segunda-feira, 12 de setembro de 2011
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Pink Floyd - "The Dark Side of the Moon" (1973)
"Na verdade,
não há lado escuro da lua.
De fato, ela é toda negra."
do porteiro do estúdio Abbey Road,
onde a banda gravou o álbum
Uma obra mágica.
Um disco legendário.
Um trabalho genial envolto em lendas, mitos e polêmicas.
Uma brilhante resenha musical sobre o cotidiano e as loucuras da vida moderna: angústia, pressa, dinheiro, comportamento... Tudo traduzido magistralmente em música sob variadas formas e possibilidades.
“The Dark Side of the Moon” de 1973 não é apenas um grande álbum, é um marco na música contemporânea. Não só pelo sucesso alcançado, pela dimensão que assumiu no mundo desde seu lançamento, mas pela influência musical que exerce até hoje, pelas temáticas extremamente atuais e pertinentes, veja-se “Money” ou “Time”, por exemplo; pela ousadia de experimentação, como no caso de “On the Run”; pela qualidade técnica; pela concepção gráfica e estética vanguardista; e por tudo mais, ora bolas!
“Speak to Me”, a vinheta que introduz a obra, antecipa todos os elementos que serão apresentados ao longo da obra, partindo do som da batida de um coração que se mistura a rápidos recortes de cada uma das músicas que se seguirão, numa espécie de trailer musical; e estes pequenos flashes, subitamente, desembocam então em“Breathe”, uma canção leve que, então, majestosamente abre efetivamente o disco.
Sem pausa, na seqüência, vem “On the Run” uma alucinante faixa instrumental eletrônica cheia de ruídos e experimentações de estúdio. “Time” que a segue, começa com seus estridentes sons de relógios, despertadores, campainhas e badalos, dando início a um dos maiores clássicos da banda com aquela entrada inconfundível e marcante na voz de David Gilmour e seu solo espetacular na segunda parte. Aí "Time" desacelera, e com uma passagem, que não é mais que uma breve repetição de “Breathe”, traz consigo a magnífica “The Great Gig in the Sky”, uma base instrumental que sustenta uma improvisação vocal memorável e emocionante da cantora convidada Clare Tory.
Ao som de outra introdução inconfundível, como a de “Time”, mas esta com sons de moedas e caixas registradoras, Roger Waters nos apresenta um blues embalado e bem marcado no baixo e com uma série de variantes interessantíssimas, como acelerações, ênfases, solos de guitarra e saxofone, nesta que é para mim a grande música do álbum: "Money".
Depois vem a longa “Us and Them” com sua melodia lenta e emocional e, assim como na anterior, com um belíssimo solo de saxofone.
A instrumental “Any Colour You Like” é outra bem experimental com sua série de efeitos sobrepostos com guitarras e vice-versa.
A belíssima “Brain Damage”, que carrega em sua carne o nome do disco, começa a encaminhar o final da obra, e praticamente como sua continuação, com uma separação muito sutil, a emocionante “Eclipse” fecha a obra-prima de forma majestosa , inclusive, diz a lenda, com um trechinho de "Ticket to Ride" dos Beatles podendo ser ouvido lá ao fundo, no final, quando o som já está abaixando, depois das batidas de coração... as mesmas que começaram o disco lá em "Speak to Me". E ele brilhantemente acaba como começou, ou começa onde acaba, ou mesmo... não tem fim.
Além da misteriosa "Ticket to Ride" que, oficialmente, teria sobrado de uma fita mal apagada, o que não falta são lendas e estórias a respeito deste disco, tais como as alusões codificadas a Syd Barret em diversas faixas; a afirmação de que a versão CD da época não teria sido copiada das fitas originais e Gilmour indignado teria mandado refazer; ou que os temas das músicas, como dinheiro, tempo, angústia, etc., teriam sido feitos quase aleatoriamente num banheiro; e a mais famosa delas, aquela que supõe haver uma estranha e impressionante sincronia do disco com cenas do filme "O Mágico de Oz". Verdade? Mentira? Concidência? Não interessa. Como se não bastasse a qualidade musical superior, coisas como esta só aumentam a aura mística de uma obra absolutamente magistral como esta. Enfim, um álbum fundamental, senhores.
Um disco legendário.
Uma obra mágica.
Um álbum clássico!
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FAIXAS:
1.Speak to Me
2.Breathe
3.On the Run
4.Time
5.The Great Gig in the Sky
6.Money
7.Us and Them
8.Any Colour You Like
9.Brain Damage
10.Eclipse
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Ouça:
Pink Floyd The Dark Side of the Moon
Cly Reis
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
cotidianas #103 - "Virgem"
Quem disse que eu
Tinha que precisar
As luzes brilham no Vidigal
E não precisam de você
Os dois irmãos
Também não precisam
O Hotel Marina quando acende
Não é por nós dois
Nem lembra o nosso amor
Os inocentes do Leblon
Esses nem sabem de você
O farol da Ilha
Só gira agora
Por
Outros olhos e armadilhas
Outros olhos e armadilhas
Eu disse
Outros olhos e armadilhas
Outros olhos (outros olhos)
E armadilhas
O Hotel Marina quando acende
Não é por nós dois
Nem lembra o nosso amor
Os inocentes do Leblon
Não sabem de você
Nem vão querer saber
E o farol da Ilha
Procura agora
Por outros olhos e armadilhas
Outros olhos e armadilhas
Eu disse outros olhos e armadilhas
Outros olhos (outros olhos)
E armadilhas
As coisas não precisam de você
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"Virgem"
(Marina Lima/ Antonio Cícero)
Ouça:
Marina Lima - "Virgem"
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Philip Glass & Robert Wilson - "Einstein on the Beach" (1976)
“’Einstein [on the Beach]’ parece um estudo de sobrecarga sensorial, o que significa ser tudo e nada ao mesmo tempo.”
Tim Page
Com a vinda do maestro e compositor norte-americano Philip Glass ao Brasil neste mês de setembro, não podia deixar de aproveitar para falar um pouco sobre a inconfundível obra deste revolucionário artista de nosso tempo. Dono de uma música hermética e profundamente instigante que questiona as fronteiras entre arte culta e popular, o ativo Glass vem empilhando ótimos trabalhos desde os anos 70, seja em trilhas para cinema, teatro, ópera, sinfonia, câmara e até música pop. Mas o seu ápice de explosão criativa é a inclassificável e genial “Einstein on the Beach”, de 1976.
Só pelo fato de ter contribuído com a invenção do estilo minimalista para a música Philip Glass já teria seu espaço no Olimpo dos grandes autores da história evolutiva da arte musical. Porém, ele fez mais. Filho da contracultura e admirador de rock, jazz, MPB, entre outros estilos “não-eruditos”, mas permanentemente conectado ao classicismo, Glass criou uma forma única de compor onde, a partir de células sonoras mínimas, gera variações graduais muito bem escritas que vão aos poucos formando uma massa complexa e densa, muitas vezes totalmente diferente daquilo de como começou.
“Einstein on the Beach” é um marco da música do final do século XX. Usando os instrumentos e as vozes de forma cirúrgica, tanto cordas e madeiras tradicionais como sintetizadores próprios da vanguarda, Glass compôs uma obra que não é propriamente uma ópera, nem sinfonia, nem um disco pop. Em quatro atos para orquestra, coro e solistas, “Einstein” é, sim, uma peça extremamente rica que mudou totalmente em forma e linguagem a música para grandes conjuntos. Composto originalmente
para teatro, onde contou com a direção do parceiro Robert Wilson, (que é creditado na capa do disco, embora não tenha contribuição musical efetiva) seu exemplo radical abriu caminho para muito do que se tornou comum hoje em diversas áreas, como teatro, cinema, publicidade, televisão, entre outros.
para teatro, onde contou com a direção do parceiro Robert Wilson, (que é creditado na capa do disco, embora não tenha contribuição musical efetiva) seu exemplo radical abriu caminho para muito do que se tornou comum hoje em diversas áreas, como teatro, cinema, publicidade, televisão, entre outros.
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| Glass, à esq. com o parceiro, Robert Wilson |
Como dá para supor, a obra flerta com o nonsense. A frase do título foi extraída de ‘Einstein on the beach on Wall Street’, uma das diversas sentenças sem significado lógico ditas pelo seu “co-autor”, Christopher Knowles, um autista que “canta” em algumas das 20 peças que a perfazem. Glass, confesso admirador do punk rock (aliás, ele foi integrante e produtor de uma excelente banda pós-punk, a Polyrock), usou a voz solo de Knowles salpicando palavras soltas na faixa “’Mr. Bojangles’”, lembrando muito o vocal esganiçado de Johnny Rotten dos Sex Pistols . Contemporâneo ao movimento punk, “Einstein” traz essa verve radical não só neste aspecto como nas próprias estruturas melódicas, que exploram bastante as repetições e a simplicidade composicional, igual aos riffs de guitarra do punk. Em sentido inverso, a influência do estilo de Glass também pode ser percebida fortemente em alguns artistas do rock, como Cocteau Twins, Laurie Anderson e Diamanda Galas.
Apesar do pé no pop, o legal é que a música de Glass nunca se desvincula da tradição erudita. Estão lá, preservados, Bach, Palestrina, Beethoven, Rossini. As melodias de voz (por vezes, o centro do tema, como em “Knee 3” e “Night Train”), ora se valem de modernos mezzo-sopranos e mezzo-barítonos, ora remetem diretamente ao uníssono homofônico do canto gregoriano medievo, como na base coral que sustenta a falação fora de compasso (e de senso) de Knowles em “’Mr. Bojangles’” ou na linda “Knee 4”, cuja letra resume-se a um metalinguístico “dó re mi fa sol”. Há ainda as hipnóticas “Dance 1” e “Building”, em que os teclados eletrônicos conflitam com as vozes e os outros instrumentos; as delicadas “Entrance” e “Knee 5”; ou a impressionista “Train 1”, que coloca o ouvinte a bordo de um trem de notas metafísicas.
Extenso, “Einstein on the Beach” tem aproximadamente 3 horas e 10 minutos de duração sem interrupção entre as partes, interligadas pelos cinco “knees” (“joelhos” que, literalmente, ligam uma articulação à outra). A obra é, de fato, feita para ser sorvida do início ao fim, pois guarda a unidade temática própria da ópera, como na proposital repetição de motivos em mais de uma faixa. O coro contando números de “Knee 1” e “Knee 2”, que aparece novamente em “’Prematurely Air-Conditioned Supermarket’” e, lá no final, em “Knee 5”, mostram isso claramente.
No teatro, a estrutura musical de “Einstein” está completamente entrelaçada com a ação dos atores e a iluminação. No entanto, como toda boa “ópera”, ela não precisa necessariamente do palco para existir. A forte cena clímax, em “Spaceship”, é um ótimo exemplo: somente em sons, “descreve” o holocausto nuclear: linhas vocais pulsantes, explosão de instrumentos amplificados e notas repetitivas de um coro histérico cantando rápida e freneticamente, num reflexo das tensões fin-de-siècle. Assim, a peça de Glass sugere uma outra ideia mais abrangente: se em formato “Einstein” subverte a tradição clássica por não contar uma história trágica, elemento básico da ópera, em contrapartida, levanta um sério questionamento: há tragédia maior do que os tempos atuais? Para traduzi-los, só mesmo com uma narrativa sem trama e ruídos musicados que transmitam loucura e ilógica através de sensações extremas. Tudo e nada. Afinal, quer imagem mais surreal do que Albert Einstein tomando sol numa praia em Wall Street após o fim do mundo?
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FAIXAS:
- KNEE 1 (8:04)
- TRAIN 1 (21:25)
TRIAL 1:
- Entrance (5:42)
- "Mr. Bojangles" (16:29)
- "All Men Are Equal" (4:30)
- KNEE 2 (6:07)
- DANCE 1 (15:53)
- NIGHT TRAIN (20:09)
- KNEE 3 (6:30)
TRIAL 2/ PRISON:
- "Prematurely Air-Conditioned Supermarket" (12:17)
- Ensemble (6:38)
- "I Feel The Earth Move" (4:09)
- DANCE 2 (19:58)
- KNEE 4 (7:05)
- BUILDING (10:21)
BED:
- Cadenza (1:53)
- Prelude (4:23)
- Aria (8:12)
- SPACESHIP (12:51)
- KNEE 5 (8:04)
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Ouça:segunda-feira, 5 de setembro de 2011
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
cotidinas #102- "Dívidas"
Descendo ladeira abaixo
Uma grande correria
Só pra ver se não perdia
A primeira condução
Esqueceu de resgatar
Uma grana que devia
A um tal de Oliveira, marido da Conceição
Foi receber o dinheiro
Só encontrando a inocência
Deu início a discussão
Disse tudo que devia
Sem medir as consequências
Num bate boca danado
Diante do barracão
Quando ele voltou depois das seis, se aborreceu
Sabendo do "aperto" que a mulher atravessou
E muito magoado, saiu sem dizer nada
Achando que Oliveira esquecera da amizade
E a tudo a bem dizer, por uma nota de dez
Que o outro bem podia dispensar
Mas era fim de mês, e na quitando do Garcês
O Oliveira, precisava se explicar
E foi assim, que a demanda começou
Não aceitaram, argumentos de ninguém
Naquela noite, todo morro lamentou
Eu era menino, mas me lembro muito bem.
Descendo ladeira abaixo
...
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"Dívidas"
(Paulinho da Viola/ Elton Medeiros)
(Paulinho da Viola/ Elton Medeiros)
Ouça:
Paulinho da Viola - "Dívidas"
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
cotidianas #101 - Aposta

Apertou o botão. Desce. Aquela hora o elevador vinha rápido. Sabia que ia encontrar ali o João, colega de tantos anos. Gente boa o João.
Chegou. A porta automática se abriu e um longo elevador metálico se apresentava à sua frente.
- Desce?
- Tu sabe que desce, ô, seu fidaputa - respondeu gracejando e fingindo irritação.
- Então entra duma vez que eu não tenho a noite toda, ô, corninho - retrucou oascensorista no mesmo tom bem-humorado de mau gosto.
Todos os dias era aquela troca de 'gentilezas' características de homens que, talvez para evitar algum sinal de sensibilidade, preferiam ofender-se carinhosa e mutuamente ao invés de demonstrar o afeto que tinham um pelo outro construído ao longo de todo aquele tempo de convivência no trabalho.
- E aí, foi o último, Zé? - quis saber o ascensorista entre um bocejo.
- Se não me aparecer mais ninguém pelos próximos... - parou para olhar o relógio - dez minutos, foi.
- E então, o que que foi o último 'carreto'? - inquiriu agora interessado o ascensorista.
- Me deve cinquenta.
- De novo?
- Haha! - riu zombeteiro o maqueiro José.
- Mas não é possível... Tu deve de saber a informação antes - disse sacando o pagamento do bolso - Toma aí - sentando o dinheiro com força na mão do outro.
- Hehe! - riu-se novamente com gosto o maqueiro enquanto o elevador chegava ao seu andar - Eu só fico sabendo lá na hora. Não tem trampa, não tem trambique.
- Vai lá safado - ordenou o João com falso transtorno - Vai com Deus. Bom descanso - desejou abandonando o falso tom beligerante e adotando um fraternal.
Mas no momento em que empurrava a maca para fora do elevador, o alto-falante o desapontava com um chamado: "maqueiro José, comparecer ao quarto 811 e levar a paciente à Sala de Parto nº 4, com urgência."
- Ih!
- Sobe? - presumiu obviamente o amigo.
- É, sobe, né... - disse resignado o Zé, recuando com a maca para dentro do elevador - Vou aproveitar pra te tirar mais um trocado, então.
- Agora não. Dessa vez eu ganho.
- Que que vai ser então?
- Pra mim vai ser menino - afirmou o ascensorista com a convicção de ganhador.
- Eu vou continuar nas menina.
- Cinquenta centavos, de novo?
- Cinquenta centavos.
- Oitavo andar. Chegamos. Vai lá, ô, corninho.
- Té depois. Volto aqui pra tu me pagar - ainda disse o maqueiro enquanto saía do elevador já empurrando a maca corredor afora para mais um carreto.
Cly Reis
E não é que deu certo? Primal Scream no Rio
Por conta de uma bela mobilização popular dos fãs, que literalmente, bancaram a parada, o Primal Scream que só teria shows em POA e Sampa, virá mesmo ao Rio.A data confirmada é 23 de setembro e o showzaço com a execução integral do glorioso "Screamadelica" ocorrerá no Circo Voador.
Bom, pra quem ia a Porto Alegre assitir, agora fico por aqui.
We're gonna have a good time, we're gonna have a party.
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primal scream no rio
local: Circo Voador
Rua dos Arcos, s/nº, Lapa - Ro de Janeiro
ingressos com e-flyer, um kg de alimento ou para clientes TIM sai por R$120,00 e podem ser adquiridos no local, de 3º a 6º feira das 12h às 19h ou no dia do show até 1h antes.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
domingo, 28 de agosto de 2011
Prince - "Sign O' the Times" (1987)
"Sinal dos Tempos"
Sou assumidamente do time dos que preferem Prince a Michael Jackson . Já ouvi de alguns que a comparação é sem fundamento e que são coisas diferentes, mas só não enxerga quem não quer que trata-se absolutamente da mesma matéria só que com roupagens diferentes. Ao passo que Michael aproximou muito seu trabalho do grande público, criou uma imagem pública forte e coreografias impressionantes a ponto de ser coroado o Rei do Pop, Prince, muito mais MÚSICO que o ele mas que não dança lá tão bem assim, explorava a cada disco todas as possibilidades que a música negra lhe concedia e fazia isso sozinho (literalmente), enquanto, Michael, admitamos, provavelmente nunca teria deixado de ser apenas o caçula dos Jackson 5 se não fosse o verdadeiro gênio Quincy Jones lhe mostrar os caminhos.
Prince já que aparecera como uma das grandes promessas da música pop no final dos anos 70 vinha evoluindo com seu trabalho e a cada disco mostrava-se mais competente. Já havia nos apresentado o ótimo "1999", o bom "Parade",a consagrada trilha de "Purple Rain" e agora, com "Sign O' the Times" de 1987, parecia que chegava a uma espécie de auge profissional com um disco que explorava a black-music praticamente de cabo a rabo e com todas as possibilidades e técnicas possíveis até então. Prince então concebia o disco, compunha-o todo, arranjava-o, produzia e tocava todos os instrumentos de uma obra que levava sua assinatura integralmente.
A genial faixa-título que abre o disco construída (ou descontruída) a partir de uma base eletrônica e vocal rap é absolutamente moderna e minimalista em sua composição com uma letra inteligente e irônica.
"Housequake", com sua bateria alta e pesada, é um funkão daqueles dignos dos mestres do gênero; e em "The Ballad of Dorothy Parker" Prince desfila um vocal primoroso sobre uma base de percussão eletrônica extremamente bem composta.
A ótima "It", também minimalista, com sua batida invariável e contínua, com teclados e efeitos pontuais, é sexy, luxuriante e... fora de série. "Starfish and Cofee", um gospel simplezinho, é bem música negra americana de rua, daquelas de cantar em grupo na esquina ao lado de um tonel com fogo, sabe? Já "Slow Love" uma balada apaixonante, e uma das minhas preferidas, faz bem o estilo soul-man romântico dos anos 50 com um vocal 'derretido' do baixinho e um recheio muito legal de metais.
Até nas aparentemente simples como "Hot Thing", outro funkão foda, com sua estrutura básica porém cheia de variações e inserções de elementos ou na interessante "Forever in My Life" que é só vocal (e que vocal) sobre uma base rigorosamente repetida, sempre aparece nitidamente a qualidade superior do trabalho.
Pra não dizer que tudo é assim espetacular, músicas como "Play in the Sunshine", "U Got the Look", "Strange Realtionship", "I Could Nevet Take..." não passm de boas canções pop, mas ainda assim cheias de soul, de funk, de rythm'n blues e muito melhores do que a maioria das 'canções pop' que rolam por aí.
Ainda deve-se destacar a crescente "The Cross", talvez a mais rock do disco, com o melhor da guitarra de Prince; a verdadeira 'festa' que é "It's Gonna Be a Beautifull Night", um funk longo carregado e cheio de embalo, tirado de uma gravação ao vivo; e a lentinha adorável "Adore" que faz as honras de despedida do álbum.
Disco pra se ficar boquiaberto da primeira à última. Impecável em cada detalhe. Prince chegara possivelmente a um álbum perfeito. Ele amadurecera, progredira, evoluíra. Era o sinal dos tempos! E eles anunciavam Prince como o verdadeiro gênio da música pop negra americana.
FAIXAS:
01. Sign O’ The Times
02. Play In The Sunshine
03. Housequake
04. The Ballad Of Dorothy Parker
05. It
06. Starfish And Coffee
07. Slow Love
08. Hot Thing
09. Forever In My Life
10. U Got The Look
11. If I Was Your Girlfriend
12. Strange Relationship
13. I Could Never Take The Place Of Your Man
14. The Cross
15. It’s Gonna Be A Beautiful Night
16. Adore
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Baixe e ouça:
Prince Sign O the Times
sábado, 27 de agosto de 2011
Prince furou!
![]() |
| Que feio, Prince! Certamente deixando muitos fãs roxos de raiva |
Soube ontem e fiquei extremamente surpreso. Lamentável. Simplesmente acabou com o Festival. Não que não tenha boas atrações, mas convenhamos que um PRINCE, é de outro nível. E o pior de tudo é que não deu nem satisfação alguma sobre o motivo. Muita filhadaputice, hein! Tão em cima da hora e sem explicações.O resultado, certamente será um bocado de decepção por parte dos fãs e um certo prejuízo aos organizadores. Com a desistência, a grande atração passa a ser a americana Macy Gray que agora, mais do que nunca, vai ter que se virar para segurar a peteca.
Prince com essa, cai um pouco no meu conceito no que diz respeito a caráter, mas ainda goza plenamente dele como músico. Um dos grandes gênios da música dos últimos tempos pena que faça dessas.
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O Festival Back2Black acontece na estação Leopoldina, aqui no Rio e hoje tem:
no palco Oi Estação
Oumou Sangaré e Chaka Kahn;
no Palco Grande
(substituindo Prince)
Jorge Benjor;
no Palco Circo
Eduardo Christoph com Diogo Reis, e Badenov;
e no palco Petrobrás
Moreno Veloso com Domenico
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
COTIDIANAS ESPECIAL nº100 - O Galho da Goiabeira
Uma vez ouvi de minha mãe esta história sobre uma amiga dela. Uma vez, não, minto: umas três ou quatro. Mas a primeira foi a que valeu mesmo; as outras apenas reafirmaram e adensaram meu assombro por aquele triste causo da pequena Odete, ocorrido há bastante tempo, lá para fora, bandas do interior, zona rural. E essa estreia foi tão marcante aos meus ouvidos que justifica, no agora, este meu depoimento.
Além de Odete, a outra personagem desse conto é sua arborizada e generosa amiga goiabeira. Não lhe dedicaram nenhum nome. Era apenas “a árvore”, porém parecia assim gostar de ser chamada. Mas amiga é modo de dizer: a árvore era simplesmente a MELHOR amiga de Odete nos tempos de criança, ali pelos seus oito, nove anos. Tão querida que recebia de galhos abertos a ela e a turma toda de irmãos e coleguinhas nos ensolarados e gelados finais de tarde da Campanha. Saíam da aula e tinham rumo certo. Empoleiravam-se com aquela agilidade feliz de criança, e mal se acomodavam nos galhos e já iam sacando as frutas. Comiam que dava gosto de ver em meio àquela gritaria aguda e sorridente de gurizada faceira.
Acontece que a amiga árvore morava no terreno agramadado ao lado da casa de Odete, onde, por sua vez, morava a mãe de Odete. Pessoa sisuda mas boa, no fundo; criava com responsabilidade os filhos, valorizava para os pequenos o estudo que não teve, mantinha-os sadios e bem apresentados. Mas era sofrida. Carregava no rosto gravada a feição fechada pela infância judiada e pela maturidade castigada. Mãe solteira, quatro filhos, vida simples e difícil, mesa escassa, muita lida pesada. De vez em quando, aplicava alguma surra ou castigo aos filhos. E mãe e filha – esta, muito afeita ao falecido pai – sempre foram afastadas. Coisa de gênio, que não se explica. Às vezes, pareciam até duas desconhecidas. Contudo ainda mãe e filha, sanguínea e inevitavelmente ligadas. E essa distância perdurou nos corações de ambas até a morte da mãe, quando Odete, já adulta, cuidou dela até seus últimos dias, deitada numa cama, velhinha, minguada pela doença, frágil como um graveto ressecado e quebradiço.
A mãe decididamente não gostava daquela algazarra da meninada. O peito amargo não lhe permitia, por mais que tentasse consigo mesma. Dizia que lhe irritavam os gritos estridentes e as gargalhadas altas da trupezinha, mas, na verdade, o que lhe perturbava a manifestação de alegria. Vira e mexe terminava a comilança de goiabas aos berros, prometendo que um dia iria acabar de vez com aquilo. Ralhava, mandando Odete e os irmãos entrarem para casa e correndo os amiguinhos dali. Saíam de orelha baixa igual a cusco, todos com os focinhos melados da fruta doce.
Mas o bom coração de criança esquece rápido, e no dia seguinte, como se não tivessem recebido xingão nenhum, a trupe voltava a trepar na paciente amiga. Começavam mais silenciosos, para não fazer alarde, mas logo se empolgavam e recomeçava a festa. Cada um tinha o seu galho, e Odete adorava o seu. Dava-lhe a impressão que estava sendo abraçada de tão gostosa que era aquela sensação. Ali era seu paraíso. Aliás, não só a pequena Odete e seus parceiros adoravam aquilo: a própria árvore parecia comemorar junto, dia após dia carregada de frutos. Eles a limpavam os galhos e, no dia seguinte, lá estava ela, orgulhosa, abarrotada de goiabas por todos os ramos.
****
Aquela tarde estava tão fria e nublada! Mas não chovia. A luz uniforme do céu cobria tudo de cinza. Sem terem recebido reprimenda no dia anterior, a programação era correr para a goiabeira e tomar cada um o seu galho favorito. Aula terminada, lá foi a turminha. Odete, dona da casa, chegou na frente dos outros e lá estava o seu querido galho. No chão. Ele e seus companheiros de copa, todos: no chão. O tronco, igualmente, amassava com sua grossura o gramado graúdo do entorno, só restando um chumaço grudado à terra pela raiz, como se tivesse sido rasgado. Um moço passou por ali e, a pedido da mãe, em troca de farinha e leite fresco, tombou sem muita dificuldade a goiabeira com um facão afiado, galho a galho. Odete reconheceu o seu, mesmo não estando na altura de sua cabeça onde geralmente se encontrava. Sua forma retorcida, que antes parecia ser animada e sorridente, agora dava a impressão de, mesmo sem movimento, contorcer-se numa agonia grosseira.
Ninguém falou nada. Todos baixaram os olhinhos molhados, misto de espanto e tristeza, de confusão e medo, de ódio e culpa. Passou pela cabeça de Odete, por um momento, a imagem da amiga sendo golpeada. Pensou na dor que ela sentira a cada baque da fria e enferrujada lâmina, e fechou os olhos com horror.
Sem se entreolharem, todos engoliram o choro e deram meia-volta, e naquele fim de tarde não teve algazarra, não teve comilança, nem gritos agudos ou boca lambuzada. A janta da noite foi uma sopa, tão quente quanto silenciosa e melancólica.
****
Odete hoje é avó, mas ainda lhe arrepia pensar naquele episódio. Sentimento esquisito, doído. Desconfortável, no mínimo. Menos por amargura do que por nunca ter compreendido de fato o ato da mãe de lhe arrancar para sempre e com tamanha violência aquela amizade. A dúvida permanece desde aquele remoto passado, mas Odete hoje sabe que tem coisas que a gente se mantém criança para o resto da vida. E de que nem todo tem explicação. Às vezes, as dúvidas não se extinguem e, ironicamente, servem justamente para dar certeza a outras coisas. A Odete, a de que vale a pena ser uma mãe dedicada e uma avó afetuosa, e de que o aconchego que sentia no poleiro daquele galho da infância pode muito bem ser reproduzido de várias outras formas a quem se ama nesta vida.
Ah! Minha mãe comentou que dona Odete ainda adora goiaba. Encanta-lhe a acidez da casca esverdeada ainda por amadurecer e aquela cremosidade da polpa vermelho-pele. Uma delícia.
Daniel Rodrigues
terça-feira, 23 de agosto de 2011
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
domingo, 21 de agosto de 2011
Stravinsky/Debussy/Ravel/Toyama– Concertos OSPA – Teatro Dante Barone – Porto Alegre/RS (16/08/2011)
Nunca tinha visto uma orquestra fazer bis. Pois na noite de 16 de agosto, no Teatro Dante Barone, da Assembleia Legislativa do RS, presenciei isso. Foi no 15° Concerto da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa) – Temporada 2011, desta vez sob a ótima regência do maestro japonês Kiyotaka Teraoka, oficial da Orquestra Sinfônica de Osaka.Em junho, já tinha assistido a outro concerto da Ospa, em homenagem Sergei Rachmaninoff. Muito bom. Mas este foi magnífico. A começar pela primeira peça: o balé “Petrouchka”, do genial maestro e compositor russo naturalizado francês Igor Stravinsky (1882-1971), que eu já adorava e tinha a maior vontade de ouvir ao vivo pela primeira vez. E as minhas expectativas foram totalmente atendidas. “Petrouchka” conta a história de um fantoche tradicional russo feito da palha e um saco de serragem como corpo que acaba por tomar vida e ter a capacidade amar. Como a outra grande obra de Stravinsky, o marco “A Sagração da Primavera” (1913), “Petrouchka”, feita entre 1910 e 1911, é absolutamente revolucionária, sendo uma das maiores responsáveis por mudar a cara da música universal no último século.
A peça de Stravinsky inova em estrutura rítmica, orquestração, timbrística, forma, harmonia, uso de dissonâncias. Uma obra complexa e moderníssima que valoriza, particularmente, a percussão acima da harmonia e da melodia, algo nunca visto antes na música erudita. Influenciou largamente trilhas para cinema, a se perceber, por exemplo, uma clara referência em dois históricos temas: a do hitchcockiano “Psicose”, “hino” do suspense composto por Bernard Herrmann, com seus gritos agudos de violino, e a de “Tubarão”, de John Williams para o thriller de Spielberg, com aquela inesquecível levada minimalista de cellos em duas notas, repetem trechos de “Petrouchka” de forma quase idêntica.
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| Kiyotaka Teraoka regeu com brilhantismo as peças de Stravisky, Ravel e Debussy e ainda proporcionou um emocionante e surpreendente bis. |
Na segunda parte do concerto, seguiram a bela “Petite Suite”, do impressionista Claude Debussy (1862-1918), e “Pavanne pour un Enfante Défunte”, de Maurice Ravel (1875-1937), que, mais do que a de Debussy para com sua grande obra (“Prélude à L’Apres-Mid d’un Faune”), nem chega perto da genialidade de seu “Bolero”, esta, sim, um verdadeiro patrimônio da humanidade.
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| Maestro Yuzo Toyama: lenda viva em seu país. |
O maestro Teraoka, claramente afeito à obra do conterrâneo, colocou o coração na batuta e regeu com emoção extra, o que contagiou orquestra e plateia. Satisfeito, voltei louco para rever um bom Kurosawa e conhecer mais a obra do agora admirado Toyama.
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Rhapsody for Orchestra
por Daniel Rodrigues
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