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terça-feira, 9 de março de 2010

Os Causo de Dois Morro - O saculejo de terra

Tô lendo nas gazeta e nos periódico aí que tem tido uns tremimento de terra acontecendo. Como é que se diz, mesmo? Terremoto, não é?

Faço poco dessas mexidinha de chão! Grande mesmo foi a tremida que deu em Dois Morro em 1345. Ah, aquilo é que foi saculejo! Foi mais ou menos uns 15 degrau na escala Herbert-Richards, e olha que só ia até 6 naquela época.
O remelexo foi tão grande, mas tão grande que depois que passô, nos otros dia, os leite das vaca já saio milk-shake, os ovo das galinha já saío com clara-em-neve e gemada, e os pêlo das oveia até viraro blusão de lã.
É! Procês tere uma idéia, o praneta Terra só ficô assim, viradinho meio que pro lado, porcausa da tremeção de 1345.
Foi um susto gerar: as pessôa achavo que o mundo ia se escabaçá. Teve suicídio, genocídio, morticídio e Seu Dulcídio por causa do fenônimo.
E o peor de tudo isso porcausa duma coisinha boba. O que se deu-se foi que o Coroné Neoponciano sortô a boiada dele e a bicharada saiu correndo portera afora pelo pasto. aAí que fez aquele barulhão todo, aquela tremeção e o pessoar se assutô. Vê se pode uma cousa dessa! O Coroné tinha era mutcha cabeça de gado, mesmo, hem!

postado por Chico Lorotta

segunda-feira, 8 de março de 2010

Oscar 2010 - Premiados





E "Guerra ao Terror" levou o melhor filme.
E levou melhor direção! Pela primeira vez uma mulher. (será que não teve um pouco de média pelo fato da cerimônia ser na véspera do Dia Internacional da Mulher?)
A vitória do longa de Kethrin Bigelow não chegou a ser uma zebra mas me surpreendeu um pouco por causa do tamanho do investimento, repercussão e inovações técnicas de "Avatar". Achei que a Academia fosse exatamente premiar o que faz da indústria cinematográfica o grande negócio que é. Mas, isso é lá com eles.
No mais, sem grandes surpresas na minha opinião nas demais categorias.
Achei legal Sandra Bullock ter levado o sua primeira estatueta; lamentei um pouco por "A Fita Branca" não ter ganho filme estrangeiro mas acredito que tenha ficado em boas mãos com "O segredo dos seus olhos" (que deve ser meu próximo programa cinematográfico); e achei justíssimo o prêmio para Christoph Waltz como coadjuvante de "Bastardos Inglórios", filme que eu gostaria que tivesse ganho mais, mas que sabemos, não faz o tipo da Academia.


Veja abaixo a lista dos vencedores:



Melhor filme: "Guerra ao terror"



Melhor direção: Kathryn Bigelow, “Guerra ao terror”


Melhor atriz: Sandra Bullock, "Um sonho possível"


Melhor ator: Jeff Bridges, “Coração louco”


Melhor filme estrangeiro: “O segredo dos seus olhos” (Argentina)


Melhor edição (montagem): “Guerra ao terror”


Melhor documentário: “The cove”


Melhores efeitos visuais: “Avatar”


Melhor trilha sonora: “Up – Altas aventuras”


Melhor fotografia: “Avatar”


Melhor mixagem de som: “Guerra ao terror”


Melhor edição de som: “Guerra ao terror”


Melhor figurino: “The young Victoria”


Melhor direção de arte: “Avatar”


Melhor atriz coadjuvante: Mo’Nique, “Preciosa”


Melhor roteiro adaptado: “Preciosa”


Melhor maquiagem: “Star trek”


Melhor curta-metragem: “The new tenants”


Melhor documentário em curta-metragem: “Music by Prudence”


Melhor curta-metragem de animação: “Logorama”


Melhor roteiro original: “Guerra ao terror”


Melhor canção: “The weary kind”, de “Coração louco"


Melhor animação: “Up – Altas aventuras”


Melhor ator coadjuvante: Christoph Waltz, “Bastardos inglórios”

domingo, 7 de março de 2010

Oscar 2010



Rola hoje à noite em Los Angeles a cerimônia do Oscar. Fora alguma grande zebra, "Avatar" leva os prêmios principais e também os técnicos. Na verdade não vi o filme mas sabemos que a academia gosta desse tipo de suprprodução, grande apelo, grandes bilheterias e tal. O que impulsiona a indústria, mesmo.
De resto torço pelo máximo possível de estatuetas para Tarantino e sua turma, com o bom "Bastardos Inglórios", indicado em 8 catergorias, incluindo filme e diretor. Particularmente, como já havia dito, acharei merecidíssimo se Christoph Waltz levar o prêmio de coadjuvante pelo seu papel de Cel. Landa.
Também gostei demais da atuação de Carey Mulligham em "Educação" apesar de saber do brilhante papel que faz Gabourey Sidiba em "Preciosa", que pode ser surpresa também  em outras categorias.
Queria ter visto antes da premiação "O Segredo de Seus Olhos",mas da categoria Filme Estrangeiro, só vi mesmo "A Fita Branca" que me deixou ótima impressão, mas que acho que não leva a de filme, mas seria justíssimo se ganahasse fotografia.
Novidade também este ano é o fato de termos 10 indicados na categoria melhor filme. Acho que desqualifica um pouco - tem anos que mal se arranja 5 pra competir -, mas vá lá.
Veja abaixo as listas dos incdicados em todas as categorias:

Melhor Filme

Avatar
Um Sonho Possível
Distrito 9
Educação
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios
Preciosa - Uma História de Esperança 
Um Homem Sério 
Up - Altas Aventuras 
Amor Sem Escalas 

Melhor Diretor

James Cameron - Avatar 
Kathryn Bigelow - Guerra ao Terror 
Quentin Tarantino - Bastardos Inglórios
Lee Daniels - Preciosa - Uma História de Esperança
Jason Reitman - Amor Sem Escalas 

Melhor Ator

Jeff Bridges - Coração Louco 
George Clooney - Amor Sem Escalas 
Colin Firth - Direito de Amar 
Morgan Freeman - Invictus 
Jeremy Renner - Guerra ao Terror 

Ator Coadjuvante

Matt Damon - Invictus 
Woody Harrelson - O Mensageiro 
Christopher Plummer - The Last Station
Stanley Tucci - Um Olhar do Paraíso 
Christoph Waltz - Bastardos Inglórios

Melhor Atriz

Sandra Bullock - Um Sonho Possível 
Helen Mirren - The Last Station 
Carey Mulligan - Educação
Gabourey Sidibe - Preciosa - Uma História de Esperança 
Meryl Streep - Julie e Julia 

Melhor Atriz Coadjuvante

Penelope Cruz - Nine 
Vera Farmiga - Amor Sem Escalas 
Maggie Gyllenhaal - Coração Louco 
Anna Kendrick - Amor Sem Escalas
Mo'Nique - Preciosa - Uma História de Esperança

Melhor Roteiro Adaptado

Distrito 9 
Educação
In The Loop 
Preciosa - Uma História de Esperança 
Amor Sem Escalas

Melhor Roteiro Original

Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios
O Mensageiro 
Um Homem Sério 
Up - Altas Aventuras 

Melhor Animação Longa-Metragem

Coraline 
O Fantástico Sr. Raposo 
A Princesa e o Sapo 
The Secret of Kells 
Up - Altas Aventuras 

Melhor Animação Curta-Metragem

French Roast 
Granny O´Grimn´s Sleeping Beauty 
The Lady and the Reaper (La Dama e la Muerte) 
Logorama 
A Matter of Loaf and Death 

Melhor Filme Estrangeiro

Ajami (Israel)
O Segredo dos Seus Olhos (Argentina )
O Leite da Amargura (Peru )
O Profeta (França )
A Fita Branca (Alemanha )

Melhor Documentário Longa-Metragem

Burma Vj 
The Cove 
Food Inc. 
The Most Dangerous Man In America: Daniel Ellsberg and the Pentagon Papers
Which Way Home 

Melhor Documentário Curta-Metragem

Province
The Last Campaign of Governos Booth Gardner 
The Last Truck: Closing of a GM Plant 
Music by Prudence
Rabbit à la Berlin 

Melhor Curta-Metragem

The Door 
Instead of Abracadabra 
Kavi 
Miracle Fish 
The New Tenants 

Melhor Direção de Arte

Avatar
O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus 
Nine 
Sherlock Holmes
The Young Victoria 

Melhor Fotografia

Avatar 
Harry Potter e o Enigma do Príncipe 
Guerra ao Terror 
Bastardos Inglórios
A Fita Branca

Melhor Figurino

Brilho de Uma Paixão 
Coco Antes de Chanel 
O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus 
Nine 
The Young Victoria 

Melhor Montagem

Avatar
Distrito 9 
Guerra ao Terror 
Bastardos Inglórios
Preciosa - Uma História de Esperança

Melhor Trilha Sonora Original

Avatar 
O Fantástico Sr. Raposo
Guerra ao Terror 
Sherlock Holmes 
Up - Altas Aventuras

Melhor Canção Original

"Almost There" - A Princesa e o Sapo 
"Down in New Orleans" - A Princesa e o Sapo 
"Loin De Paname" - Paris 36 
"Take it All" - Nine 
"The Weary Kind" - Coração Louco 

Melhor Edição de Som

Avatar
Guerra ao Terror 
Bastardos Inglórios
Star Trek 
Up - Altas Aventuras 

Melhor Mixagem de Som

Avatar 
Guerra ao Terror 
Bastardos Inglórios
Star Trek 
Transformers: A Vingança dos Derrotados 

Melhores Efeitos Especiais

Avatar
Distrito 9 
Star Trek 

Melhor Maquiagem

Il Divo
Star Trek
The Young Victoria


A cerimônia comandada por Steve Martin e Alec Baldwin, começa às 22h (horário de Brasília).
Globo e TNT transmitem para o Brasil.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Cotidianas #19 - A Andréia, a Andréia, a Andréia...



A bola, rebatida no zagueiro, sobra limpa para ele. Ali, na frente do gol, só ele e o goleiro. Prepara o chute. Naquele átimo, naquela fração de segundo; o goleiro ali, esperando por ele; um tropel de pensamentos inundou sua mente – Andréia, a casa, o filho, Andréia, a separação, aquele cara, Andréia, aquele cara . E antes de soltar a perna no chute fatal ainda pensou “esse é pra ti, desgraçada”.

Enquadrou o corpo pra tirar do goleiro e deu na bola. Só teve tempo de ver a branqunha se perder no horizonte acima do travessão antes de ouvir o muxoxo e a lamentação geral. Levou as mãos à cabeça e ficou ali parado, perto da marca do pênalti, como se esperasse que a bola pingasse novamente para ele tão fácil como aquela. Ou que o diretor de TV da emissora que transmitia o jogo desse um “retroceder”, a jogada voltasse e ele tivesse a chance novamente. Ou que acordasse na manhã do jogo e aquele sonho tivesse servido de aviso para bater rasteiro. Ou... Não! Nada disso. Errara na cara do gol. Em outros tempos nunca que erraria um gol daqueles.

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-Vamos falar, aqui, com o Maicon. E aí, Maicon, e aquele lance, hein? Podia ter sido o gol do título. Quando a fase não tá boa a bola não entra, mesmo...

- É, a bola caiu ali pra mim, mas eu tive a infelicidade de pegar um pouco embaixo demais e a bola subiu. Fazer o quê? Agora é continuar trabalhando com a mesma seriedade, com muita garra pra buscar o título no ano que vem. Eu queria pedir desculpas pra torcida. Eu sei que eu podia ter decidido o jogo, eles podia tá comemorando o título agora, mas aconteceu; eu também tô muito chateado; mas eles tem que compreender que todo mundo é humano e quem tá ali dentro tá sujeito a errar.

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A torcida nunca perdoou o Maicon por ter perdido aquele gol na decisão, nem a ausência de gols que se deu a partir daquele dia. Antes do jogo já fazia cinco jogos que não balançava as redes, mas depois daquilo, então, ficou mais doze sem marcar. Inaceitável para um centroavante.

Acabou saindo do clube. Rodou alguns times grandes sem muito sucesso e hoje joga num time da segunda divisão do estado. Também já não exibe a mesma forma física e já não faz tantos gols quanto antes.
A Andréia casou de novo.

quinta-feira, 4 de março de 2010

"Educação", de Lone Scherfig (2009)


Fui, no último sábado, ao cinema assistir a Educação”, dirigido pela dinamarquesa Lone Scherfig, mesmo sem muita empolgação inicial, valendo mais pela curiosidade, mesmo.
Ele confirmou a minha expectativa. Programinha bom, filme legal mas nada, assim, pra ir pra casa impressionado ou pra recomendar fervorosamente aos amigos. Bom filme.
O lance todo é que uma adolescente inglesa estudiosa, inteligente, sagaz, com ambições de cursar Oxford, acaba se envolvendo com um homem mais velho e aí a vida dela cheia de rotinas e assuntos curriculares estudantis, ganha o incremento de novas experiências, que quisesse ou não, de uma forma ou de outra, contribuiriam para sua educação. Uma outra educação. Diferente do que os livros, os pais e a escola propunham.
Essa coisa toda de garota com um coroa conquistador, sacana e tal, a gente já tá cansado de ver em outros filmes, e isso meio que desmerece um pouco o argumento, o bacana,e sustentado por uma ótima atuação de Carey Mulligham, é a sede de conhecer da garota, a volúpia dela por vida, e sua fascinação e receptividade que cada coisa nova traz a ela. Esta sede de conhecer, que pode parecer uma coisa banal e fútil, não se aplica apenas aos prazeres mundanos até então desconhecidos por ela apresentados pelo homem e pelo casal com quem saem; mas vale também para CONHECIMENTO, pois, mesmo em dado momento abalada nos seus objetivos acadêmicos, não deixa de desfilar cultura mesmo nestes encontros e diante de pessoas mais vividas e assimilar sempre mais com estas novas experiências.
As cenas de festas, bares, curtições dos casais, me lembraram um pouco esteticamente, os filmes da Nouvelle-Vague, principalmente “Jules et Jim”. Aquela coisa solta, despreocupada, típica dos bon-vivents franceses dos anos 50. Acredito que a referência tenha sido proposital, até por causa do gosto da menina pelo idioma francês, utilizado charmosamente por ela em diversas ocasiões, e pela vontade dela de conhecer e viver em Paris, símbolo de arte e bom gosto da época.
Chama a atenção negativamente as tamanhas ingenuidades, tanto da família quanto da menina, o que não sei se é problema do argumento do filme, se a cultura de famílias inglesas permitiriam o aceso tão rápido e tão direto de um homem mais velho a uma filha adolescente em tão pouco tempo, ou se realmente, com base nas memórias de Lynn Barber, teria ocorrido exatamente assim.
Como disse, não é de se recomendar fervorosamente aos amigos. Fervorosamente, não, por favor. Mas pode-se recomendar, sim, sem susto.



Cly Reis

Loura Devassa barrada

Vi por aí que tiraram a Paris Hilton do ar. Suspenderam a veiculação pública do comercial da cerveja da loirinha.

Olha, na boa, isso me parece mais uma ação por interesse de alguma concorrente do que propriamente interesses públicos.

Alega-se que a campanha é apelativa, machista, diminui a imagem da mulher, é incitadora do consumo excessivo de álcool. Não vejo nada disso! É mais uma campanha.Tantas outras não tem mulheres gostosas semi-nuas? Não tem aquela outra que encosta um caminhão do lado do bar e o carinha faz aquela cara de “tudo isso pra mim!”? A outra não sugere que quem bebe tal cerveja é mais guerreiro, mais perseverante do que os outros? Ah!!! Qualé! Então não encham o saco!

Pra mim alguma das concorrentes no ramo botou um “laranja” qualquer ou um grupo já previamente predisposto a estar incomodado com qualquer coisa, como tantos que existem por aí, para ingressar no Ministério Público com a reclamação, e aí, é lógico, o MP acata considerando interesse público.

Como eu disse na postagem anterior, nem curto muito a tal da Devassa, não acho a Paris tudo isso, não estou fazendo aqui a defesa da cerveja, só acho que tudo isso não passa de mais uma bobagem, mais uma babaquice, e o pior é que sustentada por velhas demagogias.



C.R.

terça-feira, 2 de março de 2010

The Rolling Stones "Exile on Main St." (1972)


Entre muitas drogas, álcool, discussões, brigas e polêmicas, os Rolling Stones em 1972 lançavam aquele que seria o único álbum duplo de sua discografia e ainda hoje considerado por grande parte da crítica, o melhor da banda. “Exile on Main St.” curiosamente, apesar das boas vendas, causou algum estranhamento no público e desagrado à gravadora pelo tratamento diferente dado a cada música, o que, além do resultado fonográfico considerado irregular, saíra muito caro por conta do longo período que a banda permanecera em estúdio. Este é outro detalhe importante deste disco que, sem falar na grande qualidade da obra, é envolvido por grandes curiosidades: a maioria das músicas eram sobras dos dois álbuns anteriores e foram levadas para terem um “tratamento” diferente e aí então comporem um álbum e o interessante é que mesmo com origens diferentes e não tendo sido pensadas para uma obra ou conceito específico conseguem ter uma unidade e coesão a ponto de receberem até hoje tamanho destaque. A banda foi gravá-lo na França e alugou uma antiga casa que tinha servido na 2° guerra como quartel-general da Gestapo. Consta que a própria banda diz ter sido afetada pelas vibrações do lugar o que teria contribuído em parte para (um dos) quase fim da banda por conta das freqüentes brigas de Jagger e Richards. Daí já vem outra curiosidade: Jagger, insatisfeito com o resultado que estava se apresentando, meio que largou de mão o material gravado e aí que Richards achou de dar o tratamento que bem entendia, enchendo a sonoridade de metais e vocais gospel. O fato de estar insatisfeito com o que vinha sendo feito talvez tenha servido de estímulo a Mick Jagger que acaba tendo uma performance vocal incrível no disco. Pra completar, a capa cheia de bizarrices, esquisitices, absurdos e abominações já era uma mostra do que estava contido ali dentro, refletindo, em parte, o que se passara com a banda, o ambiente e a atmosfera das gravações. O resultado de tudo isso é o disco mais chapado, criativo e experimental dos Stones e um dos melhores de todos os tempos.

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FAIXAS:
1. Rocks Off
2. Rip This Joint
3. Shake Your Hips
4. Casino Boogie
5. Tumbling Dice
6. Sweet Virginia
7. Torn and Frayed
8. Sweet Black Angel
9. Loving Cup
10. Happy
11. Turd on the Run
12. Ventilator Blues
13. I Just Want to See His Face
14. Let It Loose
15. All Down the Line
16. Stop Breaking Down
17. Shine a Light
18. Soul Survivor
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Ouça:
The Rolling Stones Exile On Main Street

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

"A Onda", de Dennis Gansel (2008)



Na onda d”A Fita Branca”, formação de fascismo, regimes totalitários, etc., por acaso acabou caindo na minha frente logo na seqüência, outro filme onde estes temas reaparecem.Trata-se de “A Onda”, produção alemã de 2008, dirigida por Dennis Gansel, que reproduz fatos reais ocorridos na Califórnia em 1967, mas que ambientado na Alemanha como é, ganha muito mais impacto por todo o histórico daquele país nos âmbitos político e militar.
Um simples exercício didático, uma demonstração prática como tentativa de despertar o interesse dos alunos para uma aula de autocracia, acaba se tornando o estopim para uma espécie de movimento coletivo, que aos poucos, sustentado inicialmente por interesses comuns baseados em igualdade, colaboracionismo, união, revela-se por fim um exemplo de núcleo autocrata tendo como figura central o professor. Os alunos, mesmo submetidos a uma rígida disciplina de sala de aula, acabam por se identificar com os princípios que norteiam a proposta pois vêem naquela possibilidade de formação de grupo vantagens diferentes conforme seus interesses, tais como, inclusão, segurança, identidade, atenção, incentivo, etc.
Em nome do grupo, da unidade, do que se pode fazer juntos, do que se pode conquistar, primeiro se sugere nome, depois uniforme, depois um símbolo, depois uma saudação e dali a pouco a coisa corre de uma maneira desenfreada e o impressionante é como o professor, inocentemente, não vê a proporção que a coisa vai tomando. A erva-daninha estava ali viva o tempo inteiro mas só estava esperando um pouco d’água.
Foi o que o professor deu. (Quase) Todos de certa forma estavam sequiosos por algo assim: interesses em comum demonstrados e conduzidos por um líder, e quando isso lhes foi dado A ONDA cresceu, cresceu e transformou-se em uma pequena unidade fascista mas com potencial perigosíssimo para crescimento. E o mais impressionante é como sempre tem aqueles cabeças fracas, os vidas-vazias, os sem-propósito que acabam adotando coisas como estas como os ideais de vida, pois, afinal de contas não tem nada mais para abraçar.
O filme trata do assunto em uma escola, mas poderia muito bem aplicar-se a outros contextos coletivos como as tais torcidas uniformizadas do Brasil, que vivem se matando, cantando hinos de guerra escondidos atrás de cores clubísticas, por exemplo; ou mesmo, num exemplo mais próximo, dos grupos neonazistas que existem por aí que saem nas ruas espancando os que julgam inferiores. Não é parecido? Símbolos, gestos, hinos, uniformes, cores?
Enquanto filme, vejo méritos na direção, nas cenas de sala de aula, explorando por vezes aquele ambiente como se fosse um palanque, enquadrando a classe como se fosse um exército; e considero este resultado da experiência de cinema com uma abordagem pedagógica d”A Onda” mais válido e completo que o obtido no recente e elogiado “Entre os Muros da Escola”, que na minha opinião foi bastante realista porém muito raso. Este, além de apresentar igualmente um ambiente escolar com suas diversidades, ainda proporciona este tipo de análise e reflexão de um elemento político-social absolutamente relevante e perigoso. Por outro lado vi o diretor Dennis Gansel ser meio apressado na condução do filme dispendendo menos tempo do que devia no convencimento da turma acerca da proposta, na caracterização de alguns alunos-chave, e na revelação do problema ao professor, que acordou muito abruptamente e de uma maneira muito simplista.
Acho que tem mais méritos que defeitos mas com um pouquinho mais de “estrada” do jovem diretor, tenho a impressão que o resultado teria sido melhor ainda.


Cly Reis

"A Fita Branca", de Michael Heneke (2010)


Recomendado pelos prêmios significativos que vem recebendo, como a cobiçada Palma de Ouro em Cannes, “A Fita Branca”, de Michael Heneke, é aquele tipo de filme que não acaba com o final da sessão. O escurecimento gradual da tela com a passagem dos créditos no mais profundo silêncio é um convite à reflexão. As mais variadas sensações e dúvidas ficam suspensas na mente do espectador, e em pouco tempo acabamos por perceber que toda a chamada à trama ao mistério, ao suspense não era mais que uma máscara para a verdadeira intenção do diretor que era o tempo todo se aprofundar na natureza das pessoas e daquela comunidade onde viviam.
Tendo como ponto de partida uma série de incidentes, que se revelam depois propositais, Michael Heneke vai aos poucos saindo do geral para o particular e nos levando a conhecer as famílias de um pequeno vilarejo no interior da Alemanha, suas particularidades e personalidades, mostrando faces brutas, cruéis, invejosas, mesquinhas e preconceituosas, tudo isso inserido em um sistema patriarcal controlado por um barão que se faz impor mais pelo medo que pelo respeito, sempre às voltas também com a religião, que é ponto comum nas famílias naquela pequena sociedade.
Os referidos incidentes, pela reincidência e pelo aumento das gravidades, passam a causar medo nos cidadãos do lugar e aos poucos também a se mostrar como castigos a faltas cometidas. Coisas que acontecem dentro dos lares, desvios de caráter individuais ou injustiças, passam a ser julgados por algum vigilante (ou vigilantes) e atrocidades ou vandalismos são cometidos contra famílias como forma de punição.
Acaba-se criando um mistério, mas aí é que está a questão: ainda que fiquemos com a impressão que um grupo de crianças seja responsável por aquilo, por seu comportamento estranho e formação de grupos; mesmo que sejam eles; este não é o ponto principal, e sim o porquê destas crianças ou fosse lá quem fosse estar movido por aquele ímpeto justiceiro. É o contexto autoritário, é o rigor religioso, são os castigos domésticos, os abusos infantis, tudo contribuindo para a formação de um INDIVÍDUO repressor.
Devo admitir que tinha-me passado despercebido, e somente depois lendo uma crítica do filme, que me alertei para o fato de que o narrador (um professor morador da vila), anos depois nas suas reminiscências, ao relatar os fatos, os classifica como fundamentais para se entender os acontecimentos que se sucederiam nas décadas seguintes na Alemanha. Na concepção do diretor, o narrador por certo se refere à formação da sociedade que resultou no nazismo. Que aquele tipo de contexto social, autoritário, patriarcal, segregaconista, às portas da 1° grande guerra, acabaria por formar os indivíduos que moldaram a política fascista que culminou na 2° Guerra Mundial. A própria representação da fita branca no braço das crianças, para lembrar da sua pureza, tem como intenção esta alusão aos judeus dos guetos com suas braçadeiras com a estrela de Davi, usadas como forma de diferenciação.
Bom..., aceitável enquanto influência, impulso, mote, mas espero que o sr. Michael Heneke não tenha se enganado e encarado isto como uma desculpa, do tipo, um psicopata fatiou a namorada porque o pai batia nele. Não serve. Por mais que aceitemos que o sistema interno da Alemanha e do seu povo pré-1° guerra, já contribuísse para o que acabou se tornando, não servirá de justificativa para o Holocausto e para todas as atrocidades cometidas durante a 2° Guerra. Se não é por ai, a causa apresentada é válida sim, mas apenas se somada a outras tantas. Jamais sozinha.
Mas independente disso, não pode-se tirar os méritos cinematográficos, que são muitos, na realização deste filme. A começar pela belíssima e precisa fotografia em preto-e-branco que é parte importante do conceito pretendido, reforçando expressões, ressaltando os contrastes, texturas e dando uma atmosfera sombria e fria ao lugar. Destaque também para a organização dos elementos, fazendo com que conheçamos primeiro o todo e só depois entraemos no detalhe, fazendo isso de forma tão sutil que, de repente estamos dentro da casa vendo os problemas de determinada família e neste mergulho vemos que eles são mais sérios do que pareciam e o mergulho continua e continua psicologicamente. E ainda destacar o jogo de mostra-e-esconde que faz, deixando totalmente límpido e evidente o que já está explícito, e ocultando elementos do que possam dar margem à especulações e análises deixando as conclusões a cargo do espectador.
Temática ousada, técnica apurada, qualidade, suspense e beleza plástica. Ingradientes que fazem de "A Fita Branca" um programa sem risco de arrependimento.

Segue abaixo um trecho de uma entrevista do diretor, que dá uma idéia das pretensões dele com “A Fita Branca”:
“Não ficaria feliz se esse filme fosse visto como um filme sobre um problema alemão, sobre o nazismo. Este é um exemplo, mas significa mais que isso. É um filme sobre as raízes do mal. É sobre um grupo de crianças, que são doutrinadas com alguns ideais e se tornam juízes dos outros – justamente daqueles que empurraram aquela ideologia goela abaixo deles. Se você constrói uma idéia de uma forma absoluta, ela vira uma ideologia. E isso ajuda àqueles que não têm possibilidade alguma de se defender de seguir essa ideologia como uma forma de escapar da própria miséria. E este não é um problema só do fascismo da direita. Também vale para o fascismo da esquerda e para o fascismo religioso. Você poderia fazer o mesmo filme – de uma forma totalmente diferente, é claro – sobre os islâmicos de hoje. Sempre há alguém em uma situação de grande aflição que vê a oportunidade, através da ideologia, para se vingar, se livrar do sofrimento e consertar a vida. Em nome de uma idéia bonita você pode virar um assassino.”



Cly Reis

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Jorge Ben, "Samba Esquema Novo" (1963)



“Uma noite no Bottle’s Bar, ainda meio vazio, ouvi um mulato forte e bonito cantando e tocando um violão muito diferente(...) Ele não dedilhava o violão mas tocava-o com a mão inteira, rítmico e percussivo, à maneira dos bluesmen. Mas o que ele tocava era indiscutivelmente samba, mas um samba muito diferente...”
Trecho de “Noites Tropicais”,
de Nélson Motta


Acabei de adquirir, há poucos dias, substituindo o meu “piratinha”, um dos mais importantes álbuns da discografia nacional; um daqueles discos revolucionários em linguagem, estilo e inovação. Trata-se do clássico “Samba Esquema Novo” disco de estréia de Jorge Ben, lançado em 1963 mas que permanece vanguardista e influente até hoje.
Toda essa onda de samba-rock; Seu Jorge, Otto, Lenine, Mundo Livre S/A; todos estes e muitos outros não seriam quem são nem teriam feito o que fazem sem a existência do “Samba Esquema Novo”. Diria mais: talvez de forma indireta, talvez por conexões desconhecidas, talvez pela própria expansão natural interfronteiras da música ou por correntes marinhas do Atlântico, mas vejo no pop rock inglês, principalmente do início dos ’90, muito da linguagem proposta neste álbum e que viria a se aprimorar e ficar mais clara nos discos seguintes, principalmente no grande "Tábua de Esmeraldas" de ‘74.
Sempre lembro da descrição de Nélson Motta, no seu ótimo “Noites Tropicais”, da primeira vez que ouviu Jorge Ben: “ele não dedilhava o violão, mas tocava com a mão inteira”. Tocava samba como se tocasse rock. E seria simplificar dizer que aquilo se resumisse a um dos dois estilos ou que fosse apenas uma conjugação dos dois. Era mais. Era jazz, funk, soul, blues, gafieira e um “misto de maracatu” como anunciava a letra da sua “Mas que Nada”. Jorge Ben talvez não soubesse o que estava fazendo ali, mas com “Samba Esquema Novo” ele revolucionava de novo a música brasileira, mesmo inserido num contexto absolutamente criativo e inovador como era a Bossa-Nova.
A já citada “Mas que Nada”, abrindo o disco, já dava o cartão de visitas, apresentando todo aquele misto inusitado até então. “Tim Don Don”, que a segue, é a única não composta por Jorge, mas se presta perfeitamente para esmiuçar a levada, com onomatopéias atribuídas ao som do violão que quase explicavam o som que o garoto estava fazendo ali.
“Rosa, Menina Rosa”, uma das melhores do disco, que acrescenta à mistura do cantor uma atmosfera meio espanhola por conta de seus metais, dá o recado de que aquele samba é capaz de passar muita gente pra trás. “Menina Bonita Não Chora” é outra das grandes do álbum, e as conhecidas “Chove Chuva” e “Balança Pema”, regravada depois por Marisa Monte, são outros grandes momentos do álbum. “Por Causa de Você, Menina”, que encerra a obra em grande estilo, traz aquele “voxê” que o cantor fazia em homenagem a uma pequena fã, e que muita gente na época acreditava ser um problema de dicção. Mesmo que fosse isso... Mesmo que fosse gago, não invalidaria o baita disco que é esse “Samba Esquema Novo”.

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FAIXAS:
1. Mas que Nada (Jorge Ben)
2. Tim dom dom (João Mello - Clodoaldo Brito)
3. Balança Pema (Jorge Ben)
4. Vem Morena, Vem (Jorge Ben)
5. Chove Chuva (Jorge Ben)
6. É Só Sambar (Jorge Ben)
7. Rosa, Menina Rosa (Jorge Ben)
8. Quero Esquecer Você (Jorge Ben)
9. Uala Ualalá (Jorge Ben)
10. A Tamba (Jorge Ben)
11. Menina Bonita Não Chora (Jorge Ben)
12. Por Causa De Você, Menina (Jorge Ben)

“O samba de Jorge Ben, da batida de seu violão à linha melódica e letra de suas composições revela um novo caminho nos horizontes de nossa música popular. É o esquema novo do samba(…) Seu inato talento musical proporcionou-lhe descobrir uma nova puxada para o nosso samba, fazendo do violão um instrumento, sobretudo, de ritmo (…) Somente o violão de Jorge já da a necessária marcação dispensando, portanto, aquele instrumento de ritmo. O balanço do acompanhamento repousa quase sempre no seu violão”.
Trecho do texto da contracapa original de 1963, de Armando Pittiglianni

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Berinjela Beligerante

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

cotidianas #18 - Compensação


O pai está na poltrona lendo jornal e o filho no tapete vendo uma revistinha. De repente o garoto topa com uma palavra desconhecida para ele: COMPENSAÇÃO.
— Pai, o que é compensação?
— É uma coisa que compensa a outra, filho. Que... Como é que eu vou lhe explicar? Que compensa, entende?
— Não!
— Eu vou dar um exemplo... Se a sua mãe transasse com o padeiro, com o carteiro, com o açougueiro, com o vizinho... O que eu seria?
— Ah, pai, você seria um côrno!
— É... Mas, em COMPENSAÇÃO, você seria um filho da puta!

10 Dúvidas Sobre a Cerveja

O ClyBlog vem numserviço de utilidade pública esclarecer algumas dúvidas e derrubar alguns mitos sobre o consumo de cerveja.

10 dúvidas sobre a cerveja

1. A CERVEJA MATA?


Sim. Sobretudo se a pessoa for atingida por uma caixa de cerveja com
garrafas cheias. Anos atrás, um rapaz, ao passar pela rua, foi atingido por
uma caixa de cerveja que caiu de um caminhão levando-o a morte instantânea.
Além disso, casos de infarto do miocárdio em idosos teriam sido associados
as propagandas de cervejas com modelos boazudas.


2. A BEBIDA ENVELHECE?

Sim. A bebida envelhece muito rápido. Para se ter uma idéia, se você deixar
uma garrafa ou lata de cerveja aberta ela perderá o seu sabor em
aproximadamente quinze minutos.


3. CERVEJA CAUSA DEPENDÊNCIA PSICOLÓGICA?


Não. 89,7% dos psicólogos e psicanalistas entrevistados preferem uísque.


4. MULHERES GRÁVIDAS PODEM BEBER SEM RISCO?


Sim.. Está provado que nas blitz a polícia nunca pede o teste do bafômetro
pras gestantes. E se elas tiverem que fazer o teste de andar em linha reta,
sempre podem atribuir o desequilíbrio ao peso da barriga.


5. CERVEJA PODE DIMINUIR OS REFLEXOS DOS MOTORISTAS?


Não.. Uma experiência foi feita com mais de 500 motoristas: foi dada uma
caixa de cerveja para cada um beber e, em seguida, foram colocados um por um
diante do espelho. Em nenhum dos casos, os reflexos foram alterados.


6. O USO CONTINUO DO ALCOOL PODE LEVAR AO USO DE DROGAS MAIS PESADAS?

Não. O álcool é a mais pesada das drogas: uma garrafa de cerveja pesa cerca
de 900 gramas.


7. A CERVEJA ATRAPALHA NO RENDIMENTO ESCOLAR?


Não, pelo contrário. Alguns donos de faculdade estão aumentando suas rendas
com a venda de cerveja nas cantinas e bares na esquina.


8. O QUE FAZ COM QUE A BEBIDA CHEGUE AOS ADOLESCENTES?


Inúmeras pesquisas vinham sendo feitas por laboratórios de renome e todas
indicam, em primeiríssimo lugar, o garçom.


9. CERVEJA ENGORDA?


Não. Quem engorda é você.


10. A CERVEJA CAUSA DIMINUIÇÃO DA MEMÓRIA?


Que eu me lembre, não.


Agora sim você pode continuar saboreando sua gelada sem culpa nem arrependimento.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

"O Último Grande Herói", de John McTiernan (1993)


Acabo de assitir pela enésima vez um filme que curto de montão e que considero injustiçado pelo fato de não ter recebido a devida atenção, elogios nem reconhecimento que é "O Último Grande Herói", de John McTiernan. Pode-se subestimar inicialmente esta película pelo fato de ser estrelada pelo grandalhão monossilábico (mas carismático) Arnold Shwarzenegger mas no fundo, o filme cheio de ação e de "mentiras" típicas de cinema, é uma grande declaração de amor à Sétima Arte com todas as suas referências a clássicos, homenagens, ridicularizações de clichês, brincadeiras com a própria indústria cinematográfica, e participações especiais.
Além de manter um bom ritmo de ação e interesse, pelas mãos do diretor que já havia nos tirado o fôlego em "Duro de Matar 2", "O Último Grande Herói" ainda nos  põe frente-a-frente com a tela e faz questão de nos lembrar que vida real é uma coisa e cinema é outra, reforçando seus argumentos pelos exageros do mundo da ficção (durante o tempo em que o filme se passa lá) e pela impotência dos personagens ficcionais no mundo real, onde, aliás, respinga até uma crítica à nossa sociedade quando se sugere que aqui, na realidade, os vilões podem vencer.
O negócio todo deste trânsito entre real e irreal é que um garoto, aficcionado por filmes, ganha de um velho porteiro e projetista do cinema que freqüenta, um suposto ingresso mágico, e por incrível que pareça o tal bilhete funciona e dá passagem da relaidade para um mundo paralelo. O lance é que o guri está dentro do cinema e acaba caindo exatamente no filme do seu grande ídolo, Jack Slater, interpretado por Shwarzenegger. Lá, do outro lado da tela, o garoto, Danny, tenta argumentar de todas as formas com o herói que tudo aquilo é um filme e por isso as coisdas sempre dão certo, carros explodem com um tiro, vidros são quebrados com socos sem que se sinta dor, e as mulheres são todas perfeitas; além do fato, é claro, de tentar convencê-lo que é apenas um personagem interpretado pelo astro Arnold Shwarzenegger que o herói, é claro, nunca ouvira falar.
As homenagens ao mundo do cinema vão desde uma passadinha rápida por Catherine Trammel de "Instinto Selvagem"entrando na delegacia, uma visita à locadora à procura de "O Exterminador do Futuro II" (ali estrelado por Stallone), passando pela menção a "Amadeus" de Milos Forman no qual o personagem de F. Murray Abraham é lembrado por ter matado Mozart; mas é mais bacana ainda principalmente quando A Morte de "O Sétimo Selo", clássico de Ingmar Bergmann, sai da tela e diz a Danny que Jack Slater não está na sua lista pois não trata com ficção.
Outro barato é na festa de lançamento do filme dentro do filme, "Jack Slater IV", as pontas de Jean-Claude Van Damme, MC Hammer, James Belushi e Little Richard no tapete vermelho da premiére.
Não é um clássico absoluto, não é um cult-movie - com boa vontade, na minha concepção um candidato a cult - mas com certeza figura, ali, junto com filmes como "Ed Wood", "Cinema Paradiso" e mais recentemente "Bastardos Inglórios, como um destes filmes de ode ao cinema. Filme de apaixonados pela arte.


Cly Reis

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

The Rolling Stones "Let It Bleed" (1969)


“Todos precisamos de alguém
para sangrar em cima
Se você quiser
pode sangrar em mim.”

Mick Jagger - letra de "Let It Bleed"



Independente da qualidade da contribuição musical dos Beatles ao mundo da música através dos tempos, inegável e fundamental, sempre tive para mim a impressão de que os Garotos de Liverpool eram os bons moços e os Rolling Stones os maus. Ainda que os Beatles também possuam polêmicas, episódios com mulheres e tal, a conduta de Mick Jagger e companhia sempre me pareceu muito mais roqueira. Até o jeito de cantar, de vestir, da postura do palco, tudo. Talvez por tudo isso sempre tenha gostado mais dos Stones.
O próprio título deste disco já é mostra desta diferença. É dasafiador e irônico em relação ao “Let It Be” dos Beatles. Algo como, “vocês fazem isso? nós fazemos ISSO!”.
E verdadeiramente o disco é TUDO ISSO. Uma obra admirável e grandiosa quase que sem igual na história do rock.
Pra começar, abre com “Gimme Shelter” que na minha opinião é a melhor canção de rock de todos os tempos. Jagger com um vocal impetuoso, quase agressivo; os vocais femininos de arrepiar, a guitarra precisa de Richards e aquele tom apocalítico da letra fazem de “Gimme Shelter” algo mágico e superior.
“Love in Vain” que vem na seqüência é demonstração evidente de uma das influências mais fundamentais da banda, o blues, e particularmente, Robert Johnson, que imortalizou a canção. A propósito, os chatos (mas bons) irmãos Reid do Jesus and Mary Chain, chegaram a afirmar que os Stones eram apenas “a melhor banda de blues do mundo”, e quando dizem APENAS de blues, quer dizer que não consideram uma banda de rock. Mas tirando essa antipatia dos Reid, eu compreendo a afirmação, pois no fim das contas os Rolling Stones incrementaram seu rock com muito blues e deram ao blues traços mais roqueiros e fizeram isso como ninguém.
O blues se faz presente em vários momentos no disco e outros bons exemplos no disco são a ótima “Midnight Rambler”, mais agitada, forte e vibrante, e a faixa título “Let It Bleed”, mais melancólica.
O álbum fecha com a grandiosa “You Can’t Always Get What You Want” pontuada por um belíssimo coral gospel, num crescendo mejestoso que confere um final digno a uma obra fantástica como esta. Se eu até posso não ter sempre o que quero, não sei, mas a sensação que se tem ao ouvir “Let It Bleed” é de que não se precisa de mais nada.

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FAIXAS:
  1. "Gimme Shelter" – 4:32
  2. "Love in Vain" (Robert Johnson) – 4:22
  3. "Country Honk" – 3:10
  4. "Live with Me" – 3:36
  5. "Let It Bleed" – 5:34
  6. "Midnight Rambler" – 6:57
  7. "You Got the Silver" – 2:54
  8. "Monkey Man" – 4:15
  9. "You Can't Always Get What You Want" – 7:30
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Ouça:

O Frango Atirador

Coluna dEle #16

Eu sei, eu sei que ta todo mundo puto Comigo por causa desse negócio de Haiti, mas vocês tem que entender que essa droga desse planeta de vocês, é cheio de rachaduras por baixo e que quando Eu tento consertar um lado pra não movimentar, outro mexe e daí fudeu . Além disso essa casa toda aí ta uma bagunça, né? Eu sei. Tá dando defeito em tudo quanto é lugar. É água demais, é gelo demais é calor demais. Tudo que Eu recebo são reclamações, reclamações e reclamações. O meu pessoal aqui tá se esforçando mas não tamo conseguindo dar conta de tudo.
Mas já tô providenciando pra consertar isso aí. Tô tirando uns orçamentos pra manutenção mas o pessoal tá “caprichando” no preço, hein! É cada facada!
Chamei a empreiteira que trabalhou na construção disso aí - o Mundo. Como a garantia de 5000 anos já acabou vou ter que pagar pelo serviço.
Só não vou revelar os valores pra não expôr muito as finaças aqui da administração, mas vocês não fazem idéa do que esses caras tiveram a cara de pau de Me cobrar. Esse mundo tá perdido!
em todo o caso dêem uma olhada nos serviços que realizaremos nos próximos mesmes. Pediremos desculpas por quaisquer transtornos, mas estaremos trabalhando para vosso bem estar.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

cotidianas #21 - Os Passistas



Essa coisa toda de Carnaval me lembrou passistas, que me lembrou essa música do Caetano que considero ser uma das grandes letras deste maravilhoso compositor. Notem a perfeição da língua portuguesa empregada nesta letra e o cuidado formal. Chega  a ser um preciosismo gramatical em uma música as mesóclises e a pronominação precisa, mas é algo que só um grande escritor conseguiria fazer e musicar.
Isso sem falar nos palíndromos rebatidos de um verso para outro em "Roda:" e "A dor"; "Amor" para "Roma" e em "Amas" com "Mas, ah".
Mas tudo isso é só por causa dos passistas do Carnaval, dos passistas das avenidas e passarelas do samba.




Vem,
Eu vou pousar a mão no teu quadril
Multiplicar-te os pés por muitos mil
Fita o céu,
Roda:
A dor
Define nossa vida toda
Mas estes passos lançam moda
E dirão ao mundo por onde ir.
Ás vezes tu te voltas para mim
Na dança, sem te dares conta enfim
Que também
Amas
Mas, ah!
Somos apenas dois mulatos
Fazendo poses nos retratos
Que a luz da vida imprimiu de nós.


Se desbotássemos, outros revelar-nos-íamos no Carnaval.
Roubemo-nos ao deus Tempo e nos demos de graça “a beleza total, vem.


Nós,
Cartão Postal com touros em Madri,
O Corcovado e o Redentor daqui,
Salvador,
Roma
Amor,
Onde quer que estejamos juntos
Multiplicar-se-ão assuntos de mãos e pés
E desvãos do ser.
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"Os Passistas"
(Caetano Veloso)

Ouça:
Caetano Veloso Os Passistas

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Devassa

Vocês viram quem será a garota propaganda da Devassa na próxima campanha?
É! Paris Hilton.
Tudo a ver. Ainda mais depois daqueles vídeos e tudo mais...
Gosto muito do chopp Devassa mas a cerveja não é tudo isso. É mais ou menos que nem a loirinha aí: é muuuito barulho pra pouca coisa. Bonitinha, gostosinha, é claro que eu comeria mas... era isso. A cerveja Devassa vai tranqüilo num dia de calor ou se não tiver outra na casa, mas se puder escolher outra melhor, eu troco.
Mas a campanha, capitaneada pelo cineasta Fernando Meirelles, de "Cidade de Deus" e "Ensaio sobre a Cegueira", foi bem sacada, com certeza.


C.R.

O Frango Atirador

Berinjela Beligerante