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quinta-feira, 28 de maio de 2026

T.N.T. - Show "T.N.T. I - Ponto Zero" - Auditório Araújo Vianna - Porto Alegre (24/04/2026)


A T.N.T. pode não ser necessariamente a melhor banda gaúcha de todos os tempos, haja vista que tem Os Replicantes, De Falla, Engenheiros do Hawaii, Liverpool, Cascavelletes, Saracura... Mas uma coisa não se tem dúvida: eles são a banda mais icônica do rock ‘n’ roll no Rio Grande do Sul. Criado há 40 anos, esse histórico grupo tanto para o rock da terra da bombacha quanto para o Brasil celebrou as quatro décadas de lançamento do seu memorável primeiro e homônimo disco num disputado show no Auditório Araújo Vianna, que lotou de fãs para ouvi-los e cantar seus clássicos.

Por falar em clássico, foi assim que iniciaram a apresentação: emendando nada menos que três de seus maiores sucessos: “Entra Nessa”, “Ana Banana” e “Identidade Zero”. Ufa! Um começo arrasador.. Porém, de certa forma parece que Charles Master, Márcio Petracco, Tchê Gomes, João Maldonado, Fábio Ly, Paulo Arcari e Felipe Jotz gastaram metade da pólvora antes do primeiro quarto de batalha. Não que depois tenha necessariamente decaído ao tocaram músicas menos conhecidas ou tão aclamadas, mas o som mal equalizado (que embolava os sons e dificultava que se entendesse aquilo que já não se sabe de cor), somado à longa duração do show inteiro, deu um certo cansaço.

Mas tudo bem, afinal, show de rock de verdade passa por cima de som ruim ou algum equívoco de repertório, e o  público compareceu mesmo para vê-los tocar as músicas que uma geração inteira de gaúchos cresceu ouvindo nas rádios. Caso de “Irmã do Dr. Robert” e “Oh Deby”, esta última, assim como as três citadas do começo do show, composições de autoria de Flávio Basso (ou Júpiter Maçã ou Jupiter Apple). Aliás, ou eu não entendi pelo som embolado das falas entre as músicas ou ninguém mencionou Flávio, que, convenhamos, é o arquiteto da T.N.T., a cabeça mais criativa não só da banda, mas de todo o rock gaúcho em todos os tempos. Estranho...

Além do disco de estreia, teve também coisas das outras fases, como os hits “Não Sei” (“Não sei se eu tô certo ou se eu tô errado/ Mas faço tudo o que eu digo e digo tudo que eu faço”), “Não Vai Mais Sorrir (Pra Mim)” (ambas de “TNT nº 2”, de 1988 e já sem Flávio na formação), “Noite Vem, Noite Vai” e “Quem Procura Acha”, duas do terceiro álbum de estúdio da T.N.T., de 1991. O público gostou.

O hit "Não Sei" com sua melodia a la "Sweet Jane"


Rolou ainda uma participação da Orquestra Rosariense, que não acrescentou muito, na verdade. Tanto que a banda tocou, no bis, exatamente as músicas que haviam rearranjado para as cordas, “Muito Cuidado” e “Nunca Mais Voltar”. Mais para o final, teve outra consagrada, “Cachorro Louco”, desses rocks imbatíveis, dos melhores do BRock anos 80. Para encerrar, “O Mundo É Maior Que o Teu Quarto”, da Cowboys Espirituais, uma das corruptelas da T.N.T. assim como a Tenente Cascavel e a Cascavelletes. Baita música, regravada por gente como Barão Vermelho, mas que, por não terem dosado melhor a narrativa do show e gastado as melhores lá no início, talvez não fosse a mais indicada para encerrar.

Mas, de novo, tudo bem! A noite foi para celebrar o bom e velho rock ‘h’ roll, o que a T.N.T. representa no mais alto grau. Deixa pra lá a acústica ruim, o andamento do repertório. O negócio foi “entrar nessa” e “dançar um rock ‘n’ roll”. Foi o que fizemos - e foi legal.

🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸

Começa o show da lendária T.N.T.


Acompanhando a letra no telão de "Entra Nessa",clássico do rock gaúcho


Entrando nessa com "Entra Nessa"

"Ana Banana" no começo do show pondo 
todo mundo pra cantar


Repertório do primeiro e dos outros discos da
banda compuseram o show

A T..N.T. canta outra clássica: 
"A Irmã do dr. Robert"


Mais clássicos


Tocando "Nunca Mais Voltar", das preferidas da galera


Estes dois roqueiros felizes por ver a T.N.T.
celebrando os 40 anos de sua estreia


🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸


texto: Daniel Rodrigues
fotos e vídeos: Daniel Rodrigues e Leocádia Costa

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Criolo - Turnê "Criolo50" - Auditório Araújo Vianna - Porto Alegre/RS (17/10/2025)



“Nem estou acreditando que estou chegando nos 50. Esse projeto não é só sobre mim: é sobre todas as pessoas que me ajudaram a não desistir”.
Criolo

Que Criolo é o cara da nova música brasileira, isso já se sabe. Que este músico paulista, iniciado no rap, desenvolveu-se em tudo que é gênero musical, do samba ao afrobeat, também não é novidade. Que é um poeta raro, idem. Que é um dos artistas mais inovadores e influentes da música brasileira contemporânea, igualmente é outra certeza, assim como que ele já ocupa o panteão dos grandes da MPB. Porém, o palco ainda era uma dúvida, pois parecia carecer de uma afirmação. Afinal, é ali que se confirma um grande artista. É onde sua alma é impressa. Já havíamos Leocádia e eu assistido alguns shows de Criolo pela tevê, uns melhores e outros nem tanto. Mas o que não era possível captar à distância era justamente aquilo que se pode confirmar na inesquecível apresentação deste artista no Araújo Vianna, em Porto Alegre: a impressão de sua alma. E ela estava lá.

Comemorando seus 50 anos de idade - uma vitória para um rapaz preto e da periferia num país aporofóbico e racista, como ele mesmo observou -, Criolo e sua ótima banda mandaram ver num show empolgante, pois bem realizado em todos os aspectos: som, luz, projeções/arte, narrativa, repertório e, o mais importante, sintonia com a plateia. O carisma, a vibe zen e o bonito vocal de Criolo, dotado de pouca extensão mas que funciona mais em estúdio, é compensado, no palco, pela energia e o vozeirão do MC e DJ DanDan, parceiro antigo. Eles comandam o show, que percorre, num apanhado cirúrgico, o repertório dos cinco álbuns solo de carreira de Criolo dando especial destaque aos excelentes "Nó na Orelha" (2011) e "Convoque seu Buda" (2014), e o seu último, "Sobre Viver" (2022), além do disco de samba "Espiral da Ilusão" (2017).

Foram só pedradas, novos clássicos da música brasileira. Começando por "Mariô" e "Duas de Cinco", que abrem a apresentação puxando versos impactantes: "Tenho pra você uma caixa de lama/ Um lençol de féu pra forrar a sua cama/ Na força do verso a rima que espanca/ A hipocrisia doce que alicia nossas crianças" ou "Compro uma pistola do vapor/ Visto o jaco califórnia azul/ Faço uma mandinga pro terror/ E vou". Seguiram-se "Sistema Obtuso" e "Esquiva da Esgrima", esta, das preferidas do público. Em "Ogum Ogum" e "Iemanjá Chegou", duas de "Sobre...", Criolo abre espaço para a religiosidade afro, assim como faz para outros dois blocos distintos. Um deles, o momento reggae, em que canta "Samba Sambei" e "Pé de Breque", além de um novo arranjo para o rap "Sucrilhos", agora ao estilo de Bob Marley.

A clássica "Subirodoistiozin" pondo o 
público gaúcho para cantar

Outro ponto especial é a parte reservada ao samba, gênero que Criolo domina como poucos. O divertido partido-alto "Lá Vem Você" e o samba-canção engajado "Menino Mimado", ambas de "Espiral...", se juntam a "Linha de Frente", célebre samba de encerramento de "Nó..." ("O nó da tua orelha ainda dói em mim/ E Cebolinha mandou avisar/ Que quando a 'fleguesa' chegar/ Muitos pãezinhos há de degustar") em que Criolo já anunciava essa sua verve composicional. 

Mais clássicos contemporâneos: "Grajauex", "Não Existe Amor em SP", cantadas em coro pelo público, e "Subirodoistiozin", que ganha, ao final, um arrasador arranjo drum 'n' bass do DJ DanDan. Para fechar, uma versão do samba triste de Benito Di Paula "Retalhos de Cetim" ("Mas chegou o carnaval/ E ela não desfilou/ Eu chorei na avenida, eu chorei...") e o matador rap-ninja "Convoque seu Buda" para encerrar, quando todos fizeram o tradicional movimento de balançar a mão de cima para baixo como nos clipes de hip hop.

Se faltava a Criolo o atestado do palco, o show do Araújo Vianna foi uma mostra de que, chegado aos 50 anos e experiente como artista, não falta nada mais a ele, Sua alma estava lá, definitivamente. E se lhe foi uma vitória chegar ao primeiro meio século, esperamos que o Brasil lhe oportunize a partir de agora novos 50 anos de brilho, dignidade e sucesso. Ele merece.


🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵


Aguardando Criolo!


Começando o show com alta energia


Criolo em sintonia com o público


Seja rap, soul, samba, afrobeat: Criolo manda bem no que vier


Sessão de samba do show


A linda projeção completando a arte do espetáculo


O rap se mistura à musicalidade brasileira no trabalho de Criolo  


Uma matadora "Convoque seu Buda" para encerrar 
o grande show de Criolo em Porto Alegre



texto: Daniel Rodrigues
fotos e vídeos: Daniel Rodrigues e Leocádia Costa

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Super Tramp Experience - Auditório Araújo Vianna - Porto Alegre/RS (22/08/24)


por Chico Izidro

Os fãs gaúchos do Supertramp nunca tiveram a oportunidade de ver a grande banda liderada por Rick Davies e Roger Hodgson ao vivo (Hodgson até se apresentou em carreira solo em Porto Alegre) ao vivo. Então quando surge a oportunidade de assistir a um grupo especializado em reproduzir o som do grupo inglês, que encantou o mundo nos anos 1970 e 1980, os aficionados correm direto para o espetáculo. E não se arrependem.

Foi o que aconteceu nesta quinta-feira, 22 de agosto, quando o público teve a oportunidade de ver, mais uma vez no Auditório Araújo Vianna, o show do Super Tramp Experience (que já havia se  apresentado no ano passado na Capital gaúcha), conjunto francês liderado pelo vocalista e tecladista Antoine Oheix. 

A banda tributo se dedica a recriar fielmente os sons e as performances ao vivo do Supertramp. E isso é o que agrada aos fãs, que sonharam em ver o grupo original, e nunca tiveram a chance. Aí os franceses se preocupam com isso, e reproduzem à perfeição os vários clássicos da banda. 

Além do criador Antoine Oheix, a Super Tramp Experience conta com Alice Vallee (guitarra, teclados, backing vocals),  Lucas Fleurance (baixo, backing vocals), David Martin (saxofone, teclado, backing vocals) e Stéphane Glory(bateria). 

A Super Tramp Experience empolgando a plateia 
com o hit “It’s Raining Again”

E em quase duas horas de apresentação, com uma grande interação de Antoine com a galera, foram desfilados hits do porte de “Crime of The Century”, “Breakfast in America”, “The Logical Song”, “Dreamer”, “Fool’s Overture”, “Bloody Well Right”, “Give a Little Bit”, "Don't Leave Me Now" e “School”, entre outros.  

E fechando o show, aquela música que certamente apresentou o Supertramp para a grande parte do público presente no Araújo Vianna: “It’s Raining Again”, talvez o maior hit, presente no disco “...Famous Last Words...”, de 1982. Com direito a muitos fãs abrindo seus guarda-chuvas dentro do auditório. Foi uma viagem à adolescência de muita gente presente no show. E fica aquela máxima: “se não tem o original, se contente com a cópia. Cópia bem feita”.


🎵🎵🎵🎵🎵🎵







texto: Chico Izidro
fotos: Luciana Espíndola

sábado, 5 de novembro de 2022

Drops lançamento do livro “50 Olhares da Crítica Sobre o Cinema Gaúcho”, da ACCIRS, na Feira do Livro de Porto Alegre - 05/11/2022





E lá vamos nós para mais uma etapa do lançamento do “50 Olhares da Crítica Sobre o Cinema Gaúcho”! E desta vez onde não poderíamos deixar de estar: na estimada Feira do Livro de Porto Alegre! Depois do lançamento oficial, lá em março, no Araújo Vianna, em Porto Alegre, e do Festival de Cinema de Gramado, em agosto, agora é a vez de celebrarmos este projeto naquele que é o evento cultural-literário mais antigo (e provavelmente, o mais querido) da cidade.

O livro, editado pela Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (ACCIRS), da qual orgulhosamente faço parte como membro fundador e, hoje, secretário, traz uma coletânea de 50 brilhantes artigos sobre 50 filmes gaúchos lançados entre as décadas de 1950 e 2020 no Rio Grande do Sul. Olha: é só texto bom!

Estaremos lá nós membros da ACCIRS em mais de 20, e a previsão do tempo, tão instável nesta época do ano, promete ser boazinha conosco.

Então, quem tiver por POA, aparece lá, que a pena e a tinta já estão aguardando os autógrafos. Depois a gente volta aqui com registros desta tarde, que promete ser ensolarada de sol e de gente bonita.

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lançamento do livro “50 Olhares da Crítica sobre o Cinema Gaúcho”
da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (ACCIRS)  
onde: 68ª Feira do Livro de Porto Alegre (Praça da Alfândega, s/ nº, Centro Histórico - Porto Alegre).
quando: dia 05/11 (sábado) - 15h
organizadores: Daniel Feix, Fatimarlei Lunardelli, Ivonete Pinto, Mônica Kanitz e Rafael Valles
Valor do livro: R$ 50,00*

*Os exemplares poderão ser adquiridos na Feira do Livro ou pelo site da ACCIRS e locais parceiros: accirs.com.br


Daniel Rodrigues

sexta-feira, 25 de março de 2022

“50 Olhares da Crítica sobre o Cinema Gaúcho” – Manhã de autógrafos com os autores – Sala Radamés Gnatalli - Auditório Araújo Vianna - Porto Alegre/RS (20/03/2022)

 

Emoldurado por um dos cartões
postais da cidade, o Araújo Vianna,
 local onde foi lançado o livro
“Mas não é só o filme que carrega em seu corpo sinais. Sociedades e cidades também as têm, mesmo que por baixo das vestes. 'O Caso do Homem Errado', na linha do que outras realizações vêm evidenciando há aproximadamente 20 anos na produção audiovisual negra no Brasil e noutros polos cinematográficos, denuncia verdades fadadas até então ao apagamento da história, ao escurecimento – sem o perdão da redundância.”
Trecho do artigo "A Pele da Cidade", sobre o filme “O Caso do Homem Errado”

Antes de pisar sobre o chão da sala Radamés Gnatalli, no Auditório Araújo Vianna, na manhã do domingo, dia 20 de março, já tinha ideia que viveria um momento especial. A presença de my love Leocádia e de minha hermana Carolina, somadas à coincidentemente bem-vinda presença de minha mãe, Iara, chegada do Rio de Janeiro horas antes por outros motivos, mas que a deu condições de também comparecer ao evento, já garantiam a especialidade. O retorno, depois de 2 anos e alguns meses de total ausência de eventos presenciais por conta da covid-19, ao mesmo tempo em que excitava pela novidade, também assustava pela descostume. Havia também como elemento adicional as comemorações pelos 250 anos de Porto Alegre, do qual o livro faz parte através do projeto Cine Rock, momento raro na história de qualquer cidade. Tudo fazia aumentar a espera.

Mas todos os receios e expectativas foram totalmente superados ao que adentramos a sala onde “50 Olhares da Crítica sobre o Cinema Gaúcho” teve seu histórico lançamento. A felicidade de todos era visível, fosse pelo feito da materialização do primeiro livro da ACCIRS em 24 anos de associação, fosse pela alegria de poder rever as pessoas depois de tanto tempo, fosse pela satisfação de, simplesmente, dividir aquele momento com os colegas, amigos, familiares e realizadores. O livro da ACCIRS é feito em correalização com a Opinião Produtora por meio do projeto Cine Rock, aprovado pelo Pró-Cultura RS e pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC) do RS e patrocínio da JBS.

De minha parte, mesmo sem convidar a ninguém especialmente, fui agraciado com, além destas as quais mencionei no início, ricas presenças que me fizeram ainda mais completo. Estiveram lá, representando a família Leão, meu primo Henrique, filho de Cléber, competente professor e historiador que tão essencialmente contribuiu para o artigo de minha autoria no livro. Fizeram meu coração sorrir também os amados amigos Rodrigo, Lisi, Malu e Elis, e Valéria Luna com a sua filha Dora, bem como dividir - e trocar - autógrafos com Conrado Oliveira, colega de trabalho e de cinefilia. Completou-se ainda com a satisfação de rever (e abraçar) os colegas jornalistas Paulo Moreira, membro da ACCIRS mas que não participou da edição, e Ana Mota, outra que coincidentemente, assim como minha mãe, aterrissou em Porto Alegre e também não quis perder a oportunidade de prestigiar.

Do livro em si, adianto que ainda não será possível me estender. Mal consegui folheá-lo do dia do lançamento até hoje e, para modo de não dar luz ao que mereça, prefiro deixar para uma outra postagem aqui no blog mais adiante – talvez até nem por mim mesmo. Entretanto, agora já posso comentar brevemente sobre o artigo que escrevi e o filme o qual escolhi: “O Caso do Homem Errado”, o essencial documentário da cineasta Camila de Moraes, de 2017, primeiro longa dirigido por uma mulher em então mais de 60 anos de produção cinematográfica no Rio Grande do Sul. Histórico por si só. Mas não somente isso: “O Caso...” trata-se de um grande filme, absurdamente atual diante da uma realidade social gaúcha e brasileira.

Em meu artigo, o qual considero grave por necessidade temática, discorro sobre questões que ligam o ontem e o hoje nas relações de preconceito racial e urbanicidade. Como disse anteriormente, a colaboração de meu primo Cleber é de suma importância para a abordagem proposta, uma vez que sua visão do brancocentrismo na sociedade é chave para fazer ligar essas pontas que enlaçam passado e presente. 

Fico aqui, porém, em palavras, mas os deixo com alguns dos felizes registros feitos neste dia marcante para a história da crítica de cinema no Rio Grande do Sul, para o cinema do Rio Grande do Sul, para quem faz e curte cinema no Rio Grande do Sul. Para mim, que nasci e moro no Rio Grande do Sul. Uma coisa posso lhes dizer: que momento feliz vivemos neste dia! 

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Um brinde com a mãe e o primo

Love, love, love: cinema, cinema, cinema

Conrado e eu: quando é que vem o próximo em conjunto?

Com hermana, que fez a manhã de autógrafos ser ainda mais iluminada


Os amigos da "visões periféricas" e da vida

Val, Dora e eu: Guaíba e Capibaribe

Autógrafos para a filha e ex-esposa de Luis Carlos Merten,
referência pra qualquer crítico de cinema

A amada presença de Henrique representando os Leão

O professor Paulinho Moreira foi prestigiar!

O exemplar autografado de d. Iara não podia faltar...

... E ela logo pegou pra ler!

Com as queridas colegas de ACCIRS
Mônica Kanitz e Fatimarlei Lunardelli

Posando para a foto conjunta com todos os autores presentes...

... E outra com a minha galera, claro!


texto: Daniel Rodrigues
fotos: Leocádia Costa e Carol Rios

sábado, 19 de março de 2022

Black Alien - Bar Opinião - Porto Alegre/RS (10/03/2022)

 

Planeta Terra. Cidade: Porto Alegre. População encontra um percalço nebuloso que ninguém sabia quanto tempo iria durar...e claro que tentativas de desopilar não iriam faltar! Com distanciamento, álcool em gel e máscara a Opinião Produtora anuncia para o dia 18 de dezembro de 2020, no Auditório Araújo Vianna, ingresso com lotes limitados e, lógico, que eu corri e garanti os meus dois!

Senhoras e senhores: Black Alien, o Mister Niterói, estaria fazendo seu espetáculo “Abaixo de Zero: Hello Hell” – que, cá para nós, é um álbum digno dos prêmios que recebeu. Porém, novas regras de isolamento isolam as mentes e nada pode acontecer nas datas programadas, para desespero de nós, trancafiados fãs.

E o tempo passou, passou e passou. Lá se foram dois anos. A cada evento que eu ia no Opinião, vinha a dúvida: e o show??? E os ingressos????

Até que, vixeeeee: “vai rolar!” Para deleite da galera ansiosa, Black Alien vem a Porto, e com música nova. E os tais os velhos ingresso poderem finalmente ser utilizados no dia 10 de março de 2022. Noite chuvosa, tipo chuva de molhar bobo, mas lá vamos nós, eu e a minha parça Val Soueu.

“Si larguemu” pra José do Patrocínio fazer o esquenta clássico garimpando botecos com cerveja barata e matar a saudade dos tempos do Bomfa. 23:30 se forma uma fila gigantesca e lá vamos nós embarcar numa nave alienígena que, por mim, não aterrissaria tão cedo...

Gustavo Ribeiro e DJ Eric Jay (campeão do DMC por duas ou três vezes) foram os anfitriões em uma celebração à vida. Apresentação afiada, intimidade MC/plateia e MC/DJ, algo que só os melhores podem oferecer. Casa lotada como poucas vezes tive a oportunidade de ver. Uma energia monstra embalava a galera, que sabia de cor todas as letras – não consigo enunciar a ordem do show, mas foi perfeito!

Noite memorável. Pouco mais de uma hora e meia com direto a bis, como de praxe, e bailinho com o DJ da casa, o meu parceiro Milk-Shake, para encerrar uma viagem alienígena.




por Lício Agacê

sábado, 12 de março de 2022

Lançamento do livro “50 Olhares da Crítica Sobre o Cinema Gaúcho” - Coletânea de artigos da ACCIRS


 

E começamos o ano de 2022 com lançamento de livro! E desta vez, não se trata de conto ou ensaio, mas de crítica cinematográfica. O meu tão satisfatório caminho de anos na crítica de cinema se materializa, enfim, em livro, no aguardada primeira obra editada pela Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (ACCIRS) da qual faço parte. Trata-se de “50 Olhares da Crítica Sobre o Cinema Gaúcho”, correalizado pela Opinião Produtora e que tem organização dos colegas e críticos Daniel Feix, Fatimarlei Lunardelli, Ivonete Pinto, Mônica Kanitz e Rafael Valles. O projeto gráfico é de Flávio Ilha, da editora Diadorim, e a apresentação é assinada pela jornalista e crítica Maria do Rosário Caetano.

Este primeiro livro da ACCIRS reúne 50 artigos sobre 50 filmes gaúchos lançados entre as décadas de 1950 e 2020, e cada texto foi escrito por convidados e por um dos membros da associação – entre os quais, yo. Legal que houve a preocupação de não se fazer uma mera eleição dos melhores títulos produzidos no Estado (o que seria, se não impossível, impreciso), mas sim de trazer visões particulares sobre cada obra. Através de perspectivas jornalísticas, ensaísticas e memorialísticas, é possível revisitar títulos famosos da filmografia do Rio Grande do Sul, bem como descobrir projetos esquecidos ou pouco comentados. De aventuras épicas em 35mm a filmes intimistas e de baixíssimo orçamento da era digital, curtas, médias e longas-metragens entraram na seleta que cobre mais de 70 anos do cinema gaúcho.

Não vou dar spoiler  a respeito de qual filme escrevi, até por se tratar agora de um drops e porque, posteriormente ao lançamento - que será no próximo dia 20 - retorno aqui para comentar melhor sobre o livro e também sobre a minha participação da qual tanto me orgulho. Até porque, assim como percebo para com meus colegas de associação, estou curiosíssimo para ler as críticas de todos, bem como saborear (e me surpreender com) cada filme escolhido, cada visão trazida, cada olhar que une a técnica da crítica com um sentimento especial pela obra a qual se está abordando, o que certamente levará a textos muito interessantes - afora, obviamente, a qualidade comprovada da galera no exercício da crítica de cinema. E, claro, também curioso para manusear o volume e ler a mim mesmo, afinal, como disse Chico Buarque certa vez, há o prazer de escrever, mas há também o de ler a si próprio no livro impresso. Se Chico que é Chico confessa isso, sinto-me permitido. Por ora, fico aqui com o serviço para quem quiser prestigiar o evento de lançamento e/ou adquirir a obra, inédita e que valerá muito, afirmo de antemão.

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lançamento do livro “50 Olhares da Crítica sobre o Cinema Gaúcho”
da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (ACCIRS)  
organizadores: Daniel Feix, Fatimarlei Lunardelli, Ivonete Pinto, Mônica Kanitz e Rafael Valles
onde: Sala Radamés Gnattali, Auditório Araújo Vianna (Parque Farroupilha, 685, Porto Alegre).
quando: dia 20/03 (domingo) - 11h
Valor do livro: R$ 50,00*

*Os exemplares poderão ser adquiridos no dia do lançamento e, a partir do dia 21 de março, estarão disponíveis no site da ACCIRS: accirs.com.br


Daniel Rodrigues

sábado, 23 de outubro de 2021

Jamiroquai - 12º Free Jazz Festival - Teatro do Sesi - Porto Alegre/RS (14/10/1997)

 

J. Kay comandou
o showzaço da
Jamiroquai em POA
Embora os shows comecem a voltar presencialmente, o que acho animador, não está nos meus planos assisti-los, assim, tão cedo, visto os riscos que, infelizmente, ainda se correm. Enquanto não retorno com pelo menos boa parte do prazer e despreocupação às casas de espetáculo, recordo aqui, então, de mais um show de anos atrás que guardo com muita alegria na memória: o da Jamiroquai. Se hoje é pouco provável a vinda de uma banda como a desses ingleses a Porto Alegre – mesmo antes do cenário de pandemia –, há 24 anos atrás, completos neste último dia 14, isso acontecia. E acontecia em razão de um outro privilégio ainda maior que a capital gaúcha já teve, que era o de receber shows do saudoso Free Jazz Festival. Recorrente no Rio de Janeiro e em São Paulo desde 1985, o principal festival de jazz brasileiro ocasionalmente incluía Porto Alegre no roteiro até, tristemente, encerrar por total as edições em 2002, quando a 17ª edição foi cancelada devido à alta do dólar, que elevou os custos a ponto de inviabilizar sua realização.

Ingresso de algum dos afortunados
que assistiram o show bem
de perto naquela noite
Mais do que só o privilégio e a raridade de assistir ao maior grupo de acid jazz do planeta, a apresentação da Jamiroquai em si foi um luxo. Repertório e produção impecáveis, músicos afiados, público sedento e um J. Kay – a imagem da Jamiroquai, literalmente – carismático e catalisador: cantando e performando com energia. Um showman, que dança constantemente, mas não por isso deixa de soltar com muita técnica sua linda voz de timbre a la Stevie Wonder. E a “cozinha” é outra maravilha à parte, sustentada pelo baixo suingado de Stuart Zender, a bateria polirrítmica de Derrick McKenzie, os teclados voadores de Toby Grafftey-Smith, a percussão “raiz” de Sola Akingbola e a guitarra cheia de groove de Simon Katz. Além deles, as pick-ups do DJ D-Zire e a linha de sopros.

A vinda do grupo, aliás, se deu justamente no momento de maior sucesso mundial da banda, motivado pelo estouro do seu terceiro álbum, “Travelling Without Moving”, de um ano antes. Sabe aqueles discos que mais de 80% das faixas se tornaram hits? É o caso deste, um dos poucos casos desse fenômeno nos anos 90, ajudado, inclusive, pela fase áurea da MTV, que rodava seus videoclipes em looping. Resultado: uma paulada atrás da outra. "Virtual Insanity", "Alright", "Cosmic Girl" e a faixa-título do disco que motivou a turnê, por exemplo, incendiaram a galera, que sacolejou aos montes mesmo espremida pelas poltronas. Isso porque, o espaço definitivamente não foi o ideal: um Teatro do Sesi com cadeiras fixas que impediram o público de dançar num show claramente apto a isso. Afinal, provinciana, Porto Alegre não tinha nada melhor em termos de aparelho cultural - dois espaços que poderiam ter recebido o show, o Teatro Bourbon Country, inaugurado em 2007, ainda nem existia e o Araújo Vianna só seria reaberto 15 anos depois.

A grande Jamiroquai no seu auge no show de SP dias antes
para o mesmo Free Jazz

Isso tirou a naturalidade da plateia, claro, mas não suficientemente para apagar o brilho daquela noite. Afinal, Jason Kay e Cia., indiferentes a este problema, mandaram ver numa apresentação competente e empolgante. Além dos sucessos, teve direito a outros temas conhecidos e/ou queridos do público não apenas do disco de então, mas também dos ótimos “Emergency On Planet Earth” (1993) e “The Return Of The Space Cowboy” (1994), considerados por muitos dos fãs seus melhores trabalhos. São exemplos "Space Cowboy", jazz-soul muito inspirada na brasileira Azymuth; bem como “Hooked Up”, que abriu o show em alta numa rotação funk, e a fantástica “Too Young To Die” (“Do-do-do-do-do, da-da-do, da-da-do-do”), ambas do primeiro disco. Teve direito, ainda, a solo de Wallis Buchanan de didjeridu (“Didjital Vibrations”), aquele instrumento de sopro dos aborígenes australianos que a Jamiroquai adotou desde sempre.

Funk, jazz, AOR, disco, rap, rock, dance. A Jamiroquai é tudo isso e mais um pouco, o que pude conferir ao vivo na minha própria cidade em quase 2 horas incendiárias. Não lembro como foi o retorno de volta em plena madrugada de um domingo considerando que cerca de 27 km distanciavam minha casa do teatro e que pegar um táxi seria uma fortuna (provavelmente, mais caro do que o próprio ingresso que havia pago). Mas cheguei em segurança, com certeza – se não, nem estaria aqui relembrando disso tudo. Nesse aspecto, morar numa quase província haveria de ter as suas vantagens.

Jamiroquai - show completo do Free Jazz Festival  
(10/10/97/SP)


Daniel Rodrigues