-á. O cinema depois de ondas comerciais sempre acaba incorporando qualidade às inovações por que passa. Coisas como a que Nolan fez são uma espécie de luz no fim do túnel.


Trailer: "Resident Evil 4: O Recomeço"



Cly Reis

domingo, 19 de setembro de 2010

cotidianas #50 - "A Gafieira do Mané João" *



Mané João
Lá na gafieira
De Mané João
Toda brincadeira
Acabou no chão
Tinha inimigo no meio do salão
Zé da Capoeira fazendo exibição


Tinha cabelo grande mas não tinha molho
Mané ficou de olho
Escondeu Margarida na cortina
E gritou ninguém transa com a menina
E só terminou a brincadeira
Com o sangue escorrendo na ladeira
E era muito sangue pra pouca ladeira
Lá na gafieira


* baseado na música "Mané João" de
Erasmo Carlos e Roberto Carlos (1972)

Ouça a música:
Mané João_Erasmo Carlos

terça-feira, 14 de setembro de 2010

cotidianas #49 - "Glória (Junkie-Bacana)"


Meu caro vizinho
Eu sou um cara legal
Meu telefone é 477 etc. e tal
Ontem à noite exagerei no barulho
Eu peço que me desculpe


Eu sei que é demais
Mijar na janela
Chamando por Deus
E gritando o nome dela


Todo grande amor incomoda
E o mundo todo, todo, tem que saber
Que ela errou, e eu errei
Então eu declarei guerra


Paz na terra é só pra quem tem coragem
Quem perde no amor sempre faz papel de covarde
Faz bobagem, faz bobagem
Ho, ho!


Meu caro vizinho
Não me leve a mal
Depois que eu fiquei sozinho
Dei pra beber bem além do normal
E a fazer coisas meio sem sentido


E é desse jeito
Que eu tenho vivido
Não leve a mal
Um cara assim tão a perigo
E no mais, um abraço
Meu prezado amigo


Glória (Junkie-Bacana)
(Cazuza e Lobão)
do álbum "O Rock Errou" de Lobão (1986)

Ouça a música:
"Glória (Junkie- Bacana)"

cotidianas #48 - A Rosinha

Entre um chopp e outro, piadas, risadas, debates enérgicos e cantadas batidas e infrutíferas para as mulheres que passam na calçada. É sempre assim quando se reúnem depois do trabalho na sexta-feira naquele mesmo bar de sempre.
- Peraí, perái... Olha só aquilo! - chama interrompendo a discussão sobre futebol - Quê que é isso? Meu Deus do céu! Que loucuura!
- Ah, conheço ela. É a Alice. O Dudu também conhece. Né Dudu?
- Mmm...  - meio que se babando com o chopp e limpando com as costas da mão - Ahan. Conheço sim - completando com um risinho maroto de canto de boca.
Quando a garota se aproxima mais, os dois que a conhecem, tratam de cumprimentá-la:
- Oi, Rosinha.
- Oi, Rosinha - cumprimentam os dois quase ao mesmo tempo.
Ela não fala nada mas responde com um sorriso malicioso e acena mexendo só os dedinhos da graciosa mãozinha. Passa e segue gostosíssima calçada afora.
O outro acompanha o final do desfile monumental até que ela acabe de dobrar a esquina e terminado o espetáculo, meio confuso, volta a cabeça então para os camaradas na mesa, e pergunta:
- Mas o nome dela não era Alice?
Os outros dois se entreolham, tentam sufocar o riso, mas explodem numa gargalhada só.


Cly Reis

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Titãs - "Cabeça Dinossauro" (1986)

O MELHOR DISCO NACIONAL DE TODOS OS TEMPOS
"Oncinha pintada,
zebrinha listrada,
coelhinho peludo,
Vão se foder!"
letra de "Bichos Escrotos"


"Cabeça Dinossauro". Assim mesmo, sem a preposição. O nome já dava mostra do que estava contido ali dentro daquela capa genial e incomum que ao mesmo que impactava pelo grotesco, completava o conceito geral da obra: a cabeça dinossauro era uma transfiguração, uma metamorfose em monstro, um retorno ao primitivo, era uma digressão à língua, um não aos padrões. A própria canção homônima que abria o disco com sua batida tribal e letra 'primitiva' era retrato fiel e confirmação da proposta.
Letras simples, versos curtos, mínimos e minimalistas, aliterações, repetições e discursos diretos. Assim os Titãs deram uma reviravolta na própria carreira, até então sem uma personalidade musical definida, e construíram um dos discos mais notáveis e criativos do rock nacional. Aquilo era butal, era violento na essência, era agressivo como nunca a música popular ousara ser a tal ponto, disparando contra religião, autoridades, estado, família e capitalismo com doses variadas de desprezo, ira e ironia. Quer mais que afirmar que não gostavam de Cristo; mandar dar porrada em quem não desse nenhuma contribuição ao mundo; ou mandar os bichinhos fofinhos se foderem? Aliás, "Bichos Escrotos", que trazia este xingamento, ainda que não fosse a mais brilhante do disco, não pode deixar de ser mencionada sobremaneira por uma quebra definitiva de paradigmas na mídia por conta do "FODER" de sua letra que era cantado incessantemente pela garotada, independente da proibição de execução pública expressa na contracapa. Num país com a democracia recém instaurada e uma liberdade de expressão ainda combalida, o resultado foi que sua popularidade foi tanta, a música era tão conhecida e entoada por todos que mesmo sem ser revogada, sua proibição caiu por terra naturalmente e a faixa passou a tocar sem corte em muitos segmentos dos meios de comunicação. E, ao contrário do que soava aos pais e moralistas de plantão naquele momento, "Bichos Escrotos" não se limitava a um palavrão gratuito: aquele grito era um não à beleza artificial, ao padrão estético, uma convocação à atitude, sendo um dos mais significativos símbolos da virada que os Titãs davaam com aquela obra.
Outro momento marcante da obra é a descontrolada "A Face do Destruidor", um hardcore extremamente agressivo e veloz na execução e na duração (apenas 34 segundos) que de certa forma justificava que nada se cria e tudo se transforma mas que às vezes é importante botar tudo abaixo para construir novamente. E era o que eles estavam fazendo.
"Cabeça..." ainda traz um dos maiores clássicos do rock brasileiro de todos os tempos que ganhou inúmeras regravações, homenagens, referências, performances de todo o tipo e qualidade de artistas, de Sepultura a Marisa Monte: "Polícia"; um punk rock implacável que incrivelmente venceu no mundo pop sem fazer concessões de letra nem estilo, gravando na memória do Brasil dos refrões mais conhecidos e populares da música nacional.
Fruto da multiplicidade de estilos de um time de oito cabeças com origens, inspirações e gostos musicais distintos e da mão certeira do produtor e parceiro Liminha, "Cabeça Dinossauro" era punk na maior parte das vezes mas era tão fora dos padrões que podia trazer um raggae como "Família", um ska como "Homem Primata" ou "O Quê?", um funk estraçalhador com uma linha de baixo toda quebrada, cheio de teclados e uma interessantíssima mescla de bateria acústica com eletrônica, delineando um inquietante jogo de palavras que não cansava de perguntar e ao mesmo tempo responder "o que é que não pode ser?". E o que é que não poderia ser depois daquilo? Podia-se tudo e aquela obra ajudava a afirmar isso.
Até mesmo como resultado de experiências como a de "O Quê?", os Titãs chegariam a resultados, talvez, melhores tecnicamente com seus dois álbuns de estúdio seguintes, "Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguleas" e "Õ Blésq Blom", mas "Cabeça Dinossauro" já tinha metido o pé na porta e por este rompimento, por sua profusão de ideias e estilos, pela sua reconceituação num dos momentos mais importantes da retomada do rock brasileiro, seu impacto e reflexos, este é, minha opinião, simplesmente o maior disco do rock brasileiro de todosos tempos.

FAIXAS:
1. "Cabeça Dinossauro" (Arnaldo Antunes, Branco Mello, Paulo Miklos) – 2:20
2. "AA UU" (Marcelo Fromer, Sérgio Britto) – 3:01
3. "Igreja" (Nando Reis) – 2:48
4. "Polícia" (Tony Bellotto) – 2:06
5. "Estado Violência" (Charles Gavin) – 3:10
6. "A Face do Destruidor" (Arnaldo Antunes, Paulo Miklos) – 0:34
7. "Porrada" (Arnaldo Antunes, Sérgio Britto) – 2:51
8. "Tô Cansado" (Arnaldo Antunes, Branco Mello) – 2:18
9. "Bichos Escrotos" (Arnaldo Antunes, Sérgio Britto, Nando Reis) – 3:13
10. "Família" (Arnaldo Antunes, Tony Bellotto) – 3:32
11. "Homem Primata" (Ciro Pessoa, Marcelo Fromer, Nando Reis, Sérgio Britto) – 3:27
12. "Dívidas" (Arnaldo Antunes, Branco Mello) – 3:08
13. "O Quê" (Arnaldo Antunes) – 5:40

FORMAÇÃO (em 1986)
Arnaldo Antunes: vocal
Branco Mello: vocal
Charles Gavin: bateria e percussão
Marcelo Fromer: guitarra
Nando Reis: baixo e vocal
Paulo Miklos: baixo (em "Igreja") e vocal
Sérgio Britto: teclado e vocal
Tony Bellotto: guitarra

PRODUZIDO POR LIMINHA

Download

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cotidianas #47 -"Lamento Sertanejo"


Lamento Sertanejo
(Gilberto Gil)

Por ser de lá
Do sertão, lá do cerrado
"Menino com carneiro" - Cândido Portinari
Lá do interior do mato
Da caatinga do roçado.
Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigos
Eu quase que não consigo
Ficar na cidade sem viver contrariado.

Por ser de lá
Na certa por isso mesmo
Não gosto de cama mole
Não sei comer sem torresmo.
Eu quase não falo
Eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada
Nessa multidão boiada caminhando a esmo.


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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Alien Sex Fiend - "Acid Bath" (1984)

Comprei no último sábado, substituindo meu piratinha gravado, o 'Acid Bath' do Alien Sex Fiend.
Cara, Alien Sex Fiend não é nada demais mas é legal pra caramba! Som daquela cena dark do início dos 80 mas com mais elementos de eletrônica, uma  tendência ao industrial, influências de rockabilly e lógico um pé ainda no punk, que naquele momento já se esvaía mas deixava um pouquinho em quem quer que fosse montar uma banda. Tudo isso com um visual entre o Cure, os Pistols, o Cooper e os Cramps: cabelos espetados, roupas pretas esfarrapadas ou calças de couro, maquiagens zumbis e performances extremamente teatrais e terrificantes.
Em "Acid Bath" a sonzeira tem bases eletrônicas, sintetizadores, programações de bateria e guitarras pesadas e barulhentas corroendo tudo, compondo toda uma atmosfera sombria, com vocais cadavéricos e berrados, temas aterrorizantes e violentos, mas com muito bom humor e escrachamento.
O caos dos mortos-vivos!
Loucura total!
Meus destaques neste disco são a ótima abertura "In God We Trust (In Cars We Rust)"; "Dead and Re-Burried" com sua base bem eletrônica e guitarras despejadas como lava quente; a excelente "E.S.T. - Trip to the Moon", uma verdadeira viagem à lua com seus 9 minutos lisérgicos; e o doido rockabilly-eletro-gótico-techno-industrial "Boneshaker Baby", uma das 3 faixas extras da versão em CD.
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FAIXAS:
1. In God We Trust (In Cars We Rost?)
2. Dead and Re-Buried
3. She's a Killer
4. Hee-Haw (Here Come the Bone People)
5. Smoke My Bones
6. Breakdown and Cry (Lay Down and Die - Goodbye)
7. E. S. T. (Trip to the Moon)
8. Attack !!!!!! #2

extras do formato CD (não constavam no LP original)
9. Boneshaker Baby
10. I Am a Product
11. 30 Second Coma

Ouça:
Alien Sex Fiend Acid Bath
.
Pra quem quiser conhecer mais, ver discografia, curiosidades, informações, vale uma visita aos site dos caras:
Site Oficial ASF - 13th. Moon Demon

cotidianas #46 - Música do Diabo



- Oi!
- Bom dia... – e um pequeno silêncio interrogativo com um “em que posso ajudar?” suspenso, no ar.
- Oi, ah, é que... Bom, desculpa lhe incomodar mas eu sou seu vizinho daqui do lado e...
- É, eu sei. Já te vi com tua mãe no elevador – interrompendo o menino que já parecia bem constrangido - Tudo bem?
- Tudo bem. É que, eu queria lhe falar. É o seguinte: eu queria saber qual era aquele som que o senhor tava ouvindo ontem de noite, alto?
- Por quê? Tava incomodando?
- Não, não. A minha mãe não gosta mas eu curto. Bom pra caralho!
- Ontem de noite? Ah, era...Evil Corpse. Quer emprestado?
- Não. Não dá. A nossa religião não permite. A minha mãe diz que é coisa do demônio e tudo mais. Mas se o senhor puder ouvir sempre meio alto, assim, eu consigo ouvir dali de casa. Na área de serviço o som fica até bem claro.
- Tá bom. Eu gosto de ouvir alto mesmo. Que pena que tu não pode ouvir. Ia ser legal te mostrar umas paradas dessas.
- É – disse meio conformado.
- Mas então ta. Valeu. Prazer te conhecer.
- O prazer foi meu. Obrigado, viu.
- Que nada!
Dias depois embarcam juntos no elevador o garoto, sua mãe e o tal vizinho. A mãe olha de soslaio com aquele ar de reprovação para o rapaz de jeans rasgado, bracelete de couro, cabelo comprido e uma camiseta preta com uma enorme caveira cuspindo fogo, e dispara:
- É o senhor que mora no 606?
- Sou eu mesmo.
- O senhor poderia ouvir suas músicas um pouco mais baixo, por favor? – pronuciando este músicas com ênfase e ironia - Incomodam a mim e incomodam ao meu filho. O pobrezinho chega a se esconder na área de serviço pra não ouvir aquele barulho infernal, não é meu filho?
O garoto não responde. Só lança um breve e quase imperceptível olhar de desculpas para o vizinho que apenas lhe responde com uma piscadela de cumplicidade.

Cly Reis

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Miles Davis - "Kind of Blue" (1959)

"Quem é tocado por essa música [de Kind of Blue] muda para sempre. E se torna melhor do que é."
 Herbie Hancock



Fui convidado pelo autor deste blog a escrever a resenha sobre “Kind of Blue”, de Miles Davis, de 1959, simplesmente o disco de jazz de maior sucesso e vendagem de todos os tempos, tendo ultrapassado tranquilamente, mais de meio século depois de seu lançamento, a marca de 6 milhões de cópias vendidas em todo o mundo. Volume este que continuará crescendo certamente, tendo em vista que diariamente exemplares de “Kind of Blue” são adquiridos por novos e antigos fãs. Eu mesmo sou mais um dentre esta multidão de admiradores.
 Então, diante de tal missão, perguntei-me: o que dizer deste fenômeno, uma obra que perdura a tanto tempo e da qual, principalmente, gosto tanto? Como dimensionar sua evidente inspiração a toda uma geração de artistas? Ou, ainda, explicar de que forma a gama de aspectos musicais e não musicais que “Kind of Blue” abarca, trazendo de vez para a música moderna as influências de culturas folclóricas, como os sons orientais, africanas ou hispânicos, e misturando tudo isso ao groove latino, à música erudita e a tradição negra americana? Como jornalista, uma das regras básicas da minha profissão é a de manter imparcialidade sobre o que se está analisando. O que fazer, então, quando se está na posição de crítico e amante ao mesmo tempo?
 A solução que achei foi a de me entregar à genialidade deste disco, perceptível a cada faixa, a cada solo, a cada fraseado de trompete, a cada base de piano, a cada vibração de corda do baixo, a cada ataque do saxofone. “Kind of Blue” já impressiona de cara pela “cozinha”. O quinteto formado por Miles tinha nada mais nada menos que o baixo seguro de Paul Chambers, a bateria swingada e elegante de Jimmy Cobb, o sax alto cheio de sentimento e alma gospel de Cannonball Adderley, o piano “branco” e mezzo-erudito de Bill Evans, o trompete genial e inteligentemente comedido do próprio Miles e o sax tenor do talentosíssimo John Coltrane, que, talvez, comporte todos esses elementos e mais um pouco. Trata-se da melhor banda de Miles, comparada somente a seu supertime de 1969, que contava com feras como Chick Corea, Herbie Hancock, Wayne Shorter e Ron Carter. O fato é que os quatro músicos que acompanharam Miles em “Kind of Blue” tornaram-se ou se solidificaram depois do álbum como alguns dos grandes nomes da história do jazz (incluindo aí Red Garland, que tocou piano em uma das faixas), mas principalmente Coltrane, que revolucionou o estilo, disco a disco, até a sua morte, em 1967.
 Mas e o disco? Bem, “Kind of Blue” começa com a célebre “So What”, um blues cadenciado e cheio de swing onde aparece pela primeira vez na história da música um negócio que Miles Davis vinha desenvolvendo (parte conscientemente e outra não) há mais ou menos uma década: o jazz modal. Embora se trate de uma invenção técnica, facilmente distinguida por músicos, para leigos como eu também não é difícil de reconhecer. Ou, pelo menos, “sentir” a diferença. O jazz modal – diferentemente da loucura criativa do be-bop, que aproveitava todas as escalas musicais ao extremo, ou do free-jazz, livre em concepção, como o título sugere – propunha uma, digamos, “simplificação programada” do jazz. Assim, as melodias eram compostas em escalas (por módulos = modal), o que gera uma base em que há poucas mudanças de notas mas, ao mesmo tempo, dá uma vasta liberdade aos solistas, que não precisam improvisar somente dentro do tradicional tempo 1-2-3-4. Um pequeno detalhe, mas uma verdadeira revolução que influenciou todo o jazz, soul, pop e rock que viria a seguir – isso, para ficar só nas contribuições à música, sem falar do cinema, artes plásticas, cênicas, etc.
 “So What”, com sua memorável abertura do diálogo entre baixo e piano, é, assim, um marco do jazz modal, formato que Miles e seu quinteto empregaram em todas as cinco faixas do álbum. E “So What” guarda ainda uma outra curiosidade. Nela, a visão pop do caleidoscópico Miles se evidencia: ouvindo com atenção, dá para perceber que sua base de sopros no chorus é idêntica a de “Cold Sweat” (veja o vídeo), de James Brown (a quem o jazzista admirava), considerado o primeiro funk da história. Porém, exceto por um detalhe: as notas estão na ordem inversa.
 O disco segue com outro jazz “blueseado”: “Freddie Freeloader”, tema que contém o talvez mais impressionante solo já tocado por Coltrane. Depois do número elegante de Miles, Trane entra literalmente rachando com toda emoção e potência, vazando o som do seu sax para todos os microfones do estúdio e obrigando o operador da mesa a reduzir o volume manualmente na hora. O que seria uma falha na gravação para um artista comum, fazendo com que se repetisse a sessão, por causa da sensibilidade de Miles ficou assim mesmo e assim se eternizou.
 A lindíssima balada “Blue in Green” vem na sequência, uma provável parceria de Miles com o Evans onde o pianista conduz a melodia. Bem, “melodia” não é bem o termo certo. Criada sob a linha modal de notas cool que variam em poucas escalas, e com claras influências eruditas emanadas do piano quase clássico de Evans, “Blue in Green” não tem uma melodia propriamente dita. Não fica evidente um acorde básico ou um riff. Mesmo assim, sua aura é tão palpável que quem a escuta jamais se esquece de como ela é.
 Outra pérola inesquecível de “Kind of Blue” é a hipnótica e sensual “All Blues”, na qual se veem nuanças hispânicas, afro e da vanguarda erudita. Nela, o piano mantém constantemente um trinado que parece com marimbas espanholas tremulando, enquanto os sopros executam o chorus lentamente, em longos e lânguidos riffs fraseados que definem a base do tema. Para matar a pau, o Miles inicia uma segunda frase melódica com um longa nota, que se estende, parecendo dar asas à canção. Ajudado pelo som de escovinhas raspando no tarol, o famoso som repetido do piano gera uma sensação mágica de circularidade, muito bem traduzida para o audiovisual pelas lentes de Spike Lee, no filme "Mais e Melhores Blues" de 1990.
 A obra-prima finaliza com outra de ares ibéricos: “Flamenco Sketches”, tão rica e densa musical e conceitualmente que serviu de inspiração não para mais uma música, mas para um disco inteiro de Miles Davis chamado “Sketches of Spain”, de 1960. É mole ou quer mais?

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 Antes e depois de “Kind of Blue”, Miles Davis revolucionou a música moderna uma porção de vezes. Por isso, vale destacar pelo menos duas obras que se incluem nesta lista e que foram importantes na formação do jazz modal que desembocaria em “Kind of Blue”: “Walkin’” e “The Birth of the Cool”, ambos de 1954.

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 Como todo grande disco, um “The Dark Side of the Moon”, do Pink Floyd, ou “Exile on Main Street”, dos Rolling Stones, “Kind of Blue” carrega lendas. Uma delas – e que se constatou ser verdade quase 40 anos depois – é a de que a gravação impressa em milhões de exemplares e que se popularizou no mundo todo por décadas estava milésimos de segundo mais lenta que o normal, pois se tratava da cópia extraída de uma master com um leve defeito. Hoje, é possível adquirir a versão corrigida, mas muitos veem nesta falha um toque divino, mantendo-se fiéis ao registro “original”.

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O livro sobre a história da obra-máxima
de Davis
O autógrafo do mestre Hermeto
no livro do 'parceiro' Miles
 Para finalizar, dia desses encontrei no Aeroporto de Porto Alegre o compositor e multi-instrumentista brasileiro Hermeto Pascoal. Pedi-lhe um autógrafo no primeiro papel que vi, meu livro, o que ele prontamente atendeu. Para não lhe dar a impressão de que gastaria tinta em qualquer papel, eu, na minha ignorância, comentei que estava lhe dando para assinar uma obra que abordava o tema música: era “Kind of Blue: A História da Obra-prima de Miles Davis”, do jornalista americano Ashley Kahn. Afinal, jazz e Hermeto Pascoal é quase a mesma coisa, né? O “albino Hermeto” (que de fato não enxerga muito bem, como disse Caetano Veloso), comentou-me, então, com toda simplicidade que conhecera Miles Davis no final dos anos 60, e que tocara junto com ele. (!) Não só: que justo o para mim tão mitológico Miles havia gravado duas canções dele, Hermeto, em um disco que ele não lembrava ao certo o título e de quando datava (vejam só!). Enfim, estupefato pelo desapego do genial Hermeto busquei no Google e encontrei o tal disco: chama-se “Live Evil”, de 1967, considerado por alguns como um álbum “demoníaco”. Quem quiser conhecer, benza-se antes de ouvir. Cruz-credo!

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Ouça:
Miles Davis Kind Of Blue



por Daniel Rodrigues





Daniel Rodrigues é jornalista formado pela PUC/RS, curioso e pesquisador de música, é aberto a todos os estilos demonstrando, contudo, especial interesse e conhecimento pelo jazz. Também, por incrível que possa parecer, direciona grande parte de suas atenções ao punk-rock, suas origens e vertentes, estilo sobre o qual inclusive baseou o tema de sua tese de diplomação relacionando-o com a evolução da moda.
Daniel além de tudo isso é meu irmão e foi integrante comigo da banda 'punk-putaria-core', HímenElástico.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Museu do Inter - Porto Alegre








Aproveitei minha visita a minha cidade natal na final da Libertadores para visitar o MUSEU DO INTERNACIONAL, do qual tinha boas referências. Afirmava-se no site, na revista do clube, nos meios de comunicação ser um dos melhores e mais modernos museus de clube do mundo, baseado nos conceitos e modelos empregados em espaços históricos como o do Arsenal, o do Barcelona e outros clubes europeus; ou, simplesmente, como ouvia o presidente Vitório Píffero afirmar,“um museu de primeiro-mundo”.
Imaginava que tivesse lá sua qualidade, fosse legal e tal, mas sinceramente não achava que fosse tudo isso. E não é que é espetacular mesmo! E não digo isso por ser colorado, pois eu mesmo duvidava da magnitude deste projeto. Depois de muito tempo apenas com uma saleta escondida atrás do departamento amador, o Sport Club Internacional tem verdadeiramente um museu de verdade e por sinal, um belíssimo museu.
A tocha: escultura de monitores com imagens históricas
Logo na entrada, ao se subir a escadaria que leva ao espaço, um enorme escudo do clube, estampado na parede com a frase do hino "é teu passado alvi-rubro motivo de festa em nossos corações”, já nos inflama o orgulho, e logo à frente já se vê a incrível tocha, uma espécie de escultura de monitores com ininterruptas imagens variadas em composições e seqüências diferentes. Começa-se o passeio por uma linha de tempo na parede com fotos, projeções de imagens, relíquias; vê-se vitrinas com camisetas históricas, objetos de jogadores, documentos; adiante encontra-se uma pequena arquibancada da qual se vê um telão que mostra imagens histórias e por todo o espaço somos rodeados por esculturas das figuras marcantes do Colorado – Tesourinha está ali arrancando pro gol, o goleador Carlitos engatilhado pro chute, Manga dando uma mão-trocada espetacular e Figueroa cabeceando para o gol iluminado.
Figueroa e o gol iluminado
Mas lá não apenas se vê e se sente, pode-se tocar nas telas e pesquisar em estações interativas moderníssimas e pode-se também ouvir de passagem por algum corredor, fatos, depoimentos, gols, pois em diversos pontos da sala há alto-falantes suspensos, apropriadamente isolados de modo a garantir uma audição quase que individual sem espalhar o som pelo ambiente, narrando momentos importantes da história do Internacional. O trecho final do percurso traz os símbolos máximos das conquistas importantes: uma grande vitrina com os troféus dos Brasileiros, da Copa do Brasil, da Sul-americana, da Recopa, da Libertadores e do Mundial.
As grandes glórias do Campeão de Tudo
Recomendaria a qualquer pessoa que visitasse o Museu do Internacional, mas é lógico que os tricolores da Azenha não gostarão muito da idéia. Em todo caso recomendo sim a qualquer um que vá a Porto Alegre, goste de futebol ou que aprecie uma boa sala de exposições e principalmente aos colorados que sentirão, como eu senti, entre os corredores, vendo os gols, ouvindo os cantos da torcida, em frente às taças, relembrando os ídolos, todas as emoções que já sentiram um dia dentro do estádio.
Demais! É mais um ponto turístico obrigatório na cidade de Porto Alegre.

OUTRAS IMAGENS DO MUSEU COLORADO:

Manga fenômeno
Arrancada de Tesourinha

A linha do tempo, logo na entrada 
A arquibancada dentro do museu












Vista da passarela superior


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